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O livro de ensaios que agora se publica reúne um conjunto de textos diretamente relacionados com  o projeto de investigação “Figuras da Ficção” que, nos últimos anos, tenho coordenado no Centro de Literatura Portuguesa (CLP) da Faculdade de Letras de Coimbra. Como unidade de investigação financiada e regularmente avaliada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, o CLP integra um conjunto de investigadores envolvidos em diversos projetos de pesquisa, incluindo aquele que foi mencionado.

 

No caso de “Figuras da Ficção”,  cerca de vinte investigadores têm participado regularmente nas atividades do projeto, juntando-se a estes outros mais que, por se encontrarem fora de Portugal (em particular no Brasil), só episodicamente podem facultar a sua colaboração ao que regularmente vamos fazendo: colóquios, workshops, conferências, etc. No final do seu percurso, o projeto “Figuras da Ficção” pretende chegar a um Dicionário de Personagens da Ficção Portuguesa, obra já em curso de preparação  (…).

Conselheiro Acácio, por Bernardo Marques

 

 

(Da “Nota Prévia” a Pessoas de Livro. Estudos sobre a Personagem. 3ª ed. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2018; obra em acesso livre aqui)

 

Referência: Pessoas de Livro em acesso livre. (2019). Figuras da Ficção. Retrieved 13 February 2019, from https://figurasdaficcao.wordpress.com/2019/02/10/pessoas-de-livro-em-acesso-livre/?sfns=mo

Autor Reis, Carlos
Editor Imprensa da Universidade de Coimbra
Ano Publ. 2018
ISBN 978-989-26-1641-4
DOI https://doi.org/10.14195/978-989-26-1642-1
Idioma Português
Tipo Acesso

Integral

Citação
REIS, Carlos - Pessoas de livro: estudos sobre a personagem. Coimbra: [s.n.]. 221 p. ISBN 978-989-26-1641-4.

 

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1. Título

O título Dicionário de Personagens da Ficção Portuguesa (Dicionário, a partir de agora) designa um campo de descrição que adiante será especificado. A ficção portuguesa é, neste contexto, a ficção narrativa e sobretudo a ficção narrativa literária, ou seja, o romance, a novela e o conto. Ficam, assim, fora do âmbito do Dicionário as personagens dramáticas propriamente ditas, mas considera-se pertinente incluir no corpus personagens de épocas e de géneros anteriores ao romantismo (renascimento, barroco, neoclassicismo, etc.; epopeia, novela de cavalaria, novela pastoril, etc.).

 

Não se exclui a possibilidade de, noutro momento, se conferir ao título do Dicionário um conteúdo mais alargado, visando outras literaturas de língua portuguesa (p. ex.; Dicionário de Personagens das Literaturas de Língua Portuguesa) .

 

Este é, por conseguinte,  um projeto em desenvolvimento. 

 

 

 

Referência: Dicionário de Personagens da Ficção Portuguesa. (2019). Dp.uc.pt. Retrieved 10 February 2019, from http://dp.uc.pt/apresentacao/dicionario-de-personagens-da-ficcao-portuguesa

 

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Entrevista de Maria João Costa | Revista Ler

 

Vive perto da Costa da Caparica, mas a quatro quilómetros do mar. É a ele que recorre quando quer resolver «problemas técnicos de escrita». Luísa Costa Gomes escreveu para a Fundação Francisco Manuel dos Santos um retrato sobre a Costa da Caparica, o território onde foi descobrir histórias de escritores que ali procuraram refúgio. No livro Da Costa a escritora começa por dizer que se pôs a escrever sobre coisas de que nada sabia – e descobriu histórias de exclusão que confirmam «o estigma» da margem sul do Rio Tejo. Olha para retrato que escreveu como uma «deambulação». «É uma fatia de tempo.» Quase em simultâneo lançou também um romance, Florinhas de Soror NadaA Vida de Uma Não-Santa (Dom Quixote). 

(...)

