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Blogue RBE

Sex | 20.05.22

Presença em linha: avaliação

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Leitura: 4min | 

Se está a (re)equacionar o sítio da sua biblioteca, uma das questões a que não pode ficar alheio é a forma de avaliar o impacto do trabalho que desenvolve na sua vertente em linha e ainda a forma de prestar contas da sua ação aos seus pares e aos órgãos de gestão da Escola/ Agrupamento de Escolas. Agindo desta forma, para além de melhorar a sua atuação, torna a biblioteca mais credível aos olhos dos decisores.
Neste artigo apresentaremos algumas reflexões que poderão ajudá-lo nesta tarefa.

1 - Avaliar para quê?
A avaliação de qualquer projeto, assim como de qualquer serviço, deverá fazer parte das práticas quotidianas de toda e qualquer instituição/ serviço/ atividade humana. Esta não se deverá fazer apenas no final de um qualquer ciclo, mas deve ser feita periodicamente. 
No caso concreto da biblioteca, se não tivermos o cuidado de instituir práticas de avaliação e monitorização, se não se analisar os resultados e o impacto da presença em linha, como é que podemos garantir que o que se está a fazer está a contribuir para os objetivos traçados? 

De acordo com a CAF Educação 2013: Estrutura Comum de Avaliação (CAF) [2], um processo de avaliação deve ser pensado numa lógica de melhoria contínua (Planear, Executar, Rever, Ajustar), num ciclo PDCA (Plan, Do, Check, Act) que não constitui um fim em si próprio, mas que aponte para etapas constantes que permitam uma monitorização propiciadora da reflexão sobre os resultados do trabalho já realizado, uma eventual reorientação ou a prossecução do rumo tomado. Este processo pode ser visto numa lógica de ciclo e iniciar-se na fase de planeamento, mas também na de execução, de modo a ajustar e readequar procedimentos. O objetivo desta análise é que a reflexão sobre os meios e os resultados conduza à prestação de um melhor serviço e de melhores resultados.

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Colocamo-nos, portanto, numa lógica um pouco diferente daquele que só avalia algo no final de um processo e que, decerto, ficará admirado pelo facto de ter tido tão fracos resultados e de não ter antecipado possíveis correções ao rumo traçado. Como escreveu alguém: “Nenhum vento é favorável para quem não sabe para onde quer ir”.

2 - E o serviço em linha da Biblioteca, também se avalia?

De acordo com as Diretrizes da IFLA para a biblioteca escolar [4], a avaliação é um aspeto essencial da implementação de programas e serviços de bibliotecas escolares. A avaliação pode destinar-se à tomada de decisões ou à resolução de problemas (prestação de contas); também pode influenciar o que as pessoas pensam sobre a biblioteca escolar e a obtenção de apoio para a mesma (preocupações de transformação). O processo de avaliação pode ajudar a determinar o caminho a seguir e também inspirar a criação de novas perspetivas para a biblioteca escolar no futuro.

Deste modo, a primeira coisa que é necessário interiorizar é que deverá ser adotado pela biblioteca o hábito de definir objetivos e de analisar resultados, isto é, avaliar. Periodicamente, deverá ser reservado algum de tempo para se avaliar se os objetivos definidos no momento anterior foram ou não cumpridos, porquê, quais as ações com maior impacto e as que não tiveram impacto nenhum, definir novos objetivos e reformular a estratégia para que os resultados sejam cada vez mais positivos.

A avaliação permitirá detetar erros, pontos fortes e a possível replicabilidade no futuro e, claro, redesenhar os objetivos, se necessário. Desta forma, uma avaliação bem-sucedida leva, se tal for preciso, à reformulação de serviços existentes e ao desenvolvimento de novos.

Face ao exposto, obviamente que a presença em linha da biblioteca escolar também deverá ser objeto de avaliação. Será necessário avaliar se o propósito e os objetivos estão a ser atingidos e encontrar resposta para algumas destas e de outras questões específicas: Será que o público-alvo se encontra fidelizado? Ganharam-se novos públicos? Os conteúdos que se publicam fazem sentido para o público-alvo desejado? Será que é necessário repensar os objetivos? Que pontos fortes se podem detetar? E que fragilidades serão necessárias corrigir? …    

3 – Que instrumentos usar?

O facto de existir um modelo de avaliação da biblioteca escolar, proposto pela Rede de Bibliotecas Escolares, que oferece uma panóplia de instrumentos de recolha de dados e que propõe um olhar global sobre o trabalho da biblioteca, não deve obstar a que se recorra a instrumentos mais específicos, adequados à natureza e profundidade do que se pretende avaliar, a presença em linha da biblioteca, e que a literatura de referência descreve muito bem (referimo-nos ao uso de métricas, de KPI (Key Performance Indicator - indicador-chave de desempenho) e de outros indicadores de resultados) e que eles integrem o processo regular da avaliação da presença digital.

4 – O que é…?

Sendo já claro para o leitor que importa avaliar os impactos da presença da biblioteca na Web, a equipa responsável por essa mesma presença deve ter o cuidado de definir os critérios de avaliação e os instrumentos a usar, tendo como horizonte uma perspetiva de evolução do serviço que presta ou quer vir a prestar à comunidade educativa. Para proceder a essa avaliação as bibliotecas devem recorrer a alguns instrumentos específicos, cujos conceitos importa clarificar:

- Métrica
Uma métrica é todo e qualquer dado relevante que possa ser medido: número de visitas ao site, percentagem de novas visitas, …

- KPI
Quando uma métrica se torna essencial para analisar/ avaliar se um determinado objetivo foi ou não atingido, ela toma-se num indicador-chave de desempenho - KPI. 

Ainda neste âmbito das definições, aproveitamos para clarificar alguns conceitos muito usados em contexto de avaliação:

- Impacto
No caso concreto das bibliotecas, o impacto pode ser definido como sendo: 

  • A influência (efeito ou consequência) das bibliotecas e dos seus serviços nas pessoas e/ou na sociedade.
  • A diferença/mudança que foi capaz de gerar nas pessoas ou grupos, resultante da interação com os serviços da biblioteca.

O impacto pode ser:

  • Imediato (encontrar a informação útil) ou a longo prazo (aumento da literacia da informação).
  • Abrangente (mudança na vida das pessoas) ou limitado (pequenas mudanças nas competências de pesquisa).
  • Intencional (pensado de acordo com a missão da biblioteca) ou não.
  • Real/efetivo (P. Ex. Aumento da literacia das crianças) ou potencial (valor de uma coleção para as gerações futuras).

