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Photo by Annie Spratt on Unsplash

O Programa de Mentoria do Agrupamento de Escolas do Crato, seguindo as orientações do Ministério da Educação, tem como objetivo o desenvolvimento das aprendizagens, o esclarecimento de dúvidas, a preparação para os momentos de avaliação, a integração escolar e a implementação de uma diversidade de atividades conducentes à melhoria dos resultados escolares dos alunos. Este programa identifica alunos (mentores) que se disponibilizam para apoiar os seus pares (mentorandos) num ambiente de interajuda, confiança e respeito, através da realização de encontros regulares, sob a supervisão dos elementos que compõem a Equipa do Programa de Mentoria, que terão o papel de orientadores.

A integração da professora bibliotecária na equipa de Mentoria surge na sequência de uma orientação emanada do Conselho Pedagógico e vem materializar a importância que o Agrupamento reconhece a esta estrutura, em particular, quando se trata de inovação. A Biblioteca Escolar, para além de detentora de recursos e promotora de práticas de cooperação profissional, constitui-se assim como um hub de conhecimento no âmbito das tecnologias, metodologias e projetos.

Esta equipa é constituída pela Coordenadora dos Diretores de Turma, uma psicóloga, a coordenadora de Cidadania e Desenvolvimento e a professora bibliotecária.

As primeiras fases do “Programa de Mentoria” ainda decorreram em ensino presencial e visaram dar a conhecer o programa a cada turma, com recurso a apresentações feitas pela Equipa de Mentoria, visando motivar os alunos para que se candidatassem a mentores. Também foram realizadas reuniões com os encarregados de educação, tanto dos possíveis mentores, como dos mentorandos, para apresentar as características do programa, as vantagens e as expetativas. Estas reuniões decorreram em moldes idênticos, mas em momentos diferentes (primeiro Encarregados de Educação de mentores, depois de mentorandos), na plataforma MS Teams.

A chegada do E@D determinou que o programa passasse a operacionalizar-se integralmente online, tendo o processo continuado a desenvolver-se sob a ação da equipa que, de forma conjunta, e tendo em conta o conhecimento dos alunos, formou os pares de trabalho e desenvolveu os materiais de registo a serem utilizados pelos intervenientes no programa.

O procedimento seguinte foi a preparação da formação “Aprender a ser mentor” que decorreu em duas sessões, com a participação de todos os elementos da Equipa de Mentoria e precedeu o trabalho regular entre os pares mentor/ mentorando.

Neste momento, na equipa criada na plataforma Teams, existem vários canais, cada um deles regulado por uma orientadora de entre os membros da Equipa do Programa de Mentoria, e do qual fazem ainda parte cada um dos pares mentor/ mentorando. É neste canal que as orientadoras acompanham os pares, que também usam, preferencialmente, a mesma plataforma, nos seus encontros semanais, para comunicarem/ trabalharem.

Este programa tem sido objeto de uma participação entusiástica e responsável, por parte de todos os seus intervenientes, o que justifica expectativas de sucesso na sua implementação.

A professora bibliotecária do Agrupamento de Escolas do Crato, Clotilde Soares

 

Os documentos de apoio a este programa de mentorias podem ser consultados:

  1. O programa de mentoria em E@D
  2. Ficha de Mentorando
  3. Diário de Mentoria
  4. Sessão de formação 1 | Qual o papel de um mentor
  5. Sessão de formação 2 | Que atividades posso realizar nas sessões

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Fonte da imagem: https://en.unesco.org/gem-report/report/2020/inclusion

Global Education Monitoring [GEM] Report 2020 1 (resumo 2 em português) é o quarto relatório anual da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) que monitoriza, em 209 países, a evolução das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável em educação (ODS 4).

