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Foto de Max Fischer no Pexels

A intervenção na ação pedagógica do professor bibliotecário passa pela promoção das competências digitais dos alunos associadas à literacia da informação e dos media, à comunicação e colaboração, à criação e uso responsável de conteúdos e à resolução de problemas. Esta intervenção pode ser concretizada através de módulos de formação formal e/ou não formal, mas sobretudo através da criação de ambientes de aprendizagem, nos quais o professor bibliotecário, em situação de coensino com outros docentes, ou seja, em colaboração, e com recurso a metodologias ativas, envolve os alunos e contribui para a realização de aprendizagens significativas.

As metodologias ativas, isto é, aquelas em que os alunos são agentes ativos no processo de aprendizagem, permitem que os alunos acedam e processem a informação, retenham e usem o conhecimento, as capacidades, atitudes e valores através de experiências e da interação com os outros num contexto sociocultural alargado.

O professor (bibliotecário) pode utilizar as metodologias centradas no aluno, em ambientes presenciais mais tradicionais ou alternando-os com ambientes híbridos, servindo-se das potencialidades da tecnologia.

A utilização de métodos centrados no professor ou de métodos centrados no aluno depende, de acordo com Richard Arends (2009), dos objetivos que se pretendem atingir. A seguinte tabela apresenta de forma resumida os principais métodos de acordo com este autor.

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Apresentam-se resumidamente exemplos de práticas pedagógicas que são utilizadas em cada um dos métodos centrados no aluno:

 

  1. Aprendizagem cooperativa

No modelo STAD (Student Teams Achievement Division), os alunos, organizados em equipas heterogéneas, ajudam-se mutuamente sendo tutores uns dos outros (tutoria de pares).

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No modelo JIGSAW, a turma é organizada em grupos de origem constituídos por 4 elementos. Cada elemento do grupo de origem tem de estudar/trabalhar uma determinada secção do tópico, sendo um especialista nessa secção (as secções devem ser tantas quantos os elementos do grupo). Os especialistas de cada grupo de origem saem do grupo e juntam-se num novo grupo, o grupo de especialistas, onde discutem o que aprenderam, fazem perguntas, tiram dúvidas. Depois, regressam ao grupo de origem, e cada aluno explica a secção que lhe coube aos outros elementos do grupo de origem. Os restantes alunos ouvem e tiram notas. No final, o professor avalia todos os alunos sobre todas as seções.

No modelo de investigação em grupo, o grupo é responsável por planificar o que vai estudar e a forma como o vai fazer.

No modelo THINK-PAIR-SHARE, os alunos refletem sobre um assunto, discutem com o par o que pensam sobre esse assunto e depois partilham a sua opinião em grande grupo.

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Fonte: Apriani (2016)

  1. Aprendizagem baseada em problemas:

O papel do professor consiste em apresentar problemas autênticos, facilitar a investigação e apoiar os alunos. A aprendizagem baseada em problemas recorre a situações da vida real em que se evitam respostas simples e se convida os alunos a encontrar soluções diversificadas. Os alunos trabalham em pequenos grupos e definem os objetivos; desenham situações problemáticas autênticas, que sejam significativas e requeiram colaboração; organizam os recursos e planificam a investigação. Esta metodologia requer que o aluno utilize a biblioteca e recursos tecnológicos.

  1. Debate na sala de aula: 

A organização de um debate requer tanto ou mais esforço do que a preparação de uma outra situação de aprendizagem, na medida em que é o cuidado que o professor coloca na preparação do debate que permite a espontaneidade e a flexibilidade. O professor deve ter em conta os objetivos a atingir, o perfil dos alunos e o que já sabem sobre o tema, escolher um enfoque, escolher uma estratégia de questionamento e utilizar o espaço de forma adequada.

 

Outros modelos de aprendizagem

Existem outros modelos de aprendizagem, nomeadamente, quando nos referimos ao ensino híbrido: modelos sustentados, que mantêm uma maior relação com as salas de aula tradicionais; e modelos mais disruptivos, que funcionam sem depender da sala de aula como a conhecemos.

 

A questão das metodologias ativas continuará a ser abordada em outros artigos deste blogue. Para eventuais interessados em explorar mais informação sobre esta matéria, a RBE disponibiliza a revista Metodologias ativas, em Flipboard que permanece em atualização.

 

Referências

Arends, R. (2009). Learning to teach. 8th Editions.McGrawHill Higher Education.

Apriani, E. (2016). Using The Think-Pair-Share (TPS) Strategy to Enhance Students’ Reading Achievement of The Seventh Grade at MTsN Lumpatan.

