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Blogue RBE

Sex | 29.10.21

International School Cartoon Festival | Tondela – Portugal

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Direitos Humanos e temáticas associadas são a base da criação para este festival

O Festival Internacional de Cartoon Escolar, que já segue na sua V Edição, é organizado pelo Grupo de Artes Visuais e pela Biblioteca Escolar da Escola Secundária de Molelos, do Agrupamento de Escolas Cândido de Figueiredo (AETCF), em parceria com o Município de Tondela.

Dadas as suas características, este é um evento único no país, por se tratar de um concurso destinado, essencialmente, ao público escolar e pelo facto de a sua organização e dinamização ser da responsabilidade de uma escola.

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As edições deste festival internacional têm vindo a registar, ao longo dos anos, um aumento muito significativo do número de participações: quer de alunos, quer de escolas, quer, sobretudo, de países aderentes. Na última edição foram recebidos cerca de 1300 cartoons, provenientes de 39 países de todos os continentes, como é o caso da Alemanha, da Argentina, da Bélgica, do Brasil, da China, de Cuba, do Egito, da Sérvia, da Índia, do Irão, da Noruega, do Perú, da Rússia, da Turquia, entre outros.

O concurso integra duas categorias de trabalhos: a categoria “Estudante”, à qual se podem candidatar todos os alunos com idade compreendida entre os 12 e os 15 anos e a categoria “Profissional”, que abarca todos os participantes com 18 anos ou mais.

Os “Direitos Humanos” apresentam-se sempre como a base das temáticas exploradas e a explorar. Vertentes como os direitos específicos das crianças, a preservação e sustentabilidade ambiental, a desigualdade no acesso à alimentação e situações de violação dos direitos humanos, foram assuntos retratados nos cartoons das quatro edições já realizadas. Por sua vez, na edição deste ano, pretende-se fazer uma abordagem/reflexão sobre o “Direito à Educação”.

Para os professores organizadores, o grande objetivo deste festival é fazer com que cada jovem, esteja ele onde estiver, num país rico ou num país pobre, em paz ou em guerra, longe ou perto de nós e a partir das circunstâncias em que vive, possa ter a possibilidade de criar, de se expressar criticamente e alertar para problemas/condições do meio que o rodeia, ou, simplesmente, de dar a conhecer a sua cultura e as suas tradições, de mostrar a sua arte!

 A adesão a esta iniciativa tem superado bastante as espectativas. Nela têm participado jovens de escolas nacionais e de todo o mundo, bem como cartoonistas de renome que partilham as mesmas preocupações pela construção de um mundo melhor: mais humano, mais justo e mais solidário! A mensagem veiculada através dos cartoons tem sido forte, ficando claro que pela arte também compreendemos o mundo e, com a arte, podemos dar significado aos problemas que nos afetam e nos faz refletir sobre os valores da cidadania.

O mérito e o agradecimento maiores vão, precisamente, para esses jovens que, aderindo a este projeto, têm vindo a demonstrar um forte empenho, imensa criatividade, sentido crítico, humor e compreensão, levando a uma reflexão individual e coletiva e alertando a sociedade para questões pertinentes do mundo atual.

Os trabalhos da última edição podem ser revisitados nesta Galeria Virtual.

Os interessados em participar na V Edição do Festival Internacional de Cartoon Escolar (alunos ou artistas profissionais), poderão enviar os seus trabalhos digitalizados, com uma qualidade de 300dpi, para o e-mail ricardoferreira.escolatondela@gmail.com, até 30 de novembro de 2021, devendo o ficheiro estar identificado com o primeiro e último nome. Mais informações sobre o festival estão disponíveis na Página do Facebook.

Anualmente é constituído um júri internacional formado por artistas reconhecidos na área do cartoon. Fazem parte do júri da V Edição os seguintes elementos:

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A programação do festival, no período pré-pandemia, incorporou várias atividades, com e para os alunos, abertas à comunidade, tais como: exposição de trabalhos, apresentação de cartoonistas reconhecidos nacional e internacionalmente, workshops, execução de caricaturas ao vivo, entrega de prémios e momentos animados com poesia, histórias e música.

Devido à pandemia, o formato do evento foi alterado para o digital na edição do ano passado. Atendendo às medidas de segurança que ainda vigoram, em resultado deste contexto, o formato vai manter-se na edição deste ano, estando a sessão de abertura (via zoom) programada para a última semana de maio, em dia e hora a anunciar.

 

Tondela | outubro | 2021

A organização:

Olga Matos (Professora Bibliotecária | Professora Bibliotecária e Coordenadora das Bibliotecas Escolares do AETCF)

Paula Aresta (Docente de EV/3.ºCEB | Adjunta da Direção do AETCF)

Ricardo Ferreira (Docente de EV/3.ºCEB | Cartoonista | Curador de Arte)

Sex | 29.10.21

O Outro? O Nós! (III)

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No contexto da participação da Rede de Bibliotecas Escolares no Folio 2021, subordinado ao tema o Outro, publica-se série de artigos que serviram de base a encontros e workshops.

