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Blogue RBE

Seg | 27.09.21

Concurso Eu digo não ao sexismo!

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Eu digo não ao sexismo! é um concurso destinado às alunas e aos alunos do 3.º ciclo do ensino básico e do ensino secundário das escolas públicas, privadas e profissionais do país, promovido conjuntamente pela PpDM (Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres) e pela CIG (Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género) em colaboração com a RBE (Rede de Bibliotecas Escolares).

A iniciativa vem responder aos desafios lançados pelo Conselho da Europa (CoE) na sua Recomendação, de 2019, “Combater e prevenir o sexismo” que considera a educação escolar uma das 9 áreas estratégicas para prevenir e combater os comportamentos e discriminações sexistas que afetam raparigas/ mulheres, mas também rapazes/ homens.

As bibliotecas escolares são os pontos focais das escolas para este concurso e através delas a CIG e a PpDM irão realizar, no próximo dia 12 de outubro, uma ação de formação a distância de 3 horas, acreditada, para docentes das escolas com interesse em trabalhar com as suas turmas para a participação neste concurso (inscrições). O objetivo da formação é dar a conhecer a primeira definição internacional de sexismo que esta Recomendação apresenta, bem como as ideias-chave que o CoE apresenta sobre as causas, manifestações e efeitos deste fenómeno, os principais contextos em que ele é vivenciado por raparigas/mulheres, bem como por rapazes/homens, e as propostas de ação para o prevenir. Pretende-se ainda divulgar a campanha do CoE Sexismo. Repara nele. Fala dele. Acaba com ele. É neste âmbito que o lançamento deste concurso constitui uma atividade do Projeto Europeu Mobiliza-te contra o Sexismo II, coordenado em Portugal pela PpDM.

Patrocinam este concurso a Auchan e a Xerox responsáveis pelos prémios a atribuir às equipas vencedoras.

De acordo com o Regulamento do concurso, que agora se divulga, as escolas terão de enviar até dia 10 de janeiro de 2022 os vídeos produzidos pelas suas alunas e alunos e cuja duração não poderá exceder os 3 minutos, acompanhados do respetivo formulário, bem como da declaração de aluna/o e da declaração  de encarregada/o de educação. A cerimónia pública de entrega dos prémios está marcada para o dia 30 de março.

Mais informações, contacte através de concursovideonaosexismo@gmail.com.

#AcabaComOSexismo #StopSexism #MeToo

Seg | 27.09.21

Mês Internacional da Biblioteca Escolar (MIBE)

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Outubro é o Mês Internacional da Biblioteca Escolar (MIBE), uma celebração anual das bibliotecas escolares em todo o mundo, uma oportunidade para darem a conhecer o trabalho que desenvolvem e mostrarem que não são apenas um serviço, mas um centro nevrálgico vital nas escolas. A chamada à ação é da IASL (International Association of School Librarianship).

Como habitualmente, a Rede de Bibliotecas Escolares lança um desafio às bibliotecas: Recriação artística de contos de fadas e contos tradicionais de todo o mundo, a qual pode assumir diferentes formas:

- dramatização;

- espetáculo musical;

- filme;

- desenho ou pintura;

- trabalho tridimensional;

- performance de leitura em voz alta.

Leia tudo sobre a iniciativa no Portal RBE (https://www.rbe.mec.pt/np4/MIBE.html).

Sex | 24.09.21

Centenário de Paulo Freire II: A escola deve intervir na realidade

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Em setembro comemora-se o centenário de nascimento do humanista e pedagogo brasileiro Paulo Freire (19 de setembro de 1921 – 1997), fonte de inspiração quando se pensa a educação e a escola – e a biblioteca – em ligação a um propósito social, de libertação e emancipação, individual e coletivo, face à opressão/ autoritarismo e mentira/ desinformação.

Da experiência de educação de adultos ao Plano Nacional de Alfabetização, cuja implementação inicia em 1964 e à sua vasta obra, da qual se destaca Pedagogia do Oprimido, de 1974, há três ideias que destacamos porque podem ajudar à valorização da escola – e da biblioteca – na comunidade e à recuperação. Ontem, apresentamos uma dessas ideias, hoje, damos continuidade.

