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Fonte da imagem: https://www.cnedu.pt/content/Programa_DH_final.pdf

Movimentos, partidos políticos e governos discriminatórios, negacionistas e autoritários, inclusive eleitos democraticamente, manifestações e contramanifestações cívicas, feitas à margem das instituições democráticas, uso de redes sociais e algoritmos que propagam desinformação e manipulam indivíduos e nações, são uma realidade.

A necessidade de literacia da informação e media e de educação, tendo por referência a Declaração Universal dos Direitos Humanos 1 e demais tratados legais que a alargam e aprofundam (Convenção Europeia dos Direitos Humanos, Convenção sobre os Direitos Políticos das Mulheres, Convenção dos Direitos da Criança, Declaração dos Direitos do Deficiente Mental…) e a discussão de novos direitos e garantias (sustentabilidade do planeta, privacidade e esquecimento digital, água potável…) é fundamental.

Neste contexto, surge a recente publicação, feita por parte do Conselho Nacional de Educação, do seminário Os Direitos Humanos hoje: 70 anos da Declaração Universal 2, comemorativo dos aniversários 70.º da Declaração Universal e 40.º de adesão de Portugal à Convenção Europeia dos Direitos Humanos, ocorrido em 2018.

Segundo Vital Moreira, comissário das comemorações desta efeméride universal e nacional, Portugal foi um dos países pioneiros a incorporar o conteúdo da Declaração Universal na sua Constituição da República Portuguesa de 1976, que marca a entrada do país na Ordem Internacional dos Direitos Humanos. Este orgulho deve tornar as populações portuguesas “conscientes daquilo que falta realizar, da ideia, mais uma vez, de que nada é irreversível e que os Direitos Humanos se conquistam todos os dias, que não podem ser dados por adquiridos e que estas celebrações devem ser o momento para nos propormos conquistar aquilo que ainda falta”, por exemplo, em matéria de desigualdades sociais e discriminação, assédio e violência sexual e doméstica (p. 29).

Segundo Fernando Rosas, o que é inovador e moderno na Declaração Universal é a especificação detalhada dos direitos individuais e políticos - contra a prisão arbitrária, tortura, exílio forçado e escravatura, direito à presunção de inocência e a julgamento justo e imparcial e direito à circulação – e o alargamento destes aos direitos económicos e sociais – trabalho com direitos, salário igual/ trabalho igual, remuneração equitativa e justa, liberdade sindical, direito à segurança social, à saúde e assistência, à dignidade do nível de vida - e aos direitos à educação e cultura, considerados agora direitos humanos universais (p. 35).

Uma das formas de desconstruir preconceitos e influenciar - “alterar o olhar” - para os direitos humanos é através da arte, tal como faz Filipa Reis, produtora do filme Balada de um Batráquio 3, ouvindo as populações vulneráveis e representando-as, “tentando sempre complexificá-los e nunca os simplificar”, de modo a transmitir a verdade da sua condição, circunstâncias e luta (p. 42).

Um dos problemas que limita o desenvolvimento individual e social e que preocupa as bibliotecas escolares é a desinformação. Num contexto em que a humanidade regista o maior progresso no alcance de níveis de escolaridade e educação em massa e avançada, inclusive a nível tecnológico e digital, o direito à informação e ao conhecimento surge, paradoxalmente, em risco, inclusive em sociedades democráticas desenvolvidas. Paulo Guinote (pp. 66 segs.) identifica causas desta ameaça, por exemplo:

- A sobreinformação e Grandes Dados (Big Data)/ “dataísmo”4 que tem a função de impedir o acesso aos factos e verdade, desempenhando o papel que a censura tinha nas ditaduras do passado 5. As redes sociais multiplicam e fragmentam exponencialmente este processo de comunicação, gerando passividade e indiferença perante a distinção entre verdade e falsidade, que passa a ser eufemisticamente identificada como pós-verdade e notícias falsas - tudo é relativo e efémero, triunfa a fluidez 6. O trabalho de processar informação e dados nesta escala passa a ser confiado a algoritmos, cuja capacidade eletrónica excede o cérebro humano. Aqueles que têm a capacidade de definir os algoritmos, têm o poder de manipular no espírito humano a representação da realidade e de controlar o mundo;

- A sociedade de informação caminha alinhada a uma sociedade de consumo 7, do espetáculo 8 e cultura do entretenimento/ infoentretenimento (Infotainment).

