Uma biblioteca escolar eficaz um centro de recursos dinâmico, articulado com os objetivos educativos da escola, que exige planeamento, organização e inovação constantes. Este dossier reúne um conjunto de textos que destacam práticas simples, mas eficazes, de gestão e funcionamento, implementadas por bibliotecas escolares de diferentes contextos.
Nos artigos aqui apresentados, publicados ao longo de 2024-2025 na rubrica Dicas & Truques para a gestão de bibliotecas escolares, exploram-se soluções para otimizar o uso da biblioteca e torná-la mais acessível, organizada e centrada nas necessidades dos seus utilizadores. Da gestão dos mapas de ocupação à automatização do empréstimo, passando por estratégias de comunicação mais apelativas, organização criativa do acervo e elaboração dos relatórios de avaliação, estas práticas demonstram como a gestão quotidiana pode contribuir para a valorização da biblioteca no seio da comunidade educativa.
Cada proposta é sustentada por exemplos concretos, destacando a importância da visibilidade do trabalho desenvolvido, da eficiência nos processos e da capacidade de adaptação às exigências de uma escola em mudança. Este conjunto de práticas constitui, assim, um contributo relevante para todos os que procuram melhorar a ação da biblioteca escolar, tornando-a cada vez mais funcional, atrativa e estratégica.
Estratégias simples, mas eficazes, para organizar e tornar visível o mapa de ocupação da biblioteca escolar. Num espaço em constante movimento, onde se articulam múltiplas atividades, a gestão transparente do tempo e dos recursos é uma mais-valia para toda a comunidade educativa. Este texto mostra como ferramentas digitais, como os calendários Google ou plataformas como a SimplyBook.me, podem facilitar o agendamento de sessões e a comunicação entre professores e equipa da biblioteca, promovendo maior eficiência, visibilidade e envolvimento. Uma leitura útil para quem quer reforçar o papel da biblioteca como espaço aberto, colaborativo e bem gerido.
Este artigo sublinha a importância de dois pilares estruturantes para o bom funcionamento da biblioteca escolar: a organização sistemática do fundo documental e a automatização dos processos de empréstimo. Num tempo em que a agilidade, a acessibilidade e a eficiência são fundamentais, estas práticas não só permitem um serviço mais eficaz e transparente, como libertam o professor bibliotecário para tarefas de maior valor pedagógico. O texto destaca ainda o potencial do autoempréstimo para promover a autonomia dos utilizadores e reforçar a atratividade da biblioteca enquanto espaço de aprendizagem e cidadania.
Soluções inovadoras e sustentáveis para reforçar a eficácia comunicacional da biblioteca escolar. Partindo da constatação das limitações dos cartazes em papel, o texto propõe alternativas como monitores interativos, vinis decorativos, spots de som, QR codes e ecrãs digitais, que conjugam funcionalidade, atratividade e respeito pelo ambiente. Num contexto marcado pela cultura visual e digital, estas estratégias contribuem para tornar a biblioteca um espaço mais dinâmico, acessível e sintonizado com os hábitos de informação dos seus utilizadores.
Estratégias práticas para tornar as estantes das bibliotecas escolares mais apelativas, incentivando a descoberta e o prazer de ler. Através da técnica do dynamic shelving, este texto propõe formas criativas de reorganizar o espaço e destacar livros de forma visualmente estimulante. Com sugestões simples e adaptáveis, da criação de exposições temáticas à sinalética participada pelos alunos, o artigo mostra como pequenas mudanças podem renovar a experiência de leitura e aproximar os leitores da coleção.
Este artigo desmistifica a elaboração do relatório final da avaliação da biblioteca escolar, transformando-a num processo claro, útil e estratégico. Longe de ser um “bicho-papão”, o relatório torna-se uma ferramenta valiosa de análise, decisão e valorização do trabalho desenvolvido. Ao longo do texto, são apresentadas orientações práticas para organizar os dados recolhidos, tratar a informação de forma crítica e redigir um documento rigoroso, completo e mobilizador. Também se destaca a importância da apresentação ao Conselho Pedagógico como oportunidade para afirmar o papel da biblioteca na escola e reforçar o seu alinhamento com os objetivos educativos.
Vivemos num tempo em que a presença constante da tecnologia na vida quotidiana é simultaneamente inevitável e desafiante. As escolas, como espaços de formação integral, são chamadas a refletir e a agir perante os efeitos que esta realidade tem no desenvolvimento cognitivo, emocional e social dos alunos. As bibliotecas escolares, com a sua vocação humanista e pedagógica, têm assumido um papel relevante na mediação destas questões.
Neste dossier, reunimos quatro textos que abordam diferentes dimensões do bem-estar digital. Começamos com uma reflexão sobre o uso de telemóveis nas escolas e as estratégias que podem ser adotadas para promover uma relação mais saudável com os dispositivos. Segue-se uma síntese do manual Handbook of Children and Screens, com recomendações práticas para professores baseadas em evidência científica. Exploramos depois o FOMO (Fear of Missing Out) — o medo de ficar de fora —, sentimento cada vez mais presente entre os jovens, e terminamos com o seu contraponto: o JOMO (Joy of Missing Out) — a alegria de se desligar.
Juntos, estes textos oferecem pistas para educar para a autonomia, a consciência crítica e o equilíbrio, contribuindo para uma cultura digital mais serena, inclusiva e humana.
O digital é o presente e será o futuro. Mas estará a escola preparada para o gerir com equilíbrio e consciência? Num momento em que se repensa o lugar dos telemóveis nas escolas, este texto defende uma abordagem ponderada, educativa e centrada no bem-estar dos alunos. Com base na experiência da Rede de Bibliotecas Escolares, apresenta propostas concretas para promover hábitos saudáveis, reforçar a empatia, a concentração e o sentido crítico, com ou sem telemóveis.
Porque o bem-estar dos alunos é também digital. E é tarefa da escola (e da biblioteca) ajudá-los a construir relações mais saudáveis consigo próprios, com os outros e com a tecnologia.