Destaca que 258 milhões de crianças e jovens foram excluídos da educação e a pobreza é a principal razão, apesar de existirem outros fatores de exclusão:

- Casamento (117 países) e trabalho infantil (20 países não ratificaram a Convenção 138 da Organização Internacional do Trabalho que o proíbe);

- Falta de consideração de necessidades especificas (somente 41 países reconhecem oficialmente a linguagem de sinais para surdos e ainda menos aplicam design universal) e falta de consenso sobre compreensão da inclusão;

- Segregação de povos e grupos de pessoas.

Alerta para que no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) 2018, um em cada cinco alunos de 15 anos afirmou sentir-se estranho à escola; crianças com deficiência têm duas vezes e meia mais probabilidade de nunca ir à escola; alunos de 10 anos em países de renda anual média-alta ensinados num idioma diferente da língua materna pontuam um terço abaixo dos nativos; 40% dos países mais pobres não conseguiram apoiar alunos em risco durante a crise sanitária Covid-19. Incentiva os países a concentrarem-se nos mais desfavorecidos à medida que as escolas reabrem.

Porque a recolha de dados de qualidade - inclusive dos que não frequentam a escola – e participação é fundamental, GEM 2020 lança uma campanha digital All means All/ Todos significa Todos 3 de que faz parte uma sondagem/ votação global com base em 10 recomendações para o futuro da educação inclusiva.

Dos aspetos sublinhados no relatório destaca-se no contexto da biblioteca:

 

1. Tratar cada aluno com dignidade

Nenhuma característica individual determina competências, comportamentos ou identidades e, por isso, há que romper a prática, pseudo-facilitadora de planificação e avaliação, de atribuição de rótulos que diminuem o valor de cada um e podem ser profecias auto-realizadas. O relatório apresenta evidências de que populações maioritárias tendem a estereotipar alunos minoritários e marginalizados: na Suíça meninas interiorizam que profissões em ciências, tecnologia, engenharia e matemática são mais próprias para rapazes; no Brasil, e outros países, alunos negros reprovam e são induzidos a escolher mais cursos técnicos e profissionais do que colegas brancos; na China professores têm piores perceções de alunos migrantes rurais do que dos colegas urbanos; alunos refugiados turcos sentem-se estigmatizados e isso torna-os mais vulneráveis à depressão.

Contra o preconceito e status quo que impede que cada um atinja o máximo das suas capacidades GEM 2020 afirma a tese “a diversidade é uma força que deve ser celebrada”. Pobres; raparigas; pessoas com necessidades especiais e deficiência; refugiados; LGBT+; minorias étnicas, linguísticas, religiosas, indígenas; deprimidos; obesos; habitantes de zonas rurais; vítimas de bullying/ maus tratos; delinquentes; órfãos; velhos/ novos… todos nos identificamos com várias condições e circunstâncias pois “A única coisa que temos em comum são as nossas diferenças”.

 

2. Apoiar família e comunidade

Pais com crianças e jovens com deficiência ou vítimas de segregação têm maior probabilidade de ser pobres, ter nível de educação reduzido, enfrentar obstáculos para ir à escola e trabalhar com professores, pelo que precisam de apoio na identificação e gestão das suas necessidades, bem como de informação, confiança e solidariedade. Frequentemente são eles próprios quem cultiva crenças discriminatórias: 15% dos pais na Alemanha e 59% na China (Hong Kong) temem que seus filhos com deficiência sejam um obstáculo à aprendizagem dos outros.

O fecho das escolas provocado pela pandemia reforça a ligação à família e, por isso, programas e ações de formação em literacia familiar feitos com a RBE, devem ser reforçados e multiplicados.

 

3. Criar atividades com base numa abordagem e avaliação relevante e flexível do currículo

- Desenvolver um currículo comum que responda a necessidades fundamentais de todos, inclusive em risco de exclusão, trabalhado de forma articulada/ interdisciplinar, ligado às experiências de vida de cada um (pp. 132 segs.);

- Valorizar a avaliação formativa, centrada nos alunos e que apoia as suas aprendizagens, em detrimento da avaliação sumativa baseada num modelo;

- Selecionar dados que comprovem a implementação de medidas e diferenças para que a consciencialização gere melhoria e suporte a difusão – há uma carência persistente de dados de população marginalizada que agrava a sua invisibilidade e falta de meios (pp. 149 segs.), são formas de proporcionar educação de qualidade a todos, sem exceção.

