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Escreveu poemas e sonetos singulares como a sua vida. Camilo Pessanha é considerado "o representante mais genuíno do simbolismo" em Portugal. Em Macau cumpriu um exílio voluntário de quase 30 anos por causa, dizem, de um desgosto de amor.

Por um amor não correspondido desterrou-se em Macau durante quase 30 anos. Ana de Castro Osório recusou o seu pedido de casamento, mas foi ela quem  cuidou de editar “Clepsidra”, o livro de poesia que o imortalizou.

Camilo não se preocupava em guardar o que escrevia em papel, antes tinha os poemas de cor e os ditava quando era preciso. Na sua “poesia de imagens” há uma melodia de palavras, um encontro entre estados de alma e musicalidade, um ritmo de sons perceptível na leitura. A sua obra  “é o fruto mais puro e sazonado do Simbolismo português”. Os poemas mais antigos que se conhecem são “Lúbrica” de 1885 e, “Caminho” de 1887. Depois da sua morte, foram publicados ensaios seus sobre a cultura oriental num volume intitulado “China”.

Camilo Pessanha (1867-1926), doutor formado na faculdade de Direito em Coimbra, foi professor, advogado e redator de jornais em Macau. A adaptação à pequena colónia portuguesa não foi fácil, com o tempo conseguiu  desenvolver uma paixão pela arte e literatura chinesas. Aprendeu a falar cantonense, traduziu poemas da dinastia Ming  e foi um colecionador de arte oriental que veio a doar ao estado português.

De Camilo diz-se que se deixou cair no vício do ópio, que a sua figura impressionava pela magreza, pelas barbas negras e um certo olhar febril, que tinha a saúde fraca e medo da morte. Por duas vezes voltou a Portugal para tratar-se. Mas o poeta que escreveu  “eu vi a luz em um país perdido, a minha alma é lânguida e inerme” morreu na sua Macau, que um dia chamou “o chão antipático do exílio”.

 

ReferênciaCamilo Pessanha, um poeta ao longe. (2019). Camilo Pessanha, um poeta ao longe. Retrieved 9 November 2019, from http://ensina.rtp.pt/artigo/camilo-pessanha-1867-1926/

 

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Biblioteca de Autores

Ler, ver e ouvir

09.11.19

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ILLUSTRATION BY CHELSEA O'BYRNE

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Uma vez que o Índice está em formato .pdf, é pesquisável. Para poupar tempo, pesquise pelo nome do autor que pretende encontrar: para tal clique com o rato no .pdf e prima CMD+F no Mac e CTRL+F no Windows.

Esta lista permanece em atualização permanente, no que respeita a estes Autores e a outros a incluir.

As Bibliotecas, ou qualquer leitor do blogue, podem fazer o download desta lista de autores e partilhá-la nas suas páginas, podendo, caso o desejem adequá-la aos seus públicos.

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Valter Hugo Mãe

08.11.19

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A jornalista Paula Moura Pinheiro conversa com Valter Hugo Mãe, poeta e romancista, sobre literatura, o Prémio Saramago, "O Filho de Mil Homens", o seu 5º e último romance, e sobre um breve texto que escreveu no iPhone e que levou ao rubro a assistência de um importante festival literário no Brasil, sendo que a sua única certeza é que "O amor é a única maneira de nos sentirmos o dobro do que somos".

Referência: Valter Hugo Mãe. (2019). Arquivos.rtp.pt. Retrieved 8 November 2019, from https://arquivos.rtp.pt/conteudos/valter-hugo-mae-3/

 

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Crónicas

 

Jorge de Sena | 1919-1978

O homem que queria ser tudo

02.11.19

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ilustração de Victor Couto

Na altura em que a coleção Miniatura reedita "Sinais de Fogo", Carlos Maria Bobone escreve sobre o "romance abafado" onde Jorge de Sena tece "uma espécie de vida asfixiada num mundo pequenino".

 

“No romance não me restrinjo em nada: cenas, personagens, descrições sexuais, a linguagem e os gestos crus, tudo está posto friamente por claro, através de um narrador que sou e não sou eu.(…) Por enquanto, contento-me com acabar o 1º volume: o pórtico dessa recherche du temps perdu, mas contada não por um Proust mas por uma espécie de Céline na crueza que o Proust evitou.”

