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Fonte da imagem: https://crispasuper.files.wordpress.com/2012/06/roteiro2.pdf

A biblioteca escolar é uma instituição de memória que promove o acesso, preservação e divulgação do património cultural e arte, criando oportunidades, através da educação, das pessoas vivenciarem, dialogarem e unirem-se por este meio.

Para a Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA), que trabalha com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) para garantir o seu acesso universal, conhecimento e preservação, a herança cultural 1 é uma prioridade para o desenvolvimento presente e futuro das pessoas e comunidades: “Uma comunidade prospera por meio da sua herança cultural e morre quando ela deixa de existir”.

Quando se fala em arte, cultura ou património, que imagens ocorrem?
 
A. Infraestruturas – museus, centros de arte, monumentos – de acesso reservado, compostas por obras criadas por pessoas de excecional talento, os artistas?
B. Espaços cujo perímetro coincide com a “zona velha”, histórica de um território?
C. Algo que só interessa a uma elite, conjunto restrito de especialistas?
D. A sua salvaguarda e desenvolvimento deve ser garantida pelo governo ou por todos os cidadãos?
 
Abordagem educativa às artes: qual é o propósito e público-alvo?
 
E. “Serve só para ensinar a apreciar ou deve ser também um meio para melhorar a aprendizagem de outras matérias?”
F. “A arte deve ser ensinada como disciplina virada para si própria ou virada para o conjunto de conhecimentos, capacidades e valores que pode transmitir (ou ambas as coisas)?”
G. “Destina-se a um núcleo restrito de alunos talentosos em disciplinas selecionadas ou é para todos?”
UNESCO. (2006). Roteiro para a Educação Artística, p. 4.

 

De acordo com o Roteiro para a Educação Artística 2, elaborado na sequência da I Conferência Mundial de Educação Artística, organização conjunta da Comissão Nacional da UNESCO e do Governo de Portugal (2006, Lisboa), a educação artística e cultural proporciona o “desenvolvimento completo e harmonioso” das crianças e jovens (p. 5), ultrapassando os limites do modelo verbal, racional e lógico-matemático de educação.

Pode “contribuir de modo significativo para a melhoria do desempenho dos estudantes em domínios como a alfabetização e a aprendizagem do cálculo, além de produzir benefícios humanos e sociais” (p. 22) ao transmitir valores, atitudes, conhecimentos e competências que promovem o desenvolvimento sustentável, a diversidade cultural, a emancipação individual através da educação e formação, a participação – arte e cultura são formas de exercício da liberdade de expressão e envolvimento na vida pública, a exploração e afirmação de “perspetivas únicas”, de identidade (p. 6) e de sentido para a vida, a coesão social.

A aprendizagem através das artes e cultura beneficia o desenvolvimento emocional, a saúde mental e o bem-estar, ajudando a curar tempos de crise. Arte e cultura foram o mais eficaz antídoto ao confinamento e perda de liberdades imposto pela pandemia Covid-19. Diz o escritor Dany Laferrière, “Depois do sismo do Haiti [de 2010], muitos pintores, músicos e poetas emergiram. Transformamos o desastre em flores e oferecemo-las ao mundo”. A música We Are The World 25 For Haiti 3 é uma dessas manifestações.

A aprendizagem através da arte e cultura ajuda à aprendizagem em outras áreas curriculares e melhora a motivação para aprender, o aproveitamento escolar e o absentismo em geral.

Desafios sociais, como a desigualdade de género, descriminação, crime e violência, passividade e indiferença social e política, também podem ser mitigados através de investimento nesta área.

 

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UNESCO. Indicadores Temáticos de Cultura na Agenda 2030 4

A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável 5 é o primeiro documento a considerar que arte e cultura são facilitadoras e aceleradoras do desenvolvimento sustentável. A maioria dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) - educação, saúde, igualdade de género, redução das desigualdades, sustentabilidade ambiental, sociedades pacíficas e inclusivas, cidades sustentáveis, trabalho digno e crescimento económico, segurança alimentar - reconhecem que arte e cultura contribuem para a mudança. Para além de estarem presentes, de forma transversal, nos outros setores, arte e cultura contribuem para o desenvolvimento como uma atividade que, por si mesma, gera valor económico, social e ambiental. Na Agenda 2030 arte e cultura são descritas de forma ampla, incluindo património cultural, indústrias criativas, cultura e produtos locais, criatividade e inovação, materiais locais e diversidade cultural.