Em Portugal os documentos orientadores 2017/ 2019 - Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória, Regime Jurídico de Educação Inclusiva, Aprendizagens Essenciais Ensino Básico/ Secundário – incentivam este processo, mas a pandemia fez estagnar ou, mesmo retroceder, a participação das crianças e jovens na vida da escola e são sobretudo os mais desfavorecidos os mais afetados.

O World Inequality Database on Education (WIDE) e as ferramentas do GEM 2020 Scoping Progress in Education (SCOPE) e Profiles Enhancing Education Reviews (PEER) podem ajudar a monitorizar políticas sobre educação inclusiva.

 

4. Partilhar conhecimento, livros e recursos onde todos se sintam representados

Sem diminuir a importância da literacia dos media e informação e acesso aberto para a educação inclusiva, GEM 2020 levanta a questão de que “os livros didáticos podem perpetuar estereótipos” ao representarem grupos minoritários como “outros” e associarem-nos a características que limitam o potencial de cada um. Exemplo: frequentemente nos seus textos e imagens as mulheres são sub-representadas e estereotipadas, surgindo em papeis de menor visibilidade, prestígio e liderança, o que pode levar leitores a sentirem-se mal representados e compreendidos, frustrados e alienados (pp. 144 segs). Há mesmo temas cuja abordagem deveria ser explicitamente discutida e desconstruída à luz dos direitos humanos universais e interdependentes, de modo a tomar-se consciência dos fatores que envolvem a história de segregação e conflito entre países e populações e de como subsistem no quotidiano, manipulando perceções da realidade – exemplos:  escravatura, holocausto, colonialismo, migração, nacionalidade, identidade de género.

Para esta abordagem crítica e inclusiva da leitura e ensino da História o Encontro de Ministros da Educação sobre A educação para a cidadania na era digital 4 (26 de novembro de 2019) incentivou o desenvolvimento de competências para a cultura democrática para que jovens possam crescer com sentimento de adesão aos valores democráticos e ligação dentro e entre países. Neste encontro foi proposta a criação de um Observatório do Ensino de História na Europa 5 que viria a ser criado, por Portugal e 16 Estados-Membros do Conselho da Europa, a 12 de novembro de 2020 e cujas publicações e projetos promovem, não uma normalização da forma como a História é ensinada, mas uma visão multiperspetiva, mais completa e rica do passado - a História é de todos, mas os pontos de vista variam segundo o contexto e lugar de fala – que prepara para uma vida boa com todos numa sociedade diversa.

Para o professor bibliotecário quais são os principais recursos e fontes que reproduzem estereótipos? Para este diagnóstico ouviu a voz da diversidade de utilizadores da comunidade?

Como é que a agenda da biblioteca integra esta discussão, consciencialização e alargar de perspetivas, inclusive com outros atores fora da escola (a inclusão em educação é parte da inclusão social)?

Na vida diária da biblioteca como é que exprime, a cada criança ou jovem, a crença de que tem valor/ potencial e o sentimento de que pertence à comunidade? A construção de um sentido de comunidade é critério para seleção de ferramentas e atividades na internet?

Se “todos os professores devem estar preparados para ensinar todos os alunos” (8.ª recomendação da UNESCO), a educação inclusiva faz parte do seu desenvolvimento profissional? Na ação da biblioteca aplicou-a em que área e quais foram os seus resultados?

Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (2006; Artigo 24) e ODS das Nações Unidas reconhecem que a educação inclusiva é um direito (e dever moral), para além de melhorar a aprendizagem de todos. Cabe à biblioteca a criação de contextos que tenham em conta a diversidade de necessidades, percebendo a diferença como oportunidade para aprendermos e prosperarmos uns com os outros e juntos.