Como encontrar equilíbrio no uso dos ecrãs na escola? Este texto reúne os principais alertas e recomendações do Handbook of Children and Screens, uma obra de referência baseada em investigação científica sobre os impactos do digital no desenvolvimento infantil e juvenil. Ao destacar temas como saúde mental, sono, literacia mediática ou o papel das famílias, propõe caminhos práticos para uma mediação pedagógica informada e saudável. Um guia essencial para professores e bibliotecas escolares que queiram fazer da tecnologia uma aliada e não uma distração.
Quando o medo de ficar de fora nos retira o presente Vivemos conectados, mas será que estamos realmente presentes? Este artigo aprofunda o fenómeno do Fear Of Missing Out, os seus impactos em diferentes idades, especialmente entre crianças e jovens, e propõe estratégias para recuperar o equilíbrio entre o mundo digital e a vida real. As bibliotecas escolares, enquanto lugares de escuta e pertença, têm aqui um campo de intervenção urgente. Afinal, ajudar a estar bem, também online, é educar para a liberdade e para o discernimento.
Na era da hiperconexão, dizer "não" pode ser um ato de liberdade. Este artigo convida à descoberta do Joy Of Missing Out — a alegria de perder — como resposta consciente ao cansaço digital e à pressão constante para estar sempre ligado.
Mais do que desconectar-se, trata-se de reconectar com o que é essencial: o tempo presente, o bem-estar emocional e a autenticidade das relações. Uma proposta que as bibliotecas escolares podem acolher e amplificar, oferecendo pausas significativas num mundo que raramente para.
Formar leitores é uma missão essencial da escola e da biblioteca escolar. Exige tempo, intenção pedagógica, continuidade e conhecimento profundo do desenvolvimento leitor. Mas exige, sobretudo, a criação de experiências ricas, motivadoras e ajustadas às diferentes fases da aprendizagem.
Neste dossier reúnem-se seis textos que abordam, de forma complementar, aspetos cruciais do trabalho com a leitura, desde a infância até à adolescência. São propostas que evidenciam o papel da socialização e da mediação, a importância da leitura em voz alta, o valor dos contos tradicionais, a articulação entre leitura e escrita, e as práticas que melhor promovem hábitos de leitura consistentes.
O que aqui se apresenta são formas de tornar a leitura significativa, viva e próxima para que cada criança, cada jovem, possa encontrar no livro um espaço de descoberta, crescimento e pertença. Formar leitores é dar a palavra. É dar mundo.
No Dia Mundial do Livro, uma pergunta inesperada deu origem a uma resposta poderosa: em apenas três horas, mais de 16.000 alunos e dezenas de bibliotecas escolares de todo o país tornaram visível o trabalho que diariamente se faz em rede para celebrar a leitura. Esta mobilização espontânea, promovida pela RBE, revelou a criatividade, a diversidade e o compromisso das bibliotecas escolares, de norte a sul, na valorização do livro e do ato de ler. Uma história real com final feliz, escrita a muitas mãos — e com muitas leituras.
Este texto analisa como a socialização da leitura, especialmente entre pares, pode influenciar de forma positiva os hábitos leitores. Desde os primeiros anos até à adolescência, a troca de recomendações, o diálogo e a convivência em torno dos livros ajudam a transformar a leitura numa prática coletiva, envolvente e significativa. Partilhar leituras, discutir interpretações e recomendar livros entre colegas são estratégias poderosas para criar comunidades leitoras ativas e sustentáveis. São também caminhos para a descoberta, o pensamento crítico e o fortalecimento de laços sociais.
Ler em voz alta: uma prática simples com um impacto poderoso. Este artigo reúne evidência e estratégias para transformar a leitura em voz alta numa ferramenta eficaz de desenvolvimento da compreensão, da fluência e do gosto pela leitura — desde os primeiros anos até ao ensino secundário. Selecionar textos adequados, planear pausas estratégicas, envolver os alunos, trabalhar o vocabulário e integrar diferentes disciplinas são apenas algumas das práticas destacadas. Com exemplos concretos e fundamentação atual, o texto sublinha que ler em voz alta é mais do que animar a aula: é formar leitores atentos, críticos e confiantes.
É desde muito cedo que se começa a formar um leitor. Este artigo destaca três competências-chave no desenvolvimento da literacia em crianças em idade pré-escolar: consciência do impresso, consciência fonológica e fonética. A autora propõe estratégias simples, lúdicas e fundamentadas na investigação, que podem ser facilmente integradas no quotidiano educativo. Ler em voz alta, explorar sons, jogar com rimas e aliterações, e associar letras a sons são formas eficazes de preparar as crianças para o sucesso na leitura — com diversão, envolvimento e intenção pedagógica.
Os contos tradicionais continuam a ser um tesouro para o crescimento das crianças. Este artigo mostra como estas histórias transmitidas de geração em geração estimulam a imaginação, desenvolvem vocabulário e consciência fonológica, estruturam o pensamento narrativo e promovem o pensamento crítico e a expressão emocional. Contar ou ler contos é muito mais do que uma atividade lúdica: é um instrumento poderoso no desenvolvimento da linguagem, da leitura e das relações humanas. A biblioteca escolar, em articulação com as famílias, pode ter aqui um papel decisivo.
Ler e escrever são competências complementares e indissociáveis no desenvolvimento da literacia. Este artigo apresenta cinco estratégias simples e eficazes que ajudam a integrar a escrita no trabalho de leitura, desde o ditado e a expansão de frases à redução de parágrafos, promovendo uma compreensão mais profunda dos textos e um uso mais consciente da linguagem. A escrita, aqui, não é um exercício à parte: é parte integrante do processo leitor, tornando-o mais significativo, expressivo e eficaz.
Neste dossier reúnem-se quatro testemunhos de diretores que partilham, em registos distintos mas igualmente comprometidos, a forma como veem e vivem a biblioteca escolar no quotidiano das suas comunidades educativas. São vozes que decidem e que reconhecem na biblioteca um espaço essencial de aprendizagem, inclusão, pertença e futuro.