- Indicador
Este termo tem origem na palavra latina indicare, que significa descobrir, apontar, anunciar, estimar. Deste modo, um indicador comunica ou informa sobre o progresso que se fez em direção a uma determinada meta e é utilizado como um recurso para tornar mais percetível ou evidente uma tendência ou fenómeno que não é imediatamente detetável através de dados isolados.

5- Como definir indicadores?

Uma boa forma de definir indicadores para a avaliação da presença em linha da biblioteca escolar é ter sempre presente o acrónimo RACER.
O indicador RACER pode ser definido da seguinte forma. Ele é:

  • Relevante - Intimamente ligado ao objetivo a ser alcançado. Não deve ser demasiado ambicioso e medir o objeto certo.
  • Aceitável - A definição do indicador e a forma como é medido deve ser acordado por todos os parceiros e as responsabilidades devem ser claramente atribuídas.
  • Credível: Não deverá ser ambíguo e deve ser verificável, também para observadores externos.
  • Fácil (Easy) - A recolha de dados deve ser fácil e não onerosa. As informações fornecidas pelo indicador devem ser facilmente compreensíveis.
  • Robusto - O valor do indicador não deve ser fácil de manipular.

Indicam-se, a título de exemplo, alguns possíveis indicadores (lembre-se do acrónimo RACER e da sua ligação ao objetivo a ser alcançado): 

  • Quantitativos: número de participantes em eventos, reuniões, atividades etc.   
  • Qualitativos: Nível de satisfação dos participantes,…

6 – Comunicar resultados para quê?

Chegados aqui, importa refletir um pouco sobre o que fazer aos resultados e dados recolhidos na avaliação, periódica, da presença em linha da Biblioteca Escolar.

Em primeiro lugar e como já tivemos oportunidade de expor ao longo deste artigo, os resultados e dados recolhidos devem servir para se proceder a uma reflexão que leve à melhoria da presença em linha e destinam-se ao professor bibliotecário e à equipa responsável por essa mesma presença em linha.

Mas, num segundo momento, sabendo que a avaliação demonstra às partes interessadas os benefícios decorrentes do programa e serviços da biblioteca, havendo até resultados concretos e mensuráveis para apresentar, importa implicar e comprometer outros intervenientes no processo de desenho, manutenção e reorientação da presença em linha da biblioteca escolar. Assim os resultados deste processo cíclico de avaliação devem ser apresentados e discutidos no plenário do conselho pedagógico e nos departamentos curriculares, quando necessário, de modo a que todos se sintam recompensados pelo trabalho que desenvolvem ou se impliquem e se comprometam um pouco mais na melhoria trabalho em linha da biblioteca, quer propondo conteúdos, quer usando em contexto de aula, esses mesmos conteúdos ou procedendo à sua divulgação.

Por último, não há melhor defesa do valor das bibliotecas escolares do que desenvolver uma atividade em linha de excelência e saber comunicá-lo eficazmente aos decisores. Neste contexto, importa também preparar devidamente o conteúdo da apresentação ao conselho pedagógico, pois como escrevem os especialistas, “quando não se está à mesa, poderemos fazer parte do menu” e quando se está à mesa importa saber comunicar de forma adequada e credível. 

Referências:

  1. AFONSO, C. e ALVAREZ, S. (2020). Ser digital como criar uma presença online marcante. 1ª edição . Alfragide. Casa das letras.
  2. Direção‑Geral da Administração e do Emprego Publico. (2013). Estrutura Comum de Avaliação (CAF) Adaptada ao setor da Educação. https://www.caf.dgaep.gov.pt/media/CAF_Educacao_2013-1.pdf
  3. GONÇALVES, Maria (2019). Influência. 1ª edição. Lisboa: Penguin Random House;
  4. International Federation of Library Associations and Institutions. (2015). Diretrizes da IFLA para a biblioteca escolar. https://www.ifla.org/wp-content/uploads/2019/05/assets/school-libraries-resource-centers/publications/ifla-school-library-guidelines-pt.pdf
  5. RAPOSO, M. (2020). Profissão:#influencer. 1ª edição. Lisboa: Manuscrito Editora.
  6. Rede Bibliotecas Escolares. (2020). Presença em linha das bibliotecas escolares: roteiro para a definição de uma política http://www.rbe.mec.pt/np4/2561.html
  7. Rede de Bibliotecas Escolares. (2018) Modelo de avaliação da biblioteca escolar. https://www.rbe.mec.pt/np4/116.html
  8. Imagem de mohamed Hassanpor Pixabay 

 

Qui | 19.05.22

OCDE: ODS Pessoas e Clima

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Leitura: 5 min | 

O relatório O caminho curto e sinuoso até 2030: medindo a distância até aos objetivos dos ODS da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) [1] faz um ponto da situação sobre o trabalho dos 38 países membros para alcançar os 17 ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) até 2030 e é centrado nas Pessoas (ODS 1 a 5) e Planeta (ODS 6, 12 a 15).

 

Pessoas

Com o alcance dos ODS 1 a 5 os países aspiravam erradicar a pobreza e fome e realizar o potencial de cada indivíduo em saúde e educação.

Segundo o relatório da OCDE, “o progresso tem sido lento ou, na maioria dos casos, com retrocessos”:

Igualdade de género

Apesar dos "progressos significativos, os direitos e oportunidades das mulheres permanecem limitados, tanto na esfera privada como na pública", pois “nenhum país da OCDE alcançou uma representação igual de homens e mulheres em níveis elevados de tomada de decisão na vida política, económica e pública, nem foi capaz de diminuir a diferença de género nos salários, nem a diferença de tempo gasto em trabalho remunerado e não remunerado (Metas 5.4 e 5.5)”.

Durante a pandemia as mulheres estiveram na linha da frente, pois no setor da saúde e educação são em maior número, sofreram mais desemprego e, com o fecho das escolas e confinamento, aumentaram o trabalho não remunerado, para além de que “As primeiras evidências sobre o impacto COVID- 19 sugerem aumento impressionante da violência doméstica”.

Em geral são mulheres, jovens e imigrantes o setor da população que sofre maiores dificuldades.

Educação de qualidade

À exceção da Educação e Acolhimento na Primeira Infância (EAPI) de qualidade, que apresenta elevados níveis de acesso, “nenhum país da OCDE deverá cumprir todas as metas relacionadas ao Objetivo 4 sobre educação de qualidade até 2030”.

Durante a pandemia os alunos tiveram que confiar mais nos seus próprios recursos para aprender à distância do que na escola. Programas de educação com componente de trabalho foram suspensos e a oferta diminuiu devido ao confinamento e desaceleração económica.

