E pronto. Chegámos ao fim de 2025-2026.
Foi um ano intenso, daqueles que parecem caber em vários anos ao mesmo tempo. Houve muito para pensar, muito para decidir, muito para aprender e, sobretudo, muito para fazer. E fizemos!
Lemos dentro e fora da escola. Lemos livros, notícias, imagens, ecrãs e o mundo. Cruzámos leitura, escrita e oralidade com cidadania, media, informação e inteligência artificial.
Abrimos bibliotecas, criámos Pontos, fizemos chegar livros onde eles ainda não chegavam e trabalhámos para que nenhuma escola e nenhum aluno fiquem fora desta rede.
Lutámos, como sempre, em conjunto: professores bibliotecários, coordenadores interconcelhios, docentes, educadores, direções, autarquias, instituições de ensino superior, associações, fundações e muitos outros parceiros. Uma rede que se faz de pessoas que partilham responsabilidades, encontram soluções e não deixam cair o trabalho quando ele se torna difícil.
E, em 2025-2026, a nossa rede mostrou, mais uma vez, que sabe fazer exatamente isso.
Encerrámos as comemorações
Encerrámos o ciclo comemorativo do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões, desenvolvido entre 2024 e 2026. Ao longo de dois anos, as escolas e as bibliotecas escolares transformaram as propostas da RBE em projetos criativos, interdisciplinares e profundamente ligados aos seus contextos.
O relatório Camões, Engenho e Arte: Balanço da participação das escolas permitiu reunir e tornar visível a extraordinária dimensão deste movimento: mais de um milhão de participações, envolvendo 501 agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas, de 196 concelhos.
O relatório regista estes números mas, sobretudo, deixa memória de como as escolas foram muito além das propostas lançadas: deram-lhes novas formas, ligaram-nas aos seus contextos e mobilizaram as comunidades em torno de Camões.
E não é também para isto que servem os balanços: tornar visível o que, juntos, fomos capazes de construir? 😉
Lemos mais e melhor
Reforçámos o programa aLer mais e melhor, procurando afirmar a leitura como uma responsabilidade de toda a escola: presente nas diferentes disciplinas, integrada no currículo, sustentada por práticas regulares e partilhada com as famílias e a comunidade.
Porque formar leitores não se consegue com uma atividade isolada, por mais interessante que seja. Exige continuidade, intencionalidade, acompanhamento e tempo. Exige que os alunos leiam, conversem sobre o que leem, recomendem livros, discutam interpretações, façam escolhas e assumam um papel cada vez mais ativo na construção da sua identidade leitora.
Dá trabalho? Dá. Mas não vale mesmo a pena? 😉
Fizemos da leitura um lugar para todos
Com Todos Juntos Podemos Ler, apoiámos projetos, aproximámos pessoas, procurámos soluções e criámos novas formas de acesso à leitura, à escrita e à oralidade. Porque cada leitor é diferente, mas todos têm o mesmo direito de participar, descobrir e fazer ouvir a sua voz.
Encontrámo-nos! Todos juntos, partilhámos práticas, escutámos experiências, refletimos sobre o caminho percorrido e pensámos em tudo o que ainda podemos fazer para construir escolas verdadeiramente inclusivas. Saímos com novas ideias, energia renovada e uma certeza ainda mais forte: quando juntamos vontades, encontramos caminhos.
Não é tão bom garantir que ninguém fica de fora da leitura? 😉
Continuámos a levar a leitura para fora da escola
O projeto LER fora da escola cresceu e consolidou-se.
As bibliotecas, os professores bibliotecários e os educadores continuaram a aproximar os livros das crianças e das famílias, desde a educação pré-escolar, criando oportunidades para que a leitura entrasse em casa e fizesse parte dos gestos simples do quotidiano.
Disponibilizámos livros, roteiros, propostas, sessões e recursos. Mas, sobretudo, continuámos a construir uma comunidade de pessoas que reconhecem que o gosto pela leitura começa cedo e que as famílias podem ser poderosas promotoras desse encontro.
Ler uma história ao fim do dia pode parecer um gesto pequeno. Não é. Pode ser o início de tudo.
E haverá melhor recompensa do que ajudar a criar estes começos? 😉
Os alunos escolheram, defenderam e votaram
O Miúdos a Votos chegou à décima edição!
Durante dez anos, milhares de crianças e jovens escolheram os livros de que mais gostam, defenderam-nos perante os colegas, organizaram campanhas, produziram cartazes, vídeos, podcasts e discursos, debateram propostas e participaram numa eleição com regras semelhantes às de uma eleição política.
Aprenderam a votar, mas aprenderam também a ouvir, a argumentar, a respeitar escolhas diferentes e a participar na vida coletiva.
No final, houve livros vencedores. Mas venceram também todos os alunos que descobriram que a leitura pode dar origem a uma conversa, a uma campanha, a uma tomada de posição e a uma experiência concreta de cidadania.