Identifica consequências: a criação de cidadãos ignorantes e permeáveis ao medo, terreno fértil para o crescimento de líderes autoritários próprios do populismo antidemocrático, anticientífico e que percebe na diferença e no contraditório uma ameaça.

Por conseguinte, Guinote incentiva todos, em particular os professores, a praticarem uma ação de resistência à infantilização de mentalidades, cultivando na escola as hard skills, de que fazem parte as Humanidades (História, Filosofia…) e que permitem interrogar e compreender o contexto e propósito desta tendência, bem como a Memória e o rigor na seleção crítica de fontes, factos, fundamentação de juízos e comunicação.

Nesta comemoração, o Conselho Nacional de Educação reconhece o papel das bibliotecas escolares, representadas pelo Agrupamento de Escolas Ferreira de Castro, Sintra (pp. 96 segs.), cujo “Projeto Educativo estabelece como missão a educação inclusiva, intercultural e plurilinguística de todos os alunos, formando cidadãos autónomos, interventivos e conscientes dos seus deveres e direitos, privilegiando a criatividade, a adaptabilidade e a ousadia” (p. 98). Todas as atividades pressupõem os direitos humanos, apostando na “Equidade para permitir que todos tenham as mesmas oportunidades, dando a cada um o que necessita, tratando as diferenças de forma diferente para que consigam ser iguais” (p. 100).

Nas bibliotecas escolares os direitos humanos são abordados ao nível do currículo, de trabalhos interdisciplinares e na vida do dia-a-dia da escola, através do convívio e apoio a pessoas de diferentes origens, características e condições. Segundo o seu responsável, as bibliotecas escolares “têm um papel fulcral na organização de diversas atividades, em articulação com as diferentes disciplinas e turmas”, como por exemplo, atividades formativas sobre não violência, bullying, igualdade de género, Holocausto, desinformação, liberdade de imprensa, democracia e internet segura. As estratégias adotadas pelo Agrupamento e suas bibliotecas são muito diversificadas: debate de questões de direitos em Assembleia de Turma, alunos mais velhos orientam mais novos (apadrinhamento de alunos…), desenvolvimento de blogues e sítios na internet sobre direitos humanos e sustentabilidade do planeta, depoimentos de alunos feitos com base nas suas vivências e opiniões, debates, jogos, mostras de filmes solidários sobre diferentes temas com alunos de diferentes níveis de ensino, entre outras.

Das múltiplas formas e formatos em que se vivem e refletem os direitos humanos, a comunidade realiza o desígnio transcrito no n.º 2 do artigo 26.º da Declaração Universal: “A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e o reforço dos direitos do homem e das liberdades fundamentais e deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos, bem como o desenvolvimento das atividades das Nações Unidas para a manutenção da paz.”

 

Referências

1. Organização das Nações Unidas. (1948, 10 de dezembro). Declaração Universal dos Direitos Humanos. https://dre.pt/declaracao-universal-dos-direitos-humanos

2. Conselho Nacional de Educação. (2021, março). Os Direitos Humanos hoje: 70 anos da Declaração Universal https://www.cnedu.pt/pt/publicacoes/seminarios-e-coloquios/1644-os-direitos-humanos-hoje-70-anos-da-declaracao-universal

3. Teles, L. (Dir.); Reis, F. (Prod.). (2016). Balada de um Batráquio. https://vimeo.com/ondemand/baladadeumbatraquio

4. Harari, N. (2020). Homo Deus - História Breve do Amanhã. Porto Editora.

5. Virilio, P. (2007). State of Deception. Verso.

6. Bauman, Z. (2001). Modernidade líquida.

7. Baudrillard, J. (2008). Sociedade de Consumo. Edições 70.

8. Debord, G. (2021). Sociedade do Espetáculo. Antígona.

 

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Fonte: https://bit.ly/39eLyO3

A iniciativa Futuros da Educação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) está a gerar um debate global para moldar o futuro do conhecimento e aprendizagem, da sociedade e do planeta.