O ensino à distância “não é necessariamente a resposta mais adequada para os alunos mais desfavorecidos [sobretudo meninas/ mulheres e minorias étnicas] que necessitam de apoio mais individualizado, nem para as famílias menos abastadas, que não dispõem necessariamente de equipamento ou conforto material suficiente para proporcionar aos seus filhos as condições de que necessitam para seguir seus cursos e não desistir”.

Segundo o Banco Mundial esta interrupção pode aumentar em 25% o desempenho abaixo do nível 2 do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), mínimo adequado numa escala de 1 a 6.

O relatório evidencia que muitos países alcançaram taxas de conclusão do ensino médio universais e que nos países da OCDE há, em média, taxas de matrícula e conclusão escolar elevadas, mas uma em cada cinco crianças e jovens não alcança requisitos mínimos de proficiência no final do ensino primário e secundário: 25% em matemática e 10% e 25% em leitura no final do básico e secundário, de acordo com dados de 2018. Portugal é um dos 3 países que tem vindo a melhorar resultados de aprendizagem, sugerem tendências recentes.

Competências TIC (Meta 4.4) variam muito entre países, sendo que Islândia, Dinamarca, Noruega e Luxemburgo, apresentam os melhores desempenhos da OCDE. Em todos os países da OCDE a maioria das mulheres tem acesso a ferramentas TIC e tem vindo a aumentar o seu uso - 89% das mulheres acedem à Internet, segundo dados de 2019.

Planeta

Segundo o relatório, “a ação climática continua insuficiente nos países da OCDE” afetando “cada vez mais vida humana, biodiversidade, ecossistemas e economias nacionais”. A pandemia atrasou a ação neste setor, verificando-se que a Official Development Assistance [Assistência Oficial ao Desenvolvimento] (ODA) na área do clima foi mais elevada até 2020: em geral, “nenhuma das metas relacionadas com o Planeta está no caminho certo para ser alcançada até 2030”.

Setor energético

Registam-se progressos no setor energético (ODS 7), qualidade e acesso a água potável, gestão de resíduos municipais, uso dos recursos florestais, mas “o uso de recursos materiais para apoiar o crescimento económico continua elevado e muitos materiais valiosos continuam a ser descartados como resíduos”.

Ação climática

Na ação climática (ODS 13), emissões de gases de efeito estufa (GEE) não diminuem ao ritmo necessário e “apesar da promessa dos países do G20, de eliminar gradualmente os subsídios ineficientes aos combustíveis fósseis, as principais economias ainda apoiam a sua produção e consumo”.

 

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Biodiversidade terrestre e marinha

Na (ODS 14 e 15), as ameaças continuam a aumentar e nenhuma das 20 Metas de Biodiversidade de Aichi, que deveriam ter sido cumpridas durante a Década das Nações Unidas sobre Biodiversidade (2011 – 2020), foi cumprida em todos os países da OCDE:  “Desde 1970, um décimo da biodiversidade terrestre do mundo e um terço da biodiversidade de água doce [peixes e outros animais aquáticos de rios, pântanos, riachos e lagos] foram perdidos e estamos a caminho de perder outros 10% das espécies terrestres até 2050 (OCDE, 2018).”

A Década das Nações Unidas para a Restauração dos Ecossistemas (2021-2030) visa renovar e restaurar ecossistemas naturais, incorporando conhecimentos tradicionais, como os dos povos indígenas que vivenciam estas práticas há milhares de anos com sucesso.

 

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Pessoas e Planeta são áreas prioritárias de educação para os ODS e há recursos que podem ajudar o trabalho da biblioteca escolar na consciencialização e mudança da sua comunidade, tais como: Recursos para educadores por ODS [2]; Educação para o Desenvolvimento Sustentável: um roteiro, em português e outros 7 idiomas [3]; The Global Goals [4].

 

Referências

1. Rede de Bibliotecas Escolares. (2022). ODS: Caminho curto e sinuoso até 2030 (OCDE). https://blogue.rbe.mec.pt/ods-caminho-curto-e-sinuoso-ate-2030-2592924

2. Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. (2022). “Objetivos de Desenvolvimento Sustentável - Recursos para educadores”, in: Educação para o desenvolvimento Sustentável. Paris: UNESCO. https://en.unesco.org/themes/education/sdgs/material

3. Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. (2021). Educação para o Desenvolvimento Sustentável: um roteiro. Paris: UNESCO. https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000374802

4. United Nations. (2022). The Global Goals. EUA: UN. https://www.globalgoals.org/

5. Imagem de capa: foto de Jeremy Bishop on Unsplash

Qua | 18.05.22

Equipas de leitura: “Voluntários de leitura”

1.º ciclo AE Ericeira

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Leitura: 1 min |

Nas escolas do 1.º ciclo do AE da Ericeira, está a decorrer, desde o início do ano letivo, o projeto de voluntariado de leitura destinado aos alunos do 1.º ciclo.

Após divulgação da atividade, os alunos inscrevem-se na atividade de leitura em voz alta, mediante boletim de inscrição, e redigem na biblioteca um convite que entregam à turma para a qual querem apresentar a sua leitura.

Com a ajuda da professora bibliotecária, escolhem-se os livros e prepara-se a leitura.

Em cada biblioteca escolar, há um cadeirão especial que acolhe o voluntário no grande momento de partilha com a turma convidada.

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Este projeto insere-se nas propostas da Escola a ler- Equipas de leitura que prevê a “Seleção de alunos com bom desempenho leitor, disponíveis para prestarem apoio aos alunos/ colegas na dinamização de sessões regulares de leitura''. Orientação das sessões e preparação das atividades de leitura pelo professor bibliotecário e/ou outros docentes.” No entanto, a professora bibliotecária tem dado abertura aos alunos que desejam participar no voluntariado, independentemente do seu desempenho, uma vez que as sessões de preparação visam ajudar os leitores a recuperar aprendizagens no âmbito da proficiência leitora.

De forma a apoiar estes alunos, também foi disponibilizado um marcador com algumas dicas para a leitura em voz alta e que é oferecido aos voluntários.

A adesão tem sido muita e o entusiasmo também, as sessões têm acontecido ao longo do ano com muita regularidade de tal forma que já tem sido difícil calendarizar novas inscrições.

Ter | 17.05.22

As Bibliotecas Escolares do Algarve e os desafios da Autonomia e Flexibilidade Curricular

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Leitura: 4min |

O desafio curricular atual, por força do decreto nº 55/2018, convocou, desde o primeiro momento, a Rede de Bibliotecas Escolares para o desafio de acompanhamento e monitorização de práticas realizadas pelas bibliotecas no âmbito da Autonomia e Flexibilidade Curricular.

