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Prefácio

Vivemos em um mundo em que aquilo que é fácil de ensinar e testar também se tornou fácil de digitalizar e automatizar. Nesse aspecto, criatividade e pensamento crítico são cada vez mais importantes, para assegurar que tenhamos controle da tecnologia e continuemos a trabalhar juntos em direção a um mundo mais humano e sustentável. Não surpreende que a maior parte dos currículos dê mais ênfase a essas competências, nem que os professores as considerem difíceis de ensinar e avaliar.

As escolas do futuro têm de ajudar os alunos a pensar por si mesmos e a trabalhar com os outros. Eles devem entender os limites entre ações individuais e coletivas e melhorar sua capacidade de identificar e compreender os próprios pontos de vista e o mundo ao redor. No trabalho, em casa e na comunidade, as pessoas precisarão compreender profundamente como os outros vivem em diferentes culturas e tradições, e como pensam, sejam eles cientistas ou artistas. Também terão de melhorar a capacidade de imaginar novas soluções, identificar novas possibilidades, fazer novas conexões, e transformá-las em novos produtos ou modos de viver melhor juntos.

É por isso que as escolas precisam estimular a criatividade e o pensamento crítico de seus alunos, ajudando-os a olhar para tudo a partir de diferentes pontos de vista, a entender os limites de sua perspectiva e da dos demais e a transformar suas ideias em soluções inovadoras: questionar, imaginar, fazer e refletir, como é colocado pelas rubricas da OCDE sobre criatividade e pensamento crítico.

Nada disso é fácil nem se faz de um dia para o outro, mas este livro oferece oportunidades concretas para progredir. Proporciona aos professores e às escolas novas ferramentas para construir ambientes de aprendizagem nos quais os alunos possam exercitar suas competências de criatividade e pensamento crítico, sem diminuir o valor do conteúdo das disciplinas e do conhecimento formal. A obra também oferece aos gestores públicos inspirações sobre como apoiar os docentes no aprimoramento de suas práticas e como tornar seus sistemas educacionais mais embasados em evidências.

Todos os recursos aqui apresentados foram desenvolvidos e testados em uma rede de escolas e professores de 11 países. O trabalho também contribuiu para o desenvolvimento da estrutura conceitual de “pensamento criativo”, o domínio inovador do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), da OCDE, em 2021.

Todos os docentes que participaram do projeto estão comprometidos para que nossos sistemas educacionais desenvolvam seres humanos de primeira classe, e não robôs de segunda classe, e acreditam no valor da colaboração internacional para alcançar esse objetivo.

Andreas Schleicher Diretor de Educação e Competências da OCDE

 

Desenvolvimento da criatividade e do pensamento crítico dos estudantes : o que significa na escola / [coordenação geral Instituto Ayrton Senna ; tradução Carbajal Traduções]. – São Paulo : Fundação Santillana, 2020.

 

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por Catarina Reis | DN | Download relatório | Relatório nacional |

 

Só na última edição do relatório que avalia os conhecimentos dos alunos de vários países é que Portugal tinha atingido valores superiores acima da média da OCDE. A tendência mantém-se, apesar de ter descido em duas áreas: na literacia da leitura e da ciência. A versão 2018, divulgada esta terça-feira,

 

Estarão os jovens portugueses preparados para utilizar no dia-a-dia o que aprendem dentro da sala de aula? O título já ninguém tira. Depois de ter sido apelidado de "a maior história de sucesso na Europa", Portugal volta a consolidar os resultados obtidos em 2015 no relatório PISA - Program in International Student Assessment (em tradução livre, Programa Internacional de Avaliação de Alunos), quando superou pela primeira vez a média da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico). A edição 2018 mostra que, apesar de os jovens portugueses de 15 anos (amostra do estudo) terem descido ligeiramente no ranking que avalia a sua literacia (na leitura, na ciência e na matemática), continuam a ser daqueles que registam uma maior evolução positiva, num ranking liderado pelos países do sudeste asiático. O PISA 2018 foi divulgado esta terça-feira.

O estudo internacional, divulgado de três em três anos desde o ano 2000, traça um retrato sobre o desempenho dos alunos de 15 anos de 79 países e economias diferentes. Ao todo, a nível mundial, contou com a colaboração de cerca de 600 mil estudantes, representando cerca de 32 milhões de jovens nesta faixa etária. Em Portugal, foram 5932 alunos e 5452 professores, entre 276 escolas de todas as regiões do país.