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Photo by Med Badr Chemmaoui on Unsplash

A tecnologia é uma aliada a ter em conta na procura de novas soluções para uma aprendizagem mais personalizada e centrada no aluno. A análise dos dados de aprendizagem - learning analytics – pode contribuir de forma significativa para este desígnio, pois permite a monitorização da evolução das aprendizagens dos alunos e, consequentemente, a implementação de métodos de ensino inovadores (Comissão Europeia, 2013).

Mas o que é, afinal o learning analytics?

É a medição, recolha, análise e relatório de dados sobre os aprendentes e os seus contextos, com a finalidade de compreender e otimizar a aprendizagem e os ambientes em que esta ocorre (Lucas & Moreira, 2018). Isto é, os dados escolares constituem-se como evidências e devem ser utilizados para melhorar o ensino e a aprendizagem.

A utilização mais comum que se faz destes dados é a previsão do sucesso escolar do aluno, nomeadamente a identificação de alunos que estão em risco de reprovar. Contudo, os dados que as ferramentas de learning analytics facultam permitem recolher outras evidências com ganhos significativos para apoiar o ensino e a aprendizagem.

Para os alunos:

- obter feedback preciso, em tempo real e personalizado sobre as suas aprendizagens;

- refletir sobre o seu processo de aprendizagem – os sucessos e as dificuldades;

- desenvolver o pensamento crítico, a capacidade de comunicação e a criatividade.

Para os professores:

- promover processos de metacognição nos alunos, fomentando a autoavaliação e a autorreflexão;

- definir estratégias de acordo com as dificuldades encontradas, personalizando as respostas e adequando-as às necessidades específicas dos alunos;

- responder em tempo real às solicitações dos alunos;

- otimizar o tempo.

De realçar que, para além dos benefícios para os educadores e estudantes, também as instituições educativas podem tirar partido dos dados de que dispõem, uma vez que o processo de aprendizagem é visível. Desta forma, para além de possibilitar medir o impacto das mudanças em contexto de sala de aula, é possível fazê-lo em toda a escola, promovendo a inovação e o sucesso escolar, com base em evidências empíricas.

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De facto, as ferramentas digitais disponibilizam uma extensa quantidade de informações (dados) sobre cada estudante, turma, escola, gerando, normalmente, gráficos que podem ser facilmente utilizados, de acordo com os objetivos de análise – dificuldades de aprendizagem, taxa de realização das tarefas, grau consecução das metas definidas, entre outras.

Nos dados estatísticos de utilização das plataformas de LMS utilizadas pelas escolas (Teams, Google Classroom, Moodle, Edmodo, ...), ou nos dados de acesso e nas respostas/ interações dos alunos noutras plataformas utilizadas (Padlet, Wakelet, Kahoot, Socrative, Quizziz...) podemos encontrar informação como:

            - acessos à plataforma;

            - tempo gasto em cada tarefa;

            - interação dos alunos nas atividades colaborativas propostas;

            - conteúdos em que os alunos revelam maior facilidade/dificuldade;

            - recursos educativos com os quais interagem mais, ou menos;

            - participação nos fóruns.

As ferramentas de learning analytics geram e organizam estes dados que permitem fazer a análise do comportamento dos alunos e que apoiam a tomada de decisões, por parte dos educadores, de maneira individualizada, com vista à obtenção de um melhor desempenho.

Terminamos com uma citação do Centro Comum de Investigação da União Europeia, na sequência do relatório “Research Evidence on the Use of Learning Analytics - Implications for Education Policy”, a este propósito.

Learning analytics could be used to tackle big problems and European priority areas for education and training such as open and innovative education and training; learning outcomes that focus on employability, innovation, active citizenship and well-being; and recognition of skills and qualifications to facilitate learning and labour mobility” (Ferguson et al, 2016, p. 45).

 

Nota: para saber mais sobre esta temática, recomenda-se a consulta de: http://edutechwiki.unige.ch/en/Learning_analytics

 

 Referências 

- Comissão Europeia (2013). Opening up Education: Innovative teaching and learning for all through new Technologies and Open Educational Resources. Consultado em http://eur-lex.europa.eu/legal-content/EN/TXT/?uri=CELEX%3A52013DC0654

- Ferguson, R., Brasher, A., Clow, D., Cooper, A., Hillaire, G., Mittelmeier, J., Rienties, B., Ullmann, T., Vuorikari, R. (2016). Research Evidence on the Use of Learning Analytics - Implications for Education Policy. R. Vuorikari, J. Castaño Muñoz (Eds.). Joint Research Centre Science for Policy Report; EUR 28294 EN; doi:10.2791/955210.

- Lucas, M., & Moreira, A. (2018). DigCompEdu: quadro europeu de competência digital para educadores. Aveiro: UA.

