Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Captura de ecrã 2020-09-30, às 13.05.22.png

O Conselho da Comissão Europeia publicou as suas ‘Conclusões sobre a literacia mediática num mundo em constante mutação’.
 
Neste documento, expõem-se os vários níveis de impacto dos media na vida atual e destaca-se a importância da literacia mediática, salientando que esta não se restringe ao domínio de ferramentas tecnológicas, mas inclui também as competências de pensamento crítico que permitam aos cidadãos avaliar a informação disponível e, deste modo, “ter um papel ativo no processo democrático”.
 
Paralelamente ao empoderamento dos cidadãos, o documento chama a atenção para o papel das plataformas em linha e, especificamente, dos algoritmos que organizam a informação e permitem orientar os conteúdos, referindo que estes “podem exacerbar a desinformação, o sensacionalismo e os conteúdos extremistas”, num contexto em que se verifica um “aumento dos discursos de ódio e incitação à violência”.
 
As recomendações concretas do Conselho dirigem-se tanto aos Estados Membros como à Comissão, incitando ao desenvolvimento de uma abordagem sistêmica e colaborativa em prol do pluralismo e diversidade de conteúdos em linha; incluindo um convite específico ao financiamento de investigação sobre o impacto dos media e, concretamente, dos algoritmos e da inteligência artificial na vida dos cidadãos e da democracia. 
 
O documento convida ao envolvimento das instituições culturais, enquanto promotoras de aprendizagens informais e não formais, no sentido de contribuírem, através dos seus serviços e atividades, para a formação, no âmbito da literacia mediática, dos cidadãos de todas as idades.
 
Estas conclusões convocam todos os que trabalham com crianças e jovens, e as bibliotecas escolares enquadram-se neste grupo, para a responsabilidade de reforçar nos alunos a capacidade e a percepção da importância de exercitarem, constantemente, uma vigilância crítica sobre os conteúdos que lhes são oferecidos em ambiente digital. O papel das bibliotecas, que nos últimos anos se têm dedicado sistematicamente à literacia dos media, surge deste modo reforçado, mostrando-se o imperativo de dar continuidade e aprofundar esta vertente do trabalho.
 
Fonte: Conclusões do Conselho sobre a literacia mediática num mundo em constante mutação

Dest_acbe.jpg

A Rede de Bibliotecas escolares disponibiliza o sítio Aprender com a biblioteca escolar: atividades e recursos como um auxiliar de trabalho para as bibliotecas escolares implementarem o referencial Aprender com a biblioteca escolar.
 
Lançado pela RBE em 2012 e revisto em 2017, este referencial é um instrumento determinante para a ação das bibliotecas escolares enquanto espaços educativos integradores de múltiplas literacias que desempenham um papel cada vez mais decisivo de capacitação das crianças e dos jovens que as utilizam, formal ou informalmente.
 
A integração explícita e intencional em projetos e atividades realizadas com e pelas bibliotecas escolares, de competências nas áreas da leitura, dos media e da informação, em ambientes físicos ou digitais, constitui uma das mais importantes estratégias para o sucesso escolar e o desenvolvimento pessoal e cultural dos jovens, tendo vindo a ser demonstrada pelas escolas envolvidas na aplicação do referencial Aprender com a biblioteca escolar, a clara vantagem deste tipo de intervenção, quer na motivação dos alunos, quer no enriquecimento das práticas de ensino, nos resultados obtidos e nos produtos gerados.
 
Entre 2012 e 2017 foram sendo disponibilizados propostas de atividades e instrumentos de apoio à implementação deste referencial.
 
Este novo sítio surge como um espaço agregador de sugestões de atividades no âmbito do referencial, quer as já publicadas e que se encontravam dispersas por diferentes publicações, quer novas propostas, quer ainda incluindo partilhas apresentadas pelas escolas. Reúne igualmente um conjunto de instrumentos de apoio a este trabalho que se encontravam disponíveis noutros sítios.
 
É possível pesquisar em todo o sítio, divulgando-se em cada domínio os termos de pesquisa utilizados para indexar as atividades; as mesmas são igualmente recuperáveis através da linguagem natural.

