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2021-01-05 PERFIL DO PROFESSO BIBLIOTECÁRIO.png

Anualmente, o gabinete coordenador da Rede de Bibliotecas Escolares solicita às bibliotecas o preenchimento da base de dados “Recursos Humanos”. Trata-se de uma prática que reforça a colaboração entre toda a Rede, desde os professores bibliotecários ao próprio gabinete, essencial para a boa definição de objetivos estratégicos, uma vez que a gestão de qualquer Programa implica, necessariamente, um sólido conhecimento do mesmo.

Sendo os professores bibliotecários elementos chave no sucesso do desempenho das bibliotecas escolares, é, pois, muito importante monitorizar sincrónica e diacronicamente o seu perfil, perceber as tendências e compreender que ações devem ser desenvolvidas para que essa figura tão essencial adquira as indispensáveis características para implementar as orientações definidas para as bibliotecas escolares.

Tal como acontece habitualmente, os dados relativos a 2020-2021 encontram-se disponíveis no portal RBE (Sínteses estatísticas) e possibilitaram a elaboração do infográfico acima.

A análise deste material permite concluir que a figura do professor bibliotecário, cujo número global tem mantido alguma constância nos últimos anos, tem presentemente grande estabilidade profissional: são, de um modo geral, professores de quadro, na sua maioria (81%) a exercer nas escolas a cujo quadro pertencem e, nos casos em que isso não acontece, mantendo, em geral, a colocação por vários anos. A generalidade dos professores bibliotecários (95 %) tem experiência profissional, resultante de vários anos de exercício de funções (8 em média), sendo residual o número de docentes que iniciaram agora o desempenho dessas funções (4 %).

Mantendo-se os professores bibliotecários tanto tempo em funções, é natural que a sua média de idades aumente consistentemente. Assim, se em 2013-2014 (primeiro ano de recolha deste dado) a média de idades dos professores bibliotecários era 48,7 anos, hoje é já 54 , o que, sendo compaginável com o que acontece no ensino em geral, parece indiciar a necessidade de atrair gente jovem para estas funções.

Também a distribuição por género tem mantido a mesma regularidade, igualmente coerente com o que se passa no quadro de professores: cerca de 85% dos profissionais pertencem ao género feminino.

Quando, em 2009-2010, se aplicou pela primeira vez a portaria que regula esta função, 14% dos docentes detinha formação académica específica para o seu exercício; presentemente esse número encontra-se nos 56%. Porém, se até 2015, ano em que se atingiu os 50% de profissionais com formação específica, o crescimento foi contínuo e muito expressivo (36% em cinco anos), desde 2015, o mesmo abrandou significativamente (6% em seis anos). Implicando o trabalho de professor bibliotecário conhecimentos sólidos em áreas como a informação, a leitura, os media, as tecnologias emergentes, considera-se essencial que os docentes que desempenham essas funções adquiram efetivamente a formação especializada necessária, pelo que se afigura como imprescindível envidar ações que convoquem os professores bibliotecários para essa formação.

Por outro lado, é de assinalar que 55% dos professores detém mais de 870 horas de formação contínua e 29% possui entre 250 e 870 horas, o que releva os professores bibliotecários como um grupo de docentes que investe, de facto, de forma consistente, na sua atualização profissional (84% com mais de 250 horas de formação). Certamente, a esse facto não será alheio o esforço que a Rede de Bibliotecas Escolares desenvolve, anualmente, nesse sentido, designadamente através dos coordenadores interconcelhios para as bibliotecas escolares.

Por não ser informação solicitada no formulário, resta a dúvida quanto à atualidade da formação reportada pelos professores, uma vez que toda a formação contínua nas áreas relacionadas com o trabalho das bibliotecas escolares realizada desde o início da carreira docente é contabilizada. Considerando a evolução dos ambientes e tecnologias digitais e a necessidade de as bibliotecas se tornarem cada vez mais híbridas, a atualidade da formação em áreas em desenvolvimento é essencial, pelo que será necessário, futuramente, incluir no questionário anual uma pergunta relativa a essa matéria. Igualmente desconhecidas são as áreas de formação. Visto que a ação do professor bibliotecário abrange um número tão significativo de áreas de trabalho, evidencia-se como igualmente necessário passar a recolher, anualmente, elementos que permitam averiguar a diversidade da formação do professor bibliotecário.

Face a estes dados, que reforçam o conhecimento que possuímos da nossa Rede, estas são algumas das pistas que importa considerar, tendo em vista o objetivo essencial, que nos une, de continuamente de melhorar e caminhar para a excelência.



RBE


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