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Photo by Chris Lawton on Unsplash

A evolução da tecnologia tem trazido alterações à forma como, onde e quando se ensina e aprende. As orientações europeias, agora enquadradas no plano de transição digital, apelam para a necessidade de integrar a tecnologia no dia a dia das instituições e dos indivíduos, impelindo os estados a capacitarem os seus cidadãos. É o caso dos docentes e do seu plano de transição digital que está, atualmente, a ser implementado, a nível nacional. Espera-se, desta forma, melhorar a escola, inovando processos de ensino e de aprendizagem, com recurso à tecnologia.
Desta forma, criam-se as condições para que os alunos possam aprender em qualquer lugar e a qualquer momento, acedendo a recursos digitais de qualidade, criados e/ou selecionados pelos docentes e, consequentemente, adaptados ao perfil de cada estudante.

Este novo paradigma, a que alguns autores chamam “SMART Learning”  (Chen, Cheng e Chew, 2016), parte do princípio de que:
- os alunos são criadores de conhecimento;
- o ensino é flexível e deve adaptar-se ao perfil de cada aluno;
- a tecnologia favorece o acesso a conteúdos educativos em qualquer lugar e a qualquer hora.

A avaliação regula os processos de aprendizagem e é, por isso, fundamental, pois promove o sucesso, contribuindo para a melhoria e a qualidade da educação. É, por isso, imperioso, colocá-la ao serviço do ensino e da aprendizagem, para que as decisões tomadas, nos diferentes níveis de atuação – macro, meso e micro – sejam fundamentadas e assentes em evidências.

Vários organismos internacionais, entre os quais a OCDE (2013) apontam para a necessidade de integrar a tecnologia nos processos de avaliação. Inúmeros projetos europeus têm sido criados, neste âmbito, com destaque para o projeto Assess@Learning (a decorrer de fevereiro de 2019 a fevereiro de 2022), que tem como objetivo principal apoiar a adoção da Avaliação Formativa Digital (AFD) em escolas e salas de aula europeias.
Este projeto envolve cinco países: Espanha, Estónia, Finlândia, Grécia e Portugal. Portugal está representado pela DGE com o Projeto MAIA (Monitorização, Acompanhamento e Investigação em Avaliação Pedagógica).
Foi criado um kit que inclui recursos digitais para apoiar a avaliação do progresso dos alunos e para fornecer informações para serem utilizadas como feedback para melhorar as atividades de ensino e aprendizagem.
Pretende-se, desta forma, aprofundar e refletir sobre as práticas de avaliação formativa dentro e fora da sala de aula, com recursos a ferramentas digitais que permitem apoiar a aprendizagem a qualquer hora e em qualquer lugar, para além de fomentarem práticas de autoavaliação e avaliação pelos pares.

A biblioteca escolar é parceira, por excelência, dos docentes, centrando a sua prática pedagógica em projetos que preveem o desenvolvimento de competências na área da leitura, da informação e dos media, em articulação com o currículo das várias áreas disciplinares. De facto, tal como alerta Rey (2012), uma vez que o currículo está organizado por competências, os alunos devem ser confrontados com tarefas complexas ou situações problema.
Nesse sentido, em articulação com os professores, a biblioteca pode promover a experimentação de técnicas, instrumentos e formas de avaliação diversificadas, de que são exemplo as propostas previstas no kit do projeto Assess@Learning (Looney, J., 2019): plataformas de aprendizagem personalizadas, e-portfólios/ diários digitais, redes sociais, wikis, blogues, narrativas digitais, manuais escolares eletrónicos, aprendizagem móvel, votação na sala de aula, painéis, e ferramentas de monitorização e jogos digitais.
O processo avaliativo destas atividades e/ ou projetos, realizadas em colaboração entre a biblioteca escolar e os docentes, passará pela definição de objetivos de aprendizagem, tendo em conta o referencial de avaliação, e pela recolha de informações relevantes e válidas que permitam analisar todo o processo de aprendizagem e não apenas o produto final (De Ketele, 2011).
Desta forma, repensa-se o ensino e a aprendizagem e o papel dos diferentes atores, integrando a avaliação em todo o processo. Só assim se valorizará a ação do professor, o papel do aluno e a qualidade das aprendizagens.


Referências

Chen, N. S., Cheng, I. L., & Chew, S. W. (2016). Evolution is not enough: Revolutionizing current learning environments to smart learning environments. International Journal of Artificial Intelligence in Education, 26(2), 561-581.
https://link.springer.com/chapter/10.1007/978-3-642-37285-8_18

De Ketele, J.-M. (2011). L’évaluation et le curriculum : les fondements conceptuels, les débats, les enjeux. In Marcel, J.-F. Évaluation et curriculum. Les dossiers des sciences de l’éducation. (pp 89-106). Toulouse : Presses universitaires du Mirail.

Looney, J (2019). Digital Formative Assessment: A review of the literature, disponível em https://bit.ly/34E0jaX

OECD (2013). Review on Evaluation and Assessment Frameworks for Improving School Outcomes, disponível em:
http://www.oecd.org/education/school/oecdreviewonevaluationandassessmentframeworksforimprovingschooloutcomes.htm

Rey, B. (2012). Les compétences à l’école : apprentissage et évaluation. Bruxelles : De Boeck.

 

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