Este debate é fundamental porque os problemas atuais são de natureza complexa e global, obrigando a que trabalhemos em conjunto para encontrar soluções.

A UNESCO sugere que cada um na sua comunidade e, sobretudo nas escolas e universidades, se organize em grupo e promova a reflexão e transformação, a partir de uma série de quatro vídeos e questões:

 

Como pode a educação realmente contribuir para resolver a crise climática?1

A ação humana está a provocar a extinção em massa das espécies biológicas, a destruição das florestas e a poluição do ar, levando, pela primeira vez, cientistas a considerar que a vida da humanidade na Terra pode vir a tornar-se impossível. Devemos abandonar a escola e dirigir todos os esforços para ações de campanha que mobilizem os líderes mundiais e a população para a alteração dos sistemas de produção e consumo? Uma vez que se verifica que as pessoas com níveis mais elevados de educação são quem tem maior pegada ambiental, a resposta à crise climática não passará também pela mudança da própria escola através, por exemplo, de um sistema híbrido de aprendizagem?

 

O novo normal: o que precisa ser diferente em relação ao passado [pré-Covid]? 2

A Covid-19 tornou o ser humano consciente da sua vulnerabilidade, das desigualdades sociais e da necessidade de outras pessoas, inclusive profissionais cuja visibilidade e voz têm tido pouca expressão nas decisões coletivas. O que aprendemos com a crise pandémica? Que novas necessidades surgiram e quais são essenciais e devem manter-se? Que novo normal temos intenção de construir?

 

O que precisa ser aprendido na escola com professores e alunos? 3

Por motivos de conflito armado, desastres naturais e pandemias a escola pode fechar, devendo repensar-se as suas atividades através de sistemas remotos acessíveis a todos (internet, televisão, rádio), em que o papel da família e comunidade na aprendizagem é essencial. Que competências e conteúdos de aprendizagem devem ser reforçadas? Que agentes devem ser mais envolvidos na educação e na escola?

 

As nossas opiniões são mais moldadas pelo que aprendemos em linha do que pelo que aprendemos nas escolas? 4

Crenças, sentimentos e comportamentos são mais orientados por empresas privadas (Google, Facebook, YouTube, Instagram, Twitter) a que recorremos informalmente, do que por profissionais de educação e ensino que trabalham em contexto formal? Quais são as consequências para a escola e o currículo do peso crescente do informal?

Para a resposta a esta última questão e vídeo a UNESCO sugere a leitura de Tristan Harris, americano de 37 anos, especialista em ética da persuasão humana na Google (2013-2016), onde criou a apresentação, A Call to Minimize Distraction & Respect Users’ Attention/   Uma Chamada para Minimizar a Distração e Respeitar a Atenção do Utilizador 5, co-fundador e presidente do Center for Humane Technology/ Centro para a Tecnologia Humana 6, organização sem fins lucrativos criada em 2018 para gerar uma alternativa à tendência de manipulação e adição das grandes plataformas digitais. Harris é também co-apresentador do podcast sobre tecnologia Your Undivided Attention/ A sua Atenção Indivisível e a principal voz de  The Social Dilemma/ O Dilema das Redes Sociais, documentário baseado em testemunhos de ex-trabalhadores de topo destas empresas e que as bibliotecas podem usar para reforçar a reflexão, com as crianças e jovens, sobre os riscos de normalização de comportamentos aditivos em relação a tecnologias digitais, designadamente dispositivos móveis - o sítio dispõe de um guia 7 para promover, inclusive à distância, a discussão em grupo.