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Imagem de Monsterkoi por Pixabay 

Todo o mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades, disse-nos o poeta Luís de Camões, na senda do pensamento de Heraclito, filósofo da antiguidade grega que chamou “devir” à constante mudança do mundo. Ao longo da nossa existência, passamos por mudanças. Inconscientes ou voluntárias. Intrínsecas, reguladas pela fisiologia que nos faz crescer e envelhecer. Exteriores como a que nos é imposta por uma pandemia que transformou radicalmente o modo como funcionamos em sociedade.

Do ponto de vista individual, vão-se clarificando os mecanismos mentais desencadeados pelas alterações da vida familiar (chegadas e crescimento, ruturas e perdas), contudo ainda estão por compreender as mudanças que o uso e exposição à tecnologia traz ao desenvolvimento do cérebro, nomeadamente em idades precoces.

De uma perspetiva coletiva, ouvimos dizer tantas vezes que as coisas não estão bem, a escola, a sociedade, … que é preciso mudar. Sim, é verdade; desde que não tenhamos que ser nós protagonistas dessa mudança, muito menos os seus agentes. Os que pedem a mudança são muitas vezes os que lhe resistem. Porque mudar é difícil, sugere uma falta de controlo e de previsão sobre a realidade que nos retira segurança e conforto.

E o que queremos mudar? A nossa vida, o meio que nos envolve, a nossa comunidade? Mudar é tantas coisas. Primeiro é preciso tomar a decisão. De mudar de alimentação, de hábitos, de forma de se relacionar, de atitude para com o planeta… De ir, de despedir-se, de (re)encontrar-se, consigo e com os outros. Mudar é recordar e é projetar o futuro. Envolve risco mas convoca o prazer de novos desafios.

A leitura mediada de livros álbum é uma oportunidade para criar um espaço/ tempo para pensar em conjunto e partilhar ideias, experiências e emoções. Sugere-se um conjunto de álbuns que abordam diferentes situações de mudança, forçada ou desejada. Podem ser utilizados individualmente ou como um conjunto que apresenta a temática sob diferentes perspetivas, fomentando o pensamento crítico e o debate entre pares. As suas características textuais e gráficas permitem abordar esta questão com alunos de diferentes faixas etárias.

 

O Coala Que Foi Capaz, de Rachel Bright e Jim Field, Editoral Presença

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«O Kevin é um coala que gosta de manter tudo na mesma, exatamente na mesma. Mas quando um dia a mudança surge sem ser convidada, o Kevin descobre que a vida pode estar cheia de novidades e ser maravilhosa! Dos criadores de O Leão Que Temos Cá Dentro, esta é uma história bem engraçada para quem acha que a mudança é um bocadinho preocupante.» (resenha da editora)

 

O Que Aconteceu à Minha Irmã?, de Simona Ciraolo, Orfeu Negro

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«Esta é a história ternurenta de uma menina que, muito intrigada com a irmã adolescente, tenta desvendar a todo o custo este grande mistério. Quem é esta nova irmã? Porque já não quer brincar aos mesmos jogos e anda aos segredinhos pela casa? Um livro sobre o crescimento e a mudança de atitude entre duas irmãs, repleto de humor e de irreverência.» (resenha da editora)

 

A Menina com os Olhos Ocupados, de André Carrilho, Bertrand

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«A menina com os olhos ocupados não vê a carrinha dos gelados, os cãezitos com que se cruza na rua, os amigos. Nem sequer vê girafas, golfinhos, piratas, discos-voadores e montanhas-russas. Até que um dia o telemóvel parte-se, ela levanta a cabeça e… descobre o mundo que tem estado à sua espera!» (resenha da editora)

 

O Que Vamos Construir, Oliver Jeffers, Orfeu Negro

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«Uma novidade do premiado ilustrador Oliver Jeffers para enternecer e maravilhar leitores de todas as idades. Os tempos podem ser incertos e até intimidantes, mas o futuro está por construir e de mãos dadas reunimos as ferramentas necessárias: amor, imaginação, coragem e um pouco de magia.» (resenha da editora)

 

Pistas para discussão:

Haverá mudanças boas e mudanças más?

Como podemos saber se é necessária uma mudança?

Como lidamos com a mudança?

É possível mudarmos a forma como pensamos?

Faz sentido tentar mudar o mundo?

Os nossos pontos de vista sobre a realidade mudam a realidade?

Uma criança pode mudar alguma coisa?

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Imagem de ar130405 por Pixabay 

 

Greg Landgraf | 1 março 2021

In American Libraries acedido em https://cutt.ly/9xbIanp

Como a pandemia tem limitado os serviços presenciais das bibliotecas este ano, muitas delas estão a contar mais do que nunca com os seus sítios web para prestarem os serviços de que as suas comunidades necessitam e esperam. Mas um sítio web só é útil se permitir aos utilizadores encontrar e fazer o que precisam. A importância crescente dos sítios de bibliotecas na Internet durante a era COVID-19 tem salientado deficiências comuns de usabilidade - e oportunidades.

