Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Blogue RBE

Sex | 22.10.21

Desenho e conceção de um cartaz na prática do professor bibliotecário| A impressão e a afixação

2021-10-22.png

Após fazer a composição final temos que passar à impressão, mas será melhor começar por fazer alguns testes, pois o que vemos no ecrã (que tem muita luz) não é exatamente igual ao que sai da impressora. As cores vão sofrer algumas alterações e, sobretudo, o contraste entre os vários elementos visuais acaba por ser diferente. Assim, começamos por imprimir uma cópia e vamos ajustando os elementos, até que a leitura se aproxime do resultado final que pretendemos. 

Para se fazer a impressão, será necessário exportarmos o cartaz em formato de imagem. Entre os vários formatos, o PNG oferece uma qualidade superior relativamente ao JPG. Também a definição da imagem, aquando da exportação, se possível, deve ser de 300dpi.

Outro fator determinante é a dimensão do cartaz impresso. Para que tenha valido a pena ter perdido horas a fazer um cartaz, este deve ter uma dimensão mínima de um A2 (420x594). Face aos recursos disponíveis nas nossas bibliotecas (normalmente temos acesso uma impressora A3), podemos usar o Microsoft Publisher, que permite fazer a impressão de uma página (imagem) em várias folhas, controlando as margens de impressão. Depois, só temos que colar as várias folhas para termos o cartaz pronto para afixar na parede.

Impresso o cartaz, teremos que decidir onde o colocar. Também esta tarefa deve ser bem pensada, procurando locais de maior frequência, como átrios de entrada, por exemplo. No entanto, devemos preferir paredes frontais, em detrimento de paredes laterias relativamente ao percurso mais usual.

Muitas vezes, temos que colocar os nossos cartazes numa parede que já está cheia de cartazes (como nas salas de professores), entrando em competição com outros, muitos vindos de fora da escola e criados por profissionais. Neste caso, pode ser útil criar um enquadramento especial, ou até mesmo colar elementos 3D que ajudem a destacar e a prender a atenção dos destinatários.  

2021-10-22-2.png

Paulo Rodrigues
(prof. bibliotecário)
Escola Básica Carlos Ribeiro
Agrupamento de Escolas de Pinhal de Frades

Sex | 22.10.21

Aceita o desafio: da tua biblioteca ao PÚBLICO

2021-10-22-3.png

Uma parceria, dois concursos, três registos: reportagem, entrevista, texto de opinião. “Aceita o desafio: da tua biblioteca ao PÚBLICO” é como se chama esta iniciativa conjunta da Rede de Bibliotecas Escolares e do PÚBLICO na Escola.

Para que entre mais jornalismo nas escolas e a produção jornalística dos alunos tenha mais público.

O que se pretende, a quem se destina, por que razões se impõe? Perguntas que ficam respondidas numa conversa emitida na plataforma de streaming Ao vivo, do jornal Público, no Dia Nacional das Bibliotecas Escolares: 25 de outubro de 2021 às 14:00

Veja o programa, no portal RBE.

Qui | 21.10.21

Desenho e conceção de um cartaz na prática do professor bibliotecário | A composição

2021-10-21-3.png

A composição do cartaz passa por encontrar o equilíbrio visual entre os vários elementos, ou seja, o equilíbrio entre as imagens, os textos e outros elementos adicionais, sem esquecer a sua hierarquia. O equilíbrio visual faz-se a partir do peso visual dos elementos (relação entre a sua dimensão, cor, textura, a sua posição no suporte e a relação com os outros elementos).

Embora seja um processo intuitivo que se prende com a sensibilidade de cada um, importa lembrar que a leitura de uma composição se faz segundo dois princípios:

- O olhar é atraído para o centro visual do suporte, que não corresponde ao centro geométrico.

- A leitura faz-se de cima para baixo e da esquerda para a direita, segundo uma diagonal, no sentido referido.

Um cartaz pode ser organizado sobre linhas verticais ou horizontais, dando uma ideia de maior estabilidade, ou sobre linhas oblíquas, ganhando uma maior dinâmica, transmitindo assim a sensação de movimento.

No caso de estarmos a trabalhar com um suporte com orientação horizontal (uma imagem para televisão) podemos organizar os elementos gráficos tendo em atenção a regra dos terços, muito utilizada em fotografia e cinema.

