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Blogue RBE

Seg | 29.12.25

Ensinar Camões hoje: experiências pedagógicas inovadoras, em três agrupamentos ALer mais e melhor, do distrito de Portalegre

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Participação das Professoras Bibliotecárias no Congresso Internacional Ensinar Camões no séc. XXI

No dia 28 de novembro, três professoras bibliotecárias de diferentes agrupamentos do distrito de Portalegre participaram no Congresso Internacional Ensinar Camões no séc. XXI, realizado na Universidade de Coimbra. O encontro reuniu investigadores, docentes e profissionais da educação para refletir sobre novas abordagens pedagógicas à vida e obra de Luís Vaz de Camões, no ano em que se assinalam os 500 anos do nascimento do poeta. A representação das bibliotecas escolares destacou-se pela diversidade e criatividade das práticas apresentadas, comprovando o papel central que estes serviços desempenham na promoção da leitura e na dinamização cultural das escolas.

Helena Melo, professora bibliotecária do Agrupamento de Escolas n.º 2 de Elvas, apresentou o projeto “Histórias e cinema de braço dado”, uma proposta que promove a escrita criativa, a leitura e a expressão artística a partir da figura de Camões. A iniciativa envolve alunos do 3.º ao 7.º ano e articula as disciplinas de Português, Educação Visual e a Rádio Escola, convidando os estudantes a imaginar e escrever “As aventuras de Camões” a partir de combinações visuais que definem o “quando”, “onde”, “o quê” e “como” da narrativa. Os textos, ilustrados e transformados em curtas-metragens, têm sido divulgados no canal de YouTube da Biblioteca Escolar e já marcaram presença na I Mostra de Artes Escolar de Elvas. Esta prática pedagógica alia criatividade, tecnologia e literacia, celebrando simultaneamente a efeméride camoniana.

A comunicação de Teresa Guerreiro, professora bibliotecária do Agrupamento de Escolas n.º 3 de Elvas, apresentou o ambicioso programa “Verbo Camões – Conjugar Camões em todos os tempos e idades”, concebido para dois anos letivos e dirigido a todos os ciclos e cursos. O programa organiza-se em doze propostas que exploram Camões nas suas múltiplas dimensões — do desenho à escrita, da ciência à música, do pensamento crítico à representação artística — incentivando cada turma a desenvolver projetos adequados ao seu nível e contexto. Assente no trabalho de projeto e na integração curricular, esta iniciativa conta com diversos parceiros culturais locais e incorpora uma plataforma digital com recursos e espaço para publicação dos trabalhos. É uma abordagem abrangente que pretende “conjugar Camões” de forma viva, atual e interdisciplinar.

Por sua vez, Susana Lourenço, professora bibliotecária do Agrupamento de Escolas José Régio, apresentou “Um olhar de poeta: Camões na voz, na arte e no mundo dos alunos”, um conjunto de iniciativas que aproximam os estudantes da vida e obra de Camões através da leitura expressiva, da escrita criativa, da arte e da interculturalidade. Entre as atividades dinamizadas destacam-se as leituras públicas na comunidade, que levaram os alunos a recitar Camões nas ruas, em espaços públicos e em instituições, promovendo encontros intergeracionais e despertando um contacto mais vivo e significativo com o texto clássico. A figura de Camões integrou também o projeto de interculturalidade, transversal ao agrupamento, no qual as viagens e encontros d’ Os Lusíadas serviram de ponto de partida para refletir sobre contactos entre culturas, diversidade e pertença. Esse trabalho resultou na recolha e partilha de contos e lendas em língua portuguesa oriundos de países lusófonos, muitos deles ligados às origens familiares de alunos migrantes, valorizando as suas identidades e promovendo o reconhecimento da diversidade presente na comunidade escolar. Complementarmente, oficinas de leitura encenada, escrita criativa e trabalhos visuais inspirados na iconografia camoniana contribuíram para ampliar a expressão artística e literária dos alunos.

A participação destas três professoras bibliotecárias no congresso confirmou a vitalidade das bibliotecas escolares como espaços de inovação pedagógica e cultural. Os projetos apresentados demonstram que Camões continua a ser fonte de criação, diálogo e identidade, desde o 1.º ciclo ao ensino secundário, cruzando literatura, artes, ciência, interculturalidade e tecnologias. A partilha destas experiências constitui, por isso, um contributo valioso para a formação contínua dos docentes e para o reforço das práticas educativas centradas no património literário português.

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Este trabalho está licenciado sob licença: CC BY-NC-SA 4.0

Qua | 24.12.25

Boas Festas

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Nesta época de balanço e de renovação, a Rede de Bibliotecas Escolares agradece a todos os que, ao longo do ano, contribuíram para afirmar a biblioteca como espaço de leitura e literacia, conhecimento, encontro e cidadania.

Que este tempo de pausa seja vivido com livros, histórias partilhadas e momentos de verdadeiro bem-estar. Desejamos Boas Festas e um novo ano pleno de projetos, aprendizagens e leituras inspiradoras.

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Ter | 23.12.25

Lavre: novo Ponto Biblioteca do Agrupamento de Escolas de Montemor-o-Novo

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O dia 25 de novembro ficou marcado por um momento especial para a comunidade educativa de Lavre: a inauguração do novo Ponto Biblioteca, um espaço renovado, inclusivo e pensado para aproximar ainda mais os alunos dos livros, das histórias e da descoberta.

A cerimónia contou com a presença da direção do Agrupamento de Escolas de Montemor-o-Novo, representantes da Rede de Bibliotecas Escolares, autarcas locais, docentes, assistentes operacionais, pais e encarregados de educação. Os alunos foram protagonistas, oferecendo leituras e pequenas apresentações preparadas especialmente para assinalar a abertura deste novo espaço cultural e educativo.

