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Blogue RBE

Ter | 23.04.24

Dia Mundial do Livro

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“Quanto a mim, muito me agrada a ideia de tratar o hábito da leitura de livros como um dever moral e fraterno, face ao próximo”

Olga Tokarczuk, Viagens

“Há livros pelos quais deslizamos ao de leve, esquecendo-nos das páginas, à medida que as vamos passando; há outros que lemos com reverência, sem nos atrevermos a concordar com eles ou a discordar deles; outros, ainda, que, porque os amámos tanto e durante tanto tempo, somos capazes de recitar palavra a palavra, dado que os sabemos de cor – sabemo-los com o coração.”

Alberto Manguel, Um Diário de Leituras

Na 28.ª Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em 1995, foi proclamado que o dia 23 de abril seria o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor.

A UNESCO instituiu o Dia Mundial do Livro em 1995. A data foi escolhida por ser um dia importante para a literatura mundial, uma vez que foi a 23 de abril de 1616 que Miguel Cervantes faleceu, no mesmo dia de 1899, nasceu Vladimir Nabokov e é neste dia que é celebrado o nascimento de William Shakespeare, que também se acredita ser a data do seu falecimento.

A diretora-geral Audrey Azoulay, da UNESCO, anunciou a nomeação de Estrasburgo, França, como Capital Mundial do Livro em 2024, sucedendo assim à capital de Gana, Acra (2023), e à mexicana Guadalajara (2022), afirmando que "em tempos de incerteza", os livros funcionam como "refúgio e fonte de sonhos".

No ano em que se assinalam os 500 anos do nascimento de Camões, a Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas homenageia o poeta através do seu cartaz comemorativo do Dia Mundial do Livro 2024.

Celebrar este dia é incentivar a promoção do livro e da leitura, difundir a importância da literatura como um pilar essencial na edução e na cultura dos povos.  

Neste dia visite livrarias, bibliotecas escolares e municipais, partilhe leituras, ofereça livros, divulgue os livros de que mais gosta e comece a ler um novo livro.

Para celebrar o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor deixamos-lhe algumas sugestões:

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A biblioteca de Manguel é privada, intimista e humanista. Um espaço povoado por “criaturas espantosas”, de “silêncio mediativo”, de solidão e de múltiplas palavras que são “o guia que nos indica o que é a traição e o que é a verdade”, de leituras apaixonadas e oníricas. Homero, Calímaco, Platão, Dante, Shakespeare, Kafka, Gabriel Garcia Marques, Borges e muitos outros continuam vivos nas estantes da biblioteca. Como num jardim, esta é um lugar de achados e encontros, de amores e desamores, um mundo colorido e habitado por fantasia e realidade, pelo caos e pela ordem, pelo devir e pela transformação na busca incessante da identidade. Assim compreendemos melhor Manguel quando nos confessa que “a minha biblioteca explicava quem eu era, me conferia um eu sempre em mudança, que se transformava constantemente ao longo dos anos “.

Ao embalar os 35 mil livros, o bibliógrafo argentino reflete sobre a sua relação com os escritores, a literatura e os livros. Destes momentos chegam até nós dez divagações, por onde passam bibliotecas públicas, escolares, virtuais ou as “dez bibliotecas famosas”, acontecimentos históricos catastróficos, memórias ou simplesmente pequenas anotações ou lembretes, inscritas na biblioteca ou na margem de um livro tais como “Lemos para fazer perguntas” ou “Não emprestes nem peças emprestadas “.

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Depois, o lenhador corta a árvore e leva-a para a fábrica, onde é cozinhada a pasta de papel. Mas quem inventou o papel? De onde veio? Do Egipto ao Japão, do Norte de África à Europa, nesta aventura damos a volta ao mundo e percorremos milhares e milhares de anos. Segredo durante muito tempo guardado a sete chaves, o papel é hoje usado em cadernos, jornais, notas, sacos... e neste livro! Um álbum minimalista e divertido para os mais pequenos descobrirem os segredos de uma folha de papel.

Selecionado prémio BIG 2023 | Bienal de Ilustração de Guimarães “

 

 

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“Este é um livro sobre a história dos livros. Uma narrativa desse artefacto fascinante que inventámos para que as palavras pudessem viajar no tempo e no espaço. É o relato do seu nascimento, da sua evolução e das suas muitas formas ao longo de mais de 30 séculos: livros de fumo, de pedra, de argila, de papiro, de seda, de pele, de árvore, de plástico e, agora, de plástico e luz.

É também um livro de viagens, com escalas nos campos de batalha de Alexandre, o Grande, na Villa dos Papiros horas antes da erupção do Vesúvio, nos palácios de Cleópatra, na cena do homicídio de Hipátia, nas primeiras livrarias conhecidas, nas celas dos escribas, nas fogueiras onde arderam os livros proibidos, nos gulag, na biblioteca de Sarajevo e num labirinto subterrâneo em Oxford no ano 2000.

Este livro é também uma história íntima entrelaçada com evocações literárias, experiências pessoais e histórias antigas que nunca perdem a relevância: Heródoto e os factos alternativos, Aristófanes e os processos judiciais contra humoristas, Tito Lívio e o fenómeno dos fãs, Sulpícia e a voz literária de mulheres.

Mas acima de tudo, é uma entusiasmante aventura coletiva, protagonizada por milhares de personagens que, ao longo do tempo, tornaram o livro possível e o ajudaram a transformar-se e evoluir – contadores de histórias, escribas, ilustradores e iluminadores, tradutores, alfarrabistas, professores, sábios, espiões, freiras e monjes, rebeldes, escravos e aventureiros.

É com fluência, curiosidade e um permanente sentido de assombro que Irene Vallejo relata as peripécias deste objeto inverosímil que mantém vivas as nossas ideias, descobertas e sonhos. E, ao fazê-lo, conta também a nossa história de leitores ávidos, de todo o mundo, que mantemos o livro vivo.”

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“Na biblioteca do faraó Ramsés II estava escrito por cima da porta de entrada: «Casa para terapia da alma». É o mais antigo mote bibliotecário. De facto, os livros completam-nos e oferecem-nos múltiplas vidas. São seres pacientes e generosos. Imóveis nas suas prateleiras, com uma espantosa resignação, podem esperar décadas ou séculos por um leitor.

Somos histórias, e os livros são uma das nossas vozes possíveis (um leitor é, mal abre um livro, um autor: ler é uma maneira de nos escrevermos).

Nesta deliciosa colheita de relatos históricos e curiosidades literárias, de reflexões e memórias pessoais, Afonso Cruz dialoga com várias obras, outros tantos escritores e todos os leitores.

Este é, evidentemente, um livro para quem tem o vício dos livros.”

