Liderar Com a Juventude

O Relatório da Juventude de 2026, Liderar Com a Juventude [1], apresenta a primeira avaliação global de referência sobre a participação de jovens e estudantes na tomada de decisões educativas.
Vem na sequência:
- Da Declaração da Juventude, apresentada na Cimeira Transformando a Educação 2022 das Nações Unidas, que considera os jovens parceiros-chave das políticas e decisões para melhorar a qualidade da educação;
- Do Pacto do Futuro adotado na Cimeira do Futuro 2024 das Nações Unidas – que, na Ação 36, se compromete a fortalecer a participação significativa dos jovens a nível nacional:
“Elogiamos as importantes contribuições que os jovens já estão a dar para o avanço da paz e segurança, desenvolvimento sustentável e direitos humanos nos seus próprios países. Só poderemos atender às necessidades e aspirações de todos os jovens se os ouvirmos sistematicamente, trabalharmos com eles e lhes proporcionarmos oportunidades significativas para moldar o futuro” [2].
- Da Estratégia da União Europeia para a Juventude 2027, a nível europeu.
É um mecanismo de acompanhamento e responsabilização global, ao nível dos governos/países e organizações de jovens e estudantes, sobre a participação dos jovens nas tomadas de decisão em educação.
Identifica um problema: muitos países desenvolvem mecanismos formais de consulta aos jovens, mas os pontos de vista dos jovens não influenciam a legislação e políticas educativas que moldarão os seus futuros. Trata-se, na maioria das vezes, de uma participação simbólica, sem estruturas nem mandatos formais/institucionais e que não assegura responsabilização ou influência e trabalho em todas as etapas.
“Os jovens carecem de representação em posições de poder e são excluídos de decisões políticas que os afetam de forma desproporcionada, como as relativas à dívida pública, às alterações climáticas e - foco principal deste relatório - à educação” (p. 63).
Dos 93 governos/países que responderam ao inquérito que está na base do Relatório (amostra global representativa): um em cada três relatou ter uma exigência de envolvimento dos jovens e estudantes na educação em organismos formais; três em cada quatro consultaram jovens sobre legislação e políticas educativas nos últimos 3 anos. São os países mais ricos os que mais dispõem destes mecanismos formais.
Das 101 respostas de organizações de jovens e estudantes, amostra na qual países europeus estão sobrerrepresentados, “menos de um em cada três sentiu ser frequentemente envolvido e apenas um em cada cinco se sentiu valorizado ou numa relação colaborativa (…) sentem frequentemente que a sua voz e visibilidade são limitadas. Mesmo quando as organizações têm um lugar à mesa através de mecanismos formais, percecionam muitas vezes uma falta de vontade genuína de as ouvir” (p. 5).
Formas de os jovens exercerem liderança para melhorarem a qualidade da educação são: conselhos de estudantes, comissões de gestão escolar, ativismo digital, organizações da sociedade civil e até sindicatos de estudantes. Na escola, “Podem alterar as práticas em sala de aula; melhorar as relações entre pares; promover relações positivas com os professores; reforçar a sua autoconfiança; e fortalecer competências como a comunicação, a escuta ativa, a cidadania responsável e a própria liderança” (p. 19).
O Relatório Inclui recomendações, elaboradas com jovens, para melhorar a sua participação na educação:
- Estabelecer mecanismos formais, em legislação ou regulamentos, que exijam a participação de jovens e estudantes nas decisões sobre novas leis ou políticas educativas;
- Garantir que os processos sejam significativos, acessíveis, inclusivos e representativos;
- Envolver os jovens e estudantes não apenas na conceção, mas também na implementação e monitorização da legislação e das políticas educativas, para construir mais confiança nas instituições e responsabilidade nas decisões;
- Desenvolver competências cívicas no currículo e alocar recursos para desenvolver a capacidade de organizações juvenis e estudantis (p. 65).
Propõe “que, daqui para a frente, seja recolhida a seguinte informação: o Ministério da Educação é obrigado por lei, regulamento ou outro documento governamental formal a envolver (i) organizações juvenis e/ou (ii) organizações ou redes de estudantes, quando concebe uma nova lei ou política educativa?” (p. 64). Deve ainda avaliar se os esforços governamentais para envolver jovens e estudantes na tomada de decisões em educação são significativos, inclusivos e eficazes.
Lançado a 23 de janeiro, num evento da UNESCO que celebra o Dia Internacional da Educação 2026 - este ano subordinado ao tema O poder da juventude na cocriação da educação - o Relatório conclui o ciclo de relatórios GEM 2024/2025 sobre liderança [3] e é o primeiro de uma nova série do Relatório GEM, Contagem Decrescente para 2030, que examinará a futura agenda global de educação pós-Agenda 2030, que deverá ser cocriada com os jovens.
É acompanhado de um mapeamento global de mais de 500 organizações juvenis e estudantis representativas a nível nacional, no qual Portugal está representado através de 3 organizações: Conselho Nacional/Consultivo de Juventude; Federação Académica para a Informação e Representação Externa (Ensino Superior); Federação Nacional de Associações Juvenis [4].
Inclui ainda uma série de materiais ilustrados de comunicação e defesa de direitos elaborados com os jovens.
Referências
- Global Education Monitoring Report Team & United Nations Youth Office. (2026). Global education monitoring report 2026: lead with youth; youth report. https://doi.org/10.54676/ELTQ3060
- United Nations. (2024). The Pact for the Future. https://www.un.org/pga/wp-content/uploads/sites/109/2024/09/The-Pact-for-the-Future-final.pdf
- Global Education Monitoring Report Team. (2026). Leadership in education. UNESCO. https://www.unesco.org/gem-report/en/publication/leadership
- Global Education Monitoring Report. (2026). Youth Report: Lead with youth. UNESCO. https://www.unesco.org/gem-report/en/publication/2026youthreport?hub=66580
- Fonte da imagem [1]