O Ponto Biblioteca de Lavre resulta de uma candidatura apresentada à RBE e materializa um investimento claro na promoção da leitura e das literacias. O espaço foi reorganizado e equipado para se tornar mais acolhedor, funcional e inspirado nas melhores práticas de bibliotecas escolares: zonas de leitura confortável, fundo documental renovado, áreas de trabalho colaborativo e recursos que estimulam a criatividade e o pensamento crítico.

Durante a inauguração, a direção do agrupamento destacou que este novo ponto biblioteca “reforça o compromisso com a equidade e com o acesso à leitura em todas as freguesias do concelho”, valorizando a proximidade e a oportunidade de cada aluno usufruir de um espaço de aprendizagem de qualidade. A representante da RBE sublinhou a importância desta rede de pontos de leitura para o desenvolvimento das literacias e para o fortalecimento das comunidades escolares, sobretudo em territórios mais dispersos.

A biblioteca escolar assume agora um papel ainda mais visível no quotidiano de Lavre: dinamizará sessões de leitura, projetos criativos, ateliers temáticos, clubes de leitura, exposições e atividades articuladas com docentes e famílias. O novo espaço passa assim a ser um lugar de encontro, partilha e crescimento, aberto à imaginação e ao conhecimento.

A inauguração refletiu o entusiasmo de alunos, professores e famílias, confirmando que este Ponto Biblioteca será um motor de oportunidades e um espaço de pertença para a comunidade educativa de Lavre.

Com livros, histórias e experiências para descobrir, começa agora um novo capítulo para Lavre, um capítulo que se escreve com mais leitura, mais cultura e mais relações que aproximam a escola da sua comunidade.

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Seg | 22.12.25

Lisboa 2025 – Age & Trust Online

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Lisboa 2025 – Age & Trust Online: Pensar em Ambientes Digitais Seguros

O congresso "Lisbon 2025: Age & Trust Online", realizado a 5 de dezembro de 2025 no Centro de Estudos Judiciários, em Lisboa, trouxe para primeiro plano um tema que atravessa o quotidiano das escolas: 

Como garantir que crianças e jovens usufruam das oportunidades do digital em segurança, com respeito pelos seus direitos e pela sua privacidade? 

Promovido pelos projetos MiudosSegurosNa.Net e Agarrados à Net, em parceria com o CEJ – Centro de Estudos Judiciários e a APDC – Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações, e com o apoio da Google, TikTok e Meta, o encontro reuniu investigadores, magistrados, reguladores, empresas tecnológicas, educadores e organizações de defesa de direitos, em torno de uma questão central: 

De que forma a União Europeia pode equilibrar proteção de menores, privacidade e acesso equitativo ao mundo online?

A nova agenda europeia para a idade digital

A União Europeia está a avançar com um conjunto de medidas para proteger as crianças dos danos online, em particular através da regulação da verificação e da garantia de idade nas redes sociais e noutros serviços digitais. Esta aposta numa "década digital" segura para os mais novos inclui códigos de conduta para um “design” adequado à idade, obrigações de avaliação de risco e mecanismos de limitação de acesso a conteúdos impróprios. 

No congresso ficou claro, porém, que esta estratégia levanta questões complexas: 

  • Que dados pessoais devem ser recolhidos para confirmar a idade? 
  • Quem controla essa informação? 
  • Que impacto têm estas soluções na inclusão digital de crianças e famílias com menos recursos ou literacias?

A própria ideia de "age assurance" foi discutida em profundidade. Foram apresentados vários métodos atualmente em desenvolvimento ou uso: estimativa de idade a partir de endereços de email ou dados de utilização, verificação documental com correspondência facial, recurso a cartões de crédito ou números de telemóvel... Em comum, todos procuram impedir o acesso de menores a conteúdos e serviços destinados a adultos, mas todos levantam desafios éticos e jurídicos que precisam ser considerados por reguladores, operadores e também por quem educa.

Direitos da criança no ambiente digital

Um dos fios condutores do encontro foi a articulação entre estas medidas tecnológicas e a Convenção sobre os Direitos da Criança. Lembrou-se que os direitos à proteção, à participação, à privacidade, à educação, à não discriminação e ao bem-estar físico e mental valem tanto no espaço físico como no digital. A pergunta não é apenas "como impedir danos?", mas também "como garantir que crianças e jovens possam aprender, criar, brincar, informar-se e expressar-se online, de forma significativa e segura?".

Neste contexto, destacou-se a importância do enquadramento "Child rights by design". Em vez de adaptar plataformas pensadas para adultos, propõe-se que serviços e produtos digitais sejam concebidos desde a origem a partir de 11 princípios: equidade e diversidade, interesse superior da criança, consulta, adequação etária, responsabilidade, participação, privacidade, segurança, bem-estar, desenvolvimento e agência. Para as comunidades educativas, este quadro oferece uma linguagem comum para dialogar com fornecedores tecnológicos, famílias, escolas/bibliotecas e estruturas de direção sobre o que se considera aceitável ou não numa ferramenta digital usada com alunos.

Entre riscos e oportunidades: o que mostram os dados

Vários contributos do congresso trouxeram evidência empírica sobre a vida digital das crianças. Estudos internacionais apontam que uma percentagem relevante de jovens entre os 9 e os 17 anos é exposta, todos os anos, a conteúdos de natureza sexual ou violenta, discursos de ódio, incentivos à auto-lesão, contactos presenciais com desconhecidos ou conteúdos relacionados com suicídio. Estes números variam por região do mundo, mas a tendência global é clara: à medida que o acesso cresce, também aumentam a visibilidade dos riscos e a urgência de respostas coordenadas.

Ao mesmo tempo, ficou patente que o digital é um espaço de pertença, aprendizagem e participação social para crianças e jovens. Bloquear ou restringir não chega; importa desenvolver competências de literacia digital crítica, resiliência emocional e mecanismos de denúncia e apoio que funcionem na prática. As escolas e, em particular, as bibliotecas escolares, surgem aqui como lugares privilegiados de mediação, onde se pode aprender a pesquisar, a avaliar fontes, a reconhecer manipulações, mas também a usar a tecnologia para criar e partilhar conhecimento com responsabilidade.