"Tenho a sensação de que muitas pessoas pensam que a usabilidade vem depois da utilidade", diz Christina Manzo, bibliotecária estudiosa da experiência de utilizador na Universidade de Radford Carilion em Roanoke, Virgínia. "Penso que se tornaram uma e a mesma coisa". Há uma oferta aparentemente interminável de interfaces a competir pela nossa atenção, pelo que os utilizadores estão menos dispostos a suportar um sítio web que não funciona bem.

Manzo diz que a pandemia não mudou as necessidades dos utilizadores, mas amplificou-as. "A exaustão e a frustração estão a apoderar-se das pessoas hoje em dia, porque quase tudo - mesmo ir à mercearia - leva mais tempo e energia", acrescenta ela. Como resultado, os utilizadores podem ser menos pacientes se forem forçados, por exemplo, a refinar as buscas várias vezes a fim de encontrar a informação que procuram.

A pandemia também tem afetado a forma como os utilizadores procuram a informação, diz James Miller, bibliotecário ligado à descoberta e à ciência da Universidade de Hollins em Roanoke, Virgínia, que observa que os estudantes estão a procurar mais frequentemente ajuda online. Os acessos a uma página web que alberga os vídeos da biblioteca duplicaram no Outono passado, e a utilização de conversas em linha e de livros eletrónicos também aumentou. Entretanto, reparou que os downloads de artigos estão em baixa, possivelmente porque os investigadores, cansados, estão a procurar noutro lugar.

Maria Nuccilli, programadora web na Biblioteca da Universidade Estadual de Wayne em Detroit, relata o aumento da utilização do website em toda a linha. Na última semana do semestre de Outono de 2020, o LibGuides da biblioteca teve 6.300 visitas, contra 3.900 no mesmo período do ano anterior. "Mesmo agora que a biblioteca está parcialmente aberta, as pessoas continuam mais do que nunca a funcionar em linha", diz Nuccilli, o que demonstra a importância de interfaces eficazes. Ela observa também que a percentagem de utilizadores que acedem a sítios web através de dispositivos móveis aumentou, tornando o design reativo - que permite uma fácil visualização em ecrãs mais pequenos - mais importante do que nunca.

 

Acessibilidade e legibilidade

Um fator crítico no design da experiência do utilizador (EU) em sítios web é a acessibilidade para pessoas com deficiências visuais e outras limitações. Por exemplo, conteúdos em movimento, intermitentes ou a piscar podem apresentar obstáculos aos utilizadores com distúrbios de défice de atenção ou de processamento visual, enquanto o insuficiente contraste de cores entre o texto e o fundo pode tornar o conteúdo ilegível para utilizadores de baixa visão.

As Directrizes de Acessibilidade de Conteúdo da Web do World Wide Web Consortium são impressionantemente completas; muitas instituições sintetizaram-nas em diretivas fáceis de implementar e incluíram-nas nas suas próprias diretrizes de acessibilidade. Para começar, Jaci Wilkinson, responsável pela área de descoberta e experiência do utilizador nas Bibliotecas Bloomington da Universidade de Indiana, sugere obter uma demonstração de tecnologia de leitura de ecrã para ver em primeira mão como ela funciona com o seu website - ou pelo menos rever os tutoriais do YouTube para obter uma compreensão mais concreta das suas capacidades.

Nuccilli recomenda a utilização de extensões de browser que assinalem problemas de acessibilidade, como Axe ou Siteimprove. "Eles mostram frequentemente pequenas coisas que farão uma grande diferença", diz ela. Outras ferramentas, como a Verificação do Contraste de Cor, podem ajudar a avaliar se uma combinação de cores será legível por pessoas com deficiência de visão a cores ou que estejam a ler um site num ecrã a preto e branco.

Manzo, que realizou testes de usabilidade numa variedade de websites de bibliotecas, diz que "muitas entrevistas a utilizadores mencionam especificamente a linguagem" como um desafio EU. Alguns utilizadores acham termos como "pesquisa" vagos, por exemplo, enquanto os não-bibliotecários podem não estar familiarizados com termos como "empréstimo interbibliotecas".

Wilkinson diz que escrever especificamente para a web - onde as pessoas tendem a fazer o scan (uma leitura de varrimento) em vez de ler palavra a palavra - melhora a legibilidade de um site. E características como a informação carregada na interface inicial, listas de tópicos, e subtítulos claros ajudam os leitores a encontrar a informação que procuram, de acordo com um relatório do Grupo Nielsen Norman.

