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Blogue RBE

Qua | 17.07.24

Tecnologia nos termos dela

por Audrey Azoulay, Diretora-Geral da UNESCO

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O Relatório sobre o Género 2024, publicado pela UNESCO em abril de 2024 [1], conta a história cada vez mais positiva do acesso das raparigas à educação, o que está a ajudar a inverter décadas de discriminação. Mas há muito mais a dizer sobre a igualdade de género na e através da educação.

Na apresentação deste relatório, Audrey Azoulay, Diretora-Geral da UNESCO, afirma:

A tecnologia é uma ferramenta. Promete um acesso mais fácil à educação; experiências de aprendizagem personalizadas e enriquecidas. No entanto, ela ainda não é neutra em termos de género.

Este relatório de Monitorização Global da Educação, Tecnologia à medida dela, diz-nos muito sobre a tecnologia na educação, especialmente sobre o seu papel na reprodução e amplificação dos preconceitos de género.

Em primeiro lugar, o relatório sublinha que homens e mulheres têm um acesso desigual às tecnologias da informação e da comunicação:

Por exemplo, menos 130 milhões de mulheres do que homens possuem um telemóvel e menos 244 milhões de mulheres têm acesso à Internet em todo o mundo - apesar de as ferramentas digitais poderem ser uma tábua de salvação para raparigas e mulheres em zonas rurais, áreas mais pobres e em situações de crise.

Além disso, de acordo com este relatório, não só algumas mulheres e raparigas não conseguem aceder às oportunidades de aprendizagem que a transformação digital pode oferecer, mas também não podem ajudar a moldá-la em pé de igualdade.

De facto, as mulheres estão atualmente sub-representadas no processo de conceção e implantação tecnológica: em 2022, elas detinham menos de 25 por cento dos postos de trabalho nas áreas da ciência, engenharia e tecnologias da informação e da comunicação. Atualmente, representam apenas 26% dos trabalhadores no setor dos dados e da inteligência artificial.

Esta falta de representatividade tem consequências reais nos algoritmos e nas fontes de dados, que perpetuam e amplificam os preconceitos de género. Com resultados demasiado previsíveis: de acordo com um estudo recente da UNESCO sobre modelos de IA generativa, uma mulher é descrita como "modelo" ou "empregada de mesa" em 30 por cento dos textos gerados automaticamente, enquanto os nomes masculinos são associados termos como "negócio" e "carreira".

Esta situação também se deve a preconceitos perniciosos e poderosos entre os geradores de conteúdos: estereótipos negativos pintam ciência, tecnologia, engenharia e matemática como campos orientados para os homens, fazendo com que as raparigas e jovens mulheres se afastem das carreiras STEM - apesar das suas capacidades reais nestes domínios.

Estes estereótipos estão também muito difundidos nas redes sociais, onde as raparigas passam mais tempo. Elas estão, portanto, mais vulneráveis ao risco de serem expostas a conteúdos que promovem profissões de género, padrões corporais irrealistas, partilha de imagens sexualmente explícitas, ciberbullying - tudo isto coloca uma pressão acrescida na sua saúde mental e bem-estar e, por sua vez, afeta o seu desempenho académico.

Todos estes fatores criam um círculo vicioso: as raparigas são expostas a normas de género negativas, afastadas do estudo de STEM e privadas da oportunidade de moldar as ferramentas que as expõem a esses estereótipos.

A solução, como sublinhado no relatório, começa com a educação, que desempenha um papel importante no reequilíbrio da dimensão de género na tecnologia.

Reduzir a exposição a redes sociais e a estereótipos de género negativos. Incentivar mais raparigas a estudar em carreiras científicas através de modelos femininos nos domínios STEM. Garantir que as aplicações tecnológicas deixem de ser predominantemente concebidas por homens. Estas são algumas das recomendações apresentadas ao longo das páginas deste relatório, que a UNESCO já está a instar os decisores políticos a implementar.

Por exemplo, a nossa Recomendação sobre a Ética da Inteligência Artificial, adotada por unanimidade pelos nossos Estados-Membros em novembro de 2021, estabelece um quadro ético claro que incorpora a monitorização e avaliação contínuas de enviesamentos sistémicos na IA. Essa recomendação sublinha também a importância da literacia mediática e da informação, para permitir que os utilizadores de ferramentas de IA pensem de forma crítica e desconstruam estereótipos. Além disso, a UNESCO lançou recentemente a Women4Ethical AI, uma plataforma de colaboração para garantir que as mulheres estejam igualmente representadas no processo de conceção e implementação da IA. E, todos os dias, damos formação a professores para que transmitam a sua paixão pela ciência às raparigas e mulheres - para que estas possam tornar-se futuras protagonistas nestes domínios.

Em última análise, a principal lição deste relatório é a seguinte: o progresso tecnológico pode apoiar o progresso educativo e social - mas apenas se formos os senhores das ferramentas tecnológicas e não os seus vassalos. Só se tirarmos partido da tecnologia na educação, nos nossos termos.

Audrey Azoulay
Diretora-Geral da UNESCO

Leia o relatório completo, para conhecer os resultados apresentados.

Referência

[1] UNESCO. 2024. Global Education Monitoring Report: Gender report – Technology on her terms. https://doi.org/10.54676/WVCF2762

 

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Este trabalho está licenciado sob licença: CC BY-NC-SA 4.0

Ter | 16.07.24

BIT - Best Idea Tod@y: alunos de Portimão destacam-se no APPLICA-TE!

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A biblioteca da Escola Básica Professor José Buísel, do AE Manuel Teixeira Gomes em Portimão, está em festa. Dois talentosos alunos do 3º ciclo, Miguel Nunes e Victor Vaz, destacaram-se na 9ª edição do NOVA IMS Challenge - APPLICA-TE 2024.