 

Referências

1. Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). (2020a). Global Education Monitoring Report 2020: Inclusion and education - All means all. Paris: Autor. Disponível em: https://en.unesco.org/gem-report/report/2020/inclusion

2. Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). (2020b). Relatório de monitoramento global da educação – resumo, 2020: Inclusão e educação: todos, sem exceção. Paris: Autor. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000373721_por

3. Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). (2020c). Sondagem: Inclusão e educação - Todos significa Todos. Paris: Autor. Disponível em: https://gem-report-2020.unesco.org/poll/

4. Conselho da Europa. (2019). Reunião de Ministros da Educação. Paris: Autor. Disponível em: https://www.coe.int/en/web/education/confmin2019

5. Conselho da Europa. (2020). Conselho da Europa lança Observatório de Ensino de História na Europa. Estrasburgo: Autor. Disponível em: https://www.coe.int/en/web/portal/-/council-of-europe-launches-observatory-on-history-teaching-in-europe

6. Conselho da Europa. (s. d.) Ensino de História: História e ensino de história têm sido o foco do trabalho do Conselho da Europa em educação desde o seu início. Estrasburgo: Autor. Disponível em: https://www.coe.int/en/web/history-teaching

7. Organização das Nações Unidas (ONU). (2006). Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Nova Iorque: Autor. Disponível em: https://www.un.org/development/desa/disabilities/convention-on-the-rights-of-persons-with-disabilities.html

 

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O CiiL - Centro de Investigação e Intervenção na Leitura - resulta da parceria entre o Instituto Politécnico do Porto (IPP), a Câmara Municipal do Porto e o Ministério da Educação, desde setembro de 2015.
A missão do CiiL consiste na promoção precoce do sucesso na aprendizagem da leitura. Para tal o CiiL investe na promoção do desenvolvimento das competências pré-leitoras e competências leitoras alicerce. A intervenção CiiL ocorre em contexto escolar, dentro da mancha letiva, e dirige-se a todas as crianças com 5 anos na Educação Pré-Escolar (EPE) e a todos os alunos do 1.º ano do 1.º Ciclo do Ensino Básico (1.º CEB).
Atualmente, a intervenção decorre em todos os Agrupamentos de Escolas do Município do Porto, no âmbito de uma candidatura cofinanciada – Planos Integrados e Inovadores de Combate ao Insucesso Escolar (PIICIE) do Programa Operacional do NORTE 2020.
O CiiL implementa dois programas de intervenção, um dedicado às crianças do último ano da EPE e outro direcionado aos alunos do 1.º ano do 1.º CEB. Estes programas caracterizam-se pela sua natureza sistemática e por um carácter lúdico, numa lógica de intervenção precoce. Na EPE, o programa tem como objetivo a promoção do desenvolvimento da linguagem e da consciência fonológica, com especial enfoque na consciência fonémica. As sessões têm periodocidade bissemanal, com duração de 45 minutos, sendo dinamizadas pelo técnico CiiL em colaboração com o educador de infância, em contexto de sala aula.
No 1.º CEB, o programa destina-se à promoção do conhecimento do princípio alfabético e do processo de descodificação. A intervenção decorre diariamente, em contexto de pequeno grupo fora da sala de aula, com as crianças sinalizadas como em risco de experienciar dificuldades em dois ambientes (i) real (uma sessão de grupo) e (ii) virtual (quatro sessões, através do Software Eu Leio (Parceria Instituto Politécnico do Porto - Porto Editora). Este programa inclui ainda,com periodicidade semanal, uma sessão de turma, em contexto de sala de aula, dinamizada pelo técnico CiiL em colaboração com o professor titular.
A intervenção decorre entre novembro e maio, sendo os resultados monitorizados através de uma avaliação inicial, entre setembro e outubro, e uma avaliação final entre maio e junho. Os resultados destas avaliações são apresentados à comunidade escolar, através do envio de relatório, e da realização de reuniões com os interlocutores nos AEs.

