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Blogue RBE

Qua | 13.03.24

Metodologias ativas na promoção da leitura e da escrita

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1. De que falamos quando nos referimos a metodologias ativas?

 Em educação, o conceito metodologias ativas é utilizado quando colocamos o aluno no centro do ato de aprender, conduzindo-o a participar, a refletir, a colaborar e a resolver problemas, por oposição a metodologias mais centradas na ação do professor. Embora os modelos de ensino mais centrados no professor continuem a fazer sentido para dar instruções diretas ou para apresentar e explicar conceitos, as metodologias centradas no aluno têm a vantagem de contribuir para o desenvolvimento de competências que são hoje socialmente valorizadas e para transformar as aprendizagens dos alunos em aprendizagens mais significativas. O professor deve ser eclético no uso e combinação que faz das diferentes metodologias.

Neste artigo, referimos três modelos de ensino centrados no aluno, apresentados por Richard Arends:

Aprendizagem cooperativa

Com raízes na Grécia Antiga, esta metodologia foi desenvolvida ao longo dos tempos e, mais recentemente, beneficiou do trabalho de psicólogos e pensadores como Piaget e Vygotsky. Os alunos expostos a este tipo de metodologia são encorajados a trabalhar numa tarefa comum, sendo necessário coordenar esforços para a realizarem. Uma vez que trabalham em equipas heterogéneas, em termos de aproveitamento académico, género e contexto social e cultural, os alunos alcançam resultados académicos e, em simultâneo, desenvolvem a tolerância, a aceitação da diversidade e competências sociais, como a cooperação e a colaboração.

  Aprendizagem baseada em problemas

 Ao contrário das metodologias centradas na ação do professor, que privilegiam a instrução direta, a aprendizagem baseada em problemas implica que o docente confronte os alunos com a resolução de problemas, lhes faça perguntas, os instigue a investigarem e os prepare para saberem dialogar.  Com suporte na psicologia cognitiva e no pensamento de Dewey, esta abordagem não se foca no que os alunos estão a fazer, mas no que estão a pensar, enquanto fazem algo, ou seja, enquanto investigam e resolvem problemas. O recurso a um conjunto de técnicas/estratégias (scaffolding) que permitem que o aluno alcance níveis mais elevados de compreensão e de autonomia face à aprendizagem é um aspeto muito importante a ter em conta neste tipo de metodologia.

Para que a aprendizagem baseada em problemas seja bem-sucedida, é necessário que o professor seja capaz de criar ambientes de aprendizagem propícios à troca aberta e honesta de ideias. Este tipo de metodologia permite que os alunos desenvolvam o seu pensamento crítico, competências de pesquisa e resolução de problemas, aprendam a desempenhar papéis atribuídos a adultos, através da participação em situação reais ou simuladas, e se tornem aprendentes mais autónomos.

Discussão em sala de aula

A discussão em sala de aula é uma metodologia que pode ser utilizada per se ou incluída noutros modelos de ensino, implicando o desenvolvimento de situações em que alunos e professor, ou alunos e alunos, conversam uns com os outros e partilham ideias e opiniões. A discussão em sala de aula é utilizada para ajudar os alunos a melhorarem o seu pensamento e a compreensão dos conceitos académicos, para aumentar o seu grau de envolvimento e motivação para debater assuntos para além da sala de aula, e para desenvolverem competências de comunicação.

A discussão em sala de aula é uma metodologia que, tal como outras, exige que seja bem planificada e concretizada para ser eficaz. O professor deve ter em conta o propósito da discussão, saber quais os conhecimentos prévios que os alunos têm sobre o tema em debate, conduzir a discussão com mestria, ajudar os alunos a resumirem o que foi dito e, por vezes, refletir sobre o modo como esta metodologia decorre.

2. Metodologias ativas na promoção a leitura e da escrita

 A experiência e os estudos (Yopp & Yopp, 2014) dizem-nos que a promoção da leitura e da escrita, quer em contexto de sala de aula, quer em articulação com a biblioteca escolar, é mais eficaz se os alunos forem envolvidos ativamente nas atividades que os preparam para ler e escrever, assim como nas atividades que advêm da leitura e da escrita. Isto é, a promoção da leitura e da escrita assumem mais sentido junto dos alunos, quando estes realizam atividades significativas, cooperam uns com os outros, trabalhando em pares ou em grupo, são desafiados a resolver problemas, questionam-se, assumem posições, argumentam, colocam-se no papel do outro, refletem e são, muitas vezes, conduzidos à ação que extravasa os muros da escola.

Ao desenhar e desenvolver projetos de leitura e de escrita nas escolas, desejavelmente em articulação com a biblioteca escolar, o professor da área disciplinar/o professor titular de turma/o educador e o professor bibliotecário devem estar conscientes da importância de desenvolver estratégias lúdico-pedagógicas que envolvam efetivamente o aluno e não atividades que, muitas vezes, implicam demasiada energia do mediador, mas pouco contribuem para o desenvolvimento de competências do aluno. Isto é válido para as diferentes atividades preparadas e realizadas no âmbito da promoção a leitura recreativa e orientada, ou nas atividades que preveem a socialização e o envolvimento das famílias.

3. Perguntas que os professores devem fazer quando preparam atividades de promoção da leitura e da escrita

 De acordo com as especialistas Yopp & Yopp, ao desenharem atividades de promoção da leitura e da escrita, os professores, além de conhecerem muito bem as obras ou textos que pretendem que os seus alunos leiam, devem fazer uma reflexão em torno destas questões:

  • A atividade ativa ou desenvolve o conhecimento prévio do aluno sobre o assunto?

  • A atividade exige que o aluno utilize estratégias de compreensão? Essas estratégias incluem: definir objetivos de leitura, prever, ativar conhecimentos prévios, monitorizar, inferir, perguntar, resumir, fazer esquemas.

  • A atividade estimula a reflexão sobre as ideias do texto e promove o pensamento crítico? O aluno é conduzido a compreender, a aplicar, a analisar, a avaliar e a criar?

  • A atividade é adequada a um leque alargado de leitores?

  • A atividade promove o trabalho colaborativo e a partilha e construção de interpretações?

  • O aluno beneficia da atividade? Ou seja, a atividade desenvolve a compreensão? O aluno tem oportunidade de ser criativo?

  • A atividade promove a discussão em torno do texto, induz à produção de conexões e incentiva à produção de respostas pessoais?

O desenvolvimento de atividades de promoção da leitura e da escrita deve representar um modo de fazer refletido e estratégico, recorrendo a metodologias centradas no aluno.  De acordo com as autoras, as atividades devem servir de suporte à promoção da leitura e da escrita e não distrair os alunos do texto. Os professores deveriam proporcionar aos alunos momentos de leitura e de discussão à volta dos textos várias vezes por dia e em diferentes contextos. Estas oportunidades permitirão que os alunos se transformem em leitores competentes, independentes e apaixonados pela leitura. A biblioteca escolar pode e deve ser uma estrutura catalisadora.

Referências

  1. Arends, R.I. (2009). Learning to teach, 8th edition. McGraw-Hill
  2. Yopp, H. K. & Yopp, R. H. (2014). Literature-based reading activities: Engaging Students with Literary and Informational Text, 6th edition. Pearson.
  3. 📷 Escola Básica e Secundária de Valença

 

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