Este concurso, organizado pela Universidade Nova de Lisboa, desafia estudantes do 7.º ao 12.º ano a desenvolverem aplicações inovadoras que respondam a desafios nas suas comunidades locais, alinhadas com pelo menos um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Miguel e Víctor, sob a orientação da professora bibliotecária Sandra Marques e da docente Carla Carvalho, apresentaram a APP "BIT - Best Idea Tod@y". Esta aplicação para telemóveis oferece funcionalidades que tornam a interação com a biblioteca escolar mais eficiente e acessível. Entre as funcionalidades destacam-se:

  • Requisição de livros e serviços da biblioteca escolar à distância.
  • Requisição de computadores da biblioteca escolar.
  • Verificação da ocupação da biblioteca escolar para eventos.
  • Sugestões de livros da semana.

Graças à sua criatividade e espírito empreendedor, a APP conquistou o 2º lugar na competição. Este reconhecimento celebra a inovação tecnológica e destaca a importância de desenvolver soluções que beneficiem a comunidade educativa.

A participação de Miguel e Víctor reflete os valores do empreendedorismo e da inovação, demonstrando como a biblioteca escolar pode ser um espaço vital para desenvolver competências essenciais para o futuro, tais como o pensamento crítico, a resolução de problemas e a criatividade.

Ao apoiar iniciativas como o APPLICA-TE, a biblioteca escolar desempenha um papel crucial na promoção dessas competências, enriquece o ambiente educativo e prepara os alunos para enfrentarem os desafios do futuro de maneira inovadora e sustentável.

Estamos orgulhosos de Miguel e Víctor pelo seu excelente desempenho e pela contribuição significativa que a sua APP traz para a comunidade escolar. Parabéns também às professoras Sandra Marques e Carla Carvalho pela orientação exemplar. Que este sucesso inspire outros alunos a seguir os seus passos e a explorar novas formas de aplicar os seus conhecimentos e criatividade para o bem comum.

Continuem conectados para mais atualizações e celebrações dos talentos dos nossos alunos!

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Para mais informações sobre:

0 - o concurso APPLICA-TE: visite NOVA IMS Challenge.

0 - o projeto: visite a página eletrónica do AE Manuel Teixeira Gomes: https://www.aemtg.pt/gerat-final/

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Este trabalho está licenciado sob licença: CC BY-NC-SA 4.0

Sex | 12.07.24

Teatro “O nosso tesouro”

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Este projeto, delineado com base na Educação Inclusiva e no Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), foi dinamizado ao longo do ano letivo de 2023/2024 pelo Centro de Apoio às Aprendizagens (C.A.A.) da Escola Básica de Sobrado (Agrupamento de Escolas de Valongo), pela Biblioteca Escolar e por Musicoterapia (C.M.V.), integrado no tema do Agrupamento "Abril raízes de mudança."

Os cenários e todos os adereços foram produzidos pelos alunos no Clube das Artes e dos Ofícios, Clube da História e da Atualidade e C.A.A. Constituiu uma oportunidade para os alunos experienciarem técnicas variadas na área do desenho, da pintura, da costura em máquina e de bordado, muito importantes para adquirirem competências no âmbito das manualidades e da criatividade. Os atores e figurantes foram alunos, assistentes operacionais, psicólogos do S.P.O. e professores.

A Biblioteca Escolar desenvolveu um trabalho de apoio: orientação na seleção da obra, na adaptação e dramatização do texto, na recriação dos retratos de época, na seleção musical, na iconografia, na disponibilização de recursos e de espaços, na organização, nos contactos, na definição de calendarizações, divulgação e realização de materiais de apoio (planificações, gravação de vozes, vídeos de divulgação, desdobráveis. Todo este trabalho foi desenvolvido em estreita colaboração com todos os intervenientes, em especial com a docente de Educação Especial.

O texto foi gravado previamente com vozes diferentes (narrador e diferentes personagens). Foi dada uma especial atenção às características de cada aluno envolvido. Procurou-se que todos participassem, mas dando espaço a que se envolvessem naquilo de que mais gostavam e que mais os motivava. Em trabalho de pesquisa descobriram-se elementos iconográficos do antes e do depois da Revolução (as espingardas, o aerograma, o cravo vermelho…) assim como muito vocabulário específico (censura, denunciante, polícia política, guerra colonial, exílio…).

Procurou-se destacar a qualidade do texto. Desenvolveu-se a leitura reforçando-se um trabalho ao nível da fluência, da entoação e da expressividade. Descobriram-se músicas e cantores de intervenção. Ao mesmo tempo, eram abordados conteúdos das disciplinas de Português, História, Geografia, Cidadania...

A banda musical formada pelos alunos de Musicoterapia fez o acompanhamento ao vivo.

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Na avaliação do projeto foram destacados, como excelentes, os seguintes aspetos: desempenho dos alunos do C.A.A. quer na banda quer na interpretação da personagem do agricultor; desenvolvimento de múltiplas competências; adereços realizados pelos alunos e docentes da equipa do C.A.A.; articulação entre todos, partilha de ideias e de soluções e o bom ambiente que o projeto proporcionou; potencial de inclusão que o projeto promoveu; a mensagem da obra “importância da liberdade e a associação entre liberdade e felicidade” foi transmitida de uma forma eficaz, o que foi visível na atenção e no envolvimento de todo o público; os pais/ee destacaram o gosto especial em virem à escola assistir ao desempenho dos seus educandos e testemunhar a sua felicidade.


Manuela Antunes/Helena Cerejo
Escola Básica de Sobrado
Agrupamento de Escolas de Valongo
Abril de 2024

 

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Qua | 10.07.24

Para aumentar a compreensão da leitura

por Shengnan Ma*

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Uma estratégia de colaboração para aumentar a compreensão da leitura nas aulas de línguas estrangeiras

Semelhante ao método “Jigsaw”[1], “Quote, Quote, Mingle”[2] foi concebido para que os alunos trabalhem em conjunto de modo a descobrirem a ideia principal de um texto.