Assim descreve Sena a Eugénio de Andrade aquilo que, sabemo-lo, viria a ser Sinais de Fogo. Ora, aquilo que queria para o livro, conseguiu-o Sena para esta apresentação: mais do que um descritivo do seu romance, é um “pórtico” para toda a personalidade literária de Jorge de Sena. Cada palavra é quase um traço de carácter: a ambição desmedida, séria e infantil ao mesmo tempo, a vontade de tocar tudo, uma certa aspereza intelectual e até uma incerteza ou insegurança que o levava a tentear por vários caminhos literários. Sena foi tudo aquilo que escreve.

“Não me restrinjo em nada”, avisa, como em tantas das promessas de devastar o meio literário português, meio que lhe considerava tão adverso, por mais honras que lhe prestassem. Tinha, é certo, alguns inimigos de estimação, entre Natália Correia e Cesariny, que tomara de ponta a vaidade um tanto pueril de Sena e gostava de a picar. Acontece que em Sena este orgulho ferido foi várias vezes fermento poético de gabarito. Não é preciso chegar às famosas Dedicácias, em que alguns dos poemas satíricos são do mais violento que há; há, mesmo quando não se dirige a ninguém, um tom devastador na literatura de Sena. Eugénio Lisboa nota, numa apresentação à poesia de Jorge de Sena, a importância que ele dá ao mar. Sena, o marinheiro falhado contra vontade, o rapaz insatisfeito que conseguiu aplacar o nervoso no mar e se viu obrigado a desistir de o navegar, teria conservado uma imagem maravilhada do Oceano.

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Artigo de Teresa Carvalho

O bem-amado

Poeta de inegável presença canónica na poesia portuguesa do século XX, Eugénio de Andrade fez das palavras o ofício de uma vida e da poesia uma «arte de música». Faria hoje 94 anos (19/01/2017).

O autor de Ostinato Rigore comparava o seu trabalho de poeta ao ofício de pedreiro que fora o do avô, concluindo a aproximação nos seguintes termos: «Ele usava o granito como material, as suas casas estão ainda de pé; o neto trabalha com poeira, sem nenhuma pretensão de desafiar o tempo». A verdade é que são muitas as vozes que dizem que terá construído um monumento perene.

«No prato da balança um verso basta/ para pesar no outro a minha vida» - escreveu Eugénio de Andrade num breve poema, consciente do desacerto que há entre a vida e a poesia, que nele não diferiam.

António Ramos Rosa chamou-lhe rei Midas do verbo: palavra que tocasse virava ouro de lei. E tocou algumas. Palavras «nuas e limpas» que apelam aos sentidos e se combinam em exercício conjugado da inteligência e da emoção – o imenso tesouro de Eugénio de Andrade, herdeiro de «um desprezo pelo luxo» que, nas suas múltiplas formas, considerava uma degradação.

Revelado em 1948 com As Mãos e os Frutos, o seu mais emblemático livro, que então impressionava pela afirmação da corporalidade e do desejo, estreia-se com Adolescente (1942), volume que depois retirou da sua bibliografia por considerar que o verdadeiro timbre da sua voz poética estava ainda ausente.

Definiu-se como «um poeta solar» e respondia mais depressa à chamada da «luz limpa do sul» com que incendiava os seus versos que ao nome de baptismo: José Fontinhas, nascido na Póvoa da Atalaia, uma pequena aldeia da Beira Baixa, situada entre o Fundão e Castelo Branco, cidade de onde foi levado para Lisboa, aos sete anos, pela mão da mãe Maria dos Anjos, figura tutelar da sua vida e presença central da sua poética. Uma poética que os títulos em prosa – Memória Doutro Rio (1978), Vertentes do Olhar (1987) – realizam com igual fulgor.

Da primeira infância reterá, para além das feridas pela ausência do pai, figura que recusou «a vida inteira. Inteiramente», o berço camponês de nascimento, uma «arquitectura extremamente clara e despedida», que os seus poemas tanto reflectem, lugares selectos, despertares, incluindo o da poesia.