O papel estratégico das bibliotecas escolares

Para a Rede de Bibliotecas Escolares, as mensagens do "Lisbon 2025: Age & Trust Online" apontam várias linhas de ação, alinhadas com o trabalho que vem sendo desenvolvido nas bibliotecas.

Em primeiro lugar, reforçar a biblioteca como espaço seguro de exploração do mundo digital, com regras claras de uso de dispositivos e plataformas, informação acessível sobre privacidade e canais de apoio em caso de situações de risco (ciberbullying, extorsão, discurso de ódio, etc.).

Em segundo lugar, integrar de forma sistemática atividades de literacia informacional, digital e mediática nos planos anuais de atividades da biblioteca, cruzando-as com a educação para a cidadania, a proteção de dados, a saúde e o bem-estar.

Em terceiro lugar, tornar a biblioteca um elo de ligação entre escola, famílias e comunidade. Sessões informativas para pais e encarregados de educação, parcerias com projetos e organizações especializadas, divulgação de recursos fiáveis sobre segurança online e direitos da criança ajudam a criar uma abordagem coerente. 

Por fim, é essencial que professores bibliotecários e equipas escolares participem ativamente na "conversa" que o congresso procurou alargar: avaliar criticamente as soluções de verificação de idade que chegam às escolas, questionar práticas de recolha de dados, envolver alunos na definição de regras e na escolha de ferramentas, garantindo que a proteção não silencia a voz das crianças nem limita o seu acesso legítimo à informação e à cultura. Assim, para além de serem objeto de políticas de proteção, crianças e jovens tornam-se igualmente coautores de ambientes digitais mais seguros, inclusivos e alinhados com os princípios do “child rights by design”.

Num tempo em que decisões regulatórias europeias vão moldar o ecossistema digital dos próximos anos, a Rede de Bibliotecas Escolares tem a responsabilidade de integrar todos os fóruns de discussão e reflexão sobre a matéria. O debate sobre idade e confiança online continua em cada biblioteca, sempre que um aluno abre um navegador, pesquisa uma fonte ou partilha um trabalho com o mundo.

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Sex | 19.12.25

Ponto Biblioteca de Foros de Arrão

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Compromisso com a leitura reforçado no AE de Ponte de Sor

A comunidade educativa de Foros de Arrão celebrou, no passado dia 24 de novembro, a inauguração do novo Ponto Biblioteca da Escola Básica local, um espaço que marca mais um passo no reforço da Rede de Bibliotecas Escolares no concelho de Ponte de Sor.

O momento contou com a presença da Direção do Agrupamento de Escolas de Ponte de Sor, da Câmara Municipal de Ponte de Sor, da Junta de Freguesia de Foros de Arrão e da representante da Rede de Bibliotecas Escolares, Fátima Bonzinho, para além de professores, assistentes operacionais, famílias e alunos, que deram cor e significado à cerimónia.

O novo Ponto Biblioteca resulta de uma candidatura apresentada à RBE, que permitiu a criação de um ambiente acolhedor e funcional, pensado para estimular o gosto pela leitura, o acesso à informação e o desenvolvimento de múltiplas literacias. O espaço foi renovado com mobiliário adequado, fundo documental atualizado e zonas diferenciadas para leitura, trabalho autónomo e exploração criativa.

A inauguração ficou marcada por momentos preparados pelos alunos, que apresentaram pequenas leituras e músicas, evidenciando o papel central que a biblioteca assume na vida escolar. A sessão integrou também uma visita guiada ao espaço e a partilha dos projetos de leitura que serão dinamizados ao longo do ano.

Com este novo Ponto Biblioteca, o Agrupamento reforça a sua aposta numa escola mais inclusiva, leitora e aberta à comunidade, consolidando o trabalho em rede com a Biblioteca Municipal e com os parceiros locais.

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Qui | 18.12.25

Bibliotecas escolares e literacia informacional e mediática: o projeto Supercharged by AI em Portugal

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A Inteligência Artificial (IA) constitui atualmente um fator estruturante nas dinâmicas informacionais, comunicacionais e sociais que caracterizam o quotidiano de crianças e jovens. A sua integração em plataformas digitais, sistemas de recomendação e processos de automação redefiniu o panorama de riscos e oportunidades no espaço online.

Os desafios históricos da segurança digital — fraudes, assédio, polarização — não foram eliminados, mas antes amplificados pela capacidade computacional e pela sofisticação das ferramentas de IA. Neste contexto, a literacia informacional e mediática assume-se como competência essencial para o exercício de uma cidadania digital crítica e informada.

A Rede de Bibliotecas Escolares, consciente dos desafios que esta nova realidade coloca às escolas, integrou o projeto internacional Supercharged by AI, reafirmando o papel das bibliotecas escolares no desenvolvimento do pensamento crítico em torno da tecnologia, dos direitos digitais e da cidadania.

O projeto Supercharged by AI: uma resposta europeia

"Supercharged by AI" é uma iniciativa europeia coordenada pela IFLA (International Federation of Library Associations and Institutions), em colaboração com a Tactical Technology Collective e o Politecnico di Milano (Density Design Lab). O projeto foi implementado entre dezembro de 2023 e maio de 2025 em dez países europeus, com financiamento do Fundo Europeu de Media e Informação (EMIF), administrado pela Fundação Calouste Gulbenkian.

A iniciativa foi concebida como modelo de intervenção integrado, articulando exposições interativas sobre temas críticos — media sintéticos e deepfakes, assédio online, fraudes potenciadas por IA e influência política — com processos de capacitação de docentes e implementação de workshops práticos para alunos.

Portugal integrou este consórcio desde o início, com a RBE como parceira nacional responsável pela implementação da iniciativa em escolas portuguesas.