Há alguns anos, tomei conhecimento de uma estratégia chamada “Quote, Quote, Mingle” através do nosso orientador pedagógico da escola secundária, numa sessão de formação profissional. Esta estratégia ajuda os alunos a adquirirem conhecimentos através de conversas com os colegas com base no que leram. Com quanto mais pessoas os alunos falarem, mais informação obtêm, o que os ajuda a construirem uma imagem mais completa do tópico. (Ainda me lembro do artigo que lemos nesse dia sobre o sexto dígito de um panda - uma extensão óssea rudimentar, semelhante a um polegar).

Esta estratégia pode parecer familiar. Tem muito em comum com o método “jigsaw”, mas enquanto este método implica que grupos de alunos se tornem "especialistas" em diferentes aspetos de um tópico e depois partilhem as suas descobertas com os colegas, o método “Quote, Quote, Mingle” exige que os alunos formulem hipóteses sobre um texto, colocando questões e fazendo inferências sobre o mesmo com base na leitura de uma pequena parte.

Enquanto professores de línguas estrangeiras, tentamos utilizar o maior número possível de textos para alargar a competência de leitura dos nossos alunos. No entanto, ensinar textos informativos com vocabulário de nível 2 e de nível 3 pode ser complicado, o que também faz com que o empenho na aprendizagem diminua inevitavelmente. Assim, nestas circunstâncias, convidei uma das nossas professoras de chinês e as suas turmas a experimentarem esta estratégia, que funcionou bem num contexto de iniciação.

O objetivo de aprendizagem era compreender a ideia principal de um texto informativo do terceiro ano em chinês, que apresentava a história e o impacto das batatas na nossa vida quotidiana. Antes de implementar a estratégia, fizemos também algum trabalho de preparação para tornar todo o processo mais claro para os alunos.

Começar

A professora e eu dividimos o texto informativo em pequenas partes. Por exemplo, segmentámos o texto sobre batatas em seis partes e colocámo-las em cartões de índice. Cada aluno recebeu então um cartão com uma parte do artigo.

Durante a implementação, seguimos estes passos:

  • O professor descreve a atividade aos alunos com as seguintes instruções: "Vamos ler um artigo e vocês têm de encontrar a ideia principal. Vão deslocar-se pela sala de aula com um cartão de índice e trocar informações com três colegas, o que chamamos "mingle". E eu vou cronometrar para vos lembrar que após quatro minutos a sessão termina. Depois, têm de falar com outro grupo de três pessoas e partilhar as “informações” da última sessão."

  • Em seguida, o professor utiliza um temporizador para os alunos se prepararem para a próxima sessão de "mingle" e dá-lhes instruções para falarem com outros colegas. Ambos percorremos a sala de aula durante este tempo para verificar se os alunos precisam de ajuda ou de mais esclarecimentos.

  • Em seguida, o professor dá instruções aos alunos para regressarem aos seus grupos iniciais e partilharem a informação que recolheram nestas sessões de mistura. O professor convida os alunos a identificarem a ideia principal com base na discussão em grupo, e anotam-na numa folha de papel.

  • Os alunos partilham as suas conclusões com toda a turma, e os professores podem comentar as diferenças ou semelhanças. Na etapa final, os alunos leem o texto completo e o professor incentiva-os a encontrar as partes que foram validadas ou contestadas através do debate.

Salientamos que os alunos precisam de discutir a ideia principal com todas as pessoas com quem falam. Consideramos que esta orientação cria uma oportunidade significativa para interagirem com os textos e com os colegas.

 3 lições aprendidas com a utilização do "quote, quote, mingle”

  1. Esta atividade envolve os alunos em conversas significativas. Obriga-os a ler os textos com cuidado e a resumi-los antes de iniciarem uma conversa com os colegas. Precisam de se manter concentrados para se lembrarem das partilhas dos colegas quando trocam informações.

  2. “Quote, Quote, Mingle” incentiva a participação ativa e a colaboração com o movimento do corpo. Temos tendência a pensar que ensinar textos informativos é um desafio e a abordagem mais comum é os professores explicarem as partes difíceis aos alunos através de instrução direta. No entanto, este método diminui a participação ativa dos alunos e a apropriação da sua própria aprendizagem. A utilização de uma abordagem colaborativa na leitura académica ajuda a aliviar a ansiedade dos alunos quando se deparam com tópicos desconhecidos.

  3. Esta estratégia promove a proficiência linguística e a fluência. Ler estes pequenos trechos e resumi-los é uma ótima prática para a compreensão da leitura. Além disso, usar a conversa para trocar informações exige que os alunos afinem as escolhas de palavras e a sua apresentação num ambiente de tempo limitado. Quanto mais falarem com os seus pares, mais oportunidades terão de desenvolver a fluência linguística.

A incorporação de estratégias de colaboração na aprendizagem de línguas faz com que os alunos deixem de ser recetores passivos quando se trata de ler e passem a ser aprendentes ativos. Também incentiva os alunos a pensarem em voz alta quando comunicam com os seus pares, o que também os ajuda a refletirem sobre a sua compreensão do texto.

Notas:

[1] Trata-se de um modelo de aprendizagem cooperativa.

[2] “Quote, quote, mingle” é também um modelo aprendizagem cooperativa; sugere a ideia de que os alunos devem conversar sobre um texto e trocar informação.