Dado que as Bibliotecas Escolares integram espaços multifuncionais com vista à flexibilização e ao reforço das áreas de criação de conhecimento e de trabalho em equipa, apresentam-se como uma mais-valia ao serviço da escola. Para além disso, os serviços pedagógicos que desenvolvem:

- privilegiam o trabalho colaborativo entre docentes;

- promovem a diversidade de estilos de aprendizagem, reforçando a sua natureza transdisciplinar;

- preconizam uma articulação horizontal do currículo;

- dão acesso a uma vasta gama de recursos educativos de qualidade (analógicos e digitais), fomentando o uso das TIC;

- organizam e gerem de modo flexível espaços de aprendizagem (makerspaces);

- dinamizam práticas educativas diversificadas e originais, acessíveis a todos (inclusão) e suportadas por informação íntegra e fidedigna;

- educam para um conjunto de valores e de atitudes considerados indispensáveis ao exercício da cidadania;

- criam ambientes potenciadores da curiosidade intelectual (arte, multiculturalidade, STEAM…);

- fomentam uma utilização crítica de diversas fontes, através de atividades de pesquisa, avaliação, reflexão e mobilização crítica e autónoma da informação;

- contribuem para o desenvolvimento das competências previstas no Perfil do Aluno à saída da Escolaridade Obrigatória.

Todos os aspetos mencionados são coincidentes com as linhas orientadoras da Autonomia e Flexibilidade Curricular e permitem-nos perceber a importância que o referencial  Aprender com a Biblioteca Escolar poderá desempenhar na implementação desse processo.

Atendendo ao trabalho desenvolvido pelas Bibliotecas Escolares do Algarve, neste âmbito, a equipa regional da Autonomia e Flexibilidade Curricular contactou as Coordenadoras Interconcelhias no sentido de organizarem em parceria um encontro de rede dedicado ao tema Bibliotecas Escolares e a Articulação interdisciplinar. Para essa sessão, realizada a 23 de março de 2022, a distância, foram convidadas todas as escolas do Algarve e respetivas lideranças, tendo sido destacadas as seguintes práticas de referência:

  

- Albufeira- AE de Ferreiras- Escola Básica Diamantina NegrãoNavegar com a Biblioteca Escolar

O projeto interdisciplinar «Navegar com a Biblioteca Escolar», no âmbito da comemoração do V centenário da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães, foi promovido pela Biblioteca Escolar em articulação com as disciplinas de Português, Físico- química e Cidadania e Desenvolvimento.

Foi planificado com base no Referencial Aprender com a Biblioteca Escolar (Literacias da Leitura e da Informação). Na sua operacionalização foram explorados tutorias, e realizadas atividades de leitura,  produção escrita, literacia da informação (pesquisa e tratamento da informação) e produção de vídeos, com recurso a ferramentas digitais. https://view.genial.ly/5ede59450be7890d8715b452/guide-projeto-navegar-com-a-biblioteca-escolar

 

- Loulé- AE Padre Cabanita- Escola Básica Sebastião Teixeira – Salir – Projeto Three4climate

O Three4climate é um projeto que tem como objetivo desenvolver atividades por forma a sensibilizar a comunidade educativa para as questões climáticas e para as possibilidades de um futuro com carbono zero.

Trata-se de um projeto internacional, articulado com os Ministérios da Educação e do Ambiente, durante a presidência tripartida europeia (Alemanha, Portugal e Eslovénia).

Envolve a Biblioteca Escolar e diferentes disciplinas (Educação Física, Cidadania, Português, Ciências Naturais, Educação Musical, Matemática, Geografia e Inglês) e todos os níveis de ensino (do pré-escolar ao 3.º ciclo). http://bibcabanita.blogspot.com/2022/03/bibliotecas-escolares-e-articulacao.html

 

- Monchique – AE de Monchique – Escola EB Manuel do Nascimento- Ler+ com História e Expressão

O projeto “Ler com História e Expressão”, desenvolvido nos últimos anos letivos, centrou-se na leitura e análise de obras associadas à temática do Holocausto. Tratou-se de um projeto interdisciplinar que envolveu alunos do 9º ano, contou com a participação das disciplinas de Educação Visual, História e Português, em articulação com a biblioteca escolar, e teve como parceiro externo o “Jornal de Monchique”.

Com o objetivo de levar os alunos à apropriação da funções da linguagem escrita e de motivá-los para a construção de textos, a partir das leituras realizadas, foram produzidos trabalhos individuais que foram divulgados no blog da Biblioteca e no “Jornal de Monchique” (cartas, recensões críticas, textos de opinião, resenhas históricas,etc.). Para além de incentivar nos alunos o prazer de ler e desenvolver a expressão escrita, procurou-se igualmente sensibilizá-los, através do estudo do nazismo, para temas tão delicados e atuais como o racismo, a xenofobia e a violência entre povos. https://bityli.com/qdxRdT

Para além desta sessão, as Coordenadoras Interconcelhias do Algarve desenvolveram, nos últimos anos, várias iniciativas, entre as quais Ações de formação de Curta Duração (ACD) em vários concelhos, para enquadramento da temática, apoio no terreno à implementação de projetos interdisciplinares e outros, recolha de boas práticas e articulação com as embaixadoras da Autonomia e Flexibilidade Curricular nos Centros de Formação de Associações de Escolas.

Seg | 16.05.22

Maletas pedagógicas

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Leitura: 2 min |

“Maleta Pedagógica”, concebida pelos professores bibliotecários dos Agrupamentos de Escolas do concelho de Cantanhede, integra já 13 agregadores de recursos concetuais e digitais, constituindo uma das ações dos Planos de Ação do Desenvolvimento Digital dos respetivos Agrupamentos de Escolas.

Divididas em duas categorias, as maletas ora partem de conceitos de base, tais como “recursos educativos abertos”, “aprendizagem colaborativa”, “avaliação para as aprendizagens”, “gamificação”, entre outros, ora apresentam conceitos associados a metodologias centradas nos alunos, nomeadamente, a aprendizagem com base no questionamento, em projetos, em problemas, em fenómenos, em desafios.

Cada Maleta, organizada em torno de um conceito central, que, por sua vez, contrasta com outros, apresenta sugestões para a ação do professor, alicerçadas nas áreas de competências do Perfil dos Alunos à saída da Escolaridade Obrigatória e do  DigCompEdu , o Quadro Europeu  de Competência Digital para Educadores. A partir de um enquadramento pedagógico, facilita-se, deste modo, o acesso a recursos digitais, muitas vezes dispersos e sem contexto e promove-se o envolvimento ativo dos alunos.

