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Blogue RBE

Ter | 28.06.22

Literacias

Escola Básica e Secundária Pintor José de Brito, Viana do Castelo

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Leitura: 3 min |

Literacias é uma disciplina de Oferta Complementar, obrigatória para todos os alunos dos 2.º e 3.º ciclos da Escola Básica e Secundária Pintor José de Brito, Santa Marta de Portuzelo, Viana do Castelo, desde 2011/2012. Semanalmente, os alunos contam com 45 minutos no seu horário, dedicados a esta disciplina, lecionada pelos docentes de Oferta Complementar e, em momentos previamente planificados, simultaneamente pela professora bibliotecária, em situações de coensino.

A partir de situações de aprendizagem que se pretendem aprofundar numa determinada disciplina, os docentes de Oferta Complementar (que lecionam também as diferentes disciplinas), em articulação com a professora bibliotecária, planificam o trabalho a realizar, identificam as competências a desenvolver e a forma como o processo e os produtos criados irão ser avaliados.

Na biblioteca ou em sala de aula, os alunos, normalmente organizados em grupos, realizam aprendizagens relacionadas com os conteúdos programáticos da disciplina envolvida e desenvolvem, em contexto, competências de informação: pesquisam em livros, revistas e/ou na Internet, aprendem a avaliar as fontes, a utilizar um guião de pesquisa de informação, a organizar a informação de forma clara e rigorosa, a fazer referências bibliográficas e a comunicar, utilizando diferentes recursos e estratégias.

A avaliação do processo e dos produtos criados é realizada também, em simultâneo, pelo professor de Oferta Complementar e pela professora bibliotecária. Além dos saberes inerentes às disciplinas envolvidas, são também avaliados conhecimentos, capacidades e atitudes que se materializam em competências transversais, na área da linguagem, da informação e comunicação, do raciocínio e resolução de problemas, do pensamento crítico e criativo, do relacionamento interpessoal, do desenvolvimento pessoal e autonomia dos alunos.

A criação desta disciplina surgiu na sequência do diagnóstico realizado, aquando da elaboração do Projeto Educativo, em 2010/2011, que dava conta das fragilidades dos alunos ao serem confrontados com a necessidade de procurar informação fiável, de fazer o tratamento dos dados recolhidos com rigor e de comunicar as aprendizagens realizadas com clareza. Aproveitando o lançamento do referencial «Aprender com a Biblioteca Escolar», por parte da Rede de Bibliotecas Escolares, e o desafio para o aplicar, enquanto escola piloto, a Escola Básica e Secundária Pintor José Brito deu início a uma experiência de trabalho que dura há uma década e se tem vindo a adaptar à realidade educativa do agrupamento, ano após ano.

Além da melhoria de desempenho verificada nas apresentações de trabalhos, por parte dos alunos, e do aumento de requisição de documentos para a sala de aula, o impacto desta iniciativa verifica-se também ao nível das relações de trabalho entre os docentes. As orientações sobre a flexibilização curricular não encontraram grande resistência neste agrupamento, uma vez que os docentes há muito tempo que trabalham numa lógica de articulação e transversalidade.

O desenvolvimento de competências na área da informação e da comunicação continuam o cerne das linhas programáticas desta disciplina, um espaço ideal para a concretização do trabalho que se pretende realizar com a biblioteca escolar.

Ver também o vídeo: https://www.rbe.mec.pt/np4/228.html

 

Seg | 27.06.22

Leitura partilhada

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Leitura: 5 min | 

No contexto de mudança e incerteza quanto ao futuro e de aumento significativo dos problemas de saúde mental, Atlanta Meyer, Presidenta da Secção de Leitura e Literacia da International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA) afirma que a “Seção de Leitura e Literacia está atualmente a concentrar-se na Leitura para o Bem-Estar. Este assunto tem sido o nosso foco principal nos últimos dois anos e atualmente estamos a planear iniciativas e programas em torno de Biblioterapia, Leitura Partilhada, Leitura Consciente e Contar Histórias”.

Neste contexto, propomos-lhe sugestões sobre como orientar a discussão em grupo de um livro lido por todos os participantes, bem como iniciar cada sessão ou resolver questões práticas.

Discussão sobre o livro: diretrizes & questões

Segundo Diretrizes para Discussão do Livro da Cooperative Children’s Book Center (CCBC) [1], é importante que “Olhe para cada livro pelo que é, ao invés do que não é” e, por isso, o diálogo deve iniciar-se com comentários positivos sobre o que gostou no livro e porquê. Exemplo: A fábula de Esopo, O menino, o velho e o burro mostra que devemos pensar e decidir por nós próprios, sem ter em conta as opiniões dos outros.  

Só depois de todos, sem exceção, dizerem o que gostaram no livro se deve falar de dificuldades que os leitores tiveram com aspetos específicos do livro. A CCBC sugere que apresentemos as dificuldades sob a forma de pergunta, em vez de juízo crítico. Exemplo: Porque é que o autor colombiano, Gabriel García Márquez, no romance O Amor nos Tempos de Cólera usa palavras semelhantes para descrever os efeitos do amor e da cólera? 

Recomenda ainda que não se faça o resumo do livro e que se tente comparar o livro com outros livros da lista de discussão para incentivar leituras e encontros futuros.