"Um princípio orientador é encontrar o utilizador onde ele está, quer seja para descobrir onde colocar um botão ou que tipo de terminologia utilizar", diz Nuccilli. "Não creio que exista um site de biblioteca perfeito, e não se pode fazê-lo uma vez e considerá-lo pronto indefinidamente". Isso significa que a constante incorporação de feedback do pessoal da biblioteca e dos utilizadores é fundamental para manter um sítio web com boa usabilidade.

 

Soluções de teste

"Quando tudo fechou em março, as nossas prioridades mudaram imediatamente, e precisávamos de fornecer informação aos utilizadores o mais rapidamente possível", recorda Nuccilli. Em circunstâncias normais, ela realizaria semanalmente testes breves e presenciais de usabilidade ao introduzir novos serviços. Durante a pandemia, no entanto, conta mais com o feedback de bibliotecários e dados do Google Analytics e Springshare (a plataforma digital por detrás de LibGuides e LibAnswers) para avaliar até que ponto os novos serviços estão a ir ao encontro das necessidades dos utilizadores.

"No tempo pré-pandemia, havia circulação e muitas microtransações no serviço de referência e em sessões de instrução que podiam conduzir a ideias para melhorar a usabilidade", diz Miller. Quem se ocupa da circulação de estudantes, por exemplo, poderia notar que os alunos estavam a ter problemas em entrar nas suas contas. "Essas interações não puderam acontecer este ano, por isso é mais difícil definir os problemas que os utilizadores estão a ter".

Para contrariar isto, o bibliotecário de proximidade e outros funcionários da biblioteca reuniram-se com grupos e clubes de estudantes através do Zoom para perguntar como utilizam a biblioteca e se encontram algum obstáculo. A biblioteca utilizou este feedback para dar prioridade à informação no sítio web. Quando um estudante mencionou que encontrar teses e dissertações era difícil, por exemplo, a biblioteca criou uma ajuda para isso.

"De certa forma, a pandemia tornou os testes mais fáceis porque os utilizadores não precisam de estar no edifício", diz Miller. "Há menos necessidade de preparação e os estudantes estão confortáveis em linha, porque têm feito isso nas suas aulas".

A utilização de múltiplos métodos para testar, misturando testes clássicos de usabilidade com métodos de guerrilha (onde os utilizadores são abordados em vez de recrutados) pode ser apropriada neste cenário. Miller aplicou e publicou investigação sobre uma abordagem baseada em métodos mistos aos testes de usabilidade, que combina técnicas para avaliar e melhorar a usabilidade (tais como grupos de foco, análise de analytics, prototipagem e testes de primeiro clique) em todas as fases de desenvolvimento de um sítio. Esta abordagem pode fornecer uma imagem mais completa das necessidades dos utilizadores e aumentar a resiliência face a eventos como a pandemia.

 

Fazer melhoramentos

Um primeiro passo importante: explorar perspetivas para além das suas próprias. "Como bibliotecário, você conhece o seu sistema e as suas limitações", diz Manzo. "Um novo utilizador não tem o benefício dessa perspetiva - eles apenas sabem se o website não está a devolver a informação de que necessitam".

A criação de um punhado de personas - descrições de pessoas fictícias que representam os principais grupos de utilizadores do seu sítio - pode ajudar os bibliotecários a manter múltiplas perspetivas em mente. As personas incluem geralmente um nome, cargo e responsabilidades, e características demográficas, bem como objetivos de utilização do sítio e do ambiente em que está a ser utilizado. "Estar consciente da informação que é mais útil para diferentes grupos pode realmente permitir aos bibliotecários satisfazer muitas necessidades dos utilizadores sem desperdício de informação", diz Manzo.

As personas devem ser apoiadas por dados de pesquisa e análise dos utilizadores. Uma vez criadas, não só moldam decisões sobre que informação satisfaz a mais vasta gama de necessidades, mas também identificam quaisquer lacunas de informação.

Os exercícios de categorização de cartões também podem ser uma prática útil para a organização de websites, diz Manzo. Os utilizadores escolhem cartões físicos com temas ou etiquetas de menu e organizam-nos em grupos que fazem sentido para eles. O avaliador pode definir categorias para os utilizadores ordenarem os cartões, ou deixar que os utilizadores criem as suas próprias. Em alguns casos, os utilizadores recebem também cartões em branco para incluir informação que desejam no sítio web, mas que não está representada nos cartões que lhes foram dados. Nuccilli ajudou a lançar várias iniciativas no Wayne State, incluindo uma nova versão do espaço de arquivo online para a Biblioteca Walter P. Reuther, que alberga os arquivos de trabalho do campus. "Estamos super gratos por já termos passado muito tempo a observar os utilizadores, porque isso nos deu uma estrutura sobre a qual nos podemos apoiar", diz Nuccilli. Devido ao foco especializado da biblioteca, fazê-lo exigiu um recrutamento cuidadoso de participantes e coordenação com o pessoal de referência da Reuther. "Mas foi valioso porque quando ficaram à distância", diz ela, "fomos capazes de proporcionar uma melhor experiência de investigação".