Resultados do projeto (2024-2025)

O relatório internacional Libraries at the Frontline of Equitable AI Literacy, publicado pela IFLA no final de outubro de 2025, documenta o impacto global do projeto em dez países europeus:

  • 63 exposições realizadas;
  • 31.146 visitantes no total;
  • 26 workshops envolvendo aproximadamente 658 participantes.

Durante a fase de implementação deste projeto em Portugal, que decorreu entre janeiro e junho de 2025, a RBE implementou a exposição em cinco escolas, estrategicamente distribuídas pelo país:

  1. Escola Secundária João de Deus, Faro
  2. Escola Secundária D. Sancho II, Elvas
  3. Escola Secundária Luís de Freitas Branco, Paço de Arcos, Oeiras
  4. Escola Básica e Secundária Quinta das Flores, Coimbra
  5. Escola Secundária de Santa Maria Maior, Viana do Castelo

A participação envolveu:

  • 2.028 alunos, distribuídos por 96 turmas;
  • 88 professores participantes.

A elevada participação portuguesa reforça a pertinência do tema para a comunidade educativa e evidencia a capacidade das bibliotecas escolares para dinamizar iniciativas no âmbito da literacia mediática, área em constante evolução. 

Principais conclusões do relatório Libraries at the Frontline of Equitable AI Literacy

A avaliação internacional revela vários padrões relevantes:

  • Persistem discrepâncias entre a perceção e o conhecimento efetivo dos participantes, sobretudo no reconhecimento de fraudes amplificadas por IA e no papel da tecnologia em dinâmicas de influência política;

  • Registam-se melhorias claras entre pré e pós-avaliação: maior identificação de mecanismos de fraude, melhor compreensão do enviesamento algorítmico e aumento da consciência sobre modelos de influência política por IA;

  • Os media sintéticos destacam-se como o tema de maior interesse, funcionando como chave conceptual para compreender outros riscos digitais;

  • As diferenças geracionais são significativas: jovens mostram familiaridade instrumental com IA, mas menor perceção de risco; adultos mais velhos revelam vulnerabilidades acrescidas, sobretudo na distinção entre conteúdos autênticos e sintéticos.

O projeto Supercharged by AI em 2025-2026

Após os resultados alcançados no ano letivo 2024/2025, a Rede de Bibliotecas Escolares deu continuidade ao projeto Supercharged by AI no ano letivo 2025-2026, reforçando o compromisso estratégico de promover o desenvolvimento de competências na área da literacia mediática, alinhada com os desafios emergentes da Inteligência Artificial.

Esta nova fase, iniciada em outubro, envolverá dez concelhos, duplicando o alcance da implementação anterior e garantindo uma cobertura territorial mais equilibrada. A expansão será realizada em dois momentos:

  1. De outubro a dezembro de 2025: Évora, Olhão, Porto, Setúbal e Viseu;
  2. A partir de janeiro de 2026: Aveiro, Portalegre, Santarém, Silves e Vila Real.

A calendarização faseada assegura um acompanhamento diferenciado, permitindo um processo de preparação mais sólido e uma implementação ajustada às necessidades de cada território.

A par da exposição, e à semelhança do que aconteceu no ano letivo anterior, a RBE desenvolveu um curso em regime b-learning, com 12 horas, dirigido a professores bibliotecários, e concebido para apoiar a mediação pedagógica de temas ligados à IA e fomentar práticas de reflexão crítica informada.

Com esta aposta, a Rede de Bibliotecas Escolares procura fortalecer a capacidade das escolas para integrar, de forma autónoma e consistente, dimensões essenciais da literacia digital e da cidadania informacional.

 

Referências

 

 

 

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Qua | 17.12.25

10 sugestões para envolver os pais na escolha de livros

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A relação das crianças e jovens com os livros começa, muitas vezes, muito antes da escolha individual: nasce nas conversas em família, nos gestos de partilha e nas pequenas decisões sobre quais serão “os próximos livros lá de casa”.

As bibliotecas escolares podem desempenhar um papel determinante neste processo, criando oportunidades para que pais e encarregados de educação conversem, reflitam e se sintam mais confiantes na escolha de livros adequados à idade, interesses, motivações e necessidades de leitura dos seus filhos.

Este envolvimento familiar, além de reforçar hábitos de leitura, contribui para que a criança percecione a leitura como uma prática social valorizada e significativa.

Apresentamos abaixo 10 sugestões, simples pontos de partida que as bibliotecas, com a sua habitual criatividade transformarão, sem dúvida, em 10 ideias criativas e inovadoras.

1. Criar momentos de encontro com as famílias

Organizar breves sessões presenciais ou online (por exemplo, “15 minutos à conversa sobre livros”) pode ser suficiente para orientar pais sobre critérios simples: adequação etária, diversidade de géneros, importância da ilustração, progressão na complexidade textual, equilíbrio entre prazer e desafio, e respeito pelo ritmo individual de cada leitor.

2. Disponibilizar listas de livros comentadas

Elaborar pequenas listas temáticas (ex.: histórias para primeiros leitores, livros com humor, livros que ajudam a falar de emoções, desafios para leitores autónomos, ficção científica para adolescentes) permite que os pais tenham pontos de partida seguros e organizados.

Estas listas não precisam de ser prescritivas: basta que ofereçam sugestões claras e breves notas de orientação. (Para os anos iniciais, o Espaço dos livros do projeto LER fora da escola oferece inúmeras sugestões).

3. “Livros em conversa”: enviar uma pergunta para casa

Um modo simples e eficaz de estimular a conversa familiar é enviar periodicamente uma pergunta-gatilho, como:

  • “Que tipo de histórias gostam de ler juntos?”
  • “Há algum tema que o vosso filho gostasse de explorar mais?”
  • “Qual foi o último livro que o fez rir?”

Estas perguntas ajudam os pais a refletirem e a falarem com os filhos antes de adquirirem novos livros.