📷 imagem criada com https://www.rawpixel.com/ 

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O texto deste artigo foi traduzido e publicado com a autorização da Edutopia:

Ma, S. (2024, 12 de fevereiro). A Collaborative Strategy to Increase Reading Comprehension in World Language Classes. Edutopiahttps://www.edutopia.org/article/collaborative-reading-strategy-world-languages

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*Sobre Shengnan Ma

Shengnan Ma é uma professora licenciada do ensino básico K-6 com um mestrado em ensino de chinês como segunda língua. Tem também experiência no Programa de Bacharelato Internacional para o Ensino Primário, uma mentalidade de investigação e uma paixão pela integração da tecnologia no ensino e na aprendizagem. Shengnan utiliza frequentemente a tecnologia no processo de ensino, o que permite que os alunos criem e interajam com conteúdos digitais para potenciar a sua criatividade e inovação. Atualmente, trabalha como formadora de professores de chinês em Pequim.

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Este trabalho está licenciado sob licença: CC BY-NC-SA 4.0

Seg | 08.07.24

Configurar um programa de 'media' criado por alunos na sua escola

Por Darcy Bakkegard*

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Os alunos do ensino secundário têm a ganhar se aprenderem a criar diferentes media de uma forma responsável.

Dada a sua natureza omnipresente, os media desempenham um papel fundamental na educação quotidiana dos alunos. O consumo de media por parte dos adolescentes tem sido associado ao declínio da saúde mental, o que nos obriga a capacitar os alunos como consumidores críticos de media.

Jeremy Murphy, professor de multimédia na San Jacinto High School, em San Jacinto, Califórnia, observa: "Os alunos estão constantemente expostos a mensagens dos media em todas as plataformas, pelo que a compreensão das decisões, dos processos e das orientações éticas para o desenvolvimento eficaz dos media pode torná-los consumidores mais perspicazes dos mesmos".

Além disso, vamos capacitá-los para criarem media significativos e relevantes que contem as suas histórias de forma positiva. Para além da utilização dos media como textos ou da inclusão de tarefas de criação de media, as salas de aula e as escolas podem adotar programas de media dirigidos pelos alunos. Ao fazê-lo, os alunos adquirem competências profissionais e reais para o seu futuro, ao mesmo tempo que desenvolvem competências de pensamento crítico e de resiliência em relação aos media.

Porquê os media liderados por alunos

David Gamberg, ex-diretor das escolas de Southold e Greenport, em Nova Iorque, afirma que, embora a transmissão televisiva pelos estudantes dê certamente voz aos alunos no seu liceu, faz "muito mais no que respeita à narração de histórias, à cidadania digital e até ao envolvimento cívico de qualquer comunidade escolar".

As competências autênticas que os cursos de media desenvolvem não podem ser replicadas noutras aulas, em parte porque os media se destinam a ser partilhados. E quando os alunos sabem que o seu trabalho vai ser partilhado como parte dos objetivos do curso, o público autêntico dá mais relevância ao projeto: Pessoas reais - não apenas um professor - vão ver isto. Tem de ser bom. Murphy explica que "por definição, os cursos de media exigem que os alunos criem produtos para consumo público. Não se trata apenas de trabalhos que só serão vistos pelo professor, mas de produtos criativos que serão disponibilizados para visualização pública. A publicação dos produtos de media dos alunos exige que estes abordem os seus projetos de forma responsável e considerem o seu público durante o processo de criação."

Gamberg e Murphy observam que os media dirigidos pelos alunos encorajam a colaboração com a escola e a comunidade local, contando as histórias de alunos, clubes e outras organizações escolares. Murphy desenvolveu este ponto, referindo que as equipas de media estudantis podem também "transmitir em direto eventos desportivos e atividades escolares, praticando todas as competências necessárias para a cobertura de eventos em direto" e permitindo a participação de pessoas da comunidade que não podem assistir fisicamente aos eventos.

Como começar

Enquanto a criação de um curso de media costumava ser uma viagem em direção a câmaras caras e formação de elite, existem hoje muitos recursos para ajudar quase qualquer pessoa a lançar um curso ou unidade curricular no domínio dos media. Com apenas um telemóvel, pode ajudar os alunos a contarem as suas histórias e a ligarem-se a conteúdos relevantes e significativos.

Murphy, um veterano do ensino dos media que lançou vários programas de media liderados por estudantes, explica que, mais do que dinheiro, é necessário "um grupo de alunos que estejam empenhados em iniciar um programa de nível profissional. Com um grupo de alunos dedicado, é possível criar um programa de media eficaz com poucos custos iniciais". Muitos estudantes têm dispositivos com vídeo e áudio de alta qualidade, permitindo a qualquer pessoa captar imagens, áudio e vídeo.

As organizações de media locais e nacionais fornecem orientações e apoio para ajudar qualquer professor - mesmo aqueles com pouca ou nenhuma experiência - a apoiar os media dos alunos. O Student Reporting Labs da PBS apresenta o Storymaker, repleto de instruções, planos de aulas e conselhos para iniciar um programa de media. Estas ferramentas permitem que qualquer professor integre no seu currículo uma aprendizagem baseada em projetos centrada nos media ou crie um curso completo de media a partir do zero, independentemente do seu nível de especialização pessoal.

Aproveite os sites da escola existentes e as contas de redes sociais para partilhar o conteúdo criado pelos alunos. Sites gratuitos como o Adobe Creative Cloud, YouTube e Weebly também permitem que os grupos publiquem os seus media e os partilhem com a sua comunidade.

Embora os alunos sejam nativos digitais, podem ser ingénuos em relação à cidadania digital. "O passo mais importante é ajudá-los a navegar pelas diretrizes éticas e responsabilidades legais do desenvolvimento dos media", diz Murphy. "Assim que tiverem uma boa compreensão da missão do seu grupo de media, os alunos podem começar a contar as histórias fantásticas que se passam na sua escola e a partilhar essas histórias com a comunidade."

