A Ciência Sempre a Rol@r resulta de uma parceria entre os Agrupamentos de Escolas Rainha Santa Isabel e Coimbra Sul, no concelho de Coimbra, sendo dinamizado pelas respetivas professoras bibliotecárias. No seu segundo ano de execução, este projeto, reconhecido e apoiado pela Rede de Bibliotecas Escolares através da candidatura Ideias com Mérito 2023, afirma-se como uma referência no desenvolvimento de competências científicas, de leitura e digitais junto de crianças da educação pré-escolar e do 1.º ciclo do ensino básico.
Inicialmente desenvolvido com o apoio do Centro de Ciência Viva Rómulo de Carvalho, o projeto foi reformulado após o encerramento deste organismo, mantendo-se ativo graças à colaboração estreita entre professores bibliotecários, direções e docentes das áreas de Ciências e de Português dos dois agrupamentos envolvidos.
Ao longo de todo o mês, a leitura acontece em múltiplos contextos, ligando escolas com e sem biblioteca escolar, salas de aula da educação pré-escolar e do 1.º ciclo, através de propostas diferenciadas. Cada sessão tem como ponto de partida um livro criteriosamente selecionado em articulação com educadores e professores, disponível para requisição nas bibliotecas escolares. As obras incidem sobretudo sobre temáticas de ciência e cidadania, criando pontes entre conhecimento, imaginação e responsabilidade social.
Cada sessão do projeto tem como ponto de partida um livro cuidadosamente selecionado com a colaboração dos educadores e professores, em conjunto com a equipa, podendo ser requisitado pelos professores nas bibliotecas escolares. Os livros abrangem sobretudo temas ligados às ciências e à cidadania, criando pontes entre áreas que despertam o interesse e vão ao encontro de temáticas da cidadania e desenvolvimento. A narrativa ficcional e a experimentação científica criam momentos de espanto despertando a curiosidade e apelando aso saber fazer.
As sessões em formato digital, difundidas através do zoom para todas as escolas do 1.º CEB e JI dos dois agrupamentos, iniciam-se sempre com uma leitura e exploração da obra, nos seus aspetos fundamentais. Criam-se conexões para que os alunos, mediante uma observação participada, acedam a uma experiência prática e simples, acompanhados pelos respetivos professores e educadores. Um contexto experiencial, desenhado para ser facilmente replicado em sala de aula, promovendo a continuidade do momento e salvaguardando metodologias ativas, em que o aluno cria, intervindo na sua aprendizagem, e retorna ao livro e à leitura sugerida ou similares na temática.
Um projeto que liga escolas da periferia de coimbra, partindo das sessões reproduzidas a partir da biblioteca escolar, onde o acesso aos recursos é mais complexo, pelo que o projeto se tem destacado como uma iniciativa de sucesso junto da comunidade. No primeiro ano [2023-2024], as sessões decorreram na biblioteca da EB do Loretodo AE Rainha Santa Isabel, acontecendo presentemente na biblioteca da EB Quinta das Floresdo AE Coimbra Sul, reforçando o papel central das bibliotecas escolares como locais de aprendizagem transdisciplinar.
Neste segundo ano de execução a par da realização das sessões mensais, que contam com a participação de mais de 1000 alunos e 70 professores em cada sessão, que na verdade corresponde a 3 sessões diferentes e adaptadas ao nível, o projeto também permitiu enriquecer os acervos das bibliotecas envolvidas, com a aquisição de livros e jogos educativos relacionados com as ciências. Criaram-se Kits de Ciência, compostos por livros informativos e narrativas ficcionais, materiais e instruções tutoriais para experiências práticas, que podem ser requisitados pelos professores, dando continuidade ao processo, e deste modo reforçando a sustentabilidade do mesmo.
A sustentabilidade deste projeto e o reforço do impacto na aprendizagem dos alunos, passa pelo trabalho colaborativo entre a biblioteca escolar e os docentes e sempre com o apoio dos gestores de topo. Neste sentido, já se encontra programada uma ação de curta duração, ainda a decorrer este ano, destinada aos professores dos dois agrupamentos, em parceria com o CFAE Minerva e alargada aos professores bibliotecários da rede de Bibliotecas de Coimbra. Um momento formativo que terá como foco o processo de concretização do projeto, clarificando a implementação das atividades desenvolvidas, a monitorização e avaliação, sendo um contributo das bibliotecas escolares para proporcionar aos docentes ferramentas e estratégias que permitam integrar a ciência e a leitura no dia a dia escolar e com a biblioteca.
Mais do que um programa de atividades, "A Ciência Sempre a Rol@r" é uma experiência transformadora, um programa que une alunos, professores, bibliotecas, escolas e agrupamentos em torno do conhecimento e da descoberta.
Sessão de sensibilização no Instituto Politécnico de Portalegre
No passado dia 15 de maio de 2025, realizou-se no Instituto Politécnico de Portalegre (IPP) uma importante sessão de sensibilização no âmbito da implementação do protocolo de cooperação entre instituições de ensino superior e a Rede de Bibliotecas Escolares. Esta iniciativa juntou futuros profissionais da educação, docentes e bibliotecários, reforçando o compromisso de integrar as bibliotecas escolares na formação inicial de educadores de infância, professores e profissionais da área da educação social.
A sessão decorreu na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais de Portalegre e contou com a presença de docentes e estudantes dos cursos da formação inicial, bem como a coordenadora interconcelhia da Rede de Bibliotecas Escolares, Fátima Bonzinho, e a Coordenadora da Equipa da Biblioteca do Agrupamento de Escolas José Régio, Susana Lourenço. Através de um diálogo aberto e inspirador, refletiu-se sobre a missão da biblioteca escolar, os seus objetivos pedagógicos e o seu contributo essencial para o desenvolvimento das literacias da leitura, da informação e dos media.
Este encontro insere-se no plano de ação conjunto delineado no âmbito da assinatura do protocolo, o qual visa promover a articulação entre a Prática de Ensino Supervisionada (PES) e as bibliotecas escolares, assegurando uma integração efetiva de atividades formativas que valorizem a leitura, a investigação e o pensamento crítico desde a formação inicial. O protocolo prevê, ainda, a criação de uma estrutura de coordenação entre as instituições envolvidas; a realização de reuniões conjuntas para delinear metodologias de trabalho e a elaboração de um plano anual de ações articuladas entre as escolas de formação e as bibliotecas escolares.
Esta sessão de sensibilização representa um momento fundamental de todo este processo. Os objetivos passam por dar a conhecer o papel estruturante da biblioteca escolar nas aprendizagens dos alunos, demonstrar a sua articulação com o currículo e incentivar os futuros profissionais a integrarem este recurso de forma ativa e crítica nas suas práticas pedagógicas. Durante a sessão, destacou-se o papel transformador da biblioteca escolar como espaço de mediação, criatividade e inclusão. Foi também sublinhada a importância do trabalho colaborativo entre professores e professores bibliotecários na conceção de estratégias educativas que respondam aos desafios atuais da escola. A presença e o envolvimento dos estudantes e docentes da formação inicial revelaram-se fundamentais para consolidar esta visão partilhada.