“Quero aprender a ler e a escrever”, disse uma analfabeta do Recife, ‘para deixar de ser sombra dos outros.’” 1

O modelo de educação contextualizado proposto por Paulo Freire, apresentado na publicação de ontem, é libertador porque incentiva a ação transformadora baseada na reflexão crítica (praxis) que visa a superação das formas de desumanização/ desigualdade e de manipulação/ alienação, bem como a emancipação/ autonomia e realização.

Na atualidade a disseminação de desinformação na internet, que põe em causa democracia, liberdades e saúde pública, faz com que os media seja um campo essencial de alfabetização e crítica. No contexto de utilização em massa da televisão, afirma Freire: “Como educadores e educadoras progressistas não apenas não podemos desconhecer a televisão mas devemos usá-la, sobretudo, discuti-la. Não temo parecer ingênuo ao insistir não ser possível pensar sequer em televisão sem ter em mente a questão da consciência crítica. É que pensar em televisão ou na mídia em geral nos põe o problema da comunicação, processo impossível de ser neutro. Na verdade, toda comunicação é comunicação de algo, feita de certa maneira em favor ou na defesa, sutil ou explícita, de algum ideal contra algo e contra alguém, nem sempre claramente referido2.

Porque incentiva e acelera a consciencialização e exercício de direitos e deveres, a equidade e justiça social, a escola contribui para o bem comum e possui um propósito político – “Ninguém pode estar no mundo e com os outros de forma neutra. Não posso estar no mundo de luvas nas mãos constatando apenas. A acomodação em mim é apenas caminho para a inserção, que implica decisão, escolha, intervenção na realidade” 3. Apresenta propostas pedagógicas cooperativas, que mobilizam parcerias adaptadas à vida dos alunos - famílias, autarquia, bibliotecas municipais e instituições culturais, outras escolas e universidades, organizações não governamentais, media e outras empresas – e que reforçam o seu envolvimento na sociedade (escola cidadã).

Na perspetiva freiriana o professor é um mediador que cria ambientes/ contextos em que todos se sentem acolhidos para participar, partilhando opiniões, inquietações, frustrações, desejos e esperanças. Mais do que dar respostas, o papel do professor é gerar questões/ dúvidas, propor desafios, provocando a curiosidade – “Como professor devo saber que sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, não aprendo nem ensino” 4 - e a necessidade de aprender – “Quando entro em uma sala de aula devo estar sendo um ser aberto a indagações, às perguntas dos alunos, a suas inibições; um ser crítico e inquiridor, inquieto em face da tarefa que tenho – a de ensinar e não a de transferir conhecimento” 5.  

 

Referências

1. Freire, P. (1967). Educação como prática de liberdade https://cpers.com.br/wp-content/uploads/2019/09/5.-Educa%C3%A7%C3%A3o-como-Pr%C3%A1tica-da-Liberdade.pdf

2. Freire, P. (1996). Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. https://cpers.com.br/wp-content/uploads/2019/09/9.-Pedagogia-da-Autonomia.pdf

3. Ibid.

4. Ibid.

5. Ibid.

 

Fonte da imagem: “Mural de Paulo Freire na Faculdade de Educação e Humanidades da Universidade do Bío-Bío, Chile”.Wikipedia, a enciclopédia livre. https://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_Freire#/media/Ficheiro:Painel.Paulo.Freire.JPG

Qui | 23.09.21

Centenário de Paulo Freire I: Ligação do conhecimento à vida e ao conhecimento prévio dos alunos

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Em setembro comemora-se o centenário de nascimento do humanista e pedagogo brasileiro Paulo Freire (19 de setembro de 1921 – 1997), fonte de inspiração quando se pensa a educação e a escola – e a biblioteca – em ligação a um propósito social, de libertação e emancipação, individual e coletivo, face à opressão/ autoritarismo e mentira/ desinformação.

