Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



22005535_wdlDH.jpg

A iniciativa Fazer em Rede, tendo em mente o lema “distinguir para inspirar”, pretende dar rosto e voz aos professores bibliotecários, líderes na sua comunidade e profissionais capazes de enfrentar as mudanças com confiança.

Na Boa Prática em destaque, apresenta-se o Coro de Leitura em Voz Alta da Escola Básica Professor João Dias Agudo. Ana França, educadora de infância que integra a equipa da biblioteca do Agrupamento de Escolas de Venda do Pinheiro, conta como funciona o clube, como superou as dificuldades para o manter em funcionamento este ano letivo e como ler em voz alta – e em conjunto – é uma atividade estimulante para os alunos. 

 

Artigo completo: Fazer em Rede • Prémio Boas Práticas | março 2021

 

2021-04-16.png

Fonte da imagem: https://crispasuper.files.wordpress.com/2012/06/roteiro2.pdf

A biblioteca escolar é uma instituição de memória que promove o acesso, preservação e divulgação do património cultural e arte, criando oportunidades, através da educação, das pessoas vivenciarem, dialogarem e unirem-se por este meio.

Para a Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA), que trabalha com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) para garantir o seu acesso universal, conhecimento e preservação, a herança cultural 1 é uma prioridade para o desenvolvimento presente e futuro das pessoas e comunidades: “Uma comunidade prospera por meio da sua herança cultural e morre quando ela deixa de existir”.

Quando se fala em arte, cultura ou património, que imagens ocorrem?
 
A. Infraestruturas – museus, centros de arte, monumentos – de acesso reservado, compostas por obras criadas por pessoas de excecional talento, os artistas?
B. Espaços cujo perímetro coincide com a “zona velha”, histórica de um território?
C. Algo que só interessa a uma elite, conjunto restrito de especialistas?
D. A sua salvaguarda e desenvolvimento deve ser garantida pelo governo ou por todos os cidadãos?
 
Abordagem educativa às artes: qual é o propósito e público-alvo?
 
E. “Serve só para ensinar a apreciar ou deve ser também um meio para melhorar a aprendizagem de outras matérias?”
F. “A arte deve ser ensinada como disciplina virada para si própria ou virada para o conjunto de conhecimentos, capacidades e valores que pode transmitir (ou ambas as coisas)?”
G. “Destina-se a um núcleo restrito de alunos talentosos em disciplinas selecionadas ou é para todos?”
UNESCO. (2006). Roteiro para a Educação Artística, p. 4.

 

De acordo com o Roteiro para a Educação Artística 2, elaborado na sequência da I Conferência Mundial de Educação Artística, organização conjunta da Comissão Nacional da UNESCO e do Governo de Portugal (2006, Lisboa), a educação artística e cultural proporciona o “desenvolvimento completo e harmonioso” das crianças e jovens (p. 5), ultrapassando os limites do modelo verbal, racional e lógico-matemático de educação.

Pode “contribuir de modo significativo para a melhoria do desempenho dos estudantes em domínios como a alfabetização e a aprendizagem do cálculo, além de produzir benefícios humanos e sociais” (p. 22) ao transmitir valores, atitudes, conhecimentos e competências que promovem o desenvolvimento sustentável, a diversidade cultural, a emancipação individual através da educação e formação, a participação – arte e cultura são formas de exercício da liberdade de expressão e envolvimento na vida pública, a exploração e afirmação de “perspetivas únicas”, de identidade (p. 6) e de sentido para a vida, a coesão social.

A aprendizagem através das artes e cultura beneficia o desenvolvimento emocional, a saúde mental e o bem-estar, ajudando a curar tempos de crise. Arte e cultura foram o mais eficaz antídoto ao confinamento e perda de liberdades imposto pela pandemia Covid-19. Diz o escritor Dany Laferrière, “Depois do sismo do Haiti [de 2010], muitos pintores, músicos e poetas emergiram. Transformamos o desastre em flores e oferecemo-las ao mundo”. A música We Are The World 25 For Haiti 3 é uma dessas manifestações.

A aprendizagem através da arte e cultura ajuda à aprendizagem em outras áreas curriculares e melhora a motivação para aprender, o aproveitamento escolar e o absentismo em geral.

Desafios sociais, como a desigualdade de género, descriminação, crime e violência, passividade e indiferença social e política, também podem ser mitigados através de investimento nesta área.

