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Todos os livros deviam vir acompanhados de uma tabela com a informação nutricional, incluindo a respectiva composição e a dose diária recomendada. Deviam também ser divididos por categorias: gordos, meio-gordos e magros. A razão é simples: há alturas em que, por motivos de saúde ou de falta de tempo, ou por outros motivos que agora não me apetece lembrar, o leitor é obrigado a reduzir ou a ser mais criterioso no seu consumo de literatura. Ora, nessas circunstâncias uma boa informação nutricional evitaria muitas complicações desagradáveis. Certos contos com demasiadas metáforas, por exemplo, provocam um aumento acentuado da tensão arterial. Romances há que são péssimos para o fígado e também para os nervos. Outros engordam o leitor até à obesidade ou, no mínimo, impedem-no de perder aquela gordura indesejável nas coxas. E são bem conhecidos os casos de livros que agravam os problemas de reumatismo. Mas há ainda outras razões. A ausência de uma tabela com informação nutricional pode ser particularmente gravosa para pessoas com hábitos de consumo alternativos, digamos assim. Um leitor vegetariano, por exemplo, pode ser surpreendido por livros de poemas onde abundam o "sangue podre", os "foles da língua", as "virilhas do relâmpago" ou os "ventres em combustão". Além disso, o leitor devia também ter o direito de saber se um livro inclui corantes ou conservantes. Numa palavra, a presença de um quadro com a informação nutricional nos livros é, pois, absolutamente essencial à luz dos mais elementares princípios da defesa do consumidor. E se perante tão indiscutíveis factos, algum dos senhores editores tiver ainda a intenção de pôr em causa a importância desta matéria, estou disposto – quando e onde se quiser – a fazer deste caso um assunto pessoal.


Rui Manuel Amaral
Crónica de sexta-feira no semanário Grande Porto, página Bairro dos Livros

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