4. Promover pequenas feiras de leitura comentadas

Durante a semana aberta da biblioteca ou em momentos onde as famílias estão presentes na escola, pode criar-se uma pequena mostra de livros com cartões explicativos:

  • ‘Ideal para leitores que estão a fazer a passagem para textos mais longos’,
  • ‘Perfeito para quem gosta de mistérios’,
  • ‘Bom para ser lido em conjunto’,
  • ‘Excelente para leitores que ganham confiança’.

Estes pequenos guiões ajudam os pais a escolher de forma mais informada.

5. Envolver os alunos como recomendadores

Nada é tão convincente para um pai como ouvir o entusiasmo do próprio filho ou de outros alunos. A biblioteca pode criar:

  • vídeos curtinhos com recomendações dos alunos;
  • cartazes com “o livro que eu recomendaria a um amigo”;
  • exposições de “favoritos da turma”.

Assim, a conversa em família nasce de dentro da própria comunidade escolar.

6. Criar hábitos de partilha entre pais

Iniciativas como “pais recomendam a pais” podem gerar uma dinâmica de comunidade: cada encarregado de educação partilha uma breve sugestão que a biblioteca compila e divulga. Pode até ser criada uma imagem específica para esta atividade de forma a que as recomendações de diferentes pais tenham uma imagem comum. Este gesto reforça a ideia de que a leitura é uma construção coletiva.

7. Orientar sobre o valor da diversidade

É importante ajudar os pais a perceberem que:

  • os livros não têm de corresponder sempre aos gostos dos adultos;
  • a variedade de géneros expande o repertório cultural dos jovens;
  • a escolha deve respeitar o prazer, mas também abrir portas a novos temas, autores e linguagens.

As bibliotecas escolares podem explicar a importância de um percurso leitor equilibrado e progressivo.

8. Integrar o digital com intencionalidade

Muitos pais compram ou oferecem livros digitais. As bibliotecas podem orientar sobre:

  • como escolher bons livros digitais;
  • aplicações de leitura adequadas;
  • como acompanhar as leituras digitais com a mesma atenção que as impressas. 

9. Criar um espaço de “pré-escolha” na biblioteca

A biblioteca pode disponibilizar uma pequena seleção rotativa de livros especialmente pensada para momentos de visita conjunta. Pais e filhos exploram livremente os títulos, folheiam, comentam e identificam interesses comuns. Este espaço funciona como um primeiro contacto orientado e permite às famílias experienciar diferentes géneros e formatos antes de decidirem que livros pretendem adquirir ou requisitar.

10. Enviar orientações simples sobre como conversar com a criança antes de comprar

Muitos pais querem escolher bons livros, mas não sabem exatamente como dialogar com a criança sobre os seus interesses. A biblioteca pode preparar um pequeno conjunto de orientações práticas para enviar pela agenda escolar ou divulgar digitalmente, com sugestões como: perguntar o que a criança gostou de ler recentemente, explorar temas que despertem curiosidade, escolher livros que dialoguem com experiências vividas ou permitir que a criança selecione entre duas ou três opções previamente recomendadas. Estas orientações fortalecem a confiança dos pais e tornam a escolha mais participada.

A esse propósito sugerimos a divulgação do cartaz disponibilizado pela plataforma LER: Vamos escolher o próximo livro? 

Conversar antes de comprar

É importante que as famílias percebam que a melhor compra é sempre aquela que nasce da conversa: entre pais e filhos, entre pais e escola, entre famílias e biblioteca. Promover esta cultura de diálogo é uma das formas mais eficazes de fortalecer a relação das crianças com os livros, e de assegurar que as escolhas contribuem para o crescimento leitor, emocional e cultural.

Ajudar as famílias a valorizarem a leitura, descobrirem bons livros, a sentirem-se seguras nas suas escolhas e a compreenderem que, muitas vezes, a leitura começa com conversas, será sem dúvida uma vertente de trabalho proveitosa para as bibliotecas escolares.

📷 Imagem criada com Chat GPT

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Ter | 16.12.25

«Sou professora, mas também guardiã de histórias»

por Ana MG Taveira, Professora Bibliotecária do AE de Fronteira

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Sou professora, mas também guardiã de histórias.
Na biblioteca, construo pontes entre o passado e o futuro, entre o silêncio da leitura e a vibração da descoberta.
Acredito no poder de um livro bem escolhido, de uma pergunta bem lançada, de uma escuta atenta.

Catalogo livros… e sonhos.
Animo espaços, dou vida a páginas adormecidas, colaboro com o currículo e com quem quer sonhar mais alto.
Cada projeto a que concorro tem um pouco de mim: visão, cuidado e paixão.

Sou professora de Português do 2.º CEB, sou professora do 1.º ciclo… e nos últimos anos, sou professora bibliotecária.

Dizem, às vezes, que não tenho turma. Que não é a mesma coisa. Que não trabalho tanto…
Mas planifico para todas. Levo a leitura, a escrita, o digital a cada sala, ou melhor, trago cada sala à biblioteca.
Abraço cada ciclo, cada faixa etária. Sou uma presença constante, e tantas vezes invisível, como quem acende faróis, mas fica fora da fotografia.
Não ter turma não é ausência: é estar em todas.

Tento, todos os dias, voltar a acreditar que uma escola com uma biblioteca viva… lê melhor, pensa melhor, vive melhor e que às vezes consigo mesmo ajudar alguém.

por Ana MG Taveira
Professora Bibliotecária do Agrupamento de Escolas de Fronteira

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  1. Qualquer semelhança entre o título desta rubrica e a obra Retalhos da vida de um médico, não é pura coincidência; é uma vénia a Fernando Namora.
  2. Esta rubrica visa apresentar apontamentos breves do quotidiano dos professores bibliotecários, sem qualquer preocupação cronológica, científica ou outra. Trata-se simplesmente da partilha informal de vivências.
  3. Se é professor bibliotecário e gostaria de partilhar um “retalho”, poderá fazê-lo, submetendo este formulário.

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Este trabalho está licenciado sob licença: CC BY-NC-SA 4.0

Seg | 15.12.25

ENEC: Desenvolvimento Sustentável sem Literacia financeira?

