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Blogue RBE

Seg | 26.02.24

Otimizar a aprendizagem invertida com microaulas

Por Tolulope Noah*

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Palestras curtas e gravadas que se concentram num conceito ou competência podem ser ferramentas de ensino poderosas.

A aprendizagem invertida vira o modelo tradicional de ensino de pernas para o ar. Robert Talbert, autor de Flipped Learning, explica que num ambiente invertido, o "primeiro contacto dos alunos com novos conceitos passa do espaço de aprendizagem em grupo para o espaço de aprendizagem individual". Por outras palavras, os alunos aprendem primeiro os novos conteúdos através de trabalho individual, para que o tempo que passam com o professor e os colegas possa ser dedicado a atividades mais complexas e interativas, nas quais podem beneficiar do apoio dos outros.

No seu livro In-Class Flip, Martha A. Ramírez e Carolina R. Buitrago referem que pode ser utilizada uma variedade de conteúdos para facilitar a aprendizagem no tempo individual, incluindo vídeos, leituras, rascunhos, infografias, podcasts e HyperDocs [nt1]. Talbert explica que as tarefas do tempo individual devem ser bem estruturadas, orientando os alunos no processamento e na compreensão dos novos conteúdos. Os três autores também discutem a importância de incorporar a responsabilidade nas tarefas de tempo individual, pedindo aos alunos que completem notas, questionários, exercícios práticos ou outras atividades.

Ao utilizar conteúdos de vídeo para a aprendizagem invertida, uma estrutura útil que os educadores podem utilizar são as microaulas, que são vídeos educativos que se centram num determinado conceito ou competência. (Para um exemplo concreto de uma microaula, veja este vídeo para professores em formação). O designer educativo Hua Zheng explica que as microaulas têm três características principais:

  • Duram menos de 10 minutos. (De facto, a investigação indica que seis minutos é o tempo ideal para manter o interesse dos alunos);
  • Promovem a ligação entre os alunos e o professor;
  • Levam os alunos a envolverem-se ativamente com o conteúdo em vez de o absorverem passivamente.

Os educadores podem utilizar a abordagem da microaula para criarem conteúdos enriquecedores e invertidos com os quais os alunos se possam envolver durante o seu tempo individual.

Princípios de conceção de vídeo e acessibilidade

Ao criar microaulas, é importante ter em conta os princípios de conceção de vídeo evidenciados pela investigação. A professora da Universidade de Vanderbilt, Cynthia J. Brame, destaca quatro princípios que podem ser particularmente úteis para gerir a carga cognitiva:

Destacar. Aponte as ideias-chave do vídeo. Isto pode ser feito através de ênfase verbal em certos conceitos ou através de pistas visuais (como setas ou destaques).

Segmentar. Divida o conteúdo em partes facilmente manuseáveis. Desta forma, é mais fácil para os alunos acompanharem e verem como os conceitos se estão a desenvolver uns sobre os outros.

Desbastar. Omita qualquer informação desnecessária que não se alinhe com o(s) objetivo(s) de aprendizagem e quaisquer elementos visuais que possam distrair os alunos. Isto inclui áudio (como música de fundo) e imagens (como gráficos desnecessários ou diapositivos muito movimentados).

Combinar. Forneça informações em vários formatos. Por exemplo, transmita informações tanto a nível auditivo como através de imagens no ecrã.

Para além disso, é importante garantir que as suas microaulas são legendadas com precisão para fins de acessibilidade e outros. A aplicação Clips para iPad e iPhone, por exemplo, facilita a gravação de vídeos com legendas precisas e incorporadas (através da funcionalidade Live Titles). Com o Flip, pode editar as legendas através da Web, e o Loom permite-lhe editar a transcrição do vídeo, que também atualiza automaticamente as legendas.

Mantê-lo ativo

Existem várias formas de criar interatividade, estrutura e compromisso nas suas microaulas. Por exemplo, plataformas como Edpuzzle e PlayPosit permitem-lhe incorporar perguntas interativas nos seus vídeos. Zheng observa que também pode simplesmente dizer aos alunos para pausarem o vídeo e realizarem uma atividade ou utilizar um temporizador. Por exemplo, pode incorporar facilmente um temporizador do YouTube no Google Slides, PowerPoint ou Keynote e reproduzi-lo sempre que quiser que os alunos concluam uma atividade.

Início da microaula: Ative os conhecimentos prévios dos alunos e desperte o seu interesse pelo novo conteúdo, pedindo-lhes que completem uma atividade de prática de recuperação [nt2], escrita rápida [nt3], bilhete de entrada [nt4], guião de antecipação [nt5], gráfico Sabe-Pergunta-Aprende [nt6], brainstorming, sondagem ou rotina de pensamento [nt7] (como Ver, Pensar, Perguntar ou Ponte 3-2-1) [nt8].

A meio da microaula: Faça com que os alunos preencham um organizador gráfico [nt9] ou uma folha de anotações guiadas [nt10] à medida que aprendem o conceito ou a competência e dê-lhes oportunidades para se envolverem com o conteúdo. Por exemplo, os alunos podem fazer uma pausa no vídeo para criar esboços, resolver problemas de exemplo [nt11], preencher um miniquadro de escolhas [nt12], praticar uma competência e muito mais!

Fim da microaula: Peça aos alunos que façam uma verificação da compreensão e que pensem na sua aprendizagem. Por exemplo, podem preencher um bilhete de saída [nt13], uma reflexão com formas geométricas ou uma rotina de pensamento (como Antes pensava que... agora penso que... ou Conecto, Amplio, Desafio).

Os alunos podem realizar estas ações em papel ou através de ferramentas tecnológicas como o Mentimeter, Poll Everywhere, Google Jamboard, Padlet, Flip, Google Docs, Google Slides, Google Drawings, Mote ou Google Forms. Uma vantagem da utilização de ferramentas digitais é o facto de permitirem que os alunos expressem o que aprenderam utilizando ferramentas multimodais (como vídeo, gravações áudio, etc.). Pode fornecer acesso rápido a quaisquer tarefas digitais, incluindo um código QR e uma hiperligação abreviada na sua microaula (semelhante ao vídeo de exemplo na introdução).

Em alternativa, pode adicionar a microaula (juntamente com hiperligações descritivas para quaisquer tarefas digitais) a um Google Slide ou Doc; a um documento do Apple Keynote, Numbers ou Pages; a uma coleção Wakelet; a um Padlet; ou a uma página Web, para que os alunos tenham um “balcão único” para tudo o que precisam. Pode até adicionar a microaula a um Formulário Google para que os alunos possam ver o vídeo e responder às perguntas no mesmo sítio!

Próximos passos

Pronto para começar a criar microaulas para os seus alunos? Consulte este artigo que inclui um modelo de planeamento útil, sugestão de ferramentas para a criação de microaulas e outras dicas úteis. Além disso, esta rubrica de revisão por pares de microaulas pode ajudá-lo a avaliar e rever as suas microaulas para garantir que utiliza as melhores práticas de conceção de vídeo.

 

O texto deste artigo foi traduzido e publicado com a autorização da Edutopia:

Noah, T. (2023, 6 de julho). Enhancing Flipped Learning With Microlectures. Edutopiahttps://www.edutopia.org/article/flipped-learning-with-microlectures

📷 Foto de CoWomen: https://www.pexels.com/pt-br/foto/camera-de-video-preta-2041396/

 

Notas de tradução

Ao longo do texto são referidas várias metodologias ativas que serão aprofundadas em artigos posteriores.

[Nt1] HyperDocs

É uma abreviatura de "Hyperlinked Documents", que se refere a documentos digitais interativos que são projetados para transformar a experiência de aprendizagem dos alunos, especialmente em ambientes de ensino remoto ou híbrido. Os HyperDocs são criados usando plataformas como Google Docs, Google Slides ou outras ferramentas de criação de documentos digitais e são estruturados para envolver os alunos numa variedade de atividades, recursos e interações.