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Ilustração: Helder Oliveira | por Raquel Albuquerque | Expresso

 

Linguagem “politicamente incorreta” de provérbios, contos ou canções deve ser discutida, mas não apagada

 

Há já algumas décadas que a história da Carochinha é contada pela metade: o fim verdadeiro na versão original incluía pássaros sem olhos e sem penas perante o desgosto da protagonista. Mas isso foi ‘apagado’. Nos últimos anos, outras histórias infantis, como o Capuchinho Vermelho ou Hansel e Gretel, têm sido adaptadas para retirar situações consideradas violentas. Mas, defendem os especialistas, mais do que reescrever as histórias quando se tornam desadequadas ou politicamente incorretas, importa parar para as discutir.

“A língua não muda à mesma velocidade que a sociedade. Transformar os contos tradicionais não faz sentido. E não acho que, numa lógica de cidadania, um provérbio ou outro tipo de expressão possa ser mudado por decisão. Pode é acabar por cair em desuso”, defende Antónia Coutinho, linguista e professora na Universidade Nova de Lisboa (UNL). Expressões como ‘entre marido e mulher não se mete a colher’, ‘com um olho no burro, outro no cigano’ ou ‘mulher honrada não tem ouvidos’ são outros exemplos. Passam de geração em geração, arrastando os costumes e perceções das suas épocas, mas também a violência, desigualdade social e discriminação racial então aceites.

“Parar para pensar no que dizemos agudiza a nossa sensibilidade e faz-nos deixar de usar a língua de forma mecânica. Passamos a questionar o que já está enraizado e que é necessário desnaturalizar”, explica a investigadora do Centro de Linguística da UNL. Foi também esse o princípio de base defendido pela PETA, uma organização não-governamental de defesa dos animais, que lançou na semana passada, nos Estados Unidos, uma campanha sugerindo alternativas a provérbios antianimal. Também o PAN tem usado as redes sociais para sugerir alternativas a expressões de violência contra os animais, defendendo a importância de a linguagem acompanhar a sociedade.

 

ACABAR COM O MEDO

Nas novas versões “politicamente corretas” dos livros infantis, como o Capuchinho Vermelho, o lobo deixa de comer a avó. Já a história dos irmãos Hansel e Gretel, que quase acabam comidos por uma bruxa depois de se perderem na floresta, foi sendo aligeirada desde o século XIX quando foi registada e publicada pelos irmãos Grimm.

O antropólogo Paulo Jorge Correia, um dos maiores especialistas nacionais em literatura de tradição oral, critica o facto de se estar a retirar a sensação de medo destas histórias. “As crianças gostam desse lado dos contos”, defende. “Mas hoje também têm menos tempo para ouvir histórias, porque socializam mais cedo e deixam o casulo familiar. Pior do que isso são os pedagogos que defendem que o medo e a violência devem ser cortados por fazerem mal aos mais novos. Essa ideia entrou no mercado do livro e as histórias têm sido adaptadas ao ‘delicodoce’.”

O risco é criar uma “sociedade assética”, defende o investigador. “Esse mundo considerado violento, e desadequado à realidade atual, está a ser rejeitado e higienizado. Se tivermos uma sociedade totalmente assética, as crianças pensam que não existe mal no mundo. E acho que isso está a acontecer”, diz. “Deve haver liberdade para perceber o mundo como ele realmente é. E os contos trazem algo único: a natureza humana, por mais chocante que ela possa ser.”

A violência doméstica e a misoginia, ou seja, o desprezo e preconceito contra as mulheres, estão presentes em muitos contos. “São um retrato de uma civilização rural onde a ordem social consistia em ter o homem acima da mulher e apenas Deus acima do homem”, afirma Paulo Jorge Correia, acrescentando que os contos se resumem à luta entre “velhos e novos, homens e mulheres, ricos e pobres”.