Relativamente à dinâmica de intervenções, é importante advertir que na discussão não há respostas certas, que todos os cometários são importantes para dar vida e aprofundar o significado do texto e desenvolver uma perspetiva crítica. É fundamental que todos partilhem o seu ponto de vista com todos respondendo, sempre que oportuno, aos comentários, de modo a que conversem uns com os outros sobre o livro, criando laços de pertença e sentido de comunidade.

Library Booklists [2] disponibiliza recursos para grupos de leitura - por exemplo: conselhos sobre como começar um grupo, listas temáticas de livros em inglês para diferentes públicos e calendário de aniversário de autores – e, com base neles, propomos-lhe que crie um guião específico para o livro ou, em alternativa, que dê início a tópicos gerais que possam constituir ponto de partida para a livre expressão dos pontos de vista de cada um a propósito do livro: 

- O que gostaram e porquê; 

- Capa e títulos dos capítulos: que pistas lançam, há algo que não faça sentido; 

- Excertos marcantes: seu significado e experiência pessoal semelhante;

- Protagonista: identifica-se com os seus valores e atuação;

- Personagem menor: que papel desempenha na narrativa;

- Final: é o esperado, que sugestão para final alternativo. 

Quebra-gelo

Cada sessão de leitura pode iniciar-se - ou terminar - com momento descontraído que suscite aproximação entre os participantes e melhor conhecimento do livro. Exemplo de jogos:

- Colocar num cesto perguntas genéricas, cada leitor tira uma e responde de imediato: Qual é o livro da sua vida? Que personagem literário é mais parecido consigo? Com que escritor gostaria de ir jantar? 

- Se a história do livro decorre no passado, cada leitor descreve um personagem como se a história ocorresse na atualidade (características físicas e psicológicas, local onde habita, familiares e amigos, música e comida preferidas, ocupação…); 

- Sugerir elenco da transposição do livro para filme;

- Cada leitor escreve uma pergunta sobre o livro numa tira de papel, dobra-a e coloca-a num frasco, cada um responde a uma pergunta e ganha o que tiver mais respostas corretas – também pode ser jogado entre 2 equipas e em suporte digital com questões de escolha múltipla (Kahoot). 

Como iniciar um grupo de discussão 

A America Library Association [3] dispõe de questionário e sugestões que lhe permitem planear e estruturar a atividade e resolver situações difíceis, como por exemplo: Quem não leu o livro pode participar? Todos devem ter o mesmo tempo para falar?

Grupos de leitura 

O Plano Nacional de Leitura tem uma página sobre Grupos de Leitura, na qual dá exemplos de clubes nas escolas e em organizações que se reúnem presencialmente e à distância - clubes virtuais de leitura - bem como exemplos de boas práticas e propostas de leitura para todas as idades. 

O importante agora é começar, na escola ou comunidade, pois uma experiência de leitura partilhada é importante, pois pode constituir uma oportunidade de:

- Através do convívio social, conhecer, escutar e aprender a lidar com outras pessoas que têm ideias e experiências de vida diferentes;

- A partir de um livro, descobrir e partilhar sentimentos, inquietações e reflexões;

- (Re)descobrir o gosto por ler, atividade que faz bem à saúde, para além de ter inegáveis benefícios cognitivos, económicos e sociais. 

 

Referências 

1. Kruse, G. & Horning, K. (1989). CCBC Book Discussion Guidelines. USA: Cooperative Children’s Book Center. https://ccbc.education.wisc.edu/literature-resources/ccbc-book-discussions/ccbc-book-discussion-guidelines/

2. Library Booklists. (1996). Resources for Reading Groups. S.l.: LB. https://librarybooklists.org/readinggroups/index.htm

3. America Library Association. Book Discussion Groups. USA: ALA. https://libguides.ala.org/bookdiscussiongroups/startguide

4. Fonte da imagem: Chiagano, F. (2019, 1 Sep.). Unsplash. Kyoto, Japan. https://unsplash.com/photos/rDwIXsgb2LY

Sex | 24.06.22

Disciplina de Projeto

Agrupamento de Agrupamento de Escolas Alexandre Herculano, Santarém

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Leitura: 1 min

No Agrupamento de Escolas Alexandre Herculano de Santarém, como oferta complementar no 4.º ano, temos a Disciplina de Projeto onde se pretende que os alunos se apropriem de métodos de trabalho, de pesquisa e de investigação, utilizando o modelo de pesquisa BIG6. A metodologia de projeto implementada nas turmas do 4.º ano há dois anos, foi integrada este ano letivo no PADDE deste Agrupamento e alargada às turmas dos 5.º e 7.º anos. É seguindo as seis etapas do modelo de pesquisa BIG6 que os alunos são orientados na investigação de um tema. Em relação ao 4.º ano, a temática abordada foi o património de Santarém. 

O processo é iniciado com o anúncio, pelo professor, do tema, da data-limite da entrega do trabalho e qual o público-alvo da apresentação do mesmo. Em seguida, dado o tema ser muito alargado, os alunos escolhem um subtema, identificam o que já sabem e questionam-se sobre o que não sabem, construindo várias perguntas que constituem as linhas orientadoras de todo o trabalho de pesquisa.

Posteriormente, identificam, para cada pergunta, as possíveis fontes de pesquisa para recolherem a informação.

Segue-se a pesquisa in loco, em livros e em páginas Web. Na fase da pesquisa os alunos conhecem as regras básicas para uma maior eficácia a pesquisar na Internet, aprendem a reconhecer páginas Web de confiança, assim como a fazerem referências bibliográficas de livros e de páginas Web.

Seguidamente, há o registo da informação que dá resposta às perguntas feitas inicialmente. 

