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Série ficcionada sobre a vida e obra do escritor, dramaturgo e político liberal João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett, da autoria de António Torrado.

 

Referência: Garrett. (2019). Arquivos.rtp.pt. Retrieved 13 March 2019, from https://arquivos.rtp.pt/programas/almeida-garrett?sfns=mo

 

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Num dia do ano de 1914 veio à alma do poeta a vontade de escrever «uns poemas de índole pagã». Ficou-lhe na memória «um vago retrato da pessoa que estava a fazer aquilo». Sem o saber ainda, Fernando Pessoa acabara de criar outro heterónimo: Ricardo Reis.

 

Os mais importantes heterónimos de Fernando Pessoa têm data de nascimento. E uma história, breve que seja, um fio explicativo da forma poética que todos e cada um fixam na sua singularidade. Ricardo Reis é diferente de Álvaro de Campos, de Bernardo Soares e do mestre Alberto Caeiro, com quem desenvolve uma relação discipular.

 

Este outro eu pessoano, também marcado pelo exílio, é o heterónimo «mais racional de todos», afirma Dionísio Vila Maior na entrevista que reproduzimos.

 

Consciente do nada depois da morte, Reis cultiva a disciplina das emoções, «opta por um epicurismo e um estoicismo lúcidos». Dos estudos num colégio de Jesuítas ficaram-lhe os valores da antiguidade clássica, latinista e semi-helenista, que desenvolve na poesia.

 

Médico, pagão, monárquico convicto, «expatriado voluntariamente» no Brasil, Ricardo Reis, que usava a cara rapada e era natural do Porto desde 1887, escreve:

«Cada um cumpre o destino que lhe cumpre, E deseja o destino que deseja, Nem cumpre o que deseja, Nem deseja o que cumpre».

 

Ficará o seu retrato mais completo se seguirmos a conversa entre Raquel Santos e Dionísio Vila Maior, professor da Universidade Aberta.

 

ReferênciaRicardo Reis, heterónimo de Fernando Pessoa. (2019). Ricardo Reis, heterónimo de Fernando Pessoa. Retrieved 10 March 2019, from http://ensina.rtp.pt/artigo/ricardo-reis-heteronimo-de-fernando-pessoa/

 

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Da infância, apesar de nascido na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, guarda memórias fortes do Alentejo, como o poço que escondeu os livros do pai, preso pela PIDE. Optou por escrever os dele, contra e a favor do que quis, com sátira e ironia fina.

 

Talvez por força do choque duro da prisão de seu pai pela PIDE, onde sofreu um espancamento de que teve notícia mais tarde, Mário de Carvalho cresce, a par do seu percurso académico, numa resistência e oposição ao regime da época, deixando a política apenas depois do regresso a Portugal, passados os anos de clandestinidade e exílio. Dedica-se à advocacia de causas, nomeadamente as sindicais e acumula, durante alguns anos, esta atividade com a produção literária.

 

No final dos anos setenta liga-se ao grupo «Quatro Elementos Editores», animado por Fernando Guerreiro. Em 1981 publica «Contos da Sétima Esfera», «Casos do Beco das Sardinheiras» e em 1982, «O Livro Grande de Tebas, Navio e Mariana». «Os Alferes» apresenta de uma forma crua e desapiedada, não isenta de ironia, os dilemas dos jovens oficiais milicianos no teatro de uma guerra em que não acreditavam. Em 1995 surge o romance satírico «Era Bom Que Trocássemos Umas Ideias Sobre o Assunto», inaugurando o género a que o autor chamou «cronovelema» e que associa o humor à crítica aguda do quotidiano. O livro obteve um bom acolhimento na Alemanha e em França.

 

Em 1997, é-lhe atribuído o prémio Pégaso por «Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde», o seu livro mais reeditado, traduzido e premiado. Foi traduzido para inglês, francês, alemão, italiano e outras línguas, em capa dura e edições de bolso, com excelentes recensões.

 

Tem mais de duas dezenas de títulos publicados. A sua escrita é versátil e é difícil incluí-lo numa escola ou corrente literária. Desde a ironia usada na crónica do quotidiano à escrita mais sombria, pratica uma diversidade de géneros, percorrendo várias épocas e repercutindo alguns clássicos da literatura portuguesa e universal.

