A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável convoca todos os setores – público, privado e sociedade civil – a agir “num espírito de solidariedade global” para reduzir as desigualdades e “não deixar ninguém para trás” (Resolução 70/1 da Assembleia Geral das Nações Unidas, 2015).
De acordo com este compromisso, empresas e organizações desenvolvem políticas de Responsabilidade Social Corporativa (Corporate Social Responsability). Passam a integrar na sua gestão preocupações sociais, ambientais e económicas, indo para além do lucro e do cumprimento mínimo da lei tradicionalmente valorizados.
Ao nível das bibliotecas, tradicionalmente houve quem olhasse para a profissão como a de um simples técnico, focado no tratamento documental e na disponibilização de recursos, como se o elemento central da sua atividade fosse garantir a circulação de informação e não a transformação social que ela possibilita.
Atualmente o profissional de biblioteca é pensado como indissociável da comunidade, atento às suas necessidades e desafios e como um agente crítico socialmente responsável.
Se entre bibliotecas e empresas parece passar a haver um terreno comum, na realidade não é bem assim, pois a perspetiva de Responsabilidade Social (RS) de ambas é distinta.
Enquanto para as empresas a RS é um compromisso estratégico e voluntário, que podem assumir ou não, no caso das bibliotecas – e em particular das bibliotecas escolares – é um valor essencial, estruturante, faz parte da missão profissional do bibliotecário: servir, representar e capacitar a comunidade no seu todo, em todas as suas dimensões.
Porque os estudos mostram que a implementação de práticas socialmente responsáveis influência positivamente a perceção, a reputação, a confiança pública das empresas, também é importante que os profissionais da biblioteca avaliem e deem visibilidade às suas boas práticas neste âmbito porque isso reforça a visibilidade e reconhecimento público da biblioteca escolar, posicionando-a como agente fundamental para a concretização dos direitos humanos e da Agenda 2030.
A RS corresponde a um interesse comum da governação que se expressa numa linguagem facilmente compreendida por todos, sendo uma área de advocay fundamental das bibliotecas, inclusive escolares.
Compreendendo a sua relevância, a American Library Association (ALA) criou há quase 60 anos a Mesa Redonda sobre Responsabilidades Sociais (Social Responsibilities Round Table – SRRT) que trabalha para:
“tornar a ALA mais democrática e estabelecer prioridades progressistas não apenas para a Associação, mas também para toda a profissão. (…) A SRRT acredita que bibliotecas e bibliotecários devem reconhecer e ajudar a resolver problemas e desigualdades sociais para cumprir o seu mandato de trabalhar pelo bem comum e fortalecer a democracia”.
Nota:
Este artigo faz parte de uma série de 3 artigos e parte do seu conteúdo foi apresentado pela Rede de Bibliotecas Escolares no IV Encontro da Rede de Bibliotecas do Baixo Guadiana – BiblioMargens 2026 – subordinado ao tema “Leituras que transformam: o papel social das bibliotecas”.
Os 2 próximos artigos intitulam-se:
- Responsabilidade Social das Bibliotecas Escolares – contributos para um quadro de referência;
- A biblioteca escolar como o terceiro lugar de bem viver.
Referência e fonte de imagem:
American Library Association. (1969). Social Responsibilities Round Table (SRRT). https://www.ala.org/srrt
