bibliotecas escolares

Prontos para começar? 

Setembro tem destas coisas. 

Ainda estamos a descobrir onde guardámos algumas coisas em julho e já há horários para acertar, reuniões para marcar, projetos a nascer, livros para pôr a circular e alunos a entrar pela porta. 

E, este ano, temos mais portas para abrir

Estamos a concluir a instalação de cerca de 350 novas soluções de biblioteca, no âmbito da iniciativa Alargar a Rede de Bibliotecas Escolares do 1.º Ciclo. Novas bibliotecas, pontos biblioteca, estações de livros e outras respostas estão a chegar a escolas onde queremos garantir melhores condições de acesso aos livros, à leitura, à informação e ao conhecimento. 

É uma excelente notícia. 

Mas há um pequeno detalhe: uma biblioteca instalada ainda não é uma biblioteca a funcionar. 

Podemos ter estantes impecáveis, livros acabados de chegar, mobiliário no sítio certo e até aquele cheiro inconfundível das coisas novas. Tudo isso é importante. Mas falta o principal: os alunos. 

Por isso, neste início de ano, temos de ser céleres. Abrir caixas, organizar, disponibilizar, dar a conhecer, pôr os livros nas mãos dos leitores e integrar estes novos recursos na vida das escolas. O investimento só cumpre verdadeiramente a sua finalidade quando chega a quem o motivou. 

E esta urgência ajuda-nos a recordar uma pergunta que queremos manter por perto ao longo de 2026-2027: 

Estamos a chegar a todos? 

A todas as crianças. A todos os jovens. A todas as escolas. 

Não partimos todos do mesmo ponto. Temos bibliotecas com histórias longas e outras acabadas de nascer; bibliotecas grandes e pequenas; pontos biblioteca e estações de livros; escolas onde ainda teremos de encontrar outras respostas. 

O mapa é diverso. O compromisso é comum. 

Queremos que todos os alunos encontrem oportunidades para ler, escrever e tomar a palavra; para descobrir histórias e ideias; para procurar, selecionar e avaliar informação; para compreender os media e os ambientes digitais; para questionar, criar, comunicar e participar. 

E nenhuma biblioteca consegue fazer tudo isto sozinha. 

Talvez esta seja uma boa ideia para levar connosco para o novo ano: a biblioteca é um lugar, mas a sua ação não cabe dentro das suas quatro paredes. 

Precisamos de trabalhar em conjunto, no agrupamento, fazendo da equidade e da corresponsabilização uma prática efetiva. Se numa escola existe uma biblioteca e noutra uma estação de livros, se numa há professor bibliotecário quase todos os dias e noutra é necessário encontrar formas diferentes de intervenção, a pergunta continua a ser a mesma: como garantimos que todos têm acesso às oportunidades de que precisam? 

Temos também de aproximar cada vez mais a biblioteca do currículo e das aprendizagens. Ler, escrever, falar, pesquisar, selecionar informação, distinguir o credível do duvidoso, compreender uma notícia ou interrogar uma resposta produzida por inteligência artificial não são extras simpáticos para quando sobra tempo. São formas de aprender e de compreender o mundo. 

E precisamos, naturalmente, de cuidar dos espaços, das coleções, das tecnologias e dos serviços. Uma biblioteca acolhedora e bem organizada faz diferença. Uma boa coleção faz diferença. Recursos digitais acessíveis fazem diferença. Mas fazem ainda mais diferença quando há alguém que os põe em movimento. 

É isso que queremos fazer em 2026-2027. 

Pôr em movimento. 

Os livros que estão a chegar. As bibliotecas que estamos a abrir. As que já cá estavam. As ideias. As parcerias. As perguntas. E, sobretudo, as pessoas. 

Temos um ano inteiro pela frente. 

As estantes podem ainda não estar todas no sítio. Mas nós já estamos a começar!

Que seja um excelente ano para os nossos alunos, nas bibliotecas escolares! 

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