Da experiência de educação de adultos ao Plano Nacional de Alfabetização, cuja implementação inicia em 1964 e à sua vasta obra, da qual se destaca Pedagogia do Oprimido, de 1974, há três ideias que destacamos porque podem ajudar à valorização da escola – e da biblioteca – na comunidade e à recuperação e que serão brevemente apresentadas em três publicações neste espaço.

“Para ser grande, sê inteiro: nada/ Teu exagera ou exclui./ Sê todo em cada coisa. Põe quanto és/ No mínimo que fazes./ Assim em cada lago a lua toda/ Brilha, porque alta vive.” 1

Nas abordagens de educação popular em Angicos, Rio Grande do Norte (1962), feitas sem cartilha, Paulo Freire e colegas educadores estabelecem uma relação de proximidade, respeito e afetividade com seus alunos. Através de encontros informais, inteiram-se e apropriam-se das suas histórias, saberes e valores, bem como do vocabulário específico de cada grupo - "cana", "enxada", "terra", “água”, "colheita" para turma de cortadores de cana-de-açúcar - e identificam os seus problemas e sonhos/ utopias.

Na sequência dos trabalhos de David Ausubel sobre aprendizagem significativa, Paulo Freire defende que aprendemos a partir de relações:

- Consigo próprio;

- Com os outros e, por isso, “Neste lugar de encontro, não há ignorantes absolutos, nem sábios absolutos: há homens que, em comunhão, buscam saber mais” 2. Defende que “Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender” (“do-discência – docência-discência”) 3. Distancia-se, assim, de uma perspetiva elitista/ académica e especializada/ fragmentada de ensino e de um modelo tecnocrático de aulas com conteúdos pré-elaborados/ gravados, dirigidos a um elevado número de alunos e que se expandiu com o confinamento (conceito "bancário" da educação);

- Com o mundo: o educador precisa de aprofundar e alargar a leitura do mundo que os grupos de alunos com quem trabalha fazem a partir do seu contexto local: a “’leitura do mundo’ que precede sempre a ‘leitura da palavra’”4.

A ligação permanente ao mundo e aos outros alimenta a curiosidade, alarga os interesses, promove a vontade de aprender para e ao longo da vida e reforça vínculos/ laços entre a comunidade, promovendo a interculturalidade e o enraizamento.

A aprendizagem gera-se a partir do contacto com a realidade e no coletivo e faz-se com base no diálogo que exige saber escutar e silenciar, disponibilidade de abertura e aceitação do outro nas suas diferenças. O verdadeiro diálogo com os alunos começa quando o professor se interroga sobre o que vai dialogar com eles, inquietando-se sobre a matéria do diálogo que deve ser planeada com eles, na base da sua participação ativa e democrática 5. Quem aprende constrói um sentido pessoal e vivo do currículo e contribui para o currículo da escola.

Ao mesmo tempo que situa os alunos no seu contexto, estabelece a ligação deles com o mundo, levando-os a tomar consciência, questionarem, pesquisarem e desenvolverem uma atitude crítica sobre o seu dia-a-dia, a sociedade e o ambiente e a construírem uma visão global/ sistémica do mundo que ligue os saberes e vivências e lhes permita compreender a complexidade.

 

Referências

1. Pessoa, F. (1933). Arquivo Pessoa: Odes de Ricardo Reis. http://arquivopessoa.net/textos/503

2. Freire, P. (1970). Pedagogia do oprimido. https://cpers.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Pedagogia-do-Oprimido-Paulo-Freire.pdf

3. Freire, P. (1996). Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. https://cpers.com.br/wp-content/uploads/2019/09/9.-Pedagogia-da-Autonomia.pdf

4. Ibid.

5. “Capítulo 3. O diálogo começa na busca do conteúdo programático”. Freire, P. (1970). Pedagogia do oprimido. https://cpers.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Pedagogia-do-Oprimido-Paulo-Freire.pdf

6. Freire, P. (1967). Educação como prática de liberdade https://cpers.com.br/wp-content/uploads/2019/09/5.-Educa%C3%A7%C3%A3o-como-Pr%C3%A1tica-da-Liberdade.pdf

 

Fonte da imagem: Instituto Paulo Freire. https://www.paulofreire.org/

Seg | 20.09.21

Centenário de José Saramago

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A 16 de novembro de 2022 assinala-se o Centenário do nascimento de José Saramago e a Rede de Bibliotecas Escolares, parceira da Fundação José Saramago, participa e colabora no Programa de homenagem do cidadão e escritor que se inicia nos 365 dias anteriores.

