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O último Relatório do Banco de Portugal (Primavera 2010) é dedicado à discussão do tema -  O investimento em educação em Portugal: retornos e heterogeneidade. Citamos os dois parágrafos iniciais, embora todo o documento mereça a nossa atenção:

A educação assume um papel crucial no processo de desenvolvimento económico e social moderno. O crescimento económico sustentável nas economias desenvolvidas requer uma população de trabalhadores, empresários e gestores com um elevado nível de escolaridade. Apenas desta forma se potencia a criação e adopção de novas ideias. Ao longo do século XX o crescimento económico português foi relativamente contínuo, se bem que de forma mais consistente depois da década de 50, mas o seu desenvolvimento educacional foi muito descontínuo. Ao longo de mais de dois terços do século XX o nível educativo mediano dos portugueses não foi além de quatro anos de escolaridade. Apesar dos progressos registados nas últimas décadas, a estrutura educacional em Portugal permanece muito frágil quando comparada com a das restantes economias avançadas. Este facto constitui um entrave ao crescimento da economia portuguesa no presente e no futuro.

O desenvolvimento tecnológico registado ao longo de todo este período foi sempre utilizador intensivo de qualificações. Essas qualificações comandam o aparecimento e a utilização de inovações tecnológicas. As economias que mais progrediram ao longo do século foram aquelas que aliaram uma população activa com elevada escolaridade às instituições promotoras do crescimento, tais como o tipo de governo e a garantia dos direitos de propriedade (Katz e Goldin, 2008). Entre vários países destacam-se os EUA, que lideraram ao longo do século XX a promoção da educação generalizada a toda a população. Mais recentemente, alguns países realizaram progressos assinaláveis no domínio educativo, como por exemplo o Japão e a Irlanda, que têm hoje níveis de escolaridade bastante elevados. O resultado desses investimentos, individuais e colectivos, foi a criação de uma vantagem competitiva na área da inovação e um forte crescimento económico. Em contraste, Portugal iniciou o Século do Capital Humano, como é designado o século XX, com uma redução do número de anos de escolaridade obrigatória, de 5 anos em 1919, para 3 anos em 1930. Esta situação perdurou durante mais de 30 anos e Portugal entrou no último quarto de século com a população activa menos escolarizada de entre todos os países da OCDE.

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