Os programas de intervenção realizados pelo CiiL têm revelado resultados consistentemente positivos. Ao longo destes anos, relativamente à EPE, os resultados indicam uma evolução estatisticamente significativa do momento pré-intervenção para o momento pós-intervenção nas componentes: linguagem, consciência fonológica metalinguística do fonema e segmentação fonémica. Os resultados revelam ainda que, na avaliação ao final do ano, as crianças que foram alvo da intervenção CiiL apresentam resultados estatisticamente superiores e com uma magnitude de efeito também superior oas resultados obtidos por crianças com características equivalentes mas que não usufruíram desta intervenção. Quanto ao 1.º CEB, os alunos apresentam resultados significativamente mais elevados no momento pós-intervenção comparativamente ao momento pré-intervenção ao nível do processamento fonológico: consciência fonémica e segmentação fonémica; do processamento da palavra escrita: ao nível da leitura e escrita de letras e leitura de palavras e de pseudopalavras. Os resultados indicam também que no pós-teste, os alunos que foram alvo de intervenção apresentam resultados estatisticamente superiores aos de alunos que não usufruíram da intervenção CiiL, assim como atingem resultados ao nível dos valores de referência para o final do 1.º ano.

Os resultados positivos espelham opções estratégicas do CiiL: sustentação da ação no conhecimento científico atual, intervenção precoce e sistemática nas competências identificadas como preditores e/ou altamente correlacionadas com o sucesso na aprendizagem da leitura e da escrita e a aposta numa equipa estável e multidisciplinar.
Respondendo ao sentido de responsabilidade científica e social o CiiL propôs-se alavancar o âmbito de atuação: através da criação da Rede CiiL, ao nível nacional e ao nível internacional, no âmbito da lusofonia. O objetivo da Rede CiiL é partilhar e alargar a resposta de intervenção ao nível da promoção precoce da aprendizagem da leitura nos territórios da lusofonia. A Rede CiiL nacional inclui o Instituto Politécnico do Porto, a Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL), a Universidade do Algarve e o Instituto Politécnico de Viseu. Ao nível da Rede Internacional o CiiL-Instituto Politécnico do Porto estabeleceu uma Parceria Científica com a CAPES (Brasil). Ao abrigo desta parceria foi desenvolvido um Plano de Formação dririgido à Capacitação ao nível da Metodologia CiiL. O Curso teve incício em janeiro de 2021 com mais de 96 000 inscrições – Professores e Educadores brasileiros.
A parceria do CiiL com a Rede de Bibliotecas Escolares surge, desde a constituição do CiiL, da ambição em comum em contribuir para que todas as crianças possam vir a ser leitoras autónomas e proficientes. Visando este objetivo o CiiL privilegia, ao nível da intervenção, a EPE e o início do 1º ciclo, em face do potencial, nesta fase, da capacidade de aprendizagem e de motivação para aprender a ler. Também em comum com a RBE o CiiL concentra o investimento ao nível da intervenção no espaço da Escola e na estreita colaboração com os Educadores e Professores. Em jeito de síntese, o CiiL investe nos alicerces da leitura, na expectativa de, somados alguns anos de vida (e de leituras), cada indvíduo poder gozar em pleno dos dez direitos do leitor elencados por Pennac.


Porto e CiiL, 27 jan 2021
Ana Sucena, Coordenadora Científica do CiiL


Para saber mais:

Através dos canais Facebook, Instagram e YouTube, são publicadas atividades sob a forma de vídeo dirigidas à promoção das competências pré-leitoras e das competências leitoras, que podem ser utilizadas por qualquer docente.

