Liberdade, democracia e respeito são palavras de ordem da União Europeia. São valores que a Comissão Europeia tem vindo a defender e vamos continuar a defendê-los, mesmo nestes tempos mais difíceis.
Vivemos tempos extraordinários, marcados por receios e um futuro incerto. Por isso mesmo, nas últimas semanas, vários países da União Europeia tomaram medidas de emergência para enfrentar a crise de saúde causada pelo surto do novo coronavírus. Mais do que nunca, precisamos de agir de forma rápida e eficaz para proteger a saúde de todos os europeus. Neste sentido, também o respeito pela liberdade de expressão e a segurança jurídica são essenciais nestes tempos de incerteza, algo salvaguardado pela democracia europeia. (...)
Milhares de conteúdos audiovisuais de acesso livre
02.04.20
Com milhares de conteúdos audiovisuais de acesso livre, o Ensina pode dar um contributo útil a professores e alunos nesta paragem letiva forçada. Documentários, entrevistas, infografias e peças informativas fazem parte de um acervo diariamente atualizado com materiais provenientes dos canais de televisão e de rádio da RTP. Propomos uma visita guiada ao portal que ajuda a estudar.
O portal educativo da RTP está organizado por temas e sub-temas onde se encontram colocados os artigos disponíveis. História, Português , Cidadania, Geografia e Ciência são algumas das áreas mais procuradas, mas também existem conteúdos de Filosofia, Economia, Desporto e outros. Abrindo cada um dos temas é possível aplicar um filtro e descobrir o que existe por ciclo ou por tipologia (áudios, vídeos, infografias, etc.).
A pesquisa geral é ainda a solução mais prática para encontrar o conteúdo desejado (no topo da página inicial, à direita). No entanto, encontrámos outras soluções de organização dos conteúdos, como o artigo de “recursos”, disponível em cada um dos temas mais procurados. Trata-se de uma listagem agrupada por sub-temas, como nestes exemplos: Recursos de Português e Recursos de História (também disponível para Cidadania, Ciência, Geografia e Artes).
O Ensina possui um considerável número de trabalhos sobre literatura portuguesa, como o Memorial do Convento, Os Maias, ou Bichos. Estas obras são tratadas em entrevistas, documentários e pequenas reportagens, nalguns casos com depoimentos dos próprios escritores sobre as mesmas.
A Botânica, a Biologiae a Astronomia são alguns dos sub-temas presentes na Ciência. A série Visiokids ajuda os mais novos no mundo fantástico da ciência, e o AB Ciência propõe experiências divertidas (algumas para fazer em casa). Aqui se encontra, por exemplo, um documento histórico único, a reportagem sobre a erupção do vulcão dos Capelinhos, mas também peças sobre a fauna e flora portuguesas, tecnologia e geologia.
Pintores, museus e instrumentos musicais são conteúdos disponíveis para enriquecer o conhecimento sobre arte, enquanto que o tema de cidadania disponibiliza quatro centenas de artigos divididos segundo a organização proposta pelo Ministério da Educação. No Ensina Júnior podes encontrar conteúdos dirigidos especialmente para os alunos dos 1º. e 2º ciclos do Ensino Básico, grande parte deles já exibidos no espaço de programação da RTP2 Zig Zag.
E para quem tem dúvidas sobre o que é o COVID-19 e como podemos proteger-nos, o Ensina também fornece um conjunto de artigos para que ninguém fique sem respostas. São pistas que deixamos neste tempo de paragem letiva, para que continuar a aprender, mesmo sem sair de casa.
Referência: Estudar com o Ensina em tempo de COVID-19. (2020). Estudar com o Ensina em tempo de COVID-19. Retrieved 2 April 2020, from https://ensina.rtp.pt/artigo/estudar-com-o-ensina-em-tempo-de-covid-19/
“Não deixe que ninguém lhe tire o seu desejo de ser o bom professor que é. Deve lembrar-se de que é uma pessoa muito importante na sociedade, porque os professores são "facilitadores da humanização" e ninguém nos pode tirar isso. Ensinamos os alunos a ser críticos, a pensar, a administrar bem, transmitimos valores e o desejo de viver dos alunos: esse é o grande trabalho do corpo docente ”.