A etapa seguinte é a escolha da forma mais adequada de apresentar o trabalho ao público-alvo. Escolhida a forma de apresentação, constroem-se os artefactos.

Por fim, há a avaliação do processo e do produto. Finalizada a avaliação, é organizado o evento de apresentação do trabalho de pesquisa.

Todo o trabalho que se vai realizando nas aulas é partilhado num portefólio digital usando o Sway, uma aplicação do Office (https://sway.office.com/JtqxHwDVpESUbAgp?ref=Link / https://sway.office.com/rHrW7PvnfPvyAudp?ref=Link).

A ligação do Sway é partilhada com os encarregados de educação que, assim, seguem passo a passo a metodologia de trabalho e ficam com o registo das informações transmitidas nas aulas, podendo posteriormente acompanhar os seus educandos em trabalhos futuros.

Qui | 23.06.22

Palmo e meio de Leituras

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Leitura: 2 min | 

No passado dia 27 de maio teve lugar a final do "Palmo e Meio de Leituras" - Concurso de Leitura do 1.º Ciclo do Concelho de Peniche, uma atividade dinamizada no âmbito do trabalho conjunto desenvolvido pelas Bibliotecas Escolares dos três Agrupamentos de Escolas do concelho, da Biblioteca da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar (ESTM) e da Biblioteca Municipal de Peniche, e que já conta com 12 edições.

A iniciativa surgiu da aposta clara do grupo de trabalho concelhio em fomentar o gosto pela leitura e em desenvolver a competência leitora dos “leitores de palmo e meio”. Assim, exclusivamente dirigido aos alunos 1º Ciclo do Município de Peniche, este projeto concretiza-se por meio de três fases: a primeira decorre ao nível de escola, no segundo período; a segunda ao nível de agrupamento (Agrupamento de Escolas de Peniche, Agrupamento de Escolas D. Luís de Ataíde e Agrupamento de Escolas de Atouguia da Baleia), no início do terceiro período; a terceira ao nível do município, numa grande festa que ocorre sempre para fechar o mês de maio com “chave de ouro”.

A edição deste ano promoveu a leitura de textos poéticos de vários autores da literatura nacional, dadas as potencialidades do modo lírico para facilitar a aprendizagem da escrita e da leitura, bem como o aperfeiçoamento da oralidade, mas também pelo seu valor intrínseco. Assim, durante o serão, aos 36 alunos finalistas (3 de cada agrupamento, num total de 9 por ano de escolaridade) foi proposta a leitura de textos poéticos de qualidade com um grau de dificuldade e de beleza crescentes, proporcionando um agradável e emocionante sarau sui generis a todos os presentes.

Depois de duas edições em formato online, a final do concurso retomou o formato presencial e decorreu no auditório da ESTM, voltando este a encher para celebrar a leitura, reunindo alunos, professores, familiares, amigos, representantes dos Agrupamentos e do Município, da ESTM e da Rede de Bibliotecas Escolares (RBE). À poesia juntou-se a música e o sarau foi abrilhantado pela TUNA do Agrupamento de Escolas de Atouguia da Baleia, que agraciou a plateia com interpretações de temas criteriosamente selecionados para a ocasião.

Para o ano, o grupo de trabalho concelhio continuará a celebrar os livros e a leitura ao longo de todo o ano… mas a última sexta-feira do mês de maio de 2023 já está reservada para a próxima final do concurso "Palmo e Meio de Leituras".

Qua | 22.06.22

Mentoria A++

“Matching” perfeito entre a Biblioteca e o Plano de Desenvolvimento Pessoal, Social e Comunitário

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Leitura: 5 min |

A Resolução do Conselho de Ministros n.º 53-D/2020, 20 de julho no âmbito do Plano de Desenvolvimento Pessoal, Social e Comunitário (PDPSC) estimulou o AE de Santa Comba Dão  a criar o Programa Mentoria A++, robustecendo as medidas para que apontava o Plano Nacional de Promoção do Sucesso Escolar (PNPSE), promovendo-se  ao longo do presente ano letivo o estímulo  e reforço do Relacionamento Interpessoal e a Cooperação entre Alunos.

Deste programa de Mentoria A++, que conta com o envolvimento das Bibliotecas do Agrupamento, destacam-se duas das medidas: Medida 1 Apoiar a Aprender (alunos do 3º Ciclo e Ensino Secundário) e Medida 2 Aprender a Aprender” (alunos do 2º Ciclo).

Apoiar e Aprender

De alunos para alunos, esta medida pressupõe diversas etapas, desde a formação dos mentores (cf com planos de atividades), até à criação de recursos de apoio, pela biblioteca, para serem usados em contexto das sessões de encontro/ trabalho dos pares. Esta ação decorre da articulação entre a Técnica de Educação Especial e Reabilitação e a Professora Bibliotecária e implica, para além do processo de planificação, todo o acompanhamento aos mentorandos.

Todas as semanas, preferencialmente no espaço da biblioteca escolar, os alunos mentores apoiam os seus pares, designadamente no desenvolvimento das aprendizagens, esclarecimento de dúvidas, integração escolar, preparação para os momentos de avaliação e em outras atividades conducentes à melhoria dos resultados escolares.

Assume-se esta medida como uma iniciativa articulada de promoção do sucesso académico, prevenção do abandono escolar e desenvolvimento de competências socioemocionais, complementando, neste domínio, todas as restantes medidas do Agrupamento.