De acordo Bibliotecas, Desenvolvimento e Agenda 2030 6 da IFLA, “As bibliotecas são instituições essenciais para atingir as 17 Metas/ ODS ” e “parceiras importantes dos governos”, pois têm por missão fazer cumprir o acesso universal a uma educação e aprendizagem de qualidade ao longo da vida (ODS 4) e “a inclusão no acesso à informação, salvaguarda do patrimônio cultural, alfabetização universal e acesso às tecnologias de informação e comunicação”. De acordo com a Agenda 2030, o acesso à informação, "Meta 16.10: Garantir o acesso do público à informação e proteger as liberdades fundamentais, de acordo com a legislação nacional e acordos internacionais", à cultura (meta 11.4) e às tecnologias digitais (metas 5b, 9c, 17.8) são essenciais para desenvolver a criatividade, alcançar os ODS e a “participação cultural e criativa inclusiva”.

Uma abordagem das artes e cultura ligada ao currículo é, para a RBE, uma prioridade e, por isso, em 2021 apoia a celebração de duas efemérides que visam o desenvolvimento sustentável através desta expressão e herança.

O Ano Internacional da Economia Criativa para o Desenvolvimento Sustentável 7 (#Creative Economy2021) declarado na 74.ª sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas. De acordo com a resolução da ONU 8 esta efeméride deve aumentar a consciencialização do papel das indústrias criativas para a recuperação e alcance dos ODS. Durante a pandemia a economia criativa tem florescido em ambiente digital, gerando crescimento económico e oportunidades de participação inclusiva e defesa dos direitos humanos. A IFLA promove a participação cultural das bibliotecas nesta comemoração 9 pois a criatividade humana, expressa através da arte e cultura, gera inovação e soluções para os desafios atuais e reforça as “nossas identidades, valores e visão do mundo” e é importante refletir sobre formas de apoiar as plataformas digitais criativas e enfrentar as “desigualdades na participação cultural”.

Este Ano Internacional é lançado pelos responsáveis da Convenção 2005 de Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais 10, da qual Portugal é signatário. A IFLA desafia as bibliotecas a refletir sobre as formas de proteger e promover diversas expressões culturais e a participação de todos na economia criativa.

A Semana Internacional da Educação Artística 11 promovida pela UNESCO todos os anos na quarta semana de maio e que em 2021 se realiza entre 24 e 30 de maio. Esta celebração foi uma decisão da sua 36.ª Conferência Geral de 2011, baseada nos argumentos que se podem ler na sua página principal:

“Hoje, as habilidades, valores e comportamentos promovidos pela educação artística são mais importantes do que nunca. Essas competências - criatividade, colaboração e solução imaginativa de problemas - desenvolvem resiliência, estimulam a apreciação da diversidade cultural e da liberdade de expressão e cultivam a inovação e as habilidades de pensamento crítico. Como um vetor de diálogo no sentido mais elevado, a arte acelera a inclusão social e a tolerância em nossas sociedades multiculturais e conectadas.”

 

Referências

1. Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias. (s.d.). Herança cultural – O trabalho da IFLA na preservação do património cultural. IFLA. https://www.ifla.org/cultural-heritage

2. Comissão Nacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. (2006). Roteiro para a Educação Artística – Desenvolver as capacidades criativas para o século XXI. UNESCO. https://crispasuper.files.wordpress.com/2012/06/roteiro2.pdf

3. Jones, Q., Richie, L. (prod.). (2010, February 1). We Are The World 25 For Haiti. A&M Recording Studios. https://www.youtube.com/watch?v=Glny4jSciVI

4. Centro del Patrimonio Mundial de la UNESCO. (2020, 12 junio). Portal de la Cultura: Indicadores Temáticos para la Cultura en la Agenda 2030. UNESCO. http://www.lacult.unesco.org/noticias/showitem.php?lg=1&id=5805

5. Centro Regional de Informação das Nações Unidas. (2021). Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – 17 Objetivos para Transformar o Nosso Mundo. UNRIC. https://unric.org/pt/objetivos-de-desenvolvimento-sustentavel/

6. Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias. (2020, 10 de março). Bibliotecas, Desenvolvimento e Agenda 2030 das Nações Unidas. IFLA. https://www.ifla.org/libraries-development

7. Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento. (s.d.). Ano Internacional da Economia Criativa para o Desenvolvimento Sustentável, 2021. UNCTAD. https://unctad.org/topic/trade-analysis/creative-economy-programme/2021-year-of-the-creative-economy

8. General Assembly of United Nations. (2019, 8 November). International Year of Creative Economy for Sustainable Development, 2021. ONU. https://undocs.org/A/C.2/74/L.16/Rev.1

9. Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias. (2021, 1 de fevereiro). Bibliotecas abrindo portas para a participação cultural no Ano Internacional da Economia Criativa para o Desenvolvimento Sustentável. IFLA. https://www.ifla.org/node/93604

10. Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. (s.d.). Convenção para a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais de 2005. UNESCO. https://en.unesco.org/creativity/convention/texts

11. Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. (s.d.). Semana Internacional da Educação Artística. UNESCO. https://en.unesco.org/commemorations/artseducationweek

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“Para quem nunca concorreu a este concurso, eu queria dizer que a cultura clássica não é ‘uma seca’; ela ajuda-nos a perceber muitas coisas da nossa própria cultura!”

Estas são as palavras do Rodrigo, um dos alunos premiados nas Olimpíadas da Cultura Clássica do ano letivo passado, registadas no testemunho que gravou para o vídeo de Celebração 2019-20 / Lançamento 2020-21.

Vale a pena revisitar este vídeo para ouvir a voz dos alunos: a sua experiência sobre a descoberta dos mitos gregos que são o mote, em cada ano, para ficar a conhecer um pouco da Antiguidade Clássica. Na sua autenticidade, esta frase toca no ponto essencial: a cultura clássica permite-nos conhecer a nossa!

Por outras palavras, no mesmo vídeo, o Secretário de Estado Adjunto e da Educação, Prof. Doutor João Costa, lembra: “se chegámos ao nível civilizacional e de conhecimento que temos, isso deve-se a o facto de termos tido saberes, construções e idealizações desde a antiguidade clássica que nos levam a ser o que somos hoje”.
É um facto! Muitas das estruturas de pensamento, das formas de arte, dos modelos de organização da sociedade que temos hoje, vão beber ao caminho desbravado pelos Clássicos.

Mas não só: os próprios heróis e personagens fantásticos, fruto da imaginação dos Antigos, estão vivos nas histórias, nos filmes, nos livros que marcam, hoje, o imaginário de crianças e adolescentes! Basta pensar em Cérbero, o monstruoso cão de três cabeças que guardava o mundo dos mortos na mitologia grega, que nos reaparece, com todos os atributos, no cão de três cabeças que Harry Potter e os seus amigos enfrentam na narrativa de J. K. Rowling.

São estas razões e motivação suficientes para que as Olimpíadas da Cultura Clássica tenham tido, mais uma vez, a adesão de escolas de norte a sul do país, neste ano tão difícil que vivemos.

Toda a informação está disponível na página do portal RBE. O calendário dos desafios escritos foi obrigado a sofrer uma atualização: mantêm-se as datas para os escalões A e B (respetivamente 13 e 14 de abril), mas a prova do escalão C, do ensino secundário, foi adiada para o dia 22 de abril, uma vez que os alunos só regressam às escolas a 19.

Quanto aos desafios de artes/ multimédia, já estão disponíveis os formulários para a sua submissão: Para as escolas pertencentes à RBE: no Sistema de Informação; para todas as outras: aqui. Ambos ficam abertos para submissão de trabalhos até 5 de maio.

Espera-se que os trabalhos dos alunos, neste ano letivo, constituam fonte de inspiração para que as escolas que ainda não experimentaram concorrer às Olimpíadas da Cultura Clássica, se inscrevam na próxima edição, de 2021-22!

Visita Guiada | rtp

visita guiada ao património português

02.04.20

Um programa com autoria e apresentação de Paula Moura Pinheiro que faz uma visita guiada ao património cultural português

O Visita Guiada é um programa de rádio e televisão sobre peças da história da arte e da cultura portuguesas.