2021-10-21.png

Depois de estabelecida a hierarquia dos elementos que queremos utilizar, vamos distribui-los, posicioná-los e combiná-los, tendo em atenção a sua posição e dimensão, mas também com as cores e os contrastes entre eles. Assume particular importância a relação do(s) texto(s) com o fundo. O contraste é assegurado pela diferença de valor de claro-escuro (ver nota).

A escolha das cores também não deve ser arbitrária. Poderá ser interessante e facilitador a utilização de uma paleta de cor. Existem, na internet, imensas paletas de cor (basta pesquisar, como imagens) constituídas por cores mais claras e outras mais escuras que garantem a harmonia e o contraste entre elas ou podemos construir a nossa paleta recorrendo a alguns sítios dedicados  (Coolors, Adobe color; Canva…)

https://coolors.co/

https://color.adobe.com/pt/create/color-wheel/

https://www.canva.com/colors/color-palettes/

De qualquer modo, não podemos esquecer que estamos a lidar com elementos visuais que vão sempre influenciar a leitura do cartaz e, como tal, a sua escolha deve ser criteriosa e intencional (Que ideia queremos passar? O evento é divertido, descomprometido, dinâmico, misterioso…). Não é indiferente usar um fundo muito escuro, ou até mesmo preto, ou usar um fundo amarelo. Qual é o critério? O que pretendemos passar?

Podemos ainda recorrer a outras ferramentas ou efeitos para garantir que o texto tem a leitura necessária, destacando-se do fundo ou do que está por trás: afastamento entre os carateres, linha de contorno das letras, ou até mesmo a utilização de sombras.

Na composição também deve haver um espaço onde se colocam os logotipos referentes às entidades organizadoras ou promotoras, parceiras das iniciativas, bem como às entidades que, de algum modo, contribuíram com o seu apoio, financeiro ou outro. Percebemos que, nalgumas situações, apenas temos o logotipo do agrupamento/escola e da própria biblioteca, o que é fácil de incluir na composição. No entanto, quando são muitas as entidades envolvidas, não devemos espalhar os logotipos pelo cartaz, mas agrupá-los. Poderá ser facilitador deixar um retângulo (branco), como se tratasse de um rodapé, onde se podem colocar os logotipos alinhados por ordem de importância das entidades (ministério, câmara municipal, editoras, agrupamento…) sendo que os promotores aparecem primeiro e só depois os apoios.

2021-10-21-2.png

Como processo de trabalho de composição é importante experimentar diferentes soluções, e se possível, não apagar as soluções que vamos abandonando.  A comparação entre as soluções ajuda a encontrar um melhor resultado final.

 Nota: Quando convertemos uma imagem de cor para cinzentos, às diferentes cores irão corresponder diferentes valores de claro-escuro.

Para perceber a pertinência desta questão podemos recorrer às “Ferramentas de acessibilidade” do Adobe Colors (https://color.adobe.com/pt/create/color-contrast-analyzer) e experimentar a utilizar as cores da bandeira nacional. O vermelho e o verde são cores opostas, que têm grande impacto visual, mas que juntas têm um valor de claro-escuro muito próximo, reduzindo o contraste entre elas.

 

Paulo Rodrigues
(prof. bibliotecário)
Escola Básica Carlos Ribeiro
Agrupamento de Escolas de Pinhal de Frades

Qua | 20.10.21

Desenho e conceção de um cartaz na prática do professor bibliotecário | O texto e o formato

2021-10-20.png

O Texto

O texto deve estar organizado em diferentes categorias, conforme a sua importância (hierarquia da informação):

Texto principal é bem legível numa primeira leitura. Deve ser muito curto e direto e, preferencialmente, fácil de pronunciar e memorizar.

Texto auxiliar ou comentário é o que se vê (lê) numa segunda leitura. Dá informações sobre datas, locais ou características…

Texto complementar é legível numa leitura mais próxima e demorada (numa terceira leitura). Dá informações adicionais relacionadas com o promotor da mensagem (ministério, escola, biblioteca municipal) patrocínios e o autor.

O tipo de letra (font) é de grande importância. Este não deve ser complexo ou ter demasiados arabescos. O tipo de letra deve ser simples para permitir uma leitura rápida.

Há um conjunto de tipos de letra (à volta de 20) que são os mais utilizados pelos profissionais e que garantem uma boa leitura (ler em: https://bit.ly/3vdYtut).