Criar pontes entre a academia e as bibliotecas escolares é, hoje, uma prioridade para formar educadores e professores mais preparados, reflexivos e comprometidos com a promoção de uma cidadania ativa e informada.
Segundo Rutger Bregman, autor do livro Ambição Moral: Pare de desperdiçar o seu talento e comece a fazer a diferença, publicado a 24 de abril [1], ambição moral é a vontade profunda de dedicar a carreira a contribuir para responder aos desafios da atualidade, orientado por valores (paz, justiça e sustentabilidade).
Deve ditar um novo padrão de sucesso: servir/ estar ao serviço e ter o maior impacto positivo no mundo.
Não é a prosperidade económica ou o progresso tecnológico a chave para um mundo melhor, mas a ambição - aspiração a ser um dos melhores - moral e ética.
2. Porque é necessária na atualidade?
5,4 milhões de bebês e crianças no mundo morrem anualmente de doenças que podem facilmente ser prevenidas, estamos diante de uma crise climática, há a ameaça de uma guerra nuclear ou de uma nova pandemia e assiste-se ao crescimento de líderes autoritários, antidemocráticos.
O mundo necessita que cada uma das pessoas – sobretudo as mais inteligentes, ambiciosas e privilegiadas - trabalhem nestes desafios, em vez de optarem por carreiras lucrativas, mas socialmente pouco relevantes ou até prejudiciais.
O talento deve ser investido no bem comum e em larga escala – Moral Ambition deixa uma crítica à abordagem local dos problemas, conforme a Agenda 2030 da ONU propõe.
3. “Segue a tua paixão” é um conselho errado
O critério fundamental para a escolha de uma carreira profissional não deve ser o prazer pessoal, mas onde se pode gerar maior impacto no mundo.
Não devo perguntar-me, “Qual é a minha paixão?”, mas “Onde é que o mundo precisa de mim agora?”, olhando para fora de mim.
Acima da realização pessoal, deve estar o impacto social do meu trabalho.
Desafia o leitor a libertar-se do sentimento de inutilidade e falta de realização: O “trabalhador médio a tempo inteiro passará 80 000 horas no seu trabalho: você está a aproveitar o máximo? Realmente acredita no que faz, dia após dia?” [1].
4. Diagnóstico do descarte de talento
Somos ensinados a seguir as nossas paixões e a empreender carreiras com elevados salários que garantam sucesso pessoal, prestígio e subida na hierarquia.
Esta tendência é boa, mas torna-se crítica quando reúne quase todos os talentos mundiais: “O maior desperdício do nosso tempo é o desperdício de talento" para tornar o mundo melhor.
Classifica as pessoas em 4 grupos, em função dos critérios de Idealismo e Ambição [2]:
Os que não são ambiciosos nem idealistas, com “bullshit jobs” (empregos da merda), por vezes prejudiciais – evoca um funcionário do Facebook, "As mentes mais brilhantes da minha geração estão a pensar em como fazer as pessoas clicarem em anúncios". Fazem parte deste grupo influenciadores, lobistas e banqueiros, consultores e advogados de empresas que ambicionam acumular uma renda passiva – com ações, criptomoedas ou imóveis – para se reformarem cedo, enquanto professores, bombeiros, motoristas, enfermeiros, varredores de rua e homens do lixo fazem o trabalho. O desafio da ambição moral não se destina a estes trabalhadores essenciais.
Ambiciosos não idealistas, como advogados de empresa, consultores nas finanças ou em tecnologias – “Se você estiver entre os melhores na sua área, poderá dar-se ao luxo de esquiar ou comprar uma casa de praia. Mas será que é só isso que você quer da vida?” Muitos "sentem que agregam pouco valor ao mundo e carecem de um sentido de crescimento pessoal, comunitário e de um propósito".
Idealistas não ambiciosos, como apaixonados em part-time ou ativista on-line. São sobretudo pessoas da Geração Z (n. 1966) focados nos desafios da atualidade, mas cujo “bem maior é não causar impacto algum. Uma vida boa é definida pelo que você não faz. Não voe. Não coma carne. Não tenha filhos. E nem pense em usar palhinha. Reduza! Reduza! Reduza!”. Estes “noble losers” (nobres perdedores) valorizam mais a consciencialização - tornar-se viral - do que a ação, estão do lado certo da História, mas não fazem nada para gerar mudança significativa.
Idealistas ambiciosos – Trata-se de “ativistas e empreendedores, médicos e advogados, engenheiros e inovadores, todos transbordando de ambição moral. O que têm em comum é a recusa em ver as suas ações como gotas no oceano. Acreditam que podem fazer a diferença e estão dispostos a correr riscos para lá chegar”. Muitos têm um certo grau de privilégio para dedicarem as suas vidas aos maiores problemas do mundo.
5. Exemplos de idealistas empreendedores
Bregman recorre a exemplos históricos para mostrar que as transformações sociais exigem:
Convicção moral/ consciencialização;
Estratégia eficaz;
Coligações - transformar as estruturas existentes, o sistema, exige colaboração e entreajuda.
Alguns desses exemplos [2]:
O abolicionismo liderado por Thomas Clarkson, jovem estudante universitário que em 1785, aos 24 anos, venceu o concurso de redação em latim sobre É aceitável forçar os outros à escravidão? Da sua pesquisa sobre o tema resultou um dos mais eficazes movimentos sociais;
O boicote aos autocarros de Montgomery em 1955, resultante do protesto de Rosa Parks e cuidadosamente planeado para ter o maior impacto;
A maratona da natação, em 2003, em benefício de Terri, menina de 2 anos que sofreu queimaduras de 90%, organizada pelo jovem executivo Rob Mather que, em 2005, também organizou o campeonato Mundial de Natação Contra a Malária (World Swim Against Malaria) com mais de 250.000 participantes de 160 países e, depois, criou a Fundação Contra a Malária (Against Malaria Foudation).
6. A Escola para a Ambição Moral
Com a publicação do seu livro Moral Ambition, Bregman criou condições para iniciar um movimento global formado por pessoas idealistas e moralmente ambiciosas que, livremente, rejeitam os padrões convencionais de sucesso e trilham o próprio caminho para transformar o mundo.
Criou a Escola para a Ambição Moral (The School for Moral Ambition), fundação com sede em Amesterdão - Países Baixos, que explora “um caminho em que a sua carreira e o tempo precioso que você investe nela contribuem para um mundo muito melhor” [3].
Baseia-se em 7 princípios, como [3]:
“Acreditamos que a conscientização é sobrestimada”;
“Queremos fazer uma grande diferença […] “temos de estabelecer prioridades e optamos por nos concentrar nos maiores e mais negligenciados problemas do mundo, mas que podem ser resolvidos”. Reconhece a importância da recolha de evidências, mas tem em conta que “nem tudo o que conta pode ser medido. Nos casos que não são quantificáveis, fazemos o nosso melhor para construir uma teoria de mudança robusta”;
“Nós cultivamos uma mentalidade curiosa” e que levanta questões.
O cinismo – devemos cultivar uma atitude de esperança ativa, baseada na convicção de que ideias ousadas podem transformar o futuro.