De Felgueiras a Castelo Branco, de Guimarães a Azeitão, a biblioteca é aqui entendida como um lugar onde se constrói cultura, se desenvolvem competências e se promovem valores. Um espaço que dialoga com os projetos educativos, acompanha o currículo, dinamiza a escola e acolhe todos os que nela aprendem, ensinam e vivem.
Ler, crescer, pensar, partilhar: a biblioteca está no centro da escola, mas também no centro da visão de quem a dirige com consciência pedagógica e sensibilidade humana.
Neste testemunho pessoal e evocativo, Jorge Morgado, diretor do Agrupamento de Escolas de Airães, Felgueiras, percorre as bibliotecas da sua vida, da biblioteca itinerante da Fundação Gulbenkian às prateleiras carcomidas da escola primária, da banda desenhada nos “furos” à Enciclopédia Luso-Brasileira usada como Google da adolescência.
Hoje, como líder educativo, reconhece na biblioteca escolar um espaço essencial: de aprendizagem e de ser, onde se cultivam sentidos, talento e pertença. “Bibliotecar”, escreve, é deixar que a vida se transforme com a(s) biblioteca(s) que nos acompanham.
Uma reflexão inspiradora sobre o valor da leitura e da biblioteca ao longo da vida e sobre a importância de todos termos, como ele, uma biografia na biblioteca.
Para Luís Santos, diretor do Agrupamento de Escolas Afonso de Paiva (Castelo Branco), a biblioteca escolar é o coração vivo da escola. Neste testemunho, sublinha o papel da biblioteca como lugar de inclusão, bem-estar e construção de saberes, onde se cruzam currículos, literacias, criatividade e cidadania.
Através do trabalho colaborativo entre professores, alunos e a professora bibliotecária, a biblioteca afirma-se como espaço de descoberta, partilha e encontro, preparando os alunos para os desafios do presente e do futuro. Um investimento estratégico, humano e educativo, com impacto real na qualidade das aprendizagens.
Para Maria do Carmo Pereira, diretora do Agrupamento de Escolas Professor Abel Salazar (Guimarães), a biblioteca escolar é um lugar onde cabem todos os mundos: o real e o imaginário, o passado e o futuro, o saber e o sentir.
Neste testemunho, sublinha o papel estruturante da biblioteca como motor pedagógico, cultural e integrador do projeto educativo. Dá conta de práticas que ligam leitura, ciência, arte e cidadania, e destaca a importância de investir em equipas qualificadas e redes colaborativas. A biblioteca escolar, afirma, não é apenas um recurso, uma forma de olhar e viver a escola.
Para Gisélia Piteira, diretora do Agrupamento de Escolas de Azeitão, as bibliotecas escolares são lugares onde o conhecimento encontra o afeto, a inovação dialoga com a tradição e cada aluno encontra espaço para crescer.
Neste testemunho marcado por emoção e compromisso, evidencia-se o papel das bibliotecas como faróis educativos, motores de inclusão, criatividade, leitura partilhada e construção de comunidade. Com projetos como Biblioteca sobre Rodas ou Assaltos de Leitura, o agrupamento constrói, todos os dias, uma escola mais humana, justa e com futuro, com a biblioteca no centro da sua visão educativa.
Em 2025, assinalam-se os 500 anos do nascimento de Luís de Camões, figura maior da literatura portuguesa e símbolo da identidade linguística e cultural do país. As bibliotecas escolares responderam ao desafio com entusiasmo, criatividade e envolvimento comunitário, promovendo atividades que reatualizam a obra camoniana e a colocam em diálogo com os interesses e linguagens das novas gerações.
Este dossier reúne sete práticas significativas desenvolvidas em diferentes contextos educativos, que vão da leitura à expressão artística, da ciência à cidadania, da recriação digital à cooperação internacional. Em comum, todas partilham o propósito de dar nova vida à palavra de Camões, envolvendo os alunos como leitores, criadores e participantes ativos na construção de sentido.
Ler Camões, hoje, é afirmar a centralidade da cultura, da língua e da imaginação na formação de leitores críticos e cidadãos conscientes. É construir pontes entre tempos, disciplinas e territórios, com a biblioteca escolar como espaço privilegiado de encontro, criação e partilha.
No dia 23 de janeiro de 2025, escolas de todo o país e comunidades educativas no estrangeiro juntaram-se para dar voz a Luís de Camões, numa leitura simultânea que marcou simbolicamente os 500 anos do nascimento do poeta. A iniciativa Ler Camões, promovida pela Rede de Bibliotecas Escolares, envolveu mais de 100 mil alunos em ações que atravessaram fronteiras e disciplinas, com leituras em várias línguas, arruadas literárias e performances públicas.
Inspirado num estudo recente sobre a data do nascimento de Camões, este movimento coletivo marcou um vasto programa comemorativo que se prolonga até 2026, com projetos curriculares e interdisciplinares que atualizam o legado camoniano. Ler Camões é, assim, um desígnio nacional de memória, criatividade e cidadania cultural, com as bibliotecas escolares no centro da mobilização.
No Agrupamento de Escolas de Torrão, os alunos do 2.º ciclo celebraram os 500 anos de Camões através de uma abordagem artística e ecológica. A biblioteca escolar, em articulação com docentes de Expressão Dramática e Artística, dinamizou a atividade (Re)Criar Camões, inspirada no Cubismo e nos princípios da sustentabilidade. Utilizando materiais reutilizados, os alunos criaram retratos do poeta, explorando novas linguagens visuais e refletindo sobre o consumo responsável. As obras foram reunidas numa exposição no Museu Etnográfico do Torrão, promovendo o encontro entre arte, literatura e consciência ambiental e afirmando a escola como espaço de criação com sentido.