Por norma, as fonts estão em livre acesso, desde que não sejam usadas para fins comerciais. Podemos pesquisas fonts em diversos sítios na internet, como por exemplo Font Dinner, 1001 fonts, dafont.com ou Google fonts.

Torna-se mais fácil escolher o tipo de letra na própria página da net, pois aí podemos digitar o texto que pretendemos adicionar ao cartaz e observar o resultado visual.

Não podemos esquecer que, se pretendemos fazer o cartaz recorrendo a um programa instalado no computador (e não online), devemos fechar o programa, instalar o tipo de letra; só assim o tipo de letra ficará disponível.

 

O formato

Onde pretendemos divulgar o cartaz?

O cartaz é tradicionalmente concebido para ser impresso e afixado numa parede e, por norma, tem um formato retangular, com uma orientação vertical (A2, A1…). Este formato e orientação são os que oferecem melhor leitura e facilidade de organização dos elementos gráficos.  Mas, se o objetivo é fazer a divulgação através de uma televisão, então o nosso suporte deverá ter uma proporção de 16:9 e orientação horizontal (repare que um cartaz no seu formato tradicional, colocado ao centro de um ecrã de TV, ocupará sensivelmente 1/3, reduzindo-se grandemente o seu impacto).

Como princípio de trabalho devemos ter como referência os seguintes formatos: A3 (mínimo) / 16:9 (320X180 - mínimo) já que a dimensão do suporte digital (ou folha) irá determinar a qualidade da imagem final.

2021-10-20-2.png

Paulo Rodrigues
(prof. bibliotecário)
Escola Básica Carlos Ribeiro
Agrupamento de Escolas de Pinhal de Frades

Ter | 19.10.21

Desenho e conceção de um cartaz na prática do professor bibliotecário | A imagem ou forma principal

2021-10-19.png

“Uma imagem vale mais do que mil palavras”.

A imagem central de um cartaz deve ser sugestiva e identificar-se com o público-alvo – deve despertar o interesse. Poderá ser o gatilho que fixa a atenção do nosso público-alvo e desperta a curiosidade relativamente ao evento ou iniciativa que pretendemos promover.

A imagem deve estar diretamente relacionada com o evento e/ou a ideia que lhe pretendemos associar.

Dentro da composição, por norma, a imagem ocupa mais espaço do que o texto e a sua leitura depende do contraste com os outros elementos. No entanto, podemos ter situações em que o texto ocupa a quase totalidade do cartaz, assumindo o papel principal.

Devemos ter em atenção que a imagem (digital) tem que ter uma boa definição. Uma imagem de tamanho pequeno terá como resultado a pixelização da mesma, quer na leitura em ecrãs, quer quando impressa.

Depois de encontrada a imagem central ou principal, podemos equacionar se vamos utilizar a totalidade da mesma; ou se poderá ser interessante reenquadrar ou utilizar apenas parte dessa imagem, o que poderá facilitar a composição final, ou até mesmo ser capaz de despertar maior curiosidade.

2021-10-19-2.png

A imagem central pode ser um desenho ou fotografia original, mas muitas vezes é retirada da internet. Nesse caso, devemos ter em atenção a questão dos direitos de autor, verificando se a imagem é de livre utilização, ou se a sua utilização está de algum modo condicionada.

Uma normal pesquisa de imagens irá devolver-nos, como resultado, uma quantidade enorme de imagens que foram utilizadas e reutilizadas, tendo-se perdido a referência ao seu autor. De modo a evitar este problema, podemos recorrer a sites que disponibilizam bancos de imagens, sendo que muitos deles requerem pagamento ou assinatura. Em alternativa, podemos usar sites ou aplicações que permitem a construção do próprio cartaz e onde são disponibilizadas imagens de livre acesso ( Canva em: https://www.canva.com/pt_pt/criar/poster/; AdobeSpark em https://www.adobe.com/br/express/create/poster ; Venngage em https://pt.venngage.com/features/criar-cartaz ).

Paulo Rodrigues
(prof. bibliotecário)
Escola Básica Carlos Ribeiro
Agrupamento de Escolas de Pinhal de Frades

Seg | 18.10.21

Desenho e conceção de um cartaz na prática do professor bibliotecário | Como começar?

