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Blogue RBE

Ter | 02.11.21

Partilhe uma medida do PADDE da sua escola em que a biblioteca esteja envolvida

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No âmbito do Plano de Ação para a Educação Digital (2021-2027), definido pela União Europeia e que visa reconfigurar os sistemas de ensino e de formação para a era digital, e do subsequente Plano de Ação para a Transição Digital de Portugal, as escolas foram convidadas a criarem os seus Planos de Ação para o Desenvolvimento Digital das Escolas (PADDE), tendo em conta o Quadro Europeu de Organizações Digitalmente Competentes (DigCompOrg, 2018). As áreas de intervenção do PADDE incidem nos diferentes domínios da organização escolar no âmbito das tecnologias digitais, definindo cada escola as áreas consideradas prioritárias e os objetivos e ações a desenvolver.

Enquanto estruturas das escolas que integram e favorecem a inovação, as bibliotecas escolares estão, naturalmente, convocadas para dar o seu contributo, pelo que a Rede de Bibliotecas Escolares publicou em abril último um documento para apoio do trabalho das escolas e dos professores bibliotecários no processo de elaboração dos PADDE: A Biblioteca Escolar no Plano de Ação para o Desenvolvimento Digital da Escola. Simultaneamente, iniciou-se formação para professores bibliotecários sobre essa matéria.

O processo de elaboração ou implementação dos Planos de Desenvolvimento Digital da Escola (PADDE) pelas escolas encontra-se em curso e, ao longo deste mês de novembro, a RBE apresenta às bibliotecas o seguinte desafio:

Partilhe uma medida do PADDE da sua escola em que a biblioteca esteja envolvida.

Para criar coesão neste desafio, foi preparado um modelo com várias sugestões. Depois de descarregar o ficheiro, as bibliotecas deverão preencher um diapositivo e guardá-lo em formato imagem (JPG ou PNG).

Essa imagem deverá ser publicada nos canais de comunicação da biblioteca e a hiperligação para a mesma partilhada com a RBE através deste formulário.

Sugerimos a utilização dos seguintes hashtags- #padde #bibliotecaescolar #rededebibliotecasescolares

Ter | 02.11.21

5 Razões para valorização das artes e da cidadania

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O Quadro Estratégico da Rede de Bibliotecas Escolares 2027 - Bibliotecas Escolares: presentes para o futuro enquadra-se:

- Na visão humanista e inclusiva proposta pelo Perfil dos Alunos e advoga a aprendizagem a partir de diferentes linguagens, textos e expressões, inclusive artísticas e culturais, que amplificam a abordagem estritamente lógico-matemática e linguística tradicional;

- Na cidadania participativa crítica e informada, exercida a partir de “desafios da vida real” que geram aprendizagem significativa e transformação das comunidades, da Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania.

A biblioteca escolar trabalha artes e cultura - e direitos humanos – não de forma especializada, mas integrada no currículo, a partir de atividades e projetos interdisciplinares, que incentivam a leitura, comunicação, expressão e ligação à comunidade.

Porquê a valorização das artes e cidadania nas bibliotecas escolares do século XXI?

 

1 - Amplificam, sensibilizam e refletem sobre situações da vida do dia-a-dia.

A literatura por prazer, bem como histórias e canções populares são narrativas que incorporam, com subtileza/ sensibilidade e riqueza simbólica/ de linguagem, direitos humanos - presença/ ausência, conflitos/ dilemas - e contribuem para consciencialização, discussão e transformação, bem como coesão social.

Os direitos humanos antes de serem expressos normativamente em tratados, convenções ou leis fazem parte destas narrativas e formas de expressão coletiva e de leitura literária.

Exemplos: As pequenas memórias de José Saramago, Os da minha rua de Ondjaki e Capitães de Areia de Jorge Amado apropriam-se do tema da falta de proteção integral de direitos da criança e adolescente; a história da Carochinha, Bela Adormecida ou Anita dona de casa exprimem perceções e expetativas da mulher que diminuem o seu desenvolvimento e realização e podem ser discutidas e reescritas, para além de exemplos de álbuns gráficos com indicação de temas e títulos 2.

 

2 - Artes e cultura são manifestação de liberdade de expressão e oportunidade de inclusão de outros sujeitos, saberes e experiências, dando visibilidade e voz a pessoas comuns, incluindo marginalizadas, pouco representadas e valorizadas nos media, seja peças e artigos publicados ou redações e direções, academia/ universidades, órgãos de poder e decisão.

Por exemplo, a Comissão Europeia pretende tornar o clima neutro em emissões de CO2 até 2050, criando o Green New Deal a que chamou Nova Bauhaus porque liga arquitetura, design e artes à engenharia, ciências e tecnologia e estabelece que estas disciplinas devem exprimir atitude ética, de responsabilidade e proteção, em relação à Terra. Nesta tendência global para redesenhar o mundo na perspetiva da finitude dos seus recursos e da justiça ambiental, pode ser importante, segundo Rolando Melken 3, escutar outras culturas, por exemplo povos indígenas, que têm ligação ancestral de cuidado e afetividade com o Planeta. Esta abordagem sustentável do espaço europeu e global só se concretiza através de processo participativo inclusivo e pluriversal, de escuta das múltiplas vozes que, na Europa e no mundo, têm estado silenciadas e que têm outros valores e saberes e se exprimem de formas diferentes da racionalidade instrumental clássica, nas quais oralidade e artes têm um papel.

 

3 - Facilitam e aceleram, segundo a UNESCO, o desenvolvimento sustentável transmitindo valores, atitudes e conhecimentos que promovem direitos humanos, coesão social, sustentabilidade 3.

 

4 - Artes e cultura são protetoras dos direitos fundamentais porque podem ser contrapoder/ crítica, resistência/ luta (G. Deleuze e F. Guattari) face aos sistemas de controlo - empresas, inclusive de media [instrumentalização da informação], Direito, Estado, família… - e status quo.

 

5 - Contribuem, segundo a UNESCO 5, para desenvolver:

- Curiosidade, abertura de espírito e desejo de continuar a aprender, melhorando a qualidade da educação/ aprendizagem de todas as matérias;

- Criatividade e emoções/ sentimentos;

- Inteligência e capacidade de comunicação e expressão integral e harmoniosa;

- Saúde individual e coletiva.

 

Referências

1. Rede de Bibliotecas Escolares. (2021). Quadro Estratégico 2021- 2027. https://www.rbe.mec.pt/np4/qe.html

2. Rede de Bibliotecas Escolares. (s.d.). Cidadania e biblioteca escolar: álbuns gráficos para o desenvolvimento. https://www.cidadania-rbe.pt/post/a-lbuns-gra-ficos-para-o-desenvolvimento

3. Melken, R. (2021). Decolonising Knowledge: Decolonising Design & Engineering. https://www.youtube.com/watch?v=KAfzTReqmoc

4. UNESCO. (2020). Indicadores Temáticos de Cultura na Agenda 2030. https://whc.unesco.org/en/culture2030indicators/

5. UNESCO. (2006). Roteiro para a Educação Artística: Desenvolver as capacidades criativas para o século XXI. https://crispasuper.files.wordpress.com/2012/06/roteiro2.pdf

 

Fonte da imagem

Urban, F. (2021). Unsplash. https://cutt.ly/gRAqcCK