Tarefas autênticas, feedback autêntico

A relevância da produção de media é igualada pela autenticidade do feedback que os alunos recebem sobre o seu trabalho. "Uma vez que os produtos dos alunos são disponibilizados para consumo público", diz Murphy, "normalmente recebem feedback sobre alguns dos seus projetos durante o ano letivo. O feedback positivo é guardado e partilhado com todo o grupo para ajudar a reforçar a validade do seu programa de media estudantil."

Uma vez que um dos objetivos dos programas de media para alunos é criar um envolvimento autêntico, as críticas e o feedback positivo ou negativo proporcionam oportunidades reais para refletir sobre o trabalho: O elogio ou a crítica são justificados? Porquê ou porque não? A crítica ou o elogio é específico? O feedback fornece mudanças acionáveis ou crescimento que podemos incorporar no futuro? O que é que faz com que a peça ressoe (ou não) junto do público? Em geral, que tipo de feedback estamos a receber? Quais são as peças que recebem mais comentários? A maior positividade? As mais negativas? Porquê?

As organizações de media também oferecem oportunidades para os estudantes competirem por reconhecimento e tempo de antena. O Student Reporting Labs transmite os trabalhos dos estudantes no PBS NewsHour; a NPR organiza um desafio anual de podcasting; e numerosos concursos locais e regionais de radiodifusão estudantil ajudam a homenagear e a celebrar os criadores de media estudantis.

Os Broadcast Awards for Senior High (BASH) reúnem as candidaturas dos estudantes a programas noticiosos e fornecem feedback de especialistas em media. Organizado pela Universidade de Hofstra, o BASH não só celebra o trabalho dos estudantes em várias categorias, como também oferece formação e apoio aos educadores. Para aqueles que não têm um curso de radiodifusão, o Student Television Network Challenge envolve os estudantes num desafio de uma semana para produzir conteúdos.[i]

Algumas conclusões

Ler e criar media são competências fundamentais para a vida que ajudam os alunos a pensarem e a analisarem a informação de forma crítica. Murphy tem visto o poder dos media nos seus alunos: "Ao longo do seu envolvimento num programa de media estudantil, os alunos aprendem o valor de contar histórias, de fazer reportagens precisas, de transmitir mensagens claras e de envolver o público."

O ex-diretor Gamberg concorda: "Os programas de media são oportunidades maravilhosas para dar aos alunos a possibilidade de aprenderem de forma prática, real e autêntica. É consequente. É impactante. Dá-lhes a oportunidade de fazer algo que é significativo para eles".

Os alunos estão inundados de media e a IA promete tornar o panorama dos media mais difícil de percorrer. Podemos deixar os alunos à deriva e à mercê de si próprios, ou podemos dotá-los de competências e ensiná-los a ler e a criar media. Podemos dar-lhes as competências necessárias para conseguirem compreender e discriminar os media e proporcionar-lhes saídas positivas para se ligarem à sua comunidade. Podemos honrar as suas histórias e elevar as suas vozes. Dada a riqueza de recursos gratuitos e sistemas de apoio disponíveis para todos os educadores, o momento de mergulhar e fazer com que a criação de media aconteça é agora.

Nota de tradução

[i] Em Portugal, chamamos a atenção para o excelente programa PÚBLICO na escola, uma louvável iniciativa gratuita e aberta a todas as escolas do país, que disponibiliza recursos, concursos de jornalismo, visitas às redações, workshops… e que vale bem a pena ter em conta ao pensar um projeto de jornalismo na escola. É de lembrar que o programa lançou no presente ano letivo a plataforma TRUE, uma ferramenta de criação de jornais escolares digitais, fácil de utilizar e gratuita, para alunos e professores dos ensinos básicos e secundário.

Existe também disponível o Jornalissimo.com, um site de informação destinado a jovens a partir dos 12 anos de idade, com notícias sobre ambiente e animais, ciência e tecnologia, artes, desporto e política.

📷 imagem criada com https://www.rawpixel.com/ 

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O texto deste artigo foi traduzido e publicado com a autorização da Edutopia:

Bakkegard, D. (2024, 18 de abril). Setting Up a Student Media Program in Your School. Edutopiahttps://www.edutopia.org/article/setting-high-school-student-media-program/

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*Sobre Darcy Bakkegard

Darcy Bakkegard é uma professora de inglês/teatro e formadora que se fartou do desenvolvimento profissional tradicional passivo e agora cria o tipo de desenvolvimento profissional que sempre quis com o Laboratório de Educadores. Com 10 anos de experiência no ensino de inglês e teatro, Bakkegard é especialista em estratégias interativas para a sala de aula, integração tecnológica significativa e construção de relações com os alunos. Bakkegard é uma educadora certificada pela ISTE, uma apresentadora internacional experiente e formadora de professores. Co-escreveu o livro The Startup Teacher Playbook para ajudar os professores a reacender a sua chama pelo ensino e a tornar o desenvolvimento profissional relevante. 

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Sex | 05.07.24

Abracadabra – Um livro na tua mão

De mãos dadas com os ODS. Um exemplo de articulação BM/BE

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O projeto Abracadabra um livro na tua mão, da responsabilidade da Biblioteca Municipal de Alenquer (BMA) em articulação com as bibliotecas escolares do concelho e dos seus professores bibliotecários, assenta na criação de caixas com livros, que circulam trimestralmente, de forma a apoiar os jardins-de-infância e escolas básicas.

Dado o isolamento de muitas famílias e as dificuldades sociais e económicas dum meio ainda muito rural, este projeto pretende colmatar lacunas ao nível da promoção do livro e das literacias, incentivando a leitura lúdica e o acesso ao conhecimento, levando uma maior diversidade de livros aos pequenos leitores, complementando o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelas bibliotecas escolares.