Uma técnica que será sempre útil: fazer perguntas continuamente. Como diz Manzo, "a boa notícia sobre a usabilidade é que a curiosidade não lhe custa nada".

 

Melhoramentos que não exigem grande sobrecarga de trabalho

Muitas destas abordagens exigem um grande investimento de tempo e energia e as medidas de segurança necessárias em caso de pandemia podem tornar algumas impossíveis, pelo menos por agora. Mas passos mais pequenos podem aumentar significativamente a usabilidade de um sítio. Algumas possibilidades incluem:

- Dê prioridade aos seus objetivos. "Mapeie como obterá o máximo impacto com a aplicação mais inteligente do esforço", diz Wilkinson.

- Avalie perguntas de chat, visualizações das FAQ e pesquisas de tendências. Miller diz que estas revelarão as necessidades de informação do utilizador que devem receber mais destaque no website.

- Comunique regularmente com o pessoal da biblioteca que trabalha diretamente com os utilizadores. "Muitas ideias vêm de colegas e das questões que surgem quando as pessoas trabalham no balcão de referência", diz Wilkinson.

- Torne mais fácil para os utilizadores obter ajuda. "Quando eu estava a trabalhar numa pequena biblioteca, todas as nossas páginas de erro tinham o meu endereço de correio eletrónico", diz Manzo. Embora isso possa não ser apropriado para todas as bibliotecas, um fórum ou uma caixa de reclamações em destaque pode ser uma alternativa eficaz.

- Aplique a tecnologia de forma criativa. "Fizemos uma sala de estudo virtual em Zoom com dois bibliotecários e os nossos estudantes ", diz Miller. O corpo docente também foi rodando ao longo do dia para responder a perguntas.

- Utilize os recursos de novas formas. Wayne State utiliza o LibAnswers para as suas FAQ e os bibliotecários referenciam-no frequentemente quando ajudam os estudantes. "Percebemos que, em vez de colocar informação COVID no nosso sítio web de forma estática, poderíamos usar a nossa conta LibAnswers para umas FAQ COVID, tornando-as visíveis quando precisamos delas e escondendo-as quando não precisamos", diz Nuccilli.

 

GREG LANDGRAF é coordenador de comunicação e marketing nas Bibliotecas da Universidade de Georgetown em Washington, D.C., e um colaborador regular de American Libraries.

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Photo by Stanislav Ferrao on Unsplash

Num tempo em que o mundo inteiro se encontra numa situação que levou a que se coloquem em causa modos de vida considerados como adquiridos, há palavras que ganharam novo protagonismo. Mudança, transformação, transição… Todos as sentimos como inevitáveis e a educação é um domínio que, embora já há muito necessitado de mudar, tem agora inexoravelmente de abraçar a mudança, para, como diz Nigel Coutts, no seu post de 7 de fevereiro, preparar os alunos para o mundo que vão herdar. Mas mudar, implica interiorizar as mudanças na cultura do sistema.

Convidamos-vos à leitura das reflexões de Nigel Coutts [1] sobre este assunto, que, com a sua autorização, traduzimos.

A mudança nunca é fácil. Diz-se frequentemente que embora todos desejem a mudança, poucas pessoas estão dispostas a mudar. Não deve ser demasiado surpreendente que as mudanças mais significativas dentro das grandes organizações falhem. Então, porque é que tantas grandes ideias não conseguem sobreviver? Será que a própria ideia não reunia os requisitos necessários à sobrevivência, ou será algo mais? Tem algo a ver com a cultura da organização e, em caso afirmativo, como poderá uma compreensão mais profunda dos fatores culturais em jogo apoiar ou influenciar os resultados?

As organizações educativas são fortemente moldadas pela sua cultura, concentrando-se na oferta de serviços humanos prestados por professores que se identificam profundamente com a sua própria conceção do que significa ser professor. Emoção e cultura estão ligadas, e a mudança de cultura suscita frequentemente uma resposta emocional.
"O sentido de identidade de uma pessoa é em parte determinado pelos seus valores, que podem coincidir ou colidir com valores organizacionais" (Smollan & Sayers 2009 p.439) [2]. Smollan & Sayers constataram que quando a mudança cultural é procurada numa escola, e não é vista como compatível com os valores de cada um, ou põe e causa esses valores, são comuns respostas emocionais tais como medo, raiva ou tristeza. Isto é observado em mudanças que resultam no questionamento do profissionalismo e autonomia dos professores, incluindo alterações ao currículo e à pedagogia. Esta ligação entre identidade e cultura e as subsequentes dependências emocionais exigem uma gestão muitíssimo cuidadosa e a consciência dos fatores humanos envolvidos na mudança.