No campo da leitura, o programa “Saramago na Escola” inclui as “Leituras Centenárias”, uma parceria da Fundação José Saramago com a Rede de Bibliotecas Escolares e com o Plano Nacional de Leitura.

Assinalando a abertura do Centenário, no dia 16 de novembro de 2021 realizar-se-ão, em 100 Escolas Básicas portuguesas, sessões de leitura do conto “A Maior Flor do Mundo”, presente no currículo escolar do 4º ano do Ensino Básico.

As inscrições para as “Leituras Centenárias” terão lugar até 30 de setembro de 2021, através do endereço centenário@josesaramago.org  .No portal RBE encontrará mais informações.

No contexto do Quadro Estratégico 2027: Bibliotecas Escolares: presentes para o futuro, educar para um modo de vida sustentável e humanista, que conjugue conhecimentos, competências, valores e participação, implica pensar e criar experiências de aprendizagem amplas, aprofundadas e integradas na vida de cada um.

O Centenário gera esta oportunidade! Leia como no portal RBE: https://www.rbe.mec.pt/np4/835.html

Sex | 17.09.21

Quadro Estratégico da RBE | Para onde vão as bibliotecas escolares?

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O Quadro Estratégico da Rede de Bibliotecas Escolares, definido para o período de 2021-2027, orienta a sua ação e aponta caminhos para que todas as comunidades educativas usufruam de bibliotecas escolares de excelência. Esta é, aliás, a missão do Programa RBE, que visa apoiar as bibliotecas para que estas “respondam de forma eficaz e inovadora aos desafios colocados à educação e à escola, garantindo a todos, e com todos, ambientes de informação e conhecimento, conducentes ao desenvolvimento dos saberes e competências indispensáveis numa sociedade cada vez mais dinâmica, imprevisível, digital e global” (RBE, 2021, p. 27).

Bibliotecas Escolares: presentes para o futuro é o foco da ação do Programa RBE, pelo que, ao longo do presente ano letivo, serão publicadas neste espaço orientações e pistas de trabalho para apoiar o trabalho das bibliotecas.

Estas publicações estarão organizadas em torno dos quatro eixos estratégicos definidos no Quadro Estratégico: Sítios, Saberes, Pessoas e Ligações, tendo sempre em vista a qualidade e melhoria contínua. Nesse sentido, as publicações terão em conta as linhas de ação, por eixo, a saber:

1. Sítios:

- Espaços físicos e digitais;

- Serviços;

- Equipamentos, conetividade e softwares;

- Recursos humanos.

2. Saberes:

- Ação pedagógica;

- Serviços e programas na área da leitura e da escrita;

- Programas de literacias da informação, dos media e digital;

- Práticas interdisciplinares que promovam a colaboração, a experimentação e a criação.

3. Pessoas:

- Ação na área da cidadania;

- Práticas promotoras do desenvolvimento da sensibilidade e da criação estética e cultural;

- Dinâmicas que conduzam a comportamentos e estilos de vida responsáveis.

4. Ligações:

- Articulação com diferentes organismos do Ministério da Educação;

- Desenvolvimento e consolidação de redes de otimização e partilha de saberes, recursos e prática;

- Criação / consolidação de parcerias;

- Articulação com as famílias e as comunidades;

- Integração em redes de desenvolvimento e cooperação internacional.

