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Fonte da imagem: https://crispasuper.files.wordpress.com/2012/06/roteiro2.pdf

A biblioteca escolar é uma instituição de memória que promove o acesso, preservação e divulgação do património cultural e arte, criando oportunidades, através da educação, das pessoas vivenciarem, dialogarem e unirem-se por este meio.

Para a Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA), que trabalha com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) para garantir o seu acesso universal, conhecimento e preservação, a herança cultural 1 é uma prioridade para o desenvolvimento presente e futuro das pessoas e comunidades: “Uma comunidade prospera por meio da sua herança cultural e morre quando ela deixa de existir”.

Quando se fala em arte, cultura ou património, que imagens ocorrem?
 
A. Infraestruturas – museus, centros de arte, monumentos – de acesso reservado, compostas por obras criadas por pessoas de excecional talento, os artistas?
B. Espaços cujo perímetro coincide com a “zona velha”, histórica de um território?
C. Algo que só interessa a uma elite, conjunto restrito de especialistas?
D. A sua salvaguarda e desenvolvimento deve ser garantida pelo governo ou por todos os cidadãos?
 
Abordagem educativa às artes: qual é o propósito e público-alvo?
 
E. “Serve só para ensinar a apreciar ou deve ser também um meio para melhorar a aprendizagem de outras matérias?”
F. “A arte deve ser ensinada como disciplina virada para si própria ou virada para o conjunto de conhecimentos, capacidades e valores que pode transmitir (ou ambas as coisas)?”
G. “Destina-se a um núcleo restrito de alunos talentosos em disciplinas selecionadas ou é para todos?”
UNESCO. (2006). Roteiro para a Educação Artística, p. 4.

 

De acordo com o Roteiro para a Educação Artística 2, elaborado na sequência da I Conferência Mundial de Educação Artística, organização conjunta da Comissão Nacional da UNESCO e do Governo de Portugal (2006, Lisboa), a educação artística e cultural proporciona o “desenvolvimento completo e harmonioso” das crianças e jovens (p. 5), ultrapassando os limites do modelo verbal, racional e lógico-matemático de educação.

Pode “contribuir de modo significativo para a melhoria do desempenho dos estudantes em domínios como a alfabetização e a aprendizagem do cálculo, além de produzir benefícios humanos e sociais” (p. 22) ao transmitir valores, atitudes, conhecimentos e competências que promovem o desenvolvimento sustentável, a diversidade cultural, a emancipação individual através da educação e formação, a participação – arte e cultura são formas de exercício da liberdade de expressão e envolvimento na vida pública, a exploração e afirmação de “perspetivas únicas”, de identidade (p. 6) e de sentido para a vida, a coesão social.

A aprendizagem através das artes e cultura beneficia o desenvolvimento emocional, a saúde mental e o bem-estar, ajudando a curar tempos de crise. Arte e cultura foram o mais eficaz antídoto ao confinamento e perda de liberdades imposto pela pandemia Covid-19. Diz o escritor Dany Laferrière, “Depois do sismo do Haiti [de 2010], muitos pintores, músicos e poetas emergiram. Transformamos o desastre em flores e oferecemo-las ao mundo”. A música We Are The World 25 For Haiti 3 é uma dessas manifestações.

A aprendizagem através da arte e cultura ajuda à aprendizagem em outras áreas curriculares e melhora a motivação para aprender, o aproveitamento escolar e o absentismo em geral.

Desafios sociais, como a desigualdade de género, descriminação, crime e violência, passividade e indiferença social e política, também podem ser mitigados através de investimento nesta área.

 

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UNESCO. Indicadores Temáticos de Cultura na Agenda 2030 4

A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável 5 é o primeiro documento a considerar que arte e cultura são facilitadoras e aceleradoras do desenvolvimento sustentável. A maioria dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) - educação, saúde, igualdade de género, redução das desigualdades, sustentabilidade ambiental, sociedades pacíficas e inclusivas, cidades sustentáveis, trabalho digno e crescimento económico, segurança alimentar - reconhecem que arte e cultura contribuem para a mudança. Para além de estarem presentes, de forma transversal, nos outros setores, arte e cultura contribuem para o desenvolvimento como uma atividade que, por si mesma, gera valor económico, social e ambiental. Na Agenda 2030 arte e cultura são descritas de forma ampla, incluindo património cultural, indústrias criativas, cultura e produtos locais, criatividade e inovação, materiais locais e diversidade cultural.