Em termos práticos, qualquer esforço de mudança que não considere a cultura em que essa mudança é introduzida, tem poucas probabilidades de ser bem-sucedido. O pior cenário possível é aquele em que o esforço de mudança encontra tal resistência que nunca é verdadeiramente implementado. Contudo, em muitos casos, o esforço de mudança não produz o tipo de resultados inicialmente imaginados, apesar dos esforços de todos os envolvidos para abraçar a mudança. Embora sejam adotados novos comportamentos, algo corre mal e nem sempre a culpa é imputável à nova ideia em si.

Consideremos uma escola que está a adotar um enfoque no pensamento crítico do aluno. São identificadas e aprovadas uma série de ações e estratégias de ensino a serem implementados pelos professores. Estas podem ser facilmente ensinadas, aprendidas e monitorizadas. Quando apresentados aos professores através de oportunidades de acompanhamento e formação profissional contínua, é razoável esperar que os novos métodos sejam adquiridos e, no entanto, as coisas ainda podem correr mal. De alguma forma, os alunos ainda são descritos como pensadores relutantes que, em vez disso, se concentram, em recitar respostas. O que correu mal? Porque é que os estudantes não estão a abraçar estas novas formas de pensar?

O problema situa-se provavelmente ao nível da cultura.

Os alunos têm a sua conceção do que é a escola. Aprendem isto desde muito cedo e as mensagens que recebem diariamente reforçam as suas crenças. Num determinado momento, o professor pode falar de modos de pensar, mas para os alunos esta é mais uma retórica a par de todas as outras mensagens que recebem.

Respostas corretas no teste correspondem a boas notas na avaliação. As respostas rápidas aos questionários na sala de aula são recompensadas. Os bons alunos respondem a mais perguntas do que as que fazem. Aprender é memorizar os factos. Regras de trabalho claras. As aulas das disciplinas mais valorizadas ocorrem de manhã. 'Inteligente' significa saber responder a mais perguntas em disciplinas como matemática e inglês. Os alunos sabem que, embora pensar seja agradável, há outras coisas mais importantes.

Não é que o foco no pensamento crítico não tenha sido uma boa ideia ou mesmo que os métodos utilizados tenham sido inadequados. O esforço de mudança falhou porque, na melhor das hipóteses, foi apenas superficial. Não abordou suficientemente a questão da cultura. Se queremos realmente concentrar-nos no pensamento crítico, então precisamos de olhar atentamente para a forma como ele é abordado em cada mensagem que enviamos. Se há ações que contrariam o nosso foco no pensamento, então temos de ponderar como isto pode ser mudado. Ao fazermos isto, incorporamos o pensamento crítico na cultura da escola.

A construção de uma cultura do pensamento é desenvolvida de forma sólida através do trabalho de Ron Ritchhart e do Project Zero através do seu trabalho na Criação de Culturas de Pensamento. As oito forças culturais oferecem tanto uma Lente como uma Alavanca para aqueles que procuram avaliar e mudar a sua cultura para uma outra que valorize o pensamento. Mas o pensamento crítico não é a única mudança dentro das escolas que exige um tratamento aprofundado. Considere-se como a aprendizagem baseada na investigação pode ser implementada se não abordar os aspetos culturais da investigação. A menos que exista dentro da escola uma cultura que valorize a investigação como um modo de aprendizagem, esse nunca será considerado um bom processo para responder a uma questão de investigação. A representação dos alunos é outro exemplo claro de um conceito que só pode produzir mudanças insignificantes nas escolas, porque nunca vai além de uma abordagem básica. Quando a representação dos alunos é genuinamente abraçada, as suas impressões digitais devem ser evidentes na cultura da escola. Deve ser considerado antinatural (e não uma simpatia ocasional) não incluir a voz dos alunos em qualquer decisão que tenha impacto nos estudantes.