Para Tristan Harris a tecnologia digital não é um instrumento neutro que evolui ao acaso. A criação de tecnologia tem um conteúdo, a mente humana, que o seu fabricante, à semelhança de um mágico, conhece e explora as vulnerabilidades e limites para um interesse específico, a obtenção de lucro que consegue sempre que conquista a atenção do utilizador.  Para o efeito, usa técnicas que moldam as mentes e comportamentos, agarrando o utilizador aos produtos de publicidade e propaganda que empresas que as financiam vendem. Exemplos destas técnicas são o incentivo e exploração de: 

          1. Narcisismo do eu, alimentando a necessidade humana de aprovação social e não o confrontando com conhecimentos e opiniões diferentes (contraditório). Pode gerar infantilização e, no limite, um sistema de human downgrading/ degradação humana em grande escala que pode provocar um retrocesso civilizacional;

          2. Emoções sobre a razão, expressas por exemplo, em títulos de notícias que fomentam a desinformação, mais apelativos porque chocam ou são dissonantes da realidade. Segundo o MIT Computer Science & Artificial Intelligence Lab referido no documentário, “’Notícias falsas’ [oxímoro ou expressão enganosa que deve evitar-se] espalham-se seis vezes mais rápido do que notícias verdadeiras” e “De acordo com o Conselho Europeu de Investigação, um em cada quatro americanos visitou pelo menos um artigo noticioso falso durante a campanha presidencial de 2016” 8. A par da desinformação circulam teorias da conspiração, explicações alternativas da realidade e formam-se opiniões extremas (polarização) e discurso de ódio que apelam mais ao cérebro instintivo (límbico) do que ao bom senso ou reflexão lógica fundamentada (cérebro frontal), descredibilizando os media e instituições democráticas. Neste contexto compreende-se, por exemplo, o ataque ao Capitólio dos EUA, a 6 de janeiro;

          3. Síndrome de FOMO (fear of missing out/ medo de perder algo), distúrbio psicológico induzido por técnicas como a das notificações ou da transmissão automática, no fim de um conteúdo, do início do conteúdo seguinte ou de conteúdos que apelam ao “novo” ou “mais recente lançamento”, critério puramente comercial que nada indica sobre a qualidade de um conteúdo. O uso aditivo de equipamentos tende a provocar desconcentração, isolamento social, depressão e mesmo suicídio.

Formas mais subtis de suscitar a interação com o equipamento são likes, tags, emojis, reticências que aparecem quando alguém está a escrever e que preveem e interferem na ação humana, mantendo o utilizador ligado o máximo de tempo possível. Também o scroll em busca de algo que se possa vir a ganhar liberta dopamina (hormona do prazer), aproximando o utilizador do contexto das slotmachines em que o jogador acredita ganhar na próxima jogada;

          4. Obsessão com métricas – e.g. quantidade de cliques ou likes observados que supostamente medem a atenção dispensada ou preferência do utilizador – e que podem ser gerados por falsos utilizadores que alimentam e garantem a aparente eficácia do sistema.

 

Devemos, por isso, mudar os paradigmas:

          - De uso e ensino de tecnologia nas escolas porque, mais importante do que conhecer e usar novas ferramentas, é necessário perceber como a tecnologia funciona e está a moldar e a aprisionar a mente e perceção humana da realidade, degradando as suas decisões e relações sociais.

Uma das instituições parceiras do Center for Humane Technology é a Common Sense Education/ Educação para o Senso Comum que disponibiliza recursos (idiomas inglês e espanhol) que ajudam as escolas nesta missão 9.

          - De construção da tecnologia que deve devolver o controlo e bem-estar ao utilizador, incentivar a sua consciência e atenção plena e ser usada para o bem comum.