Como referido, as sessões decorrem frequentemente na biblioteca escolar, privilegiando a envolvência, os estímulos e recursos existentes e/ou disponibilizados (devidamente validados), impulsionadores da criação de ambientes de aprendizagem favoráveis ao desenvolvimento da criatividade e à promoção da liberdade de expressão. O processo de monitorização é feito pela equipa.

Aprender a Aprender

Dirigida ao 2º CEB, esta medida depende exclusivamente da equipa do Programa, que assume o papel de “Mentor”. Esta equipa é constituída pela Técnica de Educação Especial e Reabilitação e pela Professora Bibliotecária. Semanalmente, em horário estabelecido e num processo pedagógico sequencial, são implementadas com os alunos dinâmicas que implicam o treino da leitura e de competências de acesso, interpretação, síntese e uso da informação em momentos de produção escrita em suporte físico ou digital.

Paralelamente às ações supramencionadas, desenvolve-se um programa formativo para docentes, não docentes e pais e encarregados de educação. Articulando planos e integradas no plano de atividades da biblioteca, realizam-se ações que procuram dotar os docentes de ferramentas que contribuam para a criação de situações de aprendizagem promotoras do sucesso educativo e simultaneamente enriqueçam o portfólio das competências de leitura e escrita dos alunos. Com o propósito de fornecer estratégias e medidas que possam implementar junto dos alunos e dos educandos, também se privilegiam ações de sensibilização a pais e encarregados de educação e pessoal não docente. Estas ações de formação fomentam ainda a partilha de conhecimento e de experiências, tendo ainda como propósito o enriquecimento das áreas curriculares e do desenvolvimento pessoal, social e comunitário (ver sítio deste programa).

 Mais informação nos canais da Escola / Biblioteca Escolar:

Ter | 21.06.22

VivenciArte: um projeto com artes

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Leitura: 2 min |

Este projeto, desenvolvido em parceria entre as quatro salas do Jardim de Infância (JI) e a biblioteca escolar (BE), vai ao encontro do tema atual do JI da Venda do Pinheiro, VivenciArte, iniciado já no passado ano letivo.

As leituras e atividades dinamizadas semanalmente pela BE, feitas a partir de livros relacionados com o domínio da arte, são o mote para desafios lançados às educadoras e crianças. Como repositório de atividades e materiais usados, a BE criou uma apresentação digital interativa, na qual vão sendo registados alguns dos momentos de exploração artística em várias modalidades. A par das técnicas de expressão plástica experimentadas, aí se encontram também recursos como curtas de animação, música e divulgação de pintores e museus.

Entendendo que a arte não é um complemento educativo, mas antes faz parte de uma educação integral do ser humano, a exploração deste domínio, no ensino pré-escolar, constitui uma forma de promover o sentido estético e crítico, a curiosidade, a expressão individual da criança na descoberta de si mesma, do(s) outro(s) e do mundo, potenciando o seu desenvolvimento em várias áreas do saber.

VivenciArte espelha, assim, o processo colaborativo deste ano, com destaque para as criações das crianças, orientadas pelas educadoras Eugénia Assunção, Mariana Ferreira, Sara Janeiro e Susana Rocha (também coordenadora do estabelecimento). Além dos trabalhos realizados em sala, esta ferramenta digital dá ainda conta dos que foram feitos com a participação das famílias.

O site está em construção até ao final do ano letivo, e este será o nosso museu virtual, para podermos mostrar e recordar o que fomos fazendo em conjunto sob a influência inspiradora da(s) arte(s).

A entrada é livre - façam favor de entrar

Rosário Anselmo (professora bibliotecária)

Susana Rocha (coordenadora do JI da Venda do Pinheiro)

 

Referências

Fonte da imagem: Biblioteca Escolar e Jardim de Infância da EB1/ JI da Venda do Pinheiro. (2020). Vivenciarte: um projeto com artes. Venda do Pinheiro: Biblioteca Escolar e Jardim de Infância da EB1/ JI do Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro.  https://view.genial.ly/61a555d6b2876c0e0a0712cb/presentation-vivenciarte

Seg | 20.06.22

Mental Health Europe: É tempo de falarmos…

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Leitura: 6 min |

Maio é mês de saúde mental há mais de sete décadas, tendo sido o primeiro anúncio feito em 1949 pela ONG centenária e sem fins lucrativos, Mental Health America. A celebração tem recebido crescente interesse por formuladores de políticas e sociedade civil, particularmente no Reino Unido, onde há um ministério da solidão, atualmente presidido por Baronesa Barran, que trabalha para diminuir o preconceito à volta do tema, incentivar a procura de ajuda e a incorporação da solidão ou relações sociais nas políticas públicas e promover a realização de estudos que aprofundem a sua compreensão e combate eficaz [1].

A Semana de Conscientização da Saúde Mental realizou-se em maio em diferentes datas consoante país e organização responsável. Por exemplo, no Reino Unido a Mental Health Foundation comemora-a na terceira semana há mais de 20 anos e em 2022 criou uma publicação com 10 dicas para cuidar da saúde mental [2]:

1. Fale sobre os seus sentimentos;

2. Mantenha-se ativo;

3. Coma bem;

4. Beba com moderação;

5. Mantenha contato com pessoas;

6. Peça ajuda;

7. Faça uma pausa;

8. Faça algo em que seja bom;

9. Aceite quem você é;

10. Cuide dos outros.

Na Europa esta semana foi criada e posta em prática, pelo terceiro ano consecutivo, pela Mental Health Europe. Este ano realizou-se entre 9 a 13 de maio, subordinou-se ao tema “Fale pela Saúde Mental” - #SpeakUpForMentalHealth #EuropeanMentalHealthWeek – e destacou a saúde mental dos jovens como desafio central da sociedade, disponibilizando materiais editáveis para cidadãos e instituições se fazerem ouvir nas suas comunidades [3].

