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Fonte: https://www.oecd.org/education/2030-project/

“Como podemos preparar os estudantes para empregos que ainda não foram criados, para enfrentar desafios sociais que ainda não podemos imaginar e para utilizar tecnologias que ainda não foram inventadas? Como podemos equipá-los para prosperarem num mundo interligado onde precisam de compreender e apreciar diferentes perspetivas e visões do mundo, interagir respeitosamente com os outros e tomar medidas responsáveis em prol da sustentabilidade e do bem-estar coletivo?”

Estas são algumas das questões que introduzem a apresentação em linha de Future of Education and Skills 2030/ Futuro da Educação e Competências 2030, criado em 2015 pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Para que esta discussão seja gerada globalmente, a OCDE propõe uma estrutura concetual comum, na qual participam líderes políticos e escolares, académicos, professores, alunos e parceiros sociais de todo o mundo.

Futuro da Educação e Competências 2030 desenvolve-se em duas fases:

Primeira: Desenvolvida até 2019, foca-se em “que” competências (conhecimentos, aptidões, atitudes, valores) devem os estudantes desenvolver e dela resulta Learning Compass 2030/ Bússola de Aprendizagem 2030;

Segunda: Em construção desde 2019, Teaching Framework for 2030/ Estrutura de Ensino para 2030 incide sobre “como” implementar currículos e ambientes de aprendizagem que tornem efetivas até 2030 as competências identificadas. Embora a tecnologia possa ser um valioso instrumento, os professores, tutores, mentores… e os aspetos relacionais do ensino serão determinantes para a aprendizagem, a realização pessoal e o bem-estar.

Bússola de Aprendizagem 2030 parte de uma metáfora, a “bússola”, cujo uso em educação Andreas Schleicher, Diretor da Direção de Educação e Competências da OCDE, justifica:

"A educação já não é apenas ensinar aos estudantes algo específico; é mais importante ensiná-los a desenvolver uma bússola e ferramentas de navegação confiáveis para que eles possam encontrar o próprio caminho num mundo cada vez mais complexo, volátil e incerto. A nossa imaginação, consciência, conhecimento, competências e, o mais importante, os nossos valores comuns, maturidade intelectual e moral e sentido de responsabilidade são o que nos guiará para o mundo se tornar um lugar melhor." Presentation at the Forum on Transforming Education, Global Peace Convention, 2019.

A Bússola de Aprendizagem proposta pela OCDE traça as bases de um currículo internacional comum - aplicável a todos os tipos e níveis de educação e dinâmico, em que os diferentes temas e disciplinas estão inter-relacionados e cada estudante realiza um diferente percurso de aprendizagem consoante as suas competências prévias, talentos e vontade. Perspetiva ainda “diferentes tipos de avaliação para diferentes fins”, em vez de testes normalizados (Bússola de Aprendizagem 2030, p. 13). A Bússola 2030 é composta por 7 elementos indissociáveis e complementares:

1. Fundamentos essenciais - Tendo como propósito o bem-estar individual e coletivo, as aprendizagens essenciais “não abrangerão apenas a literacia e numeracia, mas também a literacia de dados e digital, a saúde física e mental, a saúde social e aptidões emocionais.” (Ibid., p. 25).

2. Competências transformadoras – São três: “Criar novo valor” para uma vida melhor, questionando o status quo, cooperando e pensando de modo criativo; “Conciliar tensões e dilemas” resolvendo problemas complexos, aprofundando e equilibrando as próprias posições com posições opostas e cultivando relações de respeito e empatia; “Assumir responsabilidades” avaliando as próprias ações com base na sua experiência e nos objetivos éticos de educação (Ibid., p. 60).

3. Agenciamento/ co-agenciamento dos estudantes - Sempre que os estudantes são ativos no que e como aprendem, aumenta o seu gosto por aprender a aprender e produzir benefícios na própria vida e na vida da comunidade e é reforçado o seu sentido de realização e pertença (Ibid., p.32). Para além de serem responsáveis pela própria aprendizagem, eles - tal como os professores e diretores - são agentes de mudança do sistema educativo.

4. Conhecimento - “As competências correspondem a um conceito holístico que envolve a mobilização de conhecimentos, aptidões, atitudes e valores para satisfazer exigências complexas.” (Ibid., p. 84). A Bússola 2030 reconhece diferentes tipos de conhecimento: Disciplinares (sobre temas específicos); Interdisciplinares (relação entre temas ou trabalhados com base em projetos); Epistémicos (pensar e trabalhar como um profissional especializado); Processuais (compreender os passos como algo é feito). Todos os conhecimentos têm uma componente teórica – concetual - e prática - baseada na experiência - e contribuem para uma compreensão alargada e aprofundada de problemas e contextos (Ibid., p. 72).

5. Aptidões - Correspondem à capacidade de usar o próprio conhecimento para um objetivo e, segundo Bússola de Aprendizagem 2030, são de 3 tipos: Cognitivas e metacognitivas (aprender a aprender ao longo da vida); Sociais e emocionais - “empatia, auto-consciencialização, respeito pelos outros e capacidade de comunicar estão a tornar-se essenciais à medida que as salas de aula e locais de trabalho se tornam mais étnica, cultural e linguisticamente diversos”; Práticas e físicas – associadas a tarefas manuais, ao desporto e às artes promovem o envolvimento emocional, a inteligência empática, o empenho e a persistência na aprendizagem (Ibid., p. 84).

6. Atitudes e valores – Traduzem-se nos princípios e crenças que influenciam os nossos julgamentos, decisões e ações em direção ao bem-estar. À medida que os locais de trabalho e comunidades são mais diversificados, que a tecnologia se desenvolve, que a confiança nas instituições é posta em causa, valores partilhados de cidadania adquirem uma importância crescente na aprendizagem (Ibid., 100).

7. Ciclo Antecipação-Ação-Reflexão - É importante que as ações praticadas sejam intencionais e responsáveis e, por isso, é necessário antecipar antes de agir - prevendo as consequências e compreendendo as próprias intenções, bem como as intenções dos outros - e refletir depois da ação praticada - tornando mais eficiente o pensamento e ação (Ibid., 118).

Futuro da Educação e Competências 2030 - Bússola de Aprendizagem 2030 opta “por utilizar a palavra 'aprendizagem' em vez de 'currículo' para que o quadro [2030 da OCDE] abrace todas as formas de aprendizagem, incluindo atividades formais, não formais e informais” (Ibid., p. 130). No geral, propõe uma visão holística do que os estudantes precisam de aprender para moldar um futuro melhor e ajuda os Estados-Membros e parceiros a construir uma visão comum sobre o futuro da educação.

 



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