O Outro? O Nós! é uma história em seis partes, das quais se publicaram a primeira, a segunda e a terceira e hoje a quarta e a quinta - a sexta parte, a melhor, está por contar e nela todos somos protagonistas.

 

Parte 4

Porque a compreensão da dignidade humana se transforma continuamente, é histórica e os contornos universais/ uniformes não são suficientes para a reconhecer e proteger, reconhece-se na década de 90 e no cenário económico global, que a igualdade de direitos só se efetiva quando se respeitar, valorizar e intervir sobre as diferenças entre indivíduos, que carecem de exigências específicas de proteção. Na base da compensação das diferenças desvantajosas (assistência social, isenções e incentivos fiscais…) há aproximação à equidade. Este é um modelo não apenas universalista, mas de especificação de direitos humanos, segundo o qual a ação deve decidir-se em função das múltiplas discriminações/ vulnerabilidades/ barreiras a que o indivíduo está sujeito e que se intersetam (perspetiva intersectorial): classe e origem, cultura, género e orientação sexual, idade, religião, deficiência… Reconhecem-se novas e múltiplas agendas de direitos humanos que afirmam o direito de cada um à igualdade de oportunidades e a ser diferente: povos originários, LGBTIA+, refugiados, ecológicos, pacifistas…

 

Parte 5

Emerge um caminho alternativo de desconstrução das formas de poder e discurso tradicionais, invocando outras experiências, ideias, expressões, memórias, identidades, mundos sem fronteiras.

A interculturalidade crítica é o caminho a percorrer de relação e enraizamento da cultura ocidental que tem no centro a relação do eu com o outro, o nós – diverso, plural, sujeito de direitos humanos fundamentais, incluindo voz e representação no espaço público – e pode contribuir para a recuperação e transformação da sociedade cosmopolita do século XXI.

 

Fontes da imagem

SOS Racismo. (2021). Dicionário da Invisibilidade. https://www.sosracismo.pt/produto/dicionario-da-invisibilidade
Perez, C. (2020). Mulheres Invisíveis. https://relogiodagua.pt/produto/mulheres-invisiveis/

Qui | 28.10.21

O Outro? O Nós! (II)

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No contexto da participação da Rede de Bibliotecas Escolares no Folio 2021, subordinado ao tema o Outro, publica-se uma série de artigos que serviram de base a encontros e workshops.

O Outro? O Nós! é uma história em seis partes, das quais hoje se publicam a segunda e a terceira - a sexta parte, a melhor, está por contar e nela todos somos protagonistas.

O Outro, enquanto plural e sujeito de direitos, voz e representação no espaço público, é recente e frágil. Exige proteção e abertura acrescida para que dê lugar ao Nós, expressão da efetivação das liberdades fundamentais de todos os seres humanos em comunhão com o Planeta.

 

Parte 2

“empregar toda a vida a cultivar a minha razão, e a avançar, tanto quanto me fosse possível, no conhecimento da verdade, seguindo o método que para mim estabelecera.”

“tornarmo-nos senhores e possuidores da natureza.”[1]

 

Até à Modernidade (Platão, Descartes…) o Ocidente pensou a razão - e a tecnologia, sua aplicação - como meio conducente à verdade e a um mundo melhor.

De acordo com esta visão instrumental da ciência e tecnologia, o sujeito permanece separado do objeto - é neutro - e o conhecimento é abstrato (representação) - não sendo pensado a partir da/ para a realidade - e especializado/ académico, constituindo meio de poder e dominação da natureza e outros homens. O mundo é uma construção/ reflexo do sujeito que é norma/ padrão (valor universal) e a ciência tem um papel normalizador da sociedade.

Esta visão justifica:

- Grandes progressos científicos e tecnológicos;

- Extração e consumo ilimitado de recursos da Terra, capitalismo e crise ambiental (climática/ extinção de espécies);

- Catástrofes (Hiroxima), extermínios (Holocausto), escravidão e colonialismo, anulação e invisibilidade do outro/ diferente;

- Fascismo/ totalitarismo/ extrema-direita alimentado pela criação do medo e desordem, através da desinformação e propaganda, discurso do ódio, polarização, negacionismo.

 

Parte 3

Pelos efeitos que traz de desumanização e indiferença, questiona-se, desde I. Kant, mas sobretudo a partir da segunda metade do século XX, a hipervalorização deste modelo centrado no eu/ razão/ ver e procura compreender-se e experienciar-se a vida com base na escuta e diálogo com o Outro.

 

“É porque a subjetividade é sensibilidade (…) que o sujeito é de carne e osso, homem que tem fome e que come, entranhas numa pele e, portanto, suscetível de dar o pão da sua boca ou da sua pele.”

Levinas, E. (2011). De outro modo que ser ou para lá da essência. Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, p. 95.

 

A sensibilidade (afetiva e sentimental, estética…) - não apenas a razão - é condição de existência no mundo - e a ética é a base da relação de responsabilidade/ dever com o outro (Levinas): sou responsável por mim e todos os outros, que devem ser tidos em conta na minha compreensão do mundo e decisões. A vida é o que cada um constrói na relação com seus semelhantes e outros seres vivos, que deve ser de acolhimento, hospitalidade e respeito pela individualidade/ diferença de cada um, aquilo que nos une a todos.