Sendo um projeto de continuidade, iniciado em setembro de 2020, tem uma temática definida anualmente. No presente ano letivo, o tema escolhido foi De mãos dadas com os ODS. Cada caixa é única, constituída por uma diversidade de obras, cujas temáticas cruzam os propósitos da agenda 20|30. O usufruto das obras pelos pequenos leitores acontece em contexto de sala de aula e/ou em família, de acordo com o critério do docente responsável pelo grupo.

Desta forma, a equipa das Bibliotecas Escolares do Agrupamento de Escolas Visconde de Chanceleiros dá continuidade à divulgação do propósito desta agenda, suscitando nos mais novos um espírito de missão que visa apoiar a sustentabilidade do planeta.

Desde o início do projeto, a equipa de biblioteca deste agrupamento acompanha a distribuição das caixas com atividades de promoção da leitura estruturadas de acordo com o tema anual e que podem ser visualizadas na página institucional.

Neste agrupamento, esta articulação surge com maior evidência na medida em que todos os estabelecimentos de ensino do pré-escolar e do primeiro ciclo aderiram ao projeto. No final do ano letivo, as salas abrangidas colaboram ativamente na realização de trabalhos artísticos, relacionados com as obras exploradas que dão origem a uma exposição anual promovida na BMA. Testemunha-se uma estreita e consolidada articulação entre biblioteca municipal e bibliotecas escolares, fruto dum trabalho criteriosamente projetado em rede.

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São objetivos deste projeto: apoiar os estabelecimentos de ensino e as famílias no domínio das literacias; promover o livro enquanto ferramenta para a construção do saber; facultar acesso à componente lúdica; promover a Biblioteca Municipal de Alenquer e os serviços que presta à comunidade; reforçar e consolidar os hábitos de leitura; aproximar as crianças ao objeto livro; combater o insucesso escolar; facultar a possibilidade de ler por prazer; fomentar a articulação entre BM e BE; apoiar os docentes na sua prática pedagógica.

Este projeto insere-se também na visão do Município de Alenquer enquanto Município Educador.

Para implementação do projeto são necessários os seguintes meios:

  • - humanos: equipa da biblioteca municipal e das bibliotecas escolares; um motorista afeto ao serviço de transportes do município;
  • - financeiros: aquisição de caixas de madeira, sacos de pano e reforço do acervo documental; materiais de desgaste facultados pelas direções de agrupamento de escolas.

Assente no fornecimento de caixas de livros para as crianças esta é, igualmente, uma forma de chegar aos adultos, quer a docentes, quer a encarregados de educação, que (re)descobrem a biblioteca municipal e que passam a utilizar os serviços que esta presta à comunidade, simultaneamente valorizando o trabalho desenvolvido pelas bibliotecas escolares.

Saiba mais:

Eugénia Maria Baltazar (Técnica Superior/Coordenadora da BM de Alenquer)
Sandra Rebelo Marques (Professora Bibliotecária AE Visconde de Chanceleiros)

📷Crédito da imagem de capa do artigo: Gualdim G, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons. A imagem foi adaptada, acrescentando-se a imagem da rubrica deste blogue Trabalhamos juntos. É republicada sob licença CC BY-SA 4.0.

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Este trabalho está licenciado sob licença: CC BY-NC-SA 4.0

Qui | 04.07.24

O dia em que chover para sempre

por Otelinda Rodrigues Vieira, Pseudónimo

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Falar da importância da leitura é como falar da importância da chuva, todos sabem quão importante ela é. Todos a desejam, sobretudo quando escasseia e ninguém sabe como obtê-la na justa medida e de modo a satisfazer todos.

A falta de chuva deixa os terrenos improdutivos, um mundo sem leitura é terreno seco estéril onde não há lugar para a reflexão nem para a cidadania participada. Onde não há lugar para o sucesso escolar, o desenvolvimento pessoal nem para o conhecimento. Assim todos pedimos chuva. Mas como se faz para chover? Todos queremos leitores. Mas como se faz um leitor?

Surgem as bibliotecas. Oásis na desértica aridez da falta de leitura?

As primeiras bibliotecas surgem naquela avidez e avareza humana de guardar bens preciosos longe dos olhares e da cobiça alheia e, transformam-se em armazéns de tesouros que não se deixa ninguém tocar, como água pura em reservatório, guardado por exército forte e bem guarnecido de regras inescrutáveis ao comum dos mortais.

As grandes bibliotecas mantiveram-se largos anos baús de tesouros que todos sabiam importantes, mas ninguém ousava tocar. Água estancada, apodrecia de não ser remexida e acabava não servindo ninguém.

Um dia, surgiram as escolas e com elas um mínimo de necessidade de haver livros para alguém estudar, para se decorarem lições de pátria e família para mostrar o que papaguear, erudição postiça de não saber nada da vida, erudição de clichés e ordens cegas dadas a cumprir.

Quando as bibliotecas escolares nascem, seguem os preceitos das ancestrais e fazem-se de armários altos, portas de rede ou de vidro, com fechaduras e cadeados.

E, num novo “25 de abril”, alguém disse – a água estagnada apodrece, vamos abrir as portas aos livros!

Este ‘Gutenberg’ que atirou a pedra no charco tirou o exército das portas da biblioteca e pôs flores e cadeiras confortáveis e sorrisos a receber todos os que quisessem ler tudo o que já tinha sido escrito e escrever o que ainda há de vir. Guardamos a água no cântaro, na garrafa, mas regamos as plantas ou bebemo-la dentro do prazo.

Juntámos os livros nas bibliotecas, mas damo-los a ler rapidamente, irrigamos as mentes e ajudamos a brotar conhecimento. Fazemos com que os livros cheguem a muitos e esses muitos venham cada vez mais às bibliotecas, a todas as bibliotecas e se sintam bem e queiram voltar.