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No âmbito da nova Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania (ENEC), a componente curricular de Cidadania e Desenvolvimento passou a estruturar-se em 8 dimensões, organizadas em 2 grupos (Presidência de Conselho de Ministros, 2025) [2].

O primeiro grupo integra as 4 dimensões que devem ser abordadas em todos os anos de escolaridade: 

  • Direitos Humanos; 
  • Democracia e Instituições Políticas; 
  • Desenvolvimento Sustentável; 
  • Literacia Financeira e Empreendedorismo.

1. ENEC e Agenda 2030 

Estas dimensões correspondem aos 4 Pilares, 4 Ps, da Agenda 2030 das Nações Unidas:

  • Pessoas – Pilar Social; 
  • Paz – Pilar da Justiça e Instituições Eficazes; 
  • Planeta – Pilar Ambiental; 
  • Prosperidade – Pilar Económico.

A Agenda 2030 é um documento de referência da ENEC ao nível:

🔴Da estrutura - que se organiza de forma holística, multissectorial e inclusiva -  propondo que sejam trabalhadas [em simultâneo] diversas áreas - o “alargamento e diversificação da intervenção em ED [Educação para o Desenvolvimento] encontram-se alinhados com o compromisso da Agenda 2030” (Presidência de Conselho de Ministros, 2025). 

Esta abordagem ajuda a identificar e a analisar a interdependência de problemas e a forma mais eficaz de os resolver e a desenvolver o pensamento crítico e sistémico, integrando a complexidade na ED. 

🔴Do compromisso e finalidade - “contribui diretamente para a Agenda 2030 das Nações Unidas que inclui os objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS)” (Presidência de Conselho de Ministros, 2025), o que significa que cada ação educativa contribui para a Educação de Qualidade (ODS 4) e demais ODS.   

🔴Das parcerias e cooperação/multilateralismo no setor do desenvolvimento, designadamente ao nível das Nações Unidas - visa “consolidar ações de articulação de iniciativas e de processos no domínio da ED com atores e iniciativas internacionais relevantes nesta matéria, nomeadamente no âmbito da implementação da ‘Agenda 2030’ e outras iniciativas da ONU” (Presidência de Conselho de Ministros, 2025).

No âmbito da ENEC, ainda que a dimensão dos Media não seja trabalhada em todos os anos - Saúde, Risco e Segurança Rodoviária, Media e Pluralismo e Diversidade Cultural são dimensões que fazem parte do segundo grupo da ENEC e que devem ser trabalhadas em pelo menos um ano de escolaridade em cada ciclo de estudos - a biblioteca escolar trabalha todas as dimensões e literacias integradas na literacia digital, da informação e media, na educação para a cidadania e no currículo.

2. Porquê literacia financeira?  

Das 4 dimensões que devem ser trabalhadas anualmente, provavelmente a que foi encarada com maior estranheza foi a da Literacia Financeira e Empreendedorismo. 

Ela justifica-se porque ao nível da UE (União Europeia) “apenas 11% dos portugueses têm nível elevado de literacia financeira, o mais baixo da UE” – a média da UE é 18% (Comissão Europeia, 2023) [3] e porque Portugal é o segundo país da UE pior classificado em literacia financeira (Bruegel, 2024) [4].

O PISA (Programme for International Student Assessment) 2022, que avalia o conhecimento e as competências necessárias para a vida social e económica de estudantes de 15 anos, aponta uma queda de 11 pontos face a 2018, com média de 494 pontos, abaixo da média da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) [5].

O relatório da OCDE sobre literacia financeira digital em Portugal (2023) indica diferenças significativas em função do nível de educação, idade, rendimento e região: tendem a ter um nível de literacia financeira digital inferior cidadãos que apenas concluíram o ensino básico, tenham idades avançadas ou residam na Madeira [6]. 

3. Desenvolvimento sustentável sem literacia financeira?  

A literacia financeira desenvolve competências técnicas úteis para o dia-a-dia – eg. impostos, taxas de juro, inflação, risco e rendimento - e previne contra fraudes e desigualdades, constituindo um fator de bem-estar e resiliência. 

Para além disso, só é possível alcançar as metas da Agenda 2030 transformando-se o atual sistema de produção e de consumo baseado numa lógica individualista - de livre concorrência - e de crescimento ilimitado – objetivo central do atual modelo de capitalismo – numa economia que respeite os limites do Planeta. 

O “desenvolvimento sustentável exige a unificação da economia e da ecologia” que não  podem continuar a operar separadamente numa lógica extrativa e de lucro particular a curto  prazo, considera Brudtland, autora da primeira definição formal de Desenvolvimento Sustentável (1987, p. 57) [7]:  

“(…) muitos de nós vivem para além dos meios ecológicos mundiais, por exemplo, nos  nossos padrões de utilização de energia. As necessidades percebidas são social e  culturalmente determinadas e o desenvolvimento sustentável requer a promoção de  valores que incentivem padrões de consumo que estejam dentro dos limites  ecologicamente possíveis e aos quais todos possam razoavelmente aspirar” (1987, p. 42). 

Segundo o Papa Francisco, o consumismo e a “cultura do descarte” e do desperdício “afeta tanto os seres humanos excluídos como as coisas que se convertem rapidamente em lixo” porque deixaram de produzir ou ser consumidas (Santa Sé, 2015) [8].

Sem a mudança do sistema económico não é possível solucionar os desafios ambientais e sociais, que exigem um “espírito de solidariedade global, em especial a solidariedade com os mais pobres e com as pessoas em situações vulneráveis”, conforme estabelece a Agenda 2030 [9]. 