Cada um participou numa série de questionários que avaliaram os seus conhecimentos em três áreas-chave - Leitura, Ciência e Matemática, sendo a Leitura a área principal desta edição - e a sua relação com a escola. A grande maioria dos alunos de 15 anos participantes no estudo (57,4) encontrava-se no 10.º ano de escolaridade - um número superior ao registados nos últimos anos, em que havia uma maior distribuição por outros anos. Já 17,2% ainda estava no 9.º ano, 7,2% no 8.º ano e 2,4% no 7.º ano. Há ainda 15,7% destes que se encontravam em em áreas de formação e educação vocacionais ou profissionais.

Portugueses ainda estão acima da OCDE, mas desceram

São várias as conclusões que este relatório permite retirar quanto àquilo que pode ser o retrato da educação em Portugal, que aparece nos vigésimos lugares da lista nas três áreas avaliadas. Em traços gerais, as notícias continuam a ser positivas para o país, que mantém médias acima da OCDE. Mas, desta vez, desceu ligeiramente nos conhecimentos de Leitura e significativamente em Ciência.

 

relatório Pisa
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Na Leitura, a área de eleição desta edição do PISA, os resultados de 2018 (492) ficaram ligeiramente acima da média obtida em 2000 (mais 22 pontos percentuais), mas a seis pontos de diferença em relação a 2015. Uma diferença que os especialistas do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), organismo que coordena a versão portuguesa do estudo, consideram ser "não estatisticamente significativa". O país mantém-se, assim, ao lado de nações como a Alemanha (498 pontos), pela Eslovénia (495 pontos), pela Bélgica (493 pontos), pela França (493 pontos), pela República Checa (490 pontos) e pela Holanda (485 pontos) - presenças cativas nos rankings mundiais.

Segundo o PISA, cerca de 80% dos jovens portugueses conseguiram alcançar, pelo menos, o nível 2 (numa escala de 6) de conhecimento na leitura. Este nível supõe que os alunos são capazes de "identificar a ideia principal de um texto de extensão moderada, localizar informação assente em critérios explícitos e, por vezes, critérios complexos", refletindo sobre "os objetivos e a forma dos textos quando lhes é explicitamente solicitado para o fazerem", lê-se no documento. Na OCDE, esta média é de 77%, abaixo da portuguesa. Contudo, apenas 7% dos alunos portugueses atingiram níveis superiores da escala (5 e 6, por exemplo), quando na OCDE, em média, são 9%.

 

Melhores resultados PISA
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Foi na Ciência que se sentiram as maiores diferenças face aos restantes países e economias. Na mais recente edição, a média entre todos os jovens portugueses foi de 492 pontos, "uma diferença significativa de menos 9 pontos" em relação a 2015, embora se mantenha acima da média da OCDE por três pontos. Portugal retoma, assim, resultados próximos do nível observado em 2009 e 2012. Segundo o IAVE, não é mais do que um espelho da "tendência decrescente da pontuação média da OCDE na avaliação das ciências que já em 2015 apresentou uma quebra de quatro pontos em relação a 2006". Assim sendo, "quando se analisa a variação média em ciclos de três anos, Portugal é um dos 13 países que apresenta uma variação positiva e significativa de mais 4,3 pontos na avaliação das ciências".

Na literacia científica, o nível de proficiência dos alunos assemelha-se ao encontrado na área da Leitura: 80% alcançou pelo menos o nível 2 (na OCDE, situa-se nos 78%), através do qual demonstrar saber "utilizar conhecimentos do dia-a-dia acerca de conhecimentos e procedimentos elementares para identificar uma explicação científica apropriada, interpretar dados e identificar a questão investigada num delineamento experimental simples". Quando analisado o quadro superior de conhecimentos, nos níveis 5 e 6 da escala, os resultados também são inferiores à media da OCDE, com apenas 6% a atingi-los (na OCDE, 7%).

Só na área de Matemática é que Portugal conseguiu manter a linha, situando-se novamente os 492 pontos alcançados já na última edição do PISA, três pontos acima da média da OCDE (489 pontos). Numa análise mais generalizada, segundo o IAVE, desde 2003 verifica-se um crescimento significativo de seis pontos. Por outro lado, "no mesmo período, a OCDE registou uma tendência negativa evidenciando um ligeiro decréscimo (menos 0,6 pontos)".

No ranking mundial da literacia matemática, são as economias de Pequim, Xangai, Jiangsu, Zheijang (B-S-J-Z) na China (591 pontos), Singapura (569 pontos), Macau (558 pontos), Hong Kong (China) (551 pontos) e Taiwan (531 pontos) que ocupam o topo.

Um pouco mais abaixo do registado nas áreas de Leitura e Ciências, 77% dos alunos em Portugal alcançaram pelo menos o nível 2 de conhecimento em Matemática - semelhante ao panorama da OCDE (76%). Mas há cerca de 12% que chegam a níveis superiores.