Para transformar a ambição moral em ação, desafia-nos a:
Fazer parte/ iniciar o próprio Círculo de Ambição Moral
Participar em eventos, como a conferência Lucro para o Bem com Peter Singer e outros que pretende transformar o capitalismo numa força do bem (2025, 11 de junho) [4].
Concluindo
Rutger Bregman, 38 anos, é historiador e escritor holandês de best-sellers:
2017, Utopia para Realistas: Em defesa do rendimento básico incondicional, da livre circulação de pessoas e de uma semana de trabalho de 15 horas;
2020, Humanidade: Uma História de Esperança;
2025, Moral Ambition: Stop Wasting Your Talent And Start Making A Difference.
Moral Ambition desafia os mais privilegiados a colocarem o seu talento ao serviço das causas mais urgentes da humanidade. O seu ponto de vista situa-se na linha da Ética Utilitarista de Stuart Mill e do Altruísmo Eficaz de Peter Singer, em que o importante não é agir de acordo com uma intenção pura, conforme defende Immanuel Kant, mas gerar uma transformação e melhoria efetiva do mundo.
Bregman, Rutger. (2025, abril). Ambição Moral: Pare de desperdiçar seu talento e comece a fazer a diferença. Bloomsbury Publishing https://www.moralambition.org/book
No âmbito das comemorações do centenário do nascimento de Mário Soares, figura incontornável da história contemporânea portuguesa, a Escola Secundária Professor Reynaldo dos Santos acolheu a exposição itinerante “Mário Soares: 100 anos”, disponibilizada pela Fundação Mário Soares e Maria Barroso, em articulação com a Rede de Bibliotecas Escolares.
A exposição esteve patente na Biblioteca Escolar, tendo sido especialmente direcionada aos alunos do 12.º ano da disciplina de História A. As turmas beneficiaram de visitas-aulas orientadas pelas docentes da disciplina, numa oportunidade enriquecedora de contacto direto com documentos e imagens que testemunham o percurso político e humano de Mário Soares — o homem que lutou incansavelmente pela liberdade e pela democracia em Portugal.
O ponto alto desta iniciativa teve lugar no dia 6 de maio, com a realização de uma palestra que contou com a presença ilustre da Dr.ª Edite Estrela, que amavelmente aceitou o convite da escola para partilhar o seu testemunho pessoal sobre Mário Soares. A sua intervenção foi um momento emotivo e inspirador, que permitiu aos alunos e demais participantes conhecer melhor a dimensão cívica e política daquele que foi um dos principais rostos da resistência ao Estado Novo e da construção da democracia portuguesa.
A sessão contou ainda com a honrosa presença do Presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, que enalteceu o papel da escola como espaço de memória e formação cívica.
Durante o evento, foi também feita a apresentação do livro Catarina e a Beleza de Matar Fascistas, da autoria de Tiago Rodrigues, pela aluna vencedora do Concurso Municipal de Leitura de Vila Franca de Xira (nível secundário), realizado no passado dia 29 de abril. A apresentação constituiu um elo simbólico entre o passado e o presente, refletindo sobre a importância da liberdade, da literatura e do pensamento crítico na sociedade atual .
No dia 10 de maio de 2025, as ruas da cidade das Caldas da Rainha foram palco de uma iniciativa ímpar, desenhada de forma colaborativa e vivida intensamente por toda a comunidade escolar e local, que conjugou arte, ciência, património e memória, numa celebração coletiva em que Camões foi referência simbólica e identitária.
O Happening Raul Proença foi organizado pela primeira vez em 2022, no âmbito das comemorações dos 50 anos do Liceu, dos 40 anos da Escola Secundária Raul Proença e dos 10 anos do Agrupamento de Escolas com o mesmo nome. Este ano, a celebração assumiu, ainda, um simbolismo acrescido, ao associar-se aos 500 anos do nascimento de Luís de Camões, figura maior da cultura e da identidade linguística portuguesas, coincidindo também com a data de aniversário de Raul Sangreman Proença.
O evento teve início no espaço público da cidade, na Praça 25 de Abril, em frente à Câmara Municipal das Caldas da Rainha, num gesto que traduz a abertura do Agrupamento de Escolas Raul Proença à comunidade, assumindo a cidade como prolongamento natural do espaço educativo e lugar de eleição para a celebração conjunta da cultura, da leitura e do conhecimento.
Cerca de 600 alunos e professores, unidos por um só querer e um só ser, mas com muitos saberes, tornaram a cidadeo cenário vivo de um percurso poético, musical, coreográfico, científico e digital, onde a herança camoniana foi (re)interpretada e reinventada pelas novas gerações. De forma descentralizada, e envolvendo múltiplos espaços emblemáticos - da Praça 25 de Abril às principais artérias comerciais -, a comunidade educativa projetou a figura de Camões para os tempos atuais, cruzando os seus versos com dança, música, ciência, robótica, tecnologia e expressão multimodal. A organização do evento esteve a cargo do Clube do Património.
Palavra, corpo, saberes e robôs em movimento…
A abertura do Happeningcomeçou com um momento de dança, apresentado pelos alunos do ensino articulado da Escola Vocacional de Dança de Caldas da Rainha, seguido da atuação do Coro da Academia de Música de Óbidos, junto à escadaria da Câmara Municipal. Logo a seguir, ecoaram palavras de mudança com os “MiniOnofrinos” a declamar “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, num tributo camoniano que ressoou da praça a outros espaços da cidade, ligando passado e presente.
Espalhadas pelas ruas da cidade, várias performances destacaram a declamação de poemas de Luís de Camões. Os alunos da EB1 de Santo Onofre/Centro Escolar deram voz à poesia com a atividade “Camões em rima”, enquanto a exposição “As plantas na obra de Camões”, apresentada junto ao Hemiciclo João Paulo II, representou a dimensão científica da obra camoniana, numa articulação entre literatura e ciências naturais. Os alunos da EB do Bairro dos Arneiros declamaram poemas, junto à Praça da Fruta, e os alunos do ensino articulado da Academia de Música de Óbidos juntaram-se aos alunos da EB da Foz do Arelho em “Verdes são os campos”. Os alunos da EB do Bairro da Ponte desenvolveram a atividade “Camões: Amor é dizê-lo em tantas línguas”. Com “Telhados de Amor - Sementes de esperança”, deu-se a possibilidade de celebrar a união entre os povos, numa ação solidária. Também o Conservatório de Caldas da Rainha contribuiu com uma atuação musical no Largo José Barbosa e a Associação de Pais e Encarregados de Educação também esteve presente, dando a conhecer-se à cidade.
O Café Capristanos acolheu uma conversa intitulada “A Cultura Clássica na Escola do Futuro”, que revisitou a tradição humanista no contexto atual e, complementando estas intervenções, a poesia itinerante “Vamos celebrar Camões” percorreu a cidade - os alunos da EB de Santo Onofre e da Escola Secundária Raul Proença foram partilhando poemas camonianos com os transeuntes, numa aproximação sensível e acessível ao legado do autor de Os Lusíadas.