2021-10-18-2.png

Divulgar as atividades e iniciativas das nossas bibliotecas é uma tarefa muito importante. Por norma, recorremos a cartazes ou imagens digitais que podem ser poderosos instrumentos de marketing e que pretendem comunicar com um determinado público-alvo (crianças, jovens, encarregados de educação...). Muitas vezes são o rosto das próprias iniciativas, passando uma primeira ideia das mesmas (divertidas, misteriosas, aventureiras…).

Os cartazes têm um papel importante, se forem eficazes, capaz de passar a informação e/ou de aliciar ou persuadir o público-alvo a participar, envolvendo-se nas iniciativas. O seu sucesso depende da forma como é concebido e executado, o que numa escola, ganha particular importância pedagógica, dado que os alunos, certamente, irão fazer os seus cartazes segundo os critérios ou princípios que conseguem observar nos que são expostos no seu ambiente escolar.

Torna-se, assim, pertinente que sejamos capazes de refletir sobre as nossas práticas, de modo a que possamos, de forma crítica, melhorar e facilitar a tarefa de divulgação dos nossos eventos, iniciativas ou simples informações.

Não será possível fazer aqui uma abordagem exaustiva, mas vamos deixar várias pistas que permitem avaliar as opções tomadas ao longo da conceção de um cartaz, melhorando o seu impacto visual.

No nosso dia-a-dia, somos constantemente invadidos por imagens, quer através da comunicação social e da internet, associadas ou não a publicidade, quer nos cartazes, em outdoors ou múpis, que são afixados nas ruas das nossas vilas e cidades. Estas imagens devem merecer a nossa particular atenção, pois são pensadas e desenhadas por profissionais – designers gráficos – com os quais temos sempre muito para aprender.

O cartaz deve atrair a atenção do observador e permitir uma leitura muito rápida. Repare-se que quando estamos a fazer scroll numa página da internet, apenas paramos nas imagens que nos prendem a atenção de imediato. O mesmo se passa com um cartaz ou imagem que seja colocada na rua: nós passamos e só paramos se algo conseguir despertar o nosso interesse. Quer isto dizer, que não devemos tentar passar toda a informação de igual modo (o que não permitiria a leitura muito rápida). Esta deve ser hierarquizada conforme a sua importância, jogando com a dimensão, posição e características visuais dos diferentes elementos gráficos (forma, cor, paleta de cores selecionada…) facilitando diferentes níveis de leitura e consequentemente uma boa leitura visual.

Um cartaz deve passar uma mensagem simples (texto curto e bem legível). Normalmente, é constituído por imagem e texto que, no seu conjunto deve constituir um produto apelativo, primando pela simplicidade de organização dos elementos, por um conjunto de cores harmoniosas e pela sua originalidade.  

2021-10-18-3.png

Como começar?

Antes de mais, devemos ter sempre presente as respostas às seguintes questões que vão determinar o desenho e conceção do cartaz:

- Qual a mensagem a transmitir? Qual o objetivo? (passar informação, passar uma ideia, publicitar um evento…)

- A quem se destina? Qual o público alvo? (crianças, jovens, encarregados de educação…)

- Qual a melhor forma de chegar a esse público-alvo?

- Onde vai ser divulgado? (afixado numa parede, nas redes sociais, na página web da BE…).

 

Paulo Rodrigues
(prof. bibliotecário)
Escola Básica Carlos Ribeiro
Agrupamento de Escolas de Pinhal de Frades

Seg | 18.10.21

Redesenhar o papel do professor na escola e na comunidade

2021-10-18.png

De acordo com o relatório Education at a Glance 2021 1, as condições de trabalho dos professores e o investimento público são fatores fundamentais para a qualidade e equidade da educação.

Os salários dos recursos humanos das escolas, particularmente professores e diretores, são a maior despesa pública em educação. Poderiam ser fonte de atração pelos profissionais, mas em Portugal, de acordo com a Portugal Country Note 2021 2, evidenciam desigualdade e são reduzidos face às elevadas qualificações que exigem.

Na OCDE os salários aumentam com a progressão na carreira e número de anos de ensino - em 2020 os salários dos professores, do pré-escolar ao secundário, com qualificações máximas e no topo da carreira eram 86% a 91% superiores aos educadores/ professores com qualificações mínimas e no início de carreira. Em Portugal a desigualdade salarial pode atingir 116%, embora a maioria dos professores receba vencimentos intermédios.