Porquê destacar a saúde mental dos jovens?

Em Portugal, o estudo publicado a 27 de maio pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, Um Novo Normal? Impactos e Lições de Dois Anos de Pandemia em Portugal, conclui que, de todos os grupos etários avaliados, os jovens são os que têm “menor sentimento de bem-estar, menor satisfação com a vida e mais níveis de depressão, ansiedade e stresse” e, no geral, pior qualidade de relações pessoais e menor satisfação com a vida. Na pandemia “um em cada dez jovens refere que passou a consumir calmantes, tranquilizantes ou outros fármacos com efeito psicotrópico”. Para responder a esta situação os “investigadores apontam ausência de medidas governamentais” e, no entanto, os jovens “devem ser encarados como um grupo de risco no futuro”. O estudo revela ainda que “são os jovens que apresentam menores índices de confiança no governo e na ciência” o que poderá ter implicações nas políticas públicas e democracia.

No relatório do Fórum Europeu da Juventude 2021 [4] baseado num inquérito a 4500 jovens europeus, concluiu-se:

Quase dois terços dos jovens podem ser afetados por questões de saúde mental e bem-estar na pandemia. Saúde mental e bem-estar das jovens mulheres era pior do que o dos homens jovens. Jovens em situações marginalizadas são também mais afetados. Fatores que afetam saúde mental foram, sentimento de solidão, incerteza sobre o trabalho ou a escola, infelicidade com mudanças no trabalho, educação ou circunstâncias de vida, ansiedade geral relacionada com pandemia” e decisores de políticas não apresentam respostas eficazes para o problema.

O Atlas de Saúde Mental 2020 da Organização Mundial de Saúde afirma que apenas 25% dos países-membros integram a saúde mental nos seus sistemas universais de saúde, deixando a maioria dos doentes sem tratamento, não obstante os encargos económicos destas doenças corresponder em média a 4% do PIB. Aqueles que são tratados são ainda muitas vezes alvo de discriminação e preconceito e de maior violação de direitos humanos.

Na página reservada à Saúde Mental, a OMS refere que em 2019 o suicídio era a quarta principal causa de morte de jovens entre 15 a 29 anos. 

Segundo a revista britânica The Lancet, a pandemia aumentou drasticamente o número: mais 53,2 milhões de casos de transtorno depressivo e mais 76,2 milhões de casos de transtornos de ansiedade no mundo, sendo mulheres e jovens os mais afetados [5].

E ainda não conhecemos os efeitos da guerra desencadeada pela Rússia contra a Ucrânia, que provavelmente aumentará a gravidade do problema.

Porque é que é vital falarmos de doença mental na biblioteca escolar?

1. Porque a saúde mental deve ser trabalhada em todos os setores, inclusive na educação porque não é apenas o tratamento especializado que contribui para a sua diminuição da doença, mas também aspetos sociais e económicos, como educação, trabalho, habitação. Neste contexto a Organização Mundial de Saúde reconhece que as metas da saúde e bem-estar – ODS 3: “Garantir o acesso à saúde de qualidade e promover o bem-estar para todos, em todas as idades” - podem ser alcançadas através de outros objetivos para o desenvolvimento sustentável.

2. Porque a biblioteca escolar é um espaço seguro, de inteira liberdade - sem preconceito - e que pode disponibilizar recursos, atividades e contactos para falar de sentimentos, abordar temas difíceis e pedir ajuda. Em maio de 2022 uma das iniciativas da britânica Mental Health Foundation foram histórias de solidão que podem ser desenvolvidas com a biblioteca [6].

A prevenção da doença e a construção de sociedades saudáveis e resilientes exige que este seja um tema fundamental da leitura, conforme recomenda a IFLA em 2022.

Deixamos excerto da mensagem de Kehlani, jovem compositora e cantora de R&B e Hip Hop, da música Bright:

“Você é o que escolhe ser

Isso não cabe a mais ninguém

Portanto, seja grande, seja amável consigo

Não os deixe diminuir a sua luz

Porque um ser humano como um sol deve permanecer sempre brilhante”.

 

Referências

1. House of Commons Library. (2022, 9 May). Mental Health Awareness Week 2022: Loneliness. UK Parliament. https://commonslibrary.parliament.uk/mental-health-awareness-week-2022-loneliness/

2. Mental Health Foundation. (2022). How to look after your mental health. UK: MHF. https://www.mentalhealth.org.uk/publications/how-to-mental-health

3. Mental Health Europe. (2022). European Mental Health Week [vídeo]. Europe: MHE. https://www.mhe-sme.org/emhw/

4. Moxon, D., Bacalso, C., Șerban, A., Ciuciu, A. & Duncan, V. (2021, 17 Jun.). Beyond Lockdown: the ‘pandemic scar’ on young people - The social, economic and mental health impact of COVID-19 on young people in Europe. Brussels: European Youth Forum. https://www.youthforum.org/files/European20Youth20Forum20Report20v1.2.pdf