Numa leitura contemporânea da curiosidade e do saber multidisciplinar que caracterizaram o espírito renascentista, o Happening não se limitou às artes performativas. O Clube Ciência Viva Raul Proença dinamizou a atividade “Ciência em ação” e os alunos do projeto Robotics Code Raul apresentaram “Robótica e Informática para todos”, enquanto expressões da criatividade e engenho humano no contexto atual. A figura de Camões, homem do seu tempo mas profundamente moderno, legitimou e inspirou uma abordagem integrada dos saberes como a atual valorização crescente das STEAM (Science, Technology, Engineering, Arts and Mathematics) em contexto educativo.
Ao integrar experiências de robótica, informática e ciência experimental no contexto de um evento artístico e literário, o Agrupamento reafirmou a necessidade de promover saberes articulados, estimulando o pensamento crítico, a resolução criativa de problemas e a literacia da leitura e digital, competências essenciais para formar cidadãos capazes de interpretar e transformar o mundo em que vivem, à imagem do espírito camoniano.
Mais uma vez, as bibliotecas escolares foram parceiras dos projetos desenvolvidos pelos professores e alunos e estiveram envolvidas, por exemplo, na conceção, mediação e concretização de algumas atividades, promovendo práticas pedagógicas integradoras e culturalmente significativas.
Um evento que celebra a escola, a cidade e o futuro
O Happening Raul Proença 2025 apresentou-se como a afirmação de pertença e identidade, com a escola a sair das suas paredes para dialogar com a cidade, num verdadeiro ato de cidadania cultural. Esta polifonia evidenciou o envolvimento transversal das escolas do Agrupamento e reforçou a ideia de que a educação é um processo coletivo, vivido com emoção, criatividade e entrega.
As iniciativas do dia 10 de maio constituíram o momento inaugural de um ciclo comemorativo mais amplo, já que as Festas da Cidade promovem outros momentos de encontro, de criação e celebração no espaço público. No âmbito do seu compromisso educativo, o Agrupamento devolve, desta forma, o muito que a cidade das Caldas da Rainha lhe dá.
Porque o relatório de avaliação não é bicho papão!
O processo de avaliação das bibliotecas escolares pode ser exigente, mas, quando bem conduzido, transforma-se num valioso instrumento de trabalho. É com base nele que o professor bibliotecário recolhe evidências que sustentam as decisões sobre o Plano Anual de Atividades, justifica decisões e fundamenta pedidos junto da direção, além de garantir um serviço de excelência aos utilizadores.
Neste artigo apresentamos algumas pistas para a elaboração do relatório que encerra o ciclo de avaliação.
Chegou o momento de elaborar o relatório final… como?
Vamos por partes… recolha de dados
Para concluir com êxito este processo, é importante reunir e compilar as evidências do trabalho realizado, colhendo-as nos diferentes instrumentos que foram selecionados, insistindo não só no Plano de Melhoria, mas também noutras fontes de informação pertinentes.
Recorde-se que neste relatório final se irão avaliar todos os domínios e subdomínios e não apenas os que foram definidos no plano de melhoria elaborado no início do ciclo avaliativo.
É recomendável evitar considerar desde logo listas infindáveis de instrumentos pouco produtivos para a recolha dos dados de que se necessita, evitando-se o ruído informativo. Contudo, é preciso ter em conta que o cruzamento de informação, recolhida por diferentes meios, é o que permite a leitura crítica dos dados, pelo que o número e o tipo de instrumentos de recolha de dados deve ser alvo de aturada ponderação, logo no início do ciclo avaliativo.
A recolha destes instrumentos foi já assegurada ao longo do biénio, pelo que agora basta reunir e organizar toda a informação recolhida.
Vamos por partes… tratamento de dados
É importante ter em mente que o que baliza a análise de dados são os perfis de desempenho, tal como enunciados no Modelo de Avaliação da Biblioteca Escolar (MABE).
Assim, recolhidos, compilados e cruzados os dados que conduzem à leitura crítica da informação, é agora necessário desenvolver dois processos em paralelo, um que se reporta aos domínios e subdomínios constantes do Plano de Melhoria, outro àqueles que não se inscreveram nesse plano.
No primeiro caso, é necessário ter em mente se foram ou não necessárias reformulações às ações inicialmente previstas e porquê, se for o caso, e, considerando o cruzamento de dados realizado, se as ações surtiram ou não o efeito desejado. Caso não tenham sido eficazes, é preciso estabelecer claramente
porque não o foram?
a formulação estava correta?
A ação desenhada é, afinal, ineficaz para a consecução do objetivo a atingir?
é ou não produtivo reformular essas ações num novo ciclo avaliativo?
o lapso aconteceu num ponto específico do processo, de resolução fácil no futuro sem mais alterações?
…
No segundo caso, é preciso perceber se o nível de qualidade atingido num dado domínio ou subdomínio é suficiente para ditar que apenas se invista na manutenção do que se conseguiu ou se é necessário passar a investir em ações de melhoria e, nesse caso, em quais e com que objetivos, sempre com base na interpretação dos dados recolhidos.
Nesta fase, é crucial que a análise dos dados recolhidos permita identificar claramente os pontos fortes e as áreas que requerem melhoria.
Recorde-se que a atribuição da valoração de 1 a 4 é enformada pelos perfis de desempenho anteriormente referidos, pelo que, para se compreender o nível de qualidade atingido em cada domínio, é fundamental prestar muita atenção aos indicadores que constam nos respetivos perfis de desempenho e refletir sobre eles, aferindo deste modo a qualidade do trabalho desenvolvido.
Vamos por partes… redação do relatório
Na redação propriamente dita, deve evitar-se enunciados meramente descritivos. É fundamental que o texto reflita a análise realizada, apontando de forma clara as conclusões e os caminhos futuros, quer se trate de um novo ciclo de avaliação ou do encerramento do processo.
Durante o processo de elaboração do relatório, há que garantir que o texto seja:
Claro, permitindo a apreensão fácil das ideias principais;
Completo, contemplando todos os aspetos essenciais, designadamente os perfis de desempenho nos quatro domínios;
Preciso, apresentando apenas a informação relevante;
Sucinto, evitando repetições;
Esclarecedor, revelando-se útil para qualquer professor bibliotecário, incluindo quem venha, eventualmente, a assumir funções no futuro;
Acessível, sendo facilmente compreendido por qualquer elemento da comunidade educativa;
Harmonioso e fluido, promovendo uma leitura envolvente e agradável e valorizando o trabalho desenvolvido pela biblioteca.
Algumas pistas adicionais
Antes de finalizar, deixe o relatório “repousar” uns dias e regresse mais tarde. Revê-lo com distanciamento ajudará a garantir clareza e rigor.
Se possível, analise o processo de avaliação e discuta o documento com o coordenador interconcelhio das bibliotecas escolares. Um olhar externo é sempre enriquecedor: clarifica ideias, ajuda a organizar informação e contribui para tornar o processo mais participativo e menos solitário.
Apresentação em Conselho Pedagógico
Terminado o relatório de avaliação da biblioteca escolar, chegou o momento de o apresentar em Conselho Pedagógico. Este é, igualmente, um passo estratégico, que permite não apenas prestar contas sobre o trabalho desenvolvido, mas também valorizar o papel da biblioteca enquanto estrutura fundamental no apoio às aprendizagens, à inovação pedagógica e à consolidação da cultura de escola.
