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Fonte: https://www.rbe.mec.pt/np4/2673.html

Aproximando-se a data de comemoração do centenário do Prémio Nobel da Literatura, José Saramago (16 de novembro de 2022), lembramos, por ocasião do 72.º aniversário do Dia Mundial dos Direitos Humanos, o cidadão e escritor quando, no banquete do Prémio Nobel, proferido no 50.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos (10. 12. 1998), diz: 
 
“Neste meio século não parece que os governos tenham feito pelos direitos humanos tudo aquilo a que moralmente estavam obrigados. As injustiças multiplicam-se, as desigualdades agravam-se, a ignorância cresce, a miséria alastra. […]
 
Mas também não estão a cumprir o seu dever os cidadãos que somos. Pensamos que nenhuns direitos humanos poderão subsistir sem a simetria dos deveres que lhes correspondem […]. Tomemos então, nós, cidadãos comuns, a palavra. Com a mesma veemência com que reivindicamos direitos, reivindiquemos também o dever dos nossos deveres. Talvez o mundo possa tornar-se um pouco melhor.”
 
Inspirada neste discurso de José Saramago, a Carta Universal de Deveres e Obrigações dos Seres Humanos foi criada por uma equipa internacional de pessoas da cultura, de diferentes formações e ideologias, foi entregue oficialmente à Organização das Nações Unidas e está a ser discutida e divulgada por Pilar del Rio, presidente da Fundação José Saramago.
 
A Carta Universal de Deveres e Obrigações dos Seres Humanos mantém com a Declaração Universal dos Direitos Humanos (ONU, 1948) e os  Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ONU, 2015) que a impulsionam, um vínculo essencial, pois os deveres que ela consagra são simétricos dos direitos desta e são deveres do cidadão para consigo próprio, para com a comunidade e para com as gerações futuras. 
 
Para que cada cidadão se comprometa com as próprias ações e com as ações dos outros no quadro da atual sociedade e crise ambiental, é necessário que abandone a atitude de indiferença e passividade perante o que se passa à sua volta - espécie de “cegueira branca”, descrita por José Saramago em Ensaio sobre a Cegueira (1995) - e assuma uma responsabilidade, não apenas jurídica e individual, mas também ética e global (Preambulo da Carta Universal de Deveres e Obrigações dos Seres Humanos).
 
Esta revolução coperniciana que coloca o sofrimento humano e o desequilíbrio ambiental no centro dos compromissos de cada cidadão é a revolução da bondade e do cuidado e dela podemos esperar que o mundo cresça em liberdade e harmonia, de forma justa e equitativa.
 
Com o propósito de consciencializar para a importância de exercermos os nossos direitos tendo por base o bem comum, a Rede de Bibliotecas Escolares criou, com base na Carta Universal dos Deveres e Obrigações dos Seres Humanos, um conjunto de dez propostas de atividades, dirigidas a crianças e jovens, de todas as idades e níveis de educação e ensino, que geram o diálogo, o engajamento e a transformação de si próprios e da comunidade.
 
Artigo completo: O dever dos nossos deveres | DUDH e CUDOSH



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