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A educação é um direito humano fundamental e uma condição para o desenvolvimento económico e social, a saúde e o bem-estar. Sem ela, a vida e o mundo seriam infinitamente limitados e destituídos de um propósito. Segundo o Manual para a medição da equidade na educação (Unesco, 2019): “a melhoria do desempenho educacional está associada a maiores ganhos pessoais, à redução da pobreza e a maiores taxas de crescimento da renda nacional [PIB] (Becker, 1975, 2002)” e “ Um número maior de anos de educação está associado a uma melhor saúde, à redução da mortalidade materna e infantil, a menos mortes relacionadas com desastres, a menos conflitos e ao aumento da participação cívica, entre outros benefícios” (p. 10).

É a resolução da Organização das Nações Unidas (ONU), Transformar o nosso mundo: Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável assumida em 2015 que, pela primeira vez, coloca a equidade no coração da agenda internacional de educação. Na área da educação o ODS 4 desafia os Estados-Membros da ONU a “garantir o acesso à educação inclusiva, de qualidade e equitativa e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos”.

O relatório da Rede Euridyce, Equidade na educação escolar na Europa: estruturas, políticas e desempenho dos alunos (outubro de 2020) compara a equidade nos 42 sistemas educativos existentes nos 37 países europeus abrangidos e tem como referência as escolas públicas no ano letivo 2018/ 2019.
Divulgando boas práticas e permitindo que os países aprendam uns com os outros e melhorem as suas políticas internas, constitui-se como um instrumento para tornar os sistemas educativos mais inclusivos e justos.

Porque é que a equidade é importante em educação?
Porque assegura que a origem ou circunstâncias pessoais e sociais - nível de escolaridade e qualificação profissional dos pais, existência em casa de livros infantis e de apoio ao estudo, situações de migração - não sejam um obstáculo a que cada um desenvolva os seus talentos e atinja o seu pleno potencial (justiça social) e que a educação fundamental se dirija a todos (inclusão).
Nos seus documentos oficiais, para referir a equidade os países usam uma diversidade de termos - justiça, igualdade de oportunidades, igualdade/ desigualdade, desvantagem, não discriminação, grupos vulneráveis, grupos de risco e abandono escolar precoce – cujo conteúdo nem sempre coincide.
Apesar da falta de consenso sobre o uso e definição do conceito, a maioria dos sistemas europeus de educação apoia ou promove a equidade, implementando pelo menos uma iniciativa política importante.
Portugal faz parte dos países que tem a equidade educativa na sua agenda, apresentando diferentes medidas, por exemplo:

- Educação e cuidados para a primeira infância (do nascimento até aos 6 anos)
O relatório sublinha que se tem verificado nos últimos anos dos países europeus, entre os quais Portugal, a tendência para implementar estes programas e que a maioria dos países aplicou medidas para melhorar a qualidade e acesso a estes serviços, uma vez que há o reconhecimento de que promovem o desenvolvimento da criança e têm efeitos no seu desempenho escolar, sobretudo nas crianças em situação desfavorecida. No entanto, são estas que menos participam nestes programas, seja pelo seu custo, por barreiras culturais e linguísticas ou falta de informação.
- Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar
Lançado em 2016, considera que são “as comunidades educativas quem melhor conhece os seus contextos, as dificuldades e potencialidades, sendo, por isso, quem está melhor preparado para encontrar soluções locais e conceber planos de ação estratégica, pensados ao nível de cada escola, com o objetivo de melhorar as práticas educativas e as aprendizagens dos alunos” (Resolução do Conselho de Ministros n.º 23/ 2016). Visa reduzir para metade as taxas de retenção e abandono escolar.

No cenário português e para igual período, poderiam ter sido consideradas outras medidas, implementadas em Portugal mas que não são referidas no relatório Eurydice, designadamente: diversificação de percursos formativos através de cursos com dupla certificação (escolar e profissional); Apoio Tutorial Específico para alunos do 2.º e 3.º ciclos do ensino básico com mais de duas retenções; apoio económico nas despesas escolares das famílias de contextos desfavorecidos (Ação Social Escolar); gratuitidade dos manuais escolares. 