A apresentação deve centrar-se na comunicação clara e objetiva dos principais resultados obtidos. É importante indicar os níveis de desempenho atribuídos a cada um dos quatro domínios do modelo de avaliação, explicando de forma breve os critérios que sustentaram essa atribuição. Os pontos fortes devem ser destacados com exemplos concretos, que possam ilustrar com eficácia a ação da biblioteca: projetos desenvolvidos, articulações curriculares bem-sucedidas, aumento do número de utilizadores ou dados que evidenciem o impacto do trabalho realizado. Ao mesmo tempo, é essencial transmitir claramente os pontos a melhorar, enquadrando-os nas circunstâncias que os explicam e apresentando propostas fundamentadas que se prevejam incorporar no plano de melhoria do próximo ciclo.
De igual modo, a apresentação deve dar visibilidade aos impactos observados na escola: os progressos dos alunos ao nível da competência leitora, a utilização autónoma da biblioteca, o reforço das práticas pedagógicas colaborativas ou o envolvimento das famílias são aspetos que merecem ser realçados. Esta exemplificação permite evidenciar de que forma a biblioteca contribui ativamente para a missão da escola e para o desenvolvimento das competências previstas no Perfil dos Alunos.
Importa também mostrar o que se prevê para o futuro, apontando os eixos estratégicos a integrar no novo plano de melhoria e deixando claro que o relatório não é um fim em si mesmo, mas um instrumento de trabalho essencial para a tomada de decisões fundamentadas e para o alinhamento estratégico da ação da biblioteca com as prioridades do Projeto Educativo.
A apresentação ganhará clareza e eficácia se for acompanhada por suportes visuais simples e apelativos (uma infografia, um quadro-resumo ou uma síntese visual dos principais resultados), que facilitarão a compreensão da informação por todos os elementos do Conselho Pedagógico, mesmo aqueles que não acompanham diretamente o trabalho da biblioteca.
Por fim, este momento deve ser aproveitado para convidar ao envolvimento. É importante propor que o relatório de avaliação seja integrado nos instrumentos de autoavaliação da escola, e apresentar a biblioteca como um parceiro ativo, capaz de contribuir significativamente para a inovação pedagógica, o desenvolvimento das literacias e a promoção do sucesso educativo.
O projeto “Newton Gostava de Ler” está a decorrer pela primeira vez, este ano letivo, no concelho de Torres Vedras, graças à parceria e apoio do Serviço Educativo Quero Ser Cientista, da Divisão da Educação da Câmara Municipal de Torres Vedras.
Esta iniciativa enquadra-se no âmbito da promoção da literacia científica em meio escolar, aliando ciência, leitura e criatividade, e resulta de uma colaboração entre a Rede de Bibliotecas Escolares (RBE) e a Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro.
O projeto visa estimular o interesse pela ciência através da leitura e desafia as bibliotecas escolares a promoverem atividades que cruzem o universo científico com o literário. Através da utilização de kits pedagógicos, propostas de leitura e desafios experimentais, pretende-se envolver os alunos numa aprendizagem ativa, significativa e interdisciplinar.
No concelho de Torres Vedras, foi adquirido, para arranque, o Kit 3, 2, 1... Lançar Sonda na Biblioteca !, que tem circulado por várias escolas do concelho, onde têm sido dinamizadas diversas sessões com alunos desde o 1.º ciclo (3.º e 4.º ano) ao 3.º ciclo, promovendo o contacto direto com atividades científicas e a articulação com o currículo escolar:
O impacto destas sessões tem sido muito positivo, tal como partilhou um dos professores bibliotecários dinamizadores:
“Mal tinham terminado as sessões, já me perguntavam quando iria fazer outra do mesmo género.”
Como parte da implementação do projeto, os professores bibliotecários do concelho participaram num workshop de formação, dinamizado no dia 17 de dezembro de 2024, no Centro de Educação Ambiental de Torres Vedras. A sessão foi conduzida pelos formadores da Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro, entidade responsável pela conceção e dinamização do projeto a nível nacional.
Durante a sessão, os participantes exploraram o conteúdo do kit, realizaram atividades práticas e discutiram formas de articulação com os currículos e com o plano de atividades das bibliotecas escolares.
Para apoiar a dinamização do projeto nas escolas, foi também disponibilizada uma proposta complementar de preparação das leituras por parte da Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro, com o objetivo de enriquecer a experiência dos alunos e fomentar a interdisciplinaridade entre ciência e literatura.
O entusiasmo gerado pelas sessões, o interesse demonstrado pelos alunos e o envolvimento ativo dos professores bibliotecários confirmam o enorme potencial do projeto “Newton Gostava de Ler” para transformar a forma como a ciência e a leitura se cruzam no contexto educativo.
Este é um exemplo claro de como a colaboração entre instituições, a inovação pedagógica e o investimento em recursos educativos de qualidade podem fazer a diferença na aprendizagem dos alunos, despertando curiosidade, espírito crítico e gosto pela descoberta.
Que este projeto continue a inspirar novas leituras, novas experiências e muitos mais lançamentos — de sondas, de ideias e de futuros cientistas-leitores nas nossas escolas!
Na noite de 9 de maio, a sala do primeiro piso da Biblioteca Municipal de Sobral de Monte Agraço, dedicada à literatura juvenil e adulta, encheu-se de música e vozes partilhadas, tendo Luís de Camões como figura tutelar de um serão que celebrou, “com engenho e arte”, o poder da palavra e da leitura em família.
A elevada adesão ao evento levou a organização a alterar o espaço inicialmente previsto- a sala polivalente- para um ambiente mais amplo que pudesse acolher os mais de pais e encarregados de educação inscritos na iniciativa. Ali decorreu o VIII Serão de Encantar, promovido pela Rede de Bibliotecas do Concelho de Sobral de Monte Agraço, sob o mote “Letra a letra, palavra por palavra…(A)mar Camões”, que cumpriu plenamente o seu propósito: reunir famílias, educadores, alunos e parceiros em torno da palavra dita, da leitura vívida, da música e da herança literária de Luís de Camões.
O Serão de Encantar é, desde a sua origem, um projeto que transcende a simples programação cultural. É a afirmação da leitura como prática afetiva e cívica, promotora de vínculos entre gerações e de um sentimento de pertença à comunidade educativa. Esta iniciativa, criada inicialmente com o objetivo de dar a conhecer os serviços, recursos e dinâmicas da Rede de Bibliotecas do Concelho de Sobral de Monte Agraço, tem vindo a consolidar-se como um espaço privilegiado de encontro intergeracional e de partilha entre a escola e a comunidade.
Este ano, o tema escolhido respondeu ao repto da Rede de Bibliotecas Escolares no sentido de celebrar Camões “com engenho e arte”, no contexto das Comemorações dos 500 anos do seu nascimento.
Um serão em família com palavras que encantaram
A sessão teve início com as palavras de boas-vindas da Vereadora da Educação,Dra. Carla Alves, e da Coordenadora Bibliotecária Interconcelhia, Dra. Paula Ribeiro, que enalteceram o papel das bibliotecas e o importante papel das famílias e das comunidades para a formação integral dos alunos. Seguiu-se a intervenção da Dra. Júlia Leitão, representante da Rede de Bibliotecas, que contextualizou esta oitava edição e valorizou o trabalho em rede bem como a adesão das famílias como requisitos essenciais para o sucesso e a continuidade desta iniciativa e de todo o trabalho desenvolvido para promover a leitura.