O reconhecimento do Outro, na sua diferença e dignidade (valor inestimável, sem preço), ocorre com a instituição dos direitos humanos ao longo da História. A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 que inspirou a Revolução Francesa é um primeiro grande marco, mas a Declaração Universal dos Direitos Humanos proclamada após a experiência da II Guerra Mundial (ONU, 10 de dezembro de 1948) e as convenções e tratados humanos subsequentes são fundamentais na defesa da luta contra arbitrariedades do poder e garantia das liberdades individuais fundamentais/ mínimas no horizonte ideal e universal da família humana.

Em 2015 a Declaração adquire novo alcance com o compromisso global dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável que conferem aos direitos humanos uma visão holística/ multidimensional/ sistémica/ circular e integrada nas comunidades, convocando diferentes contextos e atores - “mais de 90%” das metas dos ODS estão incorporados em tratados de direitos humanos” 2. Localmente, é importante que todos participem através de processos bottom up para que os direitos sejam não apenas formais, mas vividos.  

 

Referências

1. Descartes, R. (1986). Discurso do Método. [Partes III, VI]. Porto Editora, pp. 82, 119

2. Naciones Unidas en Ginebra - Misión Permanente de Dinamarca. (2017). Derechos Humanos y ODS Alcanzando Sinergias. https://www.universal-rights.org/wp-content/uploads/2017/12/ODS-DDHH_SP.pdf

Fonte da imagem

El Instituto Danés de Derechos Humanos. La Guía de los Derechos Humanos a los ODS. https://sdg.humanrights.dk/es

Qua | 27.10.21

Porque é que os alunos devem escrever em todas as disciplinas

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A escrita melhora a aprendizagem, consolidando a informação na memória de longo prazo, explicam os investigadores. Além disso, eis cinco atividades de escrita interessantes para desenvolver em todas as disciplinas.

Para Kyle Pahigian, professora de matemática do 10.º ano numa escola em Massachusetts, uma aula sobre triângulos congruentes não começa com calculadoras e transferidores. Em vez disso, a professora distribui um mapa do tesouro aos alunos e pede-lhes para escreverem direções detalhadas para chegarem ao tesouro enterrado, usando pontos de referência como um guia.

«Não digo diretamente aos alunos “Hoje vamos estudar teoremas sobre triângulos congruentes”», disse Pahigian. «Em vez disso, pretendo que eles sintam que estão a experimentar e a fazer alguma coisa que sabem fazer bem.» Muitas vezes, os alunos sentem-se intimidados com a matemática, pelo que transformar a atividade num exercício de escrita alivia a tensão associada à introdução de conceitos difíceis, disse ela.

Na aula de matemática da professora Pahigian, a escrita regular é utilizada como uma estratégia de aprendizagem que lhe permite perceber como os seus alunos pensam. «Gosto de fazer pequenos exercícios de escrita quando estamos a lidar com definições», disse Pahigian. Em vez de dizer aos alunos o que é um polígono, por exemplo, opta por lhes mostrar um conjunto de políginos e um de não polígonos, perguntando-lhes «O que notam? Que diferenças veem?» Os alunos passam alguns minutos a anotar as suas respostas e depois juntam-se em grupos para compararem soluções.

«É muito interessante e divertido ver o que eles escreveram, porque consigo perceber as dúvidas. Consigo perceber o processo», disse Pahigian.

Um estudo recente esclarece porque é que a escrita é uma atividade com tantos benefícios, não apenas em disciplinas que habitualmente associamos à escrita, como a língua materna ou história, mas em todas as áreas. O professor catedrático Steve Graham e os seus colegas, do Arizona State University's Teachers College, analisaram 56 estudos procurando perceber os benefícios da escrita em ciências, estudos sociais e matemática, e descobriram que a escrita «melhorava seriamente a aprendizagem» em todos os níveis de ensino. Além de os exercícios escritos servirem para o professor avaliar se os alunos compreenderam ou não as matérias, o processo da escrita também melhora a capacidade de os alunos recordarem informação, fazerem conexões entre diferentes conceitos e sintetizarem informação de outras formas. De facto, a escrita não é apenas uma ferramenta para avaliar a aprendizagem, ela também a promove.

 

CONSOLIDAÇÃO DAS APRENDIZAGENS

Porque é que a escrita é eficaz? «Escrever sobre os conteúdos melhora a aprendizagem, consolidando a informação na memória de longo prazo», explicam Graham e os seus colegas, descrevendo um processo conhecido como o efeito de recuperação. Como a investigação anterior demonstrou, a informação esquece-se rapidamente se não for reforçada, e a escrita ajuda aos alunos a reterem na memória o que aprenderam.

É o mesmo mecanismo cognitivo que explica porque é que praticar através de testes é eficaz. Num estudo de 2014, os alunos que realizaram testes práticos nas aulas de ciências e de história obtiveram mais 16 pontos percentuais nos exames finais do que aqueles que apenas estudaram. «Praticar a recuperação da informação estudada recentemente aumenta a probabilidade de o aluno recuperar essa informação no futuro», disseram os investigadores do estudo de 2014.