Neste contexto, Tristan Harris inicia o movimento Time Well Spent/ Tempo Bem Gasto que pretende transformar o design de software, de modo a que ele seja impedido de explorar as vulnerabilidades psicológicas do utilizador, contando inclusive com um “juramento de Hipócrates” no qual se compromete a tratar as pessoas com respeito.

Com base nesta tendência há empresas de software e dispositivos móveis que passaram a apresentar funcionalidades nesta área, embora não sejam suficientes e contradigam a maioria das opções disponíveis pelas mesmas empresas.

É assim que Harris desafia cada um a Take Control/ Tomar o Controlo 10 da própria vida através de sugestões, das quais damos exemplos:

          - Desligue notificações;

          - Nunca siga as Recomendações: Escolha sempre;

          - Controle o tempo de utilização, procurando outras fontes de informação e de prazer, desfrutando do mundo e das pessoas reais e desconecte totalmente um dia por semana;

          - Confirme a informação antes de a partilhar e interromper outra pessoa;

          - Fomente o espírito crítico e um certo ceticismo saudável;

          - Abandone sítios que promovem a indignação;

          - Siga vozes com as quais discorda;

          - Remova aplicações tóxicas: em vez de Facebook amigos, preferir Signal, em vez de TiKToK usar Marco Polo, em vez de Instagram, usar VSCO. Também podem ser úteis as seguintes ferramentas: Flux (sono), Moment (mudança de hábitos no ecrã), Pocket (leitura); Insight Timer (mindfulness).

No período de confinamento, devido à Covid-19, aumentou o uso e dependência das tecnologias digitais, pelo que urge refletir sobre as implicações desta tendência. A propósito, celebrou-se a 5 de março de 2021 o Dia Nacional da Desconexão11 que promove uma pausa de 24 horas na tecnologia “para desacelerar vidas num mundo cada vez mais agitado”. Esta é uma data que se comemora desde 2009 na primeira sexta-feira de março, mas pode ser lembrada regularmente na biblioteca. O sítio oficial contém inúmeras propostas de ação, mas ler um livro, não conversar sobre trabalho (w-talk), fazer pão ou praticar ioga podem ser possibilidades a ter em conta. Já agendou o seu próximo detox digital?

 

Referências

1. United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (UNESCO). (2020a). Debating the Futures of Education: How can education really contribute to solving the climate crisis? Paris (França): Autor. Disponível em: https://bit.ly/34E674m [acedido em 4 de março de 2021].

2. United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (UNESCO). (2020b). Debating the Futures of Education: The new normal. Paris (França): Autor. Disponível em: https://bit.ly/33zxf3V [acedido em 4 de março de 2021].

3. United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (UNESCO). (2020c). Debating the Futures of Education: What needs to be learned at school? Paris (França): Autor. Disponível em: https://bit.ly/2OFBKTD [acedido em 4 de março de 2021].

4. United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (UNESCO). (2020d). Debating the Futures of Education: Are our views more shaped by what we learn online than what we learn in schools? Paris (França): Autor. Disponível em: https://bit.ly/39eLyO3  [acedido em 4 de março de 2021].

5. Harris, T. (2013). A Call to Minimize Distraction & Respect Users’ Attention. EUA: Google. Disponível em: http://www.minimizedistraction.com/ [acedido em 4 de março de 2021].

6. Center for Humane Technology Foudation. (2018). Center for Humane Technology. EUA: Autor. Disponível em: https://www.humanetech.com/ [acedido em 4 de março de 2021].

7. Orlowski, J. (Dir.). (2020). The social dilemma. EUA: Netflix. 89’. Disponível em: https://www.humanetech.com/the-social-dilemma [acedido em 4 de março de 2021].

8. Gordon, R. (2019). Melhor verificação de fatos para notícias falsas. EUA: MIT Computer Science & Artificial Intelligence Lab. Disponível em: https://www.csail.mit.edu/news/better-fact-checking-fake-news [acedido em 4 de março de 2021].