[nt2] Prática de recuperação

A prática de recuperação, ou retrieval practice em inglês, é uma estratégia de aprendizagem em que o aluno procura ativamente lembrar-se de informações da sua memória em vez de apenas as rever repetidamente. Pode resultar de uma tarefa ou exercício projetado especificamente pelo professor para ajudar os alunos a treinarem ativamente a recuperação das informações que estão a aprender. Essas atividades podem assumir várias formas, dependendo do que está a ser estudado. São preparadas para desafiarem a memória e ajudarem a recordar as informações de forma eficaz. Para isso, ajudam a fortalecer as conexões neurais associadas às informações que os alunos estão a aprender.

Nt3 Escrita rápida

Uma escrita rápida (quick write) é uma atividade de escrita breve e não planeada, na qual os alunos são solicitados a escreverem rapidamente sobre um tópico específico durante um curto período de tempo. Os alunos podem ser convidados a responder a uma pergunta, refletir sobre uma ideia, partilhar uma experiência pessoal, discorrer sobre um tema discutido em aula ou simplesmente expressar seus pensamentos e sentimentos sobre um assunto. A ênfase está na escrita contínua e rápida, sem preocupações com a qualidade da redação.

[nt4] Bilhete de entrada

Um bilhete de entrada (entrance ticket) refere-se a uma estratégia pedagógica em que os alunos respondem a uma pergunta ou realizam uma tarefa no início da aula para demonstrar o que já sabem sobre o tema que será abordado naquele dia.

[nt5] Guia de antecipação

Um guia de antecipação (anticipation guide) é uma ferramenta educativa usada para ativar o conhecimento prévio dos alunos, despertar seu interesse e prepará-los para um novo tema de estudo. Consiste numa lista de afirmações ou perguntas relacionadas com o tópico que será abordado numa unidade de ensino, capítulo de livro ou atividade específica. Os alunos são convidados a responder a essas afirmações ou perguntas antes de começarem a aprender sobre o tema em questão.

[nt6] Gráfico Sabe-Pergunta-Aprende

Um gráfico Sabe-Pergunta-Aprende (Know-Wonder-Learn chart) é uma ferramenta de aprendizagem que ajuda os alunos a organizarem seus conhecimentos prévios, questões e descobertas sobre determinado tema. É frequentemente usado como uma atividade para orientar a aprendizagem e a reflexão dos alunos antes e depois de um estudo ou experiência de aprendizagem.

[nt7] Rotina de pensamento

Uma rotina de pensamento (thinking routine) é um conjunto de passos ou procedimentos estruturados projetados para orientar os alunos na realização de processos de pensamento crítico e reflexivo.

As rotinas de pensamento são flexíveis e podem ser adaptadas a diversos contextos e conteúdos curriculares. Fornecem um quadro claro para os alunos explorarem e analisarem ideias, fazerem conexões, formularem perguntas significativas e comunicarem seus pensamentos de maneira clara e eficaz. Promovem a metacognição e a compreensão dos alunos sobre um assunto e desenvolvem competências de pensamento crítico e criativo.

[nt8] Ponte 3-2-1

É um exemplo de rotina de pensamento.

[nt9] Organizador gráfico

Um organizador gráfico é uma ferramenta visual usada principalmente no contexto educativo para ajudar os alunos a organizarem e estruturarem informações de forma clara e compreensível. Geralmente inclui elementos como diagramas, mapas mentais, tabelas, gráficos ou diagramas de Venn e é usado para representar visualmente conceitos, ideias e relações entre informações. Os organizadores gráficos são frequentemente usados para atividades como planificação de escrita, análise de texto, resolução de problemas e síntese de informações.

[nt10] Folha de anotações guiadas

Uma folha de anotações guiadas (guided notes sheet) é uma ferramenta projetada para ajudar os alunos durante as aulas, fornecendo uma estrutura organizada para tomarem notas. Essas folhas são pré-formatadas com espaços em branco para que os alunos os preencham enquanto o professor apresenta o conteúdo; geralmente incluem espaços para preenchimento, perguntas-chave, espaços para esboçar diagramas ou gráficos relevantes e outras formas para orientar os alunos.

[nt11] Problemas de exemplo

Problemas de exemplo (sample problems) são problemas ou exercícios práticos que são fornecidos aos alunos como exemplos para os ajudar a compreender um conceito ou a aplicar uma técnica específica. Esses problemas são projetados para ilustrar o modo como os conceitos teóricos ou as fórmulas matemáticas são aplicados na prática.

[nt12] Quadro de escolhas

Um quadro de escolhas (choice board) é uma ferramenta que oferece aos alunos uma variedade de atividades ou tarefas para escolherem, com base nos seus interesses, estilos de aprendizagem ou níveis de competência. Geralmente, um quadro de escolhas é organizado numa tabela, em que cada célula contém uma opção de atividade.

Essas atividades podem ser diferentes em termos de formato, conteúdo e nível de dificuldade, permitindo que os alunos escolham aquelas que mais lhes interessam ou que melhor atendem às suas necessidades de aprendizagem. Os professores podem incluir uma variedade de recursos, como leituras, problemas de matemática, experimentos científicos, projetos de escrita, atividades artísticas, entre outros.

[nt13] Bilhete de saída

Um bilhete de saída (exit ticket) é uma ferramenta usada pelos professores para avaliarem rapidamente a compreensão dos alunos sobre um conceito ou tópico no final de uma aula. Geralmente, consiste numa ou duas perguntas curtas que os alunos respondem antes de deixar a sala de aula. Essas perguntas são pensadas para verificar se os alunos atingiram os objetivos da aula, sintetizaram as informações apresentadas e identificaram os pontos principais.

Sobre Tolulope Noah

Tolulope (Tolu) Noah, Ed.D. é coordenadora de espaços de aprendizagem educativa na California State University, Long Beach, onde coordena o apoio ao desenvolvimento do corpo docente. Anteriormente, ela foi especialista sénior em aprendizagem profissional na Apple, professora associada no programa de formação de professores de graduação na Azusa Pacific University (APU) e professora do ensino fundamental e médio em Los Angeles. Tolu recebeu o Prémio de Excelência Docente de 2019 na APU e foi recentemente nomeada pela EdTech Magazine como um dos 30 Influenciadores de TI do Ensino Superior a seguir em 2023.

Tolu foi a palestrante principal e apresentadora em várias conferências sobre educação, como a Teaching Professor Conference e a Lilly Conference. Ela gosta de promover workshops e webinars interessantes e interativos para educadores do ensino fundamental e médio e do ensino superior. Pode contactar com Tolu no Twitter, LinkedIn ou através do seu sítio Web.

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Sex | 23.02.24

Estratégias para promover a leitura sem ler 😉

por Grupo Animando a Leer - Exploleer

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A leitura não é incentivada apenas pela leitura, mas também pelo desenvolvimento de atividades que transmitam mensagens relacionadas com a leitura, a sua importância e o enriquecimento do conhecimento pessoal.

Para o efeito, apresentamos algumas estratégias que podem estimular este tipo de iniciativa.

📍 Contar histórias oralmente: Utilize a sua imaginação e criatividade para contar contos ou histórias interessantes e cativantes. Utilize gestos, expressões faciais e mudanças de entoação para tornar a narração ainda mais cativante. Isto estimulará a imaginação dos alunos e despertará o seu interesse pelas histórias.

📍 Ouvir audiolivros: Este formato é uma excelente alternativa para incentivar a leitura sem a necessidade de ler fisicamente. Utilize recursos de audiolivros, quer em formato digital quer em gravações de voz, para permitir que os alunos desfrutem da experiência de ouvir histórias. Escolha audiolivros que correspondam aos seus interesses e níveis de leitura e incentive a audição ativa e a compreensão auditiva.

📍 Dramatizar: A dramatização é uma excelente ferramenta para incentivar a leitura de uma forma lúdica e criativa. Organize representações teatrais em que os alunos interpretam personagens, recriam cenas e transmitem a essência de uma história. Escolha peças adaptadas de livros ou incentive os alunos a criarem as suas próprias peças com base em textos literários. Esta é uma forma de estimular a imaginação e a compreensão das histórias, ao mesmo tempo que se desenvolvem as capacidades de comunicação e de trabalho em equipa.