A professora e pedagoga Nélida Zaitegi, hoje presidente do Conselho Escolar do País Basco, passou mais de quatro décadas a pesquisar e desenvolver programas de inovação educacional baseados na coexistência positiva e na resolução de conflitos. Conflitos que podem ser transformados em aprendizagem, após reflexão cuidadosa e calma.
Algumas das chaves do seu pensamento pedagógico incluem educação em valores, coeducação e participação dos alunos. Como aprende uma criança a viver com os outros? Vivendo juntos. Como se a escola fosse uma sociedade de pequena escala, onde os professores ajudam a desenvolver a inteligência interpessoal e intrapessoal.
“Entre o macaco de Darwin e o homem ou mulher de Maslow, o que temos entre eles? Um professor. Temos de ajudar os jovens a continuarem a dar passos na humanização para alcançar uma sociedade melhor ", conclui Zaitegi.
Referência: “Para educar bien a un niño hace falta una buena tribu”. (2020). BBVA Aprendemos juntos. Retrieved 19 March 2020, from https://aprendemosjuntos.elpais.com/especial/seis-claves-para-aprender-a-convivir-nelida-zaitegi/
A Direção-Geral da Saúde lançou o jogo on-line “STOP Contágio” para, de forma lúdica, promover a melhoria dos conhecimentos e a adoção de comportamentos adequados por parte da população, no que diz respeito à prevenção da transmissão de agentes infecciosos, como é o caso do coronavírus responsável pela COVID-19.
Depois de uma vida de absoluta dedicação ao mundo da informação, Rosa Mª Calaf critica algumas práticas do jornalismo atual: "É essencial que os media repensem a informação de qualidade". Os cidadãos, especialmente os jovens, são avisados: "Vocês precisam ser muito exigentes e críticos com o fluxo de informações que recebem, para aprender a diferenciar o que é tóxico do que não é".
Para ela, o exercício do jornalismo carrega uma enorme responsabilidade e é, juntamente com a educação, um dos pilares da construção social: "Porque o conhecimento é claramente o que nos liberta", conclui.
Referência: “Ser críticos con la información nos convierte en ciudadanos libres”. (2020). BBVA Aprendemos juntos. Retrieved 25 February 2020, from https://aprendemosjuntos.elpais.com/especial/ser-criticos-con-la-informacion-nos-convierte-en-ciudadanos-libres-rosa-maria-calaf/
O Alto Comissariado para as Migrações e a Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial (CICDR), em parceria com a Câmara Municipal de Odivelas, lançaram uma campanha de sensibilização no âmbito do Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, dirigida às crianças entre os 3 e os 5 anos de idade, e que consiste na apresentação do livro "As Cores da Cidade Cinzenta".
"Um é aventureiro e o outro é um poeta, porque ele tem uma visão romântica da existência e acha que a vida tem que ser mais do que apenas atravessar o mundo". O naturalista e aventureiro Nacho Dean foi a primeira pessoa na história a percorrer o mundo a pé e sozinha, completando um total de 31 países e 33.000 quilómetros em três anos. "O meu objetivo não era fazer uma pausa na minha vida, mas abraçá-la com mais intensidade do que nunca", diz ele. Anos depois, outro desafio foi proposto: unir os cinco continentes nadando com o objetivo de lançar uma mensagem de conservação do oceano. Um marco que ele completou na chamada 'Expedição Nemo': "O mar é o grande esquecido, lixo foi encontrado onde nem a luz do sol lhe chega", alerta.
Filho do marinheiro e amante da natureza, quando criança, Nacho Dean cresceu lendo Julio Verne e vendo os documentários de Félix Rodríguez de la Fuente. Com eles cresceu a sua paixão pela exploração e pela visão de mundo como um todo. "A natureza é o lugar a que pertencemos, o que fazemos a nós mesmos", reflete. As suas expedições serviram para tornar visível a degradação do planeta e influenciar a nossa responsabilidade pelas mudanças climáticas.