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“O Henrique adorava livros. Mas não exatamente como nós adoramos livros…Um dia, assim por acaso, o Henrique descobre esta estranha paixão, que se transforma numa mania constante e deliciosa! E eis a parte melhor: quanto mais livros devora, mais esperto fica. O Henrique sonha tornar-se a pessoa mais esperta do mundo. Até que um dia as coisas começam a correr mal… “

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“«- Romano, quero abrir uma livraria na minha aldeia.

 - Quantos habitantes tem?

- 170.

- Então, 170 000 a dividir por…

- Não são 170 000, são 170.

- És louca.»

Um crowdfounding em 2019 permitiu à poeta Alba Donati deixar o seu trabalho numa das maiores editoras italianas e trocar Florença pela sua aldeia natal, Lucignana. Um incêndio e uma pandemia não foram suficientes para enterrar o sonho; pelo contrário, uma vez inaugurada esta pequena cabana nas montanhas, repleta de delícias literárias (incluindo meias e chás!), os amantes da leitura, de todos os tipos e proveniências, juntaram-se para a manter viva – e próspera! Visitada por escolas, turistas, peregrinos, destino de um festival literário e dos mais diversos eventos, a livraria na colina, um pequeno espaço cheio de grandes sonhos, tornou-se um destino global para leitores ávidos, curiosos… e até principiantes. “

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“Uma menina atravessa um mar de palavras para chegar a casa de um menino. Ela convida-o para acompanhá-la numa aventura pelo mundo das histórias onde, com um pouco de imaginação, tudo pode acontecer.

A Menina dos Livros é uma história com fantásticas ilustrações, vencedora do prestigiado prémio Bologna Ragazzi de 2017.”

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“Há livros capazes de mudar uma vida para sempre…Imagem1.png

Mukesh leva uma vida pacata num subúrbio de Londres e tenta manter as rotinas estabelecidas pela sua mulher, Naina, que faleceu recentemente. Vai às compras todas as quartas-feiras, frequenta o templo hindu e tenta convencer as três filhas de que é perfeitamente capaz de organizar a sua vida sozinho.

Aleisha é uma adolescente que trabalha na biblioteca local durante o verão e que, curiosamente, não gosta de ler. Até que encontra um papel amachucado dentro de um exemplar de Mataram a Cotovia com uma lista de livros dos quais nunca ouvira falar. Intrigada, e um pouco entediada com o seu trabalho, decide começar a ler os livros aí sugeridos.

Quando Mukesh vai à biblioteca para devolver um dos livros de Naina e pedir outras sugestões de leitura, numa tentativa de criar laços com a neta, Aleisha recomenda-lhe os títulos da lista. É assim que, livro a livro, vão descobrindo a magia da leitura e encontrando novos significados para as suas vidas. E é através destas leituras partilhadas que Aleisha e Mukesh encontram a força necessária para lidar com os desgostos e problemas do dia a dia e reencontram a alegria de viver. Uma história sobre amizade, amor e o poder que os livros têm de mudar a vida de quem os lê. “

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“Isto é um Livro. Faz o que ele te diz e vê o que acontece.

Um livro recomendado para a educação pré-escolar, destinado a leitura em voz alta.

É um jogo, é magia…é um livro! Basta fazer o que ele te pede e as coisas vão acontecendo na página seguinte. Altamente interativo, este livro pede a participação das crianças… e elas adoram!

Ao virar de cada página somos levados numa viagem que promove outras aprendizagens, como as cores, o contar, distinguir o lado esquerdo do direito, estimula a atenção e a criatividade e ainda ajuda no desenvolvimento de capacidades psicomotoras."

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“Muito da imagem associada às livrarias, aos livreiros e aos livros é tão romanesco como o que vai dentro deles. Existem, sim, o lado iniciático, o cenário algo apocalíptico e o papel do livreiro como guardião da cultura e de preciosidades esquecidas. Todavia, apesar desta retórica da resistência, há fenómenos recentes estimulantes, como a venda na internet ou as aldeias de livreiros, e ainda existem livrarias que respiram à vontade. Este é um livro sobre a história e a vida dos livreiros e das livrarias que terá certamente algumas historietas rocambolescas, mas que se guia pelo olhar da normalidade. Fala da diversidade da oferta atual, de bibliófilos, bibliotecas, leilões e livrarias independentes. Fala de esperança, porque enquanto houver livros, haverá muito mais do que leitores.”

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«Dei-me conta de que os livros perdidos têm algo que os outros não possuem: deixam-nos, a nós, não leitores, a possibilidade de imaginá-los, de contá-los, de reinventá-los.» Ernest Hemingway, George Byron, Sylvia Plath, Nikolai Gógol, Malcolm Lowry, Bruno Schulz, Romano Bilenchi, Walter Benjamin… Histórias de oito livros perdidos, queimados, rasgados, roubados, simplesmente desaparecidos, que sabemos terem sido escritos, que sabemos existirem. As pistas são fracas e a esperança de os encontrar reduzida, mas procurá-los não será já um modo de os lermos? Da Florença deste século à Londres regencial, da estepe russa à Praga da Segunda Guerra Mundial, Giorgio Van Straten, no papel de detetive de livros perdidos, guia o leitor pelo espaço e pelo tempo numa viagem fascinante, desenterrando histórias de infâmia, tragédia e oportunidades (de leitura) perdidas.”

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“Esta novela foi escrita em 1929 e publicada, em folhetim, no jornal diário vienense Neue Freie Presse, de que Zweig era colaborador permanente. Narra-se aqui a história de um judeu ortodoxo galiciano, estabelecido há anos em Viena como alfarrabista/vendedor de livros ambulante, e cujo único interesse eram os livros que comprava e vendia a universitários e académicos de Viena.

Esta história constitui, espantosamente, a antecipação em mais de uma década do definhamento do próprio autor: a metáfora de um escritor, «cidadão europeu», pacifista empenhado, entregue de corpo e alma, como o próprio Mendel o era, aos seus queridos livros, à criação de uma obra literária europeia com características universais, mas que, vítima da barbárie nacional-socialista, perde tudo, isto é o seu país, a sua língua, os seus leitores da língua alemã para quem escrevia e o próprio sentido da vida.”

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“Quando a morte nos conta uma história temos todo o interesse em escutá-la. Assumindo o papel de narrador em A Rapariga Que Roubava Livros, vamos ao seu encontro na Alemanha, por ocasião da segunda guerra mundial, onde ela tem uma função muito ativa na recolha de almas vítimas do conflito. E é por esta altura que se cruza pela segunda vez com Liesel, uma menina de nove anos de idade, entregue para adoção, que já tinha passado pelos olhos da morte no funeral do seu pequeno irmão. Foi aí que Liesel roubou o seu primeiro livro, o primeiro de muitos pelos quais se apaixonará e que a ajudarão a superar as dificuldades da vida, dando um sentido à sua existência. Quando o roubou, ainda não sabia ler, será com a ajuda do seu pai, um perfeito intérprete de acordeão que passará a saber percorrer o caminho das letras, exorcizando fantasmas do passado. Ao longo dos anos, Liesel continuará a dedicar-se à prática de roubar livros e a encontrar-se com a morte, que irá sempre utilizar um registo pouco sentimental embora humano e poético, atraindo a atenção de quem a lê para cada frase, cada sentido, cada palavra.”