 

2020-09-29 Práticas de leitura.png

O Plano Nacional de Leitura 2027, o Iscte-Instituto Universitário de Lisboa e o Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Iscte convidam a assistir à apresentação dos resultados do estudo Práticas de Leitura dos Estudantes dos Ensinos Básico e Secundário, que contou com o apoio da Rede de Bibliotecas Escolares.
O evento terá lugar no próximo dia 30 de setembro, às 15h (horário Portugal) com transmissão no Facebook do PNL2027 e do CIES-Iscte.
O estudo Práticas de Leitura dos Estudantes dos Ensinos Básico e Secundário resultou de uma parceria entre o Plano Nacional de Leitura 2017-2027 (PNL2027) e o Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-Iscte), sob coordenação científica de João Trocado da Mata e José Soares Neves, com colaboração de Miguel Ângelo Lopes e Patrícia Ávila, e consultoria de Isabel Alçada.
Teve, ainda, o apoio da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) e o patrocínio da McDonald’s.

 
Programa
 
15h Abertura
Reitora do Iscte, Maria de Lurdes Rodrigues
Comissária do PNL2027, Teresa Calçada
Diretora do CIES-Iscte, Teresa Patrício
 
15h15 Apresentação dos resultados do estudo
Coordenadores científicos, João Trocado da Mata e José Soares Neves
 
16h Comentários
Consultora científica, Isabel Alçada
Subcomissária PNL2027, Elsa Conde
 
16h30 Debate
 
17h Encerramento
Secretário de Estado Adjunto e da Educação, João Costa
 
 

colecao.jpeg

Neste momento habitual de preparação do plano anual de atividades nas escolas, alguns dos projetos da RBE merecem um olhar mais atento. Qualquer uma destas propostas já provou, no ano atípico de 2019/ 20 que, com maiores ou menores ajustes, era suficientemente versátil para se adaptar aos vários regimes - presencial, misto ou não presencial – que poderão vir a ser adotados em função da evolução da pandemia. Afinal, não esqueçamos, as bibliotecas estão sempre ON.
 
Das várias propostas em destaque, quer os Miúdos a votos, quer o SOBE - Saúde Oral, Biblioteca Escolar têm bem presente que, “de pequenino, se torce o pepino”:
 
- Respeitando todos os procedimentos e normas de uma eleição real, o projeto Miúdos a votos junta a leitura e a cidadania ativa. Permitindo que crianças e jovens façam campanha e elejam o seu livro favorito, cria-se a oportunidade para que compreendam e valorizem a responsabilidade do ato de votar.

- Dirigido a crianças da Educação Pré-Escolar e a alunos do 1.º CEB, o projeto SOBE promove a saúde oral através da leitura, da escrita, das artes e, claro, da escovagem dos dentes.

Já a Pordata, a iniciativa 7 dias com os media ou o concurso Media@ção abraçam o provérbio chinês, “antes de dar comida a um mendigo, dá-lhe uma vara e ensina-o a pescar”:

- Realizadas a partir do sítio Pordata - base de dados de Portugal contemporâneo, as formações Pordata e Pordata Kids pretendem desenvolver competências de literacia estatística e dar a conhecer informação rigorosa e credível sobre Portugal, os municípios e a Europa.

- A iniciativa 7 dias com os media , que decorre anualmente em maio, na semana do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, convida as bibliotecas escolares a promover e divulgar atividades que suscitem a atenção e discussão em torno dos media e das redes sociais.

- O concurso de trabalhos vídeo e podcast Media@ção tem como objetivo incentivar o uso crítico, responsável e criativo dos media, como instrumentos de cidadania e de liberdade de expressão. Através do canal youtube do concurso, são disponibilizados tutoriais de apoio na área da criação e produção de vídeo.

Tendo em mente que “a curiosidade aguça o apetite”, o projeto Cientificamente Provável procura estabelecer uma ligação mais estreita entre as instituições de ensino superior e as escolas básicas e secundárias para motivar os jovens a aprofundarem conhecimentos e prosseguirem estudos superiores nas áreas dos seus interesses. 