Escrever sobre um tópico também ajuda os alunos a processar a informação a um nível mais profundo. Responder a perguntas de escolha múltipla ou de resposta curta pode ajudar a recuperar informação factual, mas registar os pensamentos no papel ajuda os alunos a avaliar ideias diferentes, levando-os a ponderar a importância de cada uma e a considerar a ordem em que devem ser apresentadas, escrevem Graham e os seus colegas. Ao fazê-lo, os alunos podem estabelecer novas conexões entre ideias, conexões que podem não ter estabelecido quando apreenderam a informação inicialmente.

 

UMA FERRAMENTA METACOGNITIVA

Os alunos acreditam, frequentemente, que compreenderam um assunto, mas se lhes for pedido para escreverem sobre ele e para o explicarem, podem ser reveladas lacunas na compreensão. Uma das estratégias de escrita mais eficazes que Graham e os seus colegas descobriram foi o recurso à metacognição, em que é pedido aos alunos não apenas para recuperarem informação, mas também para aplicarem o que aprenderam em contextos diferentes, refletindo sobre os múltiplos ângulos de uma opinião ou fazendo previsões baseadas no que sabem. Por exemplo, em vez de apenas lerem sobre os ecossistemas nos manuais escolares, os alunos podem escrever sobre o impacto que eles próprios causam, analisando a quantidade de lixo que o seu agregado familiar produz ou o impacto ambiental da produção dos alimentos que consomem.

 

5 ESTRATÉGIAS DE ESCRITA PARA UTILIZAR EM QUALQUER DISCIPLINA

Eis uma variedade de ideias que os professores partilharam com a Edutopia nos últimos anos sobre o modo de incorporar a escrita numa grande variedade de disciplinas.

Diários «Pergunto-me»: Na escola primária de Crellin, em Oakland, Maryland, os professores encorajavam os alunos a fazerem perguntas, através da atividade «Pergunto-me», promovendo a aprendizagem para além da sala de aula. Depois da visita a um celeiro e um jardim locais, por exemplo, Dave Miller apercebeu-se de que as perguntas dos seus alunos do 5.º ano sobre animais e plantas ultrapassavam em muito o tempo que ele tinha para lhes responder; por isso, pediu-lhes para escreverem sobre o que não tinha ficado claro para eles ou sobre curiosidades, o que o ajudou a planificar futuras aulas e experiências.

«Se eles não se perguntam “Como poderíamos sobreviver na Lua?” esse assunto nunca será explorado», disse Dana McCauley, a diretora de Crellin. «Mas isso não significa que devam parar de fazer perguntas, porque a interrogação leva ao pensamento fora da caixa, desenvolvendo o espírito crítico. É ao tentarem perceber e ao refletirem sobre o que estão a fazer, que tudo se associa.  É aqui que toda a aprendizagem acontece, onde todas as conexões começam a ser feitas.»

Diários de viagem: Todos os alunos na Normal Park Museum Magnet, uma escola básica com 3.º ciclo, em Chattanooga, Tennessee, criaram um diário de viagem para registar as suas aprendizagens. Estes diários incluíam não apenas gráficos, desenhos e organizadores gráficos, mas também enunciados escritos que refletem a aprendizagem dos alunos relativamente a um assunto.

Quando o professor do 5.º ano Denver Huffstutler iniciou uma unidade sobre ciências da terra, pediu aos alunos para se imaginarem exploradores à procura de um novo mundo com vida sustentável. Nos seus diários de viagem, os alunos mantiveram registo de tudo o que estavam a aprender, desde o impacto de catástrofes provocadas pelo Homem até aos seus desenhos e cálculos para um foguetão tripulado capaz de atingir planetas distantes.

Atividades informais de escrita:

A escrita pode assustar, por isso os professores da Escola University Park Campus recorreram a atividades informais de escrita, diariamente, para dar voz aos alunos, promover a sua autoestima e competências de pensamento crítico. Uma estratégia utilizada em toda a escola, em todas as disciplinas.

«O mais importante para mim é que não existe censura e as atividades não são demasiado estruturadas», disse o professor de ciências do 7.º ano, James Kobialka. «Trata-se de eles registarem as suas próprias ideias, e depois serem capazes de interagir com essas ideias, alterá-las e revê-las se não estiverem corretas.»

Por exemplo, quando os alunos de Kobialka estavam a aprender sobre a conservação da massa, não começou por definir o conceito, mostrou-lhes uma imagem e perguntou-lhes «O que notam sobre os átomos de ambos os lados? Como podem explicar isso?». Os alunos anotaram as suas observações, e a turma chegou a uma definição. «A partir daí», disse o professor, «depois de se chegar a um consenso, peço a alguém para escrever no quadro e iremos falar dos conceitos-chave.»

Revistas criadas por alunos:

Na aula de álgebra de Alessandra King, os alunos criaram uma revista com dezenas de artigos sobre a aplicação da matemática ao mundo real. Para cada artigo, os alunos selecionaram uma fonte primária  ̶  um artigo da revista Scientific American, por exemplo  ̶  leram-no com atenção e escreveram um resumo. Os alunos escreveram sobre uma grande variedade de assuntos, desde o método Gerrymandering a fractais nos quadros de Jackson Pollock, até às capas de invisibilidade.

