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Meme é um conceito inicialmente cunhado, em 1976, pelo biólogo Richard Dawkins, no seu livro O Gene Egoísta e é para a memória o análogo do gene na genética. Enquanto os genes são replicadores biológicos, responsáveis pela transmissão das características herdadas geneticamente, os memes são definidos, por Dawkins, como pequenas unidades culturais de transmissão que se propagam de pessoa para pessoa. Exemplos de memes podem ser ideias ou partes de ideias, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra informação que possa ser transmitida como unidade autónoma, como p.ex. a ideia de Deus. [Cf. vídeo de Dawkins.  Oxford Union, Fevereiro de 2014]

Quando usado num contexto informal e não científico, o termo meme pode significar apenas a transmissão de informação de uma mente para outra. De acordo com Knobel e Lankshear, citados por Shifman (2013), a palavra meme é empregue por utilizadores da internet principalmente para descrever a rápida aceitação e disseminação de uma “ideia particular, apresentada como um texto escrito, imagem, 'movimento' de linguagem ou alguma outra unidade de 'material' ‘cultural”.

O conceito, desde que foi apropriado pelos internautas, afastou-se do propósito original de Dawkins. Este explica como um "meme da internet" é um sequestro da ideia original, já que, em vez de se replicar por autopropagação, é alterado deliberadamente pela criatividade humana [cf. vídeo, Just for Hits, Richard Dawkins]. Ou seja, por detrás da sua replicação está a participação das pessoas que se posicionam, não como vetores naturais de transmissão cultural, mas como agentes que alteram intencionalmente conteúdos. Este fenómeno é bem visível quando examinamos casos nos quais o significado inicial de um meme foi dramaticamente alterado no decurso da sua difusão.

Um meme pode ser uma imagem, uma ideia, informação ou comportamento que geralmente corresponde à sua reutilização ou alteração e que, gradativamente, se transforma num fenómeno de partilha na Internet. Se o meme da internet ganha vida própria no universo digital, caso os internautas assim o decidam, a sua plasticidade é concedida pelas alterações que estes introduzem e pela natureza aleatória e espontânea de todo este processo que, apesar de tudo, segue alguns critérios - para o sucesso de um meme é necessário um toque de ironia e de absurdo, algum humor ou sátira, crueza ou espírito transgressivo.

A apropriação dos memes pelos internautas torna-se bem visível numa simples pesquisa no google - museus, coleções, temas, vídeos, ferramentas , calendários , cartões, etc.

De acordo com Limor Shifman (2013), existem três atributos principais atribuídos aos memes que são de particular relevância para a análise da cultura digital contemporânea.

Os memes transformaram-se num fenómeno social partilhado (favorecido pela forma como a cultura é veiculada na Web 2.0, através de plataformas como o YouTube, Twitter, Facebook, Wikipedia ou outros), reproduziram-se por vários meios de imitação e remix (já que uma infinidade de aplicações amigáveis permitem que as pessoas baixem, reeditem e distribuam conteúdo com muita facilidade), e a sua difusão permite uma investigação sem precedentes (já é possível rastrear na internet a sua propagação e evolução, através das metainformações que se estão a tornar, cada vez mais, uma parte visível do próprio processo).

O surgimento da cultura digital aumentou exponencialmente a circulação de informação e alterou a produção do conhecimento. A convergência de medias permitiu a interferência direta do público na produção e partilha de dados à escala global, o aparecimento de novas linguagens, de novos suportes e de novas formas de relação com o conhecimento.

O ambiente digital instaurou uma relação com textos e códigos diferente das conhecidas e praticadas [Hastags (#), ganham expressão quando associados a assuntos ou discussões que se deseja indexar em redes sociais; emoticons, modificam a mensagem nas quais são incluídos e dão um sentido de proximidade ao emissor a ao recetor das mensagens; ícones, passaram a ser utilizados como forma de executar aplicações e/ou determinadas tarefas, etc.].

Ou seja, todas estas ações, subentendidas na leitura e na escrita em contexto digital, transformaram-se em modos de ler e interpretar, escrever, colaborar e difundir informação, incorporando, simultaneamente, um repertório de novas formas discursivas e de traços comportamentais próprios de relacionamento online.

É nesta vertente discursiva, social e cultural que antevemos potencialidades didáticas para uma exploração dos memes em contexto educativo. Particularmente em três dimensões: a primeira diz respeito principalmente ao conteúdo dos memes (tanto às ideias quanto às ideologias por ele veiculadas); a segunda relaciona-se com a forma (a dimensão física da mensagem - aspetos visuais/auditivos específicos) e, finalmente, a dimensão comunicativa (o tom, o estilo, as maneiras pelas quais o sujeito se posiciona em relação ao texto e toma decisões).