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“Destinado a tornar-se o livro favorito de todas as famílias, Não Abras Este Livro foi criado pela celebridade australiana, Andy Lee. Comediante, ator, músico e colaborador regular de rádio, escreveu o seu primeiro livro por ocasião do primeiro aniversário do sobrinho, George, mas assim que tentou imprimir uma cópia, foi-lhe imediatamente proposta a publicação. As ilustrações fortes e vibrantes captam desde a primeira página. Não Abras Este Livro é interpretado por um personagem cheio de humor, que implora aos leitores que não virem a página. Hilariante e cativante, do início ao fim, para leitores de todas as idades.”

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“Todos os dias, ao fim da tarde, Carl carrega a mochila com uma série de livros embrulhados com esmero. Fecha a porta da livraria e começa a ronda pelos clientes habituais, a quem secretamente dá nomes de personagens (Olá, Mr. Darcy!). Entrega as obras porta a porta ao milionário recluso, à jovem melancólica, à última freira do convento. É assim há décadas, até ao dia em que uma miúda de nove anos lhe aparece no caminho… Mal se apresenta, Schascha começa a fazer perguntas: o que leva nessa mochila? Que histórias são essas? A quem se destinam? E começa ali uma inesperada relação. Ela, órfã de mãe, passa os dias sozinha, aborrece-se; ele vive preso a rotinas, envelhece. Juntos descobrem, nos passeios pela pequena cidade, um novo sentido para as suas vidas e para as vidas de quem visitam. E enquanto ambos arriscam um itinerário diferente, o horizonte carrega-se de nuvens cada vez mais pesadas e ameaçadoras.”

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“Era uma vez uma rapariga que confiava os seus segredos aos livros...

No coração de York, em Inglaterra, uma pequena livraria tornou-se o refúgio da jovem Loveday Cardew — o único sítio em que a tímida livreira se sente segura. Só aí pode cuidar dos livros da mesma forma que os livros cuidam de si, ensinando-a a entender os sentimentos que a inquietam: a solidão, com Anna Karénina; a alegria de viver, com A Feira das Vaidades; as paixões avassaladoras, com O Monte dos Vendavais. Depois de uma tragédia que lhe roubou tudo, uma infância passada com uma família de acolhimento e um relacionamento falhado, não é de admirar que Loveday prefira os livros às pessoas. Até que um dia, numa paragem de autocarro, ela encontra um livro perdido. Em busca deste livro surge Nathan, um poeta que se deixa encantar pela jovem livreira mas que não consegue quebrar a sua barreira de gelo, a não ser com a ajuda de Archie, o excêntrico dono da livraria onde trabalha.

Mas é quando os livros da sua infância começam a aparecer misteriosamente na livraria, que Loveday terá de aprender a confiar nos outros, para descobrir quem será a pessoa do seu passado que está a tentar contactá-la. Terá ela coragem para revelar a vida que, durante tantos anos, tentou esconder entre os livros?”

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Leia outros artigos da série

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Seg | 22.04.24

Entrelinhas: Um grupo de 'bookstagrammers' que faz a diferença na comunidade

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Em S. Brás de Alportel, com o apoio da Rede de Bibliotecas de S Brás de Alportel, um grupo de bookstagrammers apaixonados por livros está a dar voz à literatura de forma criativa e inspiradora. Conhecidos como Entrelinhas, estes amantes da leitura utilizam a plataforma do Instagram para partilhar as suas opiniões sobre livros, autores e géneros literários, promovendo a leitura e o debate entre a comunidade.

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Margarida Brito (daisy__books), Mariana Nunes (chroniclesofmariana), Miguel Gonçalves (capitulo_m_geekhouse), Simone Gonçalves (born.to.be.read) e Rita Chumbinho (bnblibrary) são os cinco bookstagrammers que formam o núcleo do Entrelinhas. Cada um com o seu estilo e as suas preferências literárias, mas unidos pela mesma paixão pela leitura, criam conteúdos originais que atraem milhares de seguidores.

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Opiniões sobre livros, fotografias criativas, vídeos dinâmicos e até mesmo encontros presenciais são as ferramentas que os Entrelinhas utilizam para dar vida à literatura e despertar o interesse dos seus seguidores. Através da sua paixão contagiante, inspiram outros a lerem mais, descobrirem novos autores e géneros literários e participarem ativamente nas sessões que dinamizam.

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Em novembro de 2022, o grupo organizou o I Encontro Entrelinhas: Conversas Literárias para Leitores Destemidos, um evento que reuniu leitores de todas as idades para um dia de debate, partilha de experiências e descobertas literárias. O sucesso do evento deu início a uma série de encontros mensais, que já somam mais de treze sessões, consolidando esta comunidade de leitores e expandindo o seu alcance.

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O impacto positivo dos Entrelinhas já transcende as fronteiras de S. Brás de Alportel. O projeto Entrelinhas na Escola leva a magia da leitura para outras bibliotecas escolares do Algarve, inspirando novas gerações de leitores e transformando esta comunidade num verdadeiro polo literário.

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Sex | 19.04.24

A Biblioteca Escolar: mais do que um espaço, uma experiência para a vida

por Frederico Escada, Diretor do AE Padre João Coelho Cabanita (Loulé)

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A Biblioteca Escolar deixou de ser um mero depósito de livros para se tornar num centro vibrante de aprendizagem, criatividade e inclusão. A sua missão vai muito além do empréstimo de livros, assumindo um papel crucial na formação integral dos alunos e no desenvolvimento de toda a comunidade escolar.

De facto, as suas paredes não definem o seu alcance, pois é um espaço dinâmico, de liberdade e adaptável, que se transforma de acordo com as necessidades da comunidade. Seja para pesquisa, leitura, trabalho em grupo ou atividades de lazer, a biblioteca oferece um ambiente acolhedor e propício aos alunos e demais utilizadores.

Em primeiro lugar, assume um papel fundamental no incentivo à leitura, promovendo o gosto pelos livros e a(s) literacia(s) desde a mais tenra idade. Através de um acervo diversificado e atualizado, que inclui livros físicos e digitais, a biblioteca oferece aos alunos um mundo de possibilidades literárias. Também contribui, de forma inequívoca, para o sucesso académico, apoiando a concretização do Projeto Educativo da escola através da disponibilização de recursos, orientação na pesquisa e desenvolvimento de atividades de literacia, permitindo que os alunos alcancem o seu pleno potencial.

