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Blogue RBE

Sex | 03.02.23

Relatório de Tendências da IFLA 2022: Um apelo à esperança na área das bibliotecas

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A IFLA (Federação Internacional de Associações de Bibliotecas e Instituições), à semelhança do que tem feito desde 2013, apresenta o seu novo Relatório de Tendências 2022 [1], um relatório criado por especialistas de várias áreas, que explora e discute as tendências que estão a moldar o mundo e o seu impacto no trabalho das bibliotecas.

Este documento, além de deixar recomendações para a Federação, procura responder às questões emergentes identificadas no último relatório (cuja síntese pode ler no artigo Relatório de tendências da IFLA 2021), apontando caminhos para as bibliotecas e para os profissionais da informação.

São 11 as recomendações para as bibliotecas, estruturadas de acordo com os quatro pilares da missão da IFLA - Inspirar, Envolver, Capacitar e Conectar.

Inspirar

1. Devemos ver as bibliotecas como atores numa grande variedade de áreas políticas

As bibliotecas não se devem isolar no seu campo de trabalho tradicional, pelo contrário, devem assumir-se como stakeholders em discussões relativas a diferentes áreas, desde a saúde ao planeamento urbano, da agricultura à segurança. Isto é, o trabalho das bibliotecas não deve ser visto como um fim em si mesmo, mas sim como um meio para alcançar uma ampla variedade de outros objetivos políticos.

2. Devemos ser mais abertos sobre onde e como nos envolvemos em advocacia, tornando nossas uma maior variedade de questões.

Os profissionais das bibliotecas utilizam com frequência termos como "política da biblioteca" ou "defesa da biblioteca", o que pode limitar a sua ação. As bibliotecas devem assumir-se como atores sempre que o acesso à informação pode fazer a diferença, mas devem também trabalhar com os decisores políticos e outros stakeholders.

Internamente, isto implica que as bibliotecas devem ser criativas para que a sua atuação faça a diferença, mas também realistas, tendo em conta os recursos disponíveis. É necessário estabelecer ligações claras e fortes entre objetivos políticos mais amplos e a agenda das bibliotecas, pois só assim se promoverão mudanças positivas.

3. Devemos intensificar e melhorar a nossa própria advocacia.

Para que as bibliotecas tenham sucesso, devem colocar-se no centro de uma agenda mais ampla. Para isso, é necessário aperfeiçoar a sua comunicação, incluindo a capacidade de falar com os utilizadores e outros stakeholders, nomeadamente os decisores políticos, de forma convincente.

Para garantir que a biblioteca se advoga a si mesma e aos seus objetivos no futuro, é necessário trabalhar com líderes emergentes e encontrar formas de os inspirar.

Envolver

4. Devemos adotar uma definição mais ampla do nosso campo e assegurar que fazer parte dele seja sinónimo de ação.

É necessário criar um espírito de comunidade em torno das bibliotecas, isto é, mostrar o seu valor, o seu papel e a sua importância em múltiplas áreas, de que são exemplo o voluntariado ou o ativismo.

As bibliotecas devem favorecer o desenvolvimento pessoal e o aparecimento de líderes emergentes. É importante refletir sobre o que deve ser feito para envolver aqueles que são novos na profissão, identificando barreiras e criando oportunidades em que se possam envolver.

5. Devemos ver a divulgação como a chave para alcançar as nossas missões.

As bibliotecas têm de cumprir a sua missão, que é a de prestar um excelente serviço, mas devem olhar para fora delas e perceber como é que podem fazer a diferença na vida das pessoas, compreendendo a comunidade de forma ampla.

A forma como a biblioteca comunica, tanto na promoção dos seus serviços como no apoio aos seus utilizadores, é um fator chave para o sucesso.  

Capacitar

6. Devemos sentir vontade de agir perante o futuro.

As bibliotecas devem ter confiança no seu trabalho e na importância que assumem nas suas comunidades. Devem, contudo, abarcar novas ideias e apostar numa estratégia que lhes permita crescer de forma sustentada.

7. Devemos abraçar e partilhar a inovação.

As bibliotecas devem focar-se no futuro e assumir-se como inovadoras, melhorando práticas e colaborando com outros.

As ferramentas digitais têm um papel crucial para a missão da biblioteca, devendo suportar a ideia de uma visão mais forte, construída em torno dos direitos e necessidades da comunidade que serve.

As bibliotecas devem apostar no acesso aberto, apoiando o seu desenvolvimento e encontrando respostas para os desafios que vão surgindo.

8. Devemos ver-nos como uma parte central da infraestrutura da educação.

As bibliotecas devem assumir-se como uma parte essencial da infraestrutura da educação, não só como parceiro na implementação de políticas, mas também propondo novas experiências e conhecimentos que respondam às necessidades dos utilizadores.

As bibliotecas devem apostar na formação não formal e informal, como complemento à aprendizagem mais formal, sobretudo para a população adulta.

9. Devemos apoiar os líderes emergentes como um elemento central da sustentabilidade, assumindo que nós temos potencial para nos desenvolver.

As bibliotecas assumem um papel importante na vida profissional das pessoas, potenciando o aparecimento de novos líderes e fomentando a aprendizagem ao longo da vida. Deve, por isso, investir no desenvolvimento profissional, não apenas na disponibilização de cursos, mas também na concessão de tempo livre para estudar ou participar em atividades relacionadas com o trabalho.

Conectar

10. Devemos fazer da ligação que estabelecemos com os outros na nossa área de atuação uma parte integrante da nossa prática.

As bibliotecas devem criar as condições para que as pessoas se possam relacionar com outros profissionais da área. A diversidade de tipos de trabalho, cultura, experiência e geografia deve ser vista como uma oportunidade para criar algo emocionante e não como uma barreira. É importante construir ligações permanentes entre instituições e associações, partilhando redes e ampliando ligações.

11. Devemos investir seriamente nas nossas ligações com parceiros.

As bibliotecas devem fazer parte de campos políticos mais amplos, trabalhando com outros atores e construindo ligações mais fortes em áreas como o desenvolvimento urbano e a saúde pública.

As bibliotecas devem assumir um papel multifuncional, focado nas necessidades dos indivíduos, pelo que, para além de qualquer área política, devem criar ligações fortes com os decisores políticos em geral.

 

Bibliografia

  1. IFLA (2023).IFLA trend report 2022 update. https://repository.ifla.org/handle/123456789/2456
  2. Fonte da imagem: IFLA (2023).IFLA trend report 2022 update.

 

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