«Uma escrita eficaz aclara e organiza os pensamentos, e o ritmo lento da escrita é propício à aprendizagem, porque permite que os alunos raciocinem com atenção para se certificarem de que estão certos antes de proferirem os seus pensamentos», escreveu King. «Os estudos demonstraram que a escrita é essencial especificamente para as aulas de matemática; por exemplo, parece que a capacidade de um aluno explicar os conceitos por escrito está relacionada com a capacidade de os compreender e aplicar.»

Escrita criativa:

Os ex-professores Ed Kang e Amy Schwartzbach-Kang incorporaram a narração e a escrita criativa nas aulas de ciências que integram os programas OTL (Ocupação de Tempos Livres). Por exemplo, pediram aos alunos para imaginarem uma criatura que pudesse viver num habitat local, o rio Chicago, no caso. De que cor seria? Que características o ajudariam a sobreviver e a defender-se? Como caçaria as suas presas? Os alunos escreveram uma história sobre a criatura que imaginaram, combinando conceitos de ciências com a narrativa criativa.

«Há dados científicos que sustentam que se devem usar histórias para ajudar as crianças a envolverem-se com o conteúdo e a criarem significado pessoal», explicou Kang, que tem um doutoramento em neurociências. «Ouvir factos estimula principalmente as duas áreas do cérebro de processamento da linguagem. Contudo, ao ouvirmos uma história, partes adicionais do cérebro são ativadas; zonas que envolvem os nossos sentidos e movimentos motores ajudam os ouvintes a “sentir” as descrições.»

 

O artigo «Porque é que os alunos devem escrever em todas as disciplinas» foi originalmente publicado no sítio Edutopia. Texto traduzido livremente a partir do inglês.

 

Referência

Terada, Youki (2021). Why Students Should Write in All Subjects. https://www.edutopia.org/article/why-students-should-write-all-subjects

 

Ter | 26.10.21

Plano Nacional de Formação Financeira - Assinatura de protocolo de cooperação Protocolo de Cooperação para a promoção da educação financeira em contexto educativo e formativo

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O CNSF – Conselho Nacional de Supervisores Financeiros (Banco de Portugal, Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões e Comissão do Mercado de Valores Mobiliários) e o Ministério da Educação celebraram um Protocolo de Cooperação para a promoção da educação financeira em contexto educativo e formativo, no âmbito do Plano Nacional de Formação Financeira.

O Protocolo foi assinado ontem na Escola Secundária Jorge Peixinho, no Montijo, pelo Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, pelo Presidente do CNSF e Governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, pelo Vice-Governador do Banco de Portugal, Luís Máximo dos Santos, pela Presidente da ASF, Margarida Corrêa de Aguiar, e pelo Administrador da CMVM, Rui Pinto, na Sessão solene da Semana da Formação Financeira 2021, uma cerimónia em que esteve igualmente presente a coordenadora da RBE, Dra. Manuela Pargana Silva.

O protocolo ontem celebrado define a constituição de um grupo de trabalho, com representantes da Comissão de Coordenação do Plano Nacional de Formação Financeira e do Ministério da Educação. A Rede de Bibliotecas Escolares integra este grupo, a quem competirá a execução das tarefas necessárias à concretização de projetos e ações de formação financeira.

No protocolo prevê-se a atualização dos temas definidos no Referencial de Educação Financeira, documento orientador para a implementação da educação financeira nas escolas, nomeadamente nas áreas relacionadas com os canais digitais e a sustentabilidade.

Em 2014 foi lançado, o programa de formação de professores, o qual visa apoiar os docentes na abordagem dos temas do Referencial de Educação Financeira e terá continuidade no âmbito do presente protocolo.

O protocolo prevê também o reforço da divulgação dos Cadernos de Educação Financeira dirigidos aos diferentes ciclos do ensino básico e ao secundário. Estes materiais foram preparados para apoiar professores e alunos na abordagem aos temas de educação financeira, através de histórias, situações-problema e exercícios práticos adequadas às idades e desafios caraterísticos das diferentes faixas etárias.

O presente protocolo preconiza ainda a continuação da dinamização de outras iniciativas para incentivar as escolas a desenvolverem projetos de educação financeira como o Concurso Todos Contam, a Semana da Formação Financeira e a Global Money Week.

A Rede de Bibliotecas Escolares tem colaborado com a dinamização destas atividades na área da educação financeira, através dos trabalhos promovidos pelas bibliotecas, esperando-se, na sequência deste protocolo, consolidar este trabalho em ações e propostas futuras.

Ter | 26.10.21

O outro? Nós! (I)

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No contexto da participação da Rede de Bibliotecas Escolares no Folio 2021, subordinado ao tema O Outro, publica-se uma série de artigos que serviram de base a encontros e workshops.

Parte 1

Em tempo de encerramento desta nova edição, o tema para o qual fomos convocados à reflexão impõe-se, para se perceber o alcance do sujeito nós, desde a dimensão mais próxima à mais distante.

