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Blogue RBE

Ter | 25.11.25

Livros para todos os gostos

por Aurélia Azevedo, Professora Bibliotecária da Escola Básica de Ribeirão, Vila Nova de Famalicão

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Sou professora bibliotecária há 25 anos. Sempre acreditei que a cultura é que nos salva. Para isso acontecer é essencial dotar os jovens de “armas “que lhes permitam ter opinião própria e pensar pela sua cabeça.

A fórmula secreta é, sem dúvida, a aposta na leitura. As bibliotecas escolares que coordeno têm sido reconhecidas como espaços essenciais para a aprendizagem ao longo dos anos, fornecendo recursos, serviços e apoio aos alunos, professores e comunidade educativa. Recentemente requalificada, a Biblioteca da Escola Básica de Ribeirão respira um ambiente renovado que reflete a mudança, a criatividade e a abertura para experiências educativas diversificadas. Promover a paixão pelos livros e pela leitura tem sido o lema da equipa que coordeno.

Em articulação com os docentes de Português tem-se feito uma caminhada em que todos os alunos são motivados /desafiados/obrigados a ler um livro e a apresentá-lo em contexto de sala de aula. Esta estratégia permite a construção de um património cultural comum e assegura que jovens provenientes de diferentes origens partilhem referências, textos e imaginários da nossa memória coletiva. O aluno que leu um livro e partilha a sua experiência de leitura com os restantes alunos da turma está a trabalhar de forma integrada o seu desenvolvimento pessoal, social, cultural e linguístico.

O envolvimento dos alunos no enriquecimento do fundo documental diversificado, sugerindo títulos que correspondem aos seus interesses, reforça uma relação de pertença e estimula a leitura. É muito importante este envolvimento para que os alunos se identifiquem, envolvam-se e se comprometam com as sugestões dadas.

Temos adotado uma política de diversidade textual que vai ao encontro dos diferentes perfis de leitores da nossa área educativa: alguns abrem livros como quem escancara uma janela; outros, como quem fecha uma porta por dentro. Há os que percorrem páginas com sofreguidão — quase ansiosos por uma epifania. E há quem leia devagar, sem pressa, como se temesse que o fim dissipe aquilo que só começa no intervalo das frases. O leitor de fantasia procura mundos mais justos. O leitor gótico prefere os mundos que se quebram com elegância. O romântico quer amar como ninguém ousou. O intelectual quer compreender e ir mais além. O leitor triste, esse não quer nada — só que alguém o entenda, mesmo que nunca o veja.

A leitura por prazer é assim estimulada e é uma forma essencial para formar leitores autónomos, leitores que leem porque querem, e não apenas por obrigação. Garantir o acesso a obras de qualidade ao mesmo tempo que se respeita as preferências individuais é um direito dos alunos e uma responsabilidade da biblioteca escolar. Atenta à inovação e à integração de outras competências, a biblioteca também se destaca com um serviço diversificado projetos, palestras, concursos e exposições que promovem, não apenas o saber convencional, mas também as competências essenciais, como a literacia digital, dos média, fílmica e informacional. Eventos como encontros com escritores, feiras do livro e iniciativas associadas a diferentes projetos e parcerias, proporcionam aos alunos a oportunidade de expressarem as suas opiniões, defenderem ideias e desenvolverem habilidades críticas e democráticas.

Num mundo em constante mudança, a Biblioteca Escolar continua a reinventar-se, incorporando novas tecnologias e metodologias, sem nunca perder o seu compromisso com a inclusão, a equidade e o acesso ao saber. O seu impacto é visível nas histórias de sucesso de tantos alunos que ali encontraram apoio, motivações e ferramentas para crescer.

Assim, é justo reconhecer e valorizar o papel insubstituível da Biblioteca Escolar de Ribeirão, desejando que continue a ser, por muitos anos, um lugar de encontro, partilha e crescimento para toda a comunidade educativa.

Aurélia Azevedo
Pofessora Bibliotecária da Escola Básica de Ribeirão
Vila Nova de Famalicão

 

 

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  1. Qualquer semelhança entre o título desta rubrica e a obra Retalhos da vida de um médico, não é pura coincidência; é uma vénia a Fernando Namora.
  2. Esta rubrica visa apresentar apontamentos breves do quotidiano dos professores bibliotecários, sem qualquer preocupação cronológica, científica ou outra. Trata-se simplesmente da partilha informal de vivências.
  3. Se é professor bibliotecário e gostaria de partilhar um “retalho”, poderá fazê-lo, submetendo este formulário.

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Este trabalho está licenciado sob licença: CC BY-NC-SA 4.0

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