Outros artigos que podem ser do seu interesse: 

 

Referências

  1. Fonte da imagem: Zero. (2025). Crescimento Verde. https://zero.ong/blog/crescimento-verde/
  2. Presidência de Conselho de Ministros. (2025). Resolução do Conselho de Ministros n.º 127/2025, de 29 de agosto. https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/resolucaoconselho-ministros/127-2025-933648883
  3. Comissão Europeia. (2023, jul.). Monitoramento do nível de alfabetização financeira na EU. https://europa.eu/eurobarometer/surveys/detail/2953
  4. Bruegel. (2024). The state of financial knowledge in the European Union. https://www.bruegel.org/system/files/2024-02/PB%2004%202024_0.pdf
  5. OECD. (2022). Resultados do PISA 2022 (Volumes I e II) - Notas por país: Portugal. https://www.oecd.org/en/publications/pisa-2022-results-volume-i-and-ii-country-notes_ed6fbcc5-en/portugal_777942d5-en.html
  6. OECD. (2023). Digital Financial Literacy in Portugal: Relevance, Evidence and Provision. https://www.oecd.org/finance/financial-education/digital-financial-literacy-in-portugal-relevance-evidence-and-provision.pdf
  7. Brundtland, G. (Coord.). (1987). Report of the World Commission on Environment and Development: Our Common Future. https://sustainabledevelopment.un.org/content/documents/5987our-common-future.pdf
  8. Santa Sé. (2015). Carta Encíclica Laudato Si’ do Santo Padre Francisco sobre o Cuidado da Casa Comum. https://www.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html
  9. United Nations. (2015). Transformando o nosso mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. https://sdgs.un.org/2030agenda

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Este trabalho está licenciado sob licença: CC BY-NC-SA 4.0

Sex | 12.12.25

2026: um ano para ler mais e melhor!

por Júlia Martins*

2025-12-12 tempo para ler.pngO Natal aproxima-se e, com ele, o habitual balanço de fim de ano: o que fizemos, o que aprendemos, o que ainda gostaríamos de concretizar, o que não conseguimos realizar e continuará nos nossos objetivos a alcançar. 

Nas escolas, este é também um momento especial — um tempo de reencontro com tradições, muitas histórias, memórias, sucessos e a magia das palavras que nos afagaram nos momentos mais tristes ou que nos ajudaram a celebrar alegrias. Nós, professores, cuidadores da palavra, promovemos a leitura e oferecemos aos alunos palavras: palavras doces, aventureiras, entusiasmantes, amáveis, empolgantes, mágicas entre muitas outras, e promovemos a leitura. 

Em 2026, todos nós, professores e professores bibliotecários podemos e deveremos assumir um compromisso conjunto: transformar o novo ano num verdadeiro ano de leitura! De livros, de leitores e de novas formas de descobrir o prazer de ler. Juntos vamos transformar 2026 num ano para ler mais e melhor. 

Ler é construir pensamento crítico, alargar horizontes, ganhar voz, descobrir novas geografias. E, numa época marcada por estímulos rápidos e dispersos, ajudar os alunos a ler mais e melhor é talvez o maior desafio educativo do nosso tempo.

Não é um desafio de uma só pessoa, mas de um movimento conjunto: professores, professores bibliotecários, escolas, famílias e comunidades educativas. Juntos desenharemos programas e projetos de leitura, dinamizaremos atividades e serão criados ambientes propícios ao encontro com os livros. Precisaremos também que muitos de nós se assumam como mediadores de aprendizagem e exemplos de curiosidade intelectual e, ainda, que sejam garantidos espaços, tempos e condições para que a leitura se instale na rotina. Por último, que as famílias reforcem em casa o que a escola semeia, mesmo que nós tenhamos consciência que não é fácil. 

É preciso criar redes, comunidades leitoras, para darmos aos nossos alunos, não apenas competências, mas sobretudo oportunidades: de imaginar, de pensar, de questionar, de crescer.

La Furia de la Lectura – Por qué seguir leyendo

Entre tantas reflexões sobre o gosto de ler, vale a pena destacar La Furia de la Lectura – Por qué seguir leyendo en el siglo XXI, uma obra que destaca, com paixão e lucidez, a importância de continuarmos a ler numa era dominada por ecrãs, notificações e consumos rápidos. A leitura deste livro lembra-nos que a leitura é um ato de resistência.

Resistência à superficialidade.

Resistência à velocidade.

Resistência à perda de profundidade do pensamento.

É urgente colocar a leitura no centro da vida cívica, cultural e emocional.

Este livro é inspirador.

 

 

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Para quem deseja requisitar livros na biblioteca escolar, comprar ou oferecer livros ou para quem quer apenas reencontrar o gosto de folhear páginas, deixamos algumas sugestões que podem iluminar este Natal:

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“Nesta obra absorvente, inteligente e divertida, a reconhecida psicoterapeuta britânica Philippa Perry explica o que é realmente importante e que tipo de comportamentos devemos evitar ou fomentar no relacionamento com os nossos filhos.
Em vez de desenhar o plano "perfeito", Perry oferece-nos uma visão geral de como pais e filhos podem alcançar um bom relacionamento. Cheio de conselhos sábios e saudáveis, este é o livro que todos os pais quererão ler e que todos os filhos agradecerão que os seus pais leiam também.” [sinopse da editora]

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Criar uma Biblioteca não é um manual de instruções, mas sim uma narrativa sobre a curiosidade, a imaginação e a perseverança.

Assim como sobre a necessidade de frequentar lugares onde reina a diversidade e onde os livros estão ao alcance de todos.

