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Photo by Irina Babina on Unsplash

Acalentamos esperança de dias melhores. A esperança é uma ideia concreta, um sentimento do que é possível, uma projeção futura do que queremos agora. Ao direcionar para o futuro, a esperança evoca um desejo do presente. A esperança tem sido também um motor de transformação na humanidade no sentido de mobilizar pessoas insatisfeitas que almejam um futuro diferente.

A forma como vivemos o presente e imaginamos o futuro regula a personalidade de cada indivíduo. O otimismo tem a ver com pensar que as coisas vão correr sempre muito bem e acontecer tal qual as imaginámos.  O modo como aprendemos a gerir as expectativas irá ditar se somos uma pessoa mais otimista ou mais pessimista, havendo até uma ideia de que os pessimistas podem ser mais felizes, por viverem com níveis de expectativas mais baixos.

Para racionalizar a esperança, esta esperança de dias melhores, fazemos o exercício de olhar a realidade, tal como ela se nos apresenta, e de traduzir esse sentimento nas causas que a concebem, e pensando as razões que nos permitem esperar o melhor daquilo que imaginamos. Também o conhecimento do mundo, do que se passa à nossa volta, ou até experiências idênticas mas em contextos mais longínquos, permite relativizar a nossa própria realidade, refletir sobre ela e ir encontrando algum equilíbrio nessa gestão de expectativas.

Ter esperança é parecido com saber esperar e saber esperar é uma coisa que demora a aprender e não é fácil ensinar. A leitura mediada de livros álbum é uma oportunidade para criar um espaço/ tempo para pensar em conjunto e partilhar ideias, experiências e emoções. Sugere-se um conjunto de álbuns que permitirão trazer à discussão e reflexão estas temáticas, assim como um livro digital que ficciona a experiência da pandemia com crianças de diferentes partes do mundo. Pelas suas características textuais e gráficas, podem ser utilizados com alunos de diferentes faixas etárias.

 

A árvore vermelha, Shaun Tan, Kalandraka

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A árvore vermelha é um canto poético à esperança, ainda que grande parte das suas ilustrações transporte o leitor para um mundo cinzento, agonizante e atemorizador. A protagonista sente-se triste, incompreendida, perdida, desorientada, vazia e vencida por circunstâncias adversas... mas eis que, quando e onde menos se espera, surge a luz ao fundo do túnel, o motivo desejado para vencer o desânimo.” (resenha da editora)

 

Espera, Miyuki, de Roxane Marie Galliez e Seng Soun Ratanavanh, Orfeu Negro

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Espera, Miyuki é um livro sobre a (im)paciência, que nos fala da arte de saber esperar. Delicado e sonhador, este álbum convida-nos a parar e a descobrir a lenta valsa de cada momento.” (resenha da editora)

 

À Procura de Ontem, Alison Jay, Fábula

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“Um rapaz decide ir à procura de ontem, pois foi o seu melhor dia de sempre. Para isso, usa todo o seu conhecimento científico na tentativa de voltar ao passado, mas sem sucesso. É então que vai ter com o avô e lhe pede ajuda. Este vai mostrar-lhe que mais importante do que voltar a ontem é viver plenamente o hoje. Todos gostamos de guardar as boas recordações de experiências passadas, mas o melhor ainda pode estar para vir. Há que aproveitar tudo o que de bom o dia de hoje nos pode trazer.” (resenha da editora)

 

Ainda nada, Christian Voltz, Kalandraka

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“Uma manhã bem cedo, o Sr. Luís cavou um buraco na terra onde deixou cair uma semente. Sob o olhar expectante de um pássaro, sempre presente, foi medrando nele o desejo de ver brotar e crescer a flor que plantou. Mas, «Ainda nada?», perguntava ele, dia após dia, ao ver que nada acontecia, até ao momento em que… O texto aparentemente simples deste álbum encerra uma mensagem fulcral: a descoberta da paciência e a virtude da perseverança. Através do processo do nascimento e crescimento de uma planta, Christian Voltz constrói uma metáfora da própria vida, com as suas frustrações, mas também com as suas satisfações.” (resenha Wook)

 

Esperança, onde está você?, Lego Foundation

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Escrito pelos professores Armand Doucet (Canadá) e Elisa Guerra (México), o livro infantil “Esperança, onde está você?” conta a história de seis crianças, moradoras de diversas partes do planeta, que enfrentam o encerramento de escolas em virtude da COVID-19. Abordando as suas frustrações e desafios, as histórias seguem um padrão semelhante, visando levar uma mensagem de esperança. O projeto, uma iniciativa da Lego Foundation, foi traduzido por educadores voluntários para aproximadamente 30 idiomas. A versão em português PT pode ser descarregada aqui.

 

Pistas para discussão:

Afinal a esperança existe? Será a esperança uma ilusão ou aquilo que é possível? É bom ter esperança? Pode-se viver sem esperança? Pode-se viver com esperanças desmedidas?

O que posso fazer para concretizar um futuro que desejo? Como posso lidar com as coisas que não dependem de mim?

Como percebemos os provérbios contraditórios “Quem espera, sempre alcança” e “Quem espera, desespera”? É possível encontrar um equilíbrio?



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