📍 Utilizar recursos visuais: A leitura não se limita às palavras escritas. É possível incentivar a leitura recorrendo a recursos visuais, como ilustrações, gráficos, fotografias ou banda desenhada. Estes elementos visuais ajudam os alunos a estabelecer ligações entre a imagem e a narrativa, estimulando a sua compreensão e criatividade. Organize actividades em que os alunos explorem e analisem estes recursos visuais e os utilizem para expressar as suas ideias e emoções.

📍 Organizar visitas a bibliotecas e livrarias: Convide os alunos a visitarem bibliotecas e livrarias locais, mesmo que não estejam a ler livros nessa altura. Explique a importância destes espaços como centros de conhecimento e fonte de inspiração. Incentive-os a explorar as diferentes secções, a folhear livros e revistas e a interagir com o ambiente literário. Isso ajudá-los-á a familiarizarem-se com o ambiente de leitura e despertará a sua curiosidade para descobrir novas obras.

📍 Promover a escrita criativa: Embora o principal objetivo seja incentivar a leitura, a escrita criativa também desempenha um papel importante no desenvolvimento das competências literárias. Incentive os alunos a escreverem as suas próprias histórias, poemas ou contos. Estimule a sua imaginação e criatividade e dê-lhes a oportunidade de partilharem a sua escrita com outros. Isto permitir-lhes-á explorar a narração de histórias de uma perspetiva diferente e reforçar a sua compreensão da estrutura e do estilo dos textos literários.

📍 Convidar autores e artistas literários: Planear palestras e encontros com autores e artistas literários. Estas visitas proporcionam aos alunos uma perspetiva única sobre o processo criativo e a importância da leitura no desenvolvimento artístico. Os autores partilham os seus conhecimentos, inspiram os alunos e incentivam-nos a explorar diferentes géneros e estilos literários.

📍 Conceber atividades artísticas e artesanais: Promova a leitura através de atividades artísticas e artesanais relacionadas com livros. Por exemplo, convide os alunos a criar ilustrações baseadas em descrições de personagens ou cenas de um livro. Pode também sugerir que criem marcadores de livros personalizados ou que façam cartazes promocionais de obras literárias. Estas atividades permitirão aos alunos exprimir a sua criatividade e explorar a literatura de uma perspetiva visual.

📍 Estabelecer desafios e objetivos de leitura: Estabeleça um objetivo de leitura mensal ou trimestral e reconheça e recompense aqueles que conseguirem completar um determinado número de livros ou páginas. Isto irá gerar um sentimento de realização e motivação nos alunos e encorajar a criação de hábitos de leitura.

Lembre-se que estas estratégias devem ser adaptadas às necessidades e características dos seus alunos. O objetivo é despertar o seu interesse pela leitura e dar-lhes oportunidades de explorar e apreciar a literatura de várias formas, mesmo sem ler diretamente.

📍 Utilizar recursos audiovisuais: aproveite este tipo de recursos para incentivar a leitura sem necessidade de ler um texto completo. Organize atividades de projeção de filmes ou séries baseadas em livros populares e depois convide os alunos a participar em debates ou em atividades relacionadas com a história. Isto encorajará a exploração do conteúdo literário de uma forma visual e estimulante.

📍 Organizar debates e discussões: Estas atividades de grupo sobre questões éticas e dilemas levantados nos livros incentivam os alunos a analisar diferentes perspetivas, a expressar as suas opiniões e a defender os seus pontos de vista. É uma forma de incentivar a reflexão crítica e uma compreensão mais profunda dos temas literários, mesmo que o livro não tenha sido lido na sua totalidade.

📍 Criar um ambiente de leitura apelativo: Conceber um ambiente de leitura na sala de aula ou na biblioteca da escola. Crie cantos de leitura com almofadas, candeeiros de leitura e prateleiras com uma variedade de livros. Utilize cartazes e murais temáticos relacionados com a leitura para despertar o interesse dos alunos. Um ambiente agradável e estimulante motivará os alunos a explorar os livros e a descobrir novas histórias.

📍 Utilizar recursos digitais: Tire partido das tecnologias digitais para incentivar a leitura sem a leitura impressa. Utilize aplicações e plataformas em linha que ofereçam livros digitais interativos, audiolivros ou jogos educativos baseados na leitura. Esses recursos permitirão aos alunos explorar a literatura de uma forma mais acessível e cativante.

📍 Realizar projetos criativos: Proponha projetos imaginativos relacionados com a leitura, em que os alunos se possam exprimir através de diferentes formas de arte, como a escrita, o desenho, a música ou o design gráfico. Por exemplo, deixe-os criar as suas próprias histórias ilustradas, compor canções inspiradas em livros ou desenhar cartazes promocionais. Estes projetos permitir-lhes-ão aprofundar os temas literários e desenvolver a sua criatividade.

 

😉 Lembre-se de que estas estratégias complementam a leitura tradicional e procuram fomentar o interesse e a compreensão dos alunos de uma forma variada e motivadora. Cada estratégia pode ser adaptada de acordo com a idade, os interesses e as capacidades dos alunos, criando um ambiente enriquecedor que promove a leitura e a compreensão de textos literários.

 

O texto deste artigo foi traduzido e publicado com a autorização de EXPLOLEER – GRUPO ANIMANDO A LEER.

Grupo Animando a Leer – Exploleer. (s.d.). Estrategias para fomentar la lectura sin leer directamente. https://www.animandoaleer.com/estrategias-para-fomentar-la-lectura-sin-leer-directamente/

📷 Criado com Rawpixel

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Qui | 22.02.24

Discursos de paz em tempos de guerra

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A operação 7 Dias com os Media 2024 realizar-se-á, como sempre, entre os dias 3 e 9 de maio e este ano a temática proposta é Discursos de ódio paz em tempos de guerra. A iniciativa é da responsabilidade do GILM (Grupo Informal para a Literacia Mediática, que a Rede de Bibliotecas Escolares integra), e disponibilizamos já um conjunto propostas de atividades para trabalhar esta matéria nas bibiotecas.

No entanto, esta operação constitui-se também como uma oportunidade para os jovens leitores descobrirem livros que nos ofereçam palavras de paz e que nos obriguem a pensar qual o verdadeiro sentido do ódio.

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O Duelo remete-nos para um cenário bélico, de zangas, raivas, ódios, desentendimentos, disputas, guerras, de combate, ou melhor, um duelo entre duas pessoas armadas, segundo regras estabelecidas e diante de testemunhas, mas verdadeiramente O Duelo é um livro delicioso que elogia a paz.

Abrimos o livro e nas guardas iniciais surge-nos um envelope. O leitor poderá ficar confuso, mas rapidamente entenderá que se trata de uma carta ilustrada, dirigida a Rodin Rostov, adversário do protagonista, que se sente ofendido. Mal-entendidos e quezílias que ferem as orelhas e o coração, não deverão ficar esquecidos. O duelo é marcado! De costas com costas… contam os passos que os separam, afinal, não é assim o procedimento num duelo?  1,2,3,4…. Lá vão eles, afastando-se; afastando-se… E, ao contrário do previsto, a separação diluía a dor, dando lugar ao sol, ao desabrochar das flores, ao perdão, à paz.

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A ilustração, em plena harmonia com a narrativa poética, conduz-nos pelo mundo colorido, feito de muitas pessoas, todas diferentes, de animais, de flores, paisagens deslumbrantes unidas pela minúcia e curiosidade. O traço ténue, quase invisível, transforma o múltiplo no uno, o insignificante em eloquente. A paleta de cores oscila entre o tom branco e cinza, azul e verde, amarelo e laranja; entre a frieza e o calor da vida.

O Duelo, de Inês Viegas Oliveira, é um livro belo, belíssimo. Inspirador.  Simples sem ser simplista. Moral sem ser moralizador. Um grito de alerta à diversidade, à tolerância e à paz.