O acesso a cada uma das Maletas, em permanente atualização, é efetuado através do sítio Aprendiz de Investigador , no separador Sala de Aula, no qual estão alocados recursos especificamente dirigidos aos professores.

Criado pelos professores bibliotecários dos Agrupamentos de Escolas do concelho de Cantanhede, o “Aprendiz de Investigador” é um dos rostos visíveis do projeto “Literacias na escola: formar os parceiros da biblioteca”, em implementação desde 2012 e apoiado, de 2015 a 2017, pela Rede de Bibliotecas Escolares como “Ideias com Mérito”.

Neste momento, estão disponíveis as seguintes Maletas:

Sex | 13.05.22

10 Conselhos de escrita para ambiente web

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Leitura: 5 min | 

Se está a (re)equacionar o sítio da sua biblioteca, uma das questões a que não pode ficar alheio é o modo como a escrita se vai concretizar. Neste artigo damos-lhe alguns conselhos que o poderão ajudar a tornar as suas produções textuais mais próximas dos seus utilizadores.

1. Extensão

Faça textos curtos. Dependendo dos objetivos e do público que pretendem atingir, os textos devem encontrar-se entre 500 e 2000 palavras. Se o assunto que pretender tratar for extenso, divida-o em mais do que um texto.

Uma regra interessante que pode ajudar a estruturar o texto é distribuir o conteúdo da seguinte forma: 1/5 para a introdução, 3/5 para o desenvolvimento e 1/3 para a conclusão.

Seja conciso: elimine redundâncias, repetições e palavras inúteis. Não faça perder tempo ao leitor.

2. Hierarquização

Siga a técnica da pirâmide invertida. Mostre imediatamente o mais importante e depois acrescente pormenores. Não se esqueça de selecionar aquilo que é verdadeiramente importante para que o leitor retenha a mensagem principal do que pretende transmitir.

Certifique-se de que os parágrafos se encontram organizados e de que as informações que vai apresentando estão ligadas entre si de forma coerente. Frases que anunciam o que virá a seguir são muito bem aceites.

3. Objetividade

Escreva de forma concreta e precisa. Escolha palavras fortes, informativas e concretas. Evite palavras abstratas.

Recorra sistematicamente ao dicionário para encontrar a palavra mais adequada à ideia que pretende transmitir e eliminar as repetições que surgem inevitavelmente enquanto elaboramos o texto.

Preste atenção à correção ortográfica. Embora por norma seja possível editar o texto após publicação é muito desagradável encontrar erros (sintáticos, ortográficos…) depois de o texto já estar em-linha. Nunca se esqueça da revisão.

Evite siglas e palavras técnicas. Muitas vezes os leitores desconhecem o seu significado e acaba por provocar ruído. Por exemplo, no contexto de bibliotecas, é frequente usar-se BE, PB, MABE, serviço de referência, literacia da informação… Será que esse código faz sentido para os seus leitores?

4. Simplicidade

Faça parágrafos curtos e evite frases subordinadas. Não se esqueça de que, hoje, muito acesso se faz via telemóvel e, por isso, os ecrãs não suportam muito texto.

Use frases simples, por norma só com sujeito, verbo e complemento. Esse tipo de frases permite ler rapidamente sem comprometer a compreensão e retenção de informações. Evite o gerúndio e a voz passiva.

5. Títulos

Use títulos precisos, informativos e longos, que incluam as palavras-chave do artigo, para que a pesquisa localize essas palavras e o seu artigo seja recuperado

Use intertítulos para dividir blocos de textos com subtemas. Aplique também nesses intertítulos, palavras-chave ou sinónimos.

Utilize ainda o negrito para evidenciar algumas ideias do seu texto e para levar o leitor a encontrar facilmente o que procura quando faz skimming (varredura do texto). Não é aconselhável usar sublinhados, pois o resultado pode confundir-se com as hiperligações.

6. Listas

Aproveite todas as oportunidades para apresentar listas em vez de texto corrido. No conjunto do texto, as listas destacam-se, sugerindo um conteúdo por tópicos, de mais fácil leitura.

7. Hipertextualidade

Na internet, a transmissão da mensagem não se faz apenas através das palavras. O uso de hiperligações é bastante recomendado, pois permite facilitar a compreensão da mensagem, adicionando informação sobre o assunto: imagens, vídeos ou mais texto.

Pode usar essas hiperligações para remeter o leitor para algum complemento de leitura, dentro do seu sítio ou blogue, que aprofunde ou complemente a informação do texto que está a elaborar.

Seja criterioso na forma como as hiperligações estão construídas, ponderando sempre se devem abrir na mesma janela (perdendo-se o texto onde o leitor se encontra) ou em nova janela (mantendo aberto o texto original).

8. Mancha gráfica

Intercale o seu texto com espaço em branco que contribua para organizar a mancha gráfica sem que o texto resulte demasiado denso, o que não convida à leitura.

Se adequado, intercale com imagens, gráficos e elementos multimédia (sem esquecer as legendas).

9. Proximidade

No ambiente web, as interações assumem grande relevo. Por essa razão, pode ser interessante criar ligações com o leitor, quer recorrendo a expressões que se sabe fazerem parte do seu contexto, quer através de perguntas. As perguntas são uma ferramenta interessante para criar uma ligação entre o leitor e o conteúdo.

A comunicação deve acontecer de forma amigável. Ao escrevermos, podemos imaginar que estamos a conversar com o nosso leitor e que ele é um amigo. Leia o seu texto em voz alta para perceber se o estilo de conversação se adequa à ideia que pretende transmitir.

10. Fontes e referências

Nunca caia na tentação do plágio. Com tantas informações disponíveis na internet, torna-se essencial revelar as fontes de que se serviu para elaborar o seu texto. A indicação das fontes da informação que transmite contribui também para dar credibilidade ao que pretende transmitir.

Em resumo

Criar uma comunicação clara com aqueles a quem nos dirigimos é um dos maiores desafios para a presença digital, seja no nosso canal principal, seja nas redes sociais. É todo um processo, cuja aprendizagem se faz com avanços e recuos.

Com este artigo, contribuímos certamente para apoiar o processo de escrita para a web, para que os utilizadores das bibliotecas possam tirar das suas publicações o máximo de informação, da forma mais económica possível.