Na OCDE, entre 2005 e 2020, os salários de professores com 15 anos de experiência e qualificações mais frequentes, aumentaram 2% (ensino básico) a 3% (ensino secundário), apesar da crise financeira de 2008, mas em Portugal diminuíram 6%. O número de horas letivas anuais é mais reduzido em Portugal do que na OCDE – a grande variação ocorre no pré-escolar: em 2020 os educadores trabalharam menos 104 horas – mas este fator por si dificilmente justifica a não atualização salarial.

Outro dos problemas é o envelhecimento docente que, segundo o relatório, pode colocar “muitos governos sob pressão para recrutar novos professores”. A idade aumenta com o nível de ensino e, em Portugal, a média de idades é superior aos países da OCDE – em 2019, 44% dos professores do 1.º e 2.º ciclos tinham 50 anos e a média da OCDE é 33%.

Em Portugal, o Conselho Nacional de Educação estima que até 2030 mais de 50 mil docentes (metade dos do quadro) poderão aposentar-se 3 e tem apelado à “integração urgente de mais professores no sistema para obviar a falta que já se faz sentir, possibilitando ao mesmo tempo o rejuvenescimento dos quadros e o aumento da estabilidade dos docentes nas escolas” 4. Em março solicitou que o Plano de Recuperação e Resiliência contemplasse verba para formar e atrair mais professores.

Acresce a esta situação a falta, em Portugal, de candidatos para cursos superiores de Educação: em 2021 entraram apenas 1100 e muitos não serão professores - o número de estudantes inscritos nestes cursos caiu cerca de 70% desde o início do século: passaram de 51.224 em 2001/ 2002 para 13.781 o ano passado 5. Este fator expressa a pouca atratividade e reconhecimento social da profissão. Um estudo da OCDE de 2018 evidencia que as perceções dos professores sobre o valor da profissão docente são reduzidas, designadamente em Portugal: 6 a 9% dos professores “concordam” ou “concordam totalmente” que a sua profissão é valorizada na sociedade (a média da OCDE é 26%) 6.

Para além de baixos vencimentos e falta de valorização social, as dificuldades em ingressar e progredir (existência de quotas) na carreira pode desmotivar estes profissionais e novos candidatos.

Para tornar os sistemas educativos capazes de alcançar maior qualidade e equidade em situações de crise pandémica, climática ou outras, a OCDE e a Education International, federação global de sindicatos de professores, estabeleceu um conjunto de 10 princípios 7 que podem orientar a cooperação internacional e local das autoridades, organizações e profissionais da educação na procura de soluções para a recuperação e crescimento na educação e sociedade.

Nos múltiplos papeis que a escola e a comunidade reservam aos professores – facilitadores, pares, líderes, mentores, tutores… - é importante que saibam, rápida e constantemente, atualizar-se, adaptar ensino e estratégias de aprendizagem a novas circunstâncias, responder a necessidades sociais e emocionais, desenvolver experimentação e micro-inovações/ estruturas de aprendizagem, fomentar uma cultura de aprendizagem. Por conseguinte, o documento sublinha que “O bem-estar dos professores é parte integrante do bem-estar dos alunos”, tendo “efeito nos resultados dos alunos” e da escola, devem ser “plenamente reconhecidos, recompensados e valorizados” e é necessário “rever condições de trabalho dos professores, a fim de identificar áreas que precisam ser melhoradas”.

De acordo com este documento, no futuro, os países devem preparar-se para desenvolver três tipos de ensino em simultâneo, de modo a garantir a continuidade da aprendizagem dos alunos: na escola (especialmente importante nos primeiros anos), híbrida e digital. A OCDE admite a construção de uma infraestrutura de aprendizagem à distância, segura, coerente, interoperável (pode funcionar com outras soluções) e multimodal (com ferramentas de aulas virtuais, aprendizagem em linha, tutoria inteligente, educação televisiva, radiofónica e de comunicação social) com recursos e experiências de aprendizagem para dentro e fora da escola, que permita variedade de oportunidades e inclua canais de retorno eficazes entre professores, alunos, líderes escolares e comunidade – a sua criação e avaliação deve envolver todas as partes interessadas, sobretudo professores e deve conter contribuições e curadoria da comunidade de aprendizagem em linha (crowd-sourcing/ crowd-curation). Considerando os efeitos da pandemia, propõe ainda “a criação de uma estratégia sistémica para aprendizagem dos professores com base em lições da pandemia”.