Espera-se, desta forma, dar alguns contributos para apoiar a concretização dos planos de ação das bibliotecas escolares, em consonância com as orientações do Ministério da Educação (ME) e com orientações internacionais nas áreas da educação e, especificamente, das bibliotecas. Nesse sentido, e tendo em conta as orientações do ME para o ano letivo 2021-2022, começar-se-á por dar especial atenção à recuperação das aprendizagens, com destaque especial para a leitura e a escrita, competências essenciais para o sucesso dos alunos. Para além disso, e face à crescente digitalização e ao movimento global de transição digital, serão apresentadas orientações e propostas que apoiem as bibliotecas escolares a desenvolver-se do ponto de vista digital, contribuindo, dessa forma, para a operacionalização dos Planos de Desenvolvimento Digital das Escolas.

 

Referências

Rede de Bibliotecas Escolares (2021). Bibliotecas Escolares: presentes para o futuro. Programa Rede de Bibliotecas Escolares: Quadro estratégico: 2021-2027. Lisboa: ME.

 

Fonte da imagem

Photo by Ryoji Iwata on Unsplash

Qui | 16.09.21

Consulta Pública da Comissão Europeia

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#DigitalDecade4YOUth

Como parte integrante da sua visão e dos novos caminhos a criar para a Transformação Digital da Europa até 2030, a Comissão Europeia pretende assegurar que o mundo digital está preparado para o futuro. No âmbito do processo de consulta mais amplo, de maio a outubro de 2021, crianças, jovens, pais e encarregados, professores e educadores, bem como outras partes interessadas da União Europeia, estão a ser consultados sobre as várias prioridades que visam promover, proteger, respeitar e cumprir os direitos da criança num mundo digital.

Até ao momento, o trabalho de consulta já obteve contribuições de cerca de 750 crianças e jovens através de 70 grupos-alvo, no qual o Consórcio do Centro Internet Segura esteve envolvido contando com a colaboração de vários parceiros nacionais. Pretende-se agora reunir mais informações das partes interessadas que cuidam, educam ou podem influenciar oportunidades e experiências online positivas para as crianças e jovens da Europa.

Para isso, foi disponibilizado um questionário onde constam questões, baseadas nas perguntas a que as crianças e os jovens responderam, para que seja possível comparar perspetivas. Assim, pede-se a quem preencher o questionário que considere as oportunidades e benefícios de que crianças e jovens podem usufruir estando online, os desafios e riscos que podem enfrentar e que indique quem acha que é (ou deveria ser) responsável por melhorar as experiências online. Pede-se, ainda, a sua opinião sobre o que os decisores políticos têm de fazer na próxima década para impulsionar mudanças. Importa realçar que, neste estudo, foram consultadas especificamente crianças e jovens até aos 18 anos.

Juntamente com as respostas já recebidas de crianças e jovens, o feedback fornecido neste questionário contribuirá para o desenvolvimento de um conjunto de princípios e direitos digitais para uma declaração interinstitucional entre a Comissão Europeia, o Parlamento Europeu e o Conselho, a publicar no final de 2021, bem como para a nova Estratégia Better Internet for Kids (BIK), a adotar em 2022.

O questionário está disponível em português e pode ser respondido aqui (survey), bastando selecionar a língua pretendida na coluna do lado direito.

Desde já o Consórcio do Centro Internet Segura, de que a Rede de Bibliotecas Escolares é parceira, muito agradece a colaboração de cuidadores e educadores, através da resposta ao questionário.

Ter | 14.09.21

A escola no pós-pandemia

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No sentido de ajudar a desenhar “estratégias e medidas para reduzir, nas escolas, os impactos socioeducativos da pandemia e potenciar o desenvolvimento e o progresso na aprendizagem de crianças e jovens” o Conselho Nacional de Educação (CNE) publicou a Recomendação A Escola no pós-pandemia: desafios e estratégias 1.

Tem como complemento o Estudo sobre a primeira vaga da Covid 19 (março a julho 2020),  Educação em Tempo de Pandemia: Problemas, respostas e desafios das escolas 2, reflexão alargada com vários contributos, incluindo audições de pessoas e entidades, que reúne cronologia e indicadores.