 

Referências

  1. Alves, S. (2021, 14 de agosto). 10 dicas para uma escrita para a web que funciona – Parte 1. https://marketeiroscom.com.br/2021/06/21/existe-uma-estrategia-de-escrita-para-a-web-parte-1/
  2. Alves, S. (2021, 14 de agosto). 10 dicas para uma escrita para a web que funciona – Parte 2. https://marketeiroscom.com.br/2021/06/21/existe-uma-estrategia-de-escrita-para-a-web-parte-2/
  3. Amaral, L. (2017, 25 de dezembro). Webwriting: 11 particularidades da escrita para o ambiente online. https://rockcontent.com/br/talent-blog/webwriting/
  4. Franco, M. (2020, 7 de maio). 10 Dicas para Melhorar sua Escrita e Produção de Conteúdo para Web. https://afiliart.com/marketing-de-conteudo/escrever-conteudo-web/
  5. Jimdo. (2019, 6 de fevereiro). The 11 Golden Rules of Writing Content for Your Website. https://www.jimdo.com/blog/11-golden-rules-of-writing-website-content/
  6. Imagem de rawpixel.com
Qui | 12.05.22

ODS: Caminho curto e sinuoso até 2030 (OCDE)

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Leitura: 5 min | 

O caminho curto e sinuoso até 2030: medindo a distância até aos objetivos dos ODS [1] é um relatório do Centro de Bem-estar, Inclusão, Sustentabilidade e Igualdade de Oportunidades da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) que visa avaliar o progresso dos 38 países membros relativamente ao alcance, até 2030, dos ODS.

Pretende ajudar a implementar a Agenda 2030 [2], plano de ação ambicioso que se organiza em 5 eixos, os 5 P’s (Pessoas, Planeta, Prosperidade, Paz e Parcerias), 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e 169 metas, indivisíveis e universalmente aplicáveis.

As principais perguntas que orientam o relatório são:

- Até que ponto os países da OCDE conseguirão alcançar os ODS?

- Quais foram os efeitos da pandemia Covid-19 no progresso dos países?

- Quais são as suas lacunas de informação?

O relatório conclui que os países da OCDE estão longe de alcançar, até 2030, os ODS porque apenas alcançaram, ou estão perto de alcançar, 25% das metas para as quais há indicadores de desempenho.

Os objetivos alcançados - ou perto de o serem - correspondem a necessidades básicas:

- Erradicação da fome severa;

- Acesso a saneamento, água potável e energia;

- Redução da mortalidade materna e infantil;

- Acesso à educação infantil e a instalações educativas modernas;

- Reconhecimento da identidade jurídica a todos os cidadãos.

Em contrapartida, poucos países “serão capazes de prevenir totalmente a exclusão social [ODS 10] ou reduzir a desnutrição” (ODS 2) e, ao nível da igualdade de género (ODS 5), ação climática (ODS 13) e redução das desigualdades económicas (ODS 10), nenhuma meta em nenhum país da OCDE está perto de ser alcançada.

A OCDE considera que o progresso dos ODS tem sido "seriamente dificultado" pela pandemia que desencadeou a recessão mais severa (e mais curta) desde a Segunda Guerra Mundial, aumentando fraquezas estruturais dos países, designadamente na saúde e educação, colocando fontes de financiamento público sob pressão e perturbando o funcionamento das instituições. No entanto, a pandemia também teve "alguns desenvolvimentos positivos", como a redução temporária de emissões poluentes e programas de recuperação que favorecem a oportunidade de “reconstruir melhor”.

Além da pandemia, grandes incêndios florestais, desastres climáticos mais violentos e frequentes provocaram milhares de mortes e destruíram propriedades, agravando o setor económico e bem-estar das populações.

O relatório considera ainda que há muitos pontos cegos na compreensão do progresso no desempenho dos países e que estes devem informar com mais precisão, pois mesmo para as 136 das 169 metas para as quais há dados, verificam-se lacunas de informação. E adverte: “se a estrutura de relatórios dos ODS estiver incompleta ou desatualizada, ou não representar todos os segmentos da população, qualquer inferência sobre eficiência das políticas corre o risco de falhar”.

O relatório sugere a adoção de instrumentos globais de monitorização e avaliação, como o Sistema de Contabilidade Económica Ambiental (SEEA) que mede as ligações entre economia, ambiente e bem-estar social, procurando perceber o que é que os diversos setores - agricultura, florestas, pesca… - extraem do ambiente, como é que esses produtos são usados na economia e que serviços oferecem e como regressam ao ambiente sob a forma de emissões e resíduos.

O relatório lança ainda, à comunidade internacional, o desafio de começar a trabalhar numa nova estrutura para ação política global, diferente da Agenda 2030 e capaz de corrigir as suas vulnerabilidades.

 

Referências

1. Organisation for Economic Co-operation and Development. (2022, 27 Apr.). The Short and Winding Road to 2030: Measuring Distance to the SDG Targets. Paris: OECD Publishing. https://www.oecd-ilibrary.org/social-issues-migration-health/the-short-and-winding-road-to-2030_af4b630d-en

2. United Nations. (2015). Transforming our world: the 2030 Agenda for Sustainable Development. NY: UN. https://sdgs.un.org/2030agenda

3. Fonte: Sustainable Development Goals Communications Materials. More details available at: https://www.un.org/sustainabledevelopment/news/communications-material/.

Qua | 11.05.22

Ensinar através da colagem

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Esta técnica foi apresentada por Andrew Walsh [1] na rede social Library Instruction e pode ser interessante para trabalhar de forma ativa, criativa e lúdica a literacia de informação.

Já há muito tempo que Andrew Walsh utiliza a colagem com objetivos pedagógicos; faz parte de todo um conjunto de coisas correlacionadas que costuma fazer e que envolvem pedir aos alunos para criarem qualquer coisa e depois falarem sobre aquilo que criaram; é uma forma de usar o jogo, a criatividade, a metáfora... uma abordagem que também pode funcionar bastante bem online.

Todos aqueles que referem esta técnica parecem usá-la de forma ligeiramente diferente, por isso decidiu partilhar os seus princípios básicos na abordagem deste método.

Em primeiro lugar, pega em folhas A3, cola, tesoura e um conjunto de revistas antigas.

Começa por desafiar a turma com uma pergunta relacionada com qualquer assunto sobre o qual pretenda que os alunos reflitam ou pesquisem informação ou sobre qualquer problema que possam ter de resolver.

Em seguida, individualmente, os alunos têm de encontrar imagens e colá-las numa folha para responder a essa pergunta. Têm de começar a cortar e colar o mais depressa possível (quanto mais tempo pensam sem "fazer", pior é o resultado). Normalmente é definido um tempo para conclusão (muitas vezes 10 minutos), mas também é necessário ser flexível, de modo a ter em conta as características da turma.

