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Vivemos tempos estranhos e difíceis que terão repercussões ainda por determinar. No entanto, neste 1.º período letivo, as escolas deparam-se já com uma realidade preocupante, consequência de quase quatro meses de alteração do regime de aulas presenciais, e que se manifesta através de frágeis desempenhos ao nível da leitura de muitos alunos que frequentam hoje o 2.º ano de escolaridade.

De acordo com um estudo do Centro de Investigação e Intervenção na Leitura (CIIL) do Instituto Politécnico do Porto, de que a RBE é parceira, 27% dos alunos do 2.º ano das escolas do Porto revelaram um desempenho na leitura muito pobre. “Estas crianças leem tão devagarinho que não percebem aquilo que estão a ler”, diz a investigadora do Politécnico do Porto Ana Sucena Santos, que coordena este trabalho.

Os alunos que iniciaram no ano transato a aprendizagem do código alfabético, para qual o papel do ensino é especialmente relevante, viram subitamente interrompido o processo nos termos em que é habitualmente realizado. A aprendizagem da leitura requer um trabalho sistemático e articulado com o sistema de escrita e, apesar do esforço conjunto dos docentes e das famílias, verificou-se que, especialmente entre os alunos mais desfavorecidos, a qualidade de aprendizagem ficou comprometida, podendo conduzir a uma desmotivação em relação à escola em geral.

Se já é característica comum das turmas do 2.º ano de escolaridade a existência de alunos com grandes discrepâncias de performance ao nível da leitura, a conjuntura atual veio agravar esta questão. Por um lado, os que já demonstram uma grande desenvoltura a ler, passando pela escrita até ao manuseamento das ferramentas digitais e, por outro lado, os que, por dificuldades de índole diversa, não conseguiram acompanhar ou evoluir no grau de proficiência leitora e na eficiência da escrita. Para uns e para outros, há que continuar a minorar as dificuldades através de tarefas entusiasmantes, caso contrário as dificuldades tenderão a persistir ou até mesmo a aumentar.

O ano 2020-2021 apresenta-se assim como um ano particularmente desafiador para alunos e professores no 2.º ano de escolaridade, cujo trabalho na Recuperação e Consolidação das Aprendizagens ao longo do ano letivo deverá ser coadjuvado pelas bibliotecas escolares enquanto espaços agregadores de conhecimentos, metodologias e recursos diversificados, tal como preconizado no documento orientador emanado pela tutela.

“A integração, explícita e intencional, de competências nas áreas da leitura, dos media e da informação, em ambientes físicos ou digitais, em projetos e atividades, realizadas com e pelas bibliotecas escolares, constitui uma importante estratégia para o sucesso escolar e para o desenvolvimento pessoal e cultural dos jovens. Assim, através dos instrumentos de que dispõem, as bibliotecas escolares dão um contributo relevante para o desenvolvimento e a consolidação de aprendizagens significativas.“

A biblioteca escolar desempenha um papel importante, cabendo ao professor bibliotecário o papel de facilitador ao nível da disponibilização de material útil e necessário às aprendizagens. Nesta fase, convocam-se os professores bibliotecários a implementar atividades específicas no âmbito do reforço à aprendizagem da leitura, articuladas entre a sala de aula e a biblioteca, com a orientação do documento estruturante Aprender com a biblioteca escolar e o apoio dos sítios Aprender com a biblioteca escolar: Atividades e recursos e biblioteca escolar digital.

Disponibilizam-se algumas sugestões de recursos considerados úteis:
● A Rede Nacional CiiL - Centro de Investigação e Intervenção na Leitura - aposta na promoção das competências pré-leitoras e leitoras.

● A Plataforma LER - disponibiliza regularmente novos recursos para cada uma das suas etapas: PREPARAR, APRENDER, DESENVOLVER E REFORÇAR.

AINDA ESTOU A APRENDER - é um recurso educativo, de acesso livre, que tem como finalidade principal apoiar a aprendizagem da leitura, nomeadamente em alunos que apresentam dificuldades (DAL).

PINECO - Recursos Educativos Digitais - Esta plataforma conta com questões de Português, com níveis de dificuldade distintos.

Histórias de AaZ para ajudar a ler melhor - constitui-se como um conjunto de vídeos de leitura acompanhada para todas as crianças que estão a iniciar-se na leitura. Incluem-se histórias lidas por autores como Luísa Ducla Soares, Alice Vieira ou José Fanha. As crianças podem também optar por ler sozinhas.

Todos estes recursos se encontram disponíveis a partir da biblioteca escolar digital, na secção curadoria de conteúdos, agrupados sob a etiqueta “Aprendizagem da leitura”.

Feira da livro

27.08.20

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O Parque Eduardo VII, em Lisboa, e os Jardins do Palácio de Cristal, no Porto, vão encher-se de livros, já a partir de hoje (em Lisboa) e de amanhã (no Porto). São as Feiras do Livro, que este ano acabam por coincidir na mesma altura, terminando ambas no dia 13 de setembro.

Em comunicado, a APEL garante que "a organização irá colocar em marcha todas as medidas necessárias para garantir a segurança dos participantes e visitantes", o que implicará naturalmente um conjunto de medidas e de restrições, nomeadamente no que toca à circulação e número de pessoas, para que tudo decorra sem problemas.

Momentos altos do encontro com os livros e a leitura, com escritores e editores, as Feiras do Livro 2020 denotam preocupações com o ambiente, a sustentabilidade, a segurança, mas também o desejo de combater o desânimo e a ansiedade, bem expresso no mote escolhido pela Feira do Livro do Porto, "Alegria para o fim do mundo" (transcrito do livro de Andreia C. Faria).

Com extensas programações destinadas às famílias, esta será uma boa ocasião para realimentar o imaginário e a curiosidade dos mais novos, lembrando, nas vésperas do regresso às aulas, como a aprendizagem e o crescimento não fazem caminho sem a leitura.

Feira do livro:
. Lisboa
. Porto


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