O contexto d’ A Escola no pós-pandemia é o de uma realidade mutável e inesperada, proporcionada pela situação de emergência da pandemia, que exige o envolvimento e empenho de docentes, não docentes, famílias e comunidades que, no início da pandemia, souberam responder “com enorme dedicação e eficácia”. Por conseguinte, a reflexão do CNE segue “uma visão da escola e da comunidade escolar como um todo (whole school approach)”, dotado de autonomia e que trabalha em conjunto na procura de soluções.

O documento organiza-se em 8 pontos que incidem sobre os vários atores e desafios:

  1. Bem-estar e progressão nas aprendizagens;
  2. Currículo e gestão do currículo;
  3. Práticas pedagógico-didáticas e de avaliação;
  4. Formação de pessoal docente e reforço de condições e recursos;
  5. Lideranças, trabalho colaborativo e equipas multidisciplinares;
  6. Escola e famílias;
  7. Escola e comunidade;
  8. Formação inicial de professores e de outros profissionais.

Não obstante o seu caráter indissociável, na abertura do ano letivo 2021/ 2022 destacam-se ideias provenientes sobretudo dos três primeiros pontos, que podem inspirar e orientar a convivialidade e o planeamento e ação estratégica das bibliotecas escolares.

 

  1. Bem-estar e progressão nas aprendizagens

- A principal preocupação por parte das escolas deve ser “ouvir as crianças e jovens e identificar as condições psicoafectivas e de aprendizagem de cada um deles para que se possa atuar nestas duas frentes — aprendizagens essenciais e estruturantes e bem-estar emocional”.

A Recomendação A voz das crianças e dos jovens na educação escolar 3,  generalizada à Educação Pré -Escolar, Ensino Básico e Secundário e Ensino Profissional, entende “por ‘voz das crianças e dos jovens na Educação Escolar’ a possibilidade e o direito das crianças e dos jovens terem oportunidade para exprimir as suas ideias e opiniões ao longo de todo o processo educativo”. Este é um documento importante porque:

- Reconhece as “várias dimensões transversais da voz: como instrumento de interação, de participação, de apropriação do conhecimento e de empoderamento social, promotores de desenvolvimento humano e de afirmação de cidadania”;

- Afirma que é “indispensável ao processo de aprendizagem” – “se nós não falarmos a professora nunca vai saber se aprendemos ou não aprendemos”, diz um aluno do primeiro ciclo, referido no documento - e de socialização democrática das crianças e jovens;

- Do reconhecimento do valor da sua voz em contexto escolar geram-se, segundo diversa literatura científica, benefícios: “empoderamento, motivação, envolvimento e sucesso nas aprendizagens” e “transformação do papel do professor”.

Segundo A escola no pós-pandemia, crianças e jovens devem ser ouvidos e ver “a sua participação ser respeitada e considerada” em todas as decisões que os envolvem, inclusive a respeito da escola (e da biblioteca): sua organização e funcionamento, gestão e desenvolvimento do currículo, processo de aprendizagem (objetivos, percursos e ritmos, recursos, avaliação pedagógica…) e formação de professores são áreas cujas decisões deveriam integrar contributos das crianças e jovens. Lembrando Paulo Freire, cujo centenário se celebra a 19 de setembro 4, “A educação autêntica não se faz de A para B ou de A sobre B, mas de A com B”.

- As estratégias pedagógicas para consolidar e adquirir aprendizagens essenciais devem ser desenhadas, implementadas e avaliadas com as crianças e jovens, “sem recorrer a ‘mais do mesmo’": aumento da carga letiva e manutenção de estratégias pedagógicas que induzem à passividade dos alunos. Privilegiam-se “atividades e espaços não escolarizados de socialização e integração” informal, como “visitas culturais ou de contacto com a natureza, jogos colaborativos, dinâmicas de conhecimento e acolhimento mútuo” que incluem educação artística e desportiva e integram-se estas experiências e conhecimentos na aprendizagem do currículo. Incrementam-se “entre as bibliotecas escolares e as entidades locais, atividades de animação à leitura com grupos heterogéneos que evidenciem, tanto quanto possível, a diversidade cultural e étnica dos territórios, de forma a reforçar aprendizagens diversas e uma maior socialização e conhecimento mútuo”.