A Coordenadora das Bibliotecas Escolares do Agrupamento de Escolas de Sobral de Monte Agraço sublinhou o paralelismo entre o legado camoniano e a missão das bibliotecas escolares, enquanto espaços onde se promove a curiosidade, a expressão artística, a literacia e a formação de leitores críticos e criativos, justificando a temática central escolhida.
Coube à responsável da Biblioteca Municipal apresentar o programa da noite e introduzir a primeira atividade, protagonizada por um grupo de 18 crianças da Educação Pré-Escolar e do primeiro ciclo das escolas de Sapataria, de Pêro Negro e de Santo Quintino. Com o teatro de sombras “Mais um ano de Camões”, os mais novos deram início à viagem poética, orientados pelas vozes narradoras dos educadores Afonso Moreno e Orada Chambel. Num ambiente de penumbra e encantamento, as figuras projetadas deram vida e voz a alguns versos da lírica camoniana e a uma narrativa que recriou o encontro entre mundos e com o outro, evocando o espanto, o medo e a descoberta mútua aquando da chegada dos portugueses a terras desconhecidas através do olhar da personagem Namutu, personagem inspirada no conto de Pepetela “Estranhos pássaros de asas abertas“.
Seguiu-se a performance de uma aluna do 12.º ano, Joana Alves, que deu voz ao soneto “Amor é fogo que arde sem se ver” e à cantiga “Verdes são os campos”, poemas que celebram o amor e a natureza.
Atécnica da Biblioteca Municipal, Alexandra Santos, assegurou uma envolvente dinâmica intitulada “Era uma vez… Camões”, tendo por base a obra de Sérgio Franclim, As Aventuras e Desventuras de um Poeta Épico, na qual apresentou, de forma interativa, episódios da vida do poeta, cruzando-os com a atualidade. Concluiu a sua intervenção com a proposta de uma atividade a realizar em família intitulada “Aos olhos de Camões”, que desafiou os participantes a (re)interpretar o mundo a partir do olhar do poeta e a partilhar as propostas para divulgação posterior nas redes sociais.
Miguel Costa trouxe à sessão o soneto “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, lembrando a todos que as palavras de Camões permanecem vivas e atuais, inspirando autores posteriores. Terminou partilhando um poema da sua autoria, em que reatualiza algumas temáticas camonianas.
O serão prolongou-se na sala polivalente, num pequeno lanche-convívio, com leituras realizadas pelo professor bibliotecário Joaquim Ferreira e o aluno Miguel Costa, provando que, mais do que uma sessão de leitura, o VIII Serão de Encantar foi um momento de aproximação entre parceiros, famílias, encarregados de educação, reunindo a comunidade numa experiência educativa e cultural que fez da leitura uma festa e da biblioteca um lugar de encontro. Sob a égide de Camões, celebraram-se os laços que unem a escola à família, a literatura à vida e o passado ao presente — letra a letra, palavra por palavra, com emoção e encanto.
A Rede de Bibliotecas do Concelho de Sobral de Monte Agraço renovou, assim, o seu compromisso com a promoção da leitura em contexto escolar, familiar e comunitário, afirmando a escola e as bibliotecas como espaços de cultura e cidadania.
Letra a letra, palavra por palavra… amou-se Camões, a palavra escrita e dita, com engenho, arte e encantamento.
A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, “adotada por todos os Estados-Membros das Nações Unidas em 2015, define as prioridades e aspirações do desenvolvimento sustentável global para 2030 e procura mobilizar esforços globais à volta de um conjunto de objetivos e metas comuns”. São dezassete Objetivos de Desenvolvimento Sustentável ( https://ods.pt/) que devem ser entendidos numa perspetiva holística, como se tratasse de “uma lista das coisas a fazer em nome dos povos e do planeta”.
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável têm como base os progressos e as aprendizagens resultantes dos 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milénio, estabelecidos entre 2000 e 2015. Recordamos que a Agenda 2030 decorre do trabalho conjunto de governos e cidadãos de todo o mundo. Trata-se de um apelo urgente a todos os países, a todos os líderes, a todos os educadores, a todos nós.
Muitas são as bibliotecas escolares (BE) que seguem as orientações da IFLA (https://www.ifla.org/wp-content/uploads/2019/05/assets/hq/topics/libraries-development/documents/libraries-un-2030-agenda-toolkit-pt.pdf ) reforçando a ideia que as “bibliotecas dão um importante contributo para o desenvolvimento. O propósito deste conjunto de ferramentas é apoiar o trabalho de advocacy para a inclusão das bibliotecas e do acesso à informação como parte dos planos de desenvolvimento nacionais e regionais que contribuirão para cumprir - Transformar o nosso mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável (Agenda 2030 da ONU) “
As Bibliotecas Escolares associam-se a estes objetivos apresentando um conjunto diversificado de atividades, recursos e de sugestões de leitura para que os professores bibliotecários, docentes e alunos possam trabalhar em prol de uma maior consciencialização e da urgência de dar cumprimento aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Neste sentido, partilhamos os seguintes títulos para conhecer e pensar melhor os objetivos:
"Estes livros pretendem falar de uma forma aberta, simples, mas factual sobre o mundo em que vivemos e incentivar as crianças e jovens a agirem proativamente de forma a conseguirem contribuir para a melhoria das condições de vida das pessoas, mesmo aquelas que vivem longe, noutros países.” [Sinopse da editora - Plátano Editora] Coleção Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, de Carlos Desgarrado Pereira, Catarina Soares, Cátia Cavaco, Filipa Saldanha, Sofia Santos, Tânia Marques e Tânia Oliveira
“A obra ODS-Estratégia Metodológica para a Sustentabilidade, surge da investigação e compreensão da Agenda 2030 e o conjunto de indicadores que compõem os ODS, onde exponho os critérios metodológicos de cerca de 200 indicadores dos 17 objectivos. Trata-se de uma obra técnica, do ramo das estatísticas, com abordagem metodológica em termos de cálculos de variadíssimos indicadores (Económicos, Sociais e Ambientais), nela apresento uma análise estatística e teste de conformidade dos indicadores, de forma qualitativa e/ou quantitativa. No desenvolvimento de cada capítulo, apresentamos a caracterização metodológica de cada indicador, fazendo uma exposição da definição, fundamentação, conceitos, comentários e limitações, metodologia de cálculo, desagregação, fonte de informação e organização internacional responsável.” [sinopse responsabilidade do editor]
Na impossibilidade, de num só artigo, de sugerir leituras para todos os ODS, neste artigo partilhamos algumas sugestões de leitura para trabalhar, debater, dialogar sobre o ODS 4 – Educação de Qualidade.
“Quando um percurso de transformação pode ser um percurso de traição. Tara Westover cresceu a preparar-se para o Fim dos Tempos, para ver o Sol escurecer e a Lua pingar, como que de sangue. Passava o verão a conservar pêssegos e o inverno a cuidar da rotatividade das provisões de emergência da família, na esperança de que, quando o mundo dos homens falhasse, a sua família continuasse a viver.