 

Captura de ecrã 2021-04-16, às 10.22.18.png

UNESCO. Indicadores Temáticos de Cultura na Agenda 2030 4

A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável 5 é o primeiro documento a considerar que arte e cultura são facilitadoras e aceleradoras do desenvolvimento sustentável. A maioria dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) - educação, saúde, igualdade de género, redução das desigualdades, sustentabilidade ambiental, sociedades pacíficas e inclusivas, cidades sustentáveis, trabalho digno e crescimento económico, segurança alimentar - reconhecem que arte e cultura contribuem para a mudança. Para além de estarem presentes, de forma transversal, nos outros setores, arte e cultura contribuem para o desenvolvimento como uma atividade que, por si mesma, gera valor económico, social e ambiental. Na Agenda 2030 arte e cultura são descritas de forma ampla, incluindo património cultural, indústrias criativas, cultura e produtos locais, criatividade e inovação, materiais locais e diversidade cultural.

De acordo Bibliotecas, Desenvolvimento e Agenda 2030 6 da IFLA, “As bibliotecas são instituições essenciais para atingir as 17 Metas/ ODS ” e “parceiras importantes dos governos”, pois têm por missão fazer cumprir o acesso universal a uma educação e aprendizagem de qualidade ao longo da vida (ODS 4) e “a inclusão no acesso à informação, salvaguarda do patrimônio cultural, alfabetização universal e acesso às tecnologias de informação e comunicação”. De acordo com a Agenda 2030, o acesso à informação, "Meta 16.10: Garantir o acesso do público à informação e proteger as liberdades fundamentais, de acordo com a legislação nacional e acordos internacionais", à cultura (meta 11.4) e às tecnologias digitais (metas 5b, 9c, 17.8) são essenciais para desenvolver a criatividade, alcançar os ODS e a “participação cultural e criativa inclusiva”.

Uma abordagem das artes e cultura ligada ao currículo é, para a RBE, uma prioridade e, por isso, em 2021 apoia a celebração de duas efemérides que visam o desenvolvimento sustentável através desta expressão e herança.

O Ano Internacional da Economia Criativa para o Desenvolvimento Sustentável 7 (#Creative Economy2021) declarado na 74.ª sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas. De acordo com a resolução da ONU 8 esta efeméride deve aumentar a consciencialização do papel das indústrias criativas para a recuperação e alcance dos ODS. Durante a pandemia a economia criativa tem florescido em ambiente digital, gerando crescimento económico e oportunidades de participação inclusiva e defesa dos direitos humanos. A IFLA promove a participação cultural das bibliotecas nesta comemoração 9 pois a criatividade humana, expressa através da arte e cultura, gera inovação e soluções para os desafios atuais e reforça as “nossas identidades, valores e visão do mundo” e é importante refletir sobre formas de apoiar as plataformas digitais criativas e enfrentar as “desigualdades na participação cultural”.

Este Ano Internacional é lançado pelos responsáveis da Convenção 2005 de Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais 10, da qual Portugal é signatário. A IFLA desafia as bibliotecas a refletir sobre as formas de proteger e promover diversas expressões culturais e a participação de todos na economia criativa.

A Semana Internacional da Educação Artística 11 promovida pela UNESCO todos os anos na quarta semana de maio e que em 2021 se realiza entre 24 e 30 de maio. Esta celebração foi uma decisão da sua 36.ª Conferência Geral de 2011, baseada nos argumentos que se podem ler na sua página principal:

“Hoje, as habilidades, valores e comportamentos promovidos pela educação artística são mais importantes do que nunca. Essas competências - criatividade, colaboração e solução imaginativa de problemas - desenvolvem resiliência, estimulam a apreciação da diversidade cultural e da liberdade de expressão e cultivam a inovação e as habilidades de pensamento crítico. Como um vetor de diálogo no sentido mais elevado, a arte acelera a inclusão social e a tolerância em nossas sociedades multiculturais e conectadas.”