A história da humanidade está carregada, infelizmente, de factos bem reveladores de grande indiferença e desumanização: situações de desigualdade, de falta de liberdade, de totalitarismos… modos de estar centrados no eu que, sobretudo, nos dois últimos séculos, têm vindo a ser contrariados e sustentados por textos de pensadores e declarações, materializados em grandes mudanças/ revoluções, como seja, por exemplo, a que aconteceu na Revolução Francesa.

Esta ideia transformadora da humanidade tem vindo a ser acrescentada com novos acontecimentos que, por sua vez, originam documentos e manifestos, que se atualizam e complementam, procurando dar resposta aos conflitos e situações mais gritantes. Tudo isto, acompanhado pela tomada de consciência da existência de múltiplas realidades, por uma perceção que se pretende cada vez mais holística e sistémica do mundo, que contribui para evidenciar a importância de se reconhecer e compreender o outro, naquilo que o diferencia.

 A declaração Universal dos Direitos Humanos, após a Segunda Guerra Mundial, consubstancia preocupações que já vinham do passado, colocando a tónica na defesa da luta contra as arbitrariedades do poder e na garantia das liberdades individuais, consideradas fundamentais.

Os objetivos de desenvolvimento sustentável associam estes direitos humanos a uma visão mais global e multifacetada, desafiando-nos para um olhar amplo que considere as questões a partir de várias perspetivas, sendo elas sempre, simultaneamente, de âmbito local e global, na medida em que um condiciona inevitavelmente o outro.

 

E qual é o lugar da biblioteca para esta transformação e melhoria? 

A biblioteca apresenta-se como um cadinho bem representativo do mundo, porque é diversa a coleção de que dispõe, também nos suportes, nos formatos e nos conteúdos que disponibiliza e propõe, favorecendo a interação, o diálogo, a troca e procurando representar a diversidade de identidades, de culturas e de interesses, configurando-se como um mundo sem fronteiras, portador de condições, na escola, capazes de contribuir para a garantia e a sustentabilidade da democracia.

Os seus serviços e sugestões de atividades e projetos incluem diferentes expressões e linguagens, proporcionando assim, abertura e entendimento para as distintas realidades que o mundo comporta, melhorando a capacidade de lidar com o outro, entendendo o que o distingue e ganhando o respeito pelas diferenças.

Pela riqueza de personagens, de geografias, de tempos e de culturas, as leituras que se fazem na biblioteca e a literatura que oferece proporcionam ocasiões para observar o outro, muitos e diversos outros, e conquistar um posicionamento plural, tão necessário à boa convivialidade do mundo atual.

A melhoria da linguagem, adquirida por via dessas leituras, ajuda ao diálogo, à argumentação, à interação, essenciais a uma boa comunicação, indispensável à nossa condição humana e gregária - habilidade frequentemente estimulada através das numerosas iniciativas propostas.

A formação sistemática para o uso da informação e dos media permite a compreensão de fenómenos emergentes e globais que ameaçam conduzir a versões do mundo parcelares e enviesadas, contribuindo deste modo para uma imagem multidimensional das questões e uma participação informada na sociedade

Estas preocupações e modos de estar e fazer encontram-se bem espelhadas no novo Quadro Estratégico da RBE que aponta para uma visão humanista e inclusiva, para uma ampla formação, que favoreça o individual com tradução, naturalmente, no coletivo. 

Assim, a dicotomia eu e os outros revela-se inadequada e estamos obrigados ativar, tal como nos diz Tolentino Mendonça na sua recente crónica do jornal Expresso Nós e os outros, “os mecanismos de construção do nós, tornando-nos corresponsáveis por uma política de esperança. Em vez de dizermos eles (referindo os pobres, os excluídos, os idosos, os frágeis, os jovens fora do mercado do trabalho, os imigrantes) deveríamos ser capazes de dizer NÓS”.

 

Fonte da imagem:

Município de Óbidos. (2021). Folio: Festival Literário Internacional de Óbidos. https://cutt.ly/LRPLTJZ

Seg | 25.10.21

Memória & Esperança - O contributo da biblioteca escolar

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De 22 a 24 de outubro de 2021, decorreu a jornada cívica nacional, “Memória e Esperança", que visou mobilizar a sociedade portuguesa para iniciativas que prestassem tributo às vítimas do Covid-19, aos que sofreram, aos que trabalharam e lutaram para superarmos a pandemia com sucesso, pretendendo, ao mesmo tempo, afirmar a esperança num futuro melhor, mais justo e solidário. Porque não podemos esquecer as vivências dos últimos 18 meses; porque fazer o luto é imprescindível, então a “Jornada de memória, luto e afirmação da esperança”, promovida por um grupo de 100 cidadãos, de várias áreas da sociedade portuguesa, e assinalada no passado fim de semana, pode prolongar-se no tempo, porque envolve questões fundamentais da existência individual e coletiva,  bem como dimensões essenciais de aprendizagem da cidadania.