 

  1. Currículo e gestão do currículo

- A gestão e planeamento do currículo deve ser revista para reforçar competências essenciais, numa perspetiva de ciclo e não de ano letivo e usando a flexibilidade curricular para colmatar falhas de aprendizagem e para dar “cada vez mais, voz aos alunos”, procurando envolvê-los, desde o primeiro ciclo, no planeamento do ano letivo, “numa lógica de gestão participada e de fomento da cidadania”.

- Na aprendizagem de conteúdos menos consolidados ou matérias novas, valorizar a sua ligação às diferentes disciplinas, de modo a construir uma visão holística e integrada do currículo, que promova o trabalho colaborativo de professores da mesma turma/ departamento/ ano de escolaridade, em áreas como planificação de conteúdos, elaboração de tarefas e formas e instrumentos de avaliação.

 

  1. Práticas pedagógico-didáticas e de avaliação

- Nas aprendizagens em falta, envolver e integrar as crianças e jovens através de “práticas de aprendizagem ativa e colaborativa” - metodologias de projeto, investigação e resolução de problemas e de trabalho cooperativo - e promover o acompanhamento mútuo de parcerias entre alunos, em regime de voluntariado, para apoio ao estudo ou a outras necessidades – a Recomendação reconhece o voluntariado juvenil uma “forma de enriquecimento pessoal e curricular”.

- As literacias da leitura, da escrita e da oralidade devem ser trabalhadas por todos os professores transversalmente, ao longo de todo o percurso educativo do aluno. A escola também deve investir na literacia científica e matemática, através da criação de planos específicos. Literacia mediática e digital, gestão e autorregulação das emoções e métodos de estudo são componentes de trabalho regular da biblioteca escolar, que devem integrar as propostas de recuperação das escolas.

- No regresso ao presencial, é importante preservar e incrementar competências digitais, incentivando, durante o horário escolar, práticas de aprendizagem mistas, com componente presencial e à distância (blended learning) e uso de ferramentas digitais que promovam diversificação de estratégias, trabalho autónomo e avaliação formativa. As oportunidades de promoção de literacia digital devem abranger alunos, docentes e não docentes e famílias. A Recomendação considera ainda que, para os alunos que vivem em regiões ou frequentam escolas com menos ofertas educativas no secundário, se equacione “a possibilidade de, aproveitando as funcionalidades do ensino remoto conjugadas com momentos presenciais, oferecer, com caráter de excecionalidade, algumas disciplinas [à distância] que vão ao encontro das opções dos alunos, em termos de áreas de conclusão do ensino obrigatório e de acesso ao ensino superior".

- Na avaliação abandonar a “ênfase excessiva na orientação para os resultados” e privilegiar a finalidade formativa que fomenta a aprendizagem e melhoria contínua.

O importante não é recuperar os “dias perdidos”, mas aprofundar uma visão de escola integradora e humanista que partilhe com as crianças e jovens e a comunidade a responsabilidade de co-criação de condições para fazer da escola “um espaço aprazível” que reúna as melhores condições para as crianças e jovens progredirem nas respetivas aprendizagens, tendo em vista sucesso, inclusão e cidadania, os três pilares do Plano 21|23 Escola+ 6.

Porque “situações excecionais podem ser a alavanca” para mudanças conducentes à “Escola que desejamos” a Recomendação abrange outras medidas de maior alcance: reformulação dos currículos “por forma a disponibilizar um referente curricular coerente, focado e flexível”; reorganização do secundário - o 10.º ano deve ser “mais livre e transversal (…) relegando para os 11.º e 12.º anos a escolha das vias de conclusão e acesso ao ensino superior”; “mais condições às escolas para desenvolver” artes e desporto, “permitindo a gestão mais autónoma dos recursos e a contratação de professores especialistas” e acesso ao ensino superior em outros moldes para que o percurso escolar “não esteja condicionada por este acesso, nem as provas que para ele se realizem induzam práticas letivas e de aprendizagem baseadas, quase exclusivamente, no treino e na memorização”.

