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Mau tempo no canal

 

"A obra romanesca mais complexa, mais variada, mais densa e mais subtil em toda a nossa história literária", são palavras de David Mourão-Ferreira sobre "Mau Tempo No Canal", de Vitorino Nemésio. O documentário ajuda-nos a perceber porquê.

 

A narrativa, temporalmente situada entre 1917 e 1944, incide sobre Margarida Clark Dulmo, peça de relações amorosas desencontradas e frustradas e nenhuma delas capaz de lhe realizar as ambições existenciais, continuamente vetadas pelo que é socialmente convencionado e imposto de modo asfixiante e incontornável pela moral burguesa da sociedade açoriana das primeiras décadas dos século XX.

 

“Mau Tempo No Canal” é o romance de Vitorino Nemésio que figurará na história literária portuguesa como um dos mais completos e conseguidos, mas também é aquele que da insularidade dos Açores nos eleva à prisão da ilha de todo o Homem, com os seus universais medos, paixões, entusiasmos e angústias. 

 

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Francisco José Viegas |

 

Há livros que resumem vidas inteiras. E há livros que nos devolvem fragmentos da nossa própria vida – pedaços que já tínhamos perdido sem esperança de os reencontrar – mesmo aqueles que já tínhamos esquecido.

 

De cada vez que penso “nisso”, penso também nos lugares onde fui feliz com os livros e, de entre esses dois lugares, elejo dois: o Douro, no Verão quente à beira do rio; e numa das mais belas bibliotecas que visitei na infância: uma carrinha Citroen da Fundação Calouste Gulbenkian que, às quartas-feiras, religiosamente, estacionava no largo principal da aldeia onde eu passava férias (no Douro, o centro do meu mundo de então) e se enchia de gente que procurava uma água invisível para matar aquela sede feita de Verão, calor, preguiça, e imaginação.

 

Digo “imaginação” de propósito, porque não é possível falar de livros e de bibliotecas sem essa palavra, ou sem a palavra “sonhos”. Os livros são como os próprios sonhos: se se recordam é porque são realmente importantes. E se são realmente importantes é porque, de alguma forma, transformaram a nossa vida, ou perturbaram-na, ou tocaram-na em algum lugar.

 

Pouco há a escrever sobre uma biblioteca onde estão todas as palavras que poderíamos utilizar para a descrever e para a comentar – alinhadas em temas, em corredores onde o silêncio ou a penumbra, a luz ou o rumor do divertimento habitam como se fosse a sua casa. A biblioteca não é, por isso, apenas a casa do livro. Todas as imagens do mundo, do sonho, do riso, do medo, da dor, estão ali, abrigadas e aguardando a oportunidade de visitar quem as visita, folheando um livro, ignorando uma página em detrimento de outra, fechando um capítulo da consulta aos livros, que é como quem diz, da consulta ao mundo.

 

Dir-se-á que, provavelmente, o livro não traz a felicidade. Mas, também provavelmente, a imagem de felicidade que fomos construindo vem nos livros – e há-de ter um livro por perto. Um livro por onde copiar seja o que for.

 

Já se disse que a felicidade é um produto da nossa imaginação e da nossa cultura. Mas é nos livros que mais se fala dela – como um estado de espírito, uma ausência e um enigma. E dado que é na biblioteca que os livros se encontram (e em nossa casa, claro, e em qualquer lado, em qualquer lugar onde quisermos que eles estejam), é talvez aí que melhor se reconhece a perfeição e a imperfeição do mundo – a ideia ou o esquecimento da felicidade.

 

NEM SEMPRE É FÁCIL PENSAR UMA BIBLIOTECA: o que ela deve ter, o que ela deve oferecer, o que ela deve esquecer. É este, penso eu, um dos objetivos da biblioteca: fazer esquecer alguma coisa (o lembrar alguma coisa é objetivo comum, não vale a pena falarmos disso – deriva da ideia da biblioteca como grande reservatório do mundo), fazer-nos passear entre as estantes, esquecendo que o mundo está lá fora e que este mundo, o dos corredores repletos de livros, o das páginas revisitadas por prazer ou por obrigação, ou só por curiosidade, é que é o mundo verdadeiro. A vida eterna.

 

Falando sinceramente, a vida que vem nos livros é que é a verdadeira; foi nos livros que, pela primeira vez, ouvimos falar de amor; o primeiro gesto de renúncia, ou de medo, ou de alegria, aprende-se num livro, num fragmento de aventura ou de uma história escutada de dentro de um livro – esse instrumento afinadíssimo para escutarmos as grandes vozes, as que sussurram e as que gritam, as que vêm de longe para lembrar a distância que nos separa ou aproxima da felicidade, ou as que estão tão perto que apenas um levíssimo rumor basta para se tornarem mais reais.

 

Poderíamos repetir Lawrence Durrell (de Justine, do seu quarteto de Alexandria): podemos amar alguém, ou sofrer por alguém – ou, em alternativa, fazer literatura, isto é, escutar as vozes do mundo.