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Em cada emissão, o programa elege uma peça-protagonista selecionada num arco temporal de cerca de mil anos e considerando todo o território nacional. Pode ser um pequeno cálice ou uma catedral, um conjunto de esculturas, uma pintura, um jardim botânico ou um complexo de arquitetura industrial. O que conta é a excecionalidade da peça e o que ela nos conta sobre o tempo histórico que a produziu.


Para cada uma das emissões conta-se com um especialista, na maioria dos casos historiador.

Produzido pela RTP 2 para televisão e pela Antena 1 para rádio, o programa começou a ser emitido semanalmente em março de 2014.

Fonte. Procure aqui mais episódios.

2019 em revista - Cultura: festas, mortes, prémios e... a alteração climática

 

2019 em revista - O estado da luta contra as alterações climáticas | The Associated Press

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2019 em revista - Nem só de filmes se fez o cinema

 

2019 em revista - Acontecimentos internacionais que marcaram o ano

 

Conteúdos relacionados:

 

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El libro

El año pasado un grupo de investigadores recibimos la propuesta de colaborar en un libro sobre las nuevas prácticas de lectura y escritura para el Centro Nacional de Innovación e Investigación Educativa (Ministerio de Educación y Formación Profesional de España). José Antonio Cordón-García, Daniel Escandell Montiel (ambos de la Universidad de Salamanca) y yo en representación de la Universitat Pompeu Fabra – Barcelona coordinamos las secciones que integran este volumen volumen. Si la sección de Cordón-García se focalizó en las nuevas formas de lectura, y la de Escandell Montiel en la creación y enseñanza de la escritura digital, en mi sección nos orientamos hacia la creación de textos en el contexto de las culturas colaborativas juveniles. En total participamos en este volumen 16 autores, entre ellos José M. Tomasena, María J. Establés, Mar Guerrero, María J. Masanet y Julio C. Mateus de la UPF. El resultado es un volumen de 156 páginas titulado Lectoescritura Digital que puede ser descargado de forma libre y gratuita.

El libro se enriquece con una serie de entrevistas a reconocidos investigadores en los temas que se abordan en sus páginas -como Joaquín Rodríguez, Joan Ferrésy María Pizarro-. En mi caso, tuve el enorme privilegio de entrevistar a Néstor García Canclini, autor de estudios fundamentales para los que investigamos las transformaciones de la esfera cultural y mediática en tiempos de digitalización. Junto a clásicos como Culturas Híbridas (Grijalbo, 1989), obras como Hacia una antropología de los lectores (2015, México: UAM-Telefónica-Ariel) o Jóvenes, Culturas Urbanas y Redes Digitales (Ariel/Telefónica, 2012, con F. Cruces M. Urteaga Castro Pozo) son referencia obligada para comprender los cambios en el mundo de la lecto-escritura.

A partir de aquí, la entrevista a Néstor García Canclini, a quien agradezco muchísimo su disponibilidad, al igual que a Martha Villabona García del Centro Nacional de Innovación e Investigación Educativa, quién actuó de “interfaz” entre todos los tres coordinadores de sección de este volumen.

La entrevista

En tu libro Lectores, espectadores e internautas (2007) propones un acercamiento a las prácticas de consumo mediático y prestas particular atención a las tensiones y en cómo cambian las viejas prácticas (por ejemplo la lectura). ¿Cómo podríamos resumir en pocas palabras el pasaje del lector al internauta? ¿Qué quedó por el camino? ¿Qué se ganó?

La aparición de ordenadores y móviles fue vista, al principio, como la irrupción de nuevos aparatos que venían a competir con la escuela, los cines, las editoriales y las salas de conciertos. Como había ocurrido –equivocadamente- con la llegada de los televisores. Luego fuimos aprendiendo que los medios audiovisuales generaban otros modos de leer, mirar y escuchar, de aprender, entretenernos y reunirnos. Ser internautas implica un cambio más radical que el de ser espectador (de medios) y no solo lector. Las categorías de lectores y espectadores, como sujetos de actividades relativamente diferenciadas, permitieron mantener campos distintos para la industria editorial, la musical, la cinematográfica y la televisiva. Las empresas y los modos de producción de estos campos se reordenaron y fusionaron como resultado de la convergencia tecnológica.