Como fazer chover? Respeitar a natureza e os ciclos da vida ajuda. Deixar a água aberta para o Sol a fazer subir aos céus também.

Como fazer leitores? Deixar os livros em campo aberto, à mão de semear, e respeitar os gostos e ritmos de cada um ajuda.

Mais do que isto, também não sei.

Posso procurar num livro.

Otelinda Rodrigues Vieira
Pseudónimo

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Qua | 03.07.24

Renovação da biblioteca: ambiente inovador e acolhedor

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Renovação da Biblioteca Escolar da E.B. de Paredes de Coura proporciona ambiente inovador e acolhedor para os alunos

A biblioteca escolar da EB de Paredes de Coura nasceu em 2007 feita de paredes muito coloridas e vibrantes, mas passados 15 anos, uma resposta de qualidade à missão da biblioteca definida nas diretrizes do Programa da RBE tornou-se um desafio.

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Neste contexto, fruto do excelente trabalho colaborativo entre autarquia, diretora do agrupamento, professora bibliotecária e Rede de Bibliotecas Escolares, foi pensada a renovação desta biblioteca escolar de modo a flexibilizar o espaço, alinhando-o com o paradigma de trabalho da escola do século XXI e em que se procurou o aproveitamento eficaz de toda a área, transformando-a num espaço multifuncional onde coexistem as diversas áreas funcionais, potenciando a criação de novos ambientes de aprendizagem através da utilização dos media e do digital, rentabilizando os recursos já existentes.

Entre julho e agosto 2023 as obras foram realizadas e permitiram que: 

 >  a parede de compartimentação existente na biblioteca, que criava duas zonas distintas, mas ligadas por uma porta, fosse parcialmente eliminada para permitir que as diferentes áreas funcionais fossem mais fluidas e reconfiguradas à medida das diversas solicitações, passando todo o espaço a estar visível para a assistente da biblioteca;

 >  as estantes periféricas da área de leitura e da parede de compartimentação fossem eliminadas;

 >  as tomadas de chão muito danificadas fossem desativadas e substituídas por uma calha técnica na periferia das paredes para aumentar e flexibilizar a colocação de pontos de tomada (energia e dados);

 >  o pavimento fosse renovado;

 >  as paredes fossem pintadas.

O financiamento da candidatura Recriar/2023 da RBE permitiu combinar as obras de  remodelação com a aquisição de mobiliário adaptado aos utilizadores mais jovens, facilitando a criação de um ambiente estimulante e confortável.

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Quando, as cerca de 290 crianças do pré-escolar e 1º ciclo e 25 professores e educadores de infância chegaram à escola em setembro de 2023, encontraram uma nova biblioteca que melhorou a qualidade do espaço físico, tornando-o mais inclusivo, seguro, acolhedor e pronto para responder às múltiplas vertentes da ação da biblioteca.

A biblioteca escolar melhorou claramente não só  as condições de trabalho dos alunos em grupo/turma com o professor titular ou professora bibliotecária, mas também em termos de espaços de leitura individual /informal com puffs, bem como da disponibilização e salvaguarda da coleção.

O desafio seguinte para a professora bibliotecária foi trabalhar com os docentes o desenvolvimento de experiências pedagógicas inovadoras, de modo a que os mais novos estimulem a curiosidade, a descoberta e desenvolvam as multi-competências.

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Esta biblioteca escolar renovada, que conta com uma assistente de biblioteca a tempo inteiro e uma professora bibliotecária que divide o seu tempo com a biblioteca escolar da escola sede, melhorou significativamente a sua resposta semanal aos seus utilizadores. Efetivamente, neste ano letivo, as turmas e grupos do pré-escolar passaram a ter no seu horário da turma de um tempo semanal para trabalho na biblioteca, para além da hora já regularmente prevista para o serviço de requisição de livros para leitura domiciliária.

Este ano, muitas das visitas à biblioteca nesta hora semanal foram usadas para os trabalhos relacionados com Abril e para as leituras orientadas em torno da liberdade: Ler Abril.  O Clube de Leitores, com uma  regularidade semanal, é dinamizado pela professora bibliotecária e tem envolvido os mais novos em muitas leituras e experiências em tornos dos livros.

A Biblioteca escolar também tem apoiado de forma muito consistente as dinâmicas curriculares decorrentes da realização da “Semana sem manuais escolares”, que acontecem uma vez por período, no âmbito do desenvolvimento do PADDE.

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Após um ano letivo com alunos e professores a usarem a biblioteca renovada, a avaliação feita pelos seus utilizadores mais novos  foi unânime.

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Ter | 02.07.24

Rede de Bibliotecas de Santarém: formalização

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No dia 21 de junho teve lugar, no edifício dos Paços do Concelho, a assinatura do protocolo da Rede de Bibliotecas de Santarém, celebrado entre o Município de Santarém e os quatro Agrupamentos de Escolas do concelho.

O protocolo foi assinado pelo presidente da Câmara, Ricardo Gonçalves, e pelas diretoras dos agrupamentos de Escolas: AE D. Afonso Henriques, Helena Vieira; AE Alexandre Herculano, Margarida da Franga; AE Sá da Bandeira, Adélia Esteves e AE Dr. Ginestal Machado, Carla Nunes, devido à ausência do diretor, António Pina.

Pretende-se, assim, dar resposta a um conjunto de preocupações sobre os jovens da sociedade atual e o seu futuro, perante os quais a Escola tem que enfrentar novos desafios que ajudem a desenvolver nos alunos competências que lhes permitam tornarem-se cidadãos autónomos. Neste sentido, a Escola foi obrigada a enfrentar mudanças que estão a conduzir necessariamente a alterações ao nível das suas práticas, nomeadamente no papel que é atribuído às bibliotecas escolares. E, desde há muito tempo, que o Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares procura que a biblioteca escolar seja um espaço agregador de conhecimentos e recursos diversificados, consciente de que, na atual sociedade do conhecimento, em que cada vez mais se valoriza o trabalho em rede, necessitamos de parceiros para estarmos implicados na mudança das práticas educativas, no suporte às aprendizagens, no apoio ao currículo, no desenvolvimento da literacia digital, da informação e dos media, bem como na formação de leitores críticos e na construção da cidadania.