5. The Lancet. (2021, 8 Oct.). Global prevalence and burden of depressive and anxiety disorders in 204 countries and territories in 2020 due to the COVID-19 pandemic. UK. Elsevier. https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(21)02143-7/fulltext

6. Mental Health Foundation. (2022). Stories of loneliness. Europe: MHE. https://www.mentalhealth.org.uk/campaigns/mental-health-awareness-week/stories-of-loneliness

7. Fonte da imagem: Mental Health Europe. (2022). European Mental Health Week 2022: Speak up for mental health [vídeo]. Europe: MHE. https://www.youtube.com/watch?v=biIrCejdwm0

Sex | 17.06.22

ONU: Conferência dos Oceanos 2022 – Lisboa

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Leitura: 3 min |

Atualmente há consciência pública de que a ação humana tem efeitos destrutivos nos mares, oceanos e recursos marinhos devido à poluição plástica, pesca ilegal, aquecimento, acidificação e perda de oxigénio por emissões de dióxido de carbono e gases de efeitos de estufa.

Para alcançar o ODS 14, “Conservar e usar de forma sustentável os oceanos, mares e os recursos marinhos”, são necessárias abordagens mais ambiciosas e inovadoras baseadas em dados da ciência [1].

Portugal acolhe pela primeira vez a Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, aprovada pela Resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas n.º 73/292, de maio de 2019. Vai realizar-se em Lisboa, entre 27 de junho e 1 de julho de 2022, tem por tema Reforçar a ação dos oceanos com base na ciência e na inovação para a implementação do ODS14: avaliação, parcerias e soluções e visa discutir desafios, oportunidades e parcerias.

Esta Segunda Conferência dos Oceanos – a primeira realizou-se em 2017 - é organizada pelos governos de Portugal e Quénia e visa mobilizar a ação global para conservar e utilizar, de forma sustentável, mares, oceanos e recursos marinhos.

Dada a situação de emergência global que vivemos, seria fundamental que este encontro de especialistas, o maior realizado, se focasse nas prioridades e medidas a implementar por todos os países, designadamente os que têm uma ação mais destrutiva. O Dia Mundial dos Oceanos destaca esta necessidade de todos contribuirmos.

 

Salvar o Oceano, Proteger o Futuro – Vídeo [2]

A saúde e bem-estar humano e do planeta depende da saúde dos oceanos:

- Cobrem mais de dois terços da superfície da Terra e contêm 97% da água do planeta;

- Absorvem mais de 90% do excesso de calor do sistema terrestre, fornecem água e oxigénio;

- Contribuem para erradicação da pobreza e geram emprego a cerca de três bilhões de pessoas;

- Constituem reservatório essencial de vida na terra;

- São elemento central da história, cultura e identidade pessoal e coletiva - lembramos a poetisa Sophia de Mello Breyner: “Quando eu morrer voltarei para buscar/ os instantes que não vivi junto do mar” [3].

Para Portugal os oceanos são uma área estratégica, não só por razões de conservação e conhecimento, mas também por razões económicas e de governação, pois o país tem um território de mar exclusivo (Zona Económica Exclusiva), o Atlântico Nordeste, que é o terceiro maior da União Europeia - a maior parte do território nacional encontra-se submerso – e no qual circula mais de metade do comércio externo da UE e abundam uma diversidade de ecossistemas e recursos do novo paradigma energético, como sol e vento [4].

 

Referências

1. United Nations. (2015). Oceans and Seas. NY: UN. https://sdgs.un.org/topics/oceans-and-seas

2. Nações Unidas. (2022, 8 mar.). “Salvar o Oceano, Proteger o Futuro”. EUA: ONU, in: Direção-Geral de Política do Mar. (2022, 8 mar.). Vídeo da Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, em Lisboa. Lisboa: DGPM. https://www.youtube.com/watch?v=lMTJ3rlMCa4

Notícias:

- Sessão de lançamento: República Portuguesa. (2022, 8 mar.). Apresentação de vídeo e debate sobre Conferência dos Oceanos da ONU 2022. Lisboa: RP. https://www.youtube.com/watch?v=8sKXM8QpzJo

- Contribuição da delegação portuguesa: United Nations. (2022). United Nations Ocean Conference. Lisboa: UN. https://sdgs.un.org/sites/default/files/2022-02/Interactive_Dialogues_Contribution_from_Portugal_2022.pdf

3. Andresen, S. (1920). Mar. Lisboa: Biblioteca Nacional de Portugal. https://purl.pt/19841/1/1920/1920-1.html

4. República Portuguesa. (2021). Estratégia Nacional para o Mar 2021-2030. Portugal: RP. https://www.portugal.gov.pt/pt/gc22/comunicacao/documento?i=estrategia-nacional-para-o-mar-2021-2030

5. Fonte da imagem: Nações Unidas. (2022). Conferência do Oceano da ONU. Lisboa, Portugal: ONU. https://www.un.org/en/conferences/ocean2022

Qua | 15.06.22

Caminhos da (para a) Educação, sentida e com sentido

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Leitura: 5 min |

Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre."

Paulo Freire

 

Esta ideia simples de Paulo Freire poderia ser, quase, um axioma da educação que se pretende para os cidadãos do século XXI.

Desafios como oportunidades

Todos reconhecemos que estamos face a uma realidade em mudança acelerada, caracterizada por padrões de exigência cada vez mais elevados, em que as competências necessárias, para responder a esta sociedade do conhecimento não se compaginam com uma perspetiva educativa tradicional. Por isso, há que buscar uma educação baseada numa teoria praxiológica, uma educação em que as dificuldades, os obstáculos e as contradições são vistos como desafios, como pontos de partida para a construção de um saber que se baseia numa ótica de investigação-ação, de autoconstrução do conhecimento, em que as dificuldades e os desafios são, antes de mais, e construtivamente, as oportunidades com as quais “aprendemos sempre”.

