por Arlete Pinheiro, Assistente de Biblioteca Escolar na Escola Secundária Henriques Nogueira
Quando comecei a trabalhar na Biblioteca Escolar, há três anos, confesso: a minha imagem mental era bastante… tradicional/formatada, seguindo o conceito geral. Espaço de silêncio e com uma rotina previsível. Muito rapidamente percebi que a biblioteca escolar está longe de ser um espaço parado — é, na verdade, um autêntico centro de ação permanente.
Trago comigo 27 anos de experiência em contexto educativo, a maioria no pré-escolar, e essa bagagem ajudou-me a olhar para a biblioteca com curiosidade e abertura. Na Biblioteca da Escola Secundária Henriques Nogueira, integro uma equipa de duas assistentes, que iniciou funções em simultâneo com a Professora Bibliotecária. Nos primeiros tempos, alunos e professores entravam no espaço com ar desconfiado, quase como quem pensa: “O que mudou aqui?”
Hoje, a biblioteca é um dos espaços mais vivos da escola. Com uma média diária a rondar os 300 utilizadores, é difícil encontrar um momento verdadeiramente calmo. Aqui estuda-se, lê-se, pesquisa-se, trabalha-se em grupo, utilizam-se equipamentos digitais…
Um dos aspetos mais gratificantes é ver os alunos a requisitar livros com entusiasmo, contrariando o mito de que os jovens já não leem. Leem, sim — e bastante — com especial interesse por autores estrangeiros.
Mas a biblioteca não vive só de livros. É também uma verdadeira “biblioteca das coisas”: calculadoras, tabletes, leitores de Cartão de Cidadão fazem parte do nosso quotidiano.
Para além de apoiar pesquisas e trabalhos, gerimos emoções, ansiedades pré-teste e, por vezes, apenas a necessidade de alguém que saiba ouvir, o que exige da nossa parte inteligência emocional ( a escola proporcionou-nos recentemente formação certificada nesta área).
No contacto com os professores, a biblioteca funciona como uma extensão natural da sala de aula, apoiando atividades curriculares, projetos e iniciativas de promoção da leitura e das literacias.
No meu primeiro ano como Assistente Operacional a desempenhar funções na Biblioteca, frequentei uma formação em competências digitais no Centro Qualifica da escola, por sugestão da Professora Bibliotecária, Eduarda Mota. Iniciei com Word (50 horas) e, no ano seguinte, aprofundei competências em Word, Excel, PowerPoint e Canva (100 horas). Embora não tenha conseguido concluir esta última formação, por coincidir com outra proposta pela Rede de Bibliotecas Escolares (RBE), a verdade é que essa nova oportunidade revelou-se fundamental.
A formação “Organização e Gestão das Bibliotecas Escolares” (100 horas), promovida pela Rede de Bibliotecas Escolares, em articulação com o Centro de Formação de Torres Vedras e Lourinhã, veio reforçar competências técnicas e pedagógicas, valorizando claramente o papel das assistentes de biblioteca na mediação da leitura, da informação e do conhecimento. Foi dinamizada pela Coordenadora Interconcelhia responsável pelas bibliotecas escolares do concelho de Torres Vedras, Helena Brígida, e pela Técnica da Biblioteca Municipal de Torres Vedras, Marta Gomes.
Esta Ação de Formação teve um impacto muito positivo na minha valorização profissional, ainda que a catalogação continue a ser um desafio que exige muito mais horas de aprendizagem, contando sempre com o apoio do Serviço de Apoio às Bibliotecas Escolares (SABE) disponibilizado pela Biblioteca Municipal de Torres Vedras.
Este investimento formativo confirmou algo essencial: o nosso trabalho é discreto, mas absolutamente indispensável. E essa perceção ganhou um significado especial quando, após o Natal de 2025, recebi um comentário inesperado de um aluno na caixa de elogios no âmbito do projeto Happy School, destacando a minha postura e a forma como interajo com os alunos. Pequenos gestos, mas muito gratificantes!
Ao fim de três anos, posso dizê-lo sem hesitar: a biblioteca escolar é um espaço humano, dinâmico e surpreendente. Longe do silêncio absoluto que imaginei, é hoje um dos lugares mais ativos da escola — e fazer parte desta dinâmica é, sem dúvida, uma experiência profundamente enriquecedora.
por Arlete Pinheiro
