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Entre Deus e o Diabo

"Poemas de Deus e do Diabo" é o primeiro título assinado com o nome de José Régio, deixando o verdadeiro nome de batismo, José Maria dos Reis Pereira, entregue à mundanidade que a sua literatura ultrapassou, fixando-se como um marco de relevo.

A tese de licenciatura “As Correntes e as Individualidades na Moderna Poesia Portuguesa” relevava nomes praticamente desconhecidos à altura, como o de Fernando Pessoa ou o de Mário de Sá-Carneiro e a sua publicação dá-se apenas em 1941 sob o título de “Pequena História da Moderna Poesia Portuguesa”.

A atividade literária de registo inicia-se com “Poemas de Deus e do Diabo”, em 1925. Funda, juntamente com Branquinho da Fonseca e João Gaspar Simões, a revista Presença, marco do segundo modernismo português. Multiplica o nome em jornais e revistas, começa a lecionar Português e Francês num liceu do Porto e, em 1928, ruma a Portalegre, onde reside por quase quarenta anos, aí existindo, no edifício onde habitou, uma Casa Museu.

Na sua obra, assume relevo a reflexão sobre os conflitos surgidos entre Deus e o Homem, entre o indivíduo e o mundo em que se insere, coletivamente. Essa reflexão proporciona-lhe uma, por vezes dolorosa, auto-análise, que regista em literatura num tom misticista, escrevendo sobre a problemática da solidão e da complexidade das relações humanas. O seu talento estendia-se também ao gosto pelas artes plásticas, o que o levou a ilustrar os seus livros.

Recebeu, em 1970, o Prémio Nacional de Poesia. Também a sua casa de Vila do Conde, para onde foi após a reforma, figura hoje ainda como Casa Museu.

 

ReferênciaJosé Régio, entre Deus e o Diabo. (2019). José Régio, entre Deus e o Diabo. Retrieved 17 September 2019, from http://ensina.rtp.pt/artigo/jose-regio/

 

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Reconhecido como um dos maiores poetas portugueses contemporâneos, Herberto Helder é apontado como uma referência na poesia portuguesa depois de Fernando Pessoa. O universo enigmático e metafórico da sua poesia invoca muitas vezes uma dimensão cósmica.

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Herberto Helder nasceu na Madeira em 1930 e virou costas à ilha para partir à aventura pela Europa. Passou pela Universidade de Coimbra, mas desistiu por achar que isso não acrescentava nada à sua formação. Andou à deriva por vários países europeus onde teve profissões tão variadas como guia de marinheiros em bairros de prostitutas, cortador de legumes, empacotador de aparas de papel ou estivador. Deu largas à imaginação nas retretes privadas de Paris, mas viveu momentos de precariedade e chegou a passar fome. Regressou a Lisboa e passou a viver da própria escrita.

Marcadamente poeta, os livros que escreveu em prosa também marcaram a diferença, sobretudo pela linguagem ousada e sem preconceitos. É em obras como ‘Os Passos em Volta’ e ‘Photomaton & Vox’ que podemos encontrar um maior número de referências autobiográficas. Tal como a sua poesia, Herberto Helder é para o público uma personalidade enigmática. Recusou o Prémio Pessoa e com ele mais de 35 mil euros. Foi proposto pelo Pen Clube de Portugal como português candidato ao Prémio Nobel da Literatura. Mas ninguém duvida que, caso viesse a ganhar o mais alto galardão internacional da literatura, seria mais um autor a recusar o prémio, como fez  Jean-Paul Sartre.

 

Referência: Herberto Helder, um poeta obscuro. (2019). Herberto Helder, um poeta obscuro. Retrieved 29 July 2019, from http://ensina.rtp.pt/artigo/herberto-helder-meu-deus-faz-com-que-eu-seja-sempre-um-poeta-obscuro/

 

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"Quando me perguntam qual é o maior cientista de sempre, respondo: na minha área, é Shakespeare"


Cada vez mais biólogo e menos neurocientista, António Damásio insiste nas humanidades para formar homens e cientistas. No seu mais recente livro dá primazia aos sentimentos como formadores de consciência e motor da ciência, e refere a necessidade de um pacto global sobre educação.

O que leva um estudante a levantar a mão quando o professor lhe fala de um tema que o intimida? Como reagirão as gerações que cresceram com as redes sociais, quando precisarem de tempo, mais tempo, do que o imediato? Estamos a viver uma crise na actual condição humana diz António Damásio no seu mais recente livro, A Estranha Ordem das Coisas, que dá prioridade aos sentimentos. Na vida, na ciência, na cultura. Horas depois de aterrar em Lisboa não esconde a emoção perante a edição portuguesa da Temas e Debates. Sorri. Pega no livro de quase 400 páginas, olha a contracapa e retrai a vontade imediata de ver tudo ali. Mais tarde confessará que é um chato com o português. Escreve em inglês, pensa em inglês, mas o português é a sua língua. Quando, ao longo da conversa, na oralidade, lhe sai um vocábulo em inglês trata de arranjar a tradução certa, sobretudo se for para descrever um sentimento. É que são os sentimentos o que está antes de tudo no livro que dedica à sua mulher, Hanna Damásio, e na conversa onde haverá de dizer, já desligado o gravador, que também fala alemão e namora em italiano. "É a língua do amor", refere. Como aprendeu? "A ouvir as óperas de Verdi." 

 

 

Referência: Isabel Lucas, R. (2019). "Quando me perguntam qual é o maior cientista de sempre, respondo: na minha área, é Shakespeare". PÚBLICO. Retrieved 23 July 2019, from https://www.publico.pt/2017/11/05/ciencia/entrevista/antonio-damasio-1791116

 

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As pupilas do senhor reitor

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Primeiro publicadas em folhetim, no Jornal do Porto, As Pupilas de Júlio Dinis tiveram um sucesso tremendo quando saíram em livro, em 1887. O que teria de tão especial esta história passada numa aldeia minhota para se afirmar tão rapidamente como um romance essencial da literatura portuguesa? É o que ficamos a saber neste documentário.

Na segunda metade do século XIX, quando este livro foi escrito, Portugal despontava para a modernidade. A literatura vivia anos dourados com Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós, Almeida Garrett e Alexandre Herculano. Mas nenhum destes escritores tinha até então conseguido retratar fielmente o país rural que existia.

 

 

Júlio Dinis o mito do natural ao serviço duma ideologia
 

Programa de caráter biográfico sobre Júlio Dinis, pseudónimo do escritor Joaquim Guilherme Gomes Coelho, com destaque para as temáticas abordadas e caraterísticas literárias presentes na sua obra.

 

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foto de Tiago Miranda | texto de Luciana Leiderfarb

 

No princípio era o verbo. Aos 72 anos, João Lobo Antunes voltou a ele como se volta a casa. No seu oitavo livro, defende a intensidade, a decência. A esperança. E com vertigem prepara os que hão de vir

 

Em sonhos ainda opera. Vê-se na sala de operações com uma coluna aberta e diz: sei fazer isto, mas estou cansado, não quero estar aqui. Quando acorda, verifica que era verdade. Já não quer estar ali. Retirado desde junho, e “sem lágrimas”, o que tinha a dizer nesse campo está dito e outras são as paisagens que agora lhe interessam. E onde se situam elas? Em que lugar do mapa? O livro que publicou há semanas, “Ouvir com Outros Olhos” (Gradiva), contém parte da resposta. São ensaios curtos sobre temas que o “obrigaram a pensar”. Alguns deles cortam, como bisturis. Outros arrumam, ordenam o caos. Mas não estão isolados. Inserem-se numa realidade de escrita mais plena que o autor sempre desejou e que uma profissão tentacular o foi deixando exercer até quase não se confundir dela — ele que é um médico de palavras e um dos maiores neurocirurgiões do mundo, um homem que jamais foge a uma pergunta, um professor, um ativo humanista e um ex-conselheiro de Estado, e mesmo assim, como generosamente afirma, um filho “derrotado” pelo pai.

 

Eis o presente de João Lobo Antunes, as palavras. As das memórias que anda a escrever e as de um ‘projeto secreto’: a tradução para português de 50 dos poemas em inglês que a filha Margarida lhe remete diariamente desde que soube da sua doença. Às Janelas Verdes, no escritório onde passa muitas das suas horas, Lobo Antunes dissecou esta nova condição. A de ser médico e estar doente. A de ter mais tempo. E a de ser nutrido — porque sempre foi um bom aluno — pelas experiências dos outros, dos que estavam do outro lado, sob as suas mãos.

 

Em “Ouvir com Outros Olhos”, diz que temeu ficar empedernido com a idade e que os anos o tornaram mais sensível. É o relato de uma mudança?
O título do livro recorre a uma sinestesia que envolve dois sentidos diferentes, o visual e o auditivo. O que eu queria dizer é que olho para as pessoas — e qualquer olhar é uma intrusão — com outra profundidade, para lá da superfície, tentando perceber a sua realidade, a sua identidade. Muita coisa é dita com o olhar. Há anos escrevi que não se pode dizer com os olhos aquilo que se nega com a palavra. Diria que foi a experiência da doença que me tornou mais sensível. Como se tivesse esticado a corda do violino e esta vibrasse ao menor toque, com maior intensidade e frequência. Por isso, mais do que uma mudança sofri uma evolução, que introduziu outra doçura na relação com as pessoas.

 

 

Referência: João Lobo Antunes: “O pessimismo é uma profecia que se cumpre”. (2019). Jornal Expresso. Retrieved 10 July 2019, from https://expresso.pt/sociedade/2015-12-31-Joao-Lobo-Antunes-O-pessimismo-e-uma-profecia-que-se-cumpre

 

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António Lobo Antunes visto por dentro na entrevista de Fátima Campos Ferreira feita ao escritor que recebeu a RTP na sua casa.

 

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Autobiografia

Prometi, é verdade. Prometi escrever aqui para o Jonal de Letras a minha Autobiografia. Foi um convite que muito me sensibilizou e mesmo entusiasmou. Mas logo a seguir me afligiu. E depois me apavorou. Telefonei então - tarde e a más horas, reconheço, só para dizer que não ia corresponder a tal convite, porque de repente reparei que havia peripécias da minha vida, tão incríveis que ninguém ia acreditar que fossem reais! Não consegui provar que esta fosse uma grande razão para desistir, e por isso aqui estou, incautamente contando algumas verdades da minha vida.

 

- Nasci no dia 25 de Agosto de' 1930, em Vila Nova de Gaia. Naquele tempo, era muito habitual nascer em casa, com assistência de um médico de família. Lembro-me perfeitamente de nascer. Lembro-me de ter sido o meu pai quem me recebeu nós seus braços e me levou para um sofá amarelo que estava ali no quarto deles. Primeiro, fiquei sossegada, mas de repente comecei a espernear e ouvi claramente a minha mãe dar um grande grito: «Ai, a menina!». O meu pai correu e conseguiu apanhar-me já no ar, entre o sofá e o chão. - Durante largos anos, aquela sensação de cair, desse dia, fez com que, volta não volta, eu passasse a acordar de noite e sempre à mesma hora do meu nascimento, arrepiada pelo meu próprio grito. Um dia, esse grito acabou, sem qualquer razão. Mas não acabou na minha memória, todo o tempo que vivo (a cores, e com o entendimento de uma especial situação). Sempre pensei que este fosse um caso único no mundo, mas um dia li numa revista médica cujo nome não guardei, que há mais casos destes no mundo, embora sejam muitíssimo raros. Entretanto, nasceram as minhas duas irmãs mais novas, mais «normais» ...

 

 

 

Maria Alberta Menéres, Jornal de Letras 2006

 

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O músico e escritor Chico Buarque é o vencedor do Prémio Camões 2019, foi hoje (21 de maio) anunciado, após reunião do júri, na Biblioteca Nacional do Brasil, no Rio de Janeiro.

 

Chico Buarque fora já distinguido duas vezes com o prémio Jabuti, o mais importante prémio literário no Brasil, pelo romance "Leite Derramado", em 2010, obra com que também venceu o antigo Prémio Portugal Telecom de Literatura, e por "Budapeste", em 2006.

 

O músico e escritor foi escolhido pelos jurados Clara Rowland e Manuel Frias Martins, indicados pelo Ministério português da Cultura, pelos brasileiros Antonio Cícero Correia Lima e António Carlos Hohlfeldt, pela professora angolana Ana Paula Tavares e pelo professor moçambicano Nataniel Ngomane.

 

Escritor, compositor e cantor, Francisco Buarque de Holanda nasceu em 19 de junho de 1944, no Rio de Janeiro.

 

Estreou-se nas Letras com o romance "Estorvo", publicado em 1991, a que se seguiram obras como "Benjamim", "Tantas palavras" e "O Irmão Alemão", publicado em 2014.

 

Em 2017, venceu em França o prémio Roger Caillois pelo conjunto da obra literária.

 

O Prémio Camões, instituído pelos Governos de Portugal e do Brasil, em 1988, foi atribuído pela primeira vez em 1989, ao escritor português Miguel Torga.

 

Em 2018 o prémio distinguiu o escritor cabo-verdiano Germano Almeida, autor de "A ilha fantástica", "Os dois irmãos" e "O testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo", entre outras obras.

 

Segundo o texto do protocolo constituinte, assinado em Brasília, a 22 de junho de 1988, e publicado em novembro do mesmo ano, o prémio consagra anualmente “um autor de língua portuguesa que, pelo valor intrínseco da sua obra, tenha contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua comum”.

 

A história do galardão conta apenas com uma recusa, a de Luandino Vieira, em 2006.

 

Lista dos premiados:

1989 – Miguel Torga, Portugal

1990 – João Cabral de Melo Neto, Brasil

1991 – José Craveirinha, Moçambique

1992 – Vergílio Ferreira, Portugal

1993 – Rachel Queiroz, Brasil

1994 – Jorge Amado, Brasil

1995 – José Saramago, Portugal

1996 – Eduardo Lourenço, Portugal

1997 – Pepetela, Angola

1998 – António Cândido de Mello e Sousa, Brasil

1999 – Sophia de Mello Breyner Andresen, Portugal

2000 – Autran Dourado, Brasil

2001 – Eugénio de Andrade, Portugal

2002 - Maria Velho da Costa, Portugal

2003 – Rubem Fonseca, Brasil

2004 – Agustina Bessa-Luís, Portugal

2005 – Lygia Fagundes Telles, Brasil

2006 – José Luandino Vieira, Portugal/Angola

2007 – António Lobo Antunes, Portugal

2008 – João Ubaldo Ribeiro, Brasil

2009 – Arménio Vieira, Cabo Verde

2010 – Ferreira Gullar, Brasil

2011 – Manuel António Pina, Portugal

2012 – Dalton Trevisan, Brasil

2013 - Mia Couto, Moçambique

2014 - Alberto da Costa e Silva, Brasil

2015 - Hélia Correia, Portugal

2016 - Raduan Nassar, Brasil

2017 - Manuel Alegre, Portugal

2018 - Germano Almeida, Cabo Verde

2019 - Chico Buarque, Brasil

 

ReferênciaChico Buarque é o vencedor do Prémio Camões 2019. (2019). SAPO 24. Retrieved 23 May 2019, from https://24.sapo.pt/vida/artigos/chico-buarque-e-o-vencedor-do-premio-camoes-2019

 

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Os primeiros livros foram escritos antes dos 20 anos, quando era estudante de medicina, em Coimbra. Fernando Namora, médico, escritor e também pintor (a sua faceta menos conhecida) documenta ficcionalmente a sua vida: retalhos de um homem simples e humano.

 

O jovem médico andava de aldeia em aldeia, como se fosse um novo e moderno João Semana, mítico personagem de Júlio Dinis. Tirara o curso de medicina por vontade da mãe e descobrira a vocação de acudir “às dores e ao sofrimento alheios”. Na mudança para Lisboa, irá afastar-se do médico “para que o escritor pudesse persistir”.

 

Muito da sua vida começada na aldeia de Vale Florido, a 15 de abril de 1919, há de fazer parte das histórias dos seus romances, essa outra vocação que o encontrou na adolescência. Como o gosto pela pintura a transparecer no jornal que, nos tempos de escola, criara sozinho: páginas escritas e ilustradas por Fernando Namora. O  que veio depois, até ao ano da sua morte, em 1989, está condensado em mais de 30 livros. Os primeiros surgiram antes de terminar o curso em Coimbra. Desse tempo são “Almas sem Rumo” e “Cabeças de Barro”. A estreia na poesia acontece em 1938, com a publicação de “Relevos”. No mesmo ano, um novo romance: “As Sete Partidas do Mundo”.

 

Homem do campo e da cidade, conhecedor de diferentes realidades sociais e dos dramas humanos, o narrador aproxima-se claramente do neorrealismo, embora algumas das suas obras pendam para o existencialismo. O autor de “Retalhos da vida de um Médico”, romance adaptado para o cinema, dizia que os seus livros eram acessíveis e fáceis de ler.

 

Referência: Fernando Namora: retalhos da vida de um médico-escritor. (2019). Fernando Namora: retalhos da vida de um médico-escritor. Retrieved 17 April 2019, from http://ensina.rtp.pt/artigo/fernando-namora-retalhos-da-vida-de-um-medico-escritor/

 

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Série ficcionada sobre a vida e obra do escritor, dramaturgo e político liberal João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett, da autoria de António Torrado.

 

Referência: Garrett. (2019). Arquivos.rtp.pt. Retrieved 13 March 2019, from https://arquivos.rtp.pt/programas/almeida-garrett?sfns=mo

 

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