Também nas cantigas infantis a banalização da violência do homem sobre a mulher está presente. E algumas têm sido alvo de alterações (ver caixa). Para José Barata-Moura, ex-reitor da Universidade de Lisboa e também autor de célebres canções infantis, “a cultura está sempre presente em qualquer cantiga infantil”, podendo apenas ser diferente no ângulo, género, linguagem ou expressão do imaginário. “No meu entendimento, uma cantiga não é um objeto de consumo imediato para entreter, é uma ocasião de conversa e de aprofundar o diálogo entre os mais velhos e os mais novos.” Ainda que admita que a produção infantil foi durante muito tempo “menor e feita rapidamente para ser consumida no Natal”, o filósofo e cantor considera que “arranjar alternativas às cantigas é uma forma pobre de lidar com um problema real”.

 

O PAPEL DA ESCOLA

Se estes provérbios, contos, histórias e cantigas realmente expressam formas de discriminação racial ou violência doméstica, devem ser ensinados nas escolas? “É claro que não devem ser postas nos manuais, mas não podem ser silenciados nas escolas, devem ser discutidas. É papel da escola pegar nessas formas de dizer as coisas e desconstruir os seus significados”, diz José Pacheco, presidente do Instituto de Educação da Universidade do Minho.

O antropólogo Paulo Jorge Correia concorda. “Há o risco de esta literatura oral perpetuar esses arquétipos”, sejam eles raciais ou sexistas. Admitindo que numa fase inicial e estrutural da educação de uma criança, as formas de expressão mais discriminatórias ou violentas possam ser omitidas, o professor da Universidade do Algarve defende, no entanto, que esta literatura não deixe de ser publicada tal e qual como é. “Até mesmo para que estes cidadãos, quando estiverem formados, tenham acesso a esta tradição oral e a conheçam.”

Para a linguista e professora da UNL, o “mais urgente” é discutir o assunto e sensibilizar a população. “A escola tem de ter essa função mas a responsabilidade recai sobre os professores, as editoras responsáveis pelos manuais escolares, os revisores de texto, os pais e a comunicação social. Tenho sérias dúvidas de que a solução seja limpar ou apagar a história e a cultura.” O mesmo defende José Barata-Moura. “A solução não é impingir uma moralidade exterior, que se repete mecanicamente, mas antes apostar no diálogo. Embora seja muito mais fácil despejar uma mensagem moralista e irmos dormir descansados.”

 

Referência: Quando se conta um conto e se retira um ponto. (2018). Jornal Expresso. Retrieved 17 December 2018, from https://expresso.sapo.pt/sociedade/2018-12-16-Quando-se-conta-um-conto-e-se-retira-um-ponto

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Entrevista de Isabel Lucas | Fotografias de Pedro Loureiro | LER - verão 2018

Até que ponto o desejo é político? Na literatura, o desejado está do lado da verdade ou da mentira? Como é que se está a escrever sobre o desejo e de que forma ele parece estar apagado do discurso político. Este é o princípio de uma conversa com o escritor brasileiro Bernardo Carvalho, 57 anos, autor de teatro, contos e romance – a maior parte publicados em Portugal –, vencedor de alguns dos mais importantes prémios de língua portuguesa, voz dissonante que procura não replicar modelos e que em 2016 publicou um romance polémico, que dividiu a crítica. Simpatia pelo Demónio, conta a história de um homem que tem a missão de combater a violência global mas incapaz de se proteger a violência causada pelo seu próprio desejo. O livro ainda não chegou a Portugal, mas o escritor transforma essa escrita numa discussão abrangente sobre o tempo presente que pede a normalização de comportamentos e de que resulta uma literatura que funciona sobretudo como um espelho dessa norma. É o momento em que se foge aos caos através de convenções limitadoras da criatividade, diz Bernardo Carvalho numa conversa que quer fazer frente a uma literatura impostora. (...)

 

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 por Isabel Lucas | Revista LERDownload | Primavera de 2018

 

Uma entrevista com Camille Paglia corre o risco de não passar da primeira pergunta. Ela fala, expõe ideias, cruza temas, deriva, faz o seu próprio contraditório, gere cadências, ri, indigna-se, imita vozes e atitudes. A sensação é a de que podia falar ininterruptamente. E tudo com uma voragem que explica a razão pela qual é tão temida quanto admirada. Professora de arte na University of Arts de Filadélfia, formou-se em Yale e especializou-se em cultura moderna.