A exploração didática dos memes pode ajudar o aluno na compreensão da cultura digital, da dimensão participativa e ativa dos sujeitos nas redes sociais e no processo de construção de conhecimento, capacitando-o na apropriação de uma diversidade dos géneros e medias digitais e no desenvolvimento de posturas éticas e de competências críticas face à informação que consome, aos conteúdos que cria, remixa ou replica na internet.

A integração das multiliteracias e de práticas da cultura digital no ensino, contribui para uma participação mais efetiva e crítica por parte dos alunos e amplia de forma significativa a produção de novos conhecimentos, muito associados à criatividade e inovação. Os memes, enquanto artefatos da cultura digital, funcionam como micronarrativas colaborativas, marcadas pela inovação no formato, com alto poder de síntese e pelo exercício da transposição da comicidade.

Assim, a escola pode desempenhar um papel fundamental no desenvolvimento de uma cultura digital, mediando a relação do aluno no processo de compreensão da realidade e da construção do conhecimento. Por que não começar pelos memes?

 

Destaques

Veja as propostas pedagógicas disponíveis em Aprender com a biblioteca escolar- atividades e recursos: #EntenderMemeASério; #MemesNossosDeCadaDia.

Explore as ferramentas para elaboração de memes que encontra na biblioteca escolar digital.

 

Referência

Shifman, L. (2013). Memes in a Digital World: Reconciling with a Conceptual Troublemaker. Journal of Computer-Mediated Communication, Volume 18, Issue 3, 1 April 2013, Pages 362–377, https://doi.org/10.1111/jcc4.12013

 

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A RBE convida as bibliotecas escolares a associarem-se à comemoração do Dia Mundial da Língua Portuguesa, que se celebrará no próximo dia 5 de maio.

As bibliotecas interessadas devem inscrever-se neste formulário até dia 15 de abril. Posteriormente, para que a sua participação possa ser divulgada através dos canais de comunicação da RBE, deverão partilhar as hiperligações para os produtos desenvolvidos preenchendo um novo formulário (data limite: dia 30 de abril). No portal https://www.rbe.mec.pt/np4/2723.html, disponibilizam-se as propostas de trabalho a serem desenvolvidas pelas bibliotecas durante o presente mês.

Sendo uma das línguas mais difundidas no mundo, com mais de 265 milhões de falantes espalhados por todos os continentes, o Português é uma das principais línguas de comunicação internacional. Em 2019, a UNESCO decidiu proclamar o dia 5 de maio de cada ano como "Dia Mundial da Língua Portuguesa", data que já era comemorada desde 2009 pelos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

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Photo by Annie Spratt on Unsplash

O Programa de Mentoria do Agrupamento de Escolas do Crato, seguindo as orientações do Ministério da Educação, tem como objetivo o desenvolvimento das aprendizagens, o esclarecimento de dúvidas, a preparação para os momentos de avaliação, a integração escolar e a implementação de uma diversidade de atividades conducentes à melhoria dos resultados escolares dos alunos. Este programa identifica alunos (mentores) que se disponibilizam para apoiar os seus pares (mentorandos) num ambiente de interajuda, confiança e respeito, através da realização de encontros regulares, sob a supervisão dos elementos que compõem a Equipa do Programa de Mentoria, que terão o papel de orientadores.

A integração da professora bibliotecária na equipa de Mentoria surge na sequência de uma orientação emanada do Conselho Pedagógico e vem materializar a importância que o Agrupamento reconhece a esta estrutura, em particular, quando se trata de inovação. A Biblioteca Escolar, para além de detentora de recursos e promotora de práticas de cooperação profissional, constitui-se assim como um hub de conhecimento no âmbito das tecnologias, metodologias e projetos.

Esta equipa é constituída pela Coordenadora dos Diretores de Turma, uma psicóloga, a coordenadora de Cidadania e Desenvolvimento e a professora bibliotecária.

As primeiras fases do “Programa de Mentoria” ainda decorreram em ensino presencial e visaram dar a conhecer o programa a cada turma, com recurso a apresentações feitas pela Equipa de Mentoria, visando motivar os alunos para que se candidatassem a mentores. Também foram realizadas reuniões com os encarregados de educação, tanto dos possíveis mentores, como dos mentorandos, para apresentar as características do programa, as vantagens e as expetativas. Estas reuniões decorreram em moldes idênticos, mas em momentos diferentes (primeiro Encarregados de Educação de mentores, depois de mentorandos), na plataforma MS Teams.

A chegada do E@D determinou que o programa passasse a operacionalizar-se integralmente online, tendo o processo continuado a desenvolver-se sob a ação da equipa que, de forma conjunta, e tendo em conta o conhecimento dos alunos, formou os pares de trabalho e desenvolveu os materiais de registo a serem utilizados pelos intervenientes no programa.