Sugestão de outras leituras para o tema Discursos de ódio paz em tempos de guerra 

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“Nasce como uma doença sussurrada e cresce a partir do ódio, da ambição, da ganância e do medo. Não ouve, não vê, tão-pouco sente; mas esmaga e cala. A guerra é, porventura, o mais perene produto em série alguma vez inventado.

Num mundo armadilhado como nunca antes e conflituoso como sempre, este livro de José Jorge Letria (texto) e André Letria (ilustrações) funciona como um archote que se lança sobre a memória adormecida e nos alerta para os caminhos que queremos construir no futuro.”

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“Como será deixar tudo para trás e percorrer quilómetros e quilómetros rumo a um destino longínquo e estranho?

Este livro conta, de forma cuidada e sensível, a história de uma mãe que parte numa viagem com os dois filhos para fugir à guerra. Uma viagem carregada de medo do desconhecido, mas também de muita esperança. Uma autora com uma escrita sensível e ilustrações bonitas e sofisticadas. Aborda com sensibilidade a questão da guerra.”

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“Starr tem 16 anos e move-se entre dois mundos: o seu bairro periférico e problemático, habitado por negros como ela, e a escola que frequenta numa elegante zona residencial de brancos. O frágil equilíbrio entre estas duas realidades é quebrado quando Starr se torna a única testemunha do disparo fatal de um polícia contra Khalil, o seu melhor amigo. A partir daí, pairam sobre Starr ameaças de morte: tudo o que ela disser acerca do crime que presenciou pode ser usado a seu favor por uns, mas sobretudo como arma por outros.
O Ódio que Semeias é um poderoso romance juvenil, inspirado pelo movimento Black Lives Matter e pela luta contra a discriminação e a violência. O livro está a ser adaptado ao cinema e conta com Amandla Stenberg no papel principal.”

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Um dia, uma coisa má aparece gravada na parede da casa de banho da escola e tudo muda: deixa de haver a paz e a alegria que se sentia antes.

Um livro belo e oportuno, que nos mostra como uma escola se une para combater o discurso de ódio. Como a união de toda a comunidade, os gestos de bondade e a beleza da arte servem de antídoto para a maldade.”

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“Como nasceram o símbolo e a pomba da paz? Que músicas são hino de pacifismo? Conheces algum monumento para a paz? Já leste a declaração universal de direitos humanos?

Encontrarás a resposta para todas estas perguntas nas páginas deste livro emocionante. Descobre as curiosidades, momentos históricos e conceitos fundamentais sobre a paz, enquanto conheces os heróis de carne e osso mais fascinantes da história.

Aristides de Sousa Mendes, Eleanor Roosevelt, Malala Yousafzai, John Lennon, Martin Luther King, Dalai Lama, Maria Montessori, Iqbal Masih, Henry David Thoreau, Oskar Schindler… e muitos mais!”

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Veja também

Outros artigos da rubrica Tempo para ler

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Ter | 20.02.24

Cultura. Futuro. Objetivo

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 1. A importância da cultura e o papel das bibliotecas

Na 4.ª Cimeira Mundial da Cultura da UCLG introduziu-se o conceito de cultura circular, que reconhece que a cultura estabelece a “harmonia com a natureza, com o passado, harmonia uns com os outros e harmonia com a mudança” e no seu relatório afirma: “A cultura é a argamassa que mantém tudo unido, a seiva da vida. Por isso, não só a arte, mas também a ciência, a política, o desporto e todos os aspetos da vida assentam nos ombros da cultura. (…) O progresso desprovido de cultura dá poder e glorifica a mente egoísta-patriarcal” [2] – a cultura tem a capacidade de expressar as diferenças de cada um e se dirigir a todos e é campo de encontro e de diálogo democrático de todas as pessoas e lugares.

A cultura e a criatividade têm o poder de transmitir valores, transformar mentalidades e mobilizar, tendo um papel essencial na efetivação dos direitos humanos e dos objetivos de desenvolvimento sustentável.

Durante a crise Covid-19 experienciou-se a importância da cultura e reforçou-se a consciência da necessidade de transformação de todos os setores e nos últimos anos registou-se um crescente reconhecimento dos governos sobre o papel da cultura no desenvolvimento sustentável [3].

Na conferência mundial sobre políticas culturais, Mondiacult 2022 a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) reconhece a cultura um “bem público mundial” e afirma a necessidade de expandir os direitos culturais (Artigo 27.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos), que estão na base das políticas culturais. Apoia a defesa de um objetivo global específico/ODS da cultura para a Agenda pós-2030 da ONU.

As bibliotecas escolares são parceiras na promoção da capacitação e na oferta de atividades nas áreas da cultura e do desenvolvimento sustentável, pois seguindo o Quadro estratégico da Rede de Bbiliotecas Escolares (p.47), implementam "práticas que impulsionem o desenvolvimento da sensibilidade e da criação estética e cultural, alicerçada na apreensão e valorização do património comum da humanidade". A ligação das bibliotecas à cultura permite que a sua abordagem do currículo tenha um caráter livre, interdisciplinar e inclusivo. 

  • Como é que a biblioteca escolar desenvolve, de forma significativa, sustentável e eficaz, a cultura local?

  • Qual é o papel dos jovens na cultura local?

  • Quais são os seus parceiros, atividades e indicadores com que avalia/monitoriza e faz advocacia dos progressos no setor?

  • A sua estratégia é representativa dos diversos atores e públicos locais?

2. A Cimeira da Cultura 2023 da CGLU

Dando continuidade aos objetivos da Mondialcult 2022, a 5.ª Cimeira da Cultura da CGLU (United Cities and Local Governments), realizada entre 28 de novembro e 1 de dezembro de 2023, em Dublin, Irlanda, designa-se Cultura. Futuro. Objetivo. Atuamos trazendo as visões locais para as mesas globais/Culture, Future, Goal. We Act by Bringing the Local Visions to the Global Tables.

De acordo com o seu documento de referência [4], a Cimeira promove:

- A capacitação, a partilha e o debate sobre o papel da cultura no desenvolvimento sustentável e sobre políticas e ações culturais locais, inovadoras e eficazes, reforçando redes entre cidades e governos locais;

- A criação de um objetivo específico para a cultura na agenda pós-2030 das Nações Unidas, tendo debatido o seu conteúdo e as medidas necessárias para persuadir as partes interessadas e influenciar as decisões para o futuro da cultura, que serão adotadas na Cimeira do Futuro.

Abordou os seguintes temas:

- Um ODS para a cultura;

- Cultura em ligação às pessoas e às comunidades - direitos culturais;

- Cultura em ligação ao desenvolvimento sustentável, designadamente, igualdade de género e desigualdades sociais, alterações climáticas, bem-estar e saúde, acessibilidade, turismo sustentável e informação e media (UCLG, 2023, p. 5).

Estes temas estabelecem a estrutura comum da cultura na perspetiva das cidades sustentáveis e inscrevem-se na campanha #Culture2030goal [5].

A IFLA é membro fundador da campanha Culture2030Goal, apelando à ONU que corrija o erro da Agenda 2030 que não contempla um ODS e um pilar para a cultura. Participou na Cimeira defendendo “que os governos locais encarassem as bibliotecas como parceiros na promoção do desenvolvimento em todos os domínios” e sublinhando “a importância de construir competências e curiosidade” junto das pessoas e comunidades [6]. Assinou um Memorando de Entendimento que afirma o compromisso das bibliotecas para o desenvolvimento local inclusivo e sustentável.

Há evidências sobre a importância da cultura para a governação local e as cidades. No webinar organizado pela IFLA, Culture2030Goal (23 de janeiro de 2024) apresentam-se estatísticas que mostram que a cultura é muito mais referida nos relatórios locais voluntários dos ODS do que nos nacionais [7]. As cidades lideram o reconhecimento da necessidade absoluta da cultura para o desenvolvimento sustentável, promovendo políticas públicas, práticas e experiências locais sólidas.

3. A CGLU, documentos e exemplos de atividades

A CGLU é uma voz internacional defensora da ligação indissociável entre cidadania, cultura e desenvolvimento sustentável e da cooperação entre governos locais e a Cimeira é o “principal ponto de encontro a nível mundial de cidades, governos locais e organizações que estão empenhadas na implementação efetiva de políticas e de programas sobre cultura e sustentabilidade”.