O Manifesto, que alicerça esta jornada, evidencia bem os propósitos elencados, encontrando-se ainda aberto à sua subscrição, tal como a submissão de novas iniciativas. No âmbito das existentes, promovidas por vários setores da sociedade, figuram as das escolas, um dos terrenos em maior evidência na pandemia do Covid-19, e, naturalmente, as das bibliotecas escolares. As ações promovidas por estas e registadas no sítio da iniciativa contribuem bem para concretizar os quatro eixos estratégicos do Quadro Estratégico 2021-2027 (QE) do Programa Rede de Bibliotecas Escolares, Bibliotecas escolares: presentes para o futuro, nomeadamente Pessoas e Ligações, ao mesmo tempo que fomentam a valores como a Responsabilidade, a Inclusão, a Colaboração, a Participação e o Bem-Estar, definidos no mesmo documento como sustentáculos da ação do Programa.

O Quadro Estratégico da RBE recorda-nos que a biblioteca escolar não é um espaço da escola, uma infraestrutura ou um equipamento, mas um órgão vital da escola, que proporciona o cumprimento do currículo, através de si e consigo (p. 9). Integrando esta visão e esta missão, que alicerça o presente e prepara o futuro, e lembrando os pilares da política educativa, o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória, a Educação Inclusiva e a Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania, que preconizam a educação e a formação de todas as crianças e jovens “em dimensões que vão muito além do mero saber enciclopédico, sem desprezar o conhecimento, mas entrelaçando-o com competências, atitudes e valores que capacitam para uma cidadania ativa (…) Em que pode a biblioteca escolar ser instrumento para o debate, para dar voz aos alunos, para abrir as janelas das escolas para o mundo real?” (p.9)

Ora…

- se de entre as nove prioridades definidas pelo Gabinete Coordenador da RBE para as bibliotecas escolares no presente ano letivo, figura a Cidadania, esperando-se que a biblioteca escolar convoque para o exercício de uma cidadania democrática, reflexiva, empreendedora e sustentável, proporcionando aos alunos oportunidades de expressão e de participação;

- se, no ponto 10 do Manifesto da Jornada Nacional se refere que “As escolas e, em geral, as instituições educativas são chamadas a organizar projetos que valorizem a expressão das crianças e dos adolescentes relativamente às vivências e aprendizagens que fizeram com a pandemia, num exercício que permita abordar um processo que foi traumático e que afetou de modo particular os mais novos.";

- se o próprio site integrava já propostas/sugestões para a participação das escolas…

...então esta Jornada revelou-se ou revela-se, se a prolongarmos no tempo, uma oportunidade, de colaboração e de articulação para a biblioteca escolar e de expressão e de participação para os alunos, indo ao encontro de duas recentes Recomendações do Conselho Nacional de Educação, A voz das crianças e dos jovens na educação escolar e a Escola no pós-pandemia: desafios e estratégias e do Relatório da Unesco Nove Ideias para a Ação Pública - Educação, Aprendizagem e Conhecimento num mundo pós-covid-19.

Sex | 22.10.21

Desenho e conceção de um cartaz na prática do professor bibliotecário| A impressão e a afixação

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Após fazer a composição final temos que passar à impressão, mas será melhor começar por fazer alguns testes, pois o que vemos no ecrã (que tem muita luz) não é exatamente igual ao que sai da impressora. As cores vão sofrer algumas alterações e, sobretudo, o contraste entre os vários elementos visuais acaba por ser diferente. Assim, começamos por imprimir uma cópia e vamos ajustando os elementos, até que a leitura se aproxime do resultado final que pretendemos. 

Para se fazer a impressão, será necessário exportarmos o cartaz em formato de imagem. Entre os vários formatos, o PNG oferece uma qualidade superior relativamente ao JPG. Também a definição da imagem, aquando da exportação, se possível, deve ser de 300dpi.

Outro fator determinante é a dimensão do cartaz impresso. Para que tenha valido a pena ter perdido horas a fazer um cartaz, este deve ter uma dimensão mínima de um A2 (420x594). Face aos recursos disponíveis nas nossas bibliotecas (normalmente temos acesso uma impressora A3), podemos usar o Microsoft Publisher, que permite fazer a impressão de uma página (imagem) em várias folhas, controlando as margens de impressão. Depois, só temos que colar as várias folhas para termos o cartaz pronto para afixar na parede.

Impresso o cartaz, teremos que decidir onde o colocar. Também esta tarefa deve ser bem pensada, procurando locais de maior frequência, como átrios de entrada, por exemplo. No entanto, devemos preferir paredes frontais, em detrimento de paredes laterias relativamente ao percurso mais usual.

Muitas vezes, temos que colocar os nossos cartazes numa parede que já está cheia de cartazes (como nas salas de professores), entrando em competição com outros, muitos vindos de fora da escola e criados por profissionais. Neste caso, pode ser útil criar um enquadramento especial, ou até mesmo colar elementos 3D que ajudem a destacar e a prender a atenção dos destinatários.  

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Paulo Rodrigues
(prof. bibliotecário)
Escola Básica Carlos Ribeiro
Agrupamento de Escolas de Pinhal de Frades

Sex | 22.10.21

Aceita o desafio: da tua biblioteca ao PÚBLICO

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Uma parceria, dois concursos, três registos: reportagem, entrevista, texto de opinião. “Aceita o desafio: da tua biblioteca ao PÚBLICO” é como se chama esta iniciativa conjunta da Rede de Bibliotecas Escolares e do PÚBLICO na Escola.