Na Escola Secundária José Saramago, em Mafra, Camões ganhou uma nova forma, a de figura de ação colecionável. A biblioteca escolar, em articulação com a disciplina de Português, desafiou alunos do 10.º ano a recriar o poeta, recorrendo a ferramentas de inteligência artificial, cruzando estudo literário, criatividade digital e pensamento crítico. A atividade permitiu explorar a obra e a vida de Camões de forma inovadora, estimulando a reflexão sobre o uso da IA, a validação da informação e o papel da linguagem na criação digital. Uma proposta original que aproximou o poeta maior da língua portuguesa dos jovens leitores e criadores do presente.
No Agrupamento de Escolas António de Ataíde, em Vila Franca de Xira, a figura de Camões foi o ponto de partida para um projeto em Domínio de Articulação Curricular, envolvendo as disciplinas de Educação Tecnológica, História e Geografia de Portugal e Desenvolvimento e Tutoria. A biblioteca escolar teve um papel estruturante, apoiando a pesquisa e promovendo o encontro entre leitura, território e criação.
Os alunos recriaram as rotas camonianas num planisfério ilustrado, escreveram textos evocativos e apresentaram-nos em jogral, usando adereços simbólicos inspirados no poeta. Um projeto que conjugou saberes, arte e identidade, assinalando o início das comemorações dos 500 anos de Camões no agrupamento.
Duas bibliotecas escolares — em Díli e no Porto — cruzaram oceanos para construirem um projeto artístico e simbólico, no âmbito da iniciativa Latitudes da Língua Portuguesa. Através da ilustração de excertos de Os Lusíadas, alunos da Escola Portuguesa Ruy Cinatti e da Escola Artística do Conservatório de Música do Porto reinterpretaram a epopeia camoniana com criatividade, sensibilidade e pertença. A atividade afirmou a biblioteca escolar como espaço de mediação cultural e encontro entre tempos, geografias e identidades. Um testemunho de cooperação educativa que transforma a língua portuguesa num território partilhado de criação, memória e futuro.
No concelho de Silves, as bibliotecas escolares mobilizaram alunos de vários níveis de ensino para assinalar os 500 anos de Camões através de uma exposição coletiva patente na Biblioteca Municipal. A iniciativa reuniu biografias criativas, marcadores ilustrados, leituras em voz alta, mapas temáticos e até propostas com ligação à ciência. Além de uma homenagem, Camões em nós foi um gesto educativo e cultural que envolveu a comunidade local, celebrando a permanência de Camões na imaginação, na palavra e na criação dos leitores mais jovens.
No dia 10 de maio de 2025, o Agrupamento de Escolas Raul Proença levou a celebração dos 500 anos de Camões para o coração das Caldas da Rainha, com o Happening Raul Proença. Cerca de 600 alunos e professores transformaram a cidade num palco vivo de poesia, ciência, dança, música, robótica e leitura.
Com o envolvimento de toda a comunidade educativa e local, e com as bibliotecas escolares como parceiras ativas, este evento deu corpo a uma visão integradora dos saberes, homenageando Camões como figura intemporal e promotora de diálogo entre tradição e contemporaneidade. Um exemplo inspirador de cidadania cultural em ação.
Ao longo de 2024-2025, as bibliotecas escolares afirmaram-se, uma vez mais, como espaços de aprendizagem ativa, colaboração e intervenção educativa. Neste dossier reúnem-se práticas significativas desenvolvidas em diferentes contextos, onde a leitura se cruza com a ciência, a cidadania, a memória, a literatura e a participação dos alunos.
Cada uma destas experiências reflete o compromisso das bibliotecas com uma escola aberta, crítica e criativa. Projetos que nasceram do trabalho colaborativo entre professores bibliotecários, docentes e alunos e que traduzem o papel das bibliotecas como mediadoras de saberes, promotoras da literacia e impulsionadoras de transformação educativa.
Ler, partilhar, experimentar, debater e agir: é assim que as bibliotecas escolares continuam a construir presença e impacto no quotidiano das escolas.
Desenvolvido pelas bibliotecas escolares dos Agrupamentos de Escolas Rainha Santa Isabel e Coimbra Sul, Ciência Sempre a Rol@r cruza leitura, ciência e cidadania com alunos da educação pré-escolar e do 1.º ciclo. O projeto promove sessões mensais em formato digital, a partir da biblioteca escolar, com leitura orientada, experimentação científica e partilha de recursos. Envolvendo mais de 1000 alunos e 70 professores, criou Kits de Ciência que prolongam as aprendizagens na sala de aula, afirmando-se como uma iniciativa colaborativa que reforça o papel das bibliotecas escolares na aprendizagem ativa, na inclusão e na literacia científica.
No Agrupamento de Escolas da Venda do Pinheiro, a cidadania ativa ganhou destaque num Conselho Pedagógico extraordinário, que reuniu representantes de todos os ciclos de ensino para apresentar propostas em defesa do ambiente. A iniciativa, inspirada pelo mote da Rede de Bibliotecas Escolares "Aprender e Agir", foi dinamizada pelos professores bibliotecários em articulação com as equipas pedagógicas.
A partir de sessões sobre fauna, flora e representação artística local, os alunos identificaram problemas, sugeriram soluções e propuseram ações concretas. As ideias mais relevantes serão implementadas no próximo ano letivo, reforçando o compromisso do agrupamento com uma escola mais participativa, sustentável e atenta às vozes dos mais novos.
Na Escola Secundária João de Deus, a leitura saiu das páginas para ganhar palco na 2.ª edição da Maratona de Livros, realizada no âmbito do Dia Mundial da Língua Portuguesa. Dinamizada pela biblioteca escolar, em articulação com o Departamento de Português, a iniciativa envolveu 143 alunos e 6 professores em seis sessões de partilha e reflexão literária.
Grupos de alunos apresentaram obras em torno de temas comuns, lançando desafios ao público através de quizzes e diálogos. Esta prática de socialização da leitura reforça o papel das bibliotecas escolares na promoção do pensamento crítico, da expressão oral e do gosto pela leitura partilhada.