Em 1947, já regressado de Coimbra, onde permanece entre 1943 e 1946, estreitando relações de amizade com Miguel Torga e estabelecendo um diálogo cultural com figuras de sucessivas gerações (Afonso Duarte, Paulo Quintela, Eduardo Lourenço, Carlos de Oliveira), torna-se funcionário público, passando a trabalhar como inspector administrativo nos Serviços Médico-Sociais, cargo que exercerá ao longo de 35 anos. Resolvida a questão económica, pôde prosseguir assim o seu ofício poético, a busca rigorosa da linguagem, sem pressa, seguindo, de resto, o «Conselho» metaliterário que a si mesmo dera na colectânea que o impõe como poeta: «Sê paciente; espera/ que a palavra amadureça/ e se desprenda como um fruto/ ao passar o vento que a mereça». O segundo livro de poesia, Os Amantes Sem Dinheiro, surgia em 1950.

Neste mesmo ano, a sua vida profissional na Inspecção Administrativa condu-lo ao Porto, cidade que adopta como a sua terra e onde viverá até à morte, sempre ao abrigo da vida social, literária e mundana, atento às coisas simples e às palavras que as dizem: neve, água, mar, navio, vento, fruto, terra, ave, boca – eis o seu léxico, de larga fluência metafórica, rigorosamente eleito e carregado de uma singular energia sémica que se expande e reformula. 

As Palavras Interditas (1951), Ostinato Rigore (1964), Obscuro Domínio (1971), Limiar dos Pássaros (1972), Matéria Solar (1980), O Sal da Língua (1995), Os Lugares do Lume(1998) são alguns dos mais conhecidos títulos que lhe compõem o vulto de poeta ímpar.

Antologiador de Camões e de Pessoa, autor de uma recolha de poesia erótica contemporânea (Eros de Passagem, 1982) e de duas selecções de poesia e prosa dedicadas ao Porto e a Coimbra – respectivamente Daqui Houve Nome Portugal (1968) e Memórias de Alegria (1971) –, Eugénio de Andrade ofereceu-nos também um panorama geral da poesia portuguesa, desde os cancioneiros medievais até Ruy Belo. Entre os muitos prémios com que foi distinguido, figura o Prémio Camões (2001).

Morreu em Junho de 2005. Estava escrito: «Pela manhã de Junho é que eu iria/ pela última vez».

 

Referência: Eugénio de Andrade. O bem-amado. (2019). ionline. Retrieved 11 October 2019, from https://ionline.sapo.pt/artigo/544766/eugenio-de-andrade-o-bem-amado?seccao=Mais_i

 

Eugénio de Andrade completaria em janeiro de 2015, 92 anos. A RTP recorda o poeta.

 

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Nascida em Lisboa, em 1939, Luísa Ducla Soares tem mais de uma centena de livros publicados, a maioria dos quais prosa e poesia para crianças, influenciada pelas histórias de tradição oral e por temáticas do quotidiano.

Apesar de o impulso para a escrita ter surgido no final da infância, foi depois dos trinta que publicou o primeiro livro para crianças, intitulado "A história da papoila" (1972), e que lhe valeu um prémio do Secretariado Nacional de Informação, que recusou por objeção de consciência.

Depois desse livro, a autora publicou "Maria Papoila" e "O soldado João", pequenos contos que anos antes tinham sido totalmente censurados no Diário Popular, com o qual colaborava.

Licenciada em Filologia Germânica, trabalhou em jornais, editoras, no Ministério da Educação e na Biblioteca Nacional. Em 1996 recebeu o Prémio Calouste Gulbenkian pelo conjunto da obra.

Este ano é candidata ao prémio literário sueco Astrid Lindgren Memorial Award.

Quase a completar 80 anos, e com uma enorme bibliografia, Luísa Ducla Soares dedica grande parte dos dias à escrita e ao encontro com leitores, em visitas a escolas.