O documento de referência da 5.ª Cimeira [4] apresenta o percurso da CGLU, referindo publicações que disponibilizam versão em português e em muitos outros idiomas:

- Em 2004 adota a Agenda 21 para a cultura, declaração sobre “a relação entre as políticas culturais locais e os direitos humanos, a governação, o desenvolvimento sustentável, a democracia participativa e a paz”;

- Em 2010 aprova Cultura: Quarto Pilar do Desenvolvimento Sustentável que “apela às cidades e aos governos locais e regionais de todo o mundo para

(a) desenvolverem uma política cultural sólida e

(b) incluírem uma dimensão cultural em todas as políticas públicas”.

- Em 2015 lança Ações Culturais 21, que propõe 100 ações/compromissos, realizáveis e mensuráveis, no âmbito da cultura e do desenvolvimento sustentável das cidades.

Exemplo de ações: estabelecer “um número mínimo de bibliotecas/livros por habitante” (p. 18), bibliotecas disponibilizarem informação sobre direitos culturais e serviços [e atividades] públicos no setor e adotar uma estratégia local que associe a política educativa à política cultural, valorizando os recursos culturais locais e criando uma plataforma em linha que associa os agentes públicos e privados destes setores [8].

- Em 2018 publica A Cultura nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Um Guia para a Ação Local no qual indica porque é que a cultura é importante para cada um dos ODS, apresentando exemplos.

- Posteriormente, lança uma base de dados com quase 300 boas práticas de todo o mundo pesquisáveis por palavras-chave, ODS e os 9 Compromissos da Cultura 21. Portugal está representado com iniciativas como a Galeria de Arte Urbana da Quinta do Mocho, em Loures, visitas guiadas por ferroviários ao museu A Estação de Pinhal Novo, em Palmela e o Concurso da Sardinha, em Lisboa [9].

Esta base de dados destaca o papel das bibliotecas no desenvolvimento sustentável inclusivo local. Por exemplo, as boas práticas de Monterreal desenvolvem-se com as bibliotecas e uma delas refere: “uma biblioteca do século XXI é mais do que um mero local de acesso à informação. É um projeto social e um ‘terceiro lugar’ para as pessoas viverem na sociedade, onde o primeiro e o segundo são a casa e o trabalho ou a escola” [10].

- Em 2023 na sua contribuição para o Pacto do Futuro das Nações Unidas diz que é preciso reforçar o papel dos jovens no setor e que a cultura é “um meio de ajudar o mundo a imaginar futuros diferentes [e necessários] de forma mais eficaz e a dar um verdadeiro valor aos interesses das gerações futuras” [11].

 

Outras fontes:

Referências

  1. (2023). 5th UCLG Culture Summit: Dublin 2023. https://www.agenda21culture.net/summit/uclg-culture-summit-2023
  2. (2021). Culture: Shaping the Future: Final Report. https://agenda21culture.net/sites/default/files/uclgculturesummit_izmir_finalreport_en.pdf
  3. Culture 2030 Goal Campaign. (2023). Recognition of the role of culture in development. https://culture2030goal.net/resources
  4. (2023). UCLG Culture Summit: Culture. Future. Goal. We Act to Bring Local Visions to Global Tables (p. 4). https://agenda21culture.net/sites/default/files/dublin2023_background_def_en.pdf
  5. Culture 2030 Goal campaign. #CULTURA2030GOAL. https://culture2030goal.net/
  6. (2023). Building momentum towards a culture goal. https://www.ifla.org/news/building-momentum-towards-a-culture-goal-ifla-at-the-uclg-culture-summit-2023/
  7. (2024). Culture2030Goal - Looking Ahead. https://www.youtube.com/watch?v=uzUF34dXvOI
  8. Culture 21. Agenda 21 da cultura. (2015). Cultura 21: Ações (pp. 32 e 22). https://www.agenda21culture.net/documents/culture-21-actions
  9. (s.d.). Good Practices: Quinta do Mocho Public Art Gallery. https://www.obs.agenda21culture.net/en/good-practices/quinta-do-mocho-public-art-gallery
  1. (s.d.). Modern 21st Century Libraries in Montreal. https://www.obs.agenda21culture.net/en/good-practices/modern-21st-century-libraries-montreal
  2. Culture 2030 Goal campaign. (2023). UN pact for the future. https://culture2030goal.net/sites/default/files/2023-12/EN_culture2030goal_December2023_Inputs%20UN%20PACT_0.pdf
  3. (2021). Culture: Shaping the Future: Final Report. https://agenda21culture.net/sites/default/files/uclgculturesummit_izmir_finalreport_en.pdf
  4. 📷 [1]

 

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Seg | 19.02.24

HOLOCAUSTO, através do olhar sensível da criança

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Desde 2005, a 27 de janeiro assinala-se o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, cujo principal objetivo é não deixar cair em esquecimento o genocídio perpetrado pelos Nazis e colaboracionistas durante a Segunda Guerra Mundial, pois

“Não podemos mudar a história, mas as lições da história podem mudar-nos a nós” [1]

e podemos moldar o futuro no presente, educando para combater todo e qualquer tipo de intolerância e para promover a paz.

Foi com essa certeza que, partindo do Projeto Cultural de Escola - “Rasgos de Emoção”-, foi desenvolvido um projeto multidisciplinar na Escola Básica de Santa Catarina, Caldas da Rainha,  que procurou sensibilizar os alunos para a importância do respeito pelo Outro, da preservação da memória e da prevenção do antissemitismo, do racismo e de qualquer outra forma de discriminação, projeto esse de que resultou a exposição multissensorial “HOLOCAUSTO, através do olhar sensível da criança”.

A exposição, pensada e emocionalmente sentida por crianças e jovens dos 2.º e 3.º ciclos, agrega trabalhos multimodais realizados nas disciplinas de História, Cidadania e Desenvolvimento, Educação Visual e Educação Tecnológica, com a colaboração da equipa da biblioteca escolar e da artista residente, Amábile Bezinelli. Constituiu um ato de reflexão, consciencialização e valorização dos direitos humanos, numa perspetiva transformadora de mentalidades, contribuindo para a formação dos alunos enquanto cidadãos dignos, críticos e interventivos, capazes de agir ativa e conscientemente contra a agressão, o silêncio e a indiferença.

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Inicialmente, começou somente como um trabalho isolado, realizado com um grupo de alunos do 3.º ciclo, no âmbito de um  projeto Erasmus, cujo tema era "Não ao extremismo", de que resultou  a criação de um túnel representando a fuga das vítimas de perseguição pelo regime nazi e uma homenagem a Aristides de Sousa Mendes. Este trabalho suscitou a curiosidade nos alunos do 2.º ciclo e seguiu-se um conjunto de ações e iniciativas que originou uma exposição intensa e envolvente, que não deixa indiferente quem a visita. O desenvolvimento do projeto pode ser acompanhado por meio dos vídeos disponíveis em HOLOCAUSTO através do olhar sensível da criança   o processoVOZES DO HOLOCAUSTO.

A primeira inauguração da exposição fora de portas decorreu no contexto da Bienal Cultura e Educação #1 - Retrovisor: uma história de futuro, no âmbito do Plano Nacional das Artes e de todo o trabalho desenvolvido em articulação com a Biblioteca Escolar, tendo estado patente na Ermida do Espírito Santo, em Caldas da Rainha, entre 7 e 15 de maio de 2023. 

Nos dias 12 e 13 de outubro de 2023, a exposição representou mais uma vez a EB de Santa Catarina numa mostra de trabalhos, que se realizou no Parque D. Carlos I, no âmbito do PNA-TE | Mostra Territorial do Plano Nacional das Artes. (Mostra Coletiva dos Projetos Artísticos) As reações que alguns dos visitantes deixaram registadas no livro de visitas são assaz esclarecedoras do poder e impacto desta exposição, conforme podemos comprovar no vídeo da primeira exposição itinerante.

