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Onde a Terra se une ao Verso

“Semeando” Camões no Agrupamento de Escolas de Tondela Tomaz Ribeiro 

A Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra acolheu, entre 27 e 29 de novembro de 2025, o Congresso Internacional “Ensinar Camões no Século XXI”. O evento reuniu especialistas e educadores com um propósito comum: repensar as estratégias pedagógicas para aproximar a obra camoniana das novas gerações, explorando linguagens que transcendam o ensino tradicional. As Bibliotecas Escolares marcaram presença e as suas práticas salientadas. Daí que, nesse fórum de debate e reflexão sobre o futuro do património literário, o Agrupamento de Escolas de Tondela Tomaz Ribeiro se tenha proposto para marcar presença com um exemplo prático de inovação associado ao ensinar Camões no século XXI.  

A coordenadora das bibliotecas escolares, Elisa Figueiredo, apresentou a comunicação “Semeando Camões: vozes na rádio, raízes na escola”. A Dinâmica apresentada que na verdade é bem um projeto estruturado demonstrou que num Agrupamento  “aLer mais e melhor” implica cruzar fronteiras: a educação literária aliou-se à rádio, à música, à educação ambiental e às artes visuais, provando que Camões é um território transdisciplinar por excelência. Passemos a partilhar o processo e os diferentes ramos desta árvore de saberes que gerou mais conhecimento: 

1. Versos em Sintonia: A sonoridade de Camões nas ondas da rádio 

A génese desta aventura pedagógica residiu na exposição “As plantas na obra poética de Luís Vaz de Camões”, mas o seu crescimento foi orgânico e colaborativo. Através do projeto da Rede de Bibliotecas de Tondela O Som dos Livros, a rádio tornou-se o veículo da poesia. Os nossos alunos não se limitaram a ler; eles criaram, musicaram e cantaram a lírica e a épica camonianas, levando o “engenho e a arte” às ondas da Rádio Observador. Esta vertente de cocriação permitiu que a palavra de Camões ganhasse uma textura nova, vibrante e, acima de tudo, próxima da linguagem dos jovens. 

2. Jardins onde a Literatura Cria Raízes 

Com a criação dos “Jardins Camonianos”, em parceria com os projetos “Clube de Ciência Viva na Escola” e “Campus Autóctone”, o espaço escolar deixou de ser apenas um lugar de passagem para se tornar num território de memória viva. Aqui, a botânica e a poesia convivem em placas com QR codes e ilustrações científicas elaboradas pelos alunos, nas aulas de Educação Visual e de Ciências Naturais. Esta aprendizagem expandiu-se para lá dos muros da escola, com visitas de campo à Serra do Caramulo e exploração de recursos informativos em diferentes bibliotecas escolares do AE. Nelas e no Caramulo, ao identificarem a flora autóctone celebrada na obra épica e lírica de Camões, os alunos operaram uma metamorfose no seu próprio olhar: a serra familiar ganhou uma “espessura poética”. Caminhar por aquelas encostas passou a ser um exercício de reconhecimento literário e de pertença territorial para a qual contribuímos nesta função pedagógica da biblioteca escolar 

3. Ensinar Camões é Transformar o Quotidiano 

Participar neste congresso permitiu-nos sublinhar que ensinar Camões no século XXI pode ser um desafio de reconfiguração do espaço vivido. No âmbito do programa “aLer mais e melhor”, a biblioteca escolar também se configura como o motor de uma escola que habita o seu território de forma plena. Ao inscreverem a poesia no solo que pisam e na rádio que ouvem, os alunos deixam de ser recetores passivos para se tornarem cuidadores de um legado. 

O projeto do Agrupamento de Escolas de Tondela Tomaz Ribeiro demonstra que a literatura, quando “semeada”, altera a forma como habitamos o mundo. Camões não é apenas um nome ilustre num manual escolar; é uma presença viva que floresce nos jardins, ecoa nos microfones e enraíza-se na identidade de cada aluno que descobre que, afinal, a poesia de Camões pode ser uma ferramenta essencial para entender o presente e o quotidiano que habitam. 

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