 

ReferênciaLuísa Ducla Soares edita uma história que escreveu na adolescência. (2019). DN. Retrieved 4 October 2019, from https://www.dn.pt/lusa/luisa-ducla-soares-edita-uma-historia-que-escreveu-na-adolescencia-10685751.html

 

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António Bessa

01.10.19

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Luis Sepúlveda

21.09.19

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Uma entrevista em que o autor fala de literatura, do ambiente, sustentabilidade e cidadania, em suma, de conhecimento.

 

Se preferir, oiça o podcast:

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Entre Deus e o Diabo

"Poemas de Deus e do Diabo" é o primeiro título assinado com o nome de José Régio, deixando o verdadeiro nome de batismo, José Maria dos Reis Pereira, entregue à mundanidade que a sua literatura ultrapassou, fixando-se como um marco de relevo.

A tese de licenciatura “As Correntes e as Individualidades na Moderna Poesia Portuguesa” relevava nomes praticamente desconhecidos à altura, como o de Fernando Pessoa ou o de Mário de Sá-Carneiro e a sua publicação dá-se apenas em 1941 sob o título de “Pequena História da Moderna Poesia Portuguesa”.

A atividade literária de registo inicia-se com “Poemas de Deus e do Diabo”, em 1925. Funda, juntamente com Branquinho da Fonseca e João Gaspar Simões, a revista Presença, marco do segundo modernismo português. Multiplica o nome em jornais e revistas, começa a lecionar Português e Francês num liceu do Porto e, em 1928, ruma a Portalegre, onde reside por quase quarenta anos, aí existindo, no edifício onde habitou, uma Casa Museu.

Na sua obra, assume relevo a reflexão sobre os conflitos surgidos entre Deus e o Homem, entre o indivíduo e o mundo em que se insere, coletivamente. Essa reflexão proporciona-lhe uma, por vezes dolorosa, auto-análise, que regista em literatura num tom misticista, escrevendo sobre a problemática da solidão e da complexidade das relações humanas. O seu talento estendia-se também ao gosto pelas artes plásticas, o que o levou a ilustrar os seus livros.

Recebeu, em 1970, o Prémio Nacional de Poesia. Também a sua casa de Vila do Conde, para onde foi após a reforma, figura hoje ainda como Casa Museu.

 

ReferênciaJosé Régio, entre Deus e o Diabo. (2019). José Régio, entre Deus e o Diabo. Retrieved 17 September 2019, from http://ensina.rtp.pt/artigo/jose-regio/

 

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Reconhecido como um dos maiores poetas portugueses contemporâneos, Herberto Helder é apontado como uma referência na poesia portuguesa depois de Fernando Pessoa. O universo enigmático e metafórico da sua poesia invoca muitas vezes uma dimensão cósmica.

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Herberto Helder nasceu na Madeira em 1930 e virou costas à ilha para partir à aventura pela Europa. Passou pela Universidade de Coimbra, mas desistiu por achar que isso não acrescentava nada à sua formação. Andou à deriva por vários países europeus onde teve profissões tão variadas como guia de marinheiros em bairros de prostitutas, cortador de legumes, empacotador de aparas de papel ou estivador. Deu largas à imaginação nas retretes privadas de Paris, mas viveu momentos de precariedade e chegou a passar fome. Regressou a Lisboa e passou a viver da própria escrita.

Marcadamente poeta, os livros que escreveu em prosa também marcaram a diferença, sobretudo pela linguagem ousada e sem preconceitos. É em obras como ‘Os Passos em Volta’ e ‘Photomaton & Vox’ que podemos encontrar um maior número de referências autobiográficas. Tal como a sua poesia, Herberto Helder é para o público uma personalidade enigmática. Recusou o Prémio Pessoa e com ele mais de 35 mil euros. Foi proposto pelo Pen Clube de Portugal como português candidato ao Prémio Nobel da Literatura. Mas ninguém duvida que, caso viesse a ganhar o mais alto galardão internacional da literatura, seria mais um autor a recusar o prémio, como fez  Jean-Paul Sartre.

 

Referência: Herberto Helder, um poeta obscuro. (2019). Herberto Helder, um poeta obscuro. Retrieved 29 July 2019, from http://ensina.rtp.pt/artigo/herberto-helder-meu-deus-faz-com-que-eu-seja-sempre-um-poeta-obscuro/

 

 

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