O aprendente como um todo

No entanto, “(…) as escolas do século XXI continuam a debater-se com a mesma dificuldade, procurando, como no período que se seguiu à criação da imprensa, encontrar uma posição de equilíbrio que conserve a sua relevância como espaço privilegiado de ensino e aprendizagem e da missão do professor como mediador dessa mesma aprendizagem na escola sem muros, na aula aberta (…)”. (Escola, 2005:448). Os Planos de Desenvolvimento Pessoal Social e Comunitário (PDPSC) enquadram magnificamente este desiderato de “aula aberta”, de olhar para o aprendente como um todo, académico, social e emocional; de alargar, agora de forma articulada e transversal, o processo de ensino-aprendizagem a todos os parceiros educativos, a família em particular.

O caso da Escola Básica de Bitarães, Paredes

Um dos projetos em que esta dinâmica foi implementada teve lugar na Escola Básica de Bitarães, do Agrupamento de Escolas de Paredes. No âmbito do Plano de Desenvolvimento Pessoal, Social e Comunitário, desenvolvem-se atividades inseridas na medida: "Conversas em casa inspiradas na escola", que consiste num guião, elaborado com o apoio da psicóloga afeta ao projeto, com propostas de atividades alusivas a um tema útil da sociedade, cumprindo o objetivo de serem realizadas em família, conversando, debatendo, pesquisando, descobrindo, assimilando e aplicando novos conhecimentos. Numa perspetiva construtivista, esta medida pretende envolver as famílias na vida escolar dos seus educandos, bem como diminuir as dificuldades na mobilização da informação e na comunicação, a fim de superar as dificuldades a Português e Matemática.

Assim, foram criadas as tertúlias para pais “A falar é que a gente se entende”, realizadas de forma online, com uma taxa de concretização superior a 90%. Os resultados do questionário de satisfação realizado, subsequentemente, aos alunos, demonstram, de forma inequívoca, o sucesso da iniciativa. Em resposta à questão “Os teus familiares envolveram-se nas atividades?”, 80% considerou que estes se envolveram muito.

Na Escola Básica Estádio do Mar, Matosinhos

Apelando, de novo, ao pedagogo Paulo Freire, regista-se que “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar a possibilidade para a sua produção ou a sua construção. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”. Este princípio reflete bem os objetivos de um outro projeto, desenvolvido pelos alunos do 4º ano da Escola Básica Estádio do Mar, em Matosinhos, pertencente ao Agrupamento de Escolas Professor Óscar Lopes. O foco da atividade foi a História e o conhecimento do Património do concelho. Pretendeu-se, desta forma, convocar e perpetuar valores e memórias, preconizando o envolvimento cívico e o reforço da essência da própria comunidade. Tendo como dinamizadores os docentes das disciplinas de Estudo do Meio/CeD, apoiados pelo técnico de informática/audiovisual, procurou-se que os alunos consolidassem as suas aprendizagens, de uma forma dinâmica e responsável. Em consonância, foi criado um roteiro interativo, com contextos e situações de aprendizagem mediados por tecnologias e ferramentas digitais, o que permitiu afirmar a identidade da cidade de Matosinhos, partindo do conhecimento e divulgação das suas tradições, lendas e elementos patrimoniais.

O papel das bibliotecas escolares

Em ambos os projetos o papel e relevância das Bibliotecas Escolares foi essencial para a respetiva estruturação, desenvolvimento e implementação. Como é referido no documento “Avaliação do impacto da biblioteca escolar”, pág. 9, “Uma abordagem à aprendizagem através da pesquisa implica que os alunos se envolvam ativamente, com diversas e frequentemente contraditórias fontes de informação e ideias, para descobrir novas ideias, para construir novo conhecimento e para desenvolver pontos de vista e perspetivas pessoais.”

O professor bibliotecário tem o papel fundamental de organizar recursos documentais, impressos e online, e orientar, em conjunto com o professor da(s) turma(s), e os técnicos afetos aos projetos, as atividades de pesquisa e elaboração dos trabalhos. Desta forma, os alunos interagem e trabalham em grupo, partilhando conhecimento e responsabilizando-se, conjuntamente, pela construção deste, assim como pela obtenção de resultados. Estamos face a um processo de aquisição de saberes que se pauta pela valorização e uso de princípios e normas que requerem e reforçam a educação cívica dos alunos, enquanto produtores e consumidores de informação. Estes princípios incluem o uso crítico e responsável das tecnologias e meios de comunicação, bem como o respeito pelos direitos e deveres, inerentes ao uso dos media e da informação.

Em conclusão, a transformação da aprendizagem em conhecimento, através do desenvolvimento de diferentes literacias tem, na biblioteca escolar, o contexto ideal para apreender e desenvolver estas competências, cada vez mais essenciais à formação de cidadãos responsáveis, autónomos e críticos, perante os desafios da world wide web, na era do mobile learning.

 

Referências

1. Escola, J. (2005). “Ensinar e Aprender na Sociedade do Conhecimento” In Livro de Atas, 4º SOPCOM, Repensar os Media: Novos Contextos da Comunicação e da Informação. Aveiro: Universidade de Aveiro: 343,358.