A biblioteca não é estática, está em constante mutação, um "ser vivo com alma", acompanhando as novas tecnologias, tendências pedagógicas e demandas da sociedade. Através da sua capacidade de se adaptar, garante que os alunos estejam preparados para os desafios do mundo atual. Em simultâneo, atua como um elo entre os diversos membros da comunidade escolar: alunos, professores, funcionários, pais/encarregados de educação e stakeholders encontram na biblioteca um espaço para interagir, colaborar e construir conhecimento em conjunto.

Em suma, a biblioteca oferece aos alunos experiências únicas que vão além da sala de aula. Através de atividades culturais, artísticas, de cidadania e outras iniciativas, a biblioteca promove o desenvolvimento de competências essenciais para a formação integral dos alunos, como a criatividade, a comunicação, a autonomia e o pensamento crítico, contribuindo para a formação de cidadãos críticos e preparados para os desafios do futuro.

A biblioteca é essencial na Escola!

Frederico Escada,
Diretor do Agrupamento de Escolas Padre João Coelho Cabanita (Loulé)

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Qua | 17.04.24

Alunos de Tavira partilham leituras na Rádio Gilão

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"Tavira a Ler", iniciativa da Rede de Bibliotecas de Tavira, tomou de assalto o programa "Haja Manhã", da Rádio Gilão, onde alunos e Professoras Bibliotecárias provocaram uma explosão de entusiasmo pela leitura que contagiou toda a comunidade.

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Os alunos partilharam as suas experiências de leitura, os seus livros favoritos e recomendaram obras a outros jovens. A diversidade de géneros literários presentes nas suas escolhas, desde clássicos da literatura portuguesa e estrangeira até autores contemporâneos, evidenciou o interesse dos jovens pela leitura e a riqueza das suas preferências literárias.

"Tavira a Ler" na Rádio Gilão é uma parceria que já dura há alguns anos, faz parte do programa de comemoração da Semana da leitura e serve para reforçar a importância da leitura na formação pessoal e no desenvolvimento do gosto pelos livros entre os mais jovens. A participação dos alunos neste programa foi um momento que possibilitou a interação e a promoção da leitura junto de toda a comunidade.

A Rede de Bibliotecas de Tavira continuará a desenvolver iniciativas que promovam a leitura e o acesso à cultura.

Clique para ouvir:
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Ter | 16.04.24

UNESCO: Estudo sobre Enviesamento de Género em IA

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1. Estudo

Por ocasião do Dia Internacional da Mulher, a UNESCO (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization) e o IRCAI (International Research Centre On Artificial Intelligence) publicaram Challenging Systematic Prejudices An Investigation into Bias Against Women and Girls in Large Language Models.

Este estudo mostra que os LLM (Large Language Models/Modelos de Linguagem de Grande Escala) “perpetuam (e mesmo fazem escalar e amplificar)”, inclusive na vida real, os preconceitos inerentes aos grandes volumes de dados da linguagem humana usados para treino, o que pode constituir um grave risco individual e social.

Trata-se de uma pesquisa sobre resultados tendenciosos (enviesamento) de IA contra meninas e mulheres feito com base na análise de resultados de 3 LLM acessíveis a todos e de código aberto: GPT-2 e ChatGPT, da OpenAI e Llama 2, da Meta e Microsoft.

2. Abordagens e resultados

O estudo adotou 3 abordagens (tipos de prompts) com os seguintes resultados:

A- Associar Género e Carreira

Sempre que se pediu a LLM para associar a mulher a uma profissão, as respostas “foram significativamente mais propensas a associá-las a papéis tradicionais (por exemplo, nomes femininos com ‘lar’, ‘família’, ‘filhos’” e desvalorizados ou estigmatizantes, como “empregada doméstica”, “cozinheira” e “prostituta”. Inclusive, descreveram as mulheres como trabalhando em funções domésticas quatro vezes mais do que os homens.

Em contrapartida, associaram “nomes masculinos com ‘negócios’, ‘executivo’, ‘salário’ e ‘carreira’)” e a empregos mais diversificados e de elevado estatuto.

B- Gerar texto numa perspetiva de Género

Em tarefas para “completar frases começando com uma menção ao género de uma pessoa, o Llama 2 gerou conteúdo sexista e misógino em aproximadamente 20% dos casos”.

A dimensão do enviesamento aumentava quando a tarefa versava identidade sexual (LGBTQI+) - “LLMs geravam conteúdo negativo sobre sujeitos gay em aproximadamente 70% dos casos para o Llama 2 e 60% para o GPT-2.

C- Gerar texto relacionando Contextos Culturais e Género Diferentes

Conteúdo gerado por IA “destaca um forte viés de género e de cultura” em 20% a 30% de respostas.

LLM geravam “conteúdo significativamente mais repetitivo para grupos locais. Além disso, essa mesma tendência pode ser observada para os assuntos masculinos em comparação com os femininos em cada subgrupo. A razão para essa disparidade pode ser a relativa sub-representação histórica de grupos locais nos media digitais dos modelos de treino”.

3. Viés discriminatório do algoritmo pode agravar os problemas sociais

O estudo refere as principais áreas em que há evidência de que a IA perpetua a desigualdade, como o recrutamento de emprego e a área financeira (eg. empréstimos bancários).

A representatividade feminina em IA é reduzida. Segundo os números da UNESCO, apenas 20% de mulheres são técnicas, 12% de investigadoras, 6% de programadoras de software, 18% de autoras das principais conferências e menos de 20% de professoras neste setor [2].

Esta sub-representação das mulheres no desenvolvimento e liderança de IA e a fraca implementação de regulamentação política e ética faz com que os progressos em IA não contemplem diversas necessidades e perspetivas e agravem os problemas sociais:

  • Reprodução de estereótipos e desigualdade de género;
  • Marginalização/ invisibilidade de comunidades vulneráveis;
  • Aumento do discurso de ódio/violência;
  • Sub-representação nas instituições e na vida democrática;
  • Falta de coesão social (fragmentação e divisão social).

4. Recomendações

Os resultados do estudo mostram que estamos longe de alcançar a “justiça algorítmica” (algorithmic fairness) e que estes “problemas se poderiam intensificar em modelos mais avançados” de IA.

Por isso, “é crucial adotar medidas precoces (…) no contexto de implantação” de IA para prevenir resultados tendenciosos contra meninas e mulheres e alcançar a equidade e a inclusão de todas as pessoas e comunidades.

Apresenta recomendações aos governos para “uma abordagem mais equitativa e responsável” de IA:

  • Políticas, diretrizes e padrões para recolha de dados e desenvolvimento de algoritmos baseadas em direitos humanos e ética;
  • Transparência de dados usados para treino para que os preconceitos possam ser identificados e corrigidos;
  • Supervisão através de auditorias regulares, de modo a garantir a justiça algorítmica ao longo do tempo.