 

Referências

1. Organisation for Economic Co-operation and Development. (September 16, 2021). Education at a Glance 2021: Executive Summary. https://www.oecd-ilibrary.org/sites/b35a14e5-en/index.html?itemId=/content/publication/b35a14e5-en

2. Organisation for Economic Co-operation and Development. (September 16, 2021). Education at a Glance 2021: Portugal - Country Note. https://www.dgeec.mec.pt/np4/%7B$clientServletPath%7D/?newsId=1278&fileName=EAG_2021_Country_Note_Portugal_em_l_ngua.pdf

3. Conselho Nacional de Educação. (julho, 2019). Regime de Seleção e Recrutamento do Pessoal Docente da Educação Pré-escolar ao Ensino Secundário. https://www.cnedu.pt/content/noticias/estudos/Estudo_Selecao_e_Recrutamento_de_Docentes.pdf

4. Conselho Nacional de Educação. (dezembro, 2020). Estado da Educação 2019. https://www.cnedu.pt/content/edicoes/estado_da_educacao/EE2019_Digital_Site.pdf

5. Público. (2 de outubro, 2021). Número dos que estudam para ser professor caiu 70% desde o início do século. https://www.publico.pt/2021/10/02/sociedade/noticia/numero-estudam-professor-caiu-70-desde-inicio-seculo-1979559

6. Organisation for Economic Co-operation and Development. (23 de marco, 2018). TALIS 2018 Results: Teachers and School Leaders as Valued Professionals (vol. 2). https://www.oecd.org/education/talis-2018-results-volume-ii-19cf08df-en.htm

7. Organisation for Economic Co-operation and Development; Education International. (2021). Principles for an Effective and Equitable Educational Recovery. https://www.oecd.org/education/ten-principles-effective-equitable-covid-recovery.htm

Fonte da imagem: Organisation for Economic Co-operation and Development. (2021). Principles for an Effective and Equitable Educational Recovery. https://www.oecd.org/education/ten-principles-effective-equitable-covid-recovery.htm

Sex | 15.10.21

Education at a Glance 2021 | O nível socioeconómico pode determinar quem queres ser?

2021-10-12-2.png

A página principal do relatório anual da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Education at a Glance 2021 1, que inclui uma versão relativa a cada país, Portugal Country Note 2 e, este ano, o relatório O Estado da Educação Global – 18 meses de pandemia 3, parte de uma situação inquietante - quase um paradoxo - vivida globalmente, que induz ao questionamento do propósito da educação: garantir mobilidade social, dando a todos, ao longo da vida, iguais oportunidades e meios de desenvolvimento e realização.

Tal como foram os sistemas educativos de baixo desempenho os que encerraram por mais longos períodos, também foram “As crianças de contextos desfavorecidos que tiveram maior probabilidade de perder o horário escolar e não ter recursos para uma aprendizagem remota eficaz.” Nas palavras de Andreas Schleicher, Diretor de Educação e Competências da OCDE, “Os alunos de origens privilegiadas, apoiados por seus pais e ansiosos e capazes de aprender, poderiam encontrar seu caminho além das portas fechadas da escola para oportunidades alternativas de aprendizagem. Aqueles de origens desfavorecidas frequentemente permaneciam fechados quando suas escolas fechavam“.

A pandemia Covid-19 permitiu observar, em tempo real, o alargamento e aprofundamento das desigualdades de origem – socioeconómicas, de género, migração, condições de trabalho dos professores… - e os relatórios mostram que, apesar da situação de partida dos alunos tender a persistir, inclusive quando frequentam a escola, a  educação é a forma mais eficaz de modificar o passado/ destino, “criando condições de concorrência mais equitativas para que pessoas de todas as idades adquiram as competências que impulsionam empregos e vidas melhores”4

Nos países da OCDE o ensino secundário é o nível básico com que se espera que os jovens contribuam para a sociedade e entrem no mercado de trabalho. No entanto, “um em cada cinco adultos na OCDE não o concluiu e, em alguns países, uma parcela significativa das crianças abandona a escola precocemente.” Entre os fatores que influenciam o desempenho educacional, o socioeconómico tem, sobretudo nos jovens de 15 anos, impacto maior do que género ou país de origem, influenciando a escolha do curso e oportunidades de emprego. 5

Alunos cujos pais não têm habilitações superiores escolhem mais frequentemente cursos de dupla certificação, com formação mais técnica e prática, em vez de cursos gerais científico-humanísticos dirigidos para prosseguimento de estudos na universidade. Segundo o relatório do país, “Em Portugal, os estudantes sem qualquer progenitor com formação superior representavam 40% dos alunos matriculados em cursos de dupla certificação do ensino secundário, em comparação com 47% entre os matriculados em cursos de carácter geral”. De acordo com o Sumário Executivo do relatório global, “Em 2020, a taxa de desemprego dos jovens adultos que não concluíram o ensino secundário era quase duas vezes maior do que a daqueles com qualificações mais altas”.