Quando acabam a colagem, cada aluno tem então de a explicar a outra pessoa - é realmente muito importante que esta fase aconteça logo a seguir à fase da criação. Nunca se deve pedir, Agora explique a sua pergunta de pesquisa, mas antes, Explique a sua colagem. Não importa se a explicação é para uma outra pessoa, ou para o resto da turma com quem estão sentados, ou para um ser imaginário sentado ao fundo da sala... é muito importante que terminem a parte de criação do exercício com alguma reflexão, alguma construção narrativa, sobre o que acabaram de fazer. Este momento desencadeia a transformação de alguns pensamentos imprecisos, que poderiam ter sido apenas meio pensados à medida que selecionavam uma imagem, em algo mais concreto e significativo.

Muitas vezes, o próprio professor pode colocar algumas perguntas que, de algum modo, permitem dar um feedback à turma, para que aqueles que ouviram a explicação da colagem possam acrescentar-lhe algumas palavras ou ideias como retorno àquele que a criou.

Geralmente, esta técnica suscita algumas ideias interessantes, pois ajuda os alunos a pensarem num problema de uma forma que normalmente não fariam, bem como a expressarem-se com menos receios e inseguranças, obtendo-se com frequência uma maior profundidade na reflexão e na resolução de problemas.

Para algumas pessoas a técnica também funciona bem online e sugerem opções como o Padlet, ou colar coisas em PowerPoint e depois partilhá-las online, remetendo normalmente os alunos para um repositório de imagens, fazendo-o equivaler a uma pilha de revistas... Para Andrew Walsh, essa transposição faz perder muitos dos benefícios desta abordagem, pois os alunos acabam por ter em conta as palavras que descrevem as imagens que vão encontrando e a procura de uma "boa" imagem torna-se a força dominante no exercício. Muito do objetivo desta abordagem é encontrar inesperadamente imagens significativas a partir de uma fonte restrita, com isso ajudando-se os alunos a pensarem em coisas que de outra forma não teriam feito...

Em vez disso, Andrew Walsh propõe uma alternativa que usa ideias muito similares e que parece funcionar bem quando transposta para um ambiente online:

Em vez de cortar e colar imagens, uma versão diferente desta técnica consiste em levar para a aula uma quantidade de objetos bastante aleatórios (penas, dados, balões, cartões… apenas tem de ser uma quantidade de objetos muito diferentes). Depois dá-se a todos um saco de papel e faz-se uma pergunta semelhante à da colagem, mas em vez de pedir Crie uma colagem representando x, pede-se Encontre 5 objetos que representam x e coloque-os no seu saco de papel. Depois, na parte de partilha da sessão, o aluno retira os objetos do saco, um de cada vez, e explica porque foram escolhidos. Esta opção também dá alguns resultados bastante ricos.

Ao transferir essa ideia para um ambiente online, pode dizer-se Tem 2 minutos para encontrar 3 objetos que representam x e normalmente funciona muito bem - a limitação de encontrar objetos rapidamente funciona de forma semelhante à limitação de ter apenas um pequeno número de revistas para cortar no exercício de colagem.

Os alunos podem então partilhar os seus objetos no chat, ou usando áudio/ num grupo maior ou mais pequeno e é possível obter o mesmo tipo de discussões que surgem de exercícios do tipo colagem.

Uma hipótese interessante que Andrew Walsh pondera é usar a técnica em contexto de formação: Tem dois minutos para encontrar um objeto que resuma que tipo de professor é - afixar no chat o que encontrou e porque o escolheu. Pode ser um bom exercício lúdico que leve a pensar. Já pensou?

Nota:

Andrew Wash faz ainda notar que James Soderman na conferência LILAC também falou sobre colagem: Visualise it! - Extra material

 

Referências

1. Andrew Walsh trabalha uma biblioteca universitária do Reino Unido e é formador e conferencista sobre literacia da informação, aprendizagem lúdica, aprendizagem ativa, criatividade no ensino (principalmente em bibliotecas). Segundo o próprio, está verdadeiramente interessado em ajudar qualquer pessoa que trabalhe em bibliotecas a melhorar suas competências de ensino e a refletir e desenvolver suas pedagogias pessoais. Partilha o seu conhecimento com grande generosidade e disponibilidade.

2. Este texto foi adaptado a partir de: Walsh, A. (2022). Teaching through collage. https://library-instruction.mn.co/posts/teaching-through-collage

Ter | 10.05.22

Mais qualificação, melhores serviços… nas Bibliotecas do Algarve

Formação de assistentes de Bibliotecas no Algarve

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A formação dos assistentes de bibliotecas tem sido uma preocupação constante na região algarvia. A escassez de recursos humanos com formação específica na área da biblioteconomia e a necessidade de uma atualização contínua de conhecimentos em áreas emergentes levaram a que  BIBAL ( Rede Intermunicipal das Bibliotecas do Algarve) apresentasse ao Centro de Emprego e Formação Profissional do Barlavento as seguintes propostas de formação, destinadas a assistentes de bibliotecas públicas e escolares:

1. Marketing digital (setembro de 2021, online), com os seguintes objetivos:

- Avaliar os impactos e os efeitos do advento da nova economia, as transações comerciais a partir de ambientes virtuais;

- Identificar as ferramentas do e-marketing e do e-commerce;

- Aplicar as ferramentas de gestão da informação e da comunicação, criando uma relação de interatividade, centrada nas necessidades dos consumidores.

2. Técnico de Informação, Documentação e Comunicação

Curso de formação que terá um total de 1150 horas e que confere, para além das competências em biblioteconomia, a certificação profissional – nível 4, a realizar em breve.

Esta iniciativa poderá envolver um total de 90 participantes e 1200 horas de formação.

Atendendo à conjuntura de mudança da sociedade atual e, consequentemente, às exigências do perfil de competências e do mercado de trabalho dos profissionais de bibliotecas, torna-se imprescindível apostar no seu desenvolvimento profissional contínuo (DPC).

Em suma, esta iniciativa sustenta-se numa ideia de mudança, de diversificação de atividades e de valorização destes recursos humanos, com foco na qualidade do trabalho, numa maior consciência profissional, dando resposta às necessidades identificadas. Assim, espera-se não só manter os atuais assistentes afetos às bibliotecas, como estimular a inclusão de novos profissionais nesta área.

 

Testemunhos de Assistentes de Bibliotecas Escolares:

 

Seg | 09.05.22

7 dicas para usar imagens no sítio da biblioteca

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1 - Direitos de Autor

Existe a perceção errada de que tudo o que se encontra na Internet é grátis, mas, na realidade, sempre que alguém publica uma fotografia, imagem ou ilustração, os direitos são do respetivo autor e os recursos apenas poderão ser utilizados com o consentimento do próprio.

