A 8.ª edição do programa Cientificamente Provável assinala um crescimento expressivo na sua capacidade de aproximar o ensino básico e secundário do ensino superior e da investigação científica em Portugal. Este programa continua a afirmar-se como uma aposta na promoção da cultura científica e na valorização das bibliotecas escolares como agentes de articulação entre os dois níveis de ensino.
Os dados de 2025-2026 revelam um aumento face à edição anterior:
- 139 unidades de investigação e bibliotecas do ensino superior disponíveis para estabelecer parcerias;
- 52 parcerias formalizadas em todo o país;
- 40 escolas participantes, de agrupamentos e estabelecimentos não agrupados, distribuídas por todo o território nacional, incluindo os Açores;
- 48 unidades de investigação e bibliotecas do ensino superior mobilizadas nas parcerias criadas.
A distribuição geográfica das parcerias confirma que o programa está verdadeiramente implantado em Portugal:
- Lisboa e Vale do Tejo – 42%
- Norte – 17%
- Centro – 13%
- Algarve – 12%
- Alentejo – 8%
- Açores – 8%
Algumas escolas estabeleceram várias parcerias, destacando-se a Escola Secundária de Mem Martins, em Sintra, e a Escola Secundária de Molelos, em Tondela, com quatro parcerias cada, o que mostra que, quando a biblioteca escolar torna o programa uma prioridade estratégica, os resultados se multiplicam.
A variedade de atividades desenvolvidas é um dos pontos mais ricos do programa. As sessões práticas e workshops continuam a ser a modalidade mais frequente (75% das parcerias), seguidas das conferências e seminários com investigadores (58%). Em 29% das parcerias foram realizadas deslocações de alunos a instituições de ensino superior ou a outros contextos de trabalho científico.
As áreas do conhecimento são tão diversas quanto as regiões: Ciências do Mar, Nanotecnologia, Humanidades, Comunicação e Media, Biologia e Biotecnologia, Geociências, Matemática, Arquitetura e Educação.
Os registos quantitativos dizem muito, mas são os relatos das escolas que melhor revelam o que este programa representa no terreno.

Na Escola Básica Professor Carlos Neto, em Miraflores (Oeiras), os investigadores do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, realizaram três sessões com alunos do 6.º ano sobre a evolução do constitucionalismo e a Constituição Portuguesa de 1976. A atividade articulou-se com o grupo de História e Geografia de Portugal e culminou numa exposição coletiva na biblioteca escolar — a “Árvore da Constituição” — que ficou exposta no 3.º período.

Na Escola Básica 2,3 José Saraiva, em Leiria, a parceria com a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra já vai em vários anos consecutivos. Em 2025-2026 contou com dois momentos distintos: a apresentação de uma investigação sobre aves marinhas como indicadores da saúde dos ecossistemas; a dinamização de sessões sobre doenças nas plantas. Um exemplo de como a continuidade reforça a qualidade da parceria.
Nos Açores, o Instituto de Investigação em Vulcanologia e Avaliação de Riscos (IVAR) da Universidade dos Açores disponibilizou três atividades distintas, incluindo uma especificamente concebida para o 1.º ciclo, mostrando que o programa pode chegar, com a linguagem certa, a crianças de qualquer nível de ensino.

No Agrupamento de Escolas de Grândola, a parceria com o Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) da Universidade Nova de Lisboa permitiu levar a investigação científica a alunos do 10.º e 12.º anos. Foi dinamizada uma palestra sobre técnicas de trabalho com ADN, com contacto direto com material de laboratório. O objetivo, nas palavras da coordenadora das bibliotecas escolares do agrupamento, Rute Tavares, é precisamente “divulgar aos alunos que estão longe dos grandes centros urbanos os trabalhos que se realizam a nível universitário”.
No Agrupamento de Escolas de Tondela-Cândido de Figueiredo, foram estabelecidas quatro parcerias que envolveram todas as turmas do 3.º CEB e do ensino secundário (regular e profissional) das duas escolas do agrupamento. As temáticas foram tão diversas quanto a biodiversidade do solo, as alterações climáticas e os oceanos, a gastronomia histórica (com deslocação a Coimbra) e a elaboração académica de trabalhos com rigor científico.

No Agrupamento de Escolas de Arga e Lima, em Viana do Castelo, as turmas do 10.º, 11.º e 12.º anos deslocaram-se à Universidade do Minho, tanto ao campus de Braga como ao de Azurém (Guimarães), onde visitaram instalações de múltiplas escolas (Direito, Ciências, Economia e Gestão) e laboratórios de Robótica, Eletrónica, Bioquímica e investigação em Fibras, e participaram até numa simulação de julgamento no Centro de Investigação JusGov.

No Agrupamento de Escolas D. João II, em Sintra, a parceria estabelecida permitiu aproximar os alunos da investigação científica através de um conjunto diversificado de atividades promovidas em colaboração com o MARE – Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e o CeiED da Universidade Lusófona. Na biblioteca escolar, alunos do 8.º, 10.º e ensino secundário participaram em palestras, oficinas e sessões de reflexão sobre temas como as ciências naturais, as competências numéricas iniciais e as políticas públicas em educação, incluindo atividades experimentais e o contacto direto com investigadores. As iniciativas procuraram reforçar a aprendizagem prática, divulgar o trabalho desenvolvido no ensino superior e apoiar os alunos na reflexão sobre os seus percursos formativos, valorizando a biblioteca como um espaço de conhecimento, descoberta e aproximação à ciência.
No Agrupamento de Escolas de Ferreiras, em Albufeira, a participação no programa Cientificamente Provável concretizou-se através de uma parceria com o Centro de Ciências do Mar do Algarve (CCMAR) e a Universidade do Algarve, aproximando os alunos da investigação científica na área das ciências do mar e da biotecnologia ambiental. Entre as iniciativas promovidas destacam-se as sessões “Bactérias e algas que limpam o planeta: biotecnologia ambiental em ação” e “Da Vida Primordial aos Ecossistemas Marinhos Atuais”, proporcionando aos alunos o contacto direto com investigadores e com temas científicos atuais. As atividades procuraram divulgar o trabalho desenvolvido em contexto universitário e sensibilizar os participantes para a importância da investigação na compreensão e preservação dos ecossistemas marinhos.
Muitos são os exemplos que nos chegam de todo o país e o que têm em comum é o papel da biblioteca escolar como estrutura coordenadora, pois é o professor bibliotecário que contacta as entidades parceiras, articula com os colegas das disciplinas, organiza as sessões e garante a continuidade ao longo do ano.
Para mais informações sobre o programa ou para participar na próxima edição, consulte o Portal RBE em Cientificamente Provável.