9. Common Sense Education. (2003). Everything You Need to Teach Digital Citizenship. EUA: Autor. Disponível em: https://www.commonsense.org/education/digital-citizenship [acedido em 4 de março de 2021].

10. Center for Humane Technology Foudation. (2018). Center for Humane Technology: Take Control. EUA: Autor. Disponível em: https://www.humanetech.com/take-control [acedido em 4 de março de 2021].

11. Unplug Collaborative. (2020). National Day of Unplugging. EUA: Autor. Disponível em: https://www.nationaldayofunplugging.com/ [acedido em 4 de março de 2021].

 

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Durante o primeiro confinamento, no terceiro período de 2019/2020, as bibliotecas escolares nunca baixaram os braços e continuaram a apoiar as suas comunidades, com múltiplas ações e práticas várias, quer de sua iniciativa, quer em articulação com outros docentes e técnicos.

Em julho de 2020, a Rede de Bibliotecas Escolares reuniu algumas dessas práticas a distância e publicou-as na biblioteca escolar digital, na expetativa de que essa partilha possa ser inspiradora e ajude outras bibliotecas a pensar novas ações.

Por razões sobejamente conhecidas, o ensino voltou a ser não presencial e, mais uma vez, as bibliotecas mobilizaram todos os seus recursos para apoiar os seus públicos e manterem com eficácia o seu papel, agora com uma experiência acumulada que permite maior segurança e atrevimento.

Novamente é importante partilhar o que estamos a fazer, nesta lógica de rede, em que todos provocam todos e juntos se chega mais longe. Assim, o desafio que a RBE lança às bibliotecas escolares durante o mês de março consiste em mostrarem o que de extraordinário estão a fazer, neste período de ensino não presencial, com os alunos, os docentes, as famílias… e que poderá sugerir ideias e entusiasmar outras.

Trata-se de trabalho da iniciativa da biblioteca ou são propostas apresentadas em conjunto com outros docentes ou técnicos? É do âmbito da leitura, da informação e dos media, da cultura e das artes, da cidadania…? Aposta no bem-estar?

Enfim, de tal forma amplo é o leque de possibilidades de trabalho que certamente as partilhas excederão em muito o esperado.

Para fazer chegar as práticas das bibliotecas, que serão divulgadas nos canais de comunicação da RBE, e integrarão a biblioteca escolar digital, basta preencher o formulário que se encontra disponível aqui

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Fonte: https://www.rbe.mec.pt/np4/2673.html

Aproximando-se a data de comemoração do centenário do Prémio Nobel da Literatura, José Saramago (16 de novembro de 2022), lembramos, por ocasião do 72.º aniversário do Dia Mundial dos Direitos Humanos, o cidadão e escritor quando, no banquete do Prémio Nobel, proferido no 50.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos (10. 12. 1998), diz: 
 
“Neste meio século não parece que os governos tenham feito pelos direitos humanos tudo aquilo a que moralmente estavam obrigados. As injustiças multiplicam-se, as desigualdades agravam-se, a ignorância cresce, a miséria alastra. […]
 
Mas também não estão a cumprir o seu dever os cidadãos que somos. Pensamos que nenhuns direitos humanos poderão subsistir sem a simetria dos deveres que lhes correspondem […]. Tomemos então, nós, cidadãos comuns, a palavra. Com a mesma veemência com que reivindicamos direitos, reivindiquemos também o dever dos nossos deveres. Talvez o mundo possa tornar-se um pouco melhor.”
 
Inspirada neste discurso de José Saramago, a Carta Universal de Deveres e Obrigações dos Seres Humanos foi criada por uma equipa internacional de pessoas da cultura, de diferentes formações e ideologias, foi entregue oficialmente à Organização das Nações Unidas e está a ser discutida e divulgada por Pilar del Rio, presidente da Fundação José Saramago.
 