 

Referências

1. Conselho Nacional de Educação. (junho de 2021). Recomendação A Escola no pós-pandemia: desafios e estratégias. https://www.cnedu.pt/content/deliberacoes/recomendacoes/REC_A_Escola_no_pos-pandemia.pdf

2. Conselho Nacional de Educação. (junho de 2021). Educação em Tempo de Pandemia: Problemas, respostas e desafios das escolas. https://www.cnedu.pt/content/iniciativas/estudos/Educacao_em_tempo_de_Pandemia.pdf

3. Conselho Nacional de Educação. (14 de julho de 2021). A voz das crianças e dos jovens na educação escolar. https://www.cnedu.pt/content/deliberacoes/recomendacoes/Recomendacao_n._2_2021_Voz.pdf

4. Instituto Paulo Freire. (19 de fevereiro de 2021).Convite para celebrar o Centenário de Paulo Freire. https://www.paulofreire.org/noticias/813-convite-para-celebrar-o-centen%C3%A1rio-de-paulo-freire

5. Rede de Bibliotecas Escolares. (2020) Biblioteca Escolar Digital: Instrumentos. https://digital-rbe-d01.blogspot.com/

6. Ministério da Educação. (julho de 2021). Plano 21|23 Escola+. https://escolamais.dge.mec.pt/

Fonte da Imagem: Conselho Nacional de Educação. (junho de 2021). Recomendação A Escola no pós-pandemia: desafios e estratégias. https://www.cnedu.pt/content/deliberacoes/recomendacoes/REC_A_Escola_no_pos-pandemia.pdf

Sab | 11.09.21

Boas Vindas à Biblioteca Escolar. Estamos com todos!

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Chega o mês de setembro e com ele o início de mais uma etapa que marca inequivocamente todos os membros de uma comunidade educativa, particularmente por representar um novo ciclo que se renova no processo de aprender, de ensinar, mas também de desenvolvimento de competências sociais e emocionais geradoras de momentos de bem-estar!

Esta ideia é particularmente reforçada para um ano letivo em que desejamos muito que se restabeleça alguma normalidade permitindo que as interações e os cenários de aprendizagem sejam sobretudo presenciais.
Ainda assim, aproveitemos as oportunidades que as tecnologias e canais digitais das nossas bibliotecas oferecem e estando todos nós empenhados em promover as melhores práticas e fornecer a melhor (in) formação, participemos nesta festa que deve constituir o início de um novo ciclo letivo.

Aqui se centra o desafio que propomos a todas as bibliotecas, para este mês de setembro. Partilhem com a vossa comunidade as boas vindas à escola, mas particularmente ao serviço(s) que a Biblioteca Escolar oferece. Façam-no de forma criativa, mas geradora de empatia e bem-estar e que os potenciais utilizadores se sintam acolhidos.

- Uma imagem graficamente apelativa com uma mensagem consistente não esquecendo a identificação da Escola/ biblioteca, que podem publicar nos diferentes canais digitais que disponibilizam e que podem, no dia de receção aos novos alunos, constituir com um 1º passo para uma boa política de comunicação da biblioteca para a comunidade.

- Um pequeno/ breve filme (uma curta) com mensagem impactante! …

- Um infográfico apelativo e claro, …

O que a vossa imaginação e criatividade ditar, e de acordo com a comunidade que as bibliotecas servem!

Partilhem nos vossos canais e façam-nos chegar essa informação para que divulguemos no Instagram RBE.

Para o efeito:
Usem hashtags - #boasvindas_bibliotecaescolar #bibliotecaescolar

Partilhem a ligação connosco preenchendo o seguinte formulário disponível nesta hiperligação.

Serão selecionadas e partilhadas pela RBE as publicações mais criativas que identifiquem a escola/ biblioteca Escolar e que estejam divulgadas nos canais oficiais das Bibliotecas.

Aceitem o desafio! Façam-no sobretudo pela Vossa comunidade.

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