O procedimento seguinte foi a preparação da formação “Aprender a ser mentor” que decorreu em duas sessões, com a participação de todos os elementos da Equipa de Mentoria e precedeu o trabalho regular entre os pares mentor/ mentorando.

Neste momento, na equipa criada na plataforma Teams, existem vários canais, cada um deles regulado por uma orientadora de entre os membros da Equipa do Programa de Mentoria, e do qual fazem ainda parte cada um dos pares mentor/ mentorando. É neste canal que as orientadoras acompanham os pares, que também usam, preferencialmente, a mesma plataforma, nos seus encontros semanais, para comunicarem/ trabalharem.

Este programa tem sido objeto de uma participação entusiástica e responsável, por parte de todos os seus intervenientes, o que justifica expectativas de sucesso na sua implementação.

A professora bibliotecária do Agrupamento de Escolas do Crato, Clotilde Soares

 

Os documentos de apoio a este programa de mentorias podem ser consultados:

  1. O programa de mentoria em E@D
  2. Ficha de Mentorando
  3. Diário de Mentoria
  4. Sessão de formação 1 | Qual o papel de um mentor
  5. Sessão de formação 2 | Que atividades posso realizar nas sessões

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Tendo em mente o lema “distinguir para inspirar”, a iniciativa Fazer em Rede pretende dar rosto e voz aos professores bibliotecários, líderes na sua comunidade e profissionais capazes de enfrentar as mudanças com confiança.

Na Atividade TOP em destaque, partilhamos a experiência de Ernestina Pinheiro, professora bibliotecária da Escola Básica de Mosteiro e Cávado em Braga, que aproveitou como matéria-prima as novas regras de funcionamento da escola para desenvolver a atividade "Jornalista por um dia" em articulação com a disciplina de Português.

 

Artigo completo: Fazer em Rede • Atividades TOP | novembro e dezembro 2020

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Fonte da imagem: Pormenor da exposição

Durante o mês de novembro, as bibliotecas do Agrupamento de Escolas Queluz-Belas promoveram uma Exposição sobre a Convenção dos Direitos da Criança que teve como objetivo principal a implementação do previsto no seu Artigo 42: o direito da criança a conhecer os seus próprios direitos. Esta exposição pretendeu aumentar os conhecimentos dos alunos sobre os seus direitos, para além de promover competências para identificar eventuais situações em que estes não sejam assegurados. O Agrupamento entendeu ainda que era necessário abranger um público mais extenso do que apenas os seus alunos, na medida em que o conhecimento dos Direitos da Criança deve ser geral e obrigatório em toda a nossa comunidade. 
 
Assim sendo, surgiu a ideia de uma exposição híbrida: física e presencial para os alunos, e virtual para a restante comunidade.
 
A exposição física, que itinerou por várias escolas, foi explorada pelos alunos em colaboração com os seus docentes, apoiados pelos colaboradores do Centro de Recursos Escolares (CRE). Adicionalmente, esta exposição permitia a interação com os pensamentos e opiniões dos alunos (Artigo 12), deixando estes um registo escrito dos mesmos na própria exposição.
 
A exposição virtual foi explorada pelos Diretores de Turma e docentes de Cidadania e foi igualmente destinada aos a alunos da escola sede cuja biblioteca se encontra presentemente encerrada.
 
Após divulgação por parte dos docentes e do CRE aos Encarregados de Educação e outros elementos importantes da comunidade educativa, a exposição virtual, reforçava o intuito da divulgação deste tema e da sua importância para as crianças desta e de todas as comunidades mundiais.
 

 
Para ambas as exposições, foram elaboradas atividades de exploração, centradas em artigos específicos.
 
A primeira atividade, no formato quiz, reforçava os conhecimentos sobre os artigos. Este quiz foi elaborado em formato físico e digital, para que pudesse ser explorado em ambas as exposições.
 
A segunda atividade pretendia reforçar o conhecimento do Artigo 12 (Respeito pela opinião das crianças), sendo composta por várias etapas com um mesmo objetivo: reconhecer a importância da voz de cada criança e as formas com que podiam defender as suas opiniões e direitos.
 
Esta exposição obrigou o agrupamento a pensar de forma diferente, forçado pelas questões sanitárias decorrentes de uma pandemia limitadora do seu campo de ação. Desta forma, o papel da Biblioteca Escolar enquanto fomentadora de conhecimento e cidadania foi reforçado, permitindo dar resposta à articulação de temas relevantes, não apenas para o currículo académico dos alunos, mas também para a sua formação pessoal e a da comunidade de que fazem parte.


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