A Carta Universal de Deveres e Obrigações dos Seres Humanos mantém com a Declaração Universal dos Direitos Humanos (ONU, 1948) e os  Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ONU, 2015) que a impulsionam, um vínculo essencial, pois os deveres que ela consagra são simétricos dos direitos desta e são deveres do cidadão para consigo próprio, para com a comunidade e para com as gerações futuras. 
 
Para que cada cidadão se comprometa com as próprias ações e com as ações dos outros no quadro da atual sociedade e crise ambiental, é necessário que abandone a atitude de indiferença e passividade perante o que se passa à sua volta - espécie de “cegueira branca”, descrita por José Saramago em Ensaio sobre a Cegueira (1995) - e assuma uma responsabilidade, não apenas jurídica e individual, mas também ética e global (Preambulo da Carta Universal de Deveres e Obrigações dos Seres Humanos).
 
Esta revolução coperniciana que coloca o sofrimento humano e o desequilíbrio ambiental no centro dos compromissos de cada cidadão é a revolução da bondade e do cuidado e dela podemos esperar que o mundo cresça em liberdade e harmonia, de forma justa e equitativa.
 
Com o propósito de consciencializar para a importância de exercermos os nossos direitos tendo por base o bem comum, a Rede de Bibliotecas Escolares criou, com base na Carta Universal dos Deveres e Obrigações dos Seres Humanos, um conjunto de dez propostas de atividades, dirigidas a crianças e jovens, de todas as idades e níveis de educação e ensino, que geram o diálogo, o engajamento e a transformação de si próprios e da comunidade.
 
Artigo completo: O dever dos nossos deveres | DUDH e CUDOSH

2020-12-10 Semana dos Direitos Humanos e da luta c

Fonte: Imagem de OpenClipart-Vectors por Pixabay

As Bibliotecas Escolares do Agrupamento de Escolas D. Dinis, Leiria, no âmbito da sua missão e do projeto "Mais Vale Prevenir" (parceria da Rede de Bibliotecas Escolares com o Conselho de Prevenção da Corrupção), assinalam a Semana dos Direitos Humanos e da Luta Contra a Corrupção, de 9 a 11 de dezembro, uma ação colaborativa com a área de Cidadania e Desenvolvimento. O programa [https://cutt.ly/fhYZJxA], destinado a aos alunos do 1º ao 3º ciclos, é vasto, contando com a colaboração de várias parcerias internas (Serviços de Psicologia e Orientação Escolar, Clube de Fantoches, dinamizado por Encarregados de Educação, Equipa de Formação Interna) e externas (Conselho de Prevenção da Corrupção, Amnistia Internacional, DECO Jovem, no âmbito do projeto BrainIdeas, Biblioteca José Saramago, do Politécnico de Leiria, no âmbito do Plano de Ação da Rede de Bibliotecas de Leiria).
A equipa das Bibliotecas Escolares, em parceria com a área Cidadania e Desenvolvimento, criou um sítio online, Mais Vale Prevenir, onde se encontra toda a informação da iniciativa, nomeadamente um conjunto de significativos recursos pedagógicos, produzido pela equipa organizadora, para as atividades a desenvolver com os alunos. Estes recursos estão organizados por anos de escolaridade e abordam temas como: Bullying e Ciberbullying (5º ano), Ética e Luta Contra a Corrupção (6º ano), Propriedade Intelectual (7º ano), Desinfomação (8º ano) e Contrafação e Desenvolvimento Sustentável (9º ano).
O programa contempla também, no dia 9 de dezembro, a conferência Hora de Dizer Não, [https://cutt.ly/shYXdJJ] uma iniciativa do Conselho de Prevenção da Corrupção [http://www.cpc.tcontas.pt/], para assinalar o Dia Contra a Corrupção. Esta conferência destinada a professores, enquadra-se no projeto Mais Vale Prevenir, que o Agrupamento de Escolas D. Dinis integrou no corrente ano letivo.


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