Para ele, caminhar, viajar e observar são escolas da vida, porque nos ensinam que as coisas podem ser de muitas maneiras diferentes. O seu compromisso inabalável com a natureza é o seu motor de inspiração e o que determina a sua visão reveladora da existência.
Repositório de vídeos para utilizar em contexto educativo
28.01.20
O vídeo é um recurso capaz de motivar e envolver os estudantes.
Pode, por isso, ser usado para introduzir tópicos relevantes na sala de aula. O poder da mensagem visual e sonora é inegável, por isso deve aproveitar-se para desenvolver o pensamento crítico, promover debates e falar abertamente de valores e atitudes.
Para este fim, apresenta-se uma seleção de vídeos que será atualizada ao longo do tempo.
Atente-se que é essencial ver os vídeos antes de os apresentar aos alunos, para verificar a sua adequação, em relação à idade e ao conteúdo. Recomenda-se que se preparem atividades para complementar e enriquecer o conteúdo de cada vídeo.
Digital, sustentável e, acima de tudo, cada vez mais humana. Estas são as características das cidades do futuro.
De Nova York a Barcelona, passando por Frankfurt e Buenos Aires, as cidades do mundo são cada vez mais inteligentes. Impulsionadas por um exército de objetos que interagem entre si, as cidades inteligentes procuram solucionar uma longa lista de desafios: escassez de recursos, concentração urbana, engarrafamentos, poluição, entre outros, que crescem exponencialmente com o rápido aumento da população.
NÚMEROS
8.500 M.
60%
80%
Em 2030, haverá 8.500 milhões de habitantes no mundo, quase 1.000 milhões a mais do que agora.
60% da população mundial em 2030 vai viver numa cidade com pelo menos um milhão de habitantes.
80% da energia global será consumida nas cidades em 2040, em comparação com os 66% de hoje.
Mas como definimos uma cidade inteligente?"Falar sobre uma cidade inteligente é falar sobre cidades com senso humano, ou seja, onde o cidadão está no centro e a tecnologia trabalha para ele", diz Javier Paniagua, chefe de desenvolvimento de negócios da Smart Cities da Telefónica Empresas.
Quando uma cidade, por exemplo, possui semáforos capazes de medir a densidade do tráfego, o município pode otimizar o transporte público e o número de autocarros na estrada. Dessa forma, gere os seus recursos (número de carros e motoristas) e, acima de tudo, cuida do meio ambiente e acelera a mobilidade. As cidades inteligentes além de melhorar a vida dos cidadãos, permitem ao governo realizar uma gestão coordenada de serviços da cidade, e os gastos, portanto, mais inteligente.
O horror de Auschwitz e do holocausto por quem o escreveu na primeira pessoa: Primo Levi
26.01.20
Três crianças judias aguardam numa estação de comboio em Londres após viagem no chamado "Kindertransport"
[Texto de Tiago Palma | Observador]
O mais sangrento dos campos de concentração foi libertado há 71 anos. É hoje o Dia Internacional da Lembrança do Holocausto. E poucos como Primo Levi escreveram sobre ele. Viveu-o. Sobreviveu-lhe.
Isto é o inferno. Hoje, nos nossos dias, o inferno deve ser assim: uma sala grande e vazia, e nós, cansados, de pé, diante de uma torneira gotejante mas que não tem água potável, esperando algo certamente terrível, e nada acontece, e continua a não acontecer nada. Como é possível pensar? Não é mais possível; é como se estivéssemos mortos. Alguns sentam-se no chão. O tempo passa, gota a gota.Primo Levi, “Se Isto é um Homem” (1947)
11 de abril de 1987. Na manhã em que Primo Levi morreu – o relatório da polícia italiana aponta para uma tese de suicídio, relatando que Levi se atirou mortalmente do terceiro andar de casa, em Turim –, Elie Wiesel, autor de “A Noite” (também sobre a experiência de horrores vivida num campo de concentração nazi) e prémio Nobel da Paz em 1986, escreveu: “Primo Levi não morreu hoje. Morreu há quarenta anos, em Auschwitz.” Levi tinha 67 anos à data do suicido.