Para que entre mais jornalismo nas escolas e a produção jornalística dos alunos tenha mais público.

O que se pretende, a quem se destina, por que razões se impõe? Perguntas que ficam respondidas numa conversa emitida na plataforma de streaming Ao vivo, do jornal Público, no Dia Nacional das Bibliotecas Escolares: 25 de outubro de 2021 às 14:00

Veja o programa, no portal RBE.

Qui | 21.10.21

Desenho e conceção de um cartaz na prática do professor bibliotecário | A composição

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A composição do cartaz passa por encontrar o equilíbrio visual entre os vários elementos, ou seja, o equilíbrio entre as imagens, os textos e outros elementos adicionais, sem esquecer a sua hierarquia. O equilíbrio visual faz-se a partir do peso visual dos elementos (relação entre a sua dimensão, cor, textura, a sua posição no suporte e a relação com os outros elementos).

Embora seja um processo intuitivo que se prende com a sensibilidade de cada um, importa lembrar que a leitura de uma composição se faz segundo dois princípios:

- O olhar é atraído para o centro visual do suporte, que não corresponde ao centro geométrico.

- A leitura faz-se de cima para baixo e da esquerda para a direita, segundo uma diagonal, no sentido referido.

Um cartaz pode ser organizado sobre linhas verticais ou horizontais, dando uma ideia de maior estabilidade, ou sobre linhas oblíquas, ganhando uma maior dinâmica, transmitindo assim a sensação de movimento.

No caso de estarmos a trabalhar com um suporte com orientação horizontal (uma imagem para televisão) podemos organizar os elementos gráficos tendo em atenção a regra dos terços, muito utilizada em fotografia e cinema.

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Depois de estabelecida a hierarquia dos elementos que queremos utilizar, vamos distribui-los, posicioná-los e combiná-los, tendo em atenção a sua posição e dimensão, mas também com as cores e os contrastes entre eles. Assume particular importância a relação do(s) texto(s) com o fundo. O contraste é assegurado pela diferença de valor de claro-escuro (ver nota).

A escolha das cores também não deve ser arbitrária. Poderá ser interessante e facilitador a utilização de uma paleta de cor. Existem, na internet, imensas paletas de cor (basta pesquisar, como imagens) constituídas por cores mais claras e outras mais escuras que garantem a harmonia e o contraste entre elas ou podemos construir a nossa paleta recorrendo a alguns sítios dedicados  (Coolors, Adobe color; Canva…)

https://coolors.co/

https://color.adobe.com/pt/create/color-wheel/

https://www.canva.com/colors/color-palettes/

De qualquer modo, não podemos esquecer que estamos a lidar com elementos visuais que vão sempre influenciar a leitura do cartaz e, como tal, a sua escolha deve ser criteriosa e intencional (Que ideia queremos passar? O evento é divertido, descomprometido, dinâmico, misterioso…). Não é indiferente usar um fundo muito escuro, ou até mesmo preto, ou usar um fundo amarelo. Qual é o critério? O que pretendemos passar?

Podemos ainda recorrer a outras ferramentas ou efeitos para garantir que o texto tem a leitura necessária, destacando-se do fundo ou do que está por trás: afastamento entre os carateres, linha de contorno das letras, ou até mesmo a utilização de sombras.

Na composição também deve haver um espaço onde se colocam os logotipos referentes às entidades organizadoras ou promotoras, parceiras das iniciativas, bem como às entidades que, de algum modo, contribuíram com o seu apoio, financeiro ou outro. Percebemos que, nalgumas situações, apenas temos o logotipo do agrupamento/escola e da própria biblioteca, o que é fácil de incluir na composição. No entanto, quando são muitas as entidades envolvidas, não devemos espalhar os logotipos pelo cartaz, mas agrupá-los. Poderá ser facilitador deixar um retângulo (branco), como se tratasse de um rodapé, onde se podem colocar os logotipos alinhados por ordem de importância das entidades (ministério, câmara municipal, editoras, agrupamento…) sendo que os promotores aparecem primeiro e só depois os apoios.

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Como processo de trabalho de composição é importante experimentar diferentes soluções, e se possível, não apagar as soluções que vamos abandonando.  A comparação entre as soluções ajuda a encontrar um melhor resultado final.

 Nota: Quando convertemos uma imagem de cor para cinzentos, às diferentes cores irão corresponder diferentes valores de claro-escuro.

Para perceber a pertinência desta questão podemos recorrer às “Ferramentas de acessibilidade” do Adobe Colors (https://color.adobe.com/pt/create/color-contrast-analyzer) e experimentar a utilizar as cores da bandeira nacional. O vermelho e o verde são cores opostas, que têm grande impacto visual, mas que juntas têm um valor de claro-escuro muito próximo, reduzindo o contraste entre elas.

 

Paulo Rodrigues
(prof. bibliotecário)
Escola Básica Carlos Ribeiro
Agrupamento de Escolas de Pinhal de Frades

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