Neste ano letivo, a pedido da Comissão de Pais de Santa Catarina, a exposição retomou a sua itinerância, tendo estado patente no Solar de Santa Catarina nos dias 27 e 28 de janeiro de 2024. (Aconteceu em Sta Catarina)Foi também requisitada para o Espaço AbraçAr-Te, na Mata do Porto Mouro, em data a definir.

A exposição reúne trabalhos em vários formatos, oferecendo uma experiência multissensorial que contribuiu para a formação de todos os envolvidos na sua consecução e, ainda, para a de todos os que têm tido a oportunidade de visitar as sucessivas exposições em locais distintos, estrategicamente selecionados, guiados por alguns dos alunos e professores envolvidos na sua criação.

O sucesso da exposição deve-se, em grande parte, ao facto de proporcionar aos alunos e visitantes uma experiência imersiva e interativa, que estimula os seus sentidos, as suas emoções e o seu pensamento crítico face a um acontecimento histórico que marcou a história da humanidade.

Sai-se, porém, desta exposição com a certeza de que o que originou o holocausto não está erradicado na sociedade atual, sendo fundamental a ação da Escola e a união de todos os setores da sociedade civil para defender os valores democráticos nos tempos conturbados que hoje vivemos.

[1] Declaração conjunta da Presidente von der Leyen, do Presidente Michel e do Presidente Sassoli por ocasião do 75.º aniversário da libertação de Auschwitz-Birkenau (23 de janeiro de 2020). https://idi.mne.gov.pt/images/noticias/declaracaoConjuntaUE.pdf

 

 

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Sex | 16.02.24

Rede de Bibliotecas de S. João da Madeira: criar oportunidades

por Carla Relva, Coordenadora da Biblioteca Municipal Renato Araújo

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A Rede de Bibliotecas Escolares de S. João da Madeira foi criada em 2007, na sequência de uma Candidatura de Mérito. Este processo teve a coordenação do Serviço de Apoio às Bibliotecas Escolares (SABE) criado na Biblioteca Municipal Renato Araújo (BMRA).

O grande objetivo desta rede foi reunir recursos para a criação do catálogo on-line das bibliotecas escolares e que foi possível graças à oferta por parte do Município de licenças do software de gestão documental existente na Biblioteca Municipal, permitindo assim uma racionalização de recursos humanos, técnicos e financeiros, mercê de uma aposta forte no empréstimo interbibliotecário. Foi elaborado um Regulamento comum às Bibliotecas Escolares de S. João da Madeira e um manual de procedimentos, documentos fundamentais para o funcionamento uniformizado da rede que integra todas as escolas do concelho de ensino público.

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Mensalmente, são realizadas reuniões de trabalho onde são abordadas e discutidas questões de interesse comum sobre a política documental, oferta formativa, atividades de promoção da leitura, projetos e candidaturas.

Ao longo destes anos, têm sido desenvolvidos diversos projetos conjuntos, estabelecidos através de um Plano Anual de Atividades, no qual se destaca o trabalho colaborativo em iniciativas de âmbito cultural, tendo como exemplo a “Poesia à Mesa” - uma marca cultural da cidade – que ao longo das suas 22 edições tem vindo a apostar numa participação ativa da comunidade educativa, promovendo e divulgando a poesia, os poetas e as suas obras junto do público escolar, seja através de oficinas de expressão poética, de escrita criativa, como também da realização de um certame que premeia os melhores poemas originais.

Conta-se, igualmente, o desenvolvimento de várias iniciativas no âmbito da Semana da Leitura e do Plano Educativo Municipal:

  • Narrativas Gráficas e Marcar a Leitura – promovem a leitura e a criação de Banda Desenhada, nos vários níveis de ensino;

  • Desenvolvimento e divulgação do Fundo documental de Mandarim comum às várias bibliotecas;

  • Hora do Conto em Mandarim e Português - complementar à oferta do município em matéria de ensino de mandarim, permitindo uma dinâmica colaborativa com uma instituição de Ensino Superior, como o caso do Instituto Confúcio da Universidade de Aveiro;

  • Leitura com Sentidos – iniciativa que procura sensibilizar e consciencializar a comunidade educativa para as questões da inclusão de pessoas com deficiência visual e o contacto com recursos dedicados à cegueira ou baixa visão do centro de Leitura Especial;

  • A celebração do MIBE que tem vindo a proporcionar um intenso programa de atividades, integrando uma Feira do Livro Usado na Biblioteca Municipal, a realização de visitas, sessões do conto, oficinas e espetáculos.

Regularmente, são também propostos novos projetos e parcerias.

  • O caso da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa que desafiou a rede e as escolas secundárias a trabalharem o conceito de Antologia, partindo da obra “Biblioteca Internacional de Obras Célebres”, que integra o espólio da Biblioteca Municipal e que foi objeto de estudo pela faculdade.

  • O Concurso Interconcelhio de Leitura, que, conjuntamente com as redes dos concelhos de Oliveira de Azeméis, Santa Maria da Feira, Vale de Cambra e Arouca, dará continuidade ao projeto de promoção da leitura, que, até ao ano letivo de 2022/23, era realizado a nível nacional com o Plano Nacional de Leitura.

O trabalho desenvolvido pela rede tem vindo a potenciar o grande objetivo de reunir recursos, criar oportunidades e impulsionar o concelho em matéria de educação, acesso à informação e promoção da leitura.

Carla Relva
Coordenadora da Biblioteca Municipal Renato Araújo, São João da Madeira

 

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Qui | 15.02.24

Bibliotecas escolares – conceito e organização

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Quando o Programa Rede de Bibliotecas Escolares foi lançado, tinha como objetivo principal “instalar e desenvolver bibliotecas em escolas públicas de todos os níveis de ensino, disponibilizando aos utilizadores os recursos necessários à leitura, ao acesso, utilização e produção da informação em diferentes suportes.” [1] Volvidos mais de vinte e cinco anos, essa vocação mantém-se (entre outras que foram surgindo), mas é natural que alguns dos princípios orientadores relacionados com a organização e funcionamento das bibliotecas escolares necessitem de alguma atualização, de modo a corresponderem às necessidades e expectativas dos seus utilizadores. 

Para que as bibliotecas escolares continuem a ser procuradas por alunos e professores, consolidando a sua importância na escola, é fundamental que se continue a investir, equilibrando o espaço físico, flexível e multifacetado, com ambientes de aprendizagem mais virtuais, mas mantendo o foco na promoção da leitura e das literacias dos media e da informação, na formação de alunos e no apoio à atividade pedagógica dos professores. 

A alteração dos modos de estar e trabalhar ocorrida nas últimas décadas exige que se repense a biblioteca e o seu espaço, sem que isto implique uma transformação radical do mesmo, mas antes uma readaptação a novos modelos e formas colaborativas de aprendizagem e produção, levando a uma maior fruição da biblioteca e à potencialização dos seus recursos.

Assim, a biblioteca deverá ser repensada em termos de organização, equipamento e mobiliário, procedendo-se à revisão daquele primeiro modelo, de planta mais rígida, com zonas estanques e delimitadas de que todos nos lembramos. A criação de áreas distintas, de acordo com diferentes suportes e formatos de leitura (impressa, audiovisual e multimédia), deixou de fazer sentido; por essa razão:

  • a zona de receção/ acolhimento deve manter-se junto à entrada, mas prevendo-se a diminuição do espaço do balcão de atendimento, para que se priorize o acompanhamento e o apoio mais direto aos utilizadores;

  • a leitura informal não deve acontecer numa única zona, devendo a biblioteca criar vários espaços passíveis de uma utilização acolhedora e descontraída, para uso informal, leitura recreativa e convívio;

  • as áreas de leitura/ consulta de documentação/ produção devem manter-se, mas reinterpretadas, tendo em consideração a portabilidade dos equipamentos, a força do digital e a aposta no trabalho colaborativo e produtivo.

As escolhas feitas ao nível da organização da biblioteca deverão resultar, então, num espaço facilmente reconfigurável, de acordo com as diferentes necessidades ou as atividades a desenvolver: trabalho em grande grupo com alunos a refletir e dialogar; trabalho a par em dispositivos diversificados; trabalho em grupos com ou sem dispositivos; momento de criação ou relaxamento; hora de almoço e cada um na sua vida… Tudo ao mesmo tempo, numa azáfama organizada! 