Não é (nem nunca foi) uma teoria da conspiração por parte de Wiesel dizê-lo. É antes a constatação de que o homem-Levi, químico, resistente anti-fascista na frente de guerra, não voltou de Auschwitz homem, mas apenas um corpo, com memória e uma mão com que escrever.
Aos 24 anos foi transportado para Auschwitz. Ele e outros seiscentos e cinquenta judeus italianos. Estávamos em fevereiro de 1944. Deles, só vinte sobreviveram — Levi incluído. Quando se viu, enfim, libertado pelo exército soviético, a 27 de janeiro de 1945, ao fim de 11 meses de privação e indignidade humana, Levi havia envelhecido, não 11 meses, mas décadas. Não só fisicamente. Mas serviu-lhe a experiência, de morte, não a sua mas a que testemunhou dia-a-dia à sua frente, todos os dias, a experiência de sobreviver quase miraculosamente — a resiliência fez o resto –, essa experiência-limite permitiu-lhe escrever, por exemplo, “Se Isto é Um Homem” (a trilogía de Auschwitz completa-se com “A Trégua” e “Os que Sucumbem e os que se Salvam”).
Nem só sobre o holocausto escreveu Primo Levi, mas quando o fez, mais do que procurar culpados ou explicações, narrou. Simplesmente isso: narrou o horror, sem artifícios, com crueza, a vida no mais sangrento dos campos de concentração do Terceiro Reich. O campo foi libertado há 71 anos. E também por isso se assinalada, nesta data e desde 2005, o Dia Internacional da Lembrança do Holocausto.
Mais do que ler a não-ficção de autores como Levi, Wiesel ou Imre Kertèsz, mais do que ver no cinema ou em casa “A Lista de Schindler” e, mais recente, “Filho de Saul”, de Laszlo Nemes (o filme recebeu o Grande Prémio de Cannes e o Globo de Ouro para Melhor Filme Estrangeiro), mais importante que isso é ler os relatos, sem polimentos literários ou de realização, como os que Levi (a par com Leonardo de Benedetti) escreveu em “Assim foi Auschwitz”. Em 1945, no rescaldo do fim da Guerra e da libertação dos campos de concentração pelos aliados, o exército soviético pediu a Primo Levi e a Benedetti, seu companheiro de campo, que redigissem, em detalhe, como eram as condições de vida lá. O resultado foi um dos primeiros relatórios alguma vez realizados sobre os campos de extermínio. Os textos de Levi, inéditos, finalmente trazidos à estampa no último ano, têm um valor histórico e humano tão importante hoje, 71 anos volvidos sobre o fim da Segunda Guerra, como quando este os escreveu.
Lá, Levi escreveu — o mesmo Levi que, em “Se Isto é Um Homem”, sentia mais culpa por ter sobrevivo (e os outros não) do que culpava os nazis pelo extermino — que “a responsabilidade repousa colectivamente sobre todos os soldados, sargentos e oficiais da SS destacados em Auschwitz”. O livro “Assim foi Auschwitz” serviu também para, ao longo das décadas — e ainda nos nossos dias –, trazer ex-carrascos aos tribunais. Julgá-los. Para que a história os recorde como isso: carrascos. Por outro lado, é também importante perceber que Primo Levi considera que, mais do que o mero extermino de judeus, os campos de concentração serviam para impulsionar a própria economia da Alemanha.
Escrevia Levi: “Os campos não eram um fenómeno marginal: a indústria alemã baseava-se neles; eram uma instituição fundamental do fascismo na Europa e os nazis não o escondiam: mais do que mantê-los, alargavam-nos e aperfeiçoavam-nos.”
Num sábado, dia 11 de Abril, em 1987, por volta das 10 horas da manhã, a porteira de um prédio na avenida Corso Rei Umberto, em Turim, tocou à porta do 3.º andar para, como em todos os dias, entregar o correio. Primo Levi abriu-lhe a porta, sorriu-lhe e recebeu-o. Voltou a entrar em casa. Poucos minutos depois o seu corpo estatelava-se no fundo da escada, ao lado do elevador. Morreu instantaneamente. Primo Levi sobreviveu ao holocausto no pior dos campos de concentração. Não sobreviveu aos dias fora dele — mas com ele por dentro, vivo, a remoer-lhe.