Na Escola Básica do Alto do Moinho, a poesia continua a unir memória, criatividade e comunidade. O IV Concurso de Poesia Zélia Santos, dinamizado pela biblioteca escolar que honra o nome da professora bibliotecária que lhe deu rosto e alma, desafiou este ano os participantes a revisitarem Camões sob o mote aMAR Camões.
Com 134 poemas recebidos, provenientes de escolas e instituições dos concelhos do Seixal e de Almada, o concurso envolveu sete escalões, do pré-escolar aos docentes e afirmou-se como um espaço de expressão literária e cidadania cultural, onde a palavra poética é ponte entre tradição, identidade e imaginação.
A Biblioteca Escolar da Escola Secundária Professor Reynaldo dos Santos acolheu a exposição itinerante “Mário Soares: 100 anos”, promovida pela Fundação Mário Soares e Maria Barroso em articulação com a Rede de Bibliotecas Escolares. A exposição dirigiu-se sobretudo aos alunos de História A do 12.º ano, num percurso documental que evocou o papel determinante de Mário Soares na luta pela liberdade e pela democracia.
O momento alto da iniciativa foi a palestra com a Dr.ª Edite Estrela, que partilhou um testemunho pessoal e inspirador, reforçando o valor da memória e da participação cívica. A leitura pública da obra Catarina e a Beleza de Matar Fascistas, por uma aluna premiada, criou uma ponte entre passado e presente, destacando o papel da literatura e da escola na formação de consciências livres e críticas.
Na Escola Básica Tecnópolis (Lagos), a rádio escolar tornou-se palco de criatividade, investigação linguística e pensamento crítico. Criado por Vasco Peixinho, aluno do 3.º ciclo, o programa Diz-me o que dizes, dir-te-ei como é revela semanalmente as histórias por trás das expressões idiomáticas portuguesas, com humor e rigor. A biblioteca escolar é o ponto de partida desta rubrica que alia oralidade, literacia dos media e cidadania, provando que a palavra pode ser ponte entre gerações, entre saberes e entre modos de pensar.
No Agrupamento de Escolas Eng.º Duarte Pacheco (Loulé), o projeto SOS Emoções afirma a biblioteca escolar como um espaço promotor de bem-estar, inclusão e empatia. Desenvolvido em articulação com professores, psicólogos e famílias, este projeto alia a mediação da leitura à educação emocional, capacitando as crianças para reconhecer, gerir e expressar as suas emoções desde os primeiros anos. Com impacto local e projeção europeia, através do kit Europa + Emoções = Inclusão, esta prática mostra como a biblioteca pode ser lugar de afeto, escuta e transformação pessoal e social.
A rubrica Tempo para Ler, da autoria de Júlia Martins, regressou ao longo de 2024-2025 com novos textos que celebram o poder transformador da leitura. Este segundo dossier reúne seis propostas que conjugam reflexão, sugestão e inspiração — dirigidas a leitores de todas as idades, em contextos diversos, mas unidos por um mesmo impulso: o de ler mais, o de ler melhor, o de ler com gosto.
Ao longo destes textos, convocam-se temas como a importância da literatura infantil, a leitura como via para compreender os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, o pensamento crítico a partir dos livros, a alegria de estar offline, a liberdade de imaginar ou o prazer de ler durante as férias. Com um olhar atento, sensível e comprometido, Júlia Martins partilha palavras que estimulam, despertam e envolvem.
Este dossier é, por isso, um mapa de leituras possíveis e uma bússola para quem acredita que os livros são lugares onde se cresce por dentro.
No Dia Internacional da Mulher, celebrado a 8 de março, este texto convidou a refletir sobre os direitos, as oportunidades e o poder das mulheres através da leitura. Partindo de obras que deram voz às lutas, inquietações e conquistas de mulheres de diferentes épocas e contextos — de Mary Wollstonecraft a Alba de Céspedes, de Virginia Woolf a autoras contemporâneas —, recorda-se que a igualdade de género se constrói também com livros. Ao destacar histórias de vida, pensamentos críticos e percursos marcados pela resistência, este artigo apela à ação de professores bibliotecários e educadores: que continuem a dar a ler, para que nenhuma história seja silenciada e nenhum direito esquecido.
No Dia Internacional do Livro Infantil, celebrado a 2 de abril, prestamos homenagem à infância leitora e ao poder dos livros para abrir janelas de imaginação, descoberta e pertença. Nesta data especial, assinalada em todo o mundo desde 1967, recordamos que os livros para crianças são portais para compreender o mundo e o lugar que nele ocupamos. O texto de Júlia Martins convida-nos a (re)descobrir autores, ilustradores e histórias que alimentam a curiosidade, o afeto e a liberdade de pensar desde cedo, com destaque para obras emblemáticas e para iniciativas nacionais e internacionais que dão corpo a esta celebração.
No Dia Mundial do Livro, celebrado anualmente a 23 de abril por iniciativa da UNESCO, destacamos o valor transformador da leitura e o seu papel essencial na construção de sociedades mais livres, informadas e humanas. Este ano, associando-se às comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, a Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas escolheu como mote “Ler é Ser Livre”; uma afirmação poderosa que a Rede de Bibliotecas Escolares subscreve e reforça. Neste texto, Júlia Martins convida-nos a mergulhar no universo dos livros, através de reflexões, recomendações e celebrações que recordam que a leitura é, efetivamente, um dos atos mais profundos de liberdade individual e coletiva.
Integrar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) na prática educativa é uma urgência que convoca todos os agentes educativos — e as bibliotecas escolares têm vindo a assumir um papel fundamental nesta missão. Neste artigo, Júlia Martins parte da Agenda 2030 da ONU para mostrar como os livros podem ser ferramentas poderosas de consciencialização, cidadania e transformação. Através de propostas de leitura que dialogam com os ODS, em especial o ODS 4 – Educação de Qualidade, este texto evidencia o contributo da leitura para o desenvolvimento pessoal e coletivo, promovendo uma escola mais inclusiva, informada e comprometida com um futuro sustentável.