 

Referências

1. Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias. (s.d.). Herança cultural – O trabalho da IFLA na preservação do património cultural. IFLA. https://www.ifla.org/cultural-heritage

2. Comissão Nacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. (2006). Roteiro para a Educação Artística – Desenvolver as capacidades criativas para o século XXI. UNESCO. https://crispasuper.files.wordpress.com/2012/06/roteiro2.pdf

3. Jones, Q., Richie, L. (prod.). (2010, February 1). We Are The World 25 For Haiti. A&M Recording Studios. https://www.youtube.com/watch?v=Glny4jSciVI

4. Centro del Patrimonio Mundial de la UNESCO. (2020, 12 junio). Portal de la Cultura: Indicadores Temáticos para la Cultura en la Agenda 2030. UNESCO. http://www.lacult.unesco.org/noticias/showitem.php?lg=1&id=5805

5. Centro Regional de Informação das Nações Unidas. (2021). Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – 17 Objetivos para Transformar o Nosso Mundo. UNRIC. https://unric.org/pt/objetivos-de-desenvolvimento-sustentavel/

6. Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias. (2020, 10 de março). Bibliotecas, Desenvolvimento e Agenda 2030 das Nações Unidas. IFLA. https://www.ifla.org/libraries-development

7. Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento. (s.d.). Ano Internacional da Economia Criativa para o Desenvolvimento Sustentável, 2021. UNCTAD. https://unctad.org/topic/trade-analysis/creative-economy-programme/2021-year-of-the-creative-economy

8. General Assembly of United Nations. (2019, 8 November). International Year of Creative Economy for Sustainable Development, 2021. ONU. https://undocs.org/A/C.2/74/L.16/Rev.1

9. Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias. (2021, 1 de fevereiro). Bibliotecas abrindo portas para a participação cultural no Ano Internacional da Economia Criativa para o Desenvolvimento Sustentável. IFLA. https://www.ifla.org/node/93604

10. Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. (s.d.). Convenção para a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais de 2005. UNESCO. https://en.unesco.org/creativity/convention/texts

11. Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. (s.d.). Semana Internacional da Educação Artística. UNESCO. https://en.unesco.org/commemorations/artseducationweek

Etiquetas:

2021-04-15.jpg

Foto de Max Fischer no Pexels

A intervenção na ação pedagógica do professor bibliotecário passa pela promoção das competências digitais dos alunos associadas à literacia da informação e dos media, à comunicação e colaboração, à criação e uso responsável de conteúdos e à resolução de problemas. Esta intervenção pode ser concretizada através de módulos de formação formal e/ou não formal, mas sobretudo através da criação de ambientes de aprendizagem, nos quais o professor bibliotecário, em situação de coensino com outros docentes, ou seja, em colaboração, e com recurso a metodologias ativas, envolve os alunos e contribui para a realização de aprendizagens significativas.

As metodologias ativas, isto é, aquelas em que os alunos são agentes ativos no processo de aprendizagem, permitem que os alunos acedam e processem a informação, retenham e usem o conhecimento, as capacidades, atitudes e valores através de experiências e da interação com os outros num contexto sociocultural alargado.

O professor (bibliotecário) pode utilizar as metodologias centradas no aluno, em ambientes presenciais mais tradicionais ou alternando-os com ambientes híbridos, servindo-se das potencialidades da tecnologia.

A utilização de métodos centrados no professor ou de métodos centrados no aluno depende, de acordo com Richard Arends (2009), dos objetivos que se pretendem atingir. A seguinte tabela apresenta de forma resumida os principais métodos de acordo com este autor.

Captura de ecrã 2021-04-14, às 09.49.52.png

Apresentam-se resumidamente exemplos de práticas pedagógicas que são utilizadas em cada um dos métodos centrados no aluno:

 

  1. Aprendizagem cooperativa

No modelo STAD (Student Teams Achievement Division), os alunos, organizados em equipas heterogéneas, ajudam-se mutuamente sendo tutores uns dos outros (tutoria de pares).

Captura de ecrã 2021-04-14, às 09.52.39.png

No modelo JIGSAW, a turma é organizada em grupos de origem constituídos por 4 elementos. Cada elemento do grupo de origem tem de estudar/trabalhar uma determinada secção do tópico, sendo um especialista nessa secção (as secções devem ser tantas quantos os elementos do grupo). Os especialistas de cada grupo de origem saem do grupo e juntam-se num novo grupo, o grupo de especialistas, onde discutem o que aprenderam, fazem perguntas, tiram dúvidas. Depois, regressam ao grupo de origem, e cada aluno explica a secção que lhe coube aos outros elementos do grupo de origem. Os restantes alunos ouvem e tiram notas. No final, o professor avalia todos os alunos sobre todas as seções.

No modelo de investigação em grupo, o grupo é responsável por planificar o que vai estudar e a forma como o vai fazer.

No modelo THINK-PAIR-SHARE, os alunos refletem sobre um assunto, discutem com o par o que pensam sobre esse assunto e depois partilham a sua opinião em grande grupo.