O estatuto socioeconómico pode influenciar o acesso à educação, particularmente em níveis de ensino não obrigatórios, como primeira infância e ensino superior.

O estudo, A Pobreza em Portugal: Trajetos e Quotidianos 6 mostra que “a categoria social mais afetada pela pobreza” – e crises em geral - são crianças e jovens. A Estratégia Nacional de Combate à Pobreza 2021-2030 propõe a integração do pré-escolar no ensino obrigatório a partir dos três anos, e não dos seis como atualmente, bem como o reforço dos apoios à frequência de creches e pré-escolar para crianças com menores recursos 7.

Em Portugal os privados investem no pré-escolar 34% da sua despesa total, enquanto a média da OCDE é 17%. Na educação superior financiam 34%, em comparação com 30% da média da OCDE.

Educação na primeira infância e ensino superior são áreas da educação que, dentro de cada país, apresentam maiores desigualdades entre regiões – em Portugal as variações no acesso ao pré-escolar situam-se entre 83% e 100% e a população com habilitações superiores oscila entre 16% (Região Autónoma dos Açores) e 38% (Área Metropolitana de Lisboa). O fator socioeconómico também condiciona a possibilidade de os alunos do ensino superior estudarem no estrangeiro, que é menor em situação de reduzido nível económico - em Portugal 10% dos estudantes do ensino superior são, em 2019, internacionais e a tendência é aumentar.

O maior desígnio da humanidade é “Até 2030, garantir que todas as meninas e meninos completam o ensino primário e secundário que deve ser de acesso livre, equitativo e de qualidade” 8 e que proporcione, equitativamente, poder e meios humanos para a recuperação e aceleração local e global.

A educação contribui realmente para diminuir desigualdades de acesso a recursos e oportunidades?

Ou as condições em que os indivíduos nascem determinam até onde podem ir/ os seus sonhos?

A educação tem o poder de transformar?

… A biblioteca escolar pode escutar testemunhos e histórias de problemas e soluções de crianças, jovens e da comunidade, exprimindo como participa na mudança destes indicadores.

 

Referências

1. Organisation for Economic Co-operation and Development. (September 16, 2021). Education at a Glance 2021: OECD Indicators. https://www.oecd.org/coronavirus/en/education-equity

2. Organisation for Economic Co-operation and Development. (September 16, 2021). Education at a Glance 2021: Portugal - Country Note. https://www.dgeec.mec.pt/np4/%7B$clientServletPath%7D/?newsId=1278&fileName=EAG_2021_Country_Note_Portugal_em_l_ngua.pdf

3. Organisation for Economic Co-operation and Development. (September 16, 2021). The State of Global Education - 18 Months into the Pandemic. https://www.oecd-ilibrary.org/education/the-state-of-global-education_1a23bb23-en

4. Organisation for Economic Co-operation and Development. (September 16, 2021). Education at a Glance 2021: OECD Indicators. https://www.oecd.org/coronavirus/en/education-equity

5. Organisation for Economic Co-operation and Development OECD. (September 16, 2021). Education at a Glance 2021: Executive Summary. https://www.oecd-ilibrary.org/sites/b35a14e5-en/index.html?itemId=/content/publication/b35a14e5-en

6. Fundação Francisco Manuel dos Santos. (abril, 2021). A Pobreza em Portugal: Trajetos e Quotidianos. https://www.ffms.pt/publicacoes/grupo-estudos/5364/a-pobreza-em-portugal-trajectos-e-quotidianos

7. Público. (4 de outubro, 2021). Governo quer escolaridade obrigatória a começar aos três anos de idade. https://www.publico.pt/2021/10/04/sociedade/noticia/governo-quer-escolaridade-obrigatoria-comecar-tres-anos-idade-1979741

8. Organização das Nações Unidas (2021). Objetivos de desenvolvimento sustentável: 4. Educação de qualidade. https://unric.org/pt/objetivo-4-educacao-de-qualidade-2/

 

Fonte da imagem: OECD. (2021, 17 November). Education at a Glance 2021. https://www.oecd-ilibrary.org/education/education-at-a-glance-2021_b35a14e5-en

Qui | 14.10.21

O projeto Clássicos em Rede está novamente em marcha!