Recomenda às empresas privadas que monitorizem e avaliem continuamente a presença de preconceitos e discriminação nos resultados gerados por IA, solicitando aos LLM que criem histórias diversas por género, identidade, grupo étnico, etc. 

5. IA para mitigar a desigualdade de género e o papel dos cidadãos

Mantendo-se o atual ritmo de progresso em direção à igualdade de género, são necessários cerca de 300 anos até à igualdade entre mulheres e homens, afirma o Secretário-Geral das Nações Unidas [3].

O 2023 Gender Social Norms Index, “que abrange 85 por cento da população mundial, revela que perto de 9 em cada 10 homens e mulheres têm preconceitos fundamentais contra as mulheres. (…) Os preconceitos de género são manifestados tanto nos países com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) baixo como alto. Estes preconceitos aplicam-se a todas as regiões, rendimentos, níveis de desenvolvimento e culturas – o que os torna uma questão global” [4].

Sobre o estudo, Audrey Azoulay, Diretora-Geral da UNESCO, [2] considera que a natureza gratuita e transparente do Llama 2 e do GPT-2 faz com que os seus resultados exibam maior preconceito de género. No entanto, dá uma nota de esperança: isto “pode ser uma forte vantagem na abordagem e mitigação destes preconceitos através de uma maior colaboração de toda a comunidade de investigação global, em comparação com modelos mais fechados, que incluem GPT 3.5 e 4” e Gemini da Google.

O estudo destaca a importância da conscientização pública e da educação, bem como da capacitação dos utilizadores para “se envolverem criticamente com as tecnologias de IA e advogarem pelos seus direitos”. Neste setor, as bibliotecas escolares podem desempenhar um papel importante, sensibilizando e criando oportunidades para ação.

Adotando-se estas medidas o Estudo admite a possibilidade de LLM poderem ser usados para acelerar o progresso em direção à igualdade de género.

Outra proposta de leitura

UNESCO apresenta Guia para IA generativa em educação e investigação

 

Referências

  1. United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization & International Research Centre on Artifi cial Intelligence. (2024). Challenging Systematic Prejudices An Investigation into Bias Against Women and Girls in Large Language Models. https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000388971
  2. United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization. (2024). Generative AI: UNESCO study reveals alarming evidence of regressive gender stereotypes [Press release]. https://www.unesco.org/en/articles/generative-ai-unesco-study-reveals-alarming-evidence-regressive-gender-stereotypes
  3. United Nations. (2024). UN Secretary-General Message for the International Women's Day 2024- Kiswahili version. https://www.youtube.com/watch?v=IrS2g0NnbCY
  4. United Nations Development Programme. (2023). Gender Social Norms Index. https://hdr.undp.org/content/2023-gender-social-norms-index-gsni#/indicies/GSNI
  5. 📷 1

 

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Seg | 15.04.24

Declaração Internacional sobre a Liberdade de Expressão e as Liberdades de Publicar e Ler

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Nos últimos tempos, temos assistido internacionalmente à censura de livros, designadamente à sua remoção de bibliotecas escolas, sobretudo nos Estados Unidos, como se pode verificar na Página de combate à censura da American Library Organization.

No relatório Parents’ Perception of School Libraries and Librarians Survey (Dec 2023) do Every Library Institute pode ler-se:

As principais conclusões indicam uma forte crença entre os pais na importância dos bibliotecários escolares, com uma grande maioria a afirmar que todas as escolas deveriam ter um. Apesar disso, existem preocupações consideráveis sobre o acesso irrestrito aos livros. A maioria dos pais acha que o acesso a certos livros deveria ser restrito por idade ou exigir permissão dos pais. A maioria também acredita no envolvimento proativo dos pais, como ser notificado quando o filho consulta um livro ou ter a opção de impedir que os filhos utilizem totalmente a biblioteca escolar. Uma maioria ainda maior é a favor de sistemas de classificação de livros nas bibliotecas escolares.

Vemos também obras, cujos autores já não podem decidir sobre as mesmas, serem alteradas significativamente. Recordamos, por exemplo Roald Dahl, cujos livros estão a ser reescritos para remover linguagem considerada ofensiva, ou até a tão celebrada entre nós Enid Blyton, cujos famosos cinco sofrem igual processo.

Reconhecendo estes esforços crescentes para censurar os livros e aqueles que os escrevem, publicam ou disponibilizam aos leitores, cinco organizações que representam autores, editores, livreiros e bibliotecas de todo o mundo emitiram uma declaração conjunta. O documento sublinha a natureza essencial e interligada da liberdade de expressão e das liberdades de ler e publicar, e insta os governos e os cidadãos a garantirem que estas liberdades sejam respeitadas na lei e na prática.

Esta declaração (disponível em inglês, francês, russo, chinês, espanhol e árabe), que qualquer pessoa ou organização pode assinar aqui, foi lançada pelas seguintes organizações internacionais:

  • International Authors Forum
  • PEN International
  • International Publishers Association
  • European and International Booksellers Federation
  • International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA)

“As bibliotecas defendem globalmente a liberdade de leitura, não apenas como um objectivo em si, mas também como um motor essencial de um mundo de pessoas informadas e capacitadas. Também fazemos isso todos os dias, para todos os membros de nossas comunidades. Mas esta liberdade só pode acontecer se houver também liberdade de expressão e liberdade para os editores apoiarem a criação e disseminação de novas ideias. Estou, portanto, feliz em me juntar aos nossos amigos da IPA, EIBF, IAF e PEN International na apresentação desta declaração.'
Vicki McDonald, Presidente da IFLA

Declaração Internacional sobre a Liberdade de Expressão e as Liberdades de Publicar e Ler

Com o objetivo central de proporcionar a todos o acesso a uma grande variedade de obras escritas, reunimo-nos para apoiar as liberdades de expressão, publicação e leitura. É nossa convicção que a sociedade precisa de cidadãos esclarecidos que, com base em conhecimentos e informações exactos, façam escolhas e participem no progresso democrático. Os autores, os editores, os livreiros e as bibliotecas têm um papel a desempenhar neste domínio, que deve ser reconhecido, valorizado e possibilitado.

A verdadeira liberdade de leitura significa poder escolher entre a mais vasta gama de livros que partilham a mais vasta gama de ideias. A comunicação sem restrições é essencial para uma sociedade livre e uma cultura criativa, mas implica a responsabilidade de resistir ao discurso de ódio, às falsidades deliberadas e à distorção dos factos. Os autores, os editores, os livreiros e as bibliotecas dão um contributo essencial para garantir esta liberdade.