Não tinha certidão de nascimento e nunca pusera um pé na escola. Não tinha boletim médico, porque o pai não acreditava em médicos nem em hospitais. Não havia quaisquer registos da sua existência. O pai foi ficando cada vez mais radical com o passar do tempo, e o seu irmão, mais violento. Aos dezasseis anos, Tara decidiu educar-se a si própria. A sua sede de conhecimento haveria de a levar das montanhas do Idaho até outros continentes, a cruzar os mares e os céus, acabando em Cambridge e Harvard. Só então se perguntou se tinha ido demasiado longe. Se ainda podia voltar a casa. Uma Educação é a história apaixonante de uma mulher que se reinventa. Mas é também uma história pungente de laços de família e de dor quando esses laços são cortados. Com o engenho dos grandes escritores, Tara Westover dá forma, a partir da sua experiência singular, a uma narrativa que vai ao cerne do que é a educação e do que ela nos pode oferecer: a perspetiva de ver a vida com outros olhos e a vontade de mudarmos."[sinopse responsabilidade do editor]
“O Pedrito está ansioso por aprender, mas não quer ir sozinho à escola. Será que vai correr bem? É o primeiro dia de escola do Pedrito. Ele começa a juntar todas as coisas importantes de que vai precisar, desde o lápis ao cesto com o almoço. Mas apercebe-se de que as irmãs vão ficar em casa. Então, a mãe explica-lhe que a escola é para coelhinhos crescidos como ele! O Pedrito fica contente e ansioso por aprender coisas novas e estar com os amigos. Vem divertir-te com este conto do Pedrito Coelho, no mundo encantado de Beatrix Potter. “ [sinopse responsabilidade do editor]
“Chegado ao fim do seu passeio matinal, o velho olha ainda, já ao longe, a escola das suas infâncias. A Escola do seu futuro. A sua Escola de paredes brancas. Ávidas de inscrições. Onde muitos sonhos possam ser gravados. Tantos quantas crianças e quantos os sonhos que não deixamos morrer-lhes."
“Os Lápis estão prontos para voltar às aulas, cheios de vontade de aprender mais e mais! Eles também estão prontos para fazer novos amigos e para se divertirem na sua aula preferida... Artes Plásticas!
Mais uma história hilariante, que vai acompanhar os mais pequenos no seu regresso às aulas, com o material escolar preferido, os Lápis de Cor! Mais um livro cheio de humor que vem ajudar os mais pequenos a regressar à escola ainda com mais energia!” [sinopse responsabilidade do editor]
“Podem os pais, os educadores, os profissionais do ensino ou outros interessados aprender através da escuta atenta à voz das crianças? Manuela Castro Neves entende que sim. Ao longo de vários anos, a autora reuniu um conjunto de relatos de episódios vividos por ela com crianças entre os quatro e os dez anos de idade e que designou por «histórias». Ocorridas em sessões de apoio individualizado à aprendizagem, ou em encontros com os seus ouvintes em escolas e bibliotecas, ou ainda noutros lugares e tempos sem ligação entre si, estas «histórias» afloram questões pedagógicas, ao mesmo tempo que abrem pistas para o seu aprofundamento. Uma obra de grande sensibilidade, que coloca a criança no centro do processo de crescimento e de aprendizagem, com as suas interrogações e descobertas, e que aborda o papel do erro e da motivação como 'leitmotive' desse processo. Uma obra profundamente humana, que irá certamente regalar e enternecer, mas também surpreender o leitor.” [sinopse responsabilidade do editor]
“O Martim é um menino especial, sobretudo para a sua melhor amiga, que o vê como ninguém e dá valor a tudo o que o torna diferente de toda a gente. Martim sabe de cor a ementa do mês da cantina da escola, mas engana-se a fazer contas. Gosta de abraços, mas não que lhe toquem. Gosta de bicharocos, mas para os guardar no bolso. Um dia, a melhor amiga deixa de o ver na escola e não descansa até perceber onde ele está. Um livro perfeito para abordar a situação das crianças “diferentes”, com necessidades educativas especiais. “ [sinopse responsabilidade do editor]
“Neste ensaio sobre várias cegueiras, o professor Rui Correia debruça-se sobre a proximidade na educação. De como nos darmos aos nossos miúdos e da serventia, tão lunar quanto luminosa, que a escola traz para as suas vidas. O lugar que ela ocupa neles. De como a vida toda é sempre a melhor encarregada de educação. “ [sinopse responsabilidade do editor]
"O nome de Malala Yousafzai, a menina que quase perdeu a vida por querer ir à escola, nunca será esquecido. Malala nasceu no Paquistão em 1997, no vale do Swat, uma região de extraordinária beleza, habitada por reis e rainhas, príncipes e princesas, cobiçada por povos antigos e protegida pelos bravos guerreiros pashtuns – os povos das montanhas. Uma das melhores alunas da turma, a pequena Malala cresceu nos corredores da escola do pai, Ziauddin Yousafzai, até ao dia em que os talibãs invadiram a sua cidade. Armados e sempre vigilantes, proibiram a música e a dança, obrigaram as mulheres a ficar em casa e decretaram que apenas os meninos poderiam estudar. Malala não podia aceitar esta situação e, fazendo das palavras a sua arma, resistiu – e continuou a ir às aulas. A 9 de outubro de 2012, quando voltava da escola, foi alvejada por membros dos talibãs, e poucos acreditaram que sobreviveria. A jornalista Adriana Carranca visitou o vale do Swat dias depois do atentado, hospedou-se em casa de uma família local e decidiu escrever este livro-reportagem, onde conta tudo o que por lá viu e aprendeu, para ensinar às crianças do resto do mundo a história real da menina mais jovem a ter recebido o Prémio Nobel da Paz. Um bonito e verdadeiro exemplo de como uma pessoa e um sonho podem mudar o mundo.” [sinopse responsabilidade do editor]
O relatório Trends Shaping Education 2025 é uma publicação trianual da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) que, tal como as 6 edições anteriores:
Analisa as grandes forças globais - sociais, tecnológicos, económicos, ambientais e políticos - que estão a transformar os sistemas educativos;
Apresenta uma visão integrada e prospetiva da educação, explorando cenários alternativos e ferramentas de reflexão estratégica para antecipar disrupções e oportunidades futuras;
Informa e inspira decisores políticos, investigadores, líderes educativos e a sociedade em geral sobre como a educação pode contribuir para um futuro mais resiliente, inclusivo e sustentável.
É relevante para as bibliotecas escolares, que desempenham um papel central na promoção da inclusão, inovação, literacia e desenvolvimento de competências essenciais para o século XXI.
1. Principais Tendências e Recomendações
A edição 2025 estrutura-se em quatro grandes eixos, que refletem as principais megatendências com impacto na educação (e nas bibliotecas escolares): 1. Conflito Global e Cooperação, 2. Trabalho e progresso, 3. Vozes e narrativas e 4. Corpo e mente.
Ao longo do artigo evidenciamos a forma como as bibliotecas acompanham estas tendências, constroem resiliência e colaboram com a ação governativa.