Para que isto possa acontecer, a biblioteca deverá ser um espaço o mais aberto possível, com o mobiliário organizado de modo a não obstruir a abrangência visual do utilizador, deixando nele uma impressão de leveza, abertura e adaptabilidade, contribuindo assim para uma sensação de bem-estar que levará, seguramente, que tanto alunos como professores continuem a escolher a biblioteca como o seu espaço de eleição.

Referências

[1] Martorell, C. (coord.). (2008]. Rede de Bibliotecas Escolares. School Libraries Network. Portugal. Rede de Bibliotecas Escolares https://www.rbe.mec.pt/np4/%7B$clientServletPath%7D/?newsId=105&fileName=Rede_de_Bibliotecas_Escolares.pdf 

📷 Escola Básica e Secundária Frei Gonçalo de Azevedo, São Domingos de Rana, Cascais | Escola Básica do Alto da Peça, Alcabideche, Cascais | Escola Básica Professor João de Meira, Guimarães

Veja também

Bibliotecas escolares – espaços em transformação

04.01.24

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Bibliotecas escolares –  detalhes que transformam

25.01.24

 

 

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Qua | 14.02.24

A Inteligência Artificial nas Bibliotecas Escolares: uma resposta estratégica aos desafios da aprendizagem

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Nos dois primeiros artigos da série “A inteligência artificial (IA) nas bibliotecas escolares”, explorámos as oportunidades criadas pela IA e apresentámos propostas de integração da IA nos Planos de Ação de Desenvolvimento Digital das Escolas, com o apoio da biblioteca. Hoje, abordaremos as questões relacionadas com os desafios que a IA coloca à aprendizagem.

A rápida evolução da inteligência artificial tem desencadeado transformações profundas no cenário educativo, moldando a experiência dos alunos. Este artigo reflete sobre a necessidade de estabelecer diretrizes claras, éticas e transparentes para a utilização da IA em contexto educativo e apresenta propostas de utilização com os alunos.

A biblioteca escolar desempenha um papel fulcral neste novo paradigma, não apenas disponibilizando recursos e ferramentas que auxiliam os alunos, mas também impulsionando a experimentação e a disseminação de práticas inovadoras que promovem um ambiente educativo estimulante e inclusivo.

Criação de uma Política de Escola para a utilização responsável da inteligência artificial

A definição de uma política de utilização da inteligência artificial em contexto educativo é fundamental para orientar a sua integração eficiente e ética e estabelecer os princípios fundamentais para a segurança, privacidade e equidade no uso da IA.

Este assunto foi abordado no artigo A Inteligência Artificial nas Bibliotecas Escolares: Um Contributo para o Desenvolvimento Digital das Escolas e articula-se com os Planos de Ação de Desenvolvimento Digital dos Agrupamentos. Ao abordar questões éticas, definir responsabilidades e estabelecer diretrizes claras para a implementação da IA em contexto educativo, as escolas asseguram que esta tecnologia seja uma ferramenta eficaz para melhorar o ensino e a aprendizagem, mantendo um compromisso sólido com o bem-estar dos estudantes e a integridade educativa. Uma política de utilização da IA não só promove a transparência e a responsabilidade, mas também fomenta a confiança da comunidade educativa na adoção desta inovação, contribuindo assim para o desenvolvimento de um ambiente educativo tecnologicamente avançado e ético.

A biblioteca escolar, enquanto espaço de informação, partilha e promoção das diferentes literacias, desempenha um papel crucial no apoio à definição desta política de utilização da IA nas escolas, contribuindo para uma implementação consciente e ética.

A transformação da experiência de aprendizagem com a inteligência artificial

A integração da IA em educação tem tido um impacto significativo nas experiências de aprendizagem, um pouco por todo o mundo. A IA pode desempenhar um papel importante no apoio aos alunos, através da criação de experiências práticas e interativas, adequadas ao perfil e necessidades de cada estudante.

De facto, a IA, pode ser uma verdadeira ferramenta de aprendizagem, pois permite a personalização e adaptação ao ritmo individual de cada aluno. As plataformas de gestão de aprendizagem (LMS - Learning Management System), amplamente adotadas em escolas, como Google Classroom, Teams ou Moodle, utilizam algoritmos de IA para fornecer sugestões personalizadas de conteúdos, atividades e avaliações, tendo em conta o desempenho e as preferências de aprendizagem de cada aluno.

Para além disso, há inúmeros sistemas de tutoria baseados em IA que oferecem apoio individualizado, identificando lacunas no conhecimento e adaptando os materiais de ensino às necessidades específicas de cada estudante [1]. A evolução deste tipo de tecnologia é tão rápida que diariamente surgem novas ferramentas e plataformas. As escolas devem, por isso, fazer uma análise cuidadosa das opções disponíveis no mercado, tendo em conta os objetivos que querem alcançar.

Para apoiar esta análise, apresentamos abaixo algumas das funcionalidades que devem estar disponíveis neste tipo de plataformas.

  1. Aprendizagem personalizada: ferramentas que utilizam algoritmos para ajustar os conteúdos com base no desempenho individual dos alunos. Esta funcionalidade permite personalizar o plano de estudos, reforçando conceitos mais desafiadores e adaptando-se ao ritmo de aprendizagem de cada aluno.

  2. Feedback imediato: ferramentas que disponibilizam feedback instantâneo sobre o desempenho dos alunos. Este recurso permite a correção imediata de erros e a avaliação do progresso pelos alunos, durante o processo de aprendizagem.

  3. Personalização do plano de estudos: ferramentas que adaptam os planos de estudos com base nas metas e preferências de aprendizagem dos alunos, sugerindo atividades específicas e adaptando-se às necessidades individuais de cada um.

  4. Exercícios interativos: disponibilização de uma variedade de exercícios, como por exemplo questionários, simulações, jogos educativos, laboratórios virtuais, mapas conceptuais, puzzles, quebra-cabeças interativos, simulações de cenários.

  5. Recompensas e gamificação: ferramentas que integram elementos de gamificação, como recompensas virtuais, conquistas e níveis. Estes incentivos tornam o processo de aprendizagem mais envolvente, encorajando os alunos a alcançarem metas e a superarem desafios.

  6. Funcionalidades de interação social: ferramentas que oferecem funcionalidades como fóruns de discussão e grupos de estudo. Essa abordagem cria uma comunidade de aprendizagem, permitindo a troca de conhecimentos e experiências entre os participantes.

  7. Acesso multiplataforma: ferramentas que estão disponíveis em diversas plataformas, incluindo dispositivos móveis. Essa flexibilidade de acesso permite que os alunos aprendam ao seu próprio ritmo.

 

Ao incorporar estas funcionalidades, as ferramentas de tutoria proporcionam aos alunos uma experiência de aprendizagem eficaz, personalizada e envolvente, adaptando-se às diferentes disciplinas e contextos educativos.

No próximo artigo, ainda dedicado aos desafios que a IA coloca à aprendizagem, serão apresentados exemplos de assistentes virtuais gratuitos que podem apoiar o processo de aprendizagem e ser utilizados em contexto de sala de aula pelos alunos. Estes assistentes, para além do apoio individualizado, permitem a personalização da aprendizagem e oferecem acesso a recursos interativos.

Nota

[1] Todos os dias surgem novas plataformas e ferramentas. As plataformas Khan Academy e Duolingo são das mais conhecidas. A Khan Academy desenvolveu um assistente virtual impulsionado por IA - Khanmigo - que funciona como um tutor personalizado, apoiando os alunos no processo de aprendizagem. O Duolingo é uma plataforma de aprendizagem de idiomas online que utiliza métodos interativos e gamificação para envolver os alunos, funcionando como um tutor virtual.

📷criada com IA (Adobe Firefly).