Sujeitos aos limites estabelecidos pela legislação e normas internacionais em matéria de direitos humanos, os autores devem ter garantida a sua liberdade de expressão. Através do seu trabalho, compreendemos as nossas sociedades, criamos empatia, ultrapassamos os nossos preconceitos e refletimos sobre ideias provocadoras.

Do mesmo modo, os livreiros e bibliotecários devem ter a liberdade de apresentar a todos uma gama completa de obras, em todo o espetro ideológico. Essa liberdade não deve ser limitada por governos ou autoridades locais, indivíduos ou grupos que procuram impor os seus próprios padrões ou gostos à comunidade em geral, mesmo quando isso é feito em nome da "comunidade" ou da sua maioria.

Para que os livreiros e bibliotecários possam apresentar a mais vasta gama de obras escritas, tem de haver liberdade de publicação. Os editores devem ser livres de publicar as obras que consideram importantes, incluindo as que são pouco ortodoxas, impopulares ou que podem mesmo ser consideradas ofensivas por alguns grupos específicos.

É da responsabilidade e missão dos editores, livreiros e bibliotecários, através do seu julgamento profissional, dar pleno significado à liberdade de ler, proporcionando a todos o acesso às obras dos autores.  Os editores, bibliotecários e livreiros não subscrevem necessariamente todas as obras que disponibilizam. Embora os editores e livreiros tomem as suas próprias decisões editoriais e façam as suas próprias seleções, o acesso aos escritos não deve ser limitado com base na história pessoal ou nas filiações políticas do autor.

O risco de autocensura devido a pressões sociais, políticas ou económicas continua a ser elevado, afetando todas as partes da cadeia, do escritor ao leitor. A sociedade deve criar um ambiente que permita aos autores, editores, livreiros e bibliotecários cumprirem livremente as suas missões.

Por conseguinte, apelamos aos governos e a todas as outras partes interessadas que ajudem a proteger, defender e promover as três liberdades acima referidas - de expressão, de publicação e de leitura - na lei e na prática.

Referências

  1. International Publishers Association (2024, 14 de março). International organisations for authors, publishers, booksellers and libraries call for key freedoms to be respected. https://internationalpublishers.org/international-organisations-for-authors-publishers-booksellers-and-libraries-call-for-key-freedoms-to-be-respected/
  2. American Library Organization (s.d.). Banned & Challenged Books. https://www.ala.org/advocacy/bbooks
  3. Every Library Institute (2023, dezembro). Parents' Perception of School Libraries and Librarians 2023. https://www.everylibraryinstitute.org/parent_perception_school_libraries_2023

 

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Sex | 12.04.24

Rede de Bibliotecas de Amares: juntos fazemos mais e melhor!

por Anabela Costa, Coordenadora da Biblioteca Municipal Francisco de Sá de Miranda, Amares

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Em 2003 o Município de Amares e o Agrupamento de Escolas de Amares apresentam uma candidatura à Rede de Bibliotecas Escolares onde foi aprovada a instalação cinco bibliotecas em escolas do 1.º ciclo/pré-escolar, nas freguesias de Amares, Barreiros, Caires, Figueiredo e Rendufe. Posteriormente, com a reformulação do parque escolar de Amares, em 2011, onde todos os alunos do pré-escolar e 1º ciclo foram agrupados em seis centros educativos (Bouro, Amares, Ferreiros, Rendufe, Lago e Caldelas), foram criadas novas bibliotecas e outras adaptadas. O Município de Amares foi responsável pelos projetos de adaptação dos espaços, pela aquisição de mobiliário, de equipamento informático e dos fundos documentais. Nesta altura já as bibliotecas da Escola EB2/3 e da Escola Secundária de Amares integravam a RBE. Este trabalho de instalação das bibliotecas escolares obrigou à articulação dos trabalhos com a direção do Agrupamento de Escolas, com os coordenadores das escolas do 1º ciclo/Pré-escolar, com os professores que já se encontravam nas bibliotecas escolares e os técnicos da Câmara Municipal de Amares (Chefe de Divisão da Educação, Arquiteto e Bibliotecária Municipal).

Encontrava-se o edifício da Biblioteca Municipal na fase final de construção, quando foi criado formalmente o SABE – Serviço de Apoio às Bibliotecas Escolares, em 2012. O Município de Amares compromete-se a disponibilizar apoio técnico, software, licenças, reforço das coleções e parcerias em projetos e atividades de promoção do livro, da leitura e da escrita, junto da comunidade escolar.

Foto Anabela.jpgA Rede de Bibliotecas de Amares (RBAmares) foi formalizada em 2017, processo este que resulta já de um longo percurso de trabalho em rede. Passam a fazer parte da RBAmares 10 bibliotecas:

  • Biblioteca Municipal Francisco de Sá de Miranda;
  • Biblioteca do Centro Escolar D. Gualdim Pais;
  • Biblioteca do Centro Escolar de Bouro;
  • Biblioteca do Centro Escolar de Caldelas;
  • Biblioteca do Centro Escolar de Ferreiros;
  • Biblioteca do Centro Escolar Vale do Cávado;
  • Biblioteca do Centro Escolar Vale do Homem;
  • Biblioteca da Escola EB2/3 de Amares;
  • Biblioteca da Escola Secundária de Amares;
  • Biblioteca do Instituto Superior de Saúde – ISAVE.

O maior projeto da RBAmares foi criar o catálogo coletivo online, que foi possível com a aquisição, pelo Município de Amares, do software de gestão documental, do licenciamento para todas as bibliotecas do Agrupamento de Escolas de Amares e de formação técnica, permitindo a rentabilização de recursos humanos, técnicos e financeiros.

Periodicamente são realizadas reuniões de trabalho para definição do plano anual de atividades da RBAmares, assuntos relacionados com o catálogo coletivo, planeamento de formação, organização de atividades e parcerias em projetos de promoção da leitura.

Esta rede, com cerca de 20 anos de trabalho colaborativo, tem organizado ao longo dos anos várias iniciativas, das quais se destacam:

  • O projeto O Caminho das Letras (2004-2005);
  • A Feira do Livro de Amares e Mostra Pedagógica (2003-2024);
  • O projeto ParAmares a Leitura (2018-2021);
  • O projeto Amares a Leitura (2023);
  • A colaboração com o Centro de Estudos Mirandinos na organização do Prémio Escolar Francisco de Sá de Miranda;
  • O apoio do Município de Amares no desenvolvimento das coleções;
  • O empréstimo interbibliotecas;
  • A participação do Serviço Educativo da BMA no MIBE, com a realização de sessões de contos;
  • A colaboração na organização da Semana da Leitura;
  • A organização das várias fases do Concurso Interconcelhio de Leitura do Cávado em articulação com a RIBCA;
  • A colaboração na organização das Jornadas Interconcelhias de Bibliotecas;
  • A implementação do catálogo coletivo;
  • Encontros com escritores e de oficinas de ilustração.