1. Conflito Global e Cooperação
Este eixo “destaca como o recente aumento de conflitos globais e tensões geopolíticas está a pressionar os orçamentos públicos, com os gastos em segurança e defesa a crescerem frequentemente à custa de outras prioridades, como a educação”.
Esta situação tem efeitos na qualidade e continuidade dos serviços educativos.
O relatório sublinha o papel da cooperação internacional na formulação de políticas educativas inclusivas e equitativas e levanta questões sobre o contributo da educação para a construção de sociedades mais pacíficas e para o apoio a movimentos migratórios resultantes de conflitos e alterações climáticas.
Destaca o crescimento das desigualdades sociais, económicas e culturais em contextos de crise, como o atual.
Recomendações
Investir em políticas de inclusão para grupos vulneráveis (migrantes, minorias, alunos com necessidades especiais);
Promover a equidade e a justiça social como pilares do sistema educativo;
Adaptar currículos e abordagens pedagógicas para que possam responder eficazmente à diversidade dos alunos.
O relatório evidencia que “os mercados de trabalho globais estão a transformar-se rapidamente devido à convergência de avanços tecnológicos, como a IA (Inteligência Artificial) [a Internet das Coisas (IoT) e Realidade Virtual (VR)] e às crescentes exigências de sustentabilidade”. Estas mudanças influenciam a procura de novas competências na educação e formação profissional.
No domínio tecnológico
A “explosão” de tecnologias digitais está a automatizar tarefas rotineiras e cognitivas, criando funções e empregos que exigem competências digitais, pensamento crítico, resolução de problemas e adaptabilidade.
O crescimento do trabalho remoto está a modificar padrões laborais, promovendo estilos de vida mais flexíveis.
A rápida evolução do mercado de trabalho exige que a aprendizagem seja flexível e contínua - “a aprendizagem ao longo da vida é essencial para a adaptação às mudanças tecnológicas e sociais”. Esta tendência traduz-se em:
Diversificação dos percursos educativos e valorização de competências não-formais;
Reforço da formação contínua e da reconversão profissional;
Parcerias entre escolas, empresas e universidades.
Na escola [e na biblioteca], a digitalização e a adoção crescente de tecnologias, estão a redefinir o conceito de escola e “a transformar a forma como as pessoas aprendem, trabalham e interagem”. Esta tendência implica:
Personalização do ensino, adaptando conteúdos e métodos ao perfil e necessidades individuais dos alunos, melhorando os resultados de aprendizagem;
Novos desafios éticos e de equidade no acesso à tecnologia.
Recomendação
Integração da literacia digital em todos os currículos, preparando os alunos “para avaliar criticamente conteúdos digitais, proteger a sua privacidade e utilizar a tecnologia de forma a melhorar a aprendizagem e o bem-estar”.
A transição para economias verdes está a aumentar a procura por empregos sustentáveis, mas a falta de consciência ambiental, de competências técnicas e de práticas de consumo sustentável pode dificultar este processo.
Recomendações
Os sistemas educativos:
“Desempenham um papel crucial na promoção da literacia sobre as interdependências entre sistemas naturais e sociais, evidenciando, por exemplo, como as alterações climáticas afetam a saúde pública ou como práticas agrícolas impactam os ecossistemas e a segurança alimentar”. A educação para o desenvolvimento sustentável e o pensamento sistémico devem ser integrados no currículo, promovendo-se competências para a cidadania ecológica e envolvendo-se as escolas e comunidades em projetos de sustentabilidade.
“Têm um papel fundamental na promoção de estilos de vida sustentáveis e na preparação para empregos verdes”.
A Sustentabilidade é um valor fundamental do Quadro Estratégico da Rede de Bibliotecas Escolares e deve ser tida em conta na planificação e ação estratégica da biblioteca escolar.
3. Vozes e narrativas
Este eixo sublinha a importância de incluir diversas perspetivas e histórias no currículo, na política/ democracia, artes, media/ jornalismo e digital.
Defende o reconhecimento e a valorização da diversidade cultural, linguística e experiencial como elementos fundamentais para um ambiente educativo mais inclusivo, representativo e inovador.
Destaca o papel da educação no desenvolvimento da cidadania ativa e na promoção da pluralidade de vozes e narrativas, referindo movimentos como #MeToo, Black Lives Matter, Fridays for Future e a descolonização como exemplos de discussões coletivas “sobre quem conta as histórias e quem é ouvido nas democracias [contemporâneas] e no panorama cultural global”.
No próprio relatório, os cenários apresentados no final de cada capítulo - que exploram como o mundo e a educação poderão ser em 2040 - são acompanhados por narrativas ficcionais de atores-chave do setor educativo, que adotam diferentes perspetivas e contextos para inspirar a reflexão e a ação sobre futuros alternativos e os seus impactos na vida real
Num contexto de polarização política e desafios à democracia como o atual, a educação para a cidadania global e a participação democrática deve ganhar relevo.
É “essencial preparar os jovens para serem cidadãos ativos e informados”, promover o diálogo intercultural, o respeito e a tolerância por diferentes culturas e combater a desinformação.
As bibliotecas escolares cumprem estas recomendações ao:
Construírem uma coleção inclusiva e diversa, com diferentes autores e protagonistas para obras literárias e diferentes idiomas, ideias e opiniões.
Recolherem e partilharem histórias reais autênticas e inspiradoras de pessoas diversas.
Desenvolverem projetos colaborativos que incentivam a intervenção comunitária.
4. Corpo e mente
O relatório reconhece a íntima ligação entre saúde física, saúde mental e aprendizagem e “o impacto de fatores sociais e ambientais no sucesso escolar”.
Por isso, recomenda políticas e currículos que integrem o bem-estar físico e emocional na cultura escolar, incentivando
Práticas de atividade física;
Desenvolvimento de competências socio-emocionais e resiliência;
Criação de ambientes escolares seguros e acolhedores;
Apoio psicológico.
Foi desde a pandemia Covid-19 que “o bem-estar se tornou um objetivo central das políticas educativas”, exigindo aos sistemas educativos respostas integradas e inovadoras.
Informações e recursos que promovem a consciencialização sobre questões de saúde mental e combatem os estigmas
Um lugar seguro, onde todos os alunos podem ser acolhidos e encontrar consolo e proteção.
2. Os futuros possíveis da educação e a construção de resiliência
O aspeto mais inovador/ controverso do relatório é a incorporação, no contexto da educação, de "Futuros Possíveis".
Em vez de assumir que o futuro será apenas uma continuação linear do presente, o relatório propõe um exercício de pensamento prospetivo, desafiando os leitores a refletirem sobre diferentes cenários futuros - desde transformações radicais até potenciais colapsos sociais, ecológicos e tecnológicos - e a considerar como as políticas educativas podem ser adaptadas a cada um desses cenários.
A educação é um sistema dinâmico e flexível e, por isso, , é fundamental imaginar e planear como pode responder a contextos imprevisíveis, sobretudo perante desafios globais emergentes, como as crises climáticas, as rápidas mudanças tecnológicas e o agravamento das desigualdades sociais.
Adotar esta abordagem de antecipação e adaptação torna o sistema educativo mais resiliente, preparado para enfrentar incertezas e transformar desafios em oportunidades de inovação e desenvolvimento.