Nos dias 9 e 10 de julho, a cidade de Évora acolheu o Encontro Regional “Ler o mundo: literacias múltiplas entre livros, imagens e inteligência artificial. Redes de Colaboração entre o CFAE Beatriz Serpa Branco e as Bibliotecas Escolares do Alentejo”, uma iniciativa promovida pelo Centro de Formação Beatriz Serpa Branco, em parceria com as Bibliotecas Escolares do Alentejo, que reuniu professores, professores bibliotecários, investigadores e outros profissionais da educação em torno dos desafios contemporâneos das literacias.
Ao longo de dois dias de intenso trabalho colaborativo, o encontro proporcionou momentos de reflexão, partilha de práticas e formação, reforçando o papel das bibliotecas escolares como espaços privilegiados de aprendizagem, inovação e cidadania.
A sessão de abertura contou com a presença de representantes das instituições parceiras, sublinhando a importância estratégica da colaboração entre escolas, centros de formação, ensino superior, autarquias e Rede de Bibliotecas Escolares na construção de respostas educativas para os desafios do século XXI.
Entre os momentos de destaque, destacamos as conferências de Vítor Tomé, apresentando resultados de investigação no âmbito da literacia mediática desenvolvida em Portugal, Espanha e Irlanda, e a intervenção de Maria João Filipe, Coordenadora Nacional da Rede de Bibliotecas Escolares, que refletiu sobre a ação insubstituível da biblioteca escolar na formação de leitores capazes de interpretar criticamente o mundo.
As sessões plenárias deram voz a dezenas de escolas do Alentejo que apresentaram projetos inovadores desenvolvidos nas suas bibliotecas escolares. Podcasts, clubes de leitura, projetos intergeracionais, literacia digital, leitura em família, inteligência artificial, inclusão, programação e media foram alguns dos temas que ilustraram a diversidade e a qualidade do trabalho realizado nas escolas da região. Estas apresentações evidenciaram a capacidade das bibliotecas escolares para responder aos desafios educativos atuais através de práticas criativas, colaborativas e centradas nos alunos.
Os participantes tiveram ainda oportunidade de frequentar um conjunto diversificado de workshops, orientados por especialistas de reconhecido mérito, dedicados à inteligência artificial, literacia dos media, escrita, ilustração, narração oral, teatro, segurança emocional na aprendizagem e utilização de ferramentas digitais como o NotebookLM. As oficinas privilegiaram uma abordagem prática, oferecendo recursos e estratégias facilmente transferíveis para os contextos educativos.
A mesa-redonda “Novos Horizontes para as Literacias no Século XXI” e a tertúlia “Entre páginas e pixéis” encerraram o encontro com um debate vivo sobre o impacto da inteligência artificial, os novos ecossistemas de leitura e a necessidade de preservar uma visão humanista da educação, conciliando inovação tecnológica com pensamento crítico, criatividade e cultura.

Mais do que um espaço de formação, este encontro afirmou-se como um verdadeiro momento de construção de comunidade profissional. A riqueza das experiências partilhadas, o diálogo entre investigadores e docentes e a forte participação das bibliotecas escolares demonstraram que as redes de colaboração continuam a ser um dos principais motores da inovação educativa.
Num tempo em que as literacias assumem uma dimensão cada vez mais plural e complexa, este encontro reforçou uma convicção comum: ler o mundo é muito mais do que ler palavras; é desenvolver cidadãos críticos, informados, criativos e preparados para participar ativamente numa sociedade em permanente transformação.