Para usar imagens deve-se sempre:

  • verificar se o autor indicou as condições de uso e manipulação, que se podem encontrar nos metadados do recurso ou na licença Creative Commons caso tenha;
  • indicar quem é o autor do conteúdo, incluindo a ligação para a sua página Web, ou conforme indicado pelo autor.

Caso não seja possível determinar quem é o autor, deve colocar-se a indicação de “autor desconhecido” e a ligação a partir da qual é possível aceder ao recurso. Se, posteriormente, se identificar comprovadamente o autor da obra, deve substituir-se a indicação “autor desconhecido” pelo nome do autor ou mesmo retirar a imagem, caso o seu uso não seja autorizado.

No Portal RBE, Biblioteca Escolar Digital, estão elencados alguns bancos de imagens a partir dos quais é possível descarregar imagens, a utilizar sempre de acordo com a licença indicada.

2 – Metadados

É necessário prestar atenção aos metadados (dados sobre dados) pois podem divulgar informação que não se pretende que fique pública.

Quando relacionados com imagens, os metadados revelam dados como a data e local onde foi tirada uma fotografia ou criado uma ilustração, máquina ou software utilizado e outros. Permitem catalogar e organizar de forma automatizada e são utilizados pelos motores de busca quando faz pesquisa. Também são utilizados no combate à pirataria ou uso indevido de imagens. Frequentemente, é nos metadados que encontramos o nome do autor e a utilização que podemos fazer da imagem. 

Deve sempre verificar-se os metadados e, no caso de a imagem ser própria, alterá-los nas propriedades da imagem, limpando o que não se pretende tornar público.

3 - Alt text

Ao publicar imagens na Web deve-se ter em conta os fatores de acessibilidade e de pesquisabilidade.
Os utilizadores cegos, ou com deficiência visual, utilizam leitores que são incapazes de “ler” e/ou “descrever” uma imagem. O mesmo sucede com os motores de pesquisa. 
Perante este cenário, devemos, sempre que possível, escrever a descrição da imagem no campo correspondente ao “alt text” ou “texto alternativo”.
O alt text é a descrição dos elementos visuais de uma imagem e do seu contexto, portanto deve:

  • descrever a imagem de modo simples e sucinto;
  • contextualizar a imagem para que possa ser devidamente indexada pelos motores de busca;
  • incluir palavras-chave, mas sem excessos.

A maior parte das plataformas de publicação de sítios Web tem disponível o campo de “alt text”.

4 - Formato 

As imagens podem ser divididas em duas categorias:

  • píxeis/ bitmap
  • vetorial.

A primeira categoria refere-se a imagens compostas por píxeis. Estas podem ser comprimidas ou não, com perda ou não de resolução.
Para publicar na Web deve-se utilizar imagens com boa resolução num tamanho reduzido de modo que carregue rapidamente e tenha qualidade.
Os formatos mais utilizados são:

  • .jpg – compressão com perda de resolução;
  • .png – compressão sem perda de resolução e que permite utilização de transparências como remoção de fundo.

Atualmente, o formato mais recomendado para publicação na Web sem perda de qualidade é o WebP (.webp). Trata-se de um formato de imagem desenvolvido pela Google Inc que permite:

  • diminuir o tamanho dos arquivos, em cerca de 25% a 45% do que um formato .jpg;
  • utilizar transparências à semelhança do formato .png.

Contudo, algumas plataformas ainda não suportam este formato.

As imagens vetorial são mais utilizadas para utilização em materiais destinados a serem impressos.

5 - Resolução 

A resolução de uma imagem é o elemento que mede a sua definição, que pode ser denominada por:

  • PPI: Píxeis por polegada (Pixels Per Inch – em monitores e telas);
  • DPI: Pontos por polegada (Dots Per Inch – em impressão).

Isto significa que quanto maior PPI (ou DPI), maior será a quantidade de píxeis num quadrado de 1x1 polegada (corresponde a um quadrado de 2,54x2,54 cm).
Ao publicar-se uma imagem, deve ter-se em consideração que cada plataforma tem a sua própria dimensão de imagem ideal, pelo que, ao criar-se uma imagem para Instagram, Facebook ou outras plataformas dever-se-á primeiro redimensionar a imagem para as dimensões recomendadas pela plataforma.
Por exemplo no Instagram as medidas são:   
- publicação no feed - 1080 por 1080 píxeis (72 dpi) ou 1080 x 1350 píxeis (72 dpi)
- publicação nas stories – 1080 x 1920 píxeis (72 dpi)

Caso se esteja a trabalhar com uma imagem com resolução inferior à necessária, deve utilizar-se outra. Nunca se deve ampliar uma imagem acima do tamanho que tem originalmente para lhe aumentar a dimensão, pois perde qualidade, ou seja, fica desfocada e/ou “pixelizada” (com blocos de quadrados, em vez de linhas definidas e cores homogéneas).

6 – Redimensionamento

Redimensionar imagens é aumentar ou diminuir o tamanho físico de uma imagem alterando a sua largura, altura ou apenas o número de píxeis que a compõe sem perder resolução. 
A imagem poderá ser reduzida; nesse caso, é fundamental manter a proporção; caso contrário, apresentar-se-á deformada.
Poderá também ser cortada, ação que permite não manter a proporcionalidade, permitindo adaptá-la à dimensão necessária.

Para redimensionar uma imagem deverá utilizar-se um software de edição de imagem, por exemplo, um software open source de edição de imagem como o Gimp. Para redimensionar corretamente a imagem, basta seguir o respetivo tutorial.

7 - Logótipos

Os logótipos são a representação gráfica da identidade de um projeto, instituição ou empresa. Cada um obedece a um conjunto de normas que regulam a sua utilização e aplicação em diferentes suportes e materiais. Desta forma, ao aplicar um logótipo deve absolutamente evitar-se a sua deformação ou ilegibilidade devendo sempre manter a proporção do mesmo e as cores originais. 
Cada logótipo tem o seu próprio manual de normas gráficas onde se poderá consultar a forma correta da sua aplicação. Deverá utilizar-se sempre os materiais autorizados e seguir as suas normas de utilização.

Referências
1. CameraNeon.com. (2013). EXIF – Metadados na Fotografia Digital. http://cameraneon.com/organize-se/metadados-na-fotografia/
2. Rede de Bibliotecas Escolares. (2022). Creative Commons - Licenciamento de conteúdos de acesso livre. https://blogue.rbe.mec.pt/creative-commons-licenciamento-de-2547694
3. Rodrigues, E. & Carvalho, J. (2013). Gestão e organização da coleção digital. https://www.rbe.mec.pt/np4/file/674/be_rbe_3.pdf
4. Fonte da imagem picjumbo.com no Pexels

 

 

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