Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



el cuento como estrategia pedagogica.png

O trabalho apresenta dez reflexões sobre a história, a palavra, a narrativa, o currículo e a escola; bem como uma coleção de trinta histórias, todas referindo-se ao mundo da educação, ao trabalho do professor.


Segundo o autor, a história como estratégia pedagógica ajuda a formar valores, gera estados de contemplação e consciência, aumenta níveis de escuta, origina vínculos com o passado e a tradição, potencializa a imaginação, ensina o pensamento intuitivo, fornece novas questões e lembra-nos, enquanto nos liga ao futuro, que o mais humano no homem também pode ser dito em lógicas narrativas e não-lineares. 

 

Autor : José Federico Agudelo Torres

 

Edição : Fundo Editorial Luis Amigó. Medellín - Colômbia. 2016

 

Referência: Barrientos, J. (2019). El cuento como estrategia pedagógica. Libro en pdf, gratisLeagratis.blogspot.com. Retrieved 21 January 2019, from https://leagratis.blogspot.com/2018/09/el-cuento-como-estrategia-pedagogica.html

mw-860.jpeg

Ilustração: Helder Oliveira | por Raquel Albuquerque | Expresso

 

Linguagem “politicamente incorreta” de provérbios, contos ou canções deve ser discutida, mas não apagada

 

Há já algumas décadas que a história da Carochinha é contada pela metade: o fim verdadeiro na versão original incluía pássaros sem olhos e sem penas perante o desgosto da protagonista. Mas isso foi ‘apagado’. Nos últimos anos, outras histórias infantis, como o Capuchinho Vermelho ou Hansel e Gretel, têm sido adaptadas para retirar situações consideradas violentas. Mas, defendem os especialistas, mais do que reescrever as histórias quando se tornam desadequadas ou politicamente incorretas, importa parar para as discutir.

“A língua não muda à mesma velocidade que a sociedade. Transformar os contos tradicionais não faz sentido. E não acho que, numa lógica de cidadania, um provérbio ou outro tipo de expressão possa ser mudado por decisão. Pode é acabar por cair em desuso”, defende Antónia Coutinho, linguista e professora na Universidade Nova de Lisboa (UNL). Expressões como ‘entre marido e mulher não se mete a colher’, ‘com um olho no burro, outro no cigano’ ou ‘mulher honrada não tem ouvidos’ são outros exemplos. Passam de geração em geração, arrastando os costumes e perceções das suas épocas, mas também a violência, desigualdade social e discriminação racial então aceites.

“Parar para pensar no que dizemos agudiza a nossa sensibilidade e faz-nos deixar de usar a língua de forma mecânica. Passamos a questionar o que já está enraizado e que é necessário desnaturalizar”, explica a investigadora do Centro de Linguística da UNL. Foi também esse o princípio de base defendido pela PETA, uma organização não-governamental de defesa dos animais, que lançou na semana passada, nos Estados Unidos, uma campanha sugerindo alternativas a provérbios antianimal. Também o PAN tem usado as redes sociais para sugerir alternativas a expressões de violência contra os animais, defendendo a importância de a linguagem acompanhar a sociedade.

 

ACABAR COM O MEDO

Nas novas versões “politicamente corretas” dos livros infantis, como o Capuchinho Vermelho, o lobo deixa de comer a avó. Já a história dos irmãos Hansel e Gretel, que quase acabam comidos por uma bruxa depois de se perderem na floresta, foi sendo aligeirada desde o século XIX quando foi registada e publicada pelos irmãos Grimm.

O antropólogo Paulo Jorge Correia, um dos maiores especialistas nacionais em literatura de tradição oral, critica o facto de se estar a retirar a sensação de medo destas histórias. “As crianças gostam desse lado dos contos”, defende. “Mas hoje também têm menos tempo para ouvir histórias, porque socializam mais cedo e deixam o casulo familiar. Pior do que isso são os pedagogos que defendem que o medo e a violência devem ser cortados por fazerem mal aos mais novos. Essa ideia entrou no mercado do livro e as histórias têm sido adaptadas ao ‘delicodoce’.”

O risco é criar uma “sociedade assética”, defende o investigador. “Esse mundo considerado violento, e desadequado à realidade atual, está a ser rejeitado e higienizado. Se tivermos uma sociedade totalmente assética, as crianças pensam que não existe mal no mundo. E acho que isso está a acontecer”, diz. “Deve haver liberdade para perceber o mundo como ele realmente é. E os contos trazem algo único: a natureza humana, por mais chocante que ela possa ser.”

A violência doméstica e a misoginia, ou seja, o desprezo e preconceito contra as mulheres, estão presentes em muitos contos. “São um retrato de uma civilização rural onde a ordem social consistia em ter o homem acima da mulher e apenas Deus acima do homem”, afirma Paulo Jorge Correia, acrescentando que os contos se resumem à luta entre “velhos e novos, homens e mulheres, ricos e pobres”.

