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Fonte: https://pilaresdofuturo.org.br/

Pilares do Futuro é uma plataforma conetora de boas práticas em cidadania digital, realizadas e dirigidas a professores de todos os níveis de educação.
 
Reconhecendo o professor como (co)autor/ formador que cria propostas que podem inspirar os seus pares a experimentá-las e construir outras, dispõe de um espaço de registo e compartilha em que as práticas apresentadas são apreciadas por um comité científico e pedagógico, no qual os professores também participam e que, em diálogo com os autores, podem ser aperfeiçoadas.
 
Exemplos destas atividades com crianças e jovens, descritos como roteiros didáticos a adaptar ao contexto e perfil dos participantes: 
 
- Quem ensina a inteligência artificial do Google?
Os participantes são desafiados a tomar consciência de que a pesquisa de objetos do dia-a-dia (gato, chocolate, flor, rapariga, futebolista…) não é neutra, nem desinteressada, modifica e restringe a perceção, experiência e conhecimento que cada um tem da vida. Neste contexto, a privacidade e informação independente apresentam-se como um bem essencial e é-lhes sugerido que usem outros motores de busca que, ao contrário da empresa privada Google, não armazenem dados que identificam as pessoas (exemplo: endereço IP atribuído a cada dispositivo eletrónico), nem usem cookies (arquivos que armazenam dados de pesquisa do utilizador). Exemplos destes motores de busca: DuckDuckGo, Qwant, SearX e Peekier.
 
Sabia que a “nuvem” não existe? 
Partindo da observação de nuvens no céu e da clarificação do que é a figura de estilo metáfora, mostra-se como funcionam os centros de dados, através de servidores e cabos submarinos físicos que os ligam, enfatizando que consomem recursos naturais poluentes e escassos - como o petróleo - e têm vulnerabilidades. 
 
Este sítio realiza ainda oficinas de formação temáticas em linha, algumas gravadas em tempo real e que podem ser consultadas de acordo com a disponibilidade de cada um e disponibiliza outros recursos que podem ser usados em sala de aula ou família (a pandemia Covid-19 reforça esta ligação), por exemplo:
 
- Livros ilustrados e divertidos: Esquisitiras – Tirinhas sobre respeito em matéria de bullying; 
- Jogos: Datamundi sobre privacidade, proteção de dados, cidadania digital e segurança na internet.
 
Nascida no Brasil e tendo como público-alvo professores de todos os países de língua portuguesa, Pilares do Futuro foi lançada oficialmente a 5 de agosto de 2020 e tem como parceiros, entre outros, Educadigital, organização da sociedade civil que trabalha na promoção dos direitos - e deveres - digitais universais, Núcleo de Informação e Coordenação (NIC.br) do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) e Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).  
 
A UNESCO inspira o seu nome e áreas de trabalho - Aprender a Aprender, Aprender a Fazer, Aprender a Conviver e Aprender a Ser (1) e as suas prioridades no digital que são para esta esta agência das Nações Unidas as seguintes: 
 
1. Literacia dos media e informação (MIL): a qualidade da informação, na vida real e internet, determina a perceção, crenças, conhecimentos e comportamentos em sociedade e, por isso, a educação nesta área desenvolve resiliência à Covid-19 e responde a questões que influenciam o alcance da globalidade dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: “Como podemos ter acesso, pesquisar, avaliar criticamente, usar e contribuir com conteúdo com sabedoria, tanto em linha quanto na vida real? Quais são os nossos direitos em linha e na vida real? Quais são as questões éticas que envolvem o acesso e uso da informação? Como podemos envolver-nos com os media e as TIC para promover igualdade, diálogo intercultural e inter-religioso, paz, liberdade de expressão e acesso à informação?”
A Declaração de Seul, publicada na Semana Global MIL (24 - 31 outubro 2020), sublinha a centralidade desta área da educação para combate à desinfodemia e violência e defesa de direitos (informação, liberdade de expressão, privacidade), convoca os dirigentes nacionais e municipais a participarem e incentivarem políticas e recursos para uma “literacia dos media e informação para todos e por todos”, desafia os intermediários tecnológicos a uma ação responsável na luta contra a desinformação e construção de comunidades alfabetizadas e, a própria UNESCO e ONU, a discriminar positivamente grupos desfavorecidos nesta área, designadamente mulheres.
 
2. Recursos Educativos Abertos (REA): materiais em qualquer formato e meio, de aprendizagem, ensino e investigação que são do domínio público ou têm licenças abertas que permitem acesso, adaptação e redistribuição livre e gratuita por outros. A UNESCO cunhou em 2002 a expressão e na sua Conferência Geral (40ª sessão em novembro de 2019) adotou a Recomendação sobre REA que define os padrões internacionais de REA de qualidade, inclusivos, equitativos e que promovem a cooperação. 
 
Estas prioridades condicionam direitos inalienáveis consagrados nos artigos 19.º (“procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão”), 26.º (“Toda a pessoa tem direito à educação”) e 27.º (“tomar parte livremente na vida cultural da comunidade, fruir as artes e participar no progresso científico e nos benefícios que deste resultam”) da Declaração Universal dos Direitos Humanos e, por isso, estão no centro do trabalho das bibliotecas escolares. Porque a pandemia tornou a sociedade mais dependente das oportunidades e exposta aos riscos do digital, mais do que estes direitos, não será vital o desenvolvimento de competências digitais junto de crianças e jovens e comunidade?
 
(1) Educação: um tesouro a descobrir
 
 
Referências
 
Delors, J. (Coord.). (1998). Educação: um tesouro a descobrir - Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI. UNESCO. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000129801
 
Educadigital, Núcleo de Informação e Coordenação (NIC.br), Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), UniTwin Cátedra da UNESCO em Educação a Distância da Universidade de Brasília.  (2020). Pilares do futuro. Disponível em: https://pilaresdofuturo.org.br/
 
LGPD Académico, Juventude Privada. (s.d.). Datamundi – Um jogo sobre privacidade, proteção de dados, cidadania digital e segurança na internet para toda a família. Brasil: Autor. Disponível em: https://drive.google.com/file/d/14KKrbij14M4ncMto-je-rpIyNgl5HIJe/view
 
Nardi da Silva, I. (2020). Esquisitiras: tirinhas sobre respeito. Araranguá, Brasil: Editora Hard Tech. Disponível em: https://drive.google.com/file/d/1-RhORQr0adkvu6dA7k8ZYTS-Q7eHjJPv/view
 
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). (2019a). Alfabetização de mídia e informação. Disponível em: https://en.unesco.org/themes/media-and-information-literacy
 
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). (2019b). Recursos Educacionais Abertos (REA). Disponível em: https://en.unesco.org/themes/media-and-information-literacy
 



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