Nada mau para quem ainda pensa que ler é uma atividade solitária, pois não? 😉
Lemos criticamente a informação e os media
Num mundo em que a informação nos chega em permanência (selecionada, recomendada, fragmentada, acelerada e, cada vez mais, também gerada por inteligência artificial) reforçámos o trabalho no domínio da literacia informacional e mediática.
Com ProLiteracias, Supercharged by AI, LIDERA, Media@ção, Jornalistas em Rede, Isto também é comigo!, e muitas outras iniciativas, desafiámos os alunos a questionar fontes, verificar informação, compreender o funcionamento dos media, reconhecer a influência dos algoritmos e utilizar as tecnologias de forma crítica, ética e criativa.
Mas não ficaram apenas a observar. Pesquisaram, escreveram, editaram, gravaram, publicaram e fizeram ouvir a sua voz. Foram leitores e produtores; consumidores de informação, mas também participantes responsáveis no espaço público.
Era esse o objetivo. E haverá algo melhor do que vê-lo acontecer? 😉
Escrevemos, criámos e encontrámo-nos através dos livros
Com o READ ON Portugal, os clubes e concursos de leitura e escrita e tantas iniciativas nascidas nas escolas, os alunos experimentaram diferentes linguagens, construíram narrativas, dialogaram com autores e descobriram novas formas de expressão.
Leram para imaginar outros mundos, mas também para compreender melhor este em que vivemos. Escreveram para comunicar, para criar, para interrogar e para se conhecerem. Encontraram nos livros pontos de contacto entre experiências, culturas e identidades.
Porque as bibliotecas também são isto: lugares onde diferentes vozes podem coexistir e onde cada pessoa deve encontrar condições para ler, participar e pertencer. 😉
Reforçámos a rede
Abrimos e requalificámos bibliotecas. Criámos novos Pontos biblioteca. Investimos em fundos documentais, acessibilidade, organização dos espaços e qualidade dos serviços.
Trabalhámos com escolas, municípios e redes concelhias para que a biblioteca não seja apenas uma sala bem equipada, mas uma estrutura educativa capaz de intervir em toda a escola — exista nela uma biblioteca, um Ponto biblioteca, uma Estação de livros ou apenas a necessidade urgente de fazer chegar livros, leitura e oportunidades aos alunos.
Celebrámos inaugurações (muitas), mas celebrámos sobretudo aquilo que elas representam: compromissos duradouros com a leitura, o conhecimento e a equidade. Abrir uma biblioteca é abrir uma possibilidade. E cada possibilidade conta!
E que melhor espaço para descobrir os outros e, ao mesmo tempo, encontrar o próprio lugar? 😉
Trabalhámos em rede, mesmo quando não foi fácil
Ao longo do ano, houve mudanças, imprevistos e dificuldades. Houve territórios que precisaram de apoio acrescido, responsabilidades que tiveram de ser redistribuídas e pessoas que aceitaram fazer mais para que ninguém ficasse sem acompanhamento.
A generosidade, o compromisso e a entreajuda não vão aparecer nos números dos relatórios que estamos a produzir. Mas foram essenciais para que o trabalho continuasse.
A todos os que assumiram novas responsabilidades, partilharam conhecimento, acolheram colegas, procuraram soluções e ajudaram a sustentar esta rede: muito obrigada!
E agora?
Fica muito por contar: encontros, formações, projetos, candidaturas, recursos, parcerias e milhares de iniciativas desenvolvidas localmente. Ficam também ideias que não conseguimos ainda concretizar e problemas que teremos de continuar a enfrentar.
Em 2026-2027, voltaremos com novos desafios. Continuaremos a trabalhar para que a leitura atravesse o currículo e a vida das escolas; para que os alunos saibam procurar, compreender, avaliar, criar e comunicar informação; para que as bibliotecas respondam criticamente às transformações tecnológicas; e para que, num mundo cada vez mais mediado por sistemas digitais, não percamos de vista aquilo que deve permanecer no centro: as pessoas.
Continuaremos a fazer da biblioteca um lugar de acesso, liberdade, encontro e participação.
Durante o mês de agosto, este blogue continuará por cá. Vamos revisitar e republicar alguns dos conteúdos que divulgámos ao longo de 2025-2026. Quem sabe se, na intensidade dos dias, não deixou escapar alguma leitura importante? Ou se não encontra agora razões para voltar a ela?
Quanto a nós, é tempo de abrandar. Fechamos os computadores, pelo menos durante algum tempo. Arrumamos os papéis. Deixamos algumas mensagens para setembro. E levamos connosco um livro, ou dois, ou aquela pilha inteira que fomos acumulando durante o ano.
A todos os professores bibliotecários, coordenadores interconcelhios, docentes, técnicos, parceiros e comunidades educativas que fizeram parte deste percurso, um profundo agradecimento.
Descansem. Passeiem. Conversem. Não façam nada ou façam tudo aquilo para que nunca há tempo durante o ano.
E leiam, claro. Essa recomendação nunca muda. 😉
BOAS FÉRIAS!
BOAS LEITURAS!
ATÉ SETEMBRO!