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Veja também - Série: A Inteligência Artificial nas Bibliotecas Escolares

 

Desafios e Oportunidades

 (Blogue RBE, Qui | 07.12.23)

 

 

Um Contributo para o Desenvolvimento Digital das Escolas

(Blogue RBE, Qua | 10.01.24)

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Sex | 09.02.24

Bibliotecas Escolares: aliadas essenciais para a nossa escola

por Filipa Carvalho, Diretora do AE da Venda do Pinheiro, Mafra

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A Importância das Bibliotecas Escolares para uma formação integral: aliadas essenciais para a nossa escola

As bibliotecas escolares são uma componente crucial do ensino e do trabalho no agrupamento de Escolas da Venda do Pinheiro. As bibliotecas, que hoje são espaços multifuncionais, passaram de simples depósitos de livros para verdadeiros e ativos espaços de aprendizagem e trabalho colaborativo, que apoiam o desenvolvimento da literacia e promovem a pesquisa, ampliando as experiências educativas e formativas dos nossos alunos.

É fundamental salientarmos a variedade de recursos que as nossas bibliotecas escolares têm à disposição de todos: os espaços oferecem acesso a uma imensa variedade de recursos digitais, conteúdos audiovisuais e tecnologias, para além dos tradicionais livros. A diversidade das nossas bibliotecas não acompanha somente os avanços tecnológicos, mas responde igualmente aos diferentes estilos de aprendizagem dos nossos alunos.

As bibliotecas permitem que os alunos explorem um enorme leque de recursos, tendo mesmo, em cada biblioteca do agrupamento, um pequeno espaço maker com uma impressora 3D, que faz as delícias dos nossos alunos.

Na biblioteca, a pesquisa, capacidade essencial para o crescimento académico e pessoal, encontra terreno fértil. Os alunos têm a oportunidade de aprender a navegar em bases de dados, utilizar fontes fiáveis e aperfeiçoar as suas competências de pesquisa e seleção de informação. Defendemos e acreditamos que estas competências são essenciais para o sucesso e para o exercício de uma cidadania informada, esclarecida e responsável, quanto a nós algo que urge trabalhar se queremos e acreditamos em democracias inteligentes.

Os professores bibliotecários e os professores das diferentes áreas trabalham juntos e de forma colaborativa para maximizar o potencial de todos os recursos. Esta colaboração eficaz faz com que que os recursos da biblioteca sejam incorporados no currículo escolar, melhorando e enriquecendo as experiências de aprendizagem de todos. Os professores bibliotecários, lado a lado com os outros docentes, desempenham um papel crucial ao ajudarem os alunos a usar recursos de forma mais eficaz, permitindo uma formação mais abrangente e prática.

A colaboração não se limita a utilizar os recursos da biblioteca de forma superficial: é importante que estes sejam integrados no processo educativo e é este o objetivo que procuramos sempre atingir. A interdisciplinaridade, ou a integração de conhecimentos de várias disciplinas, é uma parte fundamental desta estratégia de trabalho em equipa. São desenvolvidos projetos, apoiados pelos professores bibliotecários em conjunto com professores de outras disciplinas, que utilizam os recursos da biblioteca de forma sinérgica. Tal não significa que os professores interajam apenas no desenvolvimento de projetos: as nossas bibliotecas são, também,  um local ideal para atividades extracurriculares como clubes de leitura, atividades culturais e oficinas temáticas. Estas iniciativas não despertam apenas o interesse pela leitura, mas também fortalecem o sentido de comunidade escolar, tornando a biblioteca um ponto de encontro saudável e profícuo para vários interesses e talentos.

No Agrupamento de Escolas da Venda do Pinheiro, o investimento na melhoria das bibliotecas escolares é constante e tem como objetivo o crescimento completo dos alunos, maximizando os benefícios do espaço para a formação dos jovens. As escolas do nosso agrupamento oferecem, garantidamente, uma educação mais rica, contextualizada e preparatória para os desafios, constantes, dos nossos dias, fortalecendo, permanentemente, a colaboração entre todos.

Filipa Carvalho
Diretora do AE da Venda do Pinheiro, Mafra

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Qui | 08.02.24

Abertura e uso da biblioteca escolar

Escolas do 1.º ciclo do ensino básico e jardins-de-infância

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Os primeiros anos de escolaridade constituem uma fase crucial para a aprendizagem da leitura e da escrita, assim como para o desenvolvimento do gosto pelos livros, por ler e ouvir ler. O acesso regular às bibliotecas escolares, não só proporciona às crianças um ambiente favorável à leitura, como também contribui significativamente para um ensino mais dinâmico e enriquecedor.

As bibliotecas oferecem aos alunos um espaço dedicado à exploração de uma ampla variedade de livros cativantes e adequados à sua idade e interesses, incentivando o desenvolvimento de competências de leitura e de compreensão desde cedo, e criando um ambiente acolhedor que desperte neles o interesse pela leitura.

A existência de recursos educativos diversificados, como livros informativos, jogos educativos e materiais multimédia, que estimulam a curiosidade dos alunos e promovem uma aprendizagem mais envolvente, torna as bibliotecas verdadeiros centros de aprendizagem ativa, contribuindo para o desenvolvimento das habilidades cognitivas das crianças e jovens.

Reconhecer a biblioteca como um espaço flexível, é crucial para a sua utilização em pleno. Os professores têm a oportunidade de utilizar este ambiente educativo como uma extensão de suas salas de aula, promovendo atividades interdisciplinares e práticas inovadoras. Nela encontram um cenário propício ao desenvolvimento de projetos, à realização de pesquisas e de atividades colaborativas, enriquecendo a experiência educacional dos seus alunos.

É fundamental que os docentes se apropriem do espaço da biblioteca e o utilizem sem a necessidade constante da presença do professor bibliotecário. Isso não só promove a autonomia dos docentes, como também encoraja a integração da biblioteca no plano de ensino, possibilitando uma abordagem mais personalizada e adaptada às necessidades de cada turma.

A abertura alargada e regular das bibliotecas não é apenas uma decisão logística, mas uma estratégia educativa com impactos diretos no desenvolvimento integral dos alunos. Ao criar um ambiente propício à leitura, à curiosidade e à aprendizagem dinâmica, as bibliotecas tornam-se catalisadoras do processo educativo, contribuindo para a formação de alunos autónomos, críticos, ávidos por conhecimento e mais criativos. É, assim, imperativo reconhecer e fortalecer o papel desses espaços enriquecedores no cenário educacional do 1.º ciclo.

Cabe ao professor bibliotecário, em articulação com os órgãos de gestão, encontrar a melhor solução para garantir esse funcionamento, adequando as possibilidades às diferentes realidades.

Eis algumas sugestões:

Professores do Art.º 79 e redução da componente letiva

  • Articule com a direção a distribuição de serviço dos docentes pelas escolas do 1.º ciclo e jardins-de-infância.

Assistentes operacionais

  • Equacione, com o/a coordenador/a da escola, um tempo para a biblioteca no horário semanal de um/a assistente operacional.

Monitores da Biblioteca

  • Aproveite o gosto dos alunos mais velhos e convide-os a serem monitores.

Programa de mentorias

  • Organize um programa de mentoria por alunos mais velhos (3.º ciclo/ensino secundário) ou ex-alunos das escolas.

Voluntários de leitura

Professores aposentados

  • Averigue a disponibilidade de professores aposentados e sugira-lhes a biblioteca como espaço onde manter a ligação a alunos e colegas.

Associações de pais

  • Mostre a biblioteca à Associação de Pais e incentive os seus membros a tornarem-se seus colaboradores.

Autarquias/ Juntas de Freguesia

  • Solicite a colaboração das autarquias para a presença de funcionários na escola/biblioteca, um dia por semana.

Membros da comunidade local

  • Analise a sua comunidade local e contacte empresas ou outras instituições que se disponibilizem a colaborar em iniciativas da biblioteca escolar.

📷 CC BY 2.0/ JuliaC2006S
Inside the new Meopham library
Visited the new library in Meopham. A new building on the same site, which it shares with Meopham school, a doctors surgery, leisure centre and nursery. (ps it wasn't empty, I just waited til most people were out of shot!)

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