Inês Fonseca Santos e André Letria imaginaram um livro sobre o modo como se pode alcançar esse lugar mágico onde os livros se acumulam para que possamos tê-los por perto, mesmo quando alguns tendem a escapar-nos.” [sinopse da responsabilidade da editora]

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O Pai Natal não vive.jpg

“Mais uma vez, Afonso Cruz escreve para provocar os leitores e levá-los a pensar criticamente no que os rodeia.
Com ironia - subtil, mas crua - apresenta uma obra em que texto e ilustrações estão em contradição, dizem coisas diferentes, e isso torna a mensagem ainda mais forte, porque é desconcertante.
Com um Pai Natal – personagem criada pela publicidade para esta quadra – como figura central, esta é uma história para leitores de várias gerações.
Se é verdade que o Natal é uma quadra em que as boas intenções e o espírito de solidariedade e generosidade são veiculados, também é verdade que a profundidade do sentido primordial do Natal tem vindo a dar lugar a uma superficialidade e consumismo que transforma a compra de presentes na adulteração do que deve ser a manifestação de amor ao próximo.
«Uma das muitas coisas que me atraem nos livros de Afonso Cruz é a forma que têm de urdir sombra e luz, levando-nos pela mão pelo que na experiência humana há de inconciliável, intratável ou penoso, sem nos deixar perder de vista a beleza, a poesia e o espanto. “[sinopse da responsabilidade da editora]

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“Nem todos escrevem cartas ao Pai Natal, mas muitas pessoas têm vontade de desabafar com ele... O Pai Natal não estava mesmo nada à espera de receber cartas tão... originais. E é justamente por isso que são tão divertidas de ler. Este livro é um convite para rir, recordar a infância, e perceber que, no fundo, todos temos algo a dizer nesta época do ano.” [sinopse da responsabilidade da editora]

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“Histórias de criaturas mágicas têm sido contadas em todo o mundo há gerações… mas serão estas histórias apenas fantasias ou existe alguma verdade nas lendas de unicórnios e dragões, centauros e grifos? Apresentado como se fosse um caderno de um zoólogo da década de 1920, esta obra com encadernação de luxo (com capa de tecido com relevo em folha dourada), pretende responder a esta questão, revelando o mundo oculto das feras mágicas que vivem entre nós. Nestas páginas os leitores conhecerão mais sobre mitologia e criaturas belas e bizarras de todo o mundo, descobrindo seus hábitos, habitats e as lendas que as rodeiam. Aprenderão sobre a anatomia de um unicórnio, o ciclo de vida de uma fênix, incríveis danças de cortejo de dragões e muito mais neste guia definitivo para criaturas mágicas.

Livro que agradará aos leitores fascinados pela mitologia e universo das criaturas mágicas (aqui apresentado por continentes). Um livro que celebra a fantasia dando-lhe um estatuto de realidade digna dos maiores especialistas.” [sinopse da responsabilidade da editora]

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A História Interminável" é uma singular fantasia épica com todos os requisitos do género: criaturas fantásticas, paisagens exóticas, florestas sombrias, encantamentos, rituais de cavalaria, espadas e amuletos, uma imperatriz Criança e tudo aquilo que possamos imaginar, visto que Fantasia é o próprio mundo da Imaginação. Tudo começa quando Bastian descobre um estranho livro numa não menos estranha livraria e se sente subitamente compelido a roubá-lo como se algo de mágico o estivesse a arrastar para uma perigosa aventura. Uma obra que passou ao grande ecrã como um filme de culto.

"Faz o que quiseres" é a inscrição que consta do símbolo do poder ilimitado de Fantasia. Mas o jovem Bastian, herói desta aventura, só ao fim de uma longa e árdua busca descobre o que essa frase realmente significa.
Eis, muito sumariamente, o tema deste livro admirável que se publica agora em Portugal, confirmando também entre nós a sua extraordinária carreira internacional “ [ sinopse da responsabilidade da editora]

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A semente desacontece para ser planta, a nuvem forma chuva, e a onda, espuma. Mas o que acontece às pessoas quando elas desacontecem? [ sinopse da responsabilidade da editora]

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“Musgo vivia feliz e tranquilo junto dos seus donos, a Janinka e o Mirek, duas crianças brincalhonas que ele adorava. Mas quando começa a Guerra uma bomba destrói a sua casa e começa então uma grande caminhada num mundo até aí desconhecido.
Sozinho, sem abrigo nem rumo, vai ter de enfrentar situações difíceis e perigosas e resistir ao cansaço, fome e medo, Apesar das dificuldades, vive aventuras incríveis, aprende coisas novas e ganha amigos inesperados.
A amizade, a esperança e a coragem vão determinar o seu percurso. Será que ele vai conseguir reencontrar a sua família?
Uma obra premiada, de grande qualidade literária, que agradará a crianças e adultos que embarcarem nesta viagem de perdas e ganhos, boas e más pessoas, separações e reencontros, que é vivida por um cão que resolve contar as suas memórias num relato onde sentimentos e sensações se apresentam misturados.” [sinopse da responsabilidade da editora]

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“Um romance sobre a memória, a relação entre um pai e uma filha, o milagre da vida, uma capela no deserto de onde se vê o mar.
Um homem à beira da morte compra uma igreja abandonada no deserto do Namibe, em Angola, junto a um enorme penhasco de onde se vê o Atlântico. Chama-se Leopoldo G. Borges, e é um geólogo e poeta conhecido e respeitado no seu país. Leopoldo decide transformar os últimos meses da sua vida numa escavação — não de pedras, mas da própria alma.
Durante o seu retiro no silêncio mineral do Namibe, escreve o seu diário, além de poemas, juntando reflexões, memórias, visões e presságios. No subsolo da capela em ruínas, Leopoldo descobre a réplica preservada desta, onde o tempo se dissolve e a morte parece esperar, paciente. Entre esses dois mundos, o poeta procura a filha desaparecida, Gaia, e a si próprio.
Tudo Sobre Deus é uma história sobre a finitude, a memória, a culpa e a redenção; sobre o amor entre um pai e uma filha; sobre a arte de despedir-se e o milagre de permanecer. Um romance iluminado pela luz estonteante do deserto, onde, contaminada pela ficção, a realidade se torna fluída e inconfiável.” [sinopse da responsabilidade da editora]

📷 Imagem criada com ChatGPT

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* Júlia Martins

Acredita no poder da leitura. Dar a ler é um desafio que gosta de abraçar. É leitora e frequenta, de forma assídua, Clubes de Leitura. Saiba mais

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