Quem pensa que “águas passadas não movem moinhos", não conhece Clássicos em rede - Olimpíadas da Cultura Clássica. Apresentando duas modalidades, desafios escritos e desafios de artes/ multimédia, permite que as crianças e jovens percebam como o legado da Cultura Clássica está presente no nosso quotidiano.

Tal como se recorda no documento Orientações para a recuperação e consolidação das aprendizagens: “No ano transato, face à conjuntura, revelou-se necessário que as bibliotecas redefinissem linhas de atuação, de modo a integrarem o plano de ensino a distância das suas escolas, ajustando a sua ação e o apoio prestado às necessidades. Urge agora dar continuidade ao trabalho que foi iniciado sem programação e com muito voluntarismo, consolidando-o e aperfeiçoando-o, de forma mais planificada e estruturada.” 

0.jpg

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) é a fonte autorizada para reunir e apresentar informação atualizada e comparável sobre o estado da educação em todo o mundo.

No seu relatório anual Education at a Glance, publicado a 8 de setembro de 2020, analisa a educação em cada país, o seu financiamento e impacto no mercado de trabalho e economia.

Este ano os dados reunidos reportam-se ao período anterior à pandemia causada pelo coronavírus SARS-CoV-2 e pela doença Covid-19 e incluem uma publicação complementar, The impact of COVID-19 on education - Insights from Education at a Glance 2020, que os posiciona neste contexto. Em Portugal a pandemia provocou 17 semanas de encerramento das escolas públicas, mais 3 semanas do que a média da OCDE. 
 
Valorizar a aprendizagem baseada no trabalho
 
A crise de saúde pública e económica não criou, mas amplificou exponencialmente as fragilidades e desigualdades sociais, particularmente na área da educação.
 
A aprendizagem profissional - tema principal do relatório - foi o setor da educação mais afetado pela pandemia porque inclui um ensino prático que não é compatível com o ensino à distância, porque está associada à educação a partir das empresas (que sofreram quedas de produção resultantes do encerramento e de uma menor procura) e, em geral, porque muitos dos seus estudantes são de meios desfavorecidos. Por estas razões, verifica-se uma menor procura e um encerramento de muitos cursos de ensino profissional e esta situação ocorre em circunstâncias em que trabalhadores com esta formação são mais necessários. Com efeito, durante o confinamento foram sobretudo trabalhadores provenientes de setores profissionais habitualmente negligenciados (enfermeiros, comerciantes, artesãos, motoristas, cozinheiros, seguranças, varredores …) que asseguraram os serviços essenciais. 
 
Ángel Gurría, Secretário-Geral da OCDE, sublinha no Editorial do relatório, que “a evidência de países com sistemas vocacionais de alto desempenho é que eles fornecem um meio muito eficaz de integrar os alunos no mercado de trabalho e abrir caminhos para mais aprendizagem e crescimento pessoal”.
 
A consciência desta necessidade deve fortalecer a ligação que a escola mantém com o setor privado, no sentido de incentivar a aprendizagem com base na experiência prática adquirida nas empresas, no contacto dos alunos com os trabalhadores e empregadores, na compreensão das necessidades do mercado de trabalho e no aprofundamento das competências relevantes nesta área, sem negligenciar competências gerais fundamentais como a aritmética, leitura e escrita.
 
O ensino profissionalizante comporta outros desafios decorrentes das seguintes questões:
 
- sub-representação das mulheres nestes cursos, particularmente naqueles que podem gerar empregos estáveis e bem remunerados, como são os da área da STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática);
 
- imprevisibilidade do mercado de emprego e crescente digitalização e automação dos serviços, os quais exigem a adaptação dos seus programas e do acesso a níveis mais elevados de educação que permitam o autodesenvolvimento e acrescentem valor ao trabalho (em Portugal todos os cursos profissionais permitem o acesso ao ensino superior - a média da OCDE é 70%).
 