Perguntar é uma arte — e Joana Rita Sousa mostra-nos como pode ser também um poderoso exercício de escuta, pensamento crítico e cidadania. Neste texto, mergulhamos no universo filosófico e educativo da autora de Como Desenvolver o Pensamento Crítico das Crianças, um livro que é, em si, uma prática viva de questionamento e diálogo. Através de uma conversa generosa, conhecemos melhor o seu percurso, as suas motivações e as ferramentas que propõe a quem deseja criar comunidades mais reflexivas, escutantes e participativas. Porque pensar é, antes de tudo, um compromisso com a clareza, a humildade e a transformação.
Verão rima com tempo. E o tempo do verão pode ser também tempo de leitura. Ler nas manhãs longas, nas sestas tranquilas ou nas noites demoradas. Ler por lazer, por curiosidade, por impulso, por prazer. Ler com a leveza dos dias que se espreguiçam e com a disponibilidade que nos devolve ao essencial: escutar o mundo, os outros e nós mesmos.
Este texto oferece um conjunto de sugestões para leitores de todas as idades e em todos os ritmos. Propõe livros que fazem perguntas, despertam imaginação, desafiam certezas, acolhem silêncios ou cultivam o pensamento crítico. Porque, como nos lembram alguns desses títulos, ler é descobrir, pensar, sentir — e crescer.
O verão chegou. E com ele a possibilidade de fazer da leitura o nosso destino favorito.
Em 2021 investigou o currículo de 100 países e concluiu que “apenas 53% dos currículos educacionais nacionais do mundo fazem alguma referência às mudanças climáticas e, quando o assunto é mencionado, quase sempre recebe prioridade muito baixa”. Quase 95% dos professores considera que é importante ou muito importante trabalhar a gravidade das mudanças climáticas em sala de aula, mas apenas 23% consideram que têm os conhecimentos necessários para o fazer
Os documentos que se apresentam de seguida adotam uma abordagem orientada para a ação e defesa dos direitos humanos, holística e cientificamente rigorosa, capaz de apoiar e acelerar a ação das escolas e das bibliotecas escolares.
Respondendo ao apelo dos jovens para a educação climática, a Parceria para uma Educação Ecológica, resultante da TES e presidida pela UNESCO, lançou, no Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho, 2 publicações que destacam a necessidade de ecologizar as escolas, os currículos, a formação de professores e as comunidades e capacitar os jovens para a ação climática:
Norma de qualidade para uma escola verde que estabelece, pela primeira vez, os requisitos para uma escola verde: Governação; Instalações e funcionamento; Ensino e aprendizagem; Envolvimento da comunidade.
Orientação curricular ecológica: Ensinar e aprender para a ação climática que propõe que em todos os currículos se trabalhem 6 conceitos-chave obrigatórios 1. Ciência climática; 2. Ecossistemas e biodiversidade; 3. Justiça climática; 4. Construção de resiliência; 5. Economias pós-carbónicas; 6. Estilos de vida sustentáveis.
A Semana de Aprendizagem Digital/Digital Learning Week (Paris, 2 - 5 set.) é o principal evento anual da UNESCO sobre aprendizagem digital e transformação da educação.
Promove a cooperação e “uma conceção e utilização da IA (Inteligência Artificial) na educação centrada no ser humano e respeitadora do clima” e “com um enfoque específico na exploração das interligações entre a transformação digital e a educação verde [greening education]” (UNESCO. 2024).
Sob o slogan Tecnologia Orientada para a Educação, o evento adota “uma abordagem ética de conceção e utilização da IA na educação que promove o desenvolvimento sustentável” e marca a mudança de um “modelo extrativista de economia digital”.
Education for Sustainable Development (ESD) é o programa de educação da UNESCO alinhado com a Agenda 2030, que deverá ser posto em prática até 2030 e que foi concebido como um meio importante para alcançar todos os ODS. É explicitamente mencionada no ODS 4.7.
Visa a mudança de estilo de vida e a participação dos jovens, adota uma abordagem holística e humanista, incorpora os progressos tecnológicos e a educação não formal e informal e concentrar-se “no desenvolvimento de competências de pensamento crítico e da ‘pessoa no seu todo’ [whole person]” (ONU, 2017).
No espaço europeu o GreenComp ou o Quadro Europeu de Competências de Sustentabilidade (European Sustainability Competence Framework) define as competências necessárias para a transição ecológica e sustentável.
O seu objetivo “é promover uma mentalidade de sustentabilidade, ajudando os alunos a desenvolver os conhecimentos, as aptidões e as atitudes para pensar, planear e agir com empatia, responsabilidade e cuidado para com o nosso planeta” (Bianchi, Pisiotis, Cabrera, 2022, p. 2).
Sustentabilidade significadar prioridade às necessidades de todas as formas de vida e do planeta, assegurando que a atividade humana não excede os limites do planeta” (Bianchi, Pisiotis, Cabrera, 2022, p. 12).
A Ação para o Empoderamento Climático (ACE) visa capacitar para o envolvimento “em políticas e ações climáticas, através da educação e sensibilização pública” (UN Climate Change, 2023).
ACE é um termo adotado pela UNFCCC (United Nations Framework Convention on Climate Change/Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), de 1994 (art.º 6), que faz parte do Acordo de Paris (art.º 12) e da Agenda 2030 (metas 4.7 e 13.3).
A Declaração de Lyon sobre o Acesso à Informação e ao Desenvolvimento (IFLA, 2014 é um dos primeiros e mais relevantes documentos da comunidade internacional de bibliotecas a apoiar o desenvolvimento sustentável e o compromisso da ONU para a Agenda 2030.
Elaborada durante o processo de discussão da Agenda 2030 (2015), reconhece o papel crucial da informação – e da educação sustentável - para apoiar a ação climática e o desenvolvimento sustentável, bem como a importância das bibliotecas para ajudar os governos neste desígnio global.