 

Ciência Melhores resultados PISA
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O género conta

Apesar de semelhantes entre si, os resultados referentes às áreas-chave escondem diferenças, umas mais significativas do que outras, no que toca ao género do aluno avaliado. Regra geral, as raparigas obtém melhores resultados na leitura do que os rapazes, enquanto estes se saem melhor na Ciência e na Matemática.

À semelhança do que tem sido verificado em anos anteriores, as raparigas registaram um melhor desempenho na Leitura, com mais 24 pontos do que os rapazes, em média - de 504 para 480 pontos. Ainda que a distância entre os dois sexos seja inferior à verificada em 2009, continua semelhante à do ano 2000. De acordo com o IAVE, "Portugal seguiu a tendência internacional, embora a diferença de pontuação entre rapazes e raparigas portugueses seja menor do que a observada para a maioria dos países/economias".

O cenário é outro quando o assunto é Ciência ou mesmo Matemática. Em Portugal, são os rapazes aqueles que registam melhores resultados na literacia científica (494 pontos contra 489). Ainda que a diferença não seja tão significativa, continua a ser dos países com diferenças mais acentuadas. Os resultados médios da OCDE mostram menores distâncias entre género e "sobretudo favoráveis às raparigas em 2018".

Referência: Jovens portugueses reforçam resultados acima da média da OCDE. (2019). DN. Retrieved 3 December 2019, from https://www.dn.pt/vida-e-futuro/relatorio-pisa-jovens-portugueses-reforcam-resultados-acima-da-media-da-ocde-11577144.html

 

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Vincent-Lancrin, S., et al. (2019), Measuring Innovation in Education 2019: What Has Changed in the Classroom?, Educational Research and Innovation, OECD Publishing, Paris,https://doi.org/10.1787/9789264311671-en.

 

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Introducción

Una de las claves para lograr la mejora sostenida de la calidad y la equidad en la educación, así como asentar las bases de una genuina inclusión en este sector, se basa en disponer de sólidos marcos de referencia conceptuales y de evidencia empírica robusta acerca de cómo potenciar y democratizar las oportunidades, los procesos y los resultados de aprendizaje.

 

Así lo entienden la Organización para la Cooperación y el Desarrollo Económicos (OCDE), la Oficina Regional para América Latina y el Caribe de UNICEF (UNICEF- LACRO) y la Oficina Internacional de Educación de la UNESCO (OIE-UNESCO) enfatizando que el logro de conocimiento relevante y sustentable implica conocer y entender en profundidad la diversidad de contextos, componentes y procesos implicados en todo aprendizaje y, a la vez, tener los conocimientos y las competencias institucionales y docentes requeridas para apoyar de manera personalizada el aprendizaje de cada estudiante en un ambiente colaborativo. (...)

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Foreword

 

In July 2017, Portugal officially adopted Legislative Order no. 5908/2017, which allows Portuguese schools to join a project called the "Project for Autonomy and Curriculum Flexibility (PACF)" on a voluntary basis. PACF provides schools with the necessary conditions to manage the curriculum while also integrating practices that promote better learning.

 

The PACF is being implemented as a pilot project during the 2017-2018 school year. Beginning in September 2017, over 200 schools joined the pilot. Per Portugal’s request, the OECD has conducted a review of the project. The purpose of the review is to explore how the project supports schools in effectively exercising autonomy and greater flexibility as they redesign their curricula according to the goals delineated in the Students' Profile by the End of Compulsory Schooling.

 

The Students' Profile by the End of Compulsory Schooling is a guiding document that describes the principles, vision, values and competences the country wishes Portuguese students to have by the time they finish compulsory schooling. In this review, the OECD examines how Portugal can support schools and teachers in adapting existing subjects, curricula and learning to incorporate the goals set out in the student profile. To this end, it delivers an independent analysis of the overall strategy, curriculum design and implementation of the PACF, as well as the first results of the pilot project. The review documents the process under the pilot programme and the status of its implementation in schools.

 

The analysis uses the curriculum design principles identified by the OECD Education 2030 project as a reference. The report provides policy insights and advice to Portuguese authorities at all levels of government, as well as practitioners and other stakeholders. The aim is to help them to ensure high-quality curriculum design and implementation. The report is also intended to help other OECD member countries and non-member economies understand the Portuguese process of redesigning learning models. 

(...)

 

Anon

Referência: (2018). Oecd.org. Retrieved 4 May 2018, from http://www.oecd.org/education/2030/Curriculum-Flexibility-and-Autonomy-in-Portugal-an-OECD-Review.pdf

 

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