Captura de ecrã 2021-04-14, às 09.52.05.png

Fonte: Apriani (2016)

  1. Aprendizagem baseada em problemas:

O papel do professor consiste em apresentar problemas autênticos, facilitar a investigação e apoiar os alunos. A aprendizagem baseada em problemas recorre a situações da vida real em que se evitam respostas simples e se convida os alunos a encontrar soluções diversificadas. Os alunos trabalham em pequenos grupos e definem os objetivos; desenham situações problemáticas autênticas, que sejam significativas e requeiram colaboração; organizam os recursos e planificam a investigação. Esta metodologia requer que o aluno utilize a biblioteca e recursos tecnológicos.

  1. Debate na sala de aula: 

A organização de um debate requer tanto ou mais esforço do que a preparação de uma outra situação de aprendizagem, na medida em que é o cuidado que o professor coloca na preparação do debate que permite a espontaneidade e a flexibilidade. O professor deve ter em conta os objetivos a atingir, o perfil dos alunos e o que já sabem sobre o tema, escolher um enfoque, escolher uma estratégia de questionamento e utilizar o espaço de forma adequada.

 

Outros modelos de aprendizagem

Existem outros modelos de aprendizagem, nomeadamente, quando nos referimos ao ensino híbrido: modelos sustentados, que mantêm uma maior relação com as salas de aula tradicionais; e modelos mais disruptivos, que funcionam sem depender da sala de aula como a conhecemos.

 

A questão das metodologias ativas continuará a ser abordada em outros artigos deste blogue. Para eventuais interessados em explorar mais informação sobre esta matéria, a RBE disponibiliza a revista Metodologias ativas, em Flipboard que permanece em atualização.

 

Referências

Arends, R. (2009). Learning to teach. 8th Editions.McGrawHill Higher Education.

Apriani, E. (2016). Using The Think-Pair-Share (TPS) Strategy to Enhance Students’ Reading Achievement of The Seventh Grade at MTsN Lumpatan.

2021-04-14.jpg

Terminaram no dia 31 de março as inscrições para o Oeiras Internet Challenge Nacional, iniciativa promovida pelo Município de Oeiras, através das suas Bibliotecas Municipais, em parceria com a Rede de Bibliotecas Escolares.

Dirigido à comunidade escolar do ensino secundário, o torneio de pesquisa, seleção e avaliação de fontes de informação em linha, em forma de quiz com recurso ao Kahoot, visa o desenvolvimento de competências digitais e de literacia da informação.

Estão inscritas quarenta e cinco equipas de doze distritos de norte a sul do país, um número bastante animador. Apesar da iniciativa ter sido lançada em pleno período de ensino a distância, as bibliotecas escolares organizaram-se e não perderam a possibilidade de dar continuidade ao trabalho na área da literacia da informação, prioritária no atual contexto.    

O apuramento destas equipas foi organizado localmente por cada biblioteca escolar, de modo descentralizado e com inteira autonomia, sendo de realçar o grande envolvimento dos professores bibliotecários e o interesse dos alunos em todo o processo, já que os Kahoot de treino disponibilizados pela organização no blogue da iniciativa foram realizados 896 vezes nos meses de fevereiro e março. A mobilização foi ainda maior em dez das escolas participantes, com provas de seleção interna bastante disputadas.

A final do torneio terá lugar no dia 28 de abril, entre as 10:00 e as 12:00. Entretanto, as equipas inscritas podem continuar a treinar as suas competências de pesquisa respondendo aos “Desafios Kahoot” que vão ser lançados pela organização, no Instagram das Bibliotecas Municipais de Oeiras, nos dias 16, 17, 23 e 24 de abril, sempre às 18:00.

A todos desejamos boa sorte e ótimas pesquisas!

Lucas Maxwell І 25 de janeiro 2021

2021-04-13 facebook-app-on-screen-2.jpg

Fonte: How to Teach About Fake News in School Libraries (bookriot.com)

Na biblioteca escolar onde trabalho estou a tentar assegurar que os alunos entre os 11 e os 19 anos tomem consciência do flagelo que representam as fake news. Não me interpretem mal; os alunos estão conscientes da existência de notícias falsas, mas não compreendem necessariamente o quão perigosas podem ser, sobretudo no atual panorama mediático fragmentado.

Recentemente, numa entrevista que dei à Amy Hermon para o programa em podcast da School Librarians United ela perguntou-me porque é que decidi ajudar os alunos a lutar contra este problema. Parece-me que é das coisas mais importantes que qualquer pessoa ligada à educação deveria estar a fazer. A História soltou-se, a realidade já não é um objeto tangível que possamos invocar para nos mantermos focados, calmos e reagirmos com sensatez. Vimos isto no episódio do ataque ao Capitólio, vimos isto com o aumento das teorias da conspiração QAnon, e só irá piorar.

Também conhecemos o impacto das notícias falsas e da desinformação aqui no Reino Unido. Os teóricos da conspiração destruíram 77 torres de WiFi 5G por considerarem que as torres espalhavam a COVID-19.

E neste momento, as notícias falsas continuam a fazer caminho levando as pessoas do Sul da Ásia que residem no Reino Unido a rejeitar as vacinas contra a COVID-19. Trata-se de um problema sério – já não são apenas memes estúpidos, é uma ameaça real e perigosa à saúde púbica e à democracia no seu todo. Na minha opinião, trata-se de uma emergência política e social.

Portanto, como lutamos contra isto? Pode parecer incontrolável; pessoalmente, evito perseguir os trolls, pois são demasiados e não conseguimos mudar as suas cabeças. Não sei quem fez a afirmação, mas vem-me à ideia esta frase «a mente não é um boomerang, se a lanças para muito longe, pode não regressar».

A minha abordagem consistiu em levar o assunto para as aulas que os alunos têm na escola. Durante um mês ensinarei cerca de 700 alunos. Dentro de alguns meses, vou tentar trazer este assunto para a ribalta e dar-lhes ferramentas para lutarem contra as notícias falsas.

Tento envolver os alunos e abordar o assunto de forma lúdica. Eis como procedi antes do atual confinamento:

Organizei os alunos em seis grupos de cinco elementos. Cada grupo recebeu uma notícia diferente. Cada notícia tinha sido publicada; por outras palavras, não inventei nenhuma das notícias. Estas notícias foram criadas e divulgadas na Internet. O truque consistia no facto de apenas uma das notícias ser real. Os grupos tiveram de ler a notícia que lhes coube e decidir se se tratava da notícia verdadeira.

Não estou a tentar deprimir nem assustar ninguém, mas as notícias vão desde «Mulher encontra 90,000 abelhas no carro» e «Pinturas rupestres retratam humanos a combater os dinossauros».

Parece-me que esta é uma boa forma de fazer com que os alunos falem sobre o assunto sem os massacrarmos. Quando terminamos a tarefa, refletimos sobre as pistas que nos permitem identificar uma notícia falsa. Observamos o tipo de linguagem, o texto escrito com letras maiúsculas, pontos de exclamação, analisamos quando algo é demasiado bom para ser verdade. Atentamos nas reclamações sem fundamento, nos erros gramaticais e ortográficos, nas imagens sem referências, entre outras coisas.

Quando terminamos, mostro uma página web falsa aos alunos para a analisarem. Contém todas as caraterísticas de que falámos anteriormente. Plastifico as páginas web, peço-lhes para usarem marcadores e fazerem um círculo com bandeiras vermelhas em tornos das notícias falsas.

Isto resulta sempre numa boa discussão, sobretudo sobre os uniformes escolares que até certo ponto quase todos os alunos no Reino Unido têm de usar. Apercebi-me que depois de dar o primeiro passo nesta aula, os alunos são suficientemente perspicazes para identificarem os potenciais problemas relacionados com artigos falsos.

Quando terminamos esta atividade, fazemos um questionário sobre notícias falsas. O meu objetivo com este questionário é mostrar aos alunos o tipo de manchetes que circulam frequentemente na Internet. Estas manchetes e histórias foram tornadas públicas e algumas foram partilhadas por celebridades. Este último aspeto, muitas vezes, dá mais credibilidades às histórias do que outros. No questionário, os alunos têm de ler uma manchete e decidir se acham que é verdadeira ou falsa. Parece fácil, mas pode ser complicado. Já apliquei este questionário a cerca de 400 alunos e a pontuação média é de 64%, o que significa que ainda há trabalho a ser feito. 

O artigo «School libraries and their fight against fake news » foi originalmente publicado no sítio Bookriot. Texto traduzido livremente a partir do inglês, com autorização do autor.


RBE


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Blogue RBE em revista

Clique aqui para subscrever


Twitter



Perfil SAPO

foto do autor