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Blogue RBE

Seg | 11.03.24

Qual é a Impressão Digital de Carbono da sua Biblioteca?

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 1. O que é a Impressão Digital de Carbono?

O conceito de Impressão Digital/Manual de Carbono (Carbon Handprint) foi usado pela primeira vez pela UNESCO, em 2007, “como uma medida de ação de Educação para o Desenvolvimento Sustentável, com o objetivo de diminuir a pegada humana” [2].

Refere-se aos impactos ambientais positivos que uma organização pode alcançar e comunicar/ advocacy.

2. Qual é a sua importância?

A Rede de Bibliotecas Escolares contactou a Carbon Footprint Ltda, especialista em emissões de carbono, que informou que o cálculo da Impressão Digital é qualitativo - apesar de se poder fazer uma estimativa quantitativa usando uma calculadora - e que o importante é medir com precisão a Pegada de Carbono, para que esta possa ser reduzida e ser feito um plano para atingir zero emissões nos próximos anos.

Ainda assim, é importante a comparação com “alternativas tradicionais típicas” que indicam a Impressão Digital, para que a biblioteca escolar possa demonstrar publicamente os seus benefícios de baixo carbono.

A biblioteca escolar pode usar a calculadora de carbono on-line gratuita da Carbon Footprint (nova versão Beta 2024 - Sustrax Lite) [3], encontrando os critérios do cálculo na fonte [4], para os quais deve compilar dados do último ano.

Para além desta calculadora, há muitas outras que pode usar, como a 2030 Calculator da Fin-TechDoconomia, parceira das Nações Unidas ou a Calculadora da Greebly, ou da CoolClimate ou da Conservation International. Nenhuma apresenta calculadora de Impressão Digital automática.

3. Que fatores podem ser contabilizados na Impressão Digital de Carbono?

A biblioteca contribui para o aumento da Impressão Digital adotando práticas de Economia de Partilha, como a disponibilização de coleções, dispositivos, serviços e espaços acessíveis a todas aas pessoas.

Obtém-se o grau de redução de CO², comparando a Pegada de Carbono de um recurso de referência – e.g. livro em papel – com a utilização do mesmo melhorada – e.g. livro emprestado a diversos leitores, ao longo do seu tempo de vida útil. Outro exemplo, é a comparação entre a deslocação através de carro elétrico e o seu equivalente a gasolina: segundo a ONG Transport & Environment, carros elétricos europeus emitem 3 vezes menos CO² [5].

Práticas de Economia Circular, como reparar equipamentos e reciclar e reutilizar resíduos - evitar a palavra lixo, pois este deve ser perspetivado como matéria-prima - também contribuem para aumentar a Impressão Digital da biblioteca.

Empresas e instituições parceiras com Impressão Digital de Carbono positiva têm sistemas de devolução dos produtos para reutilização/reciclagem - que pode implicar descontos ou benefícios na próxima compra/utilização - e contabilizam quantos produtos evitaram que fossem consumidos.

Economia Circular é um “modelo de produção e consumo, que envolve compartilhar, alugar, reutilizar, reparar, reformar e reciclar materiais e produtos existentes pelo maior tempo possível”, prolongando o ciclo de vida dos produtos, através da redução ao mínimo do desperdício e da reutilização contínua [6].

Adquirir produtos de garantia vitalícia, fazer uma visita de estudo com os alunos deslocando-se de bicicleta ou criar parcerias com fornecedores e parceiros com preocupações sociais e sustentáveis e de Comércio Justo, são outras formas de evitar emissões que podem ser contabilizadas.

A criação de um banco do tempo, ferramenta de Economia Solidária que consiste na troca de serviços, também reduz a Pegada de Carbono do leitor/utilizador e da biblioteca.