2. Todd, R., Kuhlthau, C. & Heinström, J. (2012). Avaliação do impacto da biblioteca escolar. Lisboa: Rede de Bibliotecas Escolares. https://www.rbe.mec.pt/np4/file/673/02_bibliotecarbe.pdf

 

Ter | 14.06.22

IFLA: Leitura para o bem-estar – a biblioterapia

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No contexto de mudança e incerteza quanto ao futuro a “Secção de Leitura e Literacia está atualmente a concentrar-se na Leitura para o Bem-Estar. Este assunto tem sido o nosso foco principal nos últimos dois anos e atualmente estamos a planear iniciativas e programas em torno de Biblioterapia, Leitura Partilhada, Leitura Consciente e Contar Histórias”, afirma Atlanta Meyer, Presidenta da Secção de Leitura e Literacia da International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA) [1], cujas diretrizes são seguidas pela Rede de Bibliotecas Escolares.

Uma das primeiras definições de biblioterapia diz que esta é “um processo de interação dinâmica entre a personalidade do leitor e a literatura, de carácter psicológico e que contribui para o ajustamento e desenvolvimento do ser humano” (Caroline Shrodes, 1949) [2].

De acordo com a pesquisa de “bibliotherapy” em ODLIS: Online Dictionary of Library and Information Science, pode ter 3 fases:

1. Diagnóstico do problema e interesses de leitura do paciente e recomendação de material de leitura pelo terapeuta com decisão de textos a ler por aquele.

2. Durante a leitura, o leitor percebe como (pelo menos) um dos personagens resolve os seus desafios e identifica-se com ele, facilitando a catarse. Podem ser propostos exercícios de leitura como seleção de frases significativas, formulação de perguntas, escrita de outro final da narrativa, ilustração, dramatização...

3. Reflexão crítica e diálogo com o terapeuta sobre a relevância da solução sugerida pelo texto e que pode dar azo ao aprofundamento da partilha da história pessoal e à mudança.

A American Library Association disponibiliza recursos que apoiam a formação em biblioterapia e “para ajudar crianças em tempos de dificuldade” em idioma inglês [3]. A Rede de Bibliotecas Escolares disponibiliza, em português, álbuns gráficos que podem ser ponto de partida para falar sobre temas difíceis como igualdade de género, racismo e discriminação, bullying, homossexualidade, guerra e doença mental [4].

A biblioterapia é uma abordagem terapêutica que usa sobretudo literatura ou livros de ficção - metáforas e símbolos dão azo a projeção de sentimentos e ideias - mas também textos de não ficção como filosofia, memórias ou desenvolvimento pessoal, para tratar problemas de saúde mental como ansiedade, depressão e traumas, bem como consumos e dependências e pode ser complemento à psicologia e psiquiatria tradicionais.

Esta terapia pode desenvolver-se em sessões individuais ou em grupo e nelas pretende-se que o leitor compreenda outras perspetivas, desenvolva empatia percebendo que o problema é comum a outras pessoas e experimente sentimentos de autoestima/ eficácia e contentamento.

Pode ser desenvolvida com apoio de terapeutas especializados, mas não sendo, não se conhecem efeitos prejudiciais e pode ser sobretudo útil para pacientes com problemas moderados, pouco tempo e dinheiro. A International Federation for Biblio/Poetry Therapy é uma das instituições que estabelece diretrizes para biblioterapia e certifica estes profissionais.

Tal como a cinetarapia e a musicoterapia, também a biblioterapia é uma área que pode ser aprofundada pelos bibliotecários. A compreensão e experiência que têm de análise do comportamento humano, de livros e materiais de leitura e abordagens que geram envolvimento e discussão facilita esta oportunidade que conhece cada vez mais adeptos no âmbito de uma estratégia holística de cuidados de saúde que favorecem o bem-estar.

Também pode ser trabalhada em contexto de educação para a cidadania que visa aprender a colocar-se no lugar do outro numa lógica, não só de tomada de consciência dos próprios direitos, como de cumprimento dos deveres associados para que todos os direitos humanos sejam maximamente exercidos no espaço público [2].  

Perspetivando o futuro da leitura em contexto da biblioteca, Atlanta Meyer identifica outro desafio: “Ler é divertido! A leitura aproxima as pessoas, acende a imaginação, desenvolve a criatividade e proporciona um sentimento de pertença. Sabemos da importância e benefícios da leitura e como promovê-los, mas não sabemos como promover a leitura por diversão e acho que é por aí que devemos começar.”

Gostaríamos de ouvi-lo sobre como promover o bem-estar e a diversão através da leitura…

 

Referências

1. (2022, 22 Apr.). In conversation with: Atlanta Meyer, Chair, Literacy and Reading Section. Netherlands: IFLA. https://www.ifla.org/news/in-conversation-with-atlanta-meyer-chair-literacy-and-reading-section/

2. Nobre, S. (2022, 14 fev,). Contributos da Biblioterapia para a Cidadania. A biblioterapeuta. https://abiblioterapeuta.com/2022/02/14/contributos-da-biblioterapia-para-a-cidadania/

3. American Library Association. (2022). Bibliotherapy. USA: ALA. https://www.ala.org/tools/atoz/bibliotherapy

4. Rede de Bibliotecas Escolares (2019). Álbuns gráficos para o desenvolvimento. Portugal: RBE. https://www.rbe.mec.pt/np4/2079.html

5. Imagem de Astrid Pereira por Pixabay 

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