 

ReferênciaMário de Carvalho- da ironia das vidas à literatura. (2019). Mário de Carvalho- da ironia das vidas à literatura. Retrieved 4 March 2019, from http://ensina.rtp.pt/artigo/mario-de-carvalho/

 

 

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Teolinda Gersão

02.03.19

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in Diário de Notícias |

 

«A morte não me assusta nada»

Começou a publicar regularmente só aos 41 anos, quando a vida familiar e a profissional lhe deram as tréguas e a concentração de que precisava para escrever. A cada livro novo foram juntando-se prémios. Agora, aos 77 anos, recebe o Prémio Vergílio Ferreira 2017. Entre as qualidades de Teolinda Gersão destaca-se, diz o júri, «a independência relativamente a todas as modas ou tendências que, de alguma forma, condicionam os caminhos da literatura contemporânea». Uma independência que se revela também nesta conversa, que começa com livros mas avança rapidamente para outros temas. Sem tabus, dá-nos a sua visão sobre o país e o mundo, as questões éticas e quotidianas, o envelhecimento, a morte e a vida.

 

Nasceu em Coimbra, em 1940, mas escolheu Lisboa, em 1965, quando começou a dar aulas na Faculdade de Letras. À capital, casa desde então, dedicou o livro Cidade de Ulisses, um entre os muitos que tem publicados e premiados. O romance mais recente, Passagens, valeu-lhe o Prémio Fernando Namora 2015 e, o conjunto da obra, o Prémio Vergílio Ferreira, que será entregue a 1 de março. As relações humanas, por um lado, e a individualidade de cada ser humano, por outro, alimentam uma obra construída na ficção e na escrita – sempre à luz da antiga grafia, anterior ao Acordo Ortográfico. Formada em Germanística, Romanística e Anglística, defende que a perda da etimologia latina das palavras em português «não faz sentido». Assim como não o fazem a posição de Portugal em relação a Almaraz ou outras coisas que se passam atualmente no mundo e que vê com apreensão e realismo redobrado. Não costuma olhar para trás, viveu tudo o que podia e intensamente. Parte dessa vida está nos seus livros.

 

Que livros começou por ler?
O meu percurso foi, mais ou menos, os de todas as crianças e adolescentes. Contos tradicionais, em criança, depois a Condessa de Ségur de que gostava imenso, sobretudo dos livros que tinham que ver com a Rússia. Havia o General Dourakine, que era o meu preferido, bondoso, mas irascível e desequilibrado. Uma figura extraordinária que me parecia impossível que existisse na realidade, mas que se enquadrava naquele ambiente, porque era um mundo completamente diferente.

 

 
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Hélia Correia

27.02.19

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Teresa Carvalho | Jornal I

 

Escrever é uma servidão que eu agradeço

 

Reconhecida e justamente premiada sobretudo como romancista, Hélia Correia, revelada em 1981 com a novela O Separar das Águas, a que logo fez seguir O Número dos Vivos (1982), privilegia declinações discretas da sua existência de escritora. 

 

Hélia: um nome suficientemente evocativo da Grécia Antiga, uma geografia que, embora não alheia ao enigma e aos signos do obscuro, se impõe pela sua luminosidade. Uma predestinação, se pensarmos que a autora cedo se enamorou dos Gregos e da cultura helénica, com a qual tem mantido um diálogo íntimo e continuado. Mas também uma ironia, pois é conhecida a incompatibilidade de Hélia Correia (Lisboa, 1949), Prémio Camões 2015, com o sol: os seus livros, sensíveis às condições meteorológicas, apenas aceitam ser trabalhados em dias de chuva.

 

Reconhecida e justamente premiada sobretudo como romancista, Hélia Correia, revelada em 1981 com a novela O Separar das Águas, a que logo fez seguir O Número dos Vivos (1982), privilegia declinações discretas da sua existência de escritora. As suas primeiras experiências literárias situam-se no campo da poesia, a começo dispersamente publicada em jornais e revistas, embora se tenha encaminhado depois para a ficção narrativa.