Si la integración digital entrelaza textos, imágenes y sonidos es porque también los lectores y espectadores se reconvierten en usuarios de pantallas que tienen todo hiperconectado. Leo un libro y, sin levantarme, busco qué más se sabe de ese autor, escucho una conferencia o un concierto suyo en YouTube, el servidor me sugiere otros autores que podrían interesarme, películas y videos relacionados. Estalla la distinción entre medios, entre géneros, entre contenidos con propietarios desligados.

¿Qué quedó atrás? La exigencia de viajar a distintos países y ciudades para saber cuáles son las novedades de los museos, el deporte o los descubrimientos científicos. Tenemos menos necesidad de ir a la biblioteca, al diccionario de nuestra casa o al videoclub para buscar nombres, mapas o películas que ya no están en cartelera. Se gana en accesibilidad y uso. La abundancia digital provoca asociaciones inesperadas y conversaciones a distancia. Pero también hay que hablar de lo que se pierde, se complica o podría lograrse pero se frustra porque la convergencia tecnológica está administrada con nuevas aduanas, costos que alejan a unos usuarios de otros, o los agrupan tendenciosamente. Y también debemos atender a los sentidos diversos con que los internautas modificamos las interacciones: ¿las mejoramos o las enfriamos cuando dejamos de hablar por teléfono y acordamos citas o realizamos conversaciones por WhatsApp o correos diferidos?

A pesar de la disponibilidad de mayor información en las redes, la gente viaja cada vez más. Hoy debemos sacar entradas para las grandes exposiciones en los museos con muchas semanas de antelación y en varias ciudades –por ejemplo Barcelona- están naciendo movimientos anti-turistas… ¿Hasta dónde las tecnologías digitales, que en teoría nos acercan a todos los museos y ciudades exóticas, no terminan alimentado el turismo de masas? Quizá esto tenga que ver con las miles de fotos idénticas que se suben a Instagram en los mismos lugares icónicos del planeta, desde la torre de Pisa hasta el Taj Mahal…

Por un lado, tu pregunta apunta a los límites necesarios en la expansión numérica y lucrativa de las instituciones culturales y las ciudades: ¿debe ser el aumento de público el criterio para evaluar el éxito de un museo, una bienal o un festival? ¿A dónde conduce seguir manejando la expansión urbana como patrón de éxito –las marcas Barcelona, Londres, Nueva York- si el aumento de turistas, de inversionistas extranjeros, y otras marcas, como Airbnb, expulsan a los habitantes históricos, encarecen los precios de renta y venta hasta destruir la convivencia vecinal y el uso responsable de los servicios, en fin, lo que daba la calidad de vida que volvió atractivas a esas ciudades?

Necesitamos una nueva reflexión de fondo sobre el sentido, mucho más complejo hoy, de las políticas urbanas, culturales e interculturales. Las redes, como amplificadoras de las tendencias mercantilistas hegemónicas, son interventoras decisivas en los conflictos urbanos e interculturales. En la Unión Europea el impacto magnificado de las fake news en las elecciones y la estabilidad política está llevando al debate mundial más avanzado sobre la legislación reguladora que se requiere y sobre la urgencia de recuperar el papel público de los Estados (no de cada uno por separado). Falta extender esta reactivación internacional de los poderes públicos respecto del gobierno de las ciudades, de las instituciones culturales, del turismo y –fundamental- de los migrantes que no se desplazan por placer ni en busca del prestigio de las marcas. Se vuelve indispensable recentrar toda la discusión sobre el crecimiento y el desarrollo en los ciudadanos, los desalojados de la política desde que los partidos en casi todo Occidente se redujeron a cúpulas que se distribuyen prebendas, desde que la videopolítica canaliza las quejas, las denuncias y las críticas ofreciendo más atención que los organismos públicos. Las redes corren el riesgo de amplificar y dar apariencia de horizontalidad a estos simulacros participativos. Pero en verdad radicalizan la desciudadanización. Las reinvenciones más atractivas de los movimientos sociales ocurren cuando se enlazan las conexiones tecnológicas de las redes con la convivencia vecinal y la interculturalidad transnacional.

 

Referência:

Article title: Entrevista a Néstor García Canclini: “La cultura digital cambia la lectura y los modos de estudiarla”.
Website title: Hipermediaciones
URL: https://hipermediaciones.com/2019/09/19/entrevista-a-nestor-garcia-canclini-la-cultura-digital-cambia-la-lectura-y-los-modos-de-estudiarla/

 

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