2021-10-14-2.png

Desde o início, este projeto tem um leque de intenções que incluem, entre outras, o “desenvolvimento de atividades de exploração de temas da Cultura Clássica”; ou “a criação de guiões de exploração de obras versando sobre a Cultura Clássica”, como se lê no Protocolo assinado em 2017 entre a Rede de Bibliotecas Escolares e a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Nos seus primeiros anos, o projeto arrancou essencialmente com duas vertentes: a organização de sessões nas escolas por investigadores de cultura clássica; e a organização das Olimpíadas da Cultura Clássica. Com a pandemia, a primeira vertente tornou-se impossível de concretizar, mas as Olimpíadas prosseguiram, até porque já vinham sendo realizadas em formato digital, nomeadamente ao nível dos desafios escritos, com recurso à aplicação Socrative.

Em 2021-22, ultrapassadas as fases de maiores restrições, diversas iniciativas irão ser desenvolvidas, a seu tempo anunciadas. Para já, a 22 de novembro abrem inscrições para as Olimpíadas convidando, como sempre, todas as escolas públicas e privados a motivar os seus alunos do 4º ao 12º anos. A inscrição far-se-á mediante o preenchimento dos formulários que estarão disponíveis no portal RBE.

Tendo em conta que, neste ano letivo, deverá ser dada uma especial atenção e prioridade à recuperação das aprendizagens, decidiu-se que os temas a concurso serão apenas dois para os escalões etários mais novos. Apenas os alunos do ensino secundário terão 3 temas.

Na mesma linha, é importante reforçar que todos os temas das Olimpíadas podem e devem ser trabalhados em articulação com o currículo, nas suas diferentes áreas, desde a Língua e Literatura Portuguesa, à História, à Expressão Dramática ou à Educação Visual e Tecnológica. Essa articulação atesta a presença da Cultura Clássica nas mais variadas áreas do conhecimento e da cultura atuais.

Veja todos os pormenores do regulamento no portal RBE.

Qui | 14.10.21

Centro Internet Segura lança eBook sobre parentalidade e tecnologia

2021-10-14.png

Numa altura em que o Mês Europeu da Cibersegurança teve início, o Centro Internet Segura (CIS) anuncia o lançamento de um novo recurso – o eBook “Pais, filhos & tecnologia”. A publicação, lançada em parceria com a revista Forum Estudante, pretende garantir a pais e educadores mais informação sobre o peso da tecnologia na vida e no crescimento das crianças, abrindo espaço a várias opiniões e pontos de vista sobre o tema.

O papel dos pais, encarregados de educação e educadores na mediação da relação dos mais jovens com a tecnologia é o foco deste novo eBook, que apresenta várias estratégias parentais para regulação do uso da Internet, ao mesmo tempo que detalha alguns dos vários estilos parentais existentes neste particular.

O eBook “Pais, filhos & tecnologia” inclui ainda capítulos sobre a infância e a parentalidade contemporânea, aprofundado o tema do crescimento com a tecnologia e da importância do papel dos pais e encarregados de educação. De igual forma, são deixadas algumas dicas e conselhos que podem facilitar a mediação da relação das crianças com a tecnologia, com destaque para fenómenos como redes sociais, jogos online ou tablets e smartphones.

Tendo em conta esta abordagem, a publicação é sobretudo destinada a pais, encarregados de educação e educadores. Contudo, será também adequada para qualquer interessado nesta temática, nomeadamente os mais jovens. O novo eBook está assim integrado na missão do Centro Internet Segura enquanto estrutura que visa a promoção do uso responsável, consciente e saudável da Internet em Portugal.

Através desta nova publicação é ainda possível aos leitores ficar a conhecer melhor os canais gratuitos que o CIS coloca à disposição para apoio e esclarecimento sobre utilização segura da Internet (Linha Internet Segura) e para denúncia de conteúdos ilegais online (através de formulário).

Pode ler e consultar o ebook aqui.

Pág. 1/3