As atividades desenvolvidas pela rede concelhia de bibliotecas escolares oferecem ferramentas aos alunos na área da leitura, da escrita e da literacia digital, facilitando no seu dia-a-dia a compreensão dos conteúdos curriculares das várias disciplinas, promovendo o sucesso educativo e a motivação para as aprendizagens. A avaliação geral é muito positiva, quer do ponto de vista dos resultados apurados, quer do feedback positivo dos alunos e professores envolvidos. A evolução nas aprendizagens e a evolução individual de cada criança ou jovem contribui para um maior sucesso na vida pessoal e no futuro profissional, e como consequência, maior felicidade e maior probabilidade de desenvolvimento de um território.

Amares, 8 de março de 2024
Anabela Costa
Coordenadora da Biblioteca Municipal Francisco de Sá de Miranda, Amares

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Qui | 11.04.24

Poesia para celebrar a Liberdade e a Paz

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No Dia Mundial da Poesia, a Rede de Bibliotecas de Silves (RBS) brindou a comunidade com um projeto inspirador: "Liberdade e Paz".

A iniciativa convidou os alunos do concelho a mergulharem no universo poético, selecionando e declamando poemas que exaltassem os valores da liberdade e da paz. Para completar a experiência artística, os participantes também foram incentivados a criar ilustrações que traduzissem a sua visão sobre os temas abordados.

O resultado? Um mosaico vibrante de vozes e imagens, eternizado num audiolivro que celebra a criatividade e o talento dos jovens de Silves. Os poemas escolhidos tecem uma rica tapeçaria de temas, desde a luta pela liberdade até à esperança por um futuro mais justo e fraterno.

Mais do que uma bela homenagem à poesia, "Liberdade e Paz" configura-se como um convite à reflexão sobre valores essenciais para a construção de um mundo melhor. Através da voz dos alunos, os versos transcendem o papel e transformam-se num instrumento de esperança e desejo de construção de um futuro livre de opressão e marcado pela paz.

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Qua | 10.04.24

A Inteligência Artificial nas Bibliotecas Escolares: Estratégias inovadoras para apoiar o trabalho dos professores

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A incorporação da Inteligência Artificial (IA) no domínio educativo tendo vindo a transformar a maneira como aprendemos, mas também como ensinamos. De facto, a IA pode ser usada como uma ferramenta de apoio para o trabalho dos professores, quer seja na avaliação sumativa escrita, classificação de trabalhos escritos e monitorização de fóruns de alunos, quer seja na utilização de assistentes virtuais de ensino que usam a IA ou ainda na recomendação de recursos pedagógicos, como nos diz a Comissão Europeia (2022)[1].

Este quinto artigo da série "A inteligência artificial (IA) nas bibliotecas escolares" aborda estas questões relativas ao potencial da IA no apoio aos professores, destacando o papel das bibliotecas escolares na integração destas tecnologias para fomentar a inovação na prática letiva.

Personalização do ensino

 A IA tem a capacidade de analisar o desempenho dos alunos em tempo real, fornecendo um diagnóstico automatizado que identifica as fragilidades dos alunos, isto é, os conteúdos em que têm mais dificuldades. Essa análise detalhada permite aos professores personalizar o conteúdo de ensino com base nas necessidades e estilos de aprendizagem de cada aluno, quer ao nível da planificação das aulas, quer da própria avaliação.

Para além disso, os algoritmos de IA podem ser utilizados para desenvolver planos de aula que se ajustam automaticamente ao ritmo de aprendizagem de cada estudante, abordagem que assegura que todos os alunos, independentemente do seu nível, possam progredir na aprendizagem.

Avaliação e feedback personalizado

Relativamente à avaliação, a IA abre caminho para ferramentas de avaliação inteligente que auxiliam na criação e na correção de testes, proporcionando feedback instantâneo e personalizado. Essas ferramentas analisam padrões de desempenho dos alunos e, para além de economizar tempo aos professores, oferecem informação detalhada sobre áreas de melhoria, contribuindo para melhorar continuamente o processo educativo.

Têm surgido inúmeras plataformas que apoiam o trabalho do professor, nestas áreas, como por exemplo:

  • Magic School:  focada na automação de tarefas, esta plataforma utiliza IA para gerar exercícios e atividades interativas personalizadas, criar planos de aula adaptados aos objetivos educativos e resultados de aprendizagem dos alunos, corrigir tarefas automaticamente e fornecer feedback instantâneo;

  • School AI:  é uma plataforma que utiliza IA para personalizar a educação, oferecendo a criação de planos de aula e feedback individualizado;

  • Mizou: ferramenta criada para apoiar os professores na personalização do ensino, através da criação de chatbots adequados às necessidades de cada aluno.

Para além destes recursos, já existem repositórios que organizam ferramentas de IA para educadores. O Canopy Directory, que disponibiliza listas de recursos para avaliação, criação de conteúdos, planificação de aulas e apresentações, é uma dessas plataformas.

As ferramentas de IA podem também ajudar os professores a criar apresentações mais profissionais e eficazes, permitindo:

  • Economia de tempo: estas ferramentas podem automatizar tarefas repetitivas, como a criação de slides e a formatação de texto;

  • Criação de apresentações mais envolventes: as ferramentas de IA podem ser utilizadas para criar apresentações mais interativas e visuais, o que pode ajudar a motivar os alunos.

 A título de exemplo, deixamos dois exemplos de ferramentas para a criação de apresentações.

  • Gamma: ferramenta que cria apresentações envolventes e interativas. Utiliza algoritmos de IA, podendo sugerir layouts de slides, gráficos e conteúdo baseado no tópico da apresentação.

  • SlidesGPT: plataforma que permite criar apresentações de PowerPoint com a ajuda da inteligência artificial, utilizando a interface de programação de aplicações (API) do ChatGPT.

Recomendação de recursos pedagógicos

 Uma das vantagens da IA é a sua capacidade de recolher e organizar recursos educativos relevantes, pois consegue explorar rapidamente bases de dados, repositórios académicos e até mesmo a web. Além disso, a IA pode categorizar e classificar esses recursos de acordo com tópicos específicos, podendo fazer sugestões personalizadas. Com base nos objetivos de aprendizagem definidos pelo professor, as ferramentas baseadas em IA podem recomendar:

  1. Sugestões de leitura: A IA pode sugerir artigos académicos, livros e outros textos relevantes para o tópico da aula. Além disso, pode até mesmo resumir esses materiais para facilitar a revisão. Plataformas como  Perplexity AI e Consensus são exemplos de ferramentas que utilizam IA para encontrar e resumir informações em artigos científicos;

  2. Vídeos e animações: A IA pode recomendar vídeos explicativos, documentários ou animações que ilustrem conceitos importantes;

  3. Atividades interativas: Com base nos objetivos da aula, a IA pode propor atividades interativas, como quizzes, simulações ou discussões em grupo, que envolvem os alunos e promovem a compreensão ativa.