Também nas cantigas infantis a banalização da violência do homem sobre a mulher está presente. E algumas têm sido alvo de alterações (ver caixa). Para José Barata-Moura, ex-reitor da Universidade de Lisboa e também autor de célebres canções infantis, “a cultura está sempre presente em qualquer cantiga infantil”, podendo apenas ser diferente no ângulo, género, linguagem ou expressão do imaginário. “No meu entendimento, uma cantiga não é um objeto de consumo imediato para entreter, é uma ocasião de conversa e de aprofundar o diálogo entre os mais velhos e os mais novos.” Ainda que admita que a produção infantil foi durante muito tempo “menor e feita rapidamente para ser consumida no Natal”, o filósofo e cantor considera que “arranjar alternativas às cantigas é uma forma pobre de lidar com um problema real”.

 

O PAPEL DA ESCOLA

Se estes provérbios, contos, histórias e cantigas realmente expressam formas de discriminação racial ou violência doméstica, devem ser ensinados nas escolas? “É claro que não devem ser postas nos manuais, mas não podem ser silenciados nas escolas, devem ser discutidas. É papel da escola pegar nessas formas de dizer as coisas e desconstruir os seus significados”, diz José Pacheco, presidente do Instituto de Educação da Universidade do Minho.

O antropólogo Paulo Jorge Correia concorda. “Há o risco de esta literatura oral perpetuar esses arquétipos”, sejam eles raciais ou sexistas. Admitindo que numa fase inicial e estrutural da educação de uma criança, as formas de expressão mais discriminatórias ou violentas possam ser omitidas, o professor da Universidade do Algarve defende, no entanto, que esta literatura não deixe de ser publicada tal e qual como é. “Até mesmo para que estes cidadãos, quando estiverem formados, tenham acesso a esta tradição oral e a conheçam.”

Para a linguista e professora da UNL, o “mais urgente” é discutir o assunto e sensibilizar a população. “A escola tem de ter essa função mas a responsabilidade recai sobre os professores, as editoras responsáveis pelos manuais escolares, os revisores de texto, os pais e a comunicação social. Tenho sérias dúvidas de que a solução seja limpar ou apagar a história e a cultura.” O mesmo defende José Barata-Moura. “A solução não é impingir uma moralidade exterior, que se repete mecanicamente, mas antes apostar no diálogo. Embora seja muito mais fácil despejar uma mensagem moralista e irmos dormir descansados.”

 

Referência: Quando se conta um conto e se retira um ponto. (2018). Jornal Expresso. Retrieved 17 December 2018, from https://expresso.sapo.pt/sociedade/2018-12-16-Quando-se-conta-um-conto-e-se-retira-um-ponto

 

transmedia.jpg

Giovagnoli, M. (2011). [e-Book]  Transmedia Storytelling: Imagery, Shapes and Techniques, ETC Press, 2011.

 

 

Contar histórias simultaneamente em múltiplos meios de comunicação é como criar uma nova “geografia do conto”, e requer que o autor e o público encontrem novos espaços interativos para partilhar em projetos editoriais para cinema, séries televisivas, campanhas publicitárias, videojogos, aplicações móveis, desenhos animados e cómics, livros e eventos performativos, respeitando as características e a linguagem de todos os media, ainda que façam parte de um único sistema de comunicações integradas. Story.

 

Transmedia Storytelling explora as teorias e descreve o uso das imagens e técnicas partilhadas por produtores, autores e audiências das indústrias de entretenimento, a informação e a comunicação quando criam e desenvolvem as suas histórias neste novo ecossistema interativo.

 

Desde Star Wars a The Dark Knight, de Lost a Heroes e Dexter, de Assassin’s Creed a Lord of the Rings and Avatar, passando por mais de 50 exemplos de projetos de êxito em todo o mundo, e com a contribuição de alguns dos mais importantes produtores e investigadores internacionais, Max Giovagnoli mostra como criar productos, obras, contos e campanhas publicitárias para o público, e olhando os novos universos narrativos.

 

 

Referência: Arévalo, J. (2017). Cómo contar historias para distintos medios: Imágenes, formas y técnicasUniverso Abierto. Retrieved 23 June 2018, from https://universoabierto.org/2017/12/15/como-contar-historias-para-distintos-medios-imagenes-formas-y-tecnicas/

 

Conteúdo relacionado:

 

 

 

capuchino_vermelho.png

 PÚBLICO. 

As famosíssimas peripécias da Capuchinho Vermelho, da sua avó e do lobo são contadas aqui em dois registos: em língua gestual portuguesa e verbalmente. Este é um dos contos infantis da exposição “Era uma Vez…Ciência para Quem Gosta de Histórias”, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. Até Agosto de 2014. É a ciência escondida em dez contos infantis.

 

Ler mais >>

Etiquetas:

oeiras.png

 

 

30 de Março a 3 de Abril, vários locais [Oeiras]

Pelo segundo ano consecutivo Oeiras acolhe o Festival Internacional de Contadores “De Bouche à Oreille e de Boca em Boca”, que irá decorrer de 30 de Março a 3 de Abril no Mercado Municipal de Oeiras, Biblioteca Municipal de Oeiras e Livraria GATAfunho.


Participa o investigador Rodolfo Castro.

Etiquetas:


RBE


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Blogue RBE em revista

Clique aqui para subscrever


Twitter



Perfil SAPO

foto do autor