Seguindo esta linha de pensamento, a Rede de Bibliotecas de Santarém (RBS), que já existia de forma informal, vindo a desenvolver um trabalho em Rede com a preocupação de responder a uma ordem particular de preocupações relacionadas, não apenas com a organização e gestão das bibliotecas, mas também com os níveis de leitura e literacia, deu um passo em frente, formalizando essa existência.

Estar atento ao presente para melhor preparar o futuro é e deverá ser sempre uma preocupação das instituições em geral e, neste caso em particular, das que dizem respeito às bibliotecas. Mãos à obra e que a operacionalização deste protocolo seja um exemplo e se mantenha atualizado perante os constantes desafios de uma sociedade moderna em constante atualização.

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Seg | 01.07.24

Livros com ciência

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A atividade Livros com Ciência inseriu-se no Plano Anual de Atividades 2023-2024 das Bibliotecas Escolares do 1.º ciclo do Agrupamento de Escolas da Póvoa de Santa Iria, concelho de Vila Franca de Xira, como uma proposta inovadora que visou despertar a curiosidade científica nos alunos do 3.º e 4.º anos.

Este projeto, dinamizado pelos professores bibliotecários em estreita articulação com a professora de Ciências Naturais da Escola Básica e Secundária D. Martinho Vaz de Castelo Branco (escola sede), decorreu de uma parceria com o Clube de Ciência Viva - “Ciência Todo o Vapor!”. Neste âmbito, a professora de Ciências Naturais deslocou-se, durante este ano letivo, a todas as escolas do 1.º ciclo deste agrupamento de escolas, envolvendo as 18 turmas (9 turmas do 3.º ano e 9 turmas de 4.º ano) das 5 escolas/bibliotecas escolares do 1.º ciclo (abrangendo um total de 388 alunos).

A ideia central da atividade foi utilizar a literatura infantil, especificamente o livro "Aida Batista, Cientista" de Andrea Beaty e David Roberts, como ponto de partida para explorar conceitos científicos. A história de Aida Batista serve, assim, de inspiração para que os alunos descubram as "histórias escondidas" na natureza, promovendo a observação e a investigação científica desde cedo. Esta abordagem permite que as crianças compreendam que a ciência está presente em tudo ao seu redor e que elas mesmas podem ser cientistas ao questionar, observar e explorar o mundo natural.

Descrição da atividade:

A partir da leitura do livro "Aida Batista, Cientista" de Andrea Beaty e David Roberts é feita a ponte para o despertar da curiosidade científica dos alunos que, tal como a “Aida”, são convidados a descobrir histórias “escondidas” na natureza: que histórias nos contam as plantas? Os fósseis? As rochas?

A atividade decorreu em três etapas:

📍 1.ª etapa- Leitura do livro "Aida Batista Cientista" pelo professor bibliotecário e por alunos que se voluntariaram para ler alguns excertos (os excertos foram deixados aleatoriamente sobre o tampo de algumas cadeiras);

📍 2.ª etapa- Exploração do livro fazendo referência às etapas de uma metodologia científica, uma vez que a Aida começa por observar o que a rodeia, depois passa a colocar questões, a levantar hipóteses… Foram, ainda, abordadas questões tais como o que é ser cientista, quais as características de um cientista, que histórias a própria natureza nos conta através da “leitura” dos seus elementos;

📍 3.ª etapa- Os alunos foram divididos em 3 grupos, circulando rotativamente por 3 postos de trabalho: posto 1 com rochas para observar; posto 2 para observar a areia da praia, a areia do rio e a areia do deserto com uma lupa binocular e posto 3 com livros para explorar relativos à área temática das ciências. Estes livros saíram da prateleira e estão dispostos em cima da mesa mesmo a jeito de se lhes pegar!

No contexto atual da educação, há uma crescente necessidade de integrar a ciência de forma mais dinâmica e acessível no currículo escolar, especialmente nos primeiros anos de ensino. Como tal, considerou-se que este tipo de atividades são essenciais para preencher esta lacuna, oferecendo aos alunos uma oportunidade de aprender ciência de maneira prática e envolvente, uma vez que a utilização deste género de livros, que aliam narrativa à ciência, não só cativa a atenção dos alunos através de uma narrativa atraente, mas também facilita a compreensão de conceitos científicos complexos de uma maneira mais simplificada e relacionada com o seu dia-a-dia.

Além disso, esta atividade apresenta-se como uma resposta à necessidade de promover o pensamento crítico e a capacidade de resolução de problemas entre os alunos, competências essenciais no século XXI. Ao trabalhar em grupos e circular por diferentes postos de trabalho que incluem a observação de rochas, areias e a exploração de livros temáticos, os alunos são incentivados a colaborar, comunicar e refletir sobre as suas observações e descobertas. Estas competências são fundamentais não só para a sua formação académica, mas também para o seu desenvolvimento pessoal e social.

Tendo em conta o sucesso da atividade junto de alunos e professores, poderemos considerar que a atividade Livros com Ciência foi, para além de uma atividade lúdica, uma estratégia pedagógica bem estruturada que contribuiu significativamente para o desenvolvimento integral dos alunos.

Este projeto destacou-se pela sua capacidade de transformar a curiosidade natural das crianças em conhecimento científico, promovendo uma aprendizagem ativa e participativa.

Nota: a série inspirada no livro está disponível na Netflix.

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