A criação de atividades – por exemplo, no Dia Mundial da Alimentação ou sobre a Dieta Mediterrânica, património cultural imaterial da humanidade da UNESCO ou cultivo de uma horta escolar de agricultura biológica - que incentivem a Estratégia do Prado ao Prato (Comissão Europeia, 2020) e que passam pela conceção do menu com alimentos locais, sazonais e orgânicos, sem pesticidas, também são contabilizadas.

Se a Pegada de Carbono da biblioteca deriva sobretudo dos consumos do Edifício e o seu aumento provoca a diminuição da Sustentabilidade Física da biblioteca, a Impressão Digital é um critério positivo, cujo aumento provoca uma maior Sustentabilidade Qualitativa e Social da biblioteca, que beneficia os utilizadores e a comunidade nos diversos setores [7].

A biblioteca é neutra em carbono quando a dimensão da sua Pegada de Carbono coincide com a dimensão da sua Impressão Digital e tem um impacto positivo no clima sempre que esta é superior aquela e, neste caso, significa que ela está a ajudar as pessoas a tornarem-se neutras em emissões.

4. Como compensar as emissões de que a biblioteca é responsável?

No caso de a Pegada de Carbono da biblioteca ser superior à sua Impressão Digital, é necessário realizar ações de compensação.

Tendo por base critérios de justiça, a Compensação de Carbono (Carbon Offsetting) permite equilibrar as emissões no Planeta e pode fazer-se realizando ações ou projetos que contribuam para a mudança climática, como plantar árvores ou fazer voluntariado junto de populações vulneráveis.  

Conscientes de que reduzir as emissões não é suficiente, eventos das Nações Unidas, da Cimeira de Davos ou da Jornada Mundial da Juventude têm calculadoras próprias que medem as emissões e propõem ações de compensação.

5. Instrumento para melhoria das políticas públicas

O método da pegada centrado no utilizador, de modo a que ele tenha controlo de todo o processo, é usado para “medir e comunicar o potencial impacto ambiental do ciclo de vida” de um produto ou organização e é recomendado pela Comissão Europeia porque é de fácil adoção, facilita a comparabilidade de dados e informa os decisores políticos constituindo uma importante ferramenta para a tomada de decisões políticas [8].

Referências

  1. Go Climate Positive. (2024). What Is a Carbon Handprint? https://go-positive.co.uk/what-is-a-carbon-handprint
  2. Grönman et al. (2018). Carbon handprint – An approach to assess the positive climate impacts of products demonstrated via renewable diesel case. Journal of Cleaner Production, vol. 206, pp. 1059-1072. https://doi.org/10.1016/j.jclepro.2018.09.233
  3. Carbon Footprint Ltd. (2024). Free Carbon Calculators: for Individuals and Small Businesses. https://www.carbonfootprint.com/calculator1.html
  4. Carbon Footprint Ltd. (2024). Leading Online Carbon Calculation Tools. https://www.carbonfootprint.com/small_business_calculator.html
  5. Transport & Environment. (2022). How clean are electric cars? https://www.transportenvironment.org/discover/how-clean-are-electric-cars/
  6. European Commission. (2020a). A new Circular Economy Action Plan For a cleaner and more competitive Europe. https://eur-lex.europa.eu/resource.html?uri=cellar:9903b325-6388-11ea-b735-01aa75ed71a1.0017.02/DOC_1&format=PDF
  7. International Federation of Library Associations and Institutions. (2024). IFLA Green Library Award 2024 Evaluation Criteria. https://www.ifla.org/g/environment-sustainability-and-libraries/ifla-green-library-award-2024-evaluation-criteria/
  8. Comissão Europeia. (2021). Recomendação da Comissão sobre a utilização dos métodos da pegada ambiental para a medição e comunicação do desempenho ambiental ao longo do ciclo de vida de produtos e organizações. https://eur-lex.europa.eu/resource.html?uri=cellar:75e0de0f-5e6d-11ec-9c6c-01aa75ed71a1.0023.02/DOC_1&format=PDF
  9. 📷 1.

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