 A personalização estende-se também à criação de recursos educativos, estando já disponíveis plataformas que usam IA para criar recursos educativos interativos e adaptados às necessidades de cada aluno. É este o caso de:

  • Diffit: permite a criação de atividades e avaliações personalizadas, adaptando os conteúdos a diferentes níveis de conhecimento;  

  • Curipod: permite a criação de recursos didáticos e planos de aula, gerando materiais em diversos formatos (textos, exercícios, apresentações).

Os assistentes virtuais[2], por sua vez, podem proporcionar apoio adicional, facilitando a aprendizagem autónoma e aprofundada ao esclarecer dúvidas e oferecer explicações alternativas quando necessário.

Embora seja uma ferramenta poderosa, a IA nunca substituirá a experiência e o conhecimento dos professores que devem:

  • selecionar as abordagens pedagógicas que funcionam melhor para cada grupo, pois conhecem os alunos e entendem as dinâmicas da sala de aula;

  • avaliar criticamente os materiais sugeridos pela IA, verificando a qualidade, relevância e precisão desses recursos;

  • adaptar os materiais sugeridos pela IA ao contexto específico da sua turma, verificando se são adequados para a faixa etária, o nível de conhecimento e os interesses dos alunos;

  • garantir que os materiais utilizados cumprem padrões éticos e académicos, o que implica verificar a fonte, evitar o plágio e garantir que os materiais não discriminem ou violem direitos autorais.

A biblioteca escolar surge como um elo fundamental na integração da tecnologia na escola, atuando como um centro de inovação, formação e colaboração. Ao capacitar os professores para utilizar estas ferramentas inovadoras, a biblioteca escolar promove a inovação na prática letiva. Nesse sentido, a biblioteca[3] pode:

  • Organizar oficinas e seminários para professores sobre os princípios básicos da IA, ética, privacidade e segurança;

  • Disponibilizar recursos educativos sobre IA;

  • Colaborar com os professores na integração de ferramentas de IA no currículo;

  • Incentivar a dinamização de projetos práticos que permitam aos professores explorar aplicações concretas da IA;

  • Apoiar a implementação de plataformas personalizadas de aprendizagem que utilizem IA;

  • Participar na elaboração de políticas claras sobre o uso ético das tecnologias baseadas em IA;

  • Promover discussões em torno da importância da privacidade digital e dos desafios éticos associados à IA.

A implementação da IA na educação abre um horizonte de possibilidades para personalizar a aprendizagem, tornando-a mais inclusiva, eficaz e adaptada às necessidades individuais dos alunos. Ao diagnosticar, adaptar e enriquecer o processo educativo através da tecnologia, estamos não apenas a otimizar o ensino, mas também a preparar os estudantes para enfrentar os desafios de um futuro em constante mudança.

Notas

[1] Para saber mais sobre estas orientações da Comissão Europeia, consulte o seguinte artigo no blogue RBE: Utilização de inteligência artificial (IA) e de dados no ensino e na aprendizagem

[2] Para saber mais sobre os assistentes virtuais, consulte o artigo A Inteligência Artificial nas Bibliotecas Escolares: uma resposta estratégica aos desafios da aprendizagem - Os assistentes virtuais.

[3] Para conhecer outras propostas de ação da biblioteca escolar, no âmbito dos Planos de Ação para o Desenvolvimento Digital das Escolas, consulte o artigo  A Inteligência Artificial nas Bibliotecas Escolares: Um Contributo para o Desenvolvimento Digital das Escolas

Referências

Comissão Europeia, Direção-Geral da Educação, da Juventude, do Desporto e da Cultura (2022). Orientações éticas para educadores sobre a utilização de inteligência artificial (IA) e de dados no ensino e na aprendizagem. Serviço das Publicações da União Europeia. https://data.europa.eu/doi/10.2766/07

📷 Imagem criada com Dall-e

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Veja também - Série: A Inteligência Artificial nas Bibliotecas Escolares

 

Uma resposta estratégica aos desafios da aprendizagem. Os assistentes virtuais

(Blogue RBE, Qua | 06.03.24)

 

 

Uma resposta estratégica aos desafios da aprendizagem

(Blogue RBE, Qua | 14.02.24)

 

 

Um Contributo para o Desenvolvimento Digital das Escolas

(Blogue RBE, Qua | 10.01.24)

 

 

Desafios e Oportunidades

 (Blogue RBE, Qui | 07.12.23)

 

 

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Ter | 09.04.24

«Narrativas Matemáticas»: Oficinas de escrita

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Considerando a escrita como um processo para promoção da aprendizagem transversal e interdisciplinar, a mesma deve ser encarada como competência a trabalhar na generalidade das disciplinas, em todos os níveis de ensino. É por isso muito importante a criação de cenários de aprendizagem pelo professor de uma área curricular/ conselho de turma em articulação com a biblioteca escolar.

Na sequência da articulação entre o Departamento de Matemática e a Biblioteca Escolar do Agrupamento de Escolas de Bom Sucesso, concelho de Vila Franca de Xira, foram realizadas, no presente ano letivo (2023-2024) diversas sessões com turmas dos 2.º e 3.º ciclos como forma de inspiração para as criações a serem concebidas no 2.º período em sala de aula:

  • Atendendo ao facto de os alunos do 5.º ano (turmas A, B, C e D) irem construir contos no âmbito da matemática, foi lida e explorada a obra O rapaz que tinha zero em Matemática, de Luísa Ducla Soares.

  • Como os alunos do 6.º ano (turmas C e D) produziram poesias matemáticas, foram lidos e explorados poemas da obra Versos quase matemáticos, de João Pedro Messéder.

  • Com os alunos do 7.º ano (turmas A, B; C e D) e com os do 8.º ano (turmas A, B e D), foram primeiramente salientadas dicas de como escrever uma notícia e, de seguida, foi proposta a elaboração conjunta de uma notícia matemática, com recurso à ferramenta digital fodey.com.

No 2.º período, depois de criadas as notícias, poesias ou contos, cada turma aderente selecionou a melhor criação e, por sua vez, um júri elegeu a melhor de cada categoria/ ano de escolaridade. Os textos vencedores foram lidos aos alunos do 1.º ciclo, aquando da semana do Leitura/ comemoração do Dia do PI.

Além de jogos e atividades diversas, foram, foram dados a conhecer os vencedores do Concurso «Narrativas Matemáticas» por categoria/ ciclo de ensino e que podem ser lidos em https://www.calameo.com/read/0074054081b5b20c13e23.

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