De acordo com a sua Country Note, Portugal tem 26% de estudantes - do ensino básico aos cursos técnicos superiores - numa via profissional, encontrando-se 6% abaixo da média da OCDE. São sobretudo os estudantes do ensino secundário que se matriculam nestes cursos: em média 40%, 2% abaixo da média da OCDE. Segundo o relatório, habitualmente “os alunos do ensino profissional têm menor probabilidade de concluir a sua formação do que os dos programas gerais”, mas “Portugal é uma exceção” porque a taxa de conclusão destes cursos sem reprovações é semelhante à dos alunos matriculados nos cursos científico-humanísticos (57%). A empregabilidade dos jovens adultos (25-34 anos) com ensino profissional tende a ser mais elevada (88%) do que entre os que concluíram o secundário geral e não prosseguiram estudos (83%) e também a nível salarial, há vantagem (4%) nestes cursos.
 
A mesma fonte sublinha, no entanto, que “níveis de instrução mais elevados aumenta a empregabilidade e estão associados a rendimentos mais elevados” (adultos com qualificação profissional média ganham 34% menos do que os com ensino superior), para além de aumentarem mais a produtividade do país.
 
Construir sociedades mais resilientes 
 
No Editorial do relatório, Gurría afirma que “os cenários mais otimistas preveem uma recessão brutal. Mesmo se uma segunda onda de infeções for evitada, a atividade económica global deverá cair 6% em 2020, com o desemprego médio nos países da OCDE subindo de 5,4%, em 2019, para 9,2%.” Por conseguinte, há o risco dos gastos com a educação e formação diminuírem em favor do investimento na saúde e segurança social. 
 
Este cenário pode comprometer a qualidade futura da educação, que enfrenta grandes desafios, como por exemplo:
 
- Aumentar e adaptar à nova realidade os cursos profissionais e de ensino superior (em Portugal 37% dos jovens entre os 25-34 anos tem o ensino superior – a média da OCDE é de 45% e 45% das mulheres nesta idade tem o ensino superior em comparação com 29% dos seus congéneres masculinos – a média da OCDE para esta idade é, respetivamente, de 51% e 39%);
 
- Valorizar e renovar o corpo docente (em Portugal apenas 1% dos professores é considerado jovem, isto é, tem menos de 30 anos e a diferença salarial entre professores de início e de fim de carreira é de 116%);
 
-  Melhorar as competências digitais dos professores, reinventar os ambientes de aprendizagem e expandir a digitalização das ofertas académicas é uma necessidade assumida por todos os países da OCDE;
 
- Diminuir as desigualdades no emprego (o teletrabalho, por exemplo, é uma opção apenas para os trabalhadores mais qualificados);
 
- Relançar de modo criativo a mobilidade de estudantes internacionais (em Portugal 4% dos estudantes estudam no estrangeiro, mais 2% que a média da OCDE.
 
Para construir sociedades mais resilientes no horizonte de complexidade, incerteza e interdependência em que vivemos, Gurría estabelece, no Editorial do relatório, duas condições:
 
- dar prioridade e investir na educação e formação – “os sistemas educativos têm de estar no centro do planeamento do desenvolvimento das competências e habilidades necessárias para a sociedade de amanhã”;
 
- “renovar o nosso compromisso político para alcançar os Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável”. É no quadro de uma educação para todos, equitativa e ao longo da vida e de uma economia que tenha como propósito a criação de empregos dignos e a proteção do ambiente e da cultura/ património que a humanidade se protege contra as adversidades e perspetiva a sua prosperidade, bem-estar e desenvolvimento. 
 
Fontes: 
 
OCDE. http://www.oecd.org/
 
OECD. (08. 09. 2020). Education at a Glance 2020: Indicadores da OCDE. http://www.oecd.org/education/education-at-a-glance/ | https://www.oecd-ilibrary.org/education/education-at-a-glance-2020_69096873-en 
 
OECD. (08.09.2020). The impact of COVID-19 on education - Insights from Education at a Glance 2020. https://www.oecd.org/education/the-impact-of-covid-19-on-education-insights-education-at-a-glance-2020.pdf
 

Etiquetas:

Pág. 1/4



RBE


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Blogue RBE em revista

Clique aqui para subscrever


Twitter



Perfil SAPO

foto do autor