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Foi no Terreiro do Paço, junto à estátua equestre do rei Dom José I, o ponto encontro da turma H1 do 12.º ano e de alguns professores da Escola Secundária Leal da Câmara com os Capitães de Abril, Coronéis Aniceto Afonso, Carlos de Matos Gomes, Rodrigo de Sousa e Castro e Nuno Santa Clara Gomes e a representante da Associação 25 de Abril, Marília Afonso. O propósito do encontro era contar a história da Revolução do 25 de Abril de 1974 realizando, a pé, o percurso que o Capitão Salgueiro Maia e as suas tropas fizeram há quase 40 anos atrás, desde o Terreiro do Paço até ao Largo do Carmo, passando pela sede da PIDE/DGS.

Conforme definida por Otelo Saraiva de Carvalho a Operação Fim do Regime deveria decorrer por meios inteiramente pacíficos: tiros só em último recurso, “nunca seríamos nós [os militares] a tomar a iniciativa”. Cercado com peças de artilharia e meios de transporte - dez blindados, doze viaturas de transporte, duas ambulâncias e um jipe era a composição da coluna militar proveniente da Escola Prática de Cavalaria de Santarém – as tropas comandadas pelo Capitão de Cavalaria Salgueiro Maia ocuparam a Praça do Comércio na manhã do dia 25 de Abril. Seguiu-se a esta ocupação a do Largo do Carmo, defronte ao quartel do Comando-Geral da GNR, onde o presidente do Conselho, Marcelo Caetano e dois dos seus principais ministros se refugiaram. A rendição ocorreu às 17 horas. A sede da PIDE/DGS, situada na Rua António Maria Cardoso, ao Chiado, só seria tomada 6.ª feira, dia 26 de abril, pelas 9:30 horas. Nessa mesma noite mais de 80 agentes da polícia política são detidos em Caxias enquanto todos os presos políticos são libertados. A Operação foi bem sucedida não apenas na capital, mas nos diversos pontos do país porque todas as unidades militares aderiram e estavam conectadas e porque a população apoiava a Revolução. Habituados à incógnita da morte os militares da Revolução arriscaram a vida por uma causa: o derrube da ditadura que já durava há meio século e o fim da guerra colonial. Exemplo disto mesmo é a situação vivida por Salgueiro Maia na Praça do Comércio: 29 anos, trajado com farda igual à dos homens que comandava, sozinho e com uma granada no bolso (caso fosse preso, far-se-ia explodir), em frente a quatro blindados M47 - “bisontes” de 47 toneladas cada um com um poder demolidor - da Cavalaria 7, força afeta ao Regime e que ele, pela via do uso da palavra e do diálogo, consegue neutralizar. Cumpridos os objetivos da Operação, muitos militares, Capitães de Abril, como preferem denominar-se, recusam ser tomados como heróis porque acreditam em causas coletivas e não em homens providenciais. “Só fiz o que tinha de ser feito”, disse Salgueiro Maia. Numa época, a nossa, dominada pela ditadura de autopromoção da imagem, em que se fabricam instantaneamente heróis, cujo único mérito é aparecer, figuras como as dos Capitães de Abril que, agindo em nome de ideais impostos pela própria consciência, ainda que contrários às leis dos homens, reduzem estes fenómenos de superfície a simples fantasmas. Riquíssima em conhecimento e em mensagem, esta lição sobre o 25 de Abril de 1974 que os Capitães Carlos de Matos Gomes e Rodrigo de Sousa e Castro dirigiram, sempre com humor e em diálogo com os nossos alunos e professores, ficará registada, para sempre, como uma das mais gratas memórias da Escola.

Liliana Silva

Professora bibliotecária

Escola Secundária Leal da Câmara

Sintra



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