As Bibliotecas Escolares apresentam um conjunto diversificado de atividades, recursos e de sugestões de leitura para que os professores bibliotecários, docentes e alunos possam trabalhar em prol de uma maior consciencialização e da urgência de dar cumprimento aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Na impossibilidade, de num só artigo, de sugerir leituras para todos os ODS, neste artigo partilhamos algumas sugestões de leitura para trabalhar, debater, dialogar sobre o ODS 4 – Educação de Qualidade.
Um dos títulos sugeridos é O velho e a escola, de Álvaro Laborinho Lúcio:
Chegado ao fim do seu passeio matinal, o velho olha ainda, já ao longe, a Escola das suas infâncias. A Escola do seu futuro. A sua Escola de paredes brancas. Ávidas de inscrições. Onde muitos sonhos possam ser gravados. Tantos quantas crianças e quantos os sonhos que não deixamos morrer-lhes.
Reunimos aqui cinco "Retalhos da vida de um professor bibliotecário" intensos e singulares que, na sua diversidade, revelam o compromisso quotidiano de quem faz da biblioteca escolar um lugar vivo, habitado por pessoas, ideias e afetos.
São percursos marcados por dúvidas e conquistas, por laços entre gerações, por recomeços e persistência, por projetos que nascem do território, das urgências do presente e da esperança no futuro. Cada texto é um convite à escuta: do que se sente, do que se constrói e do que se partilha em torno dos livros, da leitura e do outro.
Longe de serem apenas relatos de práticas, estas narrativas são também declarações de pertença e paixão pelo que a escola pode ser quando há tempo, espaço e intenção para costurar relações, renovar olhares e abrir caminhos de aprendizagem com sentido.
por Adelaide Peres e Marta Brandão, professoras bibliotecárias do AE de Arouca
Entre montanhas e bibliotecas, cumplicidades que constroem futuros
Em Arouca, as montanhas guardam histórias — e nas bibliotecas escolares, duas gerações caminham juntas para as fazer crescer. Uma professora bibliotecária experiente e a sua antiga aluna, agora colega, constroem em conjunto um mapa feito de livros, escolas e pessoas. Entre desafios, aprendizagens e partilhas, mostram-nos como a biblioteca é uma promessa renovada todos os dias. Um testemunho comovente sobre colaboração, transmissão, afetos e resiliência.
por Isabel Robalo, Professora Bibliotecária do AE de Almeida
Palavras com fronteira, raízes com futuro
Entre a Raia Beirã e a Fortaleza de Almeida, uma biblioteca escolar semeia, recolhe e partilha histórias. Este é o testemunho de quem trabalha com paixão entre serras, livros e pessoas — onde cada projeto nasce do território e cresce com a memória, os afetos e a esperança. Das palavras bordadas em aventais às histórias guardadas em podcasts, das rodas de leitura à “Parábola do Semeador”, tudo ecoa o compromisso com o bem comum e com uma escola onde os livros estão sempre prontos a partir… com todos, todos, todos.
por Cristina Lima, Professora bibliotecária, AE D. Afonso Sanches, Vila do Conde
Quando a matemática conversa com a literatura
Este é o testemunho de quem descobriu que o rigor da matemática e a sensibilidade da literatura habitam os mesmos corredores do pensamento — e que, numa biblioteca, podem finalmente sentar-se à mesma mesa. Entre equações e metáforas, leituras e aprendizagens, construiu-se um espaço onde cada ser humano é único e acolhido como é. Um lugar onde até as tristezas acabam por sorrir. Este testemunho recorda o valor da liberdade de pensar, de ler, de aprender… e de escutar o silêncio que diz: “estás a fazer um trabalho bonito”.
Isabel Gomes Ferreira, professora bibliotecária, ES da Boa Nova, Leça da Palmeira
Bibliotecas em rede, escolas com futuro
Inspirado pelas palavras de Irene Vallejo, este testemunho transporta-nos de Alexandria para Leça da Palmeira, onde uma professora bibliotecária reflete sobre o papel das bibliotecas escolares na construção de uma escola mais humana, crítica e colaborativa, preparada para os desafios e incertezas do século XXI. Entre a paixão pelos livros e o compromisso com a mudança, afirma-se a biblioteca como espaço de partilha, de ação e de futuro, onde se constroem pontes, se cruzam saberes e se desperta o desejo de transformar o mundo.
por Anabela Correia dos Santos Penas, professora bibliotecária do AE de Valpaços
Costurar mudanças com livros e afetos
Neste testemunho, acompanhamos o percurso de quem fez da biblioteca uma extensão do coração: entre escolas, caixas de livros, estantes esquecidas e sorrisos tímidos de leitores iniciantes, foi tecendo um trabalho persistente, sensível e marcante. Cada espaço ganhou alma, cada história contou, cada gesto acolheu. Com dúvidas naturais e uma força interior que nunca esmoreceu, foi-se construindo uma biblioteca viva, feita de escuta, dedicação e presença. Um texto comovente sobre o poder de recomeçar, o valor das relações e a certeza de que uma biblioteca com alma transforma vidas.
Este dossier reúne nove experiências significativas desenvolvidas em diferentes pontos do país, protagonizadas por bibliotecas escolares em articulação com bibliotecas municipais, escolas, autarquias, instituições do ensino superior e outros parceiros locais. São práticas que evidenciam a força das redes territoriais na promoção da leitura, da literacia e da cidadania ativa.
Mais do que somar projetos, estas iniciativas afirmam uma visão integrada e partilhada do papel das bibliotecas na transformação das comunidades. Partem de contextos concretos e respondem a necessidades reais, convocando alunos, famílias, docentes, técnicos e decisores para a construção de percursos colaborativos de aprendizagem.
