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Blogue RBE

Seg | 25.10.21

Memória & Esperança - O contributo da biblioteca escolar

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De 22 a 24 de outubro de 2021, decorreu a jornada cívica nacional, “Memória e Esperança", que visou mobilizar a sociedade portuguesa para iniciativas que prestassem tributo às vítimas do Covid-19, aos que sofreram, aos que trabalharam e lutaram para superarmos a pandemia com sucesso, pretendendo, ao mesmo tempo, afirmar a esperança num futuro melhor, mais justo e solidário. Porque não podemos esquecer as vivências dos últimos 18 meses; porque fazer o luto é imprescindível, então a “Jornada de memória, luto e afirmação da esperança”, promovida por um grupo de 100 cidadãos, de várias áreas da sociedade portuguesa, e assinalada no passado fim de semana, pode prolongar-se no tempo, porque envolve questões fundamentais da existência individual e coletiva,  bem como dimensões essenciais de aprendizagem da cidadania.

O Manifesto, que alicerça esta jornada, evidencia bem os propósitos elencados, encontrando-se ainda aberto à sua subscrição, tal como a submissão de novas iniciativas. No âmbito das existentes, promovidas por vários setores da sociedade, figuram as das escolas, um dos terrenos em maior evidência na pandemia do Covid-19, e, naturalmente, as das bibliotecas escolares. As ações promovidas por estas e registadas no sítio da iniciativa contribuem bem para concretizar os quatro eixos estratégicos do Quadro Estratégico 2021-2027 (QE) do Programa Rede de Bibliotecas Escolares, Bibliotecas escolares: presentes para o futuro, nomeadamente Pessoas e Ligações, ao mesmo tempo que fomentam a valores como a Responsabilidade, a Inclusão, a Colaboração, a Participação e o Bem-Estar, definidos no mesmo documento como sustentáculos da ação do Programa.

O Quadro Estratégico da RBE recorda-nos que a biblioteca escolar não é um espaço da escola, uma infraestrutura ou um equipamento, mas um órgão vital da escola, que proporciona o cumprimento do currículo, através de si e consigo (p. 9). Integrando esta visão e esta missão, que alicerça o presente e prepara o futuro, e lembrando os pilares da política educativa, o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória, a Educação Inclusiva e a Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania, que preconizam a educação e a formação de todas as crianças e jovens “em dimensões que vão muito além do mero saber enciclopédico, sem desprezar o conhecimento, mas entrelaçando-o com competências, atitudes e valores que capacitam para uma cidadania ativa (…) Em que pode a biblioteca escolar ser instrumento para o debate, para dar voz aos alunos, para abrir as janelas das escolas para o mundo real?” (p.9)

Ora…

- se de entre as nove prioridades definidas pelo Gabinete Coordenador da RBE para as bibliotecas escolares no presente ano letivo, figura a Cidadania, esperando-se que a biblioteca escolar convoque para o exercício de uma cidadania democrática, reflexiva, empreendedora e sustentável, proporcionando aos alunos oportunidades de expressão e de participação;

- se, no ponto 10 do Manifesto da Jornada Nacional se refere que “As escolas e, em geral, as instituições educativas são chamadas a organizar projetos que valorizem a expressão das crianças e dos adolescentes relativamente às vivências e aprendizagens que fizeram com a pandemia, num exercício que permita abordar um processo que foi traumático e que afetou de modo particular os mais novos.";

- se o próprio site integrava já propostas/sugestões para a participação das escolas…

...então esta Jornada revelou-se ou revela-se, se a prolongarmos no tempo, uma oportunidade, de colaboração e de articulação para a biblioteca escolar e de expressão e de participação para os alunos, indo ao encontro de duas recentes Recomendações do Conselho Nacional de Educação, A voz das crianças e dos jovens na educação escolar e a Escola no pós-pandemia: desafios e estratégias e do Relatório da Unesco Nove Ideias para a Ação Pública - Educação, Aprendizagem e Conhecimento num mundo pós-covid-19.