As práticas de avaliação são outro caso em que a cultura tem um impacto significativo no efeito que uma iniciativa de mudança pode ou não ter. Leia o trabalho de Dylan Wiliam, perito em avaliação altamente respeitado, e verá que o impacto mais significativo ocorre quando as escolas abraçam abordagens de avaliação para a aprendizagem ou avaliação formativa. Duas citações de Wiliam esclarecem os conceitos-chave subjacentes a uma abordagem de avaliação formativa:

É formativa apenas se a informação for utilizada pelo aprendente para fazer melhorias que efetivamente levem a sua própria aprendizagem para a frente. É por isso que para ser formativa, a avaliação deve incluir uma receita para ações futuras. - Dylan Wiliam

Se o que está a fazer sob o título de avaliação para a aprendizagem ou avaliação formativa envolver a colocação de qualquer coisa numa folha de cálculo, ou a utilização de uma caneta que não seja para fazer comentários num caderno de um aluno, então não está a fazer a avaliação para a aprendizagem que faz a diferença'. - Dylan Wiliam

Aprofundando mais a definição de avaliação formativa, Wiliam partilha "A prática numa sala de aula é formativa na medida em que as evidências sobre os resultados dos alunos são recolhidas, interpretadas e utilizadas por professores, alunos, ou seus pares, para tomar decisões sobre os próximos passos no ensino que provavelmente serão melhores, ou mais bem fundamentadas, do que as decisões que teriam tomado sem evidências que foram recolhidas". Isto aponta-nos claramente para práticas que permitem a todos os envolvidos na aprendizagem compreender onde o aprendente está na sua aprendizagem, o que poderá fazer a seguir e o que outros (professores, pais, etc.) poderão fazer para ajudar.

Este processo não é suportado por uma classificação ou uma nota. Ambas falham em esclarecer as especificidades do que foi alcançado ou do que pode resultar em crescimento.

De facto, o problema com as notas ou classificações é maior do que possamos imaginar. Ruth Butler investigou o impacto das notas na motivação intrínseca, e as suas conclusões são significativas. Os alunos que receberam feedback apenas com comentários, retiraram o máximo proveito do feedback fornecido. Quando os estudantes receberam apenas notas, ou mesmo notas e um comentário, o efeito foi um enfraquecimento do seu interesse e desempenho. O esforço feito pelo professor para complementar a nota com um comentário significativo que pudesse orientar o aluno na sua aprendizagem foi desfeito pela atribuição dessa nota.

O desafio que muitas escolas enfrentam quando implementam a avaliação formativa decorre mais claramente da cultura e das crenças que a cultivam. Os professores acreditam que uma parte do seu trabalho é fornecer aos alunos uma nota, mesmo em situações em que o sistema não o exige. Os professores também acreditam que precisam de manter uma caderneta para as notas.

Os pais contribuem para isso, insistindo nas notas e a crença de que boas notas são um indicador satisfatório de aprendizagem é generalizada. Por imersão nesta cultura, os alunos aprendem que o sucesso na escola é demonstrado pelas boas notas. Emily Mitchum, uma estudante que reflete sobre a sua aprendizagem e a cultura que viveu publicou um artigo de opinião na Pittsburgh Post-Gazette onde escreveu,

Este sistema...fez com que a minha geração desenvolvesse uma obsessão pouco saudável por notas em vez de aprender, na minha opinião. A dura realidade é que não estamos realmente a aprender tanto quanto podíamos. Estudamos porque temos testes e no dia seguinte ao teste esquecemo-nos de toda a informação que estudámos.

O nosso enfoque persistente nas notas está a moldar a perceção dos nossos alunos sobre o que é a aprendizagem e a convencê-los de que imaginar não é positivo. Quando avaliamos a eficácia do nosso esforço para implementar uma avaliação formativa, devemos considerar o impacto que este enfoque cultural tem nas notas. Alterar as nossas práticas de avaliação sem abordar o preconceito cultural tem poucas probabilidades de ser um sucesso.

O padrão mantém-se para muitos aspetos da mudança. A adoção de novas práticas é relativamente fácil. Alterar a cultura de modo a que a mudança se torne uma rotina de funcionamento da organização é um desafio. Quando chega o momento de avaliar uma mudança, o elemento cultural tem de ser considerado.

Demasiadas boas ideias foram descartadas, não porque a ideia tivesse falhas, mas porque não se enquadrava na cultura da organização em que foi introduzida. Este ponto pode revelar-se crucial em tempos de mudança rápida em que novos desafios são lançados à educação. Embora possamos reconhecer a necessidade de mudanças na forma como os jovens estão preparados para o mundo que herdarão, será que a cultura dos sistemas educativos terá capacidade de se ajustar a tempo?

 

Referências

[1] Coutts, Nigel. Why didn't that work? Maybe it’s culture?. The Learner’s Way, 23/11/2020. Acedido em 09/03/2021 em https://thelearnersway.net/ideas/2021/2/7/why-didnt-that-work-maybe-it-s-culture

[2] Smollan, R & Sayers, J. (2009) Organizational Culture, Change and Emotions: A Qualitative Study, Journal of Change Management, 9:4, 435-457


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