Entre bibliomóveis e cantinhos de leitura, concursos, oficinas de ciência, campanhas digitais e malas viajantes, o que aqui se apresenta é um retrato vivo da inovação educativa que se faz todos os dias, no terreno, com engenho e sentido de missão. Porque quando a prática se enraíza nas comunidades, cresce também a escola, a cultura e a democracia.
Há 26 anos, a autarquia de Vila Franca de Xira lançou as Bibliomanias, uma resposta criativa à falta de bibliotecas em escolas com poucos alunos e espaço reduzido. Pensadas como “cantinhos de leitura” acolhedores, estas mini‑bibliotecas continuam a ser, ainda hoje, pontos de acesso essencial ao livro, à informação e ao prazer de ler. Com o apoio da Biblioteca Municipal, do professor bibliotecário e do serviço complementar do Bibliomóvel, o projeto afirma-se como um exemplo sustentável de articulação entre escola e município. Uma prova de que a leitura pode florescer mesmo nos recantos mais pequenos — basta haver vontade, afeto e compromisso com a educação.
No Mercado Municipal de Alcobaça, livros e leitores encontram-se em bancas improvisadas, entre “iguarias” culturais prontas a circular. Livros p’à troca é uma iniciativa anual da Rede de Bibliotecas do Concelho de Alcobaça, que alia a promoção da leitura à sustentabilidade, dinamizando a troca de livros desbastados ou doados entre leitores de todas as idades.
Mais do que uma feira de trocas, este projeto comunitário promove a reutilização, o diálogo e a diversidade literária, reforçando os laços entre bibliotecas, leitores e território. Um exemplo de como a leitura pode alimentar comunidades e circular para ganhar novas vidas.
Criado por professores bibliotecários da região de Douro, Tâmega e Sousa e pelo cruciverbalista Paulo Freixinho, com o apoio da Rede de Bibliotecas Escolares, o Concurso de Palavras Cruzadas transforma o vocabulário em jogo, a leitura em desafio e o conhecimento em prática colaborativa.
Dirigido a alunos do 1.º ciclo ao ensino secundário, este concurso alia gamificação, literacias e competências cognitivas, valorizando a palavra escrita e falada. Em 2025, a final nacional realizou-se em Cinfães, depois de várias eliminatórias locais. Uma iniciativa que convida todas as bibliotecas escolares a entrarem no jogo da linguagem, com engenho, criatividade e gosto pela descoberta.
O projeto Con.Raízes, distinguido pela RBE como Ideia com Mérito, juntou escolas do Alto Alentejo numa experiência criativa que aliou educação, literacia mediática e identidade local. Através de vídeos, podcasts, dramatizações e campanhas digitais, os alunos assumiram o papel de influencers para promover o património dos seus territórios.
A iniciativa, com palco em Alter do Chão, valorizou produtos regionais, saberes locais e tradição oral, ao mesmo tempo que capacitou os jovens para a comunicação digital com sentido crítico e propósito. Um exemplo de como as bibliotecas e as escolas podem formar criadores conscientes e defensores do lugar onde vivem, com raízes no passado e olhos postos no futuro.
Em 2025, o PesquisOAz cumpriu a sua 6.ª edição para alunos e 2.ª para professores, afirmando-se como um campeonato de literacia da informação que mobiliza milhares de participantes na região de Oliveira de Azeméis e concelhos vizinhos. Alargando-se este ano ao 1.º ciclo, a iniciativa contou com mais de 6 700 alunos envolvidos na fase escola, com provas preparadas em articulação entre professores bibliotecários e docentes de TIC.
Com formação estruturada, integração curricular e desafios reais, o projeto aposta numa abordagem crítica à pesquisa em linha, já com olhos postos na adaptação aos novos cenários com inteligência artificial. Uma prova clara de que saber pesquisar é, hoje, uma competência essencial e uma porta aberta para pensar, avaliar e agir com informação fiável.
Em Sobral de Monte Agraço, a leitura fez-se em família, ao serão, com Camões como inspiração e as bibliotecas como ponto de encontro. O VIII Serão de Encantar foi uma celebração intergeracional da palavra dita, da partilha afetiva e do envolvimento entre escola, famílias e comunidade.
Teatro de sombras, leitura de poesia, dinâmicas familiares e música envolveram todos num ambiente de descoberta, onde Camões foi pretexto para viver o poder da leitura. Um exemplo de como a biblioteca pode ser espaço de pertença e de afetos, onde a cultura se vive com emoção.
Em Torres Vedras, o projeto Newton Gostava de Ler chegou para provar que a ciência e a leitura podem, e devem, andar de mãos dadas. Através da articulação entre bibliotecas escolares, professores bibliotecários e o serviço educativo da Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro, este projeto está a levar experiências científicas e livros às salas de aula, despertando o entusiasmo dos alunos e promovendo aprendizagens interdisciplinares. Com sessões práticas, propostas de leitura e desafios estimulantes, a curiosidade e o gosto pela descoberta ganham espaço nas escolas. Uma aposta clara na literacia científica e na leitura como motores do conhecimento e da criatividade.
A criatividade dos alunos de Tavirabrilhou no 5.º Concurso de Book Trailers, promovido pela Rede de Bibliotecas local. Através de vídeos curtos, originais e impactantes, os participantes deram nova vida às suas leituras, explorando técnicas de edição, banda sonora e storytelling. Esta iniciativa reforça a leitura como experiência multimodal e revela como as bibliotecas podem inspirar novas formas de expressão literária e artística, cruzando livros, ecrãs e emoções.
Em Lagoa(Algarve), os livros viajam de sala em sala e de casa em casa, promovendo o gosto pela leitura desde a infância. Com malas recheadas de livros, passaportes de leitura e cromos literários, o projeto “Leituras em Viagem” transforma o quotidiano pré-escolar numa experiência de leitura partilhada e afetiva. Avaliado cientificamente, demonstra impacto real na motivação para ler, no envolvimento familiar e na redução de desigualdades. Ler, aqui, é uma viagem com muitas paragens — todas marcadas pelo prazer de descobrir juntos.