 

 

 

Referência: Hélia Correia. «Escrever é uma servidão que eu agradeço.». (2019). ionline. Retrieved 27 February 2019, from https://ionline.sapo.pt/553113

 

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O livro de ensaios que agora se publica reúne um conjunto de textos diretamente relacionados com  o projeto de investigação “Figuras da Ficção” que, nos últimos anos, tenho coordenado no Centro de Literatura Portuguesa (CLP) da Faculdade de Letras de Coimbra. Como unidade de investigação financiada e regularmente avaliada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, o CLP integra um conjunto de investigadores envolvidos em diversos projetos de pesquisa, incluindo aquele que foi mencionado.

 

No caso de “Figuras da Ficção”,  cerca de vinte investigadores têm participado regularmente nas atividades do projeto, juntando-se a estes outros mais que, por se encontrarem fora de Portugal (em particular no Brasil), só episodicamente podem facultar a sua colaboração ao que regularmente vamos fazendo: colóquios, workshops, conferências, etc. No final do seu percurso, o projeto “Figuras da Ficção” pretende chegar a um Dicionário de Personagens da Ficção Portuguesa, obra já em curso de preparação  (…).

Conselheiro Acácio, por Bernardo Marques

 

 

(Da “Nota Prévia” a Pessoas de Livro. Estudos sobre a Personagem. 3ª ed. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2018; obra em acesso livre aqui)

 

Referência: Pessoas de Livro em acesso livre. (2019). Figuras da Ficção. Retrieved 13 February 2019, from https://figurasdaficcao.wordpress.com/2019/02/10/pessoas-de-livro-em-acesso-livre/?sfns=mo

Autor Reis, Carlos
Editor Imprensa da Universidade de Coimbra
Ano Publ. 2018
ISBN 978-989-26-1641-4
DOI https://doi.org/10.14195/978-989-26-1642-1
Idioma Português
Tipo Acesso

Integral

Citação
REIS, Carlos - Pessoas de livro: estudos sobre a personagem. Coimbra: [s.n.]. 221 p. ISBN 978-989-26-1641-4.

 

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1. Título

O título Dicionário de Personagens da Ficção Portuguesa (Dicionário, a partir de agora) designa um campo de descrição que adiante será especificado. A ficção portuguesa é, neste contexto, a ficção narrativa e sobretudo a ficção narrativa literária, ou seja, o romance, a novela e o conto. Ficam, assim, fora do âmbito do Dicionário as personagens dramáticas propriamente ditas, mas considera-se pertinente incluir no corpus personagens de épocas e de géneros anteriores ao romantismo (renascimento, barroco, neoclassicismo, etc.; epopeia, novela de cavalaria, novela pastoril, etc.).

 

Não se exclui a possibilidade de, noutro momento, se conferir ao título do Dicionário um conteúdo mais alargado, visando outras literaturas de língua portuguesa (p. ex.; Dicionário de Personagens das Literaturas de Língua Portuguesa) .

 

Este é, por conseguinte,  um projeto em desenvolvimento. 

 

 

 

Referência: Dicionário de Personagens da Ficção Portuguesa. (2019). Dp.uc.pt. Retrieved 10 February 2019, from http://dp.uc.pt/apresentacao/dicionario-de-personagens-da-ficcao-portuguesa

 

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Texto de Carlos Fiolhais |

 

O Padre António Vieira viveu numa época de ouro da ciência, a  época da revolução científica, na qual sobressaíram grandes nomes como René Descartes, Galileu Galilei e Isaac Newton. Não sendo um cientista, tanto pela preparação que adquiriu no Colégio da Baía, no Brasil (um nó da rede global dos colégios jesuítas) como pelas suas numerosas leituras durante a sua longa vida, estava a par da ciência do seu tempo. Aos seus conhecimentos científicos ia amiúde buscar exemplos que serviam no seu discurso catequético e profético.  

 

No discurso de Padre António Vieira coexistem referências a autores antigos, como Aristóteles, que era a cartilha nas escolas jesuítas, e a autores modernos, como Descartes. Este filósofo e matemático apresentou em 1637, num apêndice ao famosíssimo Discours de la Méthode, uma descrição científica do arco-íris: este não era mais do que o resultado da refracção e da reflexão da luz solar em gotas de água na atmosfera. A luz solar batia na gota, desviava-se, reflectia-se no fundo da gota e voltava a desviar-se ao sair. Descartes foi, com o holandês Snell, o autor das leis da refracção, que descrevem matematicamente o desvio da luz quando passa de um meio para outro, no caso o ar e a água. Mais tarde, Newton, que realizou experiências com prismas de vidro em 1666, explicará que o desvio da luz de um meio para outro se devia à diferente velocidade de diferentes partículas de luz nos dois meios. A luz solar é branca, mas, como a luz branca é feita de partículas correspondentes às diferentes cores, as cores apareceriam diferenciadas dentro da gota e, ainda mais, à saída dela. No século XVII, o arco-íris era considerado “um dos principais ornamentos do trono de Deus” (Discours sur l'histoire universelle, 1681, do bispo e teólogo francês Jacques de Bossuet) e, conforme está escrito no Génesis, o sinal da aliança que Deus tinha celebrado com os homens após o Dilúvio universal (“o meu arco que coloquei nas nuvens. Será o sinal da minha aliança com a terra”, Gn. 9, 13). Ainda hoje o arco-íris se diz Arco da Velha: Velha significa Velha Aliança. Ora, num dos Sermões do Santíssimo Sacramento (in Obra Completa do Padre António Vieira,  Parenética, tomo II, vol. VI, dir. José Eduardo Franco e Pedro Calafate, Lisboa: Círculo de Leitores, 2013-2014, p. 84), proferido em Santa Engrácia, Lisboa, em 1645, escassos oito anos após ter saído o livro de Descartes, Vieira diz: “Na Íris ou Arco celeste, todos os nossos olhos jurarão que estão vendo variedade de cores: e contudo ensina a verdadeira Filosofia que naquele Arco não há cores, senão luz, e água”.  

A verdadeira Filosofia significa a ciência dos modernos, entre os quais estava Descartes. Mais tarde, no Sermão da Segunda Dominga da Quaresma (idem, tomo II, vol. III, p. 49), pregado na Capela Real em 1651, Vieira afirma: “Isto, que chamamos Céu, é uma mentira azul, e o que chamamos Íris ou Arco-celeste, é outra mentira de três cores”.

 

 

 

Referência: Fiolhais, C. (2016). VIEIRA E A CIÊNCIADererummundi.blogspot.com. Retrieved 4 December 2018, from http://dererummundi.blogspot.com/2016/06/vieira-e-ciencia.html

 

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00:23:49 | Fonte

 

Entrevista do jornalista José Carlos Vasconcelos ao escritor José Saramago, sobre a sua vida pessoal, a obra literária, e o momento que se vive em Portugal no pós 25 de abril de 1974.

 

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 Projeto Adamastor |

 

Título: O Futuro à Janela
Autor: Luís Filipe Silva
Data Original de Publicação: 1991
Data de Publicação do eBook: 2018
Capa: Ana Ferreira
Revisão: Ricardo Lourenço e Cláudia Amorim
ISBN: 978-989-8698-37-7

 

Em Varsóvia, desde 1952, existe um Museu dedicado à ciência e tecnologia, que Staline mandou construir como homenagem ao povo Polaco. No topo de uma torre imensa, associada ao museu, vive um vigia. Ali está ele, em permanência, com os olhos postos no horizonte, a observar o futuro radioso que tarda em chegar.
 
Na obra de Luís Filipe Silva, arrancada enfim aos abismos do passado, não é necessário subir a torres com 300 metros de altura. Basta abrir uma janela das nossas casas e inspirar fundo.
 
Pois o futuro já chegou, discreto, em passos de lã. Está na brisa que sopra lá fora, passeia-se pelas ruas vestido com uma armadura cintilante, cobre a noite com as tochas de mil naves, e aproxima-nos das estrelas. Espraia-se até à curva do horizonte, e chama por nós.
 
Abram as janelas e deixem-no entrar.

João Barreiros

 

 

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