 

Autora de uma vasta obra de ensaio, protagonizou algumas das mais acesas discussões acerca do feminismo e fundou uma corrente a que chamou de «Amazon Feminism». De si própria, afirma, com uma gargalhada, ser uma mulher perigosa. E provocadora, sempre, sem que esse seja o seu objetivo primordial. Democrata crítica dos democratas, académica pouco respeitada na academia, feminista olhada de lado por muitas feministas, aos 71 anos esta pessoa que se diz sem género sexual continua a assumir posições polémicas e a colecionar opositores. Como quando declara que estamos mergulhados num caos ético onde a intolerância aparece mascarada de tolerância, começa por dizer Camille Paglia no seu mais recente livro Free Women, Free Men, uma coletânea de ensaios sobre feminismo, sexo e questões de género publicada originalmente em 2017 e agora com versão portuguesa pela Quetzal, com o título Mulheres Livres, Homens Livres.

 

É uma análise ao presente no mundo ocidental, com foco nos Estados Unidos, textos onde a pensadora, crítica de arte e ensaísta, conhecida sobretudo pelas suas posições controversas sobre o feminismo na década de 80, retoma e transpõe para a atualidade os seus estudos sobre sexo, alertando para o forte policiamento sobre os comportamentos e a perda da noção de individualidade.

(...)

 

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Agora que o novo ano lectivo começou, deixamos aqui um texto escrito e lido por Eduardo Sá, sobre "As Crianças e a Leitura".

"As histórias fazem mal às crianças"

Texto apresentado, no passado dia 19 de Abril, no "10 de letra - jornadas literárias", que se realizou no Auditório Maestro Frederico de Freitas (SPAUTORES)

 

 

 

Ou, se preferir, oiça o podcast: 

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Todos Os Sonhos Do Mundo
 (todos os programas) 

Mário de Carvalho nasceu em 1944, estudou Direito, é escritor. | 30 Jun, 2017

 

"Tristeza não tem fim, felicidade sim", diz uma conhecida canção. Porque é que é tão difícil ser feliz se todos os nossos movimentos são no sentido de nos dizermos felizes? Vamos falar: para que a tristeza, pelo menos, conheça fim. Com Anabela Mota Ribeiro.

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O que é um clássico? O que é que as grandes obras da literatura e do pensamento mundial têm para nos ensinar? Agora que as aulas estão quase a começar, Miguel Monjardino, professor universitário especialista em Relações Internacionais, e Isabel Alçada, escritora e ex-ministra da Educação, olham de novo para a importância dos clássicos na educação.

 

Referência: O que nos ensinam os clássicos?. (2018). SoundCloud. Retrieved 5 September 2018, from https://soundcloud.com/user-48668146/o-que-nos-ensinam-os-classicos

 

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Fernão Lopes

15.02.18

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Ensina RTP - Fonte |

 

Guardador das escrituras do Tombo, a ele D. Duarte confiou a missão de escrever "as estórias dos reis que antigamente em Portugal foram", mais os feitos do seu pai, o Mestre de Avis. Neste artigo, contamos quem foi Fernão Lopes, o cronista do reino.

 


De origem modesta, Fernão Lopes terá nascido por volta de 1380, perto de Alfama, em Lisboa. Em 1418 era ele o «guardador das escrituras» do arquivo da Torre do Tombo. Foi depois nomeado cronista-mor do reino e, nesse ofício, escreveu as crónicas de D. Pedro I, D. Fernando e D. João I, tarefa que realizou em vários anos.

 

Neste excerto da série “Grandes Livros“, atentamos na vida do cronista que relatou acontecimentos fundamentais do século XIV português. Fernão Lopes é considerado por muitos o pai da nossa História e um percursor do jornalismo no seu “sentido mais puro”.

 

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