 

E, se falamos em felicidade, falamos também de perdição – ou seja, do direito, impossível de negar a um leitor, de se perder na magnífica contemplação de um título, de um parágrafo, sempre ao acaso das circunstâncias que o levaram por este ou por aquele atalho. É assim, também, que um geógrafo amador persegue a textura dos solos, o contraste das paisagens, a contiguidade ou fragmentação do povoamento: seguindo ao acaso pelo mapa, anotando isto ou aquilo na sua memória, voltando a ela quando vem a propósito.

 

COMO NOS SONHOS, PORTANTO. Ou seja: deixando que as coisas aconteçam por dentro, que é o sítio onde tudo de importante acontece.

 

Provavelmente, dirão que esta visão do pequeno universo das bibliotecas é demasiado benévola e, também, «poética» em excesso. Mas não há outra forma de ver o assunto. A vida é demasiado séria – demasiado fugaz também, para que a levemos muito a sério, como seres cabisbaixos que recusam o enternecimento e o riso só porque se sabe (de antemão, claro que sim) que a vida é pesada o suficiente para nos entristecer. Não há outra forma de ver o assunto: as bibliotecas são ilhas, pequenos continentes onde a fantasia ainda é possível e desejada.

 

O importante é que, precisamente por isso tudo, as bibliotecas sejam focos de resistência. Eu explico: hoje em dia, só se pode ser feliz através dos sonhos – são o espaço de liberdade que nos resta, liberdade absoluta, possibilidade absoluta. Como os sonhos passam para os livros, eu não sei nem posso explicar, senão pelo acaso de aos livros ser possível recuperar aquilo que não se diz de outra forma. Com um livro nas mãos somos livres bem lá por dentro. Deve ser impressão minha, mas os livros acabam por ser a melhor escola de liberdade: em primeiro lugar, ensinam-nos a propriedade coletiva (mas não coerciva) dos sonhos; ensinam-nos que um sonho é partilhável e, por isso, o que vem num livro não diz respeito apenas a um leitor; ensinam-nos que o que vem num livro (os sonhos, as explicações, as interrogações, as perplexidades) já uniu outros sonhos a outros sonhos, outras explicações a outras explicações, outras interrogações a outras interrogações, outras perplexidades a outras perplexidades; ensinam-nos que a verdadeira felicidade só existe porque vem descrita nos livros – e, se vem nos livros, é porque os livros a copiaram de algum lado. É bom saber isso, que a felicidade existe em algum lado. De contrário, não tínhamos razões para procurar.

 

E quando se aproxima o Verão, quando a Primavera chega e transporta consigo esse desejo enorme de preguiça, sesta a meio da tarde, eu lembro-me do Douro e da meia centena de vezes que li “A Cidade e as Serras”, de Eça de Queirós – e lembro-me dessa biblioteca ingénua e inocente onde, às quartas-feiras pelo fim da tarde, a minha tia me levava para escolher alguns livros que nunca chegavam para uma semana de felicidade.

 

Adaptado do português do Brasil.

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 Luso-Livros |

 

Autor: Alexandre Herculano
Ano de lançamento: 1843
Género: Romance Histórico

 

Número de Páginas: 263
Formatos Disponíveis: .epub .pdf
Idioma: Português Europeu (Pt-Pt)

 

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Está disponível o guia para o desenvolvimento de coleções de recursos eletrónicos em bibliotecas da IFLA.

 

O documento, está disponível para download em língua portuguesa, com tradução de Tatiana Sanches.

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  • Está interessado(a) em encontrar formas mais eficazes de apoiar os seus alunos?
  • Deseja melhorar a frequência e reduzir o abandono?
  • Está à procura de formas de melhorar a participação dos pais na sua escola?
  • Tem um grande número de alunos cuja língua materna não é a sua língua de ensino?
  • Está a considerar a introdução de abordagens mais colaborativas para o ensino e a aprendizagem?

 

Este recurso em linha faculta-lhe uma série de materiais concebidos para o(a) ajudar!

Ler mais >>

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 Visão Júnior | por Liliana Lopes Monteiro | A campanha eleitoral |

 

Há mais de cem escolas, espalhadas por todo o país, que estão ativamente a participar na campanha eleitoral de 'Miúdos a Votos: quais os livros mais fixes?'

 

A 17 de março, há eleições nacionais nas escolas que participam em Miúdos a Votos! Escolhidos os livros que vão a votos, chegou a hora dos alunos defenderem perante os outros a obra que querem que ganhe. Há quem já tenha feito cartazes, há quem esteja a preparar programas de televisão, há quem pense em gravar tempos de antena para a rádio.

 

Os alunos do Agrupamento de Escolas D. Carlos I, em Sintra, escolheram ao todo nove livros, e, entre os vários materiais que produziram, destacam-se os cartazes. Vê se te deixas convencer pelos argumentos deles!

 

Os alunos da EB2,3 Dr. Guilherme Correia de Carvalho, em Seia, querem muito que um dos seus livros favoritos - o Harry Potter e a Pedra Filosofal e Robinson Crusoé - vença as eleições do Miúdos a Votos. Para convencerem os colegas da sua escola e as crianças e os jovens de todo o país que não há livros tão fixes quanto estes, juntaram forças e já produziram cartazes, marcadores de livros e até porta-chaves!

 

Os alunos da Escola Básica do Bonfim, na Guarda, reuniram-se na biblioteca e, decididos a conquistarem os teus votos, desenharam cartazes de propaganda eleitoral muito fixes!

 

Os alunos do 4.D da Escola Miquelina Pombo, na Sobreda, concelho de Almada, representaram a história de 'Teatro às três Pancadas', para convencerem os seus colegas que é nesse livro que devem votar em 'Miúdos a Votos'. Venham espreitar!

 

Pode seguir a campanha eleitoral, em curso nas Escolas, no Facebook da RBE.

No Facebook use a hashtag #miudosavotos para aceder ao conjunto das publicações.

 

 

 

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 janeiro 2017versão online | fonte |

 

O seminário Alargamento da Escolaridade Obrigatória: contextos e desafios teve como objetivo identificar e refletir sobre as várias dimensões da escolaridade obrigatória e assinalar problemas e desafios, nomeadamente:

 

Equidade e sucesso e inclusão de crianças e jovens com necessidades educativas especiais

Mobilização social para o sucesso educativo

Diferenciação de percursos e aprendizagens

Orientação escolar e profissional/decisão

Organização escolar

 

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Educa RTP | Dossiê Agostinho da Silva |

 

O pensamento de Agostinho da Silva

Agostinho da Silva é apontado como um dos grandes pensadores portugueses, mas foi também poeta, ensaísta e, acima de tudo, um amante da liberdade. Conheça a forma como este homem olhava para a vida...

Contexto

Nascido em 13 de Fevereiro de 1906 e logo aos 16 anos começou a colaborar no Jornal “Comércio do Porto”. Com 22 anos terminou o curso de Filologia Clássica da Faculdade de Letras do Porto com 20 valores e, um ano depois, doutorou-se com a mesma classificação.

Foi bolseiro em Paris, colaborador da revista Seara Nova, e em 1935, foi impedido de continuar a lecionar no ensino público depois de se recusar a assinar uma declaração pública sobre Associações secretas.

Dedica-se durante algum tempo ao ensino privado, mas depressa se dedica à realização de conferências e a projeto editorial onde se podem encontrar nomes sonantes daquela geração.

Em 1944, e depois de ter estado preso no Aljube, resolve abandonar o país em direção ao Brasil, onde vai desenvolver vasta atividade durante as décadas seguintes ligado à investigação e ao ensino universitário. Em 1960 foi mesmo conselheiro do presidente da república brasileira Januário Quadros.

A chegada da ditadura militar veio colocar a sua situação em perigo e, aproveitando o período marcelista resolve regressar a Portugal onde vai insistir na sua mensagem libertária até à sua morte que ocorreu em 1994.

 

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No âmbito do projeto Ideias com mérito, "Literacias na escola: formar os parceiros da biblioteca", os professores bibliotecários estão a promover um MOOC (Massive Open Online Course) subordinado ao tema "Referências Bibliográficas".

 

 

Alojado na plataforma Moodle do Agrupamento de Escolas Lima-de-Faria, este recurso está disponível a todos, bastando entrar como visitante.

 

O curso está organizado para alunos do ensino básico, mas é útil para qualquer interessado, podendo ser um precioso instrumento de apoio para que os alunos consolidem a aprendizagem na elaboração de referências bibliográficas com a norma APA - 6.ª edição.

 

Isabel Nina

Coordenadora interconcelhia

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 Ensina RTP |

 

As primeiras experiências de radiodifusão, feitas por Marconi em 1894, abriram caminho para as inúmeras emissões Rádio dos nossos dias. Em Portugal no ano 1923 foi criada a Sociedade Portuguesa de Amadores de Telefonia sem Fio, precursora das rádios de hoje.

 

Em Portugal as experiências com este novo meio começaram nos anos 20 do século passado. Em 1935 nasceu a Emissora Nacional de Radiodifusão, atual Antena 1. Um ano mais tarde começam as emissões experimentais da Rádio Renascença.

Após a revolução de 25 de Abril de 1974, são nacionalizadas todas as rádios em Portugal, com excepção da Rádio Renascença.

Em 1976 a Emissora Nacional passa a chamar-se Rádio Difusão Portuguesa (RDP). Desde então muitas outras rádios foram criadas em Portugal, e passaram também a ocupar um lugar importante nas emissões pela internet.

Fica a saber a história da rádio em Portugal num minuto.

 

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