De acordo Bibliotecas, Desenvolvimento e Agenda 2030 6 da IFLA, “As bibliotecas são instituições essenciais para atingir as 17 Metas/ ODS ” e “parceiras importantes dos governos”, pois têm por missão fazer cumprir o acesso universal a uma educação e aprendizagem de qualidade ao longo da vida (ODS 4) e “a inclusão no acesso à informação, salvaguarda do patrimônio cultural, alfabetização universal e acesso às tecnologias de informação e comunicação”. De acordo com a Agenda 2030, o acesso à informação, "Meta 16.10: Garantir o acesso do público à informação e proteger as liberdades fundamentais, de acordo com a legislação nacional e acordos internacionais", à cultura (meta 11.4) e às tecnologias digitais (metas 5b, 9c, 17.8) são essenciais para desenvolver a criatividade, alcançar os ODS e a “participação cultural e criativa inclusiva”.

Uma abordagem das artes e cultura ligada ao currículo é, para a RBE, uma prioridade e, por isso, em 2021 apoia a celebração de duas efemérides que visam o desenvolvimento sustentável através desta expressão e herança.

O Ano Internacional da Economia Criativa para o Desenvolvimento Sustentável 7 (#Creative Economy2021) declarado na 74.ª sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas. De acordo com a resolução da ONU 8 esta efeméride deve aumentar a consciencialização do papel das indústrias criativas para a recuperação e alcance dos ODS. Durante a pandemia a economia criativa tem florescido em ambiente digital, gerando crescimento económico e oportunidades de participação inclusiva e defesa dos direitos humanos. A IFLA promove a participação cultural das bibliotecas nesta comemoração 9 pois a criatividade humana, expressa através da arte e cultura, gera inovação e soluções para os desafios atuais e reforça as “nossas identidades, valores e visão do mundo” e é importante refletir sobre formas de apoiar as plataformas digitais criativas e enfrentar as “desigualdades na participação cultural”.

Este Ano Internacional é lançado pelos responsáveis da Convenção 2005 de Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais 10, da qual Portugal é signatário. A IFLA desafia as bibliotecas a refletir sobre as formas de proteger e promover diversas expressões culturais e a participação de todos na economia criativa.

A Semana Internacional da Educação Artística 11 promovida pela UNESCO todos os anos na quarta semana de maio e que em 2021 se realiza entre 24 e 30 de maio. Esta celebração foi uma decisão da sua 36.ª Conferência Geral de 2011, baseada nos argumentos que se podem ler na sua página principal:

“Hoje, as habilidades, valores e comportamentos promovidos pela educação artística são mais importantes do que nunca. Essas competências - criatividade, colaboração e solução imaginativa de problemas - desenvolvem resiliência, estimulam a apreciação da diversidade cultural e da liberdade de expressão e cultivam a inovação e as habilidades de pensamento crítico. Como um vetor de diálogo no sentido mais elevado, a arte acelera a inclusão social e a tolerância em nossas sociedades multiculturais e conectadas.”

 

Referências

1. Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias. (s.d.). Herança cultural – O trabalho da IFLA na preservação do património cultural. IFLA. https://www.ifla.org/cultural-heritage

2. Comissão Nacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. (2006). Roteiro para a Educação Artística – Desenvolver as capacidades criativas para o século XXI. UNESCO. https://crispasuper.files.wordpress.com/2012/06/roteiro2.pdf

3. Jones, Q., Richie, L. (prod.). (2010, February 1). We Are The World 25 For Haiti. A&M Recording Studios. https://www.youtube.com/watch?v=Glny4jSciVI

4. Centro del Patrimonio Mundial de la UNESCO. (2020, 12 junio). Portal de la Cultura: Indicadores Temáticos para la Cultura en la Agenda 2030. UNESCO. http://www.lacult.unesco.org/noticias/showitem.php?lg=1&id=5805

5. Centro Regional de Informação das Nações Unidas. (2021). Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – 17 Objetivos para Transformar o Nosso Mundo. UNRIC. https://unric.org/pt/objetivos-de-desenvolvimento-sustentavel/

6. Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias. (2020, 10 de março). Bibliotecas, Desenvolvimento e Agenda 2030 das Nações Unidas. IFLA. https://www.ifla.org/libraries-development

7. Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento. (s.d.). Ano Internacional da Economia Criativa para o Desenvolvimento Sustentável, 2021. UNCTAD. https://unctad.org/topic/trade-analysis/creative-economy-programme/2021-year-of-the-creative-economy

8. General Assembly of United Nations. (2019, 8 November). International Year of Creative Economy for Sustainable Development, 2021. ONU. https://undocs.org/A/C.2/74/L.16/Rev.1

9. Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias. (2021, 1 de fevereiro). Bibliotecas abrindo portas para a participação cultural no Ano Internacional da Economia Criativa para o Desenvolvimento Sustentável. IFLA. https://www.ifla.org/node/93604

10. Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. (s.d.). Convenção para a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais de 2005. UNESCO. https://en.unesco.org/creativity/convention/texts

11. Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. (s.d.). Semana Internacional da Educação Artística. UNESCO. https://en.unesco.org/commemorations/artseducationweek

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Coro de Leitura em Voz Alta da EB Professor João Dias Agudo,
Póvoa da Galega, Agrupamento de Escolas da Venda do Pinheiro, Mafra

Era uma vez… Uma educadora responsável por uma biblioteca escolar de uma escola básica integrada.

Era uma vez… Um clube de leitura em voz alta – CleVA que funcionava na biblioteca municipal de Alcochete, dirigido pela Andante Associação Artística.

Era uma vez… Um ano letivo em que essa educadora frequentou esse clube de leitura. Quinzenalmente lá ia, na companhia de outra colega de escola e de “carolice”, ao abrir da noite e no final do dia de trabalho, de Mafra a Alcochete, para ler em voz alta com os restantes companheiros do clube. A experiência desse ano foi marcante, mas acabou. E outro ano se seguiu, em que já não foi possível continuar a aventura.

E esse ano passou… E outro, e outro… A saudade, a vontade de regressar lutavam com a consciência de não ser possível conciliar todas as tarefas e responsabilidades para voltar, e assim corriam os dias. Quando o clube de leitura de Alcochete se transformou em coro de leitura foi a gota de água!

E a decisão surgiu: formar um coro de leitura na biblioteca escolar. E dia a dia foi-se desenhando mais e mais nítido o contorno do projeto. Foi um tempo de reflexão, de pesquisa, de tomada de opções para que, no ano letivo de 2018/ 2019, o convite fosse lançado às crianças.

Não vou alongar-me a descrever como funciona o coro, o que faz, pois tudo isso está disponível no nosso mural.

Prefiro refletir um pouco sobre o percurso que trilham crianças que o frequentam:

E vale a pena olhar para esse percurso de vários pontos de vista: falemos desde já das competências leitoras. Todos sabemos que elas enraízam num ponto fulcral, encontrar sentido(s) para ler, fazer da leitura um passaporte pessoal e intransmissível para olhar a vida, o mundo, nós mesmos. E este é o alicerce do CLeVinhA. Desde sempre.

A proposta que o coro de leitura faz às crianças é descobrir a leitura juntamente com outros colegas. Não importa ler bem, não importa ter ou não dificuldades de leitura, não importa sequer gostar de ler. Importa, sim, querer experimentar e ser leitor minimamente autónomo. Por esta razão o convite é feito a todos os alunos da escola a partir o segundo ano de escolaridade.

Após ser feito o convite nas turmas, os alunos aparecem na biblioteca para a primeira reunião. É o tempo de explicar, de confrontar expectativas, de expor as condições fundamentais para fazer parte. E saliento: sentido de comprometimento, os alunos que ficam a fazer parte do coro sabem que não devem faltar às sessões, desde que estejam na escola. Período de reflexão e de avaliação das expectativas: combina-se que o primeiro mês será, para todos, experimental, qualquer um pode dizer que afinal não quer continuar… Com uma regra: deve anunciar essa decisão numa sessão do coro, todos ficamos informados, é uma questão de aprendizagem de respeito pelo grupo e de saber assumir as decisões pessoais.

Findo esse mês inicial o coro fica apto a funcionar ao longo do ano letivo, com um grupo de alunos estável e permanente.

E assim vamos percorrendo o caminho, normalmente trabalhamos em duas sessões semanais de meia hora cada.

Desde o primeiro ano de funcionamento que é usual o coro apresentar-se nas festas e comemorações da comunidade escolar. Assim, naturalmente, as crianças que o compõem aprendem a gerir a exposição, a vergonha e timidez e a sentir alegria e orgulho de terem sido capazes e de ouvirem dos outros um retorno positivo. Claro que esta é uma consequência da existência do coro, não é a sua razão de existir. O coro trabalha fundamentalmente para usufruto dos seus membros, para veicular e consolidar experiências leitoras significativas, alargar competências diversificadas e possibilitar a proximidade das crianças com o texto literário, poético ou narrativo.

Que dizer mais? Que é uma paixão trabalhar com os meninos neste contexto. Que é uma descoberta constante. Que é tão envolvente, tão fascinante, como um bom livro.

Ana França
4 de fevereiro de 2021

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ARTIGO DE OPINIÃO
Por Sofia Colares Alves, Representante da Comissão Europeia em Portugal

A escola Bauhaus de arquitetura e artes nasce em 1919 na cidade de Weimar e, rapidamente, cria um movimento internacional artístico que influencia o pensamento criativo, equilibrando funcionalidade e arte, em todo o mundo desde há mais de um século.
Os desafios de hoje, à escala mundial como são as alterações climáticas e a poluição, a desigualdade social, a digitalização e as mudanças demográficas exigem um novo paradigma com novas perspetivas para desenhar soluções alternativas.
A União Europeia pode desempenhar um papel de liderança, guiada pelo Pacto Ecológico Europeu: a nossa maior prioridade e que traça a meta de sermos o primeiro continente com um impacto neutro no clima em 2050. Isto exige muito mais do que uma simples redução das emissões. Exige um novo modelo económico que devolva ao planeta aquilo que dele retira, graças a uma economia circular alimentada pelas energias renováveis.
Não vemos este caminho apenas como um projeto ambiental ou económico. O Pacto Ecológico Europeu deve também, e sobretudo, ser um novo projeto social e cultural para a Europa. Esta mudança no sistema precisa de uma estética própria ― uma combinação de design e sustentabilidade.
É por isso que decidimos lançar um novo movimento Bauhaus europeu, um espaço colaborativo e criativo multidisciplinar: arquitetos, artistas, estudantes, cientistas, engenheiros e designers trabalham em conjunto para tornar esta visão uma realidade. A nova Bauhaus europeia deve ser a força motriz que permitirá concretizar o Pacto Ecológico Europeu de uma forma atraente, inovadora e centrada no ser humano.
Além de sustentáveis, as mudanças rumo a este novo modelo de sociedade devem ter também no seu centro a acessibilidade e a estética, para que reciclar, produzir e consumir de forma sustentável e cuidar da biodiversidade sejam processos naturais. Fazer do Pacto Ecológico Europeu uma realidade que se possa sentir, ver e viver. Por exemplo, graças a um setor da construção que utilize materiais naturais como a madeira ou o bambu. Ou graças a uma arquitetura que adote formas e princípios de construção próximos da natureza, que tenha em conta os ecossistemas na sua totalidade e que integre a sustentabilidade e a reutilização.
A nova Bauhaus europeia deve igualmente tirar partido da outra megatendência revolucionário do nosso século. A digitalização está a alterar cada vez mais a nossa forma de pensar e de agir.
Aprendendo com o movimento histórico, a nova Bauhaus europeia deve ter uma ligação ao mundo da arte e da cultura e aos desafios sociais e mostrar que aquilo que é necessário pode ser simultaneamente belo e que o estilo e a sustentabilidade podem andar de mãos dadas.
A mudança necessária toca nos hábitos e forma de ver o mundo, o que somos e fazemos. Uma mudança no amago de como vemos e tomamos coisas como certas e possíveis. A nova Bauhaus europeia criará o espaço para essa mudança.
Nos próximos dois anos, serão lançados cinco projetos da nova Bauhaus europeia em vários países da União Europeia. Com a tónica comum na sustentabilidade, cada projeto terá uma perspetiva diferente. Podem centrar-se nos materiais de construção naturais, na eficiência energética, na demografia, na mobilidade orientada para o futuro ou na inovação digital eficiente em termos de recursos, mas sempre em combinação com a arte e a cultura. Estes laboratórios criativos e experimentais vão criar uma rede europeia e mundial que maximize o impacto económico, ecológico e social, fomentando um movimento criativo e interdisciplinar que promova normas estéticas e funcionais, em sintonia com as tecnologias de ponta, o ambiente e o clima.
Até ao verão de 2021, a Comissão vai coordenar um processo de cocriação participativo e depois lançar a rede de cinco escolas Bauhaus fundadoras em 2022 em diferentes países da UE. Convido todos os artistas, arquitetos, ativistas, cientistas, designers, empreendedores, engenheiros, inovadores e todos os outros que queiram, para contribuir e participar com os marcadores #EUBauhaus e #EUGreenDeal e no website da Comissão Europeia.

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Fonte: https://pixabay.com/pt/illustrations/c%C3%A9rebro-mente-psicologia-id%C3%A9ia-2062057/

Este tema tem vindo a ganhar centralidade nos discursos e prioridades identificadas por organizações internacionais de referência (Unesco, OCDE, Conselho da Europa, Nações Unidas, UNICEF, IFLA...) e em políticas educativas, como acontece em Portugal com o Plano Nacional das Artes.

Também o gabinete responsável pela execução do Programa Rede Bibliotecas Escolares (RBE) em Portugal instituiu a questão da cultura e das artes como uma das prioridades para a ação das bibliotecas escolares em 2020/21 e, como forma de a tornar visível, disponibiliza na sua biblioteca escolar digital uma recolha de museus presentes no mundo virtual que pode ajudar as bibliotecas a desenharem atividades e a impulsionarem experiências educativas inovadoras nas escolas.

A educação para uma cultura participativa, crítica e mediática, aliada a uma aprendizagem aberta e em rede, emerge como um dos grandes desafios educativos do século XXI. Tais desafios exigem pensamento e articulação de políticas orientados para a coesão social, vivência democrática, inovação e igualdade de acesso à educação, onde o papel do processo cultural não pode ser subestimado.

Mas, o que torna a arte tão importante para a educação a ponto de lhe dedicarmos uma atenção especial e uma parte substancial de recursos e da nossa força anímica? Por que razão a arte deve ser incorporada, de forma mais transversal, no processo de ensino aprendizagem?

Se pensarmos do ponto de vista do valor da própria arte, embora não exista uma resposta amplamente consensual (arte, é uma palavra aberta que incorpora uma multiplicidade de sentidos e modos de compreensão), há uma aceitação, mais ou menos generalizada, de que que o seu valor reside nos efeitos que produz na nossa cognição (as sensações que a arte provoca conduzem-nos a novas maneiras de ver, ouvir, sentir, imaginar e pensar).

Também vários estudos (Cf. El arte por el arte? ; Measuring Innovation in Education 2019) e relatórios de organizações internacionais (p.ex. Re | Pensar as políticas culturais- Criatividade para o desenvolvimento 2018) sublinham que a arte e a educação através da arte têm um papel importante na construção de um futuro sustentável, já que a promoção da criatividade, inovação e pensamento crítico, fomentam a existência de uma cultura emancipadora, de igualdade e responsabilidade social.

Ora, o enfoque no desenvolvimento deste tipo de competências e aprendizagens, a inscrever de forma transversal na didática de qualquer disciplina, apela a novas lógicas não só de diluição de barreiras entre áreas do saber, como, também, no desenvolvimento de múltiplas formas de literacia, por meio das quais o conhecimento é construído.

Mas como intervir no processo de ensino-aprendizagem? Que modos de intervenção?

Multiplicar os espaços de aprendizagem dos alunos pode ser uma boa via de acesso. Trazer museus, arquivos e bibliotecas para a sala de aula, atribuindo-lhes espaço e tempo curricular adequados, pode ser um primeiro passo.

Vários agentes culturais têm vindo a aprimorar o acesso a coleções e a disponibilizar programas educativos com elevado potencial didático. Programas que estimulam a produção de sentido, a sensibilidade estética e o livre exercício da curiosidade, recorrendo a estratégias pedagógicas que tradicionalmente se encontram fora dos modos de pensar e de fazer da escola, mas que se mostram eficazes em potenciar aprendizagens significativas.

O Museu de Arte Moderna (Museum of Modern Art), mais conhecido como MoMA, é disso um exemplo. Trata-se de um museu sem fronteiras, capaz de criar um diálogo com o visitante, dando-lhe uma visão dinâmica e multidisciplinar, na exploração da arte, das ideias e dos problemas de nosso tempo.

O desafio que se apresenta neste sítio inscreve-se nesse limiar do poder fazer diferente no que às artes na educação diz respeito. É como se uma porta se abrisse para um determinado período de tempo, no qual é possível identificar temas preponderantes, cujas visões originais ajudam a expandir os limites da arte como meio de expressão e, simultaneamente, permitem conhecer, refletir e contemplar obras dos mais influentes artistas da contemporaneidade.

O contacto com a coleção, associada a um conjunto de recursos complementares (para uso em sala de aula ou para aprendizagem autoguiada) oferece oportunidades de enriquecimento pessoal e pedagógico.
Repare-se, por exemplo:
- no uso construtivo de métodos sensíveis de questionamento, presente no desenho de atividades como ocorre em Modern Landscapes
- no desenho de atividades, cujos objetivos de aprendizagem induzem:

● à descoberta de quadros famosos (ex. Three Musicians, de Pablo Picasso ; I and the Village, de Marc Chagall …);
● à discussão de conceitos (ex. Bicycle Wheel, de Marcel Duchamp; The Birth of the World, de Joan Miró…) e de preconceitos (American People Series #20: Die, de Faith Ringgold);
● à exploração e análise de imagens (Migrant Mother, de Dorothea Lange);
● ao entendimento de correntes artísticas ( ex. aprender a pintar no estilo cubista dos artistas Pablo Picasso e Georges Braque ; Painting Modern Life)
● à exploração de temáticas (p.ex.Migration and Movement; Globalization and the Standardization of Identity)
● ao envolvimento do aluno na descoberta (ex. design) e no conhecimento de técnicas de pintura (ex. Elementos que se juntam para formar tinta....)

Nestas microforças pressente-se um núcleo de resistência capaz de se erguer contra as lógicas de exposição e repetição que têm alicerçado as práticas pedagógicas nas escolas. Caberá, no entanto, ao professor o complexo encargo e os saberes para criativa e criticamente: selecionar as atividades que melhor se adequem aos objetivos e contextos de aprendizagem (colocando cada vez mais o aluno como protagonista); recriar o ensino (por meio de projetos transdisciplinares); proporcionar acesso a recursos educativos de qualidade e criar, dessa forma, espaços significativos de aprendizagem.

Destaques:
Tools & Tips
Printed Guides for Educators
Glossary of Art Terms

Bode Inspiratório: 46 escritores juntaram-se para escrever um folhetim à antiga

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46 artistas plásticos ilustraram cada capítulo, e 46 tradutores levaram-nos a outros mundos. O Shifter falou com Ana Margarida de Carvalho, criadora do projecto que juntou alguns dos mais conceituados escritores portugueses e artistas plásticos nacionais.

Começou em Março, em vésperas da declaração de Estado de Emergência em Portugal, pela mão da escritora e ex-jornalista Ana Margarida de Carvalho, que contou em entrevista ao Shifter que o projecto partiu “de uma grande angústia. Da indefinição sobre o que fazer do meu espaço e tempo, face à pandemia sem fim à vista que tínhamos pela frente.“

Ler mais >>

 

«CORONA CORONA»

by Pedro da Silva Martins e Luísa Ducla Soares

Esta é a rave final, a festa possível depois do folhetim terminar.


Depois da banda sonora de Filipe Raposo, finalmente o hino do Bode Inspiratório.
Criado num encontro muito inspirador entre três gerações, a escitora Luísa Ducla Soares, o músico e compositor Pedro da Silva Martins e cantora Leonor Tenreiro com os bailarinos Miguel Duarte e Rachel Mcnamee, autores do vídeo. É a festa que temos. A rave possível do fim do folhetim. Aumentem o som...

 

Conteúdo relacionado:

Bode Inspiratório | wikipédia


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