O que lançámos como proposta tornou-se, nas escolas, muito maior: leitura, criação, comunidade e presença viva de Camões.
Ao assinalar o encerramento do ciclo comemorativo do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões (2024-2026), é com um profundo sentido de gratidão institucional que a Rede de Bibliotecas Escolares (RBE) (unidade do Departamento de Promoção da Leitura do EduQA) olha para o percurso realizado.
O relatório final agora publicado, intitulado Camões, Engenho e Arte: balanço da participação das escolas, constitui um registo expressivo da vitalidade, da criatividade e da capacidade de mobilização das comunidades educativas em torno desta celebração de Luís de Camões, figura maior da literatura portuguesa e um dos mais elevados símbolos da nossa língua e da nossa cultura..
A estrutura de missão, que contou com a representação direta do Ministério da Educação, Ciência e Inovação, através da Dra. Manuela Pargana Silva, Coordenadora do Departamento de Promoção da Leitura do EduQA, testemunhou uma adesão que ultrapassou as expectativas iniciais. Foram registadas 1 022 573 participações, envolvendo 501 Agrupamentos de Escolas e escolas não agrupadas de 196 concelhos de todo o país.
Estes números refletem o compromisso de uma “gente forte e de altos pensamentos” que, nas nossas escolas, soube honrar, em tom alto e sublimado, o legado do Poeta, transformando a comemoração num processo vivo de leitura, criação, conhecimento e partilha.
Às direções das escolas: o apoio que acende o engenho
Expressamos o nosso reconhecimento aos diretores e às direções dos agrupamentos de escolas e das escolas não agrupadas. O seu apoio estratégico constituiu um alicerce decisivo para que bibliotecas escolares, docentes e alunos pudessem dinamizar um programa vasto, exigente e plural.
Ao assumirem com firmeza o “leme do governo” de cada instituição e ao privilegiarem o “público bem”, garantiram que o centenário não fosse apenas uma efeméride, mas uma oportunidade de enriquecimento cultural e pedagógico em cada contexto educativo.
Aos alunos: “Vós, tenro e novo ramo florecente”
Dirigimos um agradecimento especial aos alunos de todos os níveis de ensino que, com a sua criatividade, provaram que a obra de Camões é um património vivo. Através das mais de cem mil participações no eixo (Re)criar Camões, os estudantes demonstraram que, mesmo perante a complexidade dos clássicos, o engenho juvenil é capaz de produções que se “vão da lei da Morte libertando”.
Das primeiras descobertas no pré-escolar e no 1.º ciclo às recriações criativas no 2.º ciclo, das leituras contextualizadas no 3.º ciclo às reflexões críticas no ensino secundário, os alunos demonstraram que, mesmo perante a complexidade dos clássicos, o engenho juvenil é capaz de recriar, interrogar e atualizar a palavra poética. Foi essa apropriação criativa que foi o verdadeiro motor desta celebração.
Aos docentes e equipas das bibliotecas: mediadores de “Engenho e Arte”
O papel dos docentes, dos professores bibliotecários e das equipas das bibliotecas escolares foi determinante. Foram mediadores culturais e pedagógicos, capazes de aproximar os alunos da vida, da obra e da atualidade de Camões, articulando leitura, currículo, criação, pensamento crítico e participação.
Foram eles que, com um “saber de experiência feito”, orientaram os alunos nos eixos de Pensar (com) Camões, (Re)descobrir Camões e Mostrar Camões. Através da sua dedicação, o poeta saiu das estantes para ocupar o espaço público em arruadas, performances e exposições, consolidando uma “Portuguesa alta excelência de lealdade” ao nosso património literário.
Pela sua dedicação, a comemoração ganhou forma, continuidade e sentido.
Às autarquias e parceiros locais: pontes entre a escola e a comunidade
Expressamos o nosso reconhecimento às autarquias, bibliotecas municipais e demais parceiros locais que acompanharam estas comemorações. A sua colaboração permitiu alargar o alcance das iniciativas promovidas pelas bibliotecas escolares, levando Camões para teatros, bibliotecas, museus, rádios, espaços públicos e outros equipamentos culturais.
Ao fortalecerem a ligação entre a escola e a comunidade, contribuíram para que a palavra do poeta chegasse a novos públicos e para que estas comemorações se afirmassem como um verdadeiro projeto cultural partilhado, de dimensão local e nacional.
Aos centros de formação e especialistas: “fazendo doutos os engenhos”
Dirigimos também uma palavra de reconhecimento aos Centros de Formação de Associação de Escolas, aos investigadores, escritores, especialistas e demais entidades que colaboraram no eixo (Re)descobrir Camões.
Através de ações de formação, webinares, encontros e outras iniciativas de aprofundamento científico e pedagógico, proporcionaram aos docentes e às bibliotecas escolares novas perspetivas sobre a vida, a obra e o legado de Camões, contribuindo para renovar esse «saber de experiência feito» que continua a inspirar a mediação da leitura e a construção do conhecimento.
Um legado de descoberta e intemporalidade
O sucesso desta iniciativa, corroborado pelo facto de 77% das escolas atribuírem uma nota de excelência ao impacto das atividades, revela que as comemorações foram, acima de tudo, um tempo de descoberta, mobilização e participação.
As nossas crianças e os nossos jovens puderam olhar para além do mito e encontrar o homem — o nauta, o soldado e o poeta que, como um “bicho da terra tão pequeno”, enfrentou tempestades e naufrágios para cantar a condição humana.
Ao explorarem os seus versos, os alunos descobriram que a mensagem de Camões não pertence apenas ao passado; ela é intemporal, navegando connosco na compreensão do amor, do desconcerto do mundo e da sede de conhecimento.
A todos — direções, alunos, professores, professores bibliotecários e parceiros locais — o nosso profundo reconhecimento. Saímos destas comemorações com a certeza de que a palavra de Camões continuará a ecoar na vida das escolas e daqueles que fizeram da sua leitura um ato coletivo, contemporâneo e partilhado.
Para o grupo de trabalho que concebeu e acompanhou estas comemorações, é particularmente significativo reconhecer que as propostas lançadas pela RBE foram acolhidas, apropriadas e ampliadas pelas escolas. Aquilo que foi pensado como ponto de partida ganhou, nas bibliotecas escolares, nos docentes, nos alunos e nas comunidades, novas formas, novos sentidos e uma dimensão que ultrapassou as expectativas iniciais.
Esta capacidade de transformar orientações comuns em experiências singulares, criativas e profundamente enraizadas nos contextos — que é, aliás, habitual nas bibliotecas escolares — é, para todos nós, motivo de grande alegria e gratidão.
Juntos, elevámos o nome de Camões e garantimos que, tal como ele escreveu, o seu valor se alevante em cada nova geração, para sempre.