O relatório Eurydice examina outros fatores que influenciam positivamente a justiça e inclusão dos sistemas educativos europeus: autonomia das escolas e criação de um clima de escola que valorize o esforço, disciplina, entreajuda e resiliência dos alunos; programas de literacia e numeracia (para os quais a ação da biblioteca escolar contribui); liberdade das famílias na escolha da escola dos seus educandos; orientação vocacional que orienta os jovens e famílias, atuando preventivamente sobre o insucesso e abandono escolar; professores especializados em baixo desempenho dos alunos.

Fatores que prejudicam a equidade são: a falta de financiamento do Estado que, no cenário de pandemia e quebra do rendimento nacional, assume particular preocupação; a retenção dos alunos (apesar de ser uma medida generalizada nos países europeus, apresenta tendência descendente); a concentração de alunos com desempenhos ou condições socioeconómicas semelhantes numa mesma turma ou escola (estratificação e discriminação); a escolha demasiado precoce do percurso educativo.

Não obstante os países europeus apresentarem importantes políticas conducentes à equidade dos alunos, isto não significa necessariamente que esta seja para eles e, por si só, uma prioridade, já que as políticas de equidade educacional são apenas uma dimensão do desempenho dos alunos e da vida na escola. Por isso, “intervenções políticas que podem ter sido concebidas principalmente por outras razões [exemplos: risco de exclusão, abandono escolar e retenção] podem ter impacto em questões de equidade e, por conseguinte, estar a ser abrangidas pelo âmbito deste relatório” (p. 53). A dificuldade em avaliar a equidade em educação resulta, não apenas do facto de as medidas adotadas não se dirigirem especificamente a este fator, mas também de nem sempre produzirem efeitos imediatos, muito embora haja indicadores que sugerem um efeito positivo e duradouro a longo prazo.

Durante a pandemia Covid-19, a perda de atividades letivas e a transição para o ensino à distância agravou a situação dos estudantes desfavorecidos, tornando urgente relançar a promoção da equidade, eficiência e qualidade do sistema público de educação, para que ele continue a contribuir para a realização pessoal e a mobilidade social.

 

Referências

Comissão Europeia/EACEA/Eurydice, 2020. Equity in school education in Europe: Structures, policies and student performance. Eurydice report. Luxembourg: Publications Office of the European Union. Disponível em https://eacea.ec.europa.eu/national-policies/eurydice/sites/eurydice/files/equity_2020_0.pdf .

 

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Um dos produtos do Projeto LIDIA é um livro de atividades com tecnologias destinadas a adultos. Este livro, em formato e-book, mas também em impressão convencional, integra propostas de atividades com tecnologias especialmente criadas para promover a literacia e a inclusão digitais, em especial dos adultos com menos oportunidades para aceder e utilizar o potencial que o desenvolvimento tecnológico coloca hoje à nossa disposição.

As sugestões de atividades de inclusão digital incluídas no eBook partiram do levantamento de situações concretas em que o cidadão adulto encontra dificuldades para exercer a sua autonomia por não saber utilizar as tecnologias digitais. Estas propostas de atividades visam sobretudo constituir um estímulo e inspiração sobre o que pode ser feito com tecnologias digitais para promover uma cidadania efetiva de todos os cidadãos, e têm como principais destinatários formadores, animadores, técnicos de educação e técnicos da área social inseridos em contextos de formação formal e não formal que intervenham na mediação e concretização de ações dirigidas a públicos tipicamente mais afastados da “sociedade da informação”.

Destina-se nomeadamente a profissionais responsáveis pelas áreas culturais, educativas e de ação social de câmaras e juntas de freguesia, IPSS, associações culturais e recreativas, museus, universidades seniores, centros de dia, mas também a docentes e outros educadores.

 

Referência: E-book · LIDIA · Literacia Digital de Adultos. (2018). LIDIA · Literacia Digital de Adultos. Retrieved 14 January 2020, from http://aprendercomtecnologias.ie.ulisboa.pt/e-book/


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