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Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto | 27 de janeiro

O horror de Auschwitz e do holocausto por quem o escreveu na primeira pessoa: Primo Levi

26.01.20

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Três crianças judias aguardam numa estação de comboio em Londres após viagem no chamado "Kindertransport"

[Texto de Tiago Palma | Observador]

 

O mais sangrento dos campos de concentração foi libertado há 71 anos. É hoje o Dia Internacional da Lembrança do Holocausto. E poucos como Primo Levi escreveram sobre ele. Viveu-o. Sobreviveu-lhe.

Isto é o inferno. Hoje, nos nossos dias, o inferno deve ser assim: uma sala grande e vazia, e nós, cansados, de pé, diante de uma torneira gotejante mas que não tem água potável, esperando algo certamente terrível, e nada acontece, e continua a não acontecer nada. Como é possível pensar? Não é mais possível; é como se estivéssemos mortos. Alguns sentam-se no chão. O tempo passa, gota a gota. Primo Levi, “Se Isto é um Homem” (1947)

11 de abril de 1987. Na manhã em que Primo Levi morreu – o relatório da polícia italiana aponta para uma tese de suicídio, relatando que Levi se atirou mortalmente do terceiro andar de casa, em Turim –, Elie Wiesel, autor de “A Noite” (também sobre a experiência de horrores vivida num campo de concentração nazi) e prémio Nobel da Paz em 1986, escreveu: “Primo Levi não morreu hoje. Morreu há quarenta anos, em Auschwitz.” Levi tinha 67 anos à data do suicido.

Não é (nem nunca foi) uma teoria da conspiração por parte de Wiesel dizê-lo. É antes a constatação de que o homem-Levi, químico, resistente anti-fascista na frente de guerra, não voltou de Auschwitz homem, mas apenas um corpo, com memória e uma mão com que escrever.

Aos 24 anos foi transportado para Auschwitz. Ele e outros seiscentos e cinquenta judeus italianos. Estávamos em fevereiro de 1944. Deles, só vinte sobreviveram — Levi incluído. Quando se viu, enfim, libertado pelo exército soviético, a 27 de janeiro de 1945, ao fim de 11 meses de privação e indignidade humana, Levi havia envelhecido, não 11 meses, mas décadas. Não só fisicamente. Mas serviu-lhe a experiência, de morte, não a sua mas a que testemunhou dia-a-dia à sua frente, todos os dias, a experiência de sobreviver quase miraculosamente — a resiliência fez o resto –, essa experiência-limite permitiu-lhe escrever, por exemplo, “Se Isto é Um Homem” (a trilogía de Auschwitz completa-se com “A Trégua” e “Os que Sucumbem e os que se Salvam”).

Nem só sobre o holocausto escreveu Primo Levi, mas quando o fez, mais do que procurar culpados ou explicações, narrou. Simplesmente isso: narrou o horror, sem artifícios, com crueza, a vida no mais sangrento dos campos de concentração do Terceiro Reich. O campo foi libertado há 71 anos. E também por isso se assinalada, nesta data e desde 2005, o Dia Internacional da Lembrança do Holocausto.

Mais do que ler a não-ficção de autores como Levi, Wiesel ou Imre Kertèsz, mais do que ver no cinema ou em casa “A Lista de Schindler” e, mais recente, “Filho de Saul”, de Laszlo Nemes (o filme recebeu o Grande Prémio de Cannes e o Globo de Ouro para Melhor Filme Estrangeiro), mais importante que isso é ler os relatos, sem polimentos literários ou de realização, como os que Levi (a par com Leonardo de Benedetti) escreveu em “Assim foi Auschwitz”. Em 1945, no rescaldo do fim da Guerra e da libertação dos campos de concentração pelos aliados, o exército soviético pediu a Primo Levi e a Benedetti, seu companheiro de campo, que redigissem, em detalhe, como eram as condições de vida lá. O resultado foi um dos primeiros relatórios alguma vez realizados sobre os campos de extermínio. Os textos de Levi, inéditos, finalmente trazidos à estampa no último ano, têm um valor histórico e humano tão importante hoje, 71 anos volvidos sobre o fim da Segunda Guerra, como quando este os escreveu.

Lá, Levi escreveu — o mesmo Levi que, em “Se Isto é Um Homem”, sentia mais culpa por ter sobrevivo (e os outros não) do que culpava os nazis pelo extermino — que “a responsabilidade repousa colectivamente sobre todos os soldados, sargentos e oficiais da SS destacados em Auschwitz”. O livro “Assim foi Auschwitz” serviu também para, ao longo das décadas — e ainda nos nossos dias –, trazer ex-carrascos aos tribunais. Julgá-los. Para que a história os recorde como isso: carrascos. Por outro lado, é também importante perceber que Primo Levi considera que, mais do que o mero extermino de judeus, os campos de concentração serviam para impulsionar a própria economia da Alemanha.

Escrevia Levi: “Os campos não eram um fenómeno marginal: a indústria alemã baseava-se neles; eram uma instituição fundamental do fascismo na Europa e os nazis não o escondiam: mais do que mantê-los, alargavam-nos e aperfeiçoavam-nos.”

Num sábado, dia 11 de Abril, em 1987, por volta das 10 horas da manhã, a porteira de um prédio na avenida Corso Rei Umberto, em Turim, tocou à porta do 3.º andar para, como em todos os dias, entregar o correio. Primo Levi abriu-lhe a porta, sorriu-lhe e recebeu-o. Voltou a entrar em casa. Poucos minutos depois o seu corpo estatelava-se no fundo da escada, ao lado do elevador. Morreu instantaneamente. Primo Levi sobreviveu ao holocausto no pior dos campos de concentração. Não sobreviveu aos dias fora dele — mas com ele por dentro, vivo, a remoer-lhe.

 

Referência: Palma, T. (2020). O horror de Auschwitz e do holocausto por quem o escreveu na primeira pessoa: Primo Levi – ObservadorObservador.pt. Retrieved 26 January 2020, from https://observador.pt/2016/01/27/horror-auschwitz-do-holocausto-escreveu-na-primeira-pessoa-primo-levi/

 

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Dia Mundial da Leitura em Voz Alta

Setúbal | 1 fevereiro | 11h

23.01.20

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No dia 1 de fevereiro celebra-se o Dia Mundial da Leitura em Voz Alta.

O evento conta com representantes do Ministério da Educação, do Município de Setúbal, da Escola Secundária du Bocage e as Comissárias do Plano Nacional de Leitura 2027.

O espetáculo será realizado pela Andante Associação Artística, com a participação dos alunos da Escola Secundária du Bocage.

 

Na semana de 27 de janeiro a 1 de fevereiro, desafiam-se todos os interessados a juntarem-se a esta celebração realizando atividades de leitura em voz alta, que serão divulgadas pelo PNL2027 a partir do seu Portal.

Para a divulgação das atividades, os participantes deverão preencher o formulário Dia da Leitura em Voz Alta 2020.

Podem inspirar-se nos recursos disponibilizados no portal PNL2027.

 

Referência: 2027, P. (2020). Dia Mundial da Leitura em Voz AltaPnl2027.gov.pt. Retrieved 23 January 2020, from http://pnl2027.gov.pt/np4/diadaleituravozalta.html

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Está prestes a começar a 3.ª Competição Europeia de Estatística! Alunos do ensino básico (3.º ciclo) e do ensino secundário de 17 países irão competir a nível nacional e, numa segunda fase, a nível europeu, em mais uma edição desta competição focada na literacia estatística.
A Competição Europeia da Estatística (European Statistics Competition – ESC) é dinamizada pelo Serviço de Estatísticas da União Europeia (Eurostat) e dezassete Institutos Nacionais de Estatística, entre os quais o INE de Portugal, ao qual se associou, nesta edição, o Banco de Portugal.


Esta iniciativa visa:

  • Promover a curiosidade e o interesse dos alunos pela estatística;
  • Incentivar os professores a utilizar novos materiais para ensinar estatística, incrementando a utilização de dados estatísticos oficiais e a aplicação do adquirido;
  • Mostrar aos alunos e aos professores o papel da estatística em vários aspetos da sociedade, tornando-a conhecida como um campo de estudos de nível universitário;
  • Promover o trabalho de equipa e a colaboração com vista a alcançar objetivos comuns.

A Competição Europeia da Estatística tem duas fases: a primeira, a nível nacional, apura os finalistas para a seguinte, de âmbito europeu. Em ambas, podem participar alunos do ensino secundário (categoria A) e do 3.º ciclo do ensino básico (categoria B). As equipas terão até 3 alunos + 1 professor/tutor.

As regras para a participação, o registo de participantes (até 27.01.2020), os prémios a atribuir e o calendário da competição estão disponíveis em: esc2020.ine.pt.

As duas equipas melhor classificadas (em cada categoria) na fase nacional poderão participar na fase europeia.

 

As candidaturas das escolas podem ser feitas até ao dia 2 de fevereiro de 2020, com o envio da gravação do programa e do preenchimento do formulário de candidatura.

 

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O Ensino integrado das Ciências no 1.º CEB | webinar

Escola Ciência Viva de Vila Nova da Barquinha

19.01.20

O Ensino integrado das ciências é o conceito base do CIEC: Centro Integrado de Educação em Ciências – Escola Ciência Viva de Vila Nova da Barquinha.

O CIEC é um Centro de Ciência que “vive” dentro de uma escola, está organizado em salas temáticas inspiradas no contexto local (ex. “Explorando o Castelo”; “Explorando o Tejo”...) e tem um laboratório de ciências concebido originalmente para a realização de atividades práticas de ciências no 1ºCEB.

Ao longo do webinar é apresentado este projeto inovador e são dados exemplos de práticas que integram a exploração dos módulos de ciências da exposição permanente do CIEC com atividades realizadas no laboratório, no âmbito do currículo formal do 1.º CEB.

Trata-se de uma inovadora perspetiva de organização da educação em ciências, integrando o formal e não formal.

É produto e objeto de investigação de uma equipa do Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Aveiro & Centro de Investigação em Didática e Tecnologia na Formação de Formadores – CIDTFF.

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Cidadania | Biblioteca Escolar | pensar e intervir

Álbuns gráficos para o desenvolvimento

15.01.20

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A necessidade de construir lugares de encontro, reflexão e diálogo, a respeito dos problemas que afetam as crianças e os jovens nas suas vidas diárias, pode ser facilitada pela disponibilização, leitura ou, mesmo, exposição de álbuns gráficos, selecionados pelo professor bibliotecário, de preferência “em cooperação com os alunos para garantir que os materiais refletem os seus interesses e cultura” (IFLA, 2015, p. 40).

Tendo crescido numa comunidade mediática impregnada de imagens visuais (internet, jogos de computador, televisão ...) e convivendo com diversas populações que possuem diferentes competências e estilos de aprendizagem, as crianças e jovens podem encontrar na novela gráfica um elemento de consenso favorável à reflexão, discussão de ideias e descoberta da própria voz ou meio de influência na comunidade. Combinando imagens visuais a textos, muitas vezes curtos e simples, este género literário adapta-se a uma aprendizagem não-formal e informal que pode suscitar a curiosidade de todos, sem perder o seu propósito educativo.

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Pedagogias inovadoras 2020 | e-book

Open University

14.01.20

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Download | 2020 |

Pedagogias Inovadoras. Desde 2012, anualmente, a Open University publica um manual sobre as pedagogias inovadoras do momento.

Esta é a edição de 2020 [PDF, 1.4MB, 50 págs]

 

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Download .pdf | Download .ePub | 2016 |

Um dos produtos do Projeto LIDIA é um livro de atividades com tecnologias destinadas a adultos. Este livro, em formato e-book, mas também em impressão convencional, integra propostas de atividades com tecnologias especialmente criadas para promover a literacia e a inclusão digitais, em especial dos adultos com menos oportunidades para aceder e utilizar o potencial que o desenvolvimento tecnológico coloca hoje à nossa disposição.

As sugestões de atividades de inclusão digital incluídas no eBook partiram do levantamento de situações concretas em que o cidadão adulto encontra dificuldades para exercer a sua autonomia por não saber utilizar as tecnologias digitais. Estas propostas de atividades visam sobretudo constituir um estímulo e inspiração sobre o que pode ser feito com tecnologias digitais para promover uma cidadania efetiva de todos os cidadãos, e têm como principais destinatários formadores, animadores, técnicos de educação e técnicos da área social inseridos em contextos de formação formal e não formal que intervenham na mediação e concretização de ações dirigidas a públicos tipicamente mais afastados da “sociedade da informação”.

Destina-se nomeadamente a profissionais responsáveis pelas áreas culturais, educativas e de ação social de câmaras e juntas de freguesia, IPSS, associações culturais e recreativas, museus, universidades seniores, centros de dia, mas também a docentes e outros educadores.

 

Referência: E-book · LIDIA · Literacia Digital de Adultos. (2018). LIDIA · Literacia Digital de Adultos. Retrieved 14 January 2020, from http://aprendercomtecnologias.ie.ulisboa.pt/e-book/

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Ebook em PDFEbook em ePub |

Título: Esteiros
Autor: Soeiro Pereira Gomes
Edição: Agrupamento de Escolas Leal da Câmara
Revisão e diagramação: Carlos Pinheiro
Coleção: Clássicos da Literatura
1.ª edição: janeiro de 2020
Imagem da capa: Angelina Pereira

Edição segundo as regras do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, com base na edição de 1941 (Edições Sirius).

 «Esteiros, minúsculos canais, como dedos de mão espalmada, abertos na margem do Tejo. Dedos das mãos avaras dos telhais que roubam nateiro às águas e vigores à malta. Mãos de lama que só o rio afaga.»

 

Referência: Gomes, E. (2020). Ebook gratuito: «Esteiros» de Soeiro Pereira GomesBibliotecaescolar-cre.blogspot.com. Retrieved 8 January 2020, from https://bibliotecaescolar-cre.blogspot.com/2020/01/ebook-gratuito-esteiros-de-soeiro.html?m=1

 

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O que levas na canastra?

Agrupamento de Escolas de Alcochete

08.01.20

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"Em forma de livro, feita em pequenas oficinas colaborativas, com folhas repletas de palavras e ilustrações, a canastra (também designada por alcofa, gamela ou giga) carregou, desta vez, a imaginação da